prÁticas educativas: adaptaÇÕes curriculares

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  • MINISTRIO DA EDUCAO SECRETARIA DE EDUCAO ESPECIAL

    PROGRAMA DE FORMAO CONTINUADA DE PROFESSORES NA EDUCAO ESPECIAL

    UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JLIO DE MESQUITA FILHO FACULDADE DE CINCIAS/BAURU DEPARTAMENTO DE EDUCAO

    PRTICAS EDUCATIVAS: ADAPTAES CURRICULARES

    BAURU/2008

  • 2

    Presidente da Repblica Luiz Incio Lula da Silva Vice- Presidente Jos Alencar Gomes da Silva Ministro de Estado da Educao Fernando Haddad Secretria da Educao Especial Claudia Pereira Dutra Reitor da Universidade Estadual Paulista Jlio De Mesquita Filho Marcos Macari Vice-reitor Herman Jacobus Cornelis Voorwald Diretor da Faculdade de Cincias Henrique Luiz Monteiro Vice- Diretor Joo Pedro Albino Coordenadora do Curso: Prticas em Educao Especial e Inclusiva na rea da Deficincia Mental. Vera Lcia Messias Fialho Capellini

    DIVISO TCNICA DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAO UNESP Campus de Bauru

    371.9 L554p

    Leite, Lcia Pereira. Prticas educativas: adaptaes curriculares / Lcia Pereira Leite, Aline Maira da Silva In: Prticas em educao especial e inclusiva na rea da deficincia mental / Vera Lcia Messias Fialho Capellini (org.). Bauru : MEC/FC/SEE, 2008. 12 v. : il. ISBN 1. Educao inclusiva. 2. Adaptaes curriculares. 3. Prtica de ensino. 4. Deficincia mental. I. Leite, Lcia Pereira. II. Aline Maira da Silva. III. Capellini, Vera Lcia Messias Fialho. III. Ttulo.

    Ficha catalogrfica elaborada por Maria Thereza Pillon Ribeiro CRB 3.869

  • 3

    Prezado professor ou profissional das reas afins

    Este caderno parte do material didtico, produzido por uma equipe de especialistas em

    Educao Especial, para subsidiar o desenvolvimento do curso de aperfeioamento em Prticas

    em Educao Especial e Inclusiva na rea da Deficincia Mental. Esse material objetiva a

    veiculao de informaes sobre a educao da pessoa com deficincia mental e seus

    desdobramentos para a incluso social desta populao.

    Os cadernos que compem o material didtico so:

    1. Educao a distncia: desafios atuais.

    2. Educao especial: histria, etiologia, conceitos e legislao vigente.

    3. Desenvolvimento humano e educao: diversidade e incluso.

    4. tica profissional: (re) pensando conceitos e prticas.

    5. Informtica aplicada educao especial.

    6. Famlia-escola: discutindo finalidades, rupturas e desafios no processo educativo.

    7. Sexualidade infantil e orientao sexual na escola.

    8. Repensando a avaliao.

    9. Prticas educativas: ensino colaborativo.

    10. Prticas educativas: adaptaes curriculares.

    11. Prticas educativas: manejo comportamental e comportamentos pr-sociais.

    12. Prticas educativas: criatividade, ludicidade e jogos.

    No curso, sero trabalhados temas gerais visando a possibilitar o acesso s informaes

    sobre as causas da deficincia mental, aspectos conceituais, histricos e legais da educao

    especial, alm de contedos especficos para auxiliar a sua prtica pedaggica voltada para a

    diversidade, de maneira que, se necessrio, voc utilize adequaes curriculares para garantir o

    aprendizado de todos os alunos.

    Esperamos que este material possa contribuir a todos os profissionais que participam da

    construo de uma sociedade mais justa, mais solidria e mais igualitria para todos.

    Bom trabalho!

    Vera Lcia Messias Fialho Capellini

    Coordenadora do Curso

  • 4

    Sumrio Apresentao 3Unidade I: A Educao Inclusiva: o movimento para reorganizao da Escola

    4

    Unidade II: A flexibilizao do ensino 6Unidade III: Proposta de Adaptao Curricular 13Unidade IV: Consideraes sobre o processo educacional do aluno com deficincia mental

    22

    Referncias 27

  • 5

    Apresentao

    Neste caderno ns vamos falar de um tema muito discutido hoje em dia, a partir da implementao da Educao Inclusiva na nossa realidade educacional, que a questo das Adequaes Curriculares.

    Para isso, ns vamos comear apresentando a definio de adequaes curriculares, falar do amparo legal que a sustenta, da sua aplicabilidade na sala de aula e na Escola, dos profissionais envolvidos e dos cuidados para a sua elaborao.

    Pretendemos com este caderno que voc, professor, consiga ampliar os conhecimentos que tem sobre esta temtica, para que possa realmente flexibilizar o seu modo de ensinar para atender as peculiaridades do seu aluno, em particular o aluno com deficincia mental.

    Para auxiliar o nosso debate teremos o auxlio do Sra. Adapta sempre mostrando o tipo de atividade que ser colocada neste caderno e compartilhando informaes com voc.

    A imagem da Sra. Adapta esta disponvel em http://www.plenarinho.gov.br/noticias/reportagem-especial/dia-internacional-da-sindrome-de-down

    O caminho esse... Bom, vamos ao trabalho!!!

    http://www.europarl.europa.eu

    Oi Pessoal...

  • 6

    Unidade I: A Educao Inclusiva: o movimento para reorganizao da Escola

    Para iniciar o debate apresentaremos consideraes sobre a incluso escolar, evidenciando o momento histrico e poltico em que ela ocorre. Com isso pretendemos relatar a importncia da flexibilizao do ensino, principalmente nas prticas pedaggicas para a promoo da Educao Inclusiva, na nossa realidade escolar.

    A incluso escolar est inserida em um movimento mundial

    denominado incluso social que tem como objetivo efetivar a equiparao de oportunidade para todos, inclusive para os indivduos que, devido s condies econmicas, culturais, raciais, fsicas ou intelectuais, foram excludos da sociedade. Para tanto, tal movimento pressupe a construo de uma sociedade democrtica, na qual todos possam exercer a sua cidadania e na qual exista respeito diversidade.

    Tendo o Brasil reconhecido e feito uma opo poltica formal pela universalizao de um ensino que efetivamente disponibilize, a todos, o acesso ao conhecimento historicamente produzido e sistematizado pela humanidade e, que favorea as condies necessrias para a aprendizagem do exerccio da cidadania, h que se investir em maneiras de implementar a educao inclusiva no interior das nossas escolas.

    Aranha (apud Pietro 2003) ao discorrer sobre incluso escolar, relata que para que esta ocorra necessrio um rearranjo no sistema educacional, pois prev intervenes decisivas e incisivas, em ambos os lados da equao: no processo de desenvolvimento do sujeito e no processo de reajuste da realidade social [...]. Assim, alm de se investir no processo de desenvolvimento do indivduo, busca-se a criao imediata de condies que garantam o acesso e a participao da pessoa na vida comunitria, atravs da proviso de suportes fsicos, psicolgicos, sociais e instrumentais. (Grifos da autora).

    De acordo com Correia (1999) a Educao Inclusiva relaciona-se com a noo de escola enquanto um espao educativo aberto, diversificado e individualizado, em que cada criana possa encontrar resposta sua individualidade e diferena.

    Complementar a esse posicionamento Mantoan (2001) coloca que a educao inclusiva no se refere apenas insero do aluno com deficincia no ensino comum. um conceito amplo que inclui o respeito s diferenas: individuais, culturais, sociais, raciais, religiosas, polticas e que entende o indivduo como ser pleno e com talentos a serem desenvolvidos que, segundo a autora, compete escola comum.

    Vamos l ento!!!!

  • 7

    Para outros autores como Ges e Laplane (2004) a incluso educacional ainda se resume, equivocadamente, na insero dos alunos com deficincia nos bancos escolares, com falta de adoo uma proposta de ensino flexibilizado e heterogneo.

    O processo, para que o sistema educacional atue de modo a promover os ajustes necessrios para atender a todo e qualquer aluno lento e custoso, uma vez que importante o envolvimento de toda a comunidade escolar e o entendimento sobre os pressupostos tericos que norteiam a Educao Inclusiva. sobre essas consideraes que iremos discutir neste texto.

  • 8

    Unidade II: A flexibilizao do ensino

    A incluso de alunos com deficincia, que apresentam necessidades educacionais especiais1 na sala de aula comum do ensino regular, evidenciou que a prtica pedaggica tradicional, baseada apenas na transmisso de conhecimento, ineficaz para ensinar grande parte dos alunos.

    De acordo com Blanco (2004), a escola, tradicionalmente, focalizou sua ateno em satisfazer necessidades comuns, delineando objetivos sem considerar as caractersticas especficas de cada aluno.

    Essa postura tradicional, no mbito curricular, demonstrada por propostas rgidas e homogeinizadoras, que desconsideram os diversos contextos nos quais ocorrem os processos de ensino e aprendizagem. Como conseqncia, possvel observar a alta ocorrncia de dificuldades de aprendizagem, repetncias, absentesmo e fracasso escolar (BLANCO, 2004).

    O movimento de incluso escolar revelou que a educao, com seus mtodos tradicionais, exclui cada vez mais alunos, ao invs de inclu-los (FREITAS, 2006). Dessa forma, foi evidenciado que considerar as especificidades de cada aluno fundamental para garantir a qualidade de ensino para todos os alunos, e no apenas para aqueles que apresentam dificuldades mais evidentes.

    Lembramos que todos os alunos apresentam caractersticas fsicas, comportamentais e emocionais prprias, sendo que devido existncia de tais caractersticas, uma prtica de ensino voltada para um conjunto homogneo de alunos no alcana xito.

    Segundo Perrenoud (2001), grande parte das estratgias de ensino utilizadas pelo professor deve ser adaptada s caractersticas dos alunos, composio da classe e a histria das relaes entre os educandos e entre eles e o professor.

    Em vista disso, fica clara a importncia da realizao de adaptaes curriculares para a in