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  • ENCARTE TCNICO INFORMAES AGRONMICAS - N 64 - DEZEMBRO/93 12

    1. BICHO MINEIROPerileucoptera coffeella(Fotos 25 a 27)

    O bicho mineiro na fase adulta uma pequenina mariposa decolorao branco-prateada. No final da tarde, coloca os ovos naparte superior das folhas. Com a ecloso dos ovos as larvas passama alimentar-se do tecido existente entre as duas epidermes da folha,formando reas vazias (minas), o que caracteriza o nome de praga.

    Temperaturas mdias elevadas e grandes perodos de estia-gem so condies climticas que favorecem a evoluo dessapraga.

    Diversos fatores podem agravar ainda mais os prejuzoscausados, como: deficincia de adubao, capinas insuficientes,cobertura morta, espaamentos muito largos, culturas intercalares,uso de fungicidas cpricos, lavouras expostas poeira, etc.

    Os danos causados ao cafeeiro se referem reduo da reafoliar fotossinttica e queda de folhas, com reflexos no pegamentoda florada e portanto na produo do ano seguinte e na longevidadeda planta. A desfolha sempre se d do topo para a base da planta.

    A poca de ocorrncia do bicho mineiro varivel nasdiversas regies cafeeiras do pas. Pode-se afirmar que a tempera-tura apresenta uma correlao positiva com a incidncia da praga, ouseja, quanto maior a temperatura maior o ataque. J a chuva e a umi-dade relativa apresentam correlao negativa com a incidncia dapraga, ou seja, quanto maior a chuva e a umidade relativa, menor oataque.

    Convm salientar, contudo, que mesmo nos cafeeiros irriga-dos por sistemas de asperso convencional ou piv central noocorre diminuio da infestao da praga.

    De maneira geral, a partir de abril/maio, quando se inicia operodo seco, as condies ficam mais favorveis ao ataque da praga,fazendo com que a populao aumente consideravelmente, atingindoo mximo de folhas atacadas de julho a setembro. justamente nestapoca que o cafeeiro precisa de maior rea foliar para garantir opegamento da florada. Poder haver reduo de at 50% da produoquando a desfolha intensa no perodo de julho a setembro/outubro.

    Sabe-se tambm que o cafeeiro suporta uma desfolha de 30a 40% em determinadas pocas do ano, sem prejuzo na produo.

    Em certas regies como a Bahia e o Esprito Santo, e mesmonas demais reas, quando ocorrem veranicos em janeiro, o ataquepode ocorrer mais cedo, no perodo quente de dezembro a fevereiro.

    Em regies irrigadas, com temperaturas mdias mensais noinverno superiores a 19 oC, como no oeste da Bahia, norte e noroestede Minas Gerais, etc., a praga ocorre o ano todo, em surtos seqen-ciais, exceto nos meses de novembro a dezembro, quando as chuvasultrapassam 250 a 300 mm por ms.

    CONTROLEO controle pode ser cultural, biolgico ou qumico.

    Controle cultural feito atravs de capinas oportunas, adubao racional,

    conservao do solo, espaamentos adequados e uso racional defungicidas cpricos.

    Controle biolgicoFeito atravs de inimigos naturais do bicho mineiro: parasitas

    e predadores.Os parasitas so microhimenpteros que introduzem o ovo

    nas lagartas do bicho mineiro. O ovo eclode e a larva do parasitapassa a alimentar-se da lagarta, destruindo-a. Proporcionam umcontrole do bicho mineiro entre 18 e 35%. Os parasitas maisencontrados so:

    Colastes letifer Mirax sp Eubadizon punctatus Closterocerus coffeellae Horisnemus sp Tetrastichus sp Proacria sp Cirrospilus sp

    Os predadores so vespas sociais que dilaceram a leso foliare retiram a lagarta do bicho mineiro para se alimentar.

    Os predadores mais encontrados so:

    Protonectarina sylveirae Brachygastra lecheguana Brachygastra augusti Polybia scutellaris Polybia paulista Synoeca surinama cyanea Apoica pallens Eunemes sp

    Proporcionam um controle do bicho mineiro entre 33 e 69%.

    Para beneficiar a ao dos inimigos naturais deve-se reduzirao mnimo o uso de defensivos agrcolas, s os aplicando nas altasinfestaes e selecionando produtos, doses e mtodos que tenhammaior eficincia para o bicho mineiro e menor ao sobre os inimigosnaturais.

    importante observar que esses inimigos naturais noconseguem, na maioria dos casos, controlar sozinhos o bichomineiro. Em reas de altitude elevada e boa pluviosidade

    PRINCIPAIS PRAGAS NA CULTURADO CAFEEIRO

  • INFORMAES AGRONMICAS - N 64 - DEZEMBRO/93 ENCARTE TCNICO 13

    perfeitamente possvel dispensar o uso de inseticidas para o con-trole do bicho mineiro.

    Controle qumicoPode ser realizado atravs de dois sistemas bsicos:

    pulverizao foliar e aplicao via solo.

    a) Pulverizao foliarUso de produtos inseticidas organo-fosforados, carbamatos,

    derivados de uria, piretrides ou suas misturas.

    Inseticidas organofosforados:

    Ethion - Ethion 500 Rhodia Agro: 1,0 a 1,2 l/haTriazophos - Hostathion 400 BR: 1,0 a 1,2 l/haFenthion - Lebaycid 500: 1,0 a 1,5 l/haFenitrothion - Sumithion 500 CE: 1,5 a 2,0 l/haClorpyrifs-etil - Lorsban 480 BR: 1,0 a 1,5 l/ha

    - Clorpirifs Fersol 480 BR: 1,0 a 1,5 l/ha- Vexter: 1,0 a 1,5 l/ha

    Pyridaphenthion - Ofunack 400 CE: 1,5 a 2,0 l/haParathion metlico - Folidol 600: 1,0 a 1,5 l/haDimetoato - Tiomet 400 CE: 1,0 a 1,5 l/ha

    Inseticidas carbamatos:

    Cartap - Cartap BR 500: 0,8 a 10 l/ha- Thiobel 500: 0,8 a 1,0 l/ha

    Inseticidas derivados de uria:Teflubenzuron - Nomolt 150: 200 a 250 l/ha

    Inseticidas piretrides:Permethrin - Ambush 500 CE: 100 a 150 ml/ha

    - Piredan: 120 a 150 ml/ha- Pounce 384 CE: 120 a 150 ml/ha- Valon 384 CE: 120 a 150 ml/ha- Talcord 250 CE: 100 a 200 ml/ha

    Cypermethrin - Ripcord 100: 100 a150 ml/ha- Sherpa 200: 50 a 80 ml/ha- Arrivo 200 CE: 50 a 70 ml/ha- Cyptrin 250 CE: 40 a 70 ml/ha- Nortrin 250 CE: 40 a 70 ml/ha

    Alfacypermethrin - Fastac 100: 100 a 150 ml/ha

    Zetacypermethrin - Fury 180 EW: 35 ml/ha

    Deltamethrin - Decis 25 CE: 150 a 250 ml/ha

    Fenvalerate - Sumicidin 200: 200 a 300 ml/ha- Belmark 300: 70 a 100 ml/ha

    Esfenvalerate - Sumidan 250 CE: 400 ml/ha

    Cyfuthrin - Baytroid CE: 150 a 200 ml/ha

    Betacyfluthrin - Bulldock 125 SC: 30 a 40 ml/ha- Turbo: 80 a 100 ml/ha

    Fenpropathrin - Danimen 300 CE: 250 a 400 ml//ha- Meothrin 300: 250 a 400 ml/ha

    Lambdacyhalothrin - Karate 50 CE: 100 a 150 ml/ha

    Misturas de inseticidas fosforados e piretrides:

    Triazophs + deltamethrin - Deltaphos CE: 200 a 300 ml/ha

    Profenofs + cypermethhrin - Polytrin 400/40 CE: 200 a 400 ml/ha

    Nesse sistema o controle pode ser usado de forma maiscurativa, iniciando as aplicaes com ndices de ataque (% de folhasminadas) ao redor de 20%. Em reas problemas 5% de minas vivasno tero superior da planta j indica o incio de controle.

    As doses dos produtos so indicadas numa faixa variando deacordo com a idade e a rea foliar da plantao e o nvel de ataque,devendo-se usar doses maiores em lavouras adultas, com plantasaltas, enfolhadas e maior densidade.

    Para plantas jovens pode-se considerar a regra de uso damesma concentrao de calda inseticida, ou seja diluindo-se a doseindicada para a lavoura adulta em 400 litros de gua.

    O controle via foliar feito basicamente atravs da mortalidadedas larvas, dentro das minas nas folhas, embora os tratamentospossam acarretar tambm a morte parcial das mariposas (adultos).Deste modo, importante que os produtos possuam ao sistmicaou mesmo de profundidade, para atingir as larvas dentro das folhas.Alguns produtos apresentam ao ovicida (Cartap).

    Normalmente so necessrias duas a trs aplicaes, comintervalo de 30 a 40 dias para um controle eficiente do bicho mineiro,em condies normais de ataque para os inseticidas organofos-forados, carbamatos e derivados de uria. Para os piretrides umaou duas aplicaes com aplicaes com intervalo de 50 a 60 dias. Emregies quentes onde o ciclo evolutivo da praga bem mais curto,esse intervalo pode cair pela metade.

    O acompanhamento da praga, pela verificao da presena deminas com larvas vivas, a base para avaliar a necessidade de novasaplicaes.

    O perodo residual de controle via foliar normalmente pequeno. Os inseticidas fosforados e carbamatos tm uma timaao de profundidade, matando as lagartas no interior das leses(efeito de choque) mas apresentam curto efeito residual (25 a 30dias).

    Os inseticidas peretrides, ou suas misturas, ao contrrio,apresentam maior efeito residual (50-60 dias) e nenhuma ao deprofundidade. Por esta razo, quando a praga j estiver instalada ecom nveis elevados de infestao, recomenda-se o uso de misturasde inseticidas fosforados ou carbamatos com inseticidas piretridesem pulverizao.

    sempre bom lembrar que quando se usam inseticidaspiretrides recomenda-se associar um inseticida fosforado paraevitar desequilbrio que favorea o aparecimento de caros.

    O uso de leos emulsionveis na dosagem de 0,5 a 1,0%proporciona alta adesividade dos produtos nos tecidos vegetais,aumentando a eficincia das pulverizaes e diminuindo as perdaspor lavagem da gua das chuvas.

    b) Aplicao via soloUso de produtos organofosforados ou carbamatos,

    formulados em grnulos e veiculados em argila ou areia.Podem tambm ser usados inseticidas sistmicos via lquida.Nesse sistema o controle deve ser feito preventivamente,

    pois necessrio um perodo de 30 a 40 dias para a liberao,

  • ENCARTE TCNICO INFORMAES AGRONMICAS - N 64 - DEZEMBRO/93 14

    absoro e translocao dos ingridientes ativos, em nveis adequados,at a folhagem.

    A aplicao deve ser cuidadosa pelo fato de os produtos,no geral, serem extremamente txicos.

    Alguns produtos novos, derivados do cido nicotnico,esto apresentando bons resultados e menor toxicidade ao meioambiente. Exemplo: Imidacloprid (Premier) e Thiametoxan (Actara).

    Para facilitar a exposio, vamo