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Boletim Informativo da Paróquia São Judas Tadeu – Itu/SP – Diocese de Jundiaí

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    Expediente: Povo de Deus - Boletim Informativo mensal da Parquia So Judas Tadeu - Proco: Padre Paulo Eduardo F. Souza Jornalista Responsvel. / Diagramao/Edio.: Jornalista Tadeu Eduardo Italiani Mtb.: 47.674 Revisora Vanda Mazurchi - Impresso Grfica JP Tiragem 2000 exemplares - Endereo: Praa. Jlio Mesquita Filho, 45 Bairro Rancho Grande - CEP 13306-159 Itu - SP - Fone (11) 4024-0416 - Diocese de Jundia - e-mail: paroquiasjudas@bol.com.br - Elaborado pela Pastoral da Comunicao - PASCOM

    Reproduzimos, quase na ntegra, a homilia do Santo Padre, o Papa Francisco, pronunciada no dia 14 de abril, quando de sua visita Baslica Papal de So Paulo Fora dos Muros.

    O anncio de Pedro e dos Apsto-los no feito apenas com palavras, mas a fidelidade a Cristo toca a sua vida, que se modifica, recebe uma nova direo, e precisamente com a sua vida que do testemunho da f e anunciam Cristo. No Evangelho, Jesus pede por trs vezes a Pedro que apascente o seu rebanho, e o faa com todo o seu amor, profetizando-lhe: Quando fores velho, estende-rs as mos e outro te h-de atar o cinto e levar para onde no queres (Jo 21, 18). Trata-se de uma palavra dirigida primariamente a ns, Pas-

    tores: no se pode apascentar o re-banho de Deus, se no se aceita ser conduzido pela vontade de Deus mesmo para onde no queremos, se no estamos prontos a testemunhar Cristo com o dom de ns mesmos, sem reservas nem clculos, por ve-zes custa da nossa prpria vida. Mas isto vale para todos: tem-se de anunciar e testemunhar o Evange-lho. Cada um deveria interrogar-se: Como testemunho Cristo com a mi-nha f? Tenho a coragem de Pedro e dos outros Apstolos para pensar, decidir e viver como cristo, obede-

    cendo a Deus? certo que o teste-munho da f se reveste de muitas formas, como sucede num grande afresco que apresenta uma grande variedade de cores e tonalidades; todas, porm, so importantes, mes-mo aquelas que no sobressaem. No grande desgnio de Deus, cada de-talhe importante, incluindo o teu, o meu pequeno e humilde testemu-nho, mesmo o testemunho oculto de quem vive a sua f, com simplicida-de, nas suas relaes dirias de fam-lia, de trabalho, de amizade. Existem os santos de todos os dias, os santos escondidos, uma espcie de clas-se mdia da santidade como dizia um escritor francs , aquela classe mdia da santidade da qual todos podemos fazer parte. Mas h tam-bm, em diversas partes do mundo, quem sofra como Pedro e os Aps-tolos por causa do Evangelho; h quem d a prpria vida para perma-necer fiel a Cristo, com um testemu-nho que lhe custa o preo do san-gue. Recordemo-lo bem todos ns: no se pode anunciar o Evangelho de Jesus sem o testemunho concreto da vida. Quem nos ouve e v, deve poder ler nas nossas aes aquilo que ouve da nossa boca, e dar gl-ria a Deus! Isto traz-me mente um conselho que So Francisco de Assis dava aos seus irmos: Pregai o Evan-gelho; caso seja necessrio, mesmo

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    com as palavras. Pregar com a vida: o testemunho. A incoerncia dos fi-is e dos Pastores entre aquilo que dizem e o que fazem, entre a palavra e a maneira de viver mina a credibi-lidade da Igreja.

    Mas tudo isto s possvel, se re-conhecermos Jesus Cristo; pois foi Ele que nos chamou, nos convidou a seguir o seu caminho, nos esco-lheu. S possvel anunciar e dar testemunho, se estivermos unidos a Ele, precisamente como, no texto do Evangelho de hoje, esto ao redor de Jesus ressuscitado Pedro, Joo e os outros discpulos; vivem uma inti-midade diria com Ele, pelo que sa-bem bem quem , conhecem-No. O Evangelista sublinha que nenhum dos discpulos se atrevia a pergun-tar-Lhe: Quem s tu?, porque bem sabiam que era o Senhor (Jo 21, 12). Est aqui um dado importante para ns: temos de viver num relaciona-mento intenso com Jesus, numa in-timidade tal, feita de dilogo e de vida, que O reconheamos como o Senhor. Ador-Lo! A passagem que ouvimos do Apocalipse, fala-nos da adorao: as mirades de anjos, to-das as criaturas, os seres vivos, os ancios prostram-se em adorao diante do trono de Deus e do Cor-deiro imolado, que Cristo e para

    quem dirigido o louvor, a honra e a glria (cf. Ap 5, 11-14). Gostaria que todos se interrogassem: Tu, eu, adoramos o Senhor? Vamos ter com Deus s para pedir, para agrade-cer, ou vamos at Ele tambm para O adorar? Mas ento que significa adorar a Deus? Significa aprender a estar com Ele, demorar-se em dilo-go com Ele, sentindo a sua presena como a mais verdadeira, a melhor, a mais importante de todas. Cada um de ns possui na prpria vida, de forma mais ou menos consciente, uma ordem bem definida das coisas que so consideradas mais ou me-nos importantes. Adorar o Senhor quer dizer dar-Lhe o lugar que Ele deve ter; adorar o Senhor significa afirmar, crer e no apenas por pa-lavras que Ele o nico que guia verdadeiramente a nossa vida; ado-rar o Senhor quer dizer que vivemos na sua presena convencidos de que o nico Deus, o Deus da nossa vida, o Deus da nossa histria.

    Daqui deriva uma consequncia para a nossa vida: despojar-nos dos numerosos dolos, pequenos ou grandes, que temos e nos quais nos refugiamos, nos quais buscamos e muitas vezes depomos a nossa segu-rana. So dolos que frequentemen-te conservamos bem escondidos; po-

    dem ser a ambio, o carreirismo, o gosto do sucesso, o sobressair, a ten-dncia a prevalecer sobre os outros, a pretenso de ser os nicos senho-res da nossa vida, qualquer pecado ao qual estamos presos, e muitos ou-tros. H uma pergunta que eu queria que ressoasse, esta tarde, no corao de cada um de ns e que lhe respon-dssemos com sinceridade: J pen-sei qual possa ser o dolo escondido na minha vida que me impede de adorar o Senhor? Adorar despojar-mo-nos dos nossos dolos, mesmo os mais escondidos, e escolher o Se-nhor como centro, como via mestra da nossa vida.

    Amados irmos e irms, todos os dias o Senhor nos chama a segui-lo corajosa e fielmente; fez-nos o gran-de dom de nos escolher como seus discpulos; convida-nos a anunci-Lo jubilosamente como o Ressusci-tado, mas pede-nos para o fazermos, no dia a dia, com a palavra e o teste-munho da nossa vida. O Senhor o nico, o nico Deus da nossa vida e convida-nos a despojar-nos dos nu-merosos dolos e a adorar s a Ele. Anunciar, testemunhar, adorar. Que a bem-aventurada Virgem Maria e o apstolo Paulo nos ajudem neste ca-minho e intercedam por ns. Assim seja.

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    CRISTO RESSUSCITADO, FONTE DE F E CORAGEMNo mundo tereis aflies. Mas tende coragem! Eu venci o mundo

    (Jo 16, 33b).

    Queridos amigos e amigas: falar de f e coragem nos dias atuais parece ser algo fora do comum, pois vivemos bombardea-dos por notcias assustadoras de violncia e ameaas de guerras. Por isso, coragem e esperana esto se tornando palavras quase em desuso. Como ter f e coragem com tudo o que est acontecendo de mal ao nosso redor?, muitos ficam se pergun-tando. verdade que, aparentemente, o dio e o pecado esto dominando a mente e o corao de grande parte das pessoas. Mas o cristo no deve perder jamais a f, a coragem e a esperana, pois Jesus Cris-to a fonte inspiradora da nossa vida. Ele fonte da nossa f, fundamento da nossa

    coragem e alicerce da nossa esperana.Um exemplo muito forte de homem cheio

    de f, coragem e esperana ns encontra-mos em Abrao, nosso pai na f: Esperan-do contra toda esperana, ele firmou-se na f e, assim, tornou-se pai de muitos povos conforme lhe fora dito: Assim ser tua posteridade. No fraquejou na f, vista de seu fsico desvigorado por sua idade, quase centenria, ou considerando o tero de Sara j incapaz de conceber. Diante da promessa divina, no vacilou por falta de f, porm, revigorando-se na f, deu glria a Deus: estava plenamente convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu (Rm 4,18-21). Portanto, Abrao creu na promessa do Senhor Deus, saiu da sua terra e foi para uma terra estrangeira, porque esperava nas promessas divinas. E ele no ficou decepcionado, pois Deus o honrou e o fez pai de todos os povos que crem no nico Deus Vivo e Verdadeiro. Deus tambm o abenoou com um filho: Isaac.

    Toda essa histria muito rica de signifi-cados. Entretanto, o maior exemplo de f, coragem e esperana est em Jesus de Na-zar. Quando Jesus esteve no Jardim das Oliveiras, no Getsmani, na noite da Quin-ta-feira Santa (cf. Mt 26,36-46), ele chorou amargamente e, por trs vezes, pediu que o Pai celestial afastasse o clice do sofri-mento, da paixo, da cruz. Mas ao mesmo tempo em que orava pedindo ao Pai que o livrasse daquela angstia suprema, ele pe-dia que fosse feita a vontade suprema do Pai. Ele sabia tudo o que iria enfrentar na-queles dias, mas muito maior eram a con-

    fiana e esperana que o Senhor tinha na bondade e misericrdia do Pai. E ele no ficou decepcionado, assim como Abrao no ficou decepcionado com as promessas de Deus. Jesus passou pela cruz, pelo Cal-vrio. Mas na manh gloriosa do domingo ressuscitou, vencendo a morte.

    Quantas vezes na nossa vida enfrenta-mos a cruz, passamos pelo Calvrio, e pa-rece que tudo est perdido. Quantas vezes perdemos a f, a coragem e a esperana de lutar e levantar a cabea. Um peso mortal cai sobre os nossos ombros e pensamos em desistir de tudo e de todos. Mas neste mo-mento lembramos que a nossa f, coragem e esperana no esto nas nossas foras ou nas pessoas, mas em Deus que esto nossa vitria e nosso consolo. No Cristo Vivo e Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, encontramos a coragem para prosseguir lutando e esperando nas pro-messas do Senhor. Jesus nos assegura: Eu vos disse estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo tereis aflies. Mas tende coragem! Eu venci o mundo! (Jo 16,33). Estas palavras so um blsamo para a alma aflita, angustiada, desespera-da! Jesus venceu e nele busquemos nossa vitria tambm.

    migos e amigas: depositemos nossa f, fortaleamos a coragem e esperemos com confiana naquele que tudo pode: Jesus de Nazar.

    Deus abenoe a todos.

    Dom Vicente Costa Bi