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  • 12/5/2014 Portal ClubJus - A possibilidade da Aplicao da Medida de Segurana ao Psicopata

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    MonografiasSexta, 03 de Dezembro de 2010 15h43

    A possibilidade da Aplicao da Medida de Segurana ao Psicopata

    Resumo

    As ltimas dcadas, no Brasil, foram marcadas por um aumento assustador no nmero de conflitos entre os

    grupos sociais, provocando um alarmante aumento da violncia.

    A crescente criminalidade assumiu requintes de crueldade e perversidade, tornando difcil considerar que

    determinados delitos so oriundos de pessoas providas de sade mental e capacidade de entendimento e determinao. (1)

    Nestes casos, o Estado, tende a punir os criminosos, sem demonstrar qualquer preocupao em conhec-

    los, para que outras medidas sejam aplicadas, alm daquelas que visam somente punio.

    No ordenamento atual, as legislaes civil e penal estabelecem que a sade mental e a formao intelectual

    so requisitos para a capacidade civil e responsabilizao penal do indivduo. Nesse sentido, o portador de doena mental

    que, ao tempo do crime, era inteiramente incapaz de entender a ilicitude do ato ou de determinar-se de acordo com ele, est

    isento de pena e deve ser submetido medida de segurana, cuja finalidade curativa e preventiva. (1)

    O nosso trabalho aborda a aplicao da medida de segurana aos doentes mentais bem como ao psicopata,

    que apesar de no se enquadrar na definio de doente mental, a luz da sano penal, deve ser tratado como tal.

    Sumrio

    Introduo..................................................................................................................... 04

    Captulo 1 O Crime

    ANA CAROLINA MARCHETTI NADER: Graduada pela Universidade FUMECEspecialista em diretito processual civel e empresarial.Belo Horizonte/MG.

    Segunda, 12 de Maio de 2014 Capa Fale Conosco

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    1.1 - Conceito de crime................................................................................................ 06

    Captulo 2- A inimputabilidade

    2.1 Consideraes Iniciais....................................................................................... 08

    2.2 A inimputabilidade por doena mental............................................................. 11

    Captulo 3 O psicopata............................................................................................. 14

    Captulo 4 - Penas Privativas de Liberdade............................................................... 19

    Captulo 5 - Medidas de Segurana

    5.1 - Consideraes Iniciais........................................................................................ 23

    5.2 - Espcies e prazos da medida de segurana..................................................... 25

    5.3 - Aplicao da medida de segurana................................................................... 29

    5.4 A aplicao da medida de segurana ao Psicopata........................................ 30

    Capitulo 6 - Casos concretos

    6.1 - Ademar de Jesus Silva, o Manaco de Luziania............................................. 35

    6.2 - Francisco da Costa Rocha, o Chico Picadinho.............................................. 37

    6.3 - Francisco de Assis Pereira, o Manaco do Parque........................................ 38

    Consideraes Finais.................................................................................................. 40

    Referncias bibliogrficas........................................................................................... 41

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    Introduo

    A lei penal protege bens essenciais ao convvio social, estipulando sanes para os que a transgridem.

    Entretanto, a preveno geral, pela ameaa da pena, incua em relao aos inimputveis, por no possurem capacidade

    de entendimento ou de determinao.

    O psicopata no um doente mental. O psicopata sofre, em linhas gerais, de uma espcie de distrbio de

    personalidade. A legislao ptria no prev a aplicao de medidas de segurana nestes casos.

    Ao estudar as diversas anomalias mentais, verificamos que no justo aplicar ao doente mental infrator o

    mesmo tratamento dispensado ao indivduo imputvel. O psicopata, no um doente mental, porem acreditamos que este

    deve ter o mesmo tratamento que deveria ser dispensado aos doentes mentais.

    Inmeros so os casos envolvendo indivduos portadores de psicopatologias crnicas e incurveis, altamente

    perigosos, que so condenados pena privativa de liberdade. E, aps o cumprimento de suas penas, retornam sociedade

    ainda mais doentes e perigosos do que antes, sendo grande a possibilidade de reincidirem no crime.

    A medida de segurana se apresenta, pois, como sano penal imposta pelo Estado, na execuo de uma

    sentena, cuja finalidade exclusivamente preventiva, ou seja, no sentido de evitar que o autor de uma infrao penal que

    tenha demonstrado periculosidade volte a delinqir.

    Nesse diapaso:

    A medida de segurana no deixa de ser uma sano penal e, embora mantenha semelhana

    com a pena, diminuindo um bem jurdico, visa precipuamente preveno, no sentido de preservar a

    sociedade da ao de delinqentes temveis e de recuper-los com tratamento curativo.

    Esta sano, como providncia preventiva, tem lugar aps o crime, mas no em razo dele; no

    visa retribuir uma culpa mas a impedir um perigo; portanto embora possa fazer sofrer no

    pretende ser um mal, mas apenas uma medida que impede a pessoa perigosa de prejudicar ou de

    prejudicar mais. A medida de segurana, pois no pressupe homens livres culpveis e imputveis,

    mas indivduos que esto eventualmente fora do mundo moral. (LEVORIN, Marco Polo. Princpio da

    Legalidade na Medida de Segurana. Editora Juarez de Oliveira, 2003, p. 162).

    No Brasil, firmou-se o entendimento equivocado de que medidas de segurana so sinnimas de impunidade,

    enquanto que, na verdade, esta, ao lado da pena, constitui uma espcie de sano penal, de finalidade diversa. (2)

    preciso que o Estado repense o atual tratamento dispensado ao doente mental infrator, bem como a

    aplicao da medida aos psicopatas, para garantir a correta aplicao da lei, com vistas segurana e paz social.

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    Captulo 1 O crime

    1.1 - Conceito de Crime

    A conceituao do crime a definio mais importante do Direito Penal. o conceito chave deste ramo do

    direito.

    Dentre os diversos tipos de conceito de crime (formal, material, analtico) o que mais nos interessa o

    analtico, seara de inmeras divergncias. (3)

    Conceito Material Sob este enfoque, crime o fato que viola os bens jurdicos protegidos pelo Direito Penal.

    Conceito Formal Neste aspecto o crime todo fato humano que infrinja a lei penal.

    Conceito Substancial Segundo Bettiol, crime seria todo o fato humano lesivo de um interesse capaz de

    comprometer as condies de existncia, de conservao e de desenvolvimento da sociedade.

    Conceito Analtico ou dogmtico Lembrado por Zaffaroni e Pierangeli como Conceito Estratificado de Crime,

    em aluso ao estudo das rochas estratificadas, na Geologia.

    Apesar de o Crime ser unitrio e indivisvel, devemos analisar, separadamente, seus elementos, sendo este

    conceito o que melhor define crime, por especificar seus elementos.

    aqui onde mais se divergem os doutrinadores, surgindo algumas teorias. A divergncia consiste em saber

    quais de quatro elementos (FATO TPICO, ANTIJURDICO, CULPVEL e PUNVEL) pertencem ou no ao conceito de crime, a

    saber:

    Umas partes dos operadores do direito acreditam que o crime no o fato em si, j que o fato a

    conseqncia do ato/omisso criminosa, sendo que esta conseqncia no sempre necessria para a caracterizao da

    atitude criminosa. No entanto, segundo doutrina dominante, esta separao de fato e ato no procedente.

    Melhor caracterizao nos traz Heleno Fragoso:

    "O crime , sem dvida, fato jurdico. Fato jurdico designao genrica de todo

    acontecimento relevante para o direito, provocando o nascimento, a modificao ou extino de uma

    relao jurdica. Fatos jurdicos dividem-se em fatos naturais (ou fatos jurdicos em sentido estrito) e

    fatos voluntrios (ou atos jurdicos). Aqueles so fatos da natureza, como o nascimento ou a morte.

    Estes so condutas voluntrias, que influem sobre relaes jurdicas. Os fatos voluntrios (ou atos

    jurdicos) subdividem-se em duas grandes categorias, a dos atos lcitos e a dos atos ilcitos. Os atos

    lcitos so atos praticados de acordo com o direito e podem ser declaraes de vontade dirigidas a

    produzir efeitos jurdicos (negcios jurdicos) ou aes, positivas ou negativas, que produzem efeitos

    jurdicos, sem serem dirigidas a produzi-los." (FRAGOSO, Heleno Cludio. Lies de Direito Penal:

    Parte Geral. Rio de Janeiro: Editora Forense, 1995.)

    Desta forma, a Cincia Penal se torna principalmente o estudo jurdico dos atos ilcitos, que so fatos em

    sentido amplo.

    A definio do crime to importante que se d para o desenvolvimento de inmeros outros conceitos, como

    para a determinao do objeto do crime (jurdico formal, jurdico substancial e material), a di