por dentro do itamaraty

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  • Por dentro do Itamaraty

    impresses de um diplomata

  • MINISTRIO DAS RELAES EXTERIORES

    Ministro de Estado Embaixador Antonio de Aguiar Patriota Secretrio-Geral Embaixador Eduardo dos Santos

    FUNDAO ALEXANDRE DE GUSMO

    Presidente Embaixador Jos Vicente de S Pimentel

    Instituto de Pesquisa de Relaes Internacionais

    Centro de Histria e Documentao Diplomtica

    Diretor Embaixador Maurcio E. Cortes Costa

    A Fundao Alexandre de Gusmo, instituda em 1971, uma fundao pblica vinculada ao Ministrio das Relaes Exteriores e tem a finalidade de levar sociedade civil informaes sobre a realidade internacional e sobre aspectos da pauta diplomtica brasileira. Sua misso promover a sensibilizao da opinio pblica nacional para os temas de relaes internacionais e para a poltica externa brasileira.

    Ministrio das Relaes Exteriores Esplanada dos Ministrios, Bloco H Anexo II, Trreo, Sala 1 70170-900 Braslia, DF Telefones: (61) 2030-6033/6034/6847 Fax: (61) 2030-9125 Site: www.funag.gov.br

  • Por dentro do Itamaraty

    impresses de um diplomata

    Andr Amado

    Braslia, 2013

  • Direitos de publicao reservados Fundao Alexandre de Gusmo Ministrio das Relaes Exteriores Esplanada dos Ministrios, Bloco H Anexo II, Trreo 70170-900 Braslia-DF Telefones: (61) 2030-6033/6034 Fax: (61) 2030-9125 Site: www.funag.gov.br E-mail: funag@itamaraty.gov.br

    Equipe Tcnica:

    Eliane Miranda PaivaFernanda Antunes SiqueiraJess Nbrega CardosoVanusa dos Santos Silva

    Projeto Grfico e Foto da Capa:Daniela Barbosa

    Programao Visual e Diagramao: Grfica e Editora Ideal Ltda.

    Impresso no Brasil 2013

    Ficha catalogrfica elaborada pela bibliotecria Talita Daemon James CRB-7/6078Depsito Legal na Fundao Biblioteca Nacional conforme Lei n 10.994, de 14/12/2004.

    A481 AMADO, Andr.

    Por dentro do Itamaraty ; impresses de um diplomata / Andr Amado; prefcio de Georges Lamazire. Braslia : FUNAG, 2013.

    184p.; 23 cm.

    ISBN: 978-85-7631-425-7

    1. Ministrio das Relaes Exteriores. 2. Diplomacia brasileira. I. Fundao Alexandre de Gusmo.

    CDU: 354.11(81)

  • Esclarecimento

    O primeiro objetivo deste ensaio compartir com meus colegas di-plomatas os mais experientes, eufemismo para os de minha gerao, os mais jovens e at os futuros, hoje em preparao para o Concurso de Admisso Carreira Diplomtica (CACD), realizado pelo Instituto Rio Branco (IRBr) minhas impresses sobre a preparao e o funcionamen-to dos diplomatas brasileiros.

    Ao escrever este ensaio, dei-me conta de que, em coerncia com sua mensagem central, o objetivo devesse ser compartir tambm com a socie-dade brasileira como e por que o diplomata serve ao interesse nacional no exterior.

    No surpreende, assim, que, em muitas passagens, o ensaio ora se detenha em reflexes sobre o ofcio do diplomata, destacando expresses e conceitos correntes no Itamaraty, ora tenha tom de trazer ao grande pblico como se d o desempenho do funcionrio diplomtico.

    Espero que essas duas vertentes ampliem o interesse pelas discusses e pensamentos que desenvolvo ao longo do texto.

    Acreditem. Foi para mim fonte de imenso prazer escrever este ensaio, sentimento que conto possa ser compartido por muitos leitores, dentro e fora do Itamaraty.

    Andr Amado

  • Ao diplomata brasileiro

  • Agradecimentos

    Muitas pessoas intervieram na realizao deste ensaio, a quem muito agradeo:

    Embaixador albErto da Costa E silva

    Embaixador Joo Carlos Fragoso

    Embaixador luCio PirEs dE amorim

    Embaixador gEorgEs lamazirE

    Embaixador Eduardo riCardo gradilonE nEto

    ministro lus FEliPE silvrio Fortuna

    ConsElhEiro Cludio garon

    ConsElhEira Claudia dE borba maCiEl

    ConsElhEiro augusto souto PEstana

    ConsElhEiro robErto doring

    ConsElhEira Paula aguiar barboza

    ConsElhEira maria angliCa ikEda

    ConsElhEiro lus guilhErmE Parga Cintra

    PrimEiro sECrEtrio Pablo duartE Cardoso

    sEgunda sECrEtria adriana tEllEs ribEiro

    tErCEira sECrEtria amEna martins YassinE

    oFiCial dE ChanCElaria rodrigo rigo

    sEnhora milEidE r. dE Carvalho ximEnEs

    Reconhecimento especial reservo sEnhora CEClia sCharlaCh.

  • Sumrio

    Prefcio 13O diplomata brasileiro 19O Instituto Rio Branco: um breve histrico 31O Instituto Rio Branco e a socializao da carreira 51Representar 75Informar 85Negociar 103Estreitar as relaes polticas, econmico-comerciais

    e culturais 113Prestar assistncia aos brasileiros no exterior 133Eplogo 151Concluses 167Anexo Entrevista com a Segunda Secretria

    Adriana Telles Ribeiro 171

  • 13

    Prefcio

    Por dentro do Itamaraty: impresses de um diplomata, do Embaixador Andr Amado, no uma obra sobre diplomacia, como aquele j muito antigo de Harold Nicholson, diplomata britnico que escreveu um livrinho despretensioso e ao mesmo tempo clssico, Diplomacy: a basic guide to the conduct of contemporary international affairs (publicado em 1939), sem nunca ter chegado a embaixador renunciou carreira ainda como conselheiro. No tampouco um livro sobre diplomacia brasileira, como muitos outros.

    um livro sobre o diplomata brasileiro, sobre seu passado, seu pre-sente e seu futuro e sobre seu perfil, o atual e o ideal. De entrada, o autor joga as cartas na mesa, assumindo sem hesitao que o atual e o ideal no esto distantes assim, pois o diplomata brasileiro muito bom.

    Na mesma cartada, de alguma forma aproxima as trs dimenses tem-porais que pareciam conflitar. Se o diplomata brasileiro bom, mesmo em comparao com os representantes das melhores diplomacias do mundo, porque algo de certo foi feito no passado, seja na sua formao, seja na construo de uma poltica externa que tem gozado de amplo consenso nacional e claro respeito internacional.

    Da mesma forma, o presente no tem desmentido essa herana ben-dita, que ostenta nomes como o do Baro do Rio Branco e de uma infi-nidade de profissionais da diplomacia citados ao longo do texto, ou no seramos mais defensveis como bons diplomatas.

    Resta o futuro, sobre o qual nada se pode assegurar, mas que pare-ce promissor, na linha do que fomos e somos, ainda mais se soubermos sempre manter o rumo sem manter a mesma nau, pois os interesses e os

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    Georges Lamazire

    valores nacionais mudam pouco, mas as tecnologias e as maneiras de fazer se transformam constantemente, e, como todos sabem, em um ritmo cada vez mais vertiginoso.

    A pergunta, portanto, que perpassa o livro a dupla indagao sobre se somos mesmo efetivamente bons diplomatas, e, se a resposta sim, por que estranha razo. As respostas do Embaixador Andr Amado so mltiplas, complexas e exploram questes de grande profundidade. Sua vasta experincia no s como diplomata de carreira e embaixador, chefe de posto (como dizemos no nosso jargo) em Lima e em Tquio, mas tambm como responsvel pela formao dos diplomatas em longo man-dato como diretor-geral do Instituto Rio Branco (de 1995 a 2001) do-lhe autoridade para tal.

    Como seu sucessor, ainda que no diretamente, coube-me um belo legado, de muitas realizaes acadmicas, funcionais, organizacionais a menor das quais no , seguramente, a sede do Instituto Rio Branco (IRBr), em Braslia, que Andr Amando logrou arrancar do papel e transformar em uma realidade de pedra, cal e azulejos de Athos Bulco, alm de obras de outros muitos artistas nacionais. Os alunos do Rio Branco passaram a ter, assim, casa prpria, permitindo que sua formao acadmica, to vincu-lada, quase que aspirada, sorvida pela carreira que se abre frente, ocorra por cerca de ano e meio num remanso espacial e temporal que estimula a reflexo e a independncia, um osis de livre exerccio do pensamento e de busca do conhecimento, antes que se imponham os limites naturais da profisso osis de que talvez seja ao mesmo tempo smbolo e realidade vivida o jardim central do prdio, aberto luz, ao ar e chuva, refletindo em sua concepo arquitetnica os ptios ibricos e trazendo para dentro da clausura dos estudos as estaes peculiares a Braslia.

    Outra herana do Diretor-Geral Andr Amado que ainda hoje se per-petua no IRBr a sua viso de que a dicotomia entre o acadmico e o profissionalizante no deveria existir no IRBr. [...] Decerto ser uma repe-tio do curso universitrio [...] manter abordagem acadmica das mat-rias que se forem ministrar no IRBr. O grande desafio a esse respeito ser estud-las com o olhar da diplomacia [...]. De fato, o que h de singular e

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    Prefcio

    adicional na formao oferecida pelo Rio Branco o aprendizado do olhar e do fazer diplomticos, de um ponto de vista sobre o mundo diplomtico, especialmente da diplomacia brasileira.

    No se pode esquecer que o pblico brasileiro em geral e os futuros diplomatas esto, obviamente, a includos recebe informao sobre poltica internacional, majoritariamente, de fontes que no esto sediadas no Brasil; l livros de Histria Mundial ou de Teoria das Relaes Internacionais traduzidos, oriundos quase sempre dos mesmos centros universitrios como confessava o artigo clebre de Stanley Hoffmann, An American Social Science: International Relations; e pela primeira vez se depara com o que tem pensado e dito a nossa diplomacia sobre os mais diversos temas da ordem internacional ao entrar no IRBr.

    Dou um exemplo pessoal do aprendizado de certo pensamento ou mesmo estilo diplomtico brasileiro, que se torna uma segunda natureza. Recentemente, estive em um seminrio de tipo acadmico, sem objetivo de aprovar resolues ou decises de qualquer natureza, quando foi apre-sentado ao grupo de diplomatas e acadmicos presentes um documento com certas propostas prticas, que alguns queriam ver aprovadas ali, pelo menos em princpio. Sem instrues, comecei a reagir s propostas com minhas observaes e intuies p