ponto 1: obrigaÇÃo tributÁria e crÉdito tributÁrio aulas.· direito tributÁrio exame ordem fgv

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    DIREITO TRIBUTRIO EXAME ORDEM FGV Prof. Cristiano Colombo

    Prof. Juliano

    Ponto 1: OBRIGAO TRIBUTRIA E CRDITO TRIBUTRIO

    Ponto 2: SUSPENSO DA EXIGIBILIDADE DO CRDITO TRIBUTRIO

    Aula 02 Ponto 3: EXTINO DO CRDITO TRIBUTRIO

    PONTO 1: OBRIGAO TRIBUTRIA E CRDITO TRIBUTRIO Da Obrigao Tributria Principal e Acessria Com a ocorrncia do fato descrito na hiptese da norma jurdica, nasce a obrigao tributria. Classifica-se a obrigao tributria em principal e acessria. A obrigao tributria principal aquela que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniria, nos termos do pargrafo 1 do artigo 113 do CTN. uma obrigao de dar, tem natureza patrimonial. Decorre de lei em sentido estrito. o dever de entregar dinheiro aos cofres pblicos: seja para pagar impostos, taxas e contribuies enfim, tributos em geral; seja para adimplir penalidade pecuniria decorrente de descumprimento de norma tributria. uma obrigao de dar. Por seu turno, a obrigao tributria acessria, nos termos do pargrafo 2 do artigo 113 do CTN, decorre da legislao tributria1, tendo como objeto prestaes positivas e prestaes negativas, no interesse da arrecadao ou fiscalizao dos tributos, ou seja, compreende obrigaes de fazer, de no-fazer ou tolerar. Portanto, so obrigaes acessrias, por exemplo: a) obrigaes de fazer: apresentar a declarao anual de imposto de renda; transmitir eletronicamente a Declarao de Dbitos e Crditos Federais (DCTF) para a Secretaria da Receita Federal a DCTF tem como objetivo informar Secretaria da Receita federal acerca dos tributos federais (IRPJ, COFINS, CSLL, entre outros); proceder inscrio do contribuinte junto s reparties fazendrias, quais sejam: estadual e municipal; apresentar livros contbeis autoridade fiscal; b) obrigaes de no-fazer: no realizar o transporte de mercadorias, sem a devida documentao fiscal; no efetuar vendas sem a emisso da respectiva nota fiscal; c) obrigaes de tolerar: receber as autoridades fazendrias para fiscalizar a escrita contbil; sofrer vistoria de bagagens nos postos alfandegrios; tolerar a pesagem de mercadorias em postos rodovirios fiscais. Da Converso da Obrigao Tributria Acessria e sua Converso em Obrigao Tributria Principal Cumpre destacar, nos termos do pargrafo 3 do artigo 113 do diploma legal tributrio, que a obrigao tributria acessria, quando descumprida, converte-se em obrigao principal, relativamente penalidade pecuniria. o exemplo da no-apresentao tempestiva da declarao anual do imposto de renda, que gera a aplicao e cobrana de

    1 CTN, art. 96: A expresso legislao tributria compreende as leis, os tratados e as convenes internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relaes jurdicas a eles pertinentes.

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    multa. Ora, explica-se tal converso, uma vez que a nova obrigao passa a apresentar um contedo patrimonial. Do Fato Gerador: Obrigao Tributria Principal e Acessria O artigo 114 do CTN estabelece que o fato gerador da obrigao tributria principal a situao definida em lei como necessria e suficiente sua ocorrncia. O fato gerador da obrigao tributria acessria, nos termos do artigo 115 do CTN, qualquer situao que, na forma da legislao aplicvel, impe a prtica ou a absteno de ato que no configure obrigao principal. A legislao tributria, nos termos dos artigos 96 e 115 do CTN, observar a finalidade da obrigao tributria acessria, qual seja: a efetiva arrecadao e eficiente fiscalizao de tributos. Do Sujeito Passivo da Obrigao Tributria Principal O sujeito passivo da obrigao tributria principal pessoa natural ou pessoa jurdica obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade, nos termos do que preceitua o artigo 121 do Cdigo Tributrio Nacional. Cumpre destacar que a prpria legislao traa duas categorias distintas de sujeito passivo da obrigao tributria principal, a saber: a) contribuinte (sujeito passivo direto): quando tenha relao pessoal e direta com a situao que constitua o respectivo fato gerador. Depreende-se tal situao do adquirente de um imvel que deva pagar o imposto de transmisso intervivos de bens imveis e direitos a eles relativos ITBI. O sujeito passivo, neste caso, est diretamente e pessoalmente relacionado com o fato gerador, pois adquiriu um imvel. b) responsvel (sujeito passivo indireto): aquele que no figura na condio contribuinte, sendo que sua obrigao decorre de disposio expressa de lei. o caso do tabelio que lavra a escritura de compra e venda de imvel, no exemplo anterior, que figura como responsvel pelo cumprimento da obrigao tributria - ITBI, nos termos do artigo 134, VI do Cdigo Tributrio Nacional. Das Convenes Particulares e os Efeitos Tributrios O sujeito passivo obrigado por lei a adimplir o tributo no poder apresentar convenes (contratos) particulares perante a Fazenda Pblica para eximir-se de sua obrigao tributria, nos termos do que preceitua o artigo 123 do CTN2. O contrato havido entre particulares imputando outra pessoa, que no ao sujeito passivo definido em lei, a obrigao de pagar o tributo, no ter efeito perante o Fisco. o caso tpico do contrato de locao, em que, por previso contratual conveno entre particulares, incumbe ao inquilino o adimplemento do Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana IPTU. Caso o inquilino no cumpra a sua obrigao contratual, o proprietrio sujeito passivo da obrigao tributria3 no poder apresentar o contrato para ver-se liberado da obrigao tributria de pagar o tributo. O proprietrio ter de pagar o tributo, e, na seara civil, buscar o seu direito de regresso em desfavor do inquilino, forte no contrato, vlido entre as partes.

    2 CTN, art. 123: Salvo disposies de lei em contrrio, as convenes particulares, relativas responsabilidade pelo pagamento de tributos, no podem ser opostas Fazenda Pblica, para modificar a definio legal do sujeito passivo das obrigaes tributrias correspondentes. 3 CTN, art. 32: O imposto, de competncia dos Municpios, sobre a propriedade territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domnio til ou a posse do bem imvel por natureza ou por acesso fsica, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do municpio.

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    Da Capacidade Tributria Passiva Da Capacidade Civil da Pessoa Natural A relao jurdica tributria no decorre da vontade das partes, em verdade, ex lege, ou seja, decorre da lei. Assim, qualquer pessoa natural, mesmo que no tenha capacidade para a prtica dos atos da vida civil, pode ser sujeito passivo de relao jurdica tributria, nos termos do artigo 126, I do CTN. Assim, o menor de 16 anos, o que tenha enfermidade ou deficincia mental, os que por causa transitria no possam exprimir sua vontade, os maiores de 16 e menores de 18 anos, os brios habituais, os viciados em txicos, os excepcionais, os prdigos, descritos nos artigos 3 e 4 do Novo Cdigo Civil, tm capacidade tributria passiva, podendo, portanto, figurar como sujeito passivo da obrigao tributria. O menor de idade que percebe renda de aluguel proveniente de imvel que lhe fora transmitido por herana, pagar imposto de renda pelos aluguis percebidos. O brio habitual que proprietrio de automvel pagar o imposto sobre a propriedade de veculos automotores (IPVA). O viciado que realiza saques e depsitos em conta corrente ter de pagar a contribuio provisria sobre movimentao ou transmisso de valores e de crditos e de direitos de natureza financeiras.(CPMF). Das Privaes do Exerccio de Atividades Tm capacidade tributria passiva, de igual forma, as pessoas que sofrem medidas que importem privao ou limitao ao exerccio de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administrao direta de seus bens ou negcios, nos termos do artigo 126, II do CTN. Neste rastro, o mdico que exerce a medicina em lapso temporal em que h contra si suspenso por penalidade disciplinar aplicada pelo Conselho Regional de Medicina sujeito passivo do imposto sobre a renda (IR) e imposto sobre servios (ISS). Da Pessoa Jurdica Irregular A pessoa jurdica que, embora no esteja regularmente constituda e configure uma unidade econmica e profissional, tem capacidade tributria passiva, nos termos do artigo 126, III do Cdigo Tributrio Nacional. Neste sentido, caso duas pessoas resolvam implantar na garagem de sua casa a prestao de servios para o desenvolvimento de softwares, formando, portanto, uma sociedade de fato ou irregular, sem registro de contrato ou inscrio perante as autoridades fazendrias, com unidade econmica ou profissional, h in casu capacidade tributria passiva. Assim, a sociedade de fato ou irregular, ainda que lhe falte contrato social e demais formalidades, pode ser sujeito passivo da obrigao tributria, bastando-lhe unidade econmica ou profissional. Se contrrio fosse, quem usasse da irregularidade para praticar atos civis, comerciais ou profissionais, seria beneficiado em detrimento das pessoas que regularmente constituem sociedade.

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    Da Diferena entre Obrigao Tributria e Crdito Tributrio A obrigao tributria surge com ocorrncia do fato gerador, no entanto, ainda no h clculo do montante do tributo devido, nem identificao formal do sujeito passivo. Em regra, todos os proprietrios de imveis na rea urbana devem pagar o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana ao municpio. Mas, quanto d

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