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  • Polticas sociaisideias e prtica

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  • ORGANIZAO

    CENTRO RUTH CARDOSO

    Polticas sociaisideias e prtica

    Politicas Sociais_Final.indb 3 31/05/11 13:47

  • EDITORA MODERNA LTDA.

    Rua Padre Adelino, 758 Belenzinho

    So Paulo SP Brasil CEP 03303904

    Tel. (11) 27901500

    Fax (11) 27901501

    www.moderna.com.br

    2011

    Impresso no Brasil

    2011, Centro Ruth Cardoso

    ORGANIZAO E EDIO: Centro Ruth CardosoTRADUO DO ESPANHOL (CECLIA M. VELLEZ): Lgia Saad

    TRADUO DO INGLS (GERARD CLARKE, LESLEY E. REDWINE, EZEQUIEL REFICCO): Anne SpeyerCOORDENAO EDITORIAL: Srgio Couto

    REVISO: Afonso N. Lopes, Millyane M. Moura, Nancy H. Dias, Viviane T. MendesPROJETO E EDITORAO: Ricardo PostacchiniFOTOS: Gui Tamburus/Centro Ruth Cardoso

    COORDENAO DE PRODUO INDUSTRIAL: Wilson Aparecido TroqueIMPRESSO E ACABAMENTO:

    ISBN 978-85-16-07127-1

    Nota Os textos deste livro foram produzidos em forma de papers ou editados a partir das apresentaes dos participantes do I Seminrio Internacional Centro Ruth Cardoso, realizado nos dias 24 e 25 de novembro de 2010 em parceria com o Centro de Empre-endedorismo Social e Administrao do Terceiro Setor da FEA/USP, nas dependncias da Universidade de So Paulo. A organizao dos temas obedece a programao origi-nal das mesasredondas, oficinas e palestras do Seminrio. As opinies expressas nos textos aqui publicados so de responsabilidade de seus autores.

    Centro Ruth Cardoso

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  • SUMRIO

    ApresentaoPolticas sociais na trilha da poltica participativa

    Lourdes Sola ....................................................................................... 107

    IntroduoDos nossos compromissos de vida

    Graa Machel ..................................................................................... 111

    Democracia e novas formas de participao social

    A democracia e a problematique da participao: as Filipinas no governo de Gloria Macapagal Arroyo (20012010) Gerard Clarke ...................................................................... 127

    Novos padres de interao entre Estado e sociedade Elisa Reis.............................................................................. 161

    Sntese da discusso: Democracia e novas formas de participao social Maria Helena Guimares de Castro .................................... 179

    Educao e cidadania

    Os colgios em concesso da Colmbia Ceclia Maria Vellez ............................................................. 191

    Redefinindo a educao na Amrica: um olhar histrico e moderno sobre as estratgias de reforma que tratam do dficit de desempenho Lesley Esters Redwine ........................................................... 103

    Sntese da discusso: Educao de qualidade para todos, premissa da reduo da pobreza e fator coadjuvante na aquisio do capital social Guiomar Namo de Mello ..................................................... 135

    Empreendedorismo social e desenvolvimento sustentvel

    As empresas na sociedade: os limites das boas intenes Ezequiel Reficco ................................................................... 161

    Empreendedorismo social: apontamentos para um debate Rosa Maria Fischer .............................................................. 183

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  • Sntese da discusso: empreendedorismo social e desenvolvimento sustentvel Thereza Lobo ....................................................................... 207

    Redes sociais e sociedade em rede

    Mudana social em rede Gustavo Cardoso.................................................................. 219

    A sociedade da conexo: notas sobre a representao de rede Cssio Martinho .................................................................. 259

    Sntese da discusso: Redes sociais e sociedade em rede Augusto de Franco ............................................................... 287

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  • 7Apresentao

    Polticas sociais na trilha da poltica participativa

    Lourdes SolaLivredocente pela Universidade de So Paulo,

    conselheira do Ncleo de Polticas Pblicas da USP epresidente do Conselho Consultivo do Centro Ruth Cardoso.

    A qualidade das democracias de massa depende de dois processos que so, de fato, os dois motores da democracia: concorrncia poltica; e participao social e poltica. O foco dos nossos trabalhos o segundo motor hoje, como no pas-sado. Nosso ponto de partida o de Ruth Cardoso era fruto de uma constatao: entre as mudanas transformadoras que ocorreram nos anos de 80 e 90 em vrias frentes, o tratamento da desigualdade e da pobreza despontava como uma revolu-o silenciosa. Seus contornos, ainda vagos para a maioria dos observadores, haviam sido identificados com preciso pela an-troploga, com base em anos de pesquisa, ancorada em uma slida formao terica. Mas foram seu sentido de misso e seu compromisso com a construo de uma sociedade mais justa que entraram em cena quando o destino lhe pregou a pea de traz-la para o corao da vida poltica brasileira, como compa-nheira do presidente Fernando Henrique. Nunca primeira-da-ma mas primeira em valer-se dessa condio para converter

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  • 8 Polticas sociais ideias e prtica

    seus saberes em uma modalidade inovadora de poltica pblica republicana. dessa alquimia que gostaria de tratar antes de dizer a que viemos com o seminrio internacional1.

    A histria das democracias de massa inclui transformaes que, por serem graduais e levadas a cabo sem uma escalada de conflitos e sem grandes protagonismos, constituem revolues silenciosas. So gestadas por mudanas difusas nas prefern-cias sociais, expressam-se em novas formas de organizao co-letiva e culminam na formao de consensos abrangentes e em novos critrios de legitimao poltica.

    Toda mudana social desse tipo s levada a bom termo quando os novos padres de ao coletiva logram moldar a agenda pblica. Quando isso ocorre, os governos democrticos so chamados a articular respostas inovadoras, a identificar os agentes sociais de mudana e a incorporar o novo consenso ao desenho de suas polticas pblicas. As funes do Estado de-mocrtico se redefinem, pois embora incluam a universalizao dos direitos sociais, no se esgotam nisso. Essa travessia, po-rm, no automtica. Depende da ao deliberada de vrios agentes sociais, com vistas a converter os impulsos transforma-dores da sociedade civil em polticas de interesse pblico.

    A mudana nos padres de relao entre Estado e socie-dade nos ltimos 20 anos caracteriza uma revoluo desse tipo, a partir de trs desdobramentos. Por um lado, mudou a forma de abordar as desigualdades sociais e a pobreza, em mbito na-cional e em escala global: como questes cuja superao ob-jeto de responsabilidade coletiva e no apenas do Estado. Por outro, o reconhecimento da vocao associativa demonstrada pelas comunidades carentes, cuja ao coletiva as capacita a construir, com relativa eficcia, suas estratgias de sobrevivn-

    1 Este texto reproduz a fala de Lourdes Sola, presidente do Conselho Consultivo do Centro Ruth Cardoso, na abertura do I Seminrio Internacional Centro Ruth Cardoso.

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  • 9Apresentao

    cia e suas aspiraes por melhor qualidade de vida. Finalmen-te, o estudo e a valorizao dessas capacidades e dos tipos de saber que as diferentes comunidades desenvolvem ao atuar sobre seus respectivos contextos implicavam tambm legitimar e fortalecer suas lideranas, como agentes sociais de mudana.

    Essas transformaes esto na raiz das novas prticas de interveno no espao pblico, inauguradas sob a gide da Comunidade Solidria, criada por Ruth Cardoso nos anos 90. Combater a desigualdade e a pobreza continuava sendo um dos deveres do Estado, mas as polticas sociais com foco nesse objetivo deveriam ser coerentes com as formas emergentes da poltica participativa e integrar em seu desenho as dinmicas comunitrias. Teriam por alvo o fortalecimento das capacidades e dos saberes j mobilizados pelas lideranas das comunidades em parcerias com as organizaes do terceiro setor, com o po-der pblico e com setor privado.

    a partir dessa visomatriz, que moldou a Rede Solidria (RedeSol) a rede de todas as redes criadas nos ltimos 15 anos , que o Centro Ruth Cardoso define sua misso. Trata-se de desenvolver, decantar e atualizar as formas de interveno no espao pblico, na trilha da poltica participativa concebi-da como uma interao sustentvel entre setores da sociedade civil e as redes pblicas.

    Consciente das mudanas que j ocorreram no cenrio original e do conhecimento j acumulado pela RedeSol, o Cen-tro guia-se por duas diretrizes. A primeira refere-se dimenso analtica e propositiva, inerente ao legado de Ruth Cardoso. Quer-se refletir sobre os elementos que balizam a reconfigu-rao do espao pblico nos ltimos anos no Brasil: luz das mudanas na sociedade civil, nas redes pblicas, nas formas de participao do setor privado, como parceiro da RedeSol.

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  • 10 Polticas sociais ideias e prtica

    A segunda diretriz de ordem estratgica: consolidar o Cen-tro como lcus de reflexo, nacional e internacional, sobre as experincias de interveno, dirigidas ampliao da poltica participativa.

    Em sintonia com o esprito republicano de Ruth Cardoso que nosso diferencial , o Centro promoveu um seminrio internacional, em torn