politicas de saúde

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  • 1. Polticas de Sade 2014

2. Gerncia de Padronizao e Interoperabilidade - Monitoramento TISS - 2010 2 Polticas de Sade Poltica de Sade: Conjunto de estratgias e aes organizadas de governo no sentido de intervir na sade de sua populao (sade coletiva). O SUS o resultado de uma poltica de sade (organizao). Com suas Leis, normas, princpios e diretrizes. 3. Gerncia de Padronizao e Interoperabilidade - Monitoramento TISS - 2010 3 Polticas de Sade Descobrimento ao Imprio Repblica Velha O Sanitarismo Campanhista, do incio do sculo XX, ligado ao modelo econmico agroexportador (Caf) exigia do sistema de sade uma poltica de saneamento dos espaos de circulao das mercadorias exportveis e a erradicao ou controle das doenas que poderiam afetar a exportao. Este modelo se mostrava atravs de uma viso militarista, de combate s doenas de massa, concentrao de decises, e um estilo repressivo de interveno sobre os corpos individual e social. Responsabilizandose pelas aes coletivas e campanhas.Esse formato de verticalizao deixou profundas razes na cultura institucional do Sistema de Sade brasileiro. Esse comportamento estendese para outras aes conduzidas pelo Ministrio da Sade, como os seus inmeros programas centralizados, que dispem de 4. Gerncia de Padronizao e Interoperabilidade - Monitoramento TISS - 2010 4 Polticas de Sade Descobrimento ao Imprio Repblica Velha O modelo Liberal Privatista,ou mdico assistencial privatista, teve incio no Brasil com osurgimento da Assistncia Mdica Previdenciria, na dcada de 20, sob a influncia daMedicina Liberal, ligandose necessidade de assistncia aos trabalhadores urbanos eindustriais. O importante j no era sanear os espaos, mas cuidar dos corpos dostrabalhadores, mantendo sua capacidade produtiva. Expandiusea partir da dcada de 40dando incio compra de servios privados. Este formato serviu como um embrio e umcatalisador do modelo liberal privatista que se acentuou aps 1964 atravs da rede privada contratada, constituindo na dcada de 90, 76% da oferta de leitos no pas. Grande parte do financiamento para a expanso do setor privado veio do setor pblico, em consonncia com a poltica de sustentao do capital, a partir do Estado. Este modelo constituiu 5. Gerncia de Padronizao e Interoperabilidade - Monitoramento TISS - 2010 5 A PRIMEIRA REPBLICA (1889 -1930) Nesse perodo, foram criados e implementados os servios e programas de sade pblica em nvel nacional (central). frente da Diretoria Geral de Sade Pblica, Oswaldo Cruz, ex-aluno e pesquisador do Instituto Pasteur, organizou e implementou, progressivamente, instituies pblicas de higiene e sade no Brasil. Em paralelo, adotou o modelo das 'campanhas sanitrias', destinado a combater as epidemias urbanas e, mais tarde, as endemias rurais. Este modelo, de inspirao americana mas importado de Cuba, tomou-se um dos pilares das polticas de sade no Brasil e no continente americano em geral. 6. Gerncia de Padronizao e Interoperabilidade - Monitoramento TISS - 2010 6 A PRIMEIRA REPBLICA (1889 -1930) Em termos de poder, o prprio nome sugere que o modelo campanhista de inspirao blica, concentra fortemente as decises, em geral tecnocrticas, e adota um estilo repressivo de interveno mdica nos corpos individual e social. Na Primeira Repblica, em torno desse modelo se estruturou o discurso dominante na poltica de sade, simultaneamente s polticas de urbanizao e de habitao. Consolidou-se uma estrutura administrativa de sade centralista, tecnoburocrtica e corporativista, isto , ligada a um corpo mdico em geral proveniente da oligarquia de origem agrria que dominou a Repblica Velha. Esses traos configuraram o perfil autoritrio que ainda hoje caracteriza, em grande parte, o conjunto das instituies de sade pblica e dos sistemas de decises em poltica de sade no Brasil. Poroutro lado, a eficcia social do combate s doenas coletivas decresceu, ao longo do tempo, comparativamente ao perodo da Primeira Repblica, quando esse modelo atingiu seu auge em termos de autoridade. 7. Gerncia de Padronizao e Interoperabilidade - Monitoramento TISS - 2010 7 PERODO POPULISTA (ANOS 30 AOS ANOS 50) No perodo que se segue, compreendendo a conjuntura de ascendncia e hegemonia do Estado populista, observamos a criao dos institutos de seguridade social (Institutos de Aposentadorias e Penses, IAPs), organizados por categorias profissionais. Tais institutos foram criados por Getlio Vargas ao longo dos anos 30, favorecendo as camadas de trabalhadores urbanos mais aguerridas em seus sindicatos e mais fundamentais para a economia agroexportadora at ento dominante. Ferrovirios, empregados do comrcio, bancrios, martimos, estivadores e funcionrios pblicos foram algumas categorias assalariadas favorecidas pela criao de institutos. Todas constituam pontes com o mundo urbanoindustrial em ascenso na economia e na sociedade brasileiras de ento. Desde o incio, a implantao dos programas e servios de auxlios e de ateno mdica foi impregnada deprticas clientelistas, tpicas do regime populista que caracterizou a Era Vargas. Tais prticas se ancoraram tambm nos sindicatos de trabalhadores, nos quais ajudaram a criar normas administrativas e polticas de pessoal adequadas a estratgias de cooptao das elites sindicais 'simpatizantes' e de excluso das discordantes, alando aquelas direo das instituies e gesto dos programas governamentais. O clientelismo tambm se baseou no atrelamento dos sindicatos e dos institutos ao Estado, atravs do controle da seleo, eleio e formao dos seus dirigentes, bem como da participao e gesto nesses dois tipos de organizao social. Sobretudo no Estado Novo (1937-1945), Vargas pde dominar politicamente os IAPs, cujas direes, que reuniam representantes de patres e empregados, eram formadas sob controle estatal. Mais tarde, no perodo ps-45, o atrelamento estatal dos sindicatos e institutos estendeu-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Dessa forma, na primeira metade deste sculo podemos observar: centralismo, verticalismo e autoritarismo corporativo, do lado da sade pblica; clientelismo, populismo e paternalismo, do lado de instituies de previdncia social, incluindo as de ateno mdica. Estes traos, modelados durante cerca de cinquenta anos, ainda so caractersticos das instituies e polticas de sade brasileiras e integram a prpria ordem poltica que se constituiu nesse perodo. o prprio rosto de nossa estrutura social que se desenha sobre essa dupla face, ao menos no que esse rosto tem de mais atroz e recorrente em termos de poder. 8. Gerncia de Padronizao e Interoperabilidade - Monitoramento TISS - 2010 8 DESENVOLVIMENTISMO (ANOS 50 E 60) Esse penodo ficou conhecido pela tentativa de implantar-se um projeto nacional de desenvolvimento econmico 'moderno', integrado ordem capitalista industrial, e pela crise do regime populista e nacionalista dos anos 60. As polticas de sade da poca exprimiam essa dupla realidade, atravs de uma dicotomia institucional progressivamente acentuada. O lI1odelo campanhista, que chegara a um estgio burocrtico rotineiro, ainda predominava largamente nos rgos de sade pblica do ento Ministrio da Educao e Sade. Opunha-se ao modelo curativsta dominante nos servios previdencirios de ateno mdica, tambm burocratizados e ineficazes face aos crescentes problemas de sade das populaes urbana nual. Uma tecnoburoctacia mdica formada no exterior em administrao de servios de sade instalou-se na gesto dos Institutos de Previdncia, por oposio tecnocracia sanitarista, tambm mdica, de tendncia nacionalista e desenvolvimentista, predominante nos rgos de sade pblica. Justaposio, repetio, incompetncia e ineficincia, reinantes nos programas e servios de sade, foram combatidas com mais programas, servios e campanhas, que finalmente redundaram no aumento e na reproduo da dicotomia sade pblica versus ateno mdica individual. Se as condies de vida da maior parte da populao no pioraram, a conscincia da dureza dessas condies foi-se tornando cada vez mais clara no penodo. Mas, em presena da impossibilidade de solues reais por parte das instituies, essa conscincia originou um impasse nas polticas de sade. Ele foi percebido, alis, como impa. incentivos, o 'iue possibilitou o aumento do VIlswno desses 10. Gerncia de Padronizao e Interoperabilidade - Monitoramento TISS - 2010 10 ESTADO MILITARISTA E O 'MILAGRE BRASILEIRO' (1964 -1984) Nesse contexto se produziu a poltica de sade do 'milagre', coerente com a poltica econmica de ento, que preconizava um crescimento acelerado com uma elevada taxa de produtividade, conjugada a baixos salrios para grande parte da massa traballiadora. Esta poltica desfavoreceu a maioria das categorias, mas favoreceu os traballiadores especializados, os tcnicos e os quadros superiores empregados nos setores de ponta da economia. Esses grupos foram ben::r1ciados por altos salrios (> incentivos, o 'iue possibilitou o aumento do onsumo desses setores privilegiados, assim como a difuso da ideologia do consumo no conjunto da sociedade. A sade passou ento a ser vista como um bem de consumo. Especificamente, um bem de consumo mdico. No perodo de 1968 a 1975, generalizou-se a demanda social por consultas mdicas como resposta s graves condies de sade; o elogio da medicina como sinnimo de cura e de restabelecimento da sade individual e coletiva; a construo ou refonna de inmeras clnicas e hospitais privados, com fmanciamento da Previdncia Social; a multiplicao de faculdades particulares de medicina por todo o pas; a organizao e a complementao da poltica de convnios entre o INPS e os hospitais, clnicas e empresas de prestao de servios mdicos, em detrimento dos recursos -j parcos -tradicionalmente destinados aos servios pblicos. Tais foram as orientaes principais da poltica sanitria da conjuntura do 'milagre brasileiro'. Esta poltica teve, evidentemente, uma srie de efeitos e conseqncias institucionais e sociais, entre as quais a progressiva predominncia de um sistema de ateno mdica 'de massa' (no sentido de 'massificado') s