poesias de mario quintana apresentação

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  • 1. DE:RENATO DE SOUZA JUNIOR

2.

  • O AUTO-RETRATO
  • No retrato que me fao - trao a trao - s vezes me pinto nuvem, s vezes me pinto rvore...
  • s vezes me pinto coisas de que nem h mais lembrana... ou coisas que no existem mas que um dia existiro...
  • e, desta lida, em que busco - pouco a pouco - minha eterna semelhana,
  • no final, que restar? Um desenho de criana...Corrigido por um louco !
  • Mario Quintana

3.

  • XII
  • O dia abriu seu pra-sol bordado De nuvens e de verde ramaria. E estava at um fumo, que subia, Mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.
  • Depois surgiu, no cu azul arqueado, A Lua - a Lua! - em pleno meio-dia. Na rua, um menininho que seguia Parou, ficou a olh-la admirado...
  • Pus meus sapatos na janela alta, Sobre o rebordo... Cu que lhes falta Pra suportarem a existncia rude!
  • E eles sonham, imveis, deslumbrados, Que so dois velhos barcos, encalhados Sobre a margem tranqila de um aude...
  • Mario Quintana

4.

  • CANO DE
  • BARCO E DE OLVIDO
  • No quero a negra desnuda. No quero o ba do morto. Eu quero o mapa das nuvens E um barco bem vagaroso.
  • Ai esquinas esquecidas... Ai lampies de fins de linha... Quem me abana das antigas Janelas de guilhotina?
  • Que eu vou passando e passando, Como em busca de outros ares... Sempre de barco passando, Cantando os meus quintanares...
  • No mesmo instante olvidando Tudo o de que te lembrares.
  • Mario Quintana

5.

  • AH! OS RELGIOS
  • Amigos, no consultem os relgios quando um dia eu me for de vossas vidas em seus fteis problemas to perdidas que at parecem mais uns necrolgios... Porque o tempo uma inveno da morte: no o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira. Inteira, sim, porque essa vida eterna somente por si mesma dividida: no cabe, a cada qual, uma poro. E os Anjos entreolham-se espantados quando algum - ao voltar a si da vidaacaso lhes indaga que horas so...
  • Mario Quintana

6.

  • Os poemas so pssaros que chegam no se sabe de onde e pousam no livro que ls. Quando fechas o livro, eles alam vo como de um alapo. Eles no tm pousonem porto;alimentam-se um instante em cada par de mos e partem. E olhas, ento, essas tuas mos vazias, no maravilhado espanto de saberesque o alimento deles j estava em ti...Mario Quintana

7.

  • A vida uns deveres que ns trouxemos para fazer em casa. Quando se v, j so 6 horas: h tempo... Quando se v, j 6feira... Quando se v, passaram 50 anos... Agora, tarde demais para ser reprovado... E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade, eu nem olhava o relgioseguia sempre, sempre em frente... E iria jogando pelo caminho a casca dourada e intil das horas.

8.

  • Da vez primeira em que me assassinaram, Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha.
  • Hoje, dos meu cadveres eu sou O mais desnudo, o que no tem mais nada. Arde um toco de Vela amarelada, Como nico bem que me ficou.
  • Vinde! Corvos, chacais, ladres de estrada! Pois dessa mo avaramente adunca No havero de arrancar a luz sagrada!
  • Aves da noite! Asas do horror! Voejai! Que a luz trmula e triste como um ai, A luz de um morto no se apaga nunca!
  • Mario Quintana

9.

  • Escrevo diante da janela aberta. Minha caneta cor das venezianas: Verde! ... E que leves, lindas filigranas Desenha o sol na pgina deserta!
  • No sei que paisagista doidivanas Mistura os tons... acerta... desacerta... Sempre em busca de nova descoberta, Vai colorindo as horas quotidianas...
  • Jogos da luz danando na folhagem! Do que eu ia escrever at me esqueo... Pra que pensar? Tambm sou da paisagem...
  • Vago, solvel no ar, fico sonhando... E me transmuto... iriso-me... estremeo... Nos leves dedos que me vo pintando!

10.

  • O meu amor, o meu amor, Maria como um fio telegrfico da estrada Aonde vm pousar as andorinhas... De vez em quando chega uma E canta (No sei se as andorinhas cantam, mas v l!) Canta e vai-se embora Outra, nem isso, Mal chega, vai-se embora. A ltima que passou Limitou-se a fazer coc No meu pobre fio de vida! No entanto, Maria, o meu amor sempre o mesmo: As andorinhas que mudam.
  • Mario Quintana