Poemas filosóficos C3 - ?· ARTES !! ! ! ! 136! Três!poemas!filosóficos! Pedro&Rego1! I! Amorplatônico!

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<ul><li><p> ARTES </p><p> http://www.uva.br/trivium/edicoes/ano-vii-edicao-1-junho2015/artes.htm# </p><p>136 </p><p>Trs poemas filosficos </p><p>Pedro Rego1 </p><p>I </p><p>Amor platnico </p><p>O amor, para Plato, </p><p> o desejo da posse eterna </p><p>de alguma coisa bela. </p><p>Pode ser varo ou donzela </p><p>arte, cincia, constituio. </p><p>No fundo tanto faz. </p><p> sempre a beleza que atrai </p><p>e ao corao apraz. </p><p>E desse fenmeno </p><p>de que somos presa </p><p>ele tinha a certeza </p><p>de ser esta a explicao: </p><p>todo mundo est grvido </p><p>no corpo ou na alma </p><p> 1 Poeta e filsofo. Autor da coletnea de poemas Nuga (7Letras). E-mail: pedromrfs@gmail.com </p></li><li><p> ARTES </p><p> http://www.uva.br/trivium/edicoes/ano-vii-edicao-1-junho2015/artes.htm# </p><p>137 </p><p>e num momento dado </p><p>perde-se a calma </p><p>e vm as dores do parto. </p><p>A nica sada </p><p>para a criatura aflita </p><p> a criao </p><p>e esta no dispensa </p><p>a beleza, sua presena. </p><p>H, alm disso, </p><p>outro princpio ativo: </p><p>quem cria compartilha </p><p>da natureza imortal </p><p>e no morrer </p><p>veja </p><p>geral deseja. </p><p>Mas h quem conteste e diga </p><p>que esse amor platnico </p><p> tirnico, egosta </p><p>e muito pouco romntico. </p><p>A coisa amada s uma pedra </p><p>no rio, um degrau </p><p>na escada </p></li><li><p> ARTES </p><p> http://www.uva.br/trivium/edicoes/ano-vii-edicao-1-junho2015/artes.htm# </p><p>138 </p><p>devendo ser descartada </p><p>logo depois de usada. </p><p>Amor mesmo, de verdade, </p><p>dizem </p><p> o que Aristteles disse da amizade: </p><p>o desejo pelo bem do outro </p><p>por si mesmo </p><p>no pelo prprio conforto. </p><p>O mistrio </p><p>do amor aristotlico </p><p>do amor-amizade </p><p> o velho mistrio </p><p>da boa vontade. </p><p>Eu dizia isso </p><p>para a namorada </p><p>que perguntava </p><p>insistente </p><p>Por que voc me ama? </p><p>pra que ela entendesse </p><p>que a coisa complicada </p><p>e no vai ser solucionada </p><p>assim, na cama. </p></li><li><p> ARTES </p><p> http://www.uva.br/trivium/edicoes/ano-vii-edicao-1-junho2015/artes.htm# </p><p>139 </p><p>II </p><p>Medo da morte </p><p>Eu tenho medo da morte </p><p>desde sempre, </p><p>desde que me dou por gente. </p><p>No medo da dor </p><p>nem da m sorte, </p><p> diferente, </p><p> um medo assim meio indecente </p><p>do fim </p><p>de mim. </p><p>Mas medo talvez no seja exatamente </p><p>o termo. </p><p> uma vertigem </p><p>quente, </p><p> um sentir presente </p><p>meu eu futuro </p><p>ausente, </p><p> sentir que o buraco sem fundo </p><p>e que a eternidade real </p></li><li><p> ARTES </p><p> http://www.uva.br/trivium/edicoes/ano-vii-edicao-1-junho2015/artes.htm# </p><p>140 </p><p>feito esta pedra </p><p>feito este muro de cal </p><p>feito este murro. </p><p> E ento a vida em mim </p><p>grita </p><p>e a noite em mim </p><p>cresce </p><p>e nenhuma estrela aparece </p><p>e nenhuma brisa se agita </p><p>e tudo de mais slido derrete </p><p>e s a eternidade resplandece </p><p>infinitamente </p><p>inerte. </p><p>Essa queda, essa descida </p><p> a experincia fundamental </p><p>da minha vida. </p><p>E quando eu estou assim perdido </p><p>sentindo que no mais existo </p><p>eu me acalmo fingindo </p><p>que creio em Cristo. </p><p>Eu sei, ridculo, </p><p>esse homem tremendo sozinho </p></li><li><p> ARTES </p><p> http://www.uva.br/trivium/edicoes/ano-vii-edicao-1-junho2015/artes.htm# </p><p>141 </p><p>no breu. </p><p>Mas ser que sou s eu? </p><p>III </p><p>O pessimismo </p><p>Um filsofo alemo </p><p>que todo mundo conhece </p><p>dizia que a vida ruim </p><p>e vai ficando cada vez pior </p><p>at que o pior de tudo acontece. </p><p>A mxima exemplar pela conciso. </p><p>Mas verdade? Eis a questo! </p><p>Porque repare: a vida </p><p>no escolhida </p><p>aps cuidadosa deliberao. </p><p>Ns vivemos talvez </p><p>mais por essa coisa inusitada, </p><p>o medo do Nada, </p><p>do que por amor legtimo </p><p> Criao. </p><p>Desse modo, </p></li><li><p> ARTES </p><p> http://www.uva.br/trivium/edicoes/ano-vii-edicao-1-junho2015/artes.htm# </p><p>142 </p><p>a despeito da nossa inclinao, </p><p>pode muito bem ser </p><p>que esse nosso esquema </p><p>no valha realmente a pena </p><p>e seja no fundo uma pecha, </p><p>a famosa conta </p><p>que no fecha. </p><p>Mas voltando, ento, </p><p> questo aventada, </p><p>esse pessimismo do alemo, </p><p>eu acho, </p><p> uma coisa exagerada. </p><p> bem verdade que a velhice </p><p>no a melhor idade </p><p>como quer a companhia area. </p><p>A velhice </p><p>qualquer pessoa honesta admite </p><p> uma merda. </p><p>Apesar disso, </p><p>no se assuste, pessoa, </p><p>se eu disser (e digo): </p><p>a vida boa. </p></li><li><p> ARTES </p><p> http://www.uva.br/trivium/edicoes/ano-vii-edicao-1-junho2015/artes.htm# </p><p>143 </p><p>Foi assim: </p><p>o Sol bom, a chuva boa, todo rudo msica, </p><p>eu li um dia, </p><p>na livraria </p><p>(era domingo) </p><p>e eu fui salvo do pessimismo. </p><p>Medite, amigo leitor, </p><p>no que encerram </p><p>estas palavras rsticas, </p><p>o Sol bom </p><p>a chuva boa </p><p>todo rudo msica, </p><p>e diga </p><p>com sinceridade </p><p>se no verdade que, </p><p>contrariando um outro medalho, </p><p>a gente vive por gosto </p><p> no por obrigao. </p><p> Recebido em: 03/01/2015 Aprovado em: 20/05/2015 </p></li></ul>

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