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    CAPTULO 3PLANOS DIRETORES ESTRATGICOS

    DE SO PAULO

    3.1. Plano DirEtor EStratgiCo Do muniCPio DE So Paulo

    (2002).

    3.1.1. EStruturao E ContEDo.

    Ao contrrio do que normalmente acontece, o Plano Diretor Estratgico do Municpio

    de So Paulo foi elaborado em forma de projeto de lei e posteriormente transformado

    em um documento tcnico. Em sua introduo, fazia falta um documento que

    explicitasse o processo e o produto resultante da implementao do planejamento

    urbano na gesto de So Paulo (PDE/SEMPLA/PMSP, 2004). Era composto de textos

    introdutrios, trs partes relativas ao seu contedo e consideraes finais. Contudo,

    este documento escrito em portugus e ingls, transformou-se em uma reformatao

    do texto da lei acrescido um conjunto de justificativas e explicaes, tanto que a edio

    foi muito pequena.

    A parte A, denominou-se Fundamentos e Elaborao do PDE (Plano Diretor Estratgico),

    tratando da necessidade da elaborao do novo plano e dos antecedentes histricos

    e urbansticos. Em seguida, explicitaram-se os objetivos, os quais consistiam em

    abordar a cidade real, acompanhados de um conjunto de dados sobre a excluso

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    social em So Paulo. Por fim, para nesta parte do texto foram abordados os desafios

    que se apresentavam para o planejamento urbano na cidade numa viso bastante

    idealista.

    A parte B tratava do carter inovador do PDE, falando do processo de planejamento,

    dos preceitos e dos objetivos gerais, iniciando uma vasta repetio do projeto de lei,

    inclundo as polticas pblicas e as aes estratgicas, o plano urbanstico e ambiental,

    bem como, da gesto democrtica do planejamento urbano. E, sem se aperceber,

    apesar de todo o discurso sobre a cidade real, os nicos pontos detalhados no texto

    foram os que se referiam a variveis e ndices urbansticos tradicionais, em especial

    ao Coeficiente de Aproveitamento.

    A parte C tratava do planejamento de So Paulo aps o PDE, abordava a importncia

    de sua regulamentao e se iniciava pela disciplina de uso e ocupao do solo

    zoneamento. Em seguida, falava dos objetivos dos Planos Regionais Estratgicos

    das Subprefeituras, do Plano de Circulao Viria e de Transportes, do Plano de

    Habitao, sendo que estes dois ltimos no foram transformados em lei.

    J nas consideraes finais, tratava da importncia do Plano Diretor para a cidade.

    O plano como a prpria lei apresentavam algumas contradies. Um plano diretor de

    uma cidade com tanta excluso social pode deixar para a regulamentao o plano

    habitacional e de transporte? As questes relativas drenagem e ao processo de

    metropolizao, lembrados na introduo, foram objeto de poucos instrumentos e

    aes. E, apesar do discurso inicial relativo cidade real, o uso e a ocupao do

    solo, em especial os ndices urbansticos como o Coeficiente de Aproveitamento,

    continuaram tendo fundamental importncia no plano diretor, principalmente se

    comparados a vrios instrumentos do Estatuto da Cidade.

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    3.2. lEi Do Plano DirEtor EStratgiCo Do muniCPio DE So Paulo

    (lEi 13.430 / 2002 PDE).

    3.2.1. ConCEPo, DiSCuSSo E aProvao.

    Apesar da persistncia das tradicionais formas de ver o planejamento urbano em So

    Paulo como mecanismo de ordenao da produo do espao construdo pelo setor

    privado e da preservao dos bairros nobres, o processo de elaborao do Plano

    Diretor foi marcado por muitas novidades interessantes (destaques do autor).

    Nabil Bonduki (2007) lembra que o planejamento urbano no Brasil percorreu um

    interessante caminho de transio da ditadura militar para o regime que temos hoje,

    apresentando propostas inovadoras, de polticas pblicas e de participao popular,

    em especial no campo da funo social da propriedade urbana.

    Entre estas propostas inovadoras destacam-se algumas no campo puramente

    institucional que permitiram avanos. A incluso dos dois artigos de poltica urbana

    na Constituio Federal de 1988, embora com vis bastante anacrnico, deram,

    pela primeira vez, sustentao constitucional ao planejamento urbano e garantia

    da aplicao da funo social da propriedade. O Estatuto da Cidade muniu de fortes

    instrumentos o direito urbanstico, embora mantivesse a atribuio ao Plano Diretor da

    responsabilidade de toda a poltica urbana municipal.

    Ainda fazendo parte desse cenrio, o Plano Diretor Estratgico de So Paulo e,

    posteriormente, os Planos Regionais Estratgicos das Subprefeituras, incorporaram

    muitas destas propostas inovadoras tanto na sua elaborao como no seu processo

    de discusso.

    Entre as propostas inovadoras incorporadas pelo PDE destaca-se a incluso e a

    conceituao dos instrumentos previstos no Estatuto da Cidade como poder ser

    observado adiante.

    Conforme o prprio plano previa, a implementao dos instrumentos se daria por meio

    dos Planos Regionais Estratgicos ou regulamentaes especficas, portanto, o PDE

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    seria a grande referncia para elaborao dos instrumentos de poltica urbana.

    O processo de discusso foi muito interessante e em alguns momentos repetiu os

    graves conflitos observados por ocasio do Plano Diretor de 1991.

    Um dos avanos foram os debates e as audincias pblicas que, embora no tenham

    mobilizado a populao como esperavam os tcnicos, levaram a discusso do plano

    para todas as subprefeituras do municpio. Estas audincias pblicas estavam divididas

    em dois grandes grupos: os promovidos pelo Executivo antes do envio do projeto de

    lei Cmara de Vereadores e os promovidos por este legislativo (VILLAA, 2005).

    Os debates e as audincias pblicas sobre o PDE foram amplamente dominados por

    moradores dos bairros de renda alta (minorias dominantes) e pelos representantes do

    mercado imobilirio (VILLAA, 2005), sendo que, pelo lado da populao em geral,

    apenas os representantes de alguns movimentos organizados da luta por habitao

    pleitearam Zonas Especiais de Interesse Social.

    Pode-se acrescentar a este problema, a linguagem tecnocrata e obscura que

    normalmente envolve o planejamento urbano em nosso pas e o desconhecimento

    da grande maioria dos participantes em relao ao significado de determinados

    dispositivos legais, o que levou boa parte das discusses a uma repetio de chaves,

    frases feitas e clichs jornalsticos.

    Esses fatos fizeram com que as discusses se concentrassem nas regras de uso e

    ocupao do solo o zoneamento e em especial, a reduo dos coeficientes de

    aproveitamentos gratuitos e a outorga onerosa do direito de construir.

    Outro avano ocorrido foi a discusso dos instrumentos do Estatuto da Cidade e sua

    posterior aprovao, o que permite a sua aplicao no territrio do municpio.

    importante ressaltar a postura adotada pelo relator dos projetos na Cmara, o

    vereador, arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, que propunha somente a incluso de

    adaptaes e complementaes aos textos dos planos enviados pelo Executivo, o

    que contornaria problemas como a impossibilidade da incluso de muitas emendas e,

    principalmente, cumprir os prazos estabelecidos pelo Estatuto da Cidade.

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    3.2.2. EStruturao E ContEDo.

    O Plano Diretor Estratgico do Municpio de So Paulo aprovado por meio da Lei n

    13.430 / 2002 composto por cinco ttulos. O primeiro, de carter mais genrico e

    terico contm conceituao, objetivos gerais, finalidade e abrangncia.

    O segundo ttulo denominado Das polticas pblicas, objetivos, diretrizes e aes

    estratgicas contm a parte do plano destinada ao setor pblico municipal (VILLAA,

    2005) e consiste na tentativa de dizer que o Plano Diretor coordena e direciona as aes

    de toda administrao pblica municipal desde a educao at o sistema funerrio.

    O texto desse ttulo foi construdo ao contrrio, isto , foi solicitado a cada setor da

    Prefeitura que escrevesse um texto sobre o que determinava o tema do captulo, e

    posteriormente, isto foi homogeneizado e costurado produzindo um plano discurso de

    quarenta e sete pginas ou cem artigos com seus pargrafos, incisos e alneas.

    Trata-se de um extenso texto semelhante ao dos superplanos diretores das dcadas

    de 1960 e 1970 (VILLAA, 1999), visando demonstrar que havia integrao dos

    diversos setores da administrao municipal atravs do planejamento.

    Este segundo ttulo foi estruturado em trs captulos: Desenvolvimento Econmico

    e Social; Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida; e Meio Ambiente e

    Desenvolvimento Urbano.

    A inteno de influir todas as atividades da administrao pblica levada ao extremo

    quando se formulou diretrizes para, como por exemplo, agricultura urbana, segurana

    e o servio funerrio.

    Em funo do mtodo adotado pode-se afirmar que esta parte do Plano Diretor

    estava organizada de forma semelhante fragmentao da administrao, e que sua

    abrangncia supera o recomendado pelo Estatuto da Cidade.

    Polticas pblicas, objetivos, diretrizes e aes estratgicas no esto detalhados e,

    como no poderia deixar de ser, no so auto-aplicveis, configurando-se em um

    verdadeiro plano cardpio (VILLAA, 2005) onde os tcnicos e polticos podem

    escolher as bases para seus discursos e eventualmente suas aes.

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    O terceiro ttulo denominado Do Plano Urbanstico Ambiental consiste num tpico

    plano fsico territorial destinado a incluir na legislao municipal as determinaes do

    Estatuto da Cidade, a fornecer as regras gerais de regulao da produo privada do

    espao urbano construdo e instru

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