Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentvel do Mdio ...

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  • Manaus/Amazonas 2010

    Plano Territorial de

    Desenvolvimento Rural Sustentvel

    do Mdio Juru

  • Ministrio do Desenvolvimento Agrrio - MDA

    Secretria de Desenvolvimento Territorial - SDT

    Projeto Deter 2010/2011

    Contrato de Repasse: 0324.308-59/ITEC/MDA/CEF

    Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentvel do Mdio Juru

    Consultor: Armando Clovis Marques de Souza

    Amazonas 2010

  • 3

    SOUZA, Armando Clovis M. de.

    Plano Territorial do Desenvolvimento Rural Sustentvel do Mdio Juru. Instituto de Tecnologia, Pesquisa e Cultura da Amaznia. Estudo Tcnico Manaus, agosto, 2010.

    85 f.; Il. Color

    Estudo Tcnico

    1. Gesto Territorial 2. Plano de Desenvolvimento 3. Mdio Juru

  • 4

    Presidente da Repblica Federativa do Brasil Luiz Incio Lula da Silva

    Ministro do Desenvolvimento Agrrio - MDA Guilherme Cassel

    Secretrio de Desenvolvimento Territorial - SDT Humberto Oliveira

    Delegado Federal do Desenvolvimento Agrrio - DFDA/ AM Lcio Moraes Carril

    Presidente do Instituto De Tecnologia, Pesquisa E C ultura Da Amaznia - ITEC Carlos Arajo

    Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Mdio J uru Maria Ione

    Articuladora Territorial do Mdio Juru Raimunda Luciane

    Consultor do Plano Territorial de Desenvolvimento R ural Sustentvel do Mdio Juru

    Armando Clovis Marques de Souza

    Colaboradores na elaborao do Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentvel do Mdio Juru Danielle Costa e Arivan Reis

  • 5

    ELABORAO DO PLANO

    Armando Clovis Marques de Souza

    Possui Graduao em Cincias Econmica e Mestrado em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Participou de Projeto de Extenso dando aula de Histria do Amazonas no Curso Pr-Vestibular Alternativo de Petrpolis. Desenvolveu Projeto sobre Indicadores de Cincia e Tecnologia e Inovao da FAPEAM 2003-2006. Apresentou no Congresso de Economia Artigo Cientfico sobre a Crise do Emprego na Zona Franca de Manaus entre 2000-2003.

    Madalena Ferreira Santana

    Possui graduao em Administrao pela Universidade Federal do Amazonas e especializao Metodologia da Pesquisa Cientfica pela mesma instituio e em tica e Poltica pelo Servio de Ao, Reflexo e Educao Social (SARES).

    Arivan Ribeiro Reis

    Graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Amazonas, com atuao em Extenso Rural e Desenvolvimento Territorial. Articulador Estadual da Secretaria de Desenvolvimento Territorial do Ministrio do Desenvolvimento Agrrio.

  • 6

    SUMRIO

    1. INTRODUO ................................................................................................... 12 2. DIAGNSTICO TERRITORIAL ........................... .............................................. 15

    2.1. CONFIGURAO ESPACIAL .......................................................................................... 15

    2.1.1. Unidades de Conservao ............................................................................................ 17

    2.1.1.1. Reserva Extrativista (RESEX) do Mdio Juru...................................................... 18

    2.1.1.2. Reserva Extrativista (RESEX) do Baixo Juru ...................................................... 19

    2.1.1.3. Reserva de Desenvolvimento Sustentvel (RDS) Uacari .................................... 20

    2.1.1.4. Floresta Nacional (FLONA) de Tef ........................................................................ 20

    2.1.2. Terras Indgenas ............................................................................................................. 21

    2.2. ASPECTOS HISTRICOS ............................................................................................... 22

    2.2.1. Municpio de Carauari .................................................................................................... 23

    2.2.2. Municpio de Itamarati .................................................................................................... 24

    2.2.3. Municpio de Juru ......................................................................................................... 25

    2.3. ASPECTOS GEOAMBIENTAIS ....................................................................................... 26

    2.3.1. Clima ................................................................................................................................. 26

    2.3.2. Solos ................................................................................................................................. 26

    2.3.3. Vegetao ........................................................................................................................ 28

    2.3.4. Recursos Hdricos .......................................................................................................... 30

    2.4. ASPECTOS POPULACIONAIS ....................................................................................... 32

    2.5. ESTRUTURA AGRRIA ................................................................................................... 33

    2.6. ASPECTOS ECONMICOS ............................................................................................ 38

    2.6.1. O PIB e suas variaes ................................................................................................. 38

    2.6.2. Finanas Pblicas .......................................................................................................... 42

    2.6.2.1. Transferncias Estaduais .......................................................................................... 42

    2.6.2.2. Transferncias Federais ............................................................................................ 43

    2.6.3. Produo Agrcola .......................................................................................................... 47

  • 7

    2.6.4. Produo Pecuria ......................................................................................................... 51

    2.6.5. Extrativismo ..................................................................................................................... 53

    2.6.6. Produo Pesqueira ....................................................................................................... 60

    2.6.7. Potencialidades da Agricultura Familiar no Territrio ............................................... 62

    2.7. SERVIOS DE APOIO PRODUO .......................................................................... 64

    2.7.1. Infra-estrutura de Apoio Produo ........................................................................... 64

    2.7.2. Capacitao destinada aos Produtores Rurais ......................................................... 65

    2.7.3. Servio de Energia ......................................................................................................... 66

    2.7.4. Aspectos Sociais ............................................................................................................ 67

    2.7.4.1. Educao ..................................................................................................................... 67

    2.7.4.2. Sade ........................................................................................................................... 72

    2.7.4.3. Assistncia Social ....................................................................................................... 75

    2.7.4.3.1. ndice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) ................................... 76

    2.7.4.3.2. Polticas de Assistncia Social ............................................................................. 77

    2.7.4.4. Segurana Pblica ..................................................................................................... 80

    2.7.4.5. Servios de Atendimento Bsico ............................................................................. 82

    2.7.4.6. Crtica e Sugestes aos Aspectos Sociais ............................................................. 83

    2.7.4.6.1. Sade ....................................................................................................................... 83

    2.7.4.6.2. Educao ................................................................................................................. 84

    2.7.4.6.3. Assistncia Social ................................................................................................... 84

    2.7.4.6.4. Segurana Pblica ................................................................................................. 84

    2.7.5. Esportes, Lazer e Cultura .............................................................................................. 85

    3. PROGRAMAO DO DESENVOLVIMENTO .................... ............................... 86

    3.1. VISO DE FUTURO .......................................................................................................... 86

    3.2. OBJETIVOS ESTRATGICOS ........................................................................................ 86

    3.3. VALORES E PRINCPIOS ................................................................................................ 87

  • 8

    3.4. DIRETRIZES PARA O PTDRS DO MDIO JURU ..................................................... 88

    3.4.1. Diretrizes Ambientais ..................................................................................................... 88

    3.4.2. Diretrizes Socioculturais e Educacionais .................................................................... 89

    3.4.3. Diretrizes Socioeconmicas .......................................................................................... 90

    3.4.4. Diretrizes Polticas e Institucionais .............................................................................. 91

    3.5. EIXOS DE DESENVOLVIMENTO, AES E PROJETOS ........................................ 91

    3.5.1. Dimenso Ambiental ...................................................................................................... 92

    3.5.2. Dimenso Sociocultural/educacional ........................................................................... 97

    3.5.3. Dimenso Socioeconmica ........................................................................................ 111

    3.5.4. Dimenso Poltico/Institucional .................................................................................. 119

    4. GESTO SOCIAL DO TERRITRIO ....................... ........................................ 121 5. BIBLIOGRAFIA REFERENCIAL .......................... ........................................... 123

  • 9

    LISTA DE QUADROS

    Quadro1- Municpios que compem o Territrio Mdio Juru e algumas variveis ................ 16

    Quadro2 - Terras Indgenas existentes no Territrio Mdio Juru. ............................................ 22

    Quadro 3 - Aspectos Populacionais do Territrio Mdio Juru. ................................................. 32

    Quadro 4 - Populao do Territrio Mdio Juru por Gnero. .................................................... 33

    Quadro 5 - Estabelecimentos rurais familiares e no familiares do Territrio Mdio Juru. .. 34

    Quadro 6 - Uso da Terra no Territrio Mdio Juru, segundo o Censo agropecurio 2006. . 36

    Quadro 7 - Situao da ocupao territorial no Territrio Mdio Juru. .................................... 37

    Quadro 8 - Produto Interno Bruto a Preos Correntes e Per capita entre 2003 e 2007 (R$ 1.000). .................................................................................................................................................. 38

    Quadro 9 - Valor Adicionado Bruto para Composio do PIB em 2007 (R$ 1000). ................ 39

    Quadro 10 - Total de Empresas Cadastradas, Pessoal ocupado e renda no Mdio Juru e municpios em 2008 ........................................................................................................................... 40

    Quadro 11 - Transferncias Constitucionais estaduais aos municpios do Territrio Mdio Juru. .................................................................................................................................................... 43

    Quadro 12 - Recursos Federais transferidos ao Territrio Mdio Juru no perodo de 2007 a 2010. ..................................................................................................................................................... 44

    Quadro 13 - Recursos Federais transferidos para o Territrio por rea de ao entre 2007 a 2010 ...................................................................................................................................................... 44

    Quadro 14 - Recursos Federais transferidos para o Territrio Mdio Juru por rea de ao e anos. .................................................................................................................................................. 45

    Quadro 15 - Recursos Federais transferidos para o Territrio Mdio Juru por Programas e Fundos constitucionais entre 2007 e 2010. .................................................................................... 46

    Quadro 16 - Estimativas de produo Agrcola no Territrio. ..................................................... 49

    Quadro 17 - Rebanho Animal existente no Territrio Mdio Juru. ........................................... 51

    Quadro 18 Produtos de origem animal produzidos no Territrio Mdio Juru. .................... 53

    Quadro 19- Produtos da extrao vegetal no Territrio Mdio Juru. ....................................... 54

    Quadro 20 - Proporo da quantidade de produtos do extrativismo vegetal colhidos no Territrio Mdio Juru. ....................................................................................................................... 55

  • 10

    Quadro 21 - Produo extrativa de madeira no Territrio Mdio Juru. ................................... 58

    Quadro 22 - Volume de madeira autorizado em PMFS no Territrio Mdio Juru e no Estado do Amazonas. ..................................................................................................................................... 59

    Quadro 23 - Estimativas da pesca artesanal no Territrio Mdio Juru. .................................. 61

    Quadro 24 Potencialidades da agricultura familiar no Territrio. .............................................. 63

    Quadro 25 - Infra-estrutura de apoio Produo no Mdio Juru ............................................. 64

    Quadro 26 - Cursos oferecidos aos trabalhadores rurais para apoio Produo ................... 66

    Quadro 27 - Servio de Energia Oferecido no Mdio Juru ........................................................ 67

    Quadro 28 - Nmero de Matrculas efetivadas no Territrio do Mdio Juru em 2009 .......... 68

    Quadro 29 - Nmero de Docentes efetivos no Territrio do Mdio Juru em 2009 ................ 69

    Quadro 30 - Nmero de Escolas existentes no Territrio do Mdio Juru em 2009 ............... 70

    Quadro 31 - ndice de Desenvolvimento da Educao Bsica (IDEB) do Mdio Juru 2005-2009. ..................................................................................................................................................... 71

    Quadro 32 - Taxa de analfabetismo no Territrio do Mdio no ano de 2000 ........................... 71

    Quadro 33 - Estabelecimentos de Sade no Territrio Mdio Juru ......................................... 72

    Quadro 34 - Estabelecimento de Sade com internao ............................................................ 73

    Quadro 35 - Nmero de Leitos em Estabelecimento de Sade ................................................. 73

    Quadro 36 - Nmero de Mdicos e Leitos em Hospitais por 1000 habitantes ......................... 74

    Quadro 37- Equipamentos para exames existentes no Mdio Juru ........................................ 74

    Quadro 38 Nmero de estabelecimento com tipos de Atendimento Sade oferecida no Territrio. .............................................................................................................................................. 75

    Quadro 39 - ndice do Desenvolvimento Humano Municipal no Mdio Juru .......................... 76

    Quadro 40 Benefcios emitidos em 2009 pela Previdncia Social no Territrio do Mdio Juru ..................................................................................................................................................... 77

    Quadro 41 - Famlias beneficiadas com o Bolsa Famlia no Mdio Juru em 2010 e valor dos repasses............................................................................................................................................... 78

    Quadro 42 - Aes de Assistncia Social do Governo Federal No Mdio Juru em 2010* .. 79

    Quadro 43 - Situao da Segurana Pblica nos Municpios do Territrio Mdio Juru em 2009 ...................................................................................................................................................... 81

  • 11

    Quadro 44 - Situao da Guarda Municipal existentes no Territrio do Mdio Juru em 2009 ............................................................................................................................................................... 82

    Quadro 45 Servios de Atendimentos Bsicos oferecidos a populao do Mdio Juru entre 1991-2000 ................................................................................................................................. 83

    LISTA DE FIGURAS

    Figura 1- Localizao geogrfica do Territrio Mdio Juru. ...................................................... 15

    Figura 2 - Comunidades ao longo do rio Juru e embarcao utilizada pela populao local. ............................................................................................................................................................... 16

    Figura 3 - Unidades de Conservao existentes no Territrio Mdio Juru. ............................ 18

    Figura 4 - Terras Indgenas existentes no Territrio Mdio Juru. ............................................. 21

    Figura 5 - Distribuio dos solos no Territrio Mdio Juru ........................................................ 27

    Figura 6 - Distribuio da vegetao no Territrio Mdio Juru ................................................. 29

    Figura 7 - Vegetao nas margens do rio Juru. .......................................................................... 30

    Figura 8 - Sub-Bacias Hidrogrficas que compem a Bacia Amaznica. ................................. 30

    Figura 9 - Rio Juru ........................................................................................................................... 31

    Figura 10 - Percentuais de tipo de estabelecimentos rurais ....................................................... 35

    Figura 11 - Proporcionalidade de pessoal ocupado no setor rural do Territrio ...................... 41

    Figura 12 - Proporo dos estabelecimentos rurais que desenvolvem atividades agrcolas no Territrio Mdio Juru ........................................................................................................................ 48

    Figura 13 - Evoluo da produo de Borracha no Territrio ..................................................... 54

    Figura 14 Sementes de murumuru e andiroba, de onde se extrai o leo vegetal. ............... 56

    Figura 15: Percentual da Atividade Extrativa no Mdio Juru em 2008 .................................... 58

    Figura 16 - Comparao entre o volume de madeira autorizado em PMFS e a produo extrativa, segundo Produo da Extrao Vegetal e da Silvicultura do IBGE para o Estado do Amazonas. ..................................................................................................................................... 59

  • 12

    1. INTRODUO

    No perodo pr-colonial a atividade econmica no Brasil se baseava em uma

    forte agricultura de subsistncia, cultivada pelas comunidades primitivas aqui

    existentes, ao qual os europeus chamaram-nas de indgenas. Os colonizadores que

    aqui chegaram se admiraram com a quantidade de alimentos produzidos pelos

    povos da Amaznia. Relatos deixados pelos conquistadores atestam isso. Frei

    Gaspar de Carvajal da esquadra de Orellana relata que em uma s aldeia

    encontramos comida suficiente para alimentar um exercito de 1000 homens durante

    um ano (FREIRE, 1984).

    No entanto, com o processo de colonizao a estrutura agrria brasileira

    passa a se estruturar no grande latifndio e voltado para produzir para o mercado

    externo. As grandes mudanas verificadas na sociedade brasileira no tiveram como

    preocupao alterar o domnio do latifndio, o que trouxe como conseqncia o

    abandono aos pequenos agricultores e o acirramento dos conflitos agrrios.

    Nessa lgica, o modelo de desenvolvimento para o meio rural, adotado pelo

    Brasil, at meados da dcada de 90 do sculo XX priorizou a grande produo

    patronal, seguindo a cartilha da revoluo verde e o programa desenvolvimentista

    para a Amrica latina. O investimento em pacotes tecnolgicos ampliaram a

    produtividade, e geraram divisas para o pais, mas os custos sociais e ambientais

    foram muito altos. O modelo contribui para aumentar a excluso e a pobreza no

    meio rural, quebrou a lgica dos ciclos ecolgicos, ampliou a dependncia do pas

    por insumos externos, em particular agrotxicos e agroqumicos, grandes

    causadores da poluio ambiental.

    No final da dcada de 80 os debates sobre um novo modelo de

    desenvolvimento, menos predatrio e mais sustentvel se intensificaram. Em 1987,

    a Comisso Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento publicava: Nosso

    Futuro Comum, o famoso Relatrio Brundtland, que ajudou a disseminar o ideal de

    um desenvolvimento sustentvel.

    Foi a partir da disseminao do termo desenvolvimento sustentvel, e a

    crescente crtica ao modelo desenvolvimentista para o meio rural que os

    idealizadores de polticas pblicas comearam a usar o termo Desenvolvimento

    Rural Sustentvel

  • 13

    Em 2003, a partir do programa Vida Digna no Campo do governo Lula, foi

    criada a Secretaria de Desenvolvimento Territorial, SDT, para trabalhar a estratgia

    de desenvolvimento territorial rural sustentvel. Nesse mesmo perodo, no Estado do

    Amazonas, trs territrios comearam a ser trabalhados, Baixo Amazonas, Manaus

    e Entorno e Alto Juru. No Territrio do Mdio Juru a estratgia de

    desenvolvimento territorial foi iniciada no ano de 2009. Atualmente o Territrio tem

    um colegiado que est em processo de fortalecimento e consolidao.

    A SDT como formuladora e responsvel, a nvel de governo federal, pela

    estratgia de desenvolvimento territorial rural sustentvel tem disponibilizado e

    apoiado a construo de vrios instrumentos de apoio a gesto social e

    consolidao dos Territrios, com destaque para o Plano Territorial de

    Desenvolvimento Rural Sustentvel, PTDRS.

    O PTDRS pode ser definido como um instrumento que expressa sntese

    das decises que o conjunto dos atores sociais, em conjunto com o Estado,

    alcanou num dado momento no processo de planejamento do desenvolvimento

    territorial. Tornando-se a partir da, um dos instrumentos para gesto participativa do

    territrio, pois contm as diretrizes e estratgias que nortearo os rumos do

    desenvolvimento sustentvel. Sendo assim considerado o principal instrumento

    construdo de forma participativa pelo colegiado em apoio gesto social do

    desenvolvimento territorial.

    O Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentvel (PTDRS) do

    Mdio Juru foi construdo em duas etapas. A primeira consistiu em levantamentos

    de dados secundrio oficiais sobre o Territrio para diagnostic-lo e a segunda foi

    um encontro de quatro dias na cidade de Carauari com a presena dos

    representantes dos municpios de Itamarati e Juru para validar os dados do

    diagnstico e planejar as aes territoriais.

    Os levantamentos dos dados secundrios tiveram como fonte os rgos

    governamentais. Tais como, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE),

    Ministrios da Sade (MS), Ministrio da Educao (MEC) e Empresa Brasileira de

    Pesquisa Agropecuria (EMBRAPA), todos ligados ao Governo Federal e Instituto

    de Desenvolvimento Agropecurio e Florestal Sustentvel do Estado do Amazonas

    (IDAM), Secretria de Desenvolvimento Sustentvel (SDS), Secretria de

    Planejamento do Estado do Amazonas (SEPLAM) e Instituto de Proteo Ambiental

  • 14

    do estado do Amazonas (IPAAM), ligados ao Governo Estadual. Todo consulta foi

    feita atravs das pginas da internet dos referidos rgos.

    Na anlise do diagnstico apresentamos os dados do Territrio, procurando

    abord-los por dimenses do desenvolvimento sustentvel. Ao trmino da

    apresentao foram constitudos quatro grupos de discusso para fazer as devidas

    reparaes nos dados apresentados que foram entregue aos representantes dos

    grupos em forma de resumo. Encerrada as discusses grupais, os participantes

    apresentaram seus pontos de vistas, criticando e emendando, na presena de todos

    os grupos reunidos, onde foi franqueada a palavra para todos fazerem as

    consideraes que achassem necessrias.

    Na construo da Viso de Futuro, das Diretrizes, Objetivos Estratgicos e

    Valores e Princpios para o PTDRS foi utilizada a mesma metodologia da validao

    do diagnstico, os grupos discutiram, apresentaram suas propostas na Plenria que

    aps alguns minutos de debate foram aprovando as proposituras de forma

    concensuada.

    Para apontar os principais eixos e os projetos para o desenvolvimento do

    Territrio do Mdio Juru novos grupos foram constitudos, por municpio, e

    entregue a sntese do diagnstico com as observaes apresentadas na qualificao

    e estipulado um tempo para que cada representao fizesse suas sugestes de

    eixos de desenvolvimento e projetos. Na Plenria os participantes aprovaram as

    principais sugestes trazidas dos grupos que constam neste relatrio. Foi falado que

    o xito das proposituras apresentadas depender da capacidade de organizao e

    consolidao do Territrio.

  • 15

    2. DIAGNSTICO TERRITORIAL

    2.1. CONFIGURAO ESPACIAL

    O Territrio Mdio Juru, localizado na Mesorregio Sudoeste Amazonense e

    Microrregio do Juru, composto por trs municpios: Carauari, Itamarati e Juru.

    No total, o Territrio ocupa uma rea de 70.752 km2 (4,5% da rea total do Estado

    do Amazonas: 1.570.746 km2).

    Figura 1 - Localizao geogrfica do Territrio Mdio Juru.

    Fonte: IBGE- Base cartogrfica 2006

    O Territrio limita-se ao norte com o municpio de Fonte Boa, a leste com os

    municpios de Uarini, Alvares, Tef, Tapau e Lbrea, a oeste com os municpios

    de Juta e Eirunep e ao sul com os municpios de Envira e Pauini. O municpio com

  • 16

    maior rea no Territrio Carauari (25.881,2 km2 ou 36,58%) e o menor Juru

    (19.485,6 km2 ou 27,54%).

    Quadro 1- Municpios que compem o Territrio Mdio Juru e algumas variveis

    Municpio rea (km) Altitude da sede

    (m) Longitude Latitude

    Distncia capital (km)

    Carauari 25.881,2 87 -66,896 -4,883 786,912 Itamarati 25.385,2 60 -68,253 -6,425 982,991 Juru 19.485,6 55 -66,069 -3,481 671,820

    Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2000.

    Encontra-se inserido na calha do Rio Juru, afluente da margem direita do rio

    Amazonas com cerca de 3.350 km de extenso, desde sua nascente peruana at

    seu desaguamento no Rio Solimes, estando entre os maiores rios do mundo e

    tambm o mais sinuoso dos rios da Amaznia, sendo dividido em mdio, baixo e alto

    Juru. O Mdio Juru composto pelos municpios de Guajar, Ipixuna, Envira,

    Eirunep, Itamarati, Carauari e Juru formando o Vale do Juru no Estado do

    Amazonas.

    O rio Juru de grande importncia para a populao do Territrio, uma vez

    que serve como principal acesso s comunidades e a capital do Estado. Por outro

    lado, a distncia mdia, em linha reta, aos principais centros consumidores, como

    Manaus, corresponde a 813,90 km e por via fluvial, estas distncias chegam a mais

    de 1.700 km, o equivalente a 07 (sete) dias ininterruptos de viagem de barco, em

    razo sinuosidade do rio Juru. Em funo deste fator, h um baixo grau de

    integrao com o restante do Estado do Amazonas.

    Figura 2 - Comunidades ao longo do rio Juru e embarcao utilizada pela populao local.

  • 17

    O Territrio Mdio Juru compreende em sua grande parte reas

    consideradas prioritrias para a conservao e uso sustentvel da biodiversidade,

    incluindo reas que variam de importncia alta a extremamente alta (BRASIL, 2007).

    Por esse motivo tem-se no Territrio a existncia de 04 (quatro) unidades de

    conservao e 04 (quatro) terras indgenas, que juntas ocupam cerca de 48% de

    sua rea total. Este fator contribui para que o Territrio apresente taxas de

    desmatamento relativamente baixas, quando comparadas a outros municpios do

    Estado (BRASIL, 2010).

    2.1.1. Unidades de Conservao

    As Unidades de Conservao existentes no Territrio so todas enquadradas

    na categoria de uso sustentvel, ou seja, que permitem a explorao do ambiente,

    porm mantendo a biodiversidade do local e os seus recursos renovveis, sendo

    elas:

    Reserva Extrativista do Mdio Juru;

    Reserva Extrativista do Baixo Juru;

    Reserva de Desenvolvimento Sustentvel Uacari; e

    Floresta Nacional de Tef.

    Destas, apenas a Reserva Extrativista do Mdio Juru e a Reserva de

    Desenvolvimento Sustentvel Uacari encontram-se totalmente inseridas na rea do

    Territrio, no municpio de Carauari. As demais abrangem mais de um municpio.

    Estas unidades de conservao juntas ocupam aproximadamente 1.133.167

    hectares (11.331,67 km2), que representa 16,02% da rea total do Territrio (Figura

    3).

  • 18

    Figura 3 - Unidades de Conservao existentes no Territrio Mdio Juru.

    Fonte: Ministrio do meio Ambiente

    2.1.1.1. Reserva Extrativista (RESEX) do Mdio Juru

    A Reserva Extrativista do Mdio Juru est localizada municpio de Carauari,

    margem esquerda do mdio curso do Rio Juru. Foi a primeira reserva extrativista

    a ser criada no Estado do Amazonas, por meio do Decreto S/N de 04 de maro de

    1997. Possui rea de 252.226 hectares e faz limite ao norte com o Rio Ipixuna, ao

    sul com o Rio Juru, a leste com o Igarap Traco e a oeste com o Igarap

    Arrombado, compreendendo os ecossistemas florestais e fluviais integrando um

    corredor de reas protegidas, com cerca de 5 milhes de hectares, composto pela

    Terra Indgena Rio Bi e Reserva Desenvolvimento Sustentvel Cujubim a oeste,

    Reserva de Desenvolvimento Sustentvel Uacari a sudeste e Terra Indgena Deni ao

    sul.

    A RESEX apresenta uma populao estimada de 1.750 pessoas, que habitam

    12 comunidades e 12 localidades. No entorno da UC moram cerca de 1.150

    Fonte: Ministrio do Meio Ambiente

    Legenda

    UCs Federais

    UCs Estaduais

  • 19

    pessoas. A pesca artesanal, a coleta de frutos, a extrao de borracha e a produo

    de leos vegetais so as principais atividades realizadas pela populao beneficiria

    da unidade.

    A unidade possui como instrumentos de gesto o plano de utilizao

    elaborado em 1997 e oficializado atravs da Portaria IBAMA N. 150N, mas o

    documento encontra-se desatualizado. O Conselho Deliberativo est institudo e

    atuante. Muitas pesquisas e estudos j foram realizados na RESEX, destacando-se

    o diagnstico scio-ambiental, o plano de manejo da pesca, plano de manejo das

    oleaginosas, entre outros (BRASIL, 2008). O Plano de Manejo da RESEX encontra-

    se em fase de elaborao.

    2.1.1.2. Reserva Extrativista (RESEX) do Baixo Juru

    A RESEX do Baixo Juru, com rea de 187.982 ha, foi criada em 2008,

    estando sob a gesto do Instituto Chico Mendes de Conservao da Biodiversidade

    ICMBio), esta localizada nos municpios de Juru e Uarini/AM, distante 1.200 Km

    aproximadamente da capital Manaus, por via fluvial.

    A Reserva abriga uma srie de comunidades, em sua grande maioria

    constitudas de ribeirinhos que se organizam em pequenas comunidades nas

    margens do rio Juru ou mata adentro s margens de lagos e igaraps. A base

    alimentar destas comunidades o peixe e a farinha de mandioca em sua totalidade

    e incrementados com caa de animais silvestres e coleta de frutas, razes e folhas

    do ambiente natural. Muitas comunidades ainda possuem outros animais como fonte

    de alimentao ou simplesmente como poupana viva, como galinha, pato, porco e

    gado. Destaca-se tambm na reserva a abundncia de peixes, a exuberncia da

    floresta e a ausncia quase que absoluta da destruio provocada pelo homem em

    grandes escalas, salvo pequenos espaos destinados ao cultivo de mandioca e

    outros alimentos e a presena em pequena parcela de criao de gado, que merece

    ateno e acompanhamento no seu crescimento.

    Muitos comunitrios percebem um aumento na degradao de alguns

    ambientes ao longo dos anos, acusando a sobre pesca de determinadas espcies

  • 20

    de peixe em lagos e rios e captura de quelnios e outros animais silvestres, a

    responsabilidade por esta degradao.

    2.1.1.3. Reserva de Desenvolvimento Sustentvel (RDS) Uacari

    A RDSUacari localiza-se no municpio de Carauari e possui rea de

    632.949,023 hectares. Esta reserva foi criada 2005 por meio do Decreto n 25.039

    de 01/06/2005 e tem como unidade gestora a Secretaria Estadual de Meio Ambiente

    e Desenvolvimento Sustentvel do Amazonas SDS.

    A populao residente na reserva vive em pequenos ncleos comunitrios,

    num total de 13 comunidades, totalizando 212 famlias. As principais atividades

    desenvolvidas na reserva so: extrativismo do ltex, murumuru, andiroba, pesca

    artesanal e agricultura de subsistncia. As atividades potenciais apontadas no Plano

    de Gesto da Reserva (SDS, 2010) so o manejo de jacars, pirarucu, extrativismo

    de cip e leo de copaba e manejo florestal sustentvel comunitrio e as atividades

    conflitantes so: Pesca ilegal, comercializao de ovos de quelnios e pesca

    comercial.

    2.1.1.4. Floresta Nacional (FLONA) de Tef

    A rea da Floresta Nacional de Tef abrange parte dos municpios de Tef,

    Alvares, Juru e Carauari, ocupando um total de 1.020.000 hectares, dos quais

    cerca de 15% esto inseridos no Territrio Mdio Juru.

    A FLONA de Tef foi criada em 1989, por meio do Decreto n 97.629. Nesta

    unidade de conservao vivem 359 famlias, agrupadas em 30 comunidades que se

    localizam nas calhas dos trs principais rios (Tef, Bauana e Curumit de Baixo),

    sendo estimado um total de 2.154 habitantes.

    As atividades econmicas dos comunitrios esto baseadas principalmente

    na agricultura familiar, com destaque ao cultivo de pequenas roas de mandioca,

    para a produo de farinha. Apenas o excedente produzido comercializado em

    Tef, seja diretamente ou por meio de atravessadores que passam ou vivem nas

    comunidades em barcos recreios, conhecidos como regates.

  • 21

    2.1.2. Terras Indgenas

    No territrio esto localizadas quatro Terras Indgenas (TI): Rio Bi, Deni,

    Kumaru do Lago Ual e Kanamari do Rio Juru, todas homologadas. Destas,

    apenas a T.I. Kumaru do Lago Ual encontra-se totalmente inserida no Territrio,

    estando localizada no municpio de Juru, as demais dividem sua rea com mais de

    um municpio (Figura 4). Juntas, as terras indgenas ocupam aproximadamente

    2.280.923,1 hatares (22.809,23 km2), que representa 32% da rea total do Territrio,

    contando com uma populao de 2.075 ndios das etnias deni, kulina, kanamari e

    katikuna (Quadro 2)

    Figura 4 - Terras Indgenas existentes no Territrio Mdio Juru.

    Fonte: Ministrio do meio Ambiente

    Fonte: Ministrio do Meio Ambiente

    Legenda

    Terras Indgenas

  • 22

    Quadro 2 - Terras Indgenas existentes no Territrio Mdio Juru.

    Terra indgena

    Situao jurdica Documento rea (ha) Populao Municpios Povos

    Deni HOMOLOGADA. REG CRI. (27/10/2004)

    Decreto s/n data de publicao:

    28/10/2004

    1.531.300 875 (2006) Fonte:

    Funasa/Renisi

    Pauini, Tapau,

    Itamarati e Lbrea

    Deni e kulina

    Kanamari do Rio Juru

    HOMOLOGADA. REG CRI E SPU. (03/11/1997)

    Decreto s/n data de publicao

    596.433 496 (1984) Fonte:

    NEVES/LABIAK

    Pauini, Eirunep e Itamarati

    Kanamari

    Rio Bi HOMOLOGADA. REG CRI E SPU. (03/11/1997)

    Decreto s/n data de publicao:

    04/11/1997

    1.185.790 424 (2009) Fonte: Funasa

    Carauari e Juta

    Katukina do Rio

    Bi Kumaru do Lago

    Ual

    HOMOLOGADA. REG CRI E SPU. (27/10/2004)

    Decreto s/n data de publicao:

    28/10/2004

    80.036 280 (1995) Fonte:

    GT/FUNAI

    Juru Kulina

    Fonte: Instituto Socioambiental ISA, http://pib.socioambiental.org/caracterizacao.

    Nas reunies territoriais foi apontado como problemas da situao indgena, a falta de polticas especficas para as questes indgenas, tais como: falta de

    capacitao dos professores, melhor ateno para a sade indgena, polticas que

    possam facilitar o comrcio dos produtos indgenas, alm da questo fundiria, uma

    vez que a maioria no tem ttulo da propriedade.

    Foram apontados tambm problemas relacionados aos preconceitos que

    ainda ocorrem em relao aos ndios e o distanciamento da sede da Fundao

    Nacional do ndio (FUNAI) at os locais onde vivem a populao indgena, fator que

    dificulta uma maior ateno aos problemas vividos pelos ndios

    2.2. ASPECTOS HISTRICOS

    A histria do Territrio Mdio Juru se confunde com a histria da ocupao

    humana do Vale do Juru. A regio do Juru era territrio de grupos indgenas, mas

    a partir de meados do sculo XIX passou a ser ocupada tambm por exploradores e

    comerciantes vindos de Belm, Manaus e de centros urbanos localizados ao longo

    do rio Solimes.

    Com o advento do Ciclo da Borracha, iniciado na segunda metade do sculo

    XIX, ocorreu a explorao e ocupao efetiva da regio do Vale do Juru. Neste

  • 23

    perodo, a regio foi povoada principalmente por migrantes oriundos do nordeste

    brasileiro, atingidos principalmente pelas secas que ocorreram em 1877/79 e 1904.

    Segundo DERICKX e TRANSFERETTI (1993), estes nordestinos se instalaram nas

    margens do rio Juru expulsando e perseguindo os nativos que l viviam o que

    ocasionou enormes perdas para a populao que habitava a regio.

    O Vale do Juru foi responsvel por uma parte significativa dessa migrao,

    por despontar, na poca, como um dos maiores produtores de goma elstica,

    concorrendo com regies como as do rio Madeira e reas de Belm.

    Entre todos os movimentos de ocupao econmica, o extrativismo foi o mais

    intenso e o que envolveu o maior nmero pessoas, todavia foi o mais injusto,

    promovendo maiores impactos na regio e suas populaes tradicionais. A

    ocupao do Juru pelo extrativismo do ltex resultou em duas problemticas que

    perpassam aos nossos dias: a primeira, o processo de extrativismo promoveu a

    invaso de vrios territrios indgenas; a segunda serviu para desenvolver os

    grandes centros urbanos do norte do Pas deixando o interior (o Vale do Juru) no

    esquecimento, sem retorno econmico para as populaes, que de forma direta ou

    indireta participaram do processo de ocupao do Vale do Juru (ARAJO &

    ARAJO).

    2.2.1. Municpio de Carauari

    A denominao do municpio originou-se do lago Carauari que fica prximo

    sede do municpio e liga-se por um canal ao rio Juru. A palavra Carauari,

    originria da lngua geral ou nheengatu. A palavra composta por Car variedade

    de tubrculo comestvel; e Uari, verbo cair, assim vem a ser uma variedade de

    trepadeira que produz tubrculos nos ramos, onde se desenvolvem, amadurecem e

    depois caem.

    Em fins do sc. XVII fundada a aldeia de Tef, que aps a expulso dos

    espanhis e consolidao definitiva do domnio portugus sobre a regio, se

    transforma em sede de um municpio de 500.000 km2. Desse territrio so feitos, no

    decorrer do tempo, vrios desmembramentos, dando origem a diversos novos

    municpios. Assim que em 1911 desmembrado o territrio que passa a constituir

  • 24

    o novo municpio de Xibau (nome de uma ave da famlia dos xexus), cuja

    denominao alterada em 1913 para Carauari.

    A histria mais recente do municpio, no perodo de 1977 a 1988, retrata uma

    expressiva migrao interna e externa, quando houve descoberta de algumas

    jazidas de gs Natural na regio. Com o incio das atividades da Petrobrs no

    municpio, foi criada a perspectiva de um melhor ganho salarial. O caboclo da zona

    rural abandonou seu roado e partiu em busca do emprego com carteira assinada e

    os respectivos direitos trabalhistas. Onze anos depois, quando da desativao das

    atividades da empresa no Municpio, em fevereiro de 1988, o cenrio

    socioeconmico apresentava os seguintes indicadores: populao total de 19.297

    habitantes, com 13.508 na zona urbana (70,0 %) e 5.789 na zona rural (30,0%),

    ocasionando o despovoamento da zona rural com o conseqente abandono das

    atividades extrativistas tradicionais, tanto nos seringais nativos como nas demais

    atividades do setor primrio; crescimento desordenado das reas urbana e

    suburbanas da sede municipal, com a conseqente elevao dos dficits de infra-

    estrutura, servios e equipamentos urbanos; desativao de inmeros

    estabelecimentos comerciais e de servios; ndices preocupantes de desemprego,

    prostituio, uso de drogas, desestabilizao e fragilizao de centenas de famlias.

    Apesar do caos urbano criado, a maioria dos trabalhadores oriundos da zona

    rural para a sede municipal, que exercia atividades no extrativismo, na pesca e na

    agricultura, no aceitou retornar essas atividades, passando a exigir do Poder

    Pblico Municipal solues para os seus problemas, como a moradia, o trabalho e

    as demais necessidades bsicas.

    2.2.2. Municpio de Itamarati

    A histria do municpio se prende de Carauari, cujas origens remontam

    Tef. Posteriormente, vieram se processando vrios desmembramentos de territrio,

    dando origens a municpios autnomos. Assim aconteceu em 1911, com o ento

    denominado municpio de Xibau que em 1913, passa a denominar-se Carauari.

    Este municpio vem a ser extinto em 1930, mas restaurado em 1931, de seu

    territrio, fazendo a maior parte da sua extenso, a rea que hoje constitui Itamarati.

  • 25

    Em 10.12.1981, pela Emenda Constitucional n. 12 criada a Vila de Itamarati mais

    outros territrios pertencentes a Carauari, acrescidos de rea adjacente at ento

    pertencente a Tapau, passa a constituir Municpio Autnomo de Itamarati.

    2.2.3. Municpio de Juru

    Habitavam primitivamente a regio, hoje territrio do municpio de Juru, os

    ndios Menerus, Marans, Canamaris, Catuquinas, Catauixis e outros. A

    denominao do municpio se originou do rio de igual nome, que corta o municpio

    de um extremo a outro na direo Sul-Norte. O vocbulo Juru vem de Iuru que

    significa em guarani rio de boca larga.

    A histria do municpio se prende de Tef e de Carauari, sendo que Juru

    foi criado a partir de desmembramentos destes municpios, ocorridos em

    19.12.1955, pela Lei Estadual n. 96, onde partes contguas dos territrios de

    Carauari e Tef so desmembradas e passa a constituir o novo municpio de Juru,

    com sede na localidade que at ento se chamava Paranagu do Norte, que

    elevada vila com nome de Juru.

    Em 10.12.1981, pela Emenda Constitucional n. 12 Juru perde parte de seu

    territrio em favor de Tamaniqu (localidade situada nas proximidades da foz do Rio

    Juru).

  • 26

    2.3. ASPECTOS GEOAMBIENTAIS

    2.3.1. Clima

    O clima predominante no Territrio Mdio Juru o Tropical Chuvoso,

    ocorrendo as variaes de Tropical Chuvoso sem estao seca definida (Afi) e

    Tropical Chuvoso com pequeno perodo seco (Ami) .

    O tipo Afi caracterizado por grande precipitao anual acumulada, em

    mdia acima de 2.000 mm, e por no ter, praticamente, um perodo de seca. O clima

    Ami apresenta uma precipitao anual acumulada no mesmo patamar da

    encontrada no Afi, porm com a existncia de um pequeno perodo de seca que

    varia de 1 a 2 meses, de precipitao pluviomtrica inferior a 60mm.

    O perodo chuvoso inicia-se em novembro, atingindo os maiores ndices entre

    os meses de janeiro a abril. Devido essas chuvas, neste perodo o rio Juru e seus

    braos alagam suas plancies de inundao caracterizando o perodo da cheia.

    Segundo RIZEK (2006), o padro de sazonalidade da Amaznia intensamente

    marcado por perodos alternados de inundaes e seca. Essa caracterstica natural

    do ambiente determina tambm uma sazonalidade na disponibilidade, e

    conseqentemente no uso, dos recursos naturais, influenciando diretamente nas

    atividades de subsistncia das populaes ribeirinhas.

    A temperatura mdia gira em torno de 29C, variando de 37C (mxima) a

    20C (mnima) e a umidade relativa do ar geralmente permanece acima de 90%.

    2.3.2. Solos

    Nas reas de terra-firme do Territrio Mdio Juru so identificadas as

    seguintes classes de solos: Argissolos vermelho-amarelo1 e Argissolos vermelhos.

    Nas reas inundveis (vrzeas) so encontrados os Gleissolos e Plintossolos

    distrficos (Figura 5).

    1 Equivalente a classe de Podzlico vermelho-amarelo distrfico, de acordo com a correlao de classes e a classificao anteriormente usada na Embrapa. No Territrio Mdio Juru essa classe de solos ocorre tambm associada a Latossolos vermelho+amarelo distrficos.

  • 27

    Figura 5 - Distribuio dos solos no Territrio Mdio Juru

    Fonte: IBGE, 2001; Embrapa, 2006.

    No Territrio predominam os argissolos, que ocorrem em toda a Amaznia em

    relevo plano a forte ondulado, apresentam profundidade varivel, podendo ser

    profundos a pouco profundos, de moderadamente a bem drenados, acidez alta e

    baixa fertilidade e as classes mais argilosas com drenagem mais restrita,

    apresentam tendncia a encrostamento superficial, aumento a taxa de escoamento

    superficial e potencializando processos erosivos.

    A baixa fertilidade natural destes solos uma limitao bsica pela quase

    ausncia de nutrientes minerais, teores elevados de alumnio trocvel e altas

    porcentagens de alumnio. O uso desta classe de solos implica na aplicao de

    corretivos e fertilizantes, alm da adoo de prticas adequadas de manejo. Quando

    em relevo plano e suave ondulado, sem limitaes de carter fsico, supridas suas

    exigncias de fertilizantes e corretivos e que favorecem a mecanizao no uso das

    terras, apresentam condies favorveis ao uso agrcola intensivo. Em relevo

  • 28

    ondulado, so normalmente indicados para as culturas permanentes, quando

    eliminadas suas principais limitaes (RODRIGUES, 1996).

    Os Gleissolos desenvolvem-se a partir da deposio de sedimentos de

    natureza aluvial, ocupando as reas de vrzeas dos cursos dgua. A potencialidade

    agrcola destes solos dependente das srias limitaes atribudas ao lenol

    fretico elevado e ao risco de inundaes freqentes.

    Os Plintossolos so formados sob condies de restrio a percolao da

    gua, sujeitos ao efeito temporrio de excesso de umidade. De um modo geral so

    imperfeitamente a mal drenados, ocorrendo nas reas planas e rebaixadas, sujeitas

    a inundaes peridicas. Quanto potencialidade agrcola apresentam as mesmas

    limitaes atribudas aos Gleissolos.

    2.3.3. Vegetao

    Na rea compreendida pelo Territrio predominam duas unidades

    fitoecolgicas: a Floresta Tropical Densa e a Floresta Tropical Aberta (Figura 6).

    A Floresta Tropical Densa caracterizada por uma vegetao arbrea

    heterognea, constituda por rvores de grande porte, com um sub-bosque

    constitudo por denso estrato de porte arbustivo. Este tipo florestal ocupa duas

    situaes com caractersticas litolgicas e geomorfolgicas distintas: a Floresta

    Densa das Terras Baixas (Aluvial) e a Floresta Densa Submontana, mas s a

    primeira ocorre no Territrio.

    A Floresta Tropical Densa das Terras Baixas e Aluvial ocorrem ao longo dos

    cursos dgua, apresentam com freqncia um dossel emergente uniforme, porm

    devido a explorao madeireira, a sua fisionomia torna-se bastante aberta. uma

    tipologia com muitas palmeiras, lianas e grande nmero de epfitas. As principais

    espcies que ocorrem nestas florestas so: sumama (Ceiba pentandra), virola

    (Virola surinamensis), mulateiro (Callophyllum brasilienses) e os gneros de Palmae,

    Mauritia e Euterpe.

    A Floresta Tropical Aberta era conhecida at recentemente como rea de

    transio entre a Amaznia e o espao extra-amaznico. Foi conceituada como

    fisionomia florestal composta de rvores mais espaadas, com estrato arbustivo

  • 29

    pouco denso e caracterizado pelas fanerfitas e lianas lenhosas. Ocorre em clima

    que pode apresentar um perodo com mais de 2 e menos de 4 meses secos, com

    temperaturas mdias entre 24 e 25 C. No Territri o Mdio Juru ocorre a Floresta

    Tropical Aberta de Terras Baixas e a Aluvial.

    Figura 6 - Distribuio da vegetao no Territrio Mdio Juru

    Fonte: IBGE, 2004, Mapa de Vegetao do Brasil

    Segundo SILVA et al. (1992), a floresta do Rio Juru apresenta alta

    diversidade florstica, com mdia de 242 espcies por hectare. A vegetao das

    margens do Rio Juru sofre o efeito das cheias, registrando a ocorrncia do capim

    canarana (Canarana ereta), de igaps e plantas aquticas, alm da vegetao de

    terra firme e de vrzea.

  • 30

    Figura 7 - Vegetao nas margens do rio Juru.

    2.3.4. Recursos Hdricos

    Compem a rede hidrogrfica do Territrio, as Sub-bacias dos Rios Juru,

    Javari e Purus, sendo que a principal Bacia Hidrogrfica a do Rio Juru, que ocupa

    uma ampla rea de 250.000 km, seus tributrios e lagos de vrzea que interagem

    com os rios (Figura 8).

    Figura 8 - Sub-Bacias Hidrogrficas que compem a Bacia Amaznica.

    Fonte: IBGE, 2000 Atlas de Saneamento.

  • 31

    O Rio Juru um afluente da margem direita do rio Amazonas, que nasce no

    Peru a 413 m de altitude (Figura 9). Possui cerca de 3.350 km de extenso (foz-

    nascente), estando entre os maiores rios do mundo e sendo tambm o mais sinuoso

    dos rios da Amaznia, uma vez que este rio possui um padro de drenagem

    caracterizado por um sistema fluvial meandrante, isto , apresenta elevada

    densidade de canais de alta sinuosidade (TEIXEIRA et al., 2000 apud RIZEK, 2006).

    As mudanas ocorridas no leito do rio a cada enchente formam as baas, restingas,

    lagos ou sacados. Os novos caminhos abertos so chamados de furos ou parans.

    Durante fevereiro/abril o rio Juru tem seu perodo de guas altas e

    julho/setembro o perodo de guas baixas. A navegao realizada no mdio e

    baixo curso do rio, com caractersticas de plancie com uma extenso de 3.120 km.

    Caracterizado como rio de plancie, sinuoso em praticamente todo o seu percurso,

    sendo navegvel durante 6 a 8 meses (cheias) por grandes embarcaes e, na

    vazante, por embarcaes de pequeno e mdio porte (CUNHA E PASCOALOTO,

    2006).

    Figura 9 - Rio Juru

    O rio Juru tambm se constitui no principal canal de comunicao e

    integrao dos municpios e localidades que compem o Territrio s cidades de

    maior porte, uma vez que a maioria daquelas no dispe de outro meio de acesso,

    sendo o rio a nica via de interligao, pela qual so abastecidos e escoam suas

    produes quando h excedentes. Os principais afluentes do rio Juru so:

  • 32

    Margem direita Igarap Trs Socas, Rio Xeru, Igarap Paran, Rio

    Uar, Rio Pu, Rio Jara, Paran Arapari, Rio Andir e Rio Uarani.

    Margem esquerda Rio Quiriru, Rio Canama, Igarap Anaquixi, Rio Baiuan, Rio do Breu e Rio Mineru.

    Em termos de ictiofauna, grande o potencial pesqueiro do Territrio, em

    funo dos muitos lagos, igaraps, parans e igaps, que fazem a conexo com o

    Rio Juru. Como conseqncia, ocorrem quase todas as espcies que se servem

    como alimentao, tais como acar, arac, aruan, bod, branquinha, cascuda,

    curimat, jaraqu, mandn, matrinch, pacu, pirapitinga, pescada, piraba,

    piramutaba, pirannha, pirarara, pirarucu, sardinha, surubim, tambaqui, tamoat,

    trara e tucunar.

    2.4. ASPECTOS POPULACIONAIS

    De acordo com dados do Censo Demogrfico do Instituto Brasileiro de

    Geografia e Estatstica - IBGE, em 2010 a populao do Territrio Mdio Juru

    corresponde a um total de 43.497 habitantes, equivalente a apenas 1,30% da

    populao total do Estado do Amazonas. O municpio que concentra a maior

    populao do Territrio Carauari, com 25.047 habitantes (57,58%), seguido de

    Juru com 10.443 habitantes (24,00%).

    Quando comparado ao Censo Demogrfico realizado em 2000 verificou-se

    que a populao do Territrio Mdio Juru apresentou um crescimento de 13,24%,

    ou seja, passou de 38.411 habitantes em 2000 para 43.497 habitantes em 2010

    (Quadro 3).

    Quadro 3 - Aspectos Populacionais do Territrio Mdio Juru.

    Municpio Pop.Total

    Censo 2000

    Rural Urbana rea (Km 2)

    Dens. Demog.

    Pop.Total

    Censo 2010

    Variao 2000-2010

    (%) N abs. % N

    abs. %

    Carauari 23.421 6.545 27,95 16.876 72,05 25.881,20 0,90 25.047 6,94

    Itamarati 8.406 5.303 63,09 3.103 36,91 25.385,20 0,33 8.007 -4,8

    Juru 6.584 3.532 53,65 3.052 46,35 19.485,60 0,34 10.443 58,61

    Territrio 38.411 15.380 40,04 23.031 59,96 70.752, 00 0,54 43.497 13,24

    Fonte: IBGE Censo demogrfico 2000 e 2010.

  • 33

    O municpio que teve maior crescimento populacional nesse perodo foi

    Juru, com variao de 58,61%. Nem todos os municpios do Territrio tiveram

    variao positiva, o municpio de Itamarati, por exemplo, decresceu 3,90%. Segundo

    informaes obtidas nas reunies territoriais, a diminuio da populao deste

    municpio deu-se em razo da sada de muitos jovens em busca de alternativas de

    melhoria de vida em outros locais.

    Em 2000, a maioria da populao do Territrio (59,96%) concentrava-se em

    reas urbanas, com destaque para o municpio de Carauari, que concentrava cerca

    de 72,05% de sua populao nesta rea. A densidade demogrfica do Territrio era

    de 0,54 hab/km2, inferior a do Estado (1,8 hab/km), entretanto, segue a mesma

    tendncia verificada na maioria dos municpios amazonenses, onde a densidade

    demogrfica de menos de um habitante por km2.

    A proporo de homens e mulheres morando no Territrio bastante

    equilibrada, sendo 51,73% do sexo masculino e 48,27% do sexo feminino, conforme

    mostra o Quadro 4.

    Quadro 4 - Populao do Territrio Mdio Juru por Gnero.

    Municpio Homens Mulheres Total

    Urbano Rural Urbana Rural

    Carauari 8.675 3.422 8.201 3.123 23.421

    Itamarati 1.603 2.753 1.500 2.550 8.406

    Juru 1.504 1.913 1.548 1.619 6.584

    Territrio 11.782 8.088 11.249 7.292 38.411 Fonte: IBGE Censo 2000

    2.5. ESTRUTURA AGRRIA

    O Censo Agropecurio de 2006 identificou a existncia de 66.784

    estabelecimentos rurais no Estado do Amazonas, dos quais 2.248 (3,4%) pertencem

    ao Territrio Mdio Juru. As propriedades com menos de 100 hectares2, 2 No foi possvel quantificar a rea ocupada pelos estabelecimentos rurais com os dados do IBGE 2006, pois at a concluso deste trabalho o instituto ainda no havia divulgado os dados dos estabelecimentos agropecurios por classe de rea e municpio. Entretanto, de acordo com o Censo Agropecurio 1995-1996, do total de estabelecimentos existentes no Territrio Mdio Juru, mais de 97% ocupavam reas entre 10 a 100 hectares.

  • 34

    consideradas familiares3, concentram no Territrio um percentual acima de 96% e

    ocupam 13.670,85 hectares ou 40,6% da rea total ocupada pelos estabelecimentos

    rurais. Enquanto isso, os estabelecimentos no familiares, apesar de concentrarem

    apenas 3,6% do nmero total de estabelecimentos, ocupam 57,9% da rea total dos

    estabelecimentos existentes no Territrio (Quadro 5). Estas diferenas caracterizam

    a manuteno das desigualdades na distribuio de terras no Territrio, cujo ndice

    de Gini4 da ordem de 0,87, representando alta concentrao de terras.

    Quadro 5 - Estabelecimentos rurais familiares e no familiares do Territrio Mdio Juru.

    UF, Territrio e Municpios

    Total Agricultura familiar - Lei n 11.326 No familiar

    Estabele- cimentos

    rea (ha)

    Estabele- cimentos %

    rea (ha) %

    Estabele- cimentos %

    rea (ha)

    %

    Carauari 1.381 20.984,52 1.309 94,8 8.350,25 39,8 72 5,2 12.634,27 60,2

    Itamarati 767 10.859,71 761 99,2 4.008,01 36,9 6 0,8 6.851,7 63,1

    Juru 100 1.812,6 98 98,0 1.312,59 72,4 2 2,0 - -

    Territrio 2.248 33.656,83 2.168 96,4 13.670,85 40, 6 80 3,6 19.485,97 57,9

    Amazonas 66.784 3.634.310,1 61.843 92,6 1.477.044,9 40,6 4.941 7,4 2.157.265,3 59,4

    Fonte: Censo Agropecurio (IBGE, 2006).

    Os dados do Censo agropecurio 2006 revelam que em 49% dos

    estabelecimentos rurais o produtor o proprietrio da terra, seguido pelos

    produtores sem-rea (36%), ocupantes (6%), assentados da reforma agrria sem

    titulao definitiva (4%), arrendatrios (3%) e parceiros (2%) (Figura 10). Vale

    ressaltar que a categoria de produtores sem-rea e os ocupantes, que juntos somam

    42% dos estabelecimentos rurais, normalmente tm uma insero muito precria na

    agricultura, principalmente em relao a terra, dificultando o seu acesso a crditos e

    a outros benefcios da poltica agrcola.

    3 A Lei n 11.326/2006 (Lei da Agricultura Familiar) estabelece o limite de rea para a agricultura familiar de at quatro mdulos fiscais. Nos municpios que compem o Territrio do Mdio Juru, 01 (um) mdulo fiscal corresponde a 100 hectares. 4 ndice de Gini-Terra mede o grau de concentrao fundiria existente. Seu valor varia de 0, quando no h desigualdade (a posse de terra est igualmente distribuda para todos os indivduos), a 1, quando a desigualdade mxima (apenas um indivduo detm a posse de toda a terra disponvel).

  • 35

    Figura 10 - Percentuais de tipo de estabelecimentos rurais

    Fonte: IBGE Censo Agropecurio 2006

    No Territrio Mdio Juru a principal forma de aquisio da terra pelo produtor

    na condio de proprietrio o usucapio, ou seja, o produtor adquire o direito

    propriedade da terra em decorrncia do uso deste bem por um determinado tempo5.

    Embora estes produtores sejam os proprietrios da terra, a questo fundiria

    no Estado Amazonas e no Territrio marcada pela presena de um elevado

    nmero de terras sem titulao, seja urbanas ou rurais, fato que representa no

    campo e na cidade um fenmeno gerador de conflitos. Para tanto, necessrio

    atravs do ordenamento territorial, uma reorganizao da estrutura fundiria de uma

    rea urbana ou rural como instrumento para realizar as diretrizes oficiais do

    planejamento territorial, garantindo assim tanto a populao urbana como a rural

    segurana de permanncia na terra como a incluso aos programas

    socioeconmicos.

    No que se refere a forma de utilizao das terras nos estabelecimentos rurais

    existentes no Territrio, os dados do Censo agropecurio 2006 revelam que dos

    58.638 hectares ocupados pelos estabelecimentos rurais, 62,97% eram destinados a

    5 O Novo Cdigo Civil brasileiro prev o Usucapio e estabelece em seu artigo 1.239: Aquele que,

    no sendo proprietrio de imvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposio, rea de terra em zona rural no superior a cinqenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua famlia, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe- a propriedade.

  • 36

    lavouras permanentes e temporrias, enquanto que a rea com matas, florestas

    destinadas preservao permanente e reserva legal ou sistemas agroflorestais,

    ocupava 24,48%, e por fim, as pastagens ocupavam 16,56% das reas. Em termos

    de nmero de estabelecimentos, o uso da terra segue a mesma ordem (Quadro 6).

    Quadro 6 - Uso da Terra no Territrio Mdio Juru, segundo o Censo agropecurio 2006.

    Munic-pios

    Lavouras Pastagens Matas e florestas

    N e stabe -lecimentos rea (ha)

    N estabe -lecimentos rea (ha)

    N e stabe -lecimentos rea (ha)

    Abs. % Abs. % Abs. % Abs. % Abs. % Abs. %

    Carauari 979 70,63 12.816 57,87 96 6,93 2.897 13,08 183 13,20 7.804 35,24

    Itamarati 768 99,10 24.051 77,43 24 3,10 1.530 4,93 26 3,35 6.464 20,81

    Juru 77 69,37 58 1,07 43 38,74 5.285 97,35 19 17,12 84 1,55

    Territrio 1.831 80,59 36.925 62,97 163 7,17 9.712 16,56 228 10,04 14.352 24,48

    Amazonas 64.174 94,44 2.377.048 31,34 15.711 23,12 1.836.535 24,22 28.235 41,55 3.252.665 42,89

    Fonte: Censo Agropecurio (IBGE, 2006).

    O percentual de 24,48% atribudo as reas com matas, florestas destinadas

    preservao permanente e reserva legal ou sistemas agroflorestais nas

    propriedades rurais do Territrio inferior ao percentual do Estado (42,89%) e indica

    que a predominncia das pequenas reas faz com que o agricultor geralmente

    avance sobre as reas de reserva legal, aumentando sua rea de uso para

    agricultura e pecuria, entretanto, esse fato prejudica o licenciamento ambiental e,

    conseqentemente, o acesso ao crdito.

    No Territrio Mdio Juru, dados do INCRA mostram que no perodo de 1970

    a 2010 foram implantados apenas 01 (um) projeto de assentamento (P.A.) destinado

    reforma agrria, o P.A Riozinho, localizado no municpio de Carauari, que ocupa

    uma rea de 4.462,21 hectares (0,06% da rea do Territrio), com capacidade para

    assentar 250 famlias.

    Entretanto, a RESEX do Mdio Juru e a RESEX do Baixo Juru possuem

    convnio firmado entre o INCRA e o IBAMA, no qual as populaes tradicionais

    (moradores das RESEXs) so reconhecidos pelo rgo fundirio como beneficirios

    da poltica nacional de reforma agrria. Assim, essa populao foi includa no

    Sistema de Informaes de Projetos de Reforma Agrria (SIPRA), banco de dados

    do INCRA que registra e monitora as famlias a serem beneficiadas com recursos da

  • 37

    reforma agrria, sendo classificados como assentados em projetos especiais e no

    como seringueiros ou extrativistas, conforme sua auto-identificao (ESTERCI &

    SCHWEICKARDT, 2010).

    Da mesma forma, os moradores da RDS Uacari tambm so beneficiados

    com recursos da reforma agrria, sendo includos no SIPRA/INCRA.

    Considerando-se estas trs modalidades (P.A., RESEX e RDS), no Territrio

    so contabilizados um total de 1.360 famlias assentadas beneficirias da poltica

    nacional de reforma agrria (INCRA, 2010).

    Cerca de 16% das terras do Territrio foram incorporadas ao patrimnio

    pblico como Unidades de Conservao (Reservas Extrativistas, Reservas de

    Desenvolvimento Sustentvel e Florestas Nacionais). Essas transformaes na

    estrutura fundiria, ocorridas a partir dos anos 80, s adquiriram esse perfil por que,

    ao longo da luta pela resistncia pela terra, os seringueiros, ribeirinhos e demais

    posseiros foram capazes de conquistar, no mbito da sociedade civil e das esferas

    decisrias do poder poltico do Estado, o reconhecimento e a legitimidade de um

    conjunto de demandas que exigiam uma soluo diferenciada para o problema

    fundirio na regio.

    Alm destas reas, a ocupao territorial no Territrio Mdio Juru tambm

    caracterizada pela presena de 4 (quatro) terras indgenas, que juntas ocupam cerca

    de 32% de sua rea total (Quadro 7).

    Quadro 7 - Situao da ocupao territorial no Territrio Mdio Juru.

    Denominao Quant. rea (ha) % Territrio

    Projetos de assentamento e colonizao PA 1 4.462 0,06

    Unidades de Conservao 4 1.133.167 16,02

    Terras Indgenas 4 2.280.923 32,24

    Outras reas* - 3.656.648 51,68

    Total do Territrio - 7.075.200 100,00

    * Terras pblicas (INCRA, ITEAM, municpios), reas de estradas, reas urbanas, reas militares, entre outros valor estimado. Fonte: INCRA

  • 38

    2.6. ASPECTOS ECONMICOS

    O Produto Interno Bruto (PIB) um indicador importante para mensurar o

    aumento da riqueza de um Pas, Estado ou cidade. Destacamos uma srie que inicia

    em 2003 e finaliza em 2007 para investigar nesse perodo como se comportou a

    produo da riqueza no Territrio do Mdio Juru. A priori, observamos que a

    evoluo do PIB desta localidade acompanhou uma tendncia a nvel nacional que

    foi de crescimento constante. Outra varivel que acentuamos para construo deste

    diagnstico foi o PIB per capita que relaciona a variao do Produto com a variao

    da Populao.

    2.6.1. O PIB e suas variaes

    O Produto Interno Bruto a preos correntes6 do Mdio Juru representou em

    mdia entre 2003 e 2007 0,37% do PIB amazonense e teve crescimento constante

    no mesmo perodo, como se pode observar no Quadro 8, o mesmo se observando

    com o PIB per capita7.

    Quadro 8 - Produto Interno Bruto a Preos Correntes e Per capita entre 2003 e 2007 (R$ 1.000).

    Fonte: IBGE Contas Nacionais: PIB dos municpios 2003-2007

    De acordo com a Quadro acima, o PIB com maior relevncia entre os

    municpios do Territrio do Mdio Juru representado por Carauari que teve um

    6 Ano em que o produto foi produzido e comercializado a preo de mercado. 7 Relao econmica estabelecida entre o PIB e a populao de um determinado pas, estado e cidade

    Regio Norte,

    Amazonas, e Territrio

    2003 2004 2005 2006 2007

    A Preos Corrente

    Per capita

    A Preos Corrente

    Per Capita

    A Preos Corrente

    Per capita

    A Preos Corrente

    Per capita

    A Preos Corrente

    Per capita

    Norte 81.199.581 5.780 96.012.341 6.680 106.441.710 7.241 119.993.429 7.988 133.578.391 9.135

    Amazonas 24.977.170 8.100 30.313.735 9.658 33.352.137 10.318 39.156.902 11.826 42.023.218 13.043

    Territrio 103.061 109.025 120.103 150.714 154. 214

    Carauari 57.530 2.301 60.772 2.395 71.173 2.746 88.524 3.356 95.460 3.802

    Itamarati 27.734 3.405 28.734 3.544 26.930 3.368 31.677 4.000 35.797 4.431

    Juru 17.797 2.482 19.519 2.669 22.000 2.927 30.513 1.928 22.957 4.347

  • 39

    valor mdio ao longo desses 5 anos de 75 milhes de reais. No perodo em anlise

    o PIB mdio dos municpios de Itamarati e Juru foi aproximadamente,

    respectivamente, de 30 milhes e 22 milhes.

    Esse desempenho crescente do PIB a preos correntes e per capita do

    Territrio no indica necessariamente o enriquecimento da populao local. Faz-se

    necessrio averiguar de que forma a riqueza produzida naquela regio est sendo

    apropriada. Outros indicadores como o ndice de Desenvolvimento Humano (IDH),

    podem ajudar nessa anlise, uma vez que mensura a qualidade de vida da

    populao analisada.

    O setor de servios a principal atividade para a gerao de riqueza no

    territrio. Em 2007 este setor contribuiu com 110.605 mil (67%) para a composio

    do PIB do territrio (165.868 mil reais). Na segunda colocao em termos de

    composio do PIB aparece a atividade agropecuria que gerou 36.057 mil reais,

    seguida pela indstria e impostos, com 14.118 mil reais e 5.088 mil reais,

    respectivamente (Quadro 9).

    Quadro 9 - Valor Adicionado Bruto para Composio do PIB em 2007 (R$ 1000).

    Municpios Valor Adicionado Bruto em 2007

    Total Agropecuria Indstria Servios Impostos

    Carauari 16.257 8.685 67.131 3.386 95.459

    Itamarat i 11.045 2.591 21.263 897 35.796

    Juru 8.755 2.842 22.211 805 34.613

    Territrio 36.057 14.118 110.605 5.088 165.868

    Fonte: IBGE - Diretoria de Pesquisas, Coordenao de Contas Nacionais, 2009.

    A maior participao do setor de servios na composio do PIB pode ser

    explicada em razo de as prefeituras, na maioria dos municpios do Estado do

    Amazonas, ser o principal empregador, sendo a renda oriunda dos salrios dos

    servidores municipais que movimenta a economia nestas localidades, aliada a renda

    proveniente das transferncias governamentais e programas sociais.

    O setor agropecurio ocupa a segunda colocao na contribuio do PIB,

    sendo que esta atividade possui grande potencialidade no interior do Estado, muito

    embora o modelo de desenvolvimento que foi implantado na Amaznia nas ltimas

    dcadas tenha se concentrado exclusivamente nos grandes centros urbanos. No

  • 40

    caso do Amazonas se baseou num modelo industrial concentrado na cidade de

    Manaus que atraiu empresas atravs de incentivos fiscais. Os que no deixaram a

    zona rural para se aventurar na capital amazonense continuaram com suas

    atividades agrcolas, embora em condies bastante precrias.

    Esse modelo tambm explica a incipiente atividade industrial desenvolvida

    no interior do Estado, como podemos observar no Quadro 10 a participao do setor

    industrial na composio do Produto Interno Bruto do Mdio Juru em 2007.

    As poucas empresas existentes na regio do Mdio Juru esto, na maioria

    das vezes, ligadas ao setor de comrcio e que contribuem para a arrecadao

    municipal. Segundo levantamento sobre Cadastro Geral de empresas feito pelo

    IBGE em 2008, o Territrio do Mdio Juru possui 310 empresas cadastradas

    naquela regio, das quais 65,1% esto localizadas no municpio de Carauari, 27,7%

    em Juru e 7% em Itamarati, conforme indica o Quadro 10. Segundo dados do

    IBGE, cerca de 49% da mo-de-obra ocupada no Territrio, reside em Carauari,

    30% em Juru e 21% em Itamarati. Do total dessas ocupaes 1.741 (ou 86%) so

    assalariadas.

    Quadro 10 - Total de Empresas Cadastradas, Pessoal ocupado e renda no Mdio Juru e municpios em 2008

    Territrio e Municpios

    Indstrias Cadastradas

    Pessoal ocupado Assalariados

    Salrios e outras rendas (R$ 1000)

    Salrio Mdio mensal

    Mdio Juru 310 2.020 1.741 15.812 5,4

    Carauari 202 988 803 7.569 1,8

    Itamarati 22 419 406 3.691 1,9

    Juru 86 613 532 4.552 1,7 Fonte: IBGE Cadastro Geral de Empresas 2008

    Outra coisa importante para se frisar que nem todas as empresas

    cadastradas esto efetivamente em atividade, alm do que preciso identificar

    aquelas que atuam na elaborao de produtos acabados. Como a atividade

    comercial o principal valor agregado ao PIB, pode-se concluir como hiptese, que

    a maioria dessas empresas cadastradas seja de cunho comercial.

    No Amazonas, a agricultura familiar, pesca e extrativismo so responsveis

    por grande parte da produo de alimentos e matria-prima, alm de representar

    ocupao para 79% da populao ativa no Estado.

  • 41

    De acordo com o Censo Agropecurio realizado pelo IBGE em 2006, o

    nmero aproximado de pessoal ocupado no setor rural existente no Territrio Mdio

    Juru de 7.676 pessoas. O perfil da maioria dos trabalhadores rurais aqui

    considerados (94%) compreende responsveis familiares no remunerados, isto ,

    sem um salrio fixo, seguidos de empregados temporrios (cerca de 5% do total). A

    Figura 11, a seguir, mostra a proporcionalidade de pessoal ocupado segundo a

    categoria do trabalhador no Territrio. Os dados mostram ainda que a fora de

    trabalho predominante a familiar.

    Figura 11 - Proporcionalidade de pessoal ocupado no setor rural do Territrio

    Fonte: Censo Agropecurio IBGE, 2006

    O produtor tradicional do Territrio o ribeirinho, localizado s margens dos

    rios ou beirades, os assentados do projeto do Instituto Nacional de Colonizao e

    Reforma Agrrio INCRA e os indgenas. A maioria dos produtores caracterizada

    como produtores de renda mdia e quase sem renda e quanto organizao, a

    maioria (97%) trabalha a produo de forma individualizada, apesar das associaes

    e cooperativas existentes.

    Do ponto de vista econmico, a produo territorial rural est centrada nas

    seguintes atividades: agricultura de subsistncia, extrativismo, pesca artesanal,

    criao de aves e bovinocultura. Vale ressaltar que o setor agropecurio do

    Territrio se defronta com vrios problemas que dificultam o seu bom desempenho,

  • 42

    tais como: baixa produtividade das culturas; altos ndices de perdas dos produtos

    desde a colheita da produo no roado at a comercializao; falta de

    armazenamento; dificuldades no escoamento da produo; falta de organizao dos

    produtores; dificuldades para acessar os programas de crdito; baixo uso das

    tecnologias disponveis, alm do baixo valor agregado aos produtos.

    2.6.2. Finanas Pblicas

    A dependncia econmica dos municpios amazonense em relao ao

    Governo Estadual e Federal recorrente, basta observar o volume de recursos

    repassados s prefeituras para constatar que a idia de autonomia dos entes

    federativos questionada. Os dados levantados sobre transferncias

    governamentais evidenciam tal constatao.

    2.6.2.1. Transferncias Estaduais

    Entre 2007 e 2009 o Territrio Mdio Juru recebeu mais de 42 milhes de

    reais do Governo estadual atravs de transferncias constitucionais (Quadro 11). O

    maior volume de recursos direcionado ao Territrio proveniente do Imposto sobre

    Circulao de Mercadorias e Servios (ICMS). Nesse perodo o Territrio recebeu de

    repasse do ICMS o equivalente a R$ 40.492.678,77, deste total o municpio de

    Carauari foi o que recebeu a maior parcela, seguido de Itamarati. O segundo maior

    volume de recursos estaduais proveniente de Royalties da explorao petrolfera

    que se encontra naquela regio. No perodo em anlise, o Territrio recebeu um

    volume total de R$ 1.004.381,07, dos quais 41,67% foi direcionado para o municpio

    de Carauari. A razo desse maior volume recebido devido a prospeco de gs

    natural feita no municpio.

    Outros recursos que se direcionaram para o Territrio foram provenientes de

    Imposto sobre Proprietrio de Veculos Automotores (IPVA) e o Imposto sobre

    Produtos Industrializados (IPI). O primeiro totalizou a soma de R$ 99.039,85 e o

    segundo a quantia de R$ 538.725,10.

  • 43

    Quadro 11 - Transferncias Constitucionais estaduais aos municpios do Territrio Mdio Juru.

    Municpios e

    Territrio

    Repasses Municipais (R$)

    Transferncias Estaduais ROYALTIES TOTAL

    ICMS IPVA IPI

    2007

    Territrio 11.839.413,96 28.958,67 270.742,66 305.141,56 12.444.256,85

    Carauari 4.933.804,52 26.534,11 112.825,78 127.160,75 5.200.325,16

    Itamarati 3.560.568,44 904,58 81.422,76 91.767,86 3.734.663,64

    Juru 3.345.041,00 1.519,98 76.494,12 86.212,95 3.509.268,05

    2008

    Territrio 14.695.172,26 34.117,91 159.915,46 397.075,76 15.286.281,39

    Carauari 6.123.876,29 28.669,10 66.641,13 165.472,22 6.384.658,74

    Itamarati 4.419.405,12 1.005,34 48.092,71 119.416,00 4.587.919,17

    Juru 4.151.890,85 4.443,47 45.181,62 112.187,54 4.313.703,48

    2009

    Territrio 13.958.092,55 35.963,27 108.066,98 302.163,75 14.404.286,55

    Carauari 5.816.715,23 33.192,98 45.034,43 125.919,82 6.020.862,46

    Itamarati 4.197.736,82 384,67 32.499,92 90.872,29 4.321.493,70

    Juru 3.943.640,50 2.385,62 30.532,63 85.371,64 4.061.930,39

    Fonte: SEFAZ

    Portanto, como se observa as aes do poder pblico local est diretamente

    condicionado ao volume de recursos enviados aos municpios pelo ente federado

    estadual. Vale ressaltar que estes recursos so repassados de acordo com os

    dispositivos constitucionais.

    2.6.2.2. Transferncias Federais

    Os recursos recebidos pelos municpios do Territrio atravs de Programas

    Governamentais tm papel central na melhoria da qualidade de vida da populao

    ali residente. Nos ltimos quatro anos foram mais de R$ 100 milhes transferidos da

    Unio para as trs cidades que compem o Territrio. Conforme Quadro 12, de 2007

    at agosto de 2010 os aportes de recursos no Territrio tiveram crescimento

    constante. Em 2007 foram mais de R$ 24 milhes e 2009 ultrapassou os R$ 29

    milhes.

  • 44

    Quadro 12 - Recursos Federais transferidos ao Territrio Mdio Juru no perodo de 2007 a 2010.

    Municpio 2007 2008 2009 2010* Total geral

    Carauari 14.362.950,75 15.049.551,63 15.905.095,05 12.360.892,83 57.678.490,26

    Itamarati 5.325.397,43 6.268.854,61 6.523.506,71 5.215.512,04 23.333.270,79

    Juru 4.966.744,40 6.581.361,86 6.919.250,80 5.470.990,58 23.938.347,64

    Territrio 24.655.092,58 27.899.768,10 29.347.852,56 23.047.395,45 104.950.108,69

    (*) Dados at agosto de 2010. Fonte: Portal da Transparncia.

    Ao analisar a distribuio dos recursos transferidos para o Territrio, verificou-

    se que o municpio de Carauari o que tem recebido maior volume, em mdia mais

    de 50% do valor total transferido. Itamarati e Juru tm ficado com montantes de

    recursos relativamente na mesma proporo, cerca de R$ 23 milhes.

    Observando as reas de ao para quais os recursos so destinados (Quadro

    13) nota-se que o maior volume referente aos encargos especiais como os

    recursos do Fundo de Participao dos Municpios (FPM), que se constitui na

    principal fonte para que as prefeituras invistam em seus municpios. Dentro dessa

    modalidade de recursos destaca-se ainda a Contribuio sobre Interveno no

    Domnio Econmico (CIDE), Fundo de Manuteno e Desenvolvimento da Educao

    Bsica e de Valorizao dos Profissionais da Educao (FUNDEB), Fundo de

    Manuteno e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorizao do

    Magistrio (FUNDEF) e ouras.

    Quadro 13 - Recursos Federais transferidos para o Territrio por rea de ao entre 2007 a 2010

    *Os dados de 2010 esto atualizados at agosto. Fonte: Portal da Transparncia.

    rea de Ao Carauari Itamarati Juru Total geral

    Assistncia Social 14.177.769,49 5.662.196,59 4.174.025,22 24.013.991,30

    Comrcio e Servios 500.000,00 500.000,00

    Cultura 300.000,00 300.000,00

    Defesa Nacional 400.000,00 244.838,75 399.000,00 1.043.838,75

    Desporto e Lazer 75.000,00 75.000,00

    Educao 2.298.455,24 523.716,10 839.453,65 3.661.624,99

    Encargos Especiais 35.263.072,25 15.058.020,21 16.769.607,38 67.090.699,84

    Habitao 28.970,00 28.970,00

    Sade 4.127.943,28 1.815.529,14 1.756.261,39 7.699.733,81

    Segurana Pblica 487.500,00 487.500,00

    Urbanismo 48.750,00 48.750,00

    Total geral 57.678.490,26 23.333.270,79 23.938.347, 64 104.950.108,69

  • 45

    Uma segunda modalidade de recursos recebidos destina-se a investir em

    reas de assistncia social. No perodo em anlise o Territrio Mdio Juru recebeu

    R$ 24.013.991,30 para viabilizar aes nessa rea. Aes nas reas de sade e

    educao receberam nesse perodo, respectivamente, R$ 7,6 milhes e R$ 3,6

    milhes. O municpio de Carauari tambm lidera no montante de recursos no

    Territrio. Outros Programas do Governo Federal tem bastante relevncia para

    desenvolver atividades nos municpios do Territrio, tais como cultura, habitao,

    segurana pblica, entre outros.

    Analisando os dados sobre transferncias de recursos do Governo Federal

    dos ltimos 4 anos por rea de ao para o Territrio Mdio Juru (Quadro 14),

    observa-se que algumas reas tiveram recursos em todos os anos analisados e em

    outras no ocorreu a mesma situao, como foi o caso de recursos para o

    desenvolvimento do comrcio e servios, cultura, defesa nacional, desportos e lazer,

    habitao e segurana pblica. Uma das explicaes para tal fato a inconstncia

    de projetos para captar recursos dos Programas Federais.

    Quadro 14 - Recursos Federais transferidos para o Territrio Mdio Juru por rea de ao e anos.

    * Os dados de 2010 esto atualizados at agosto. Fonte: Portal da Transparncia.

    Faz-se necessrio destacar alguns Programas Sociais Federais de grande

    relevncia que contaram com aportes significativos de recursos no Territrio Mdio

    Juru, conforme mostra o Quadro 15, podendo ser citado o: Cota-parte do Salrio

    rea de Ao 2007 2008 2009 2010* Total geral

    Assistncia Social 5.151.491,55 6.088.763,30 7.044.355,05 5.729.381,40 24.013.991,30

    Comrcio e Servios 500.000,00 500.000,00

    Cultura 300.000,00 300.000,00

    Defesa Nacional 400.000,00 643.838,75 1.043.838,75

    Desporto e Lazer 75.000,00 75.000,00

    Educao 917.703,80 694.195,70 845.351,30 1.204.374,19 3.661.624,99

    Encargos Especiais 14.956.017,21 19.054.045,99 19.389.783,31 13.690.853,33 67.090.699,84

    Habitao 28.970,00 28.970,00

    Sade 1.818.630,02 2.062.763,11 2.068.362,90 1.749.977,78 7.699.733,81

    Segurana Pblica 487.500,00 487.500,00

    Urbanismo 48.750,00 48.750,00

    Total geral 24.655.092,58 27.899.768,10 29.347.852, 56 23.047.395,45 104.950.108,69

  • 46

    Educao que disponibilizou em 2009 e 2010, o equivalente a R$ 1.180.574,57 e o

    Sade da Famlia que recebeu R$ 3.960.350,00. Vale ressaltar a importncia destes

    programas na melhoria da qualidade de vida da populao dos municpios que

    compem o Territrio, bem como o Programa Territrio da Cidadania que de

    enorme relevncia para o desenvolvimento rural sustentvel da regio.

    Quadro 15 - Recursos Federais transferidos para o Territrio Mdio Juru por Programas e Fundos constitucionais entre 2007 e 2010.

    Programa 2007 2008 2009 2010 Total geral

    Agente Jovem 19.630,00 16.380,00 650,00 36.660,00

    Bolsa Famlia 4.173.568,00 5.173.592,00 5.983.988,00 5.017.974,00 20.349.122,00

    Apoio a Explorao Mineral 173,58 173,58

    CIDE - Combustveis 150.892,79 135.365,78 83,468,11 113,915,78 483.642,46

    Compensao de Exportao - CEX 155.570,21 130.565,53 81.325,08 367.460,82

    Cota-parte dos Estados e DF do Salrio-Educao

    661.720,53 518.854,04 1.180.574,57

    Proteo as crianas e adolescentes

    40.300,00 34.100,00 49.500,00 40.500,00 164.400,00

    Compra de remdios no SUS 5.492,58 5.492,58

    Farmcia Bsica 71.403,54 171.568,56 171.568,56 144.432,91 558.973,57

    FPM CF art. 159 11.724.148,14 14.779.933,79 13.709.427,06 9.020.319,31 49.233.828,30

    FUNDEB 2.225.046,09 3.682.248,12 4.189.484,86 3.629.130,77 13.725.909,84

    ndice de Gesto Descent. - IGD 115.931,17 122.238,17 82.649,31 320.818,65

    IGD/Pagamento do Agente operador

    99.535,43 99.535,43

    Infraestrutura/Esporte Rec. e lazer 75.000,00 75.000,00

    Obras Preventivas e Desastres 487.500,00 487.500,00

    Assistncia Bsica aos municpios 648.390,00 840.233,31 809.385,43 463.126,97 2.761.135,71

    Sade da Famlia 745.054,00 1.027.153,00 1.063.590,00 1.124.553,00 3.960.350,00

    Proteo Social Bsica as Famlias 312.000,00 264.000,00 288.000,00 192.000,00 1.056.000,00

    Dinheiro Direto na Escola 358.054,90 228.874,30 261.104,50 63.000,00 911.033,70

    PETI BOLSA 40.900,00 40.900,00

    Apoio a Transporte Escolar 39.960,50 72.858,40 66.314,00 57.224,94 236.357,84

    Projovem Adolescente 42.225,00 97.987,50 70.350,00 213.562,50

    Reestruturao Bsica na Escola 642.753,25 642.753,62

    Royalties 153.774,61 239.061,15 172.648,12 145.154,74 710.638,62

    Sade Bucal 8.100,00 8.100,00

    Proteo Social Bsica a Criana e Idoso

    199.192,24 155.385,13 165.666,38 58.008,09 578.251,84

    Servio Socioeducativo - PETI 256.960,00 266.500,00 326.000,00 261.000,00 1.110.460,00

    FUNDEF 454.083,02 454.083,02

    Transferncia ITR Municpios 40.541,26 35.778,14 74.622,59 58,55 151.000,54

    Transferncia de Renda PETI 17.650,00 10.325,00 2.500,00 30.475,00

    Transferncias LC n87/96 e 115/2003

    51.961,09 50.919,90 49.878,72 33.252,48 186.012,19

    Vigilncia Sanitria 20.189,90 23.808,24 23.818,91 17.864,90 85.681,95

    Outros Repasses 2.097.844,28 392.463,00 885.141,04 1.348.722,41 4.724.220,73

    Total Geral 24.655.092,58 27.899.768,10 29.347.852, 56 23.047.395,45 104.950.108,69

    * Os dados de 2010 esto atualizados at agosto. Fonte: Portal da Transparncia.

  • 47

    Durante as oficinas territoriais realizadas no Territrio foram feitas algumas

    recomendaes no que se refere aos recursos destinados aos municpios que

    compem o Territrio. No que se refere ao montante de recursos federais que

    entraram no Territrio no perodo apresentado, pouca coisa se tem visto em termos

    de melhoria da qualidade de vida da populao, sendo constatado que a estrutura

    do governo local ainda muito fragilizada para a execuo das aes

    governamentais.

    Em outra anlise, identificou-se a fragilidade das organizaes sociais para

    gerir os projetos que so implementados nos municpios, razo pela qual os

    mesmos acabam no dando certo. H disponibilidade do governo federal em auxiliar

    os governos municipais, no entanto, muitas vezes estes no esto preparados.

    Verificou-se tambm que existem recursos disponibilizados pelo governo

    federal para o desenvolvimento das atividades nos municpios, no entanto, falta

    corpo tcnico para elaborao de projetos para captao destes recursos, e por este

    motivo, geralmente, o dinheiro acaba sendo devolvido para os cofres da unio.

    Por fim, o colegiado do Territrio verificou a necessidade de se criar

    mecanismos para que a populao possa fiscalizar os recursos que entram nos

    municpios, pois se no houver a devida transparncia fica mais fcil haver desvio

    desses recursos, e conseqentemente, a populao fica prejudicada.

    2.6.3. Produo Agrcola

    A agricultura desenvolvida essencialmente por meio de culturas para o

    consumo familiar, como o caso da mandioca, arroz, feijo e milho e a produo de

    hortcolas. A lavoura temporria responde por 93% da atividade agrcola

    desenvolvida nos estabelecimentos rurais do Territrio, conforme mostra a Figura

    12.

  • 48

    Figura 12 - Proporo dos estabelecimentos rurais que desenvolvem atividades agrcolas no Territrio Mdio Juru

    Fonte: IBGE - Pesquisa Agrcola Municipal (estimativa)

    A estimativa de produo agrcola no Territrio, segundo a Pesquisa

    Agropecuria Municipal de 2009 e Censo Agropecurio 2006, realizados pelo IBGE,

    mostrada no Quadro 16.

    No Territrio, a mandiocultura a principal atividade da produo vegetal em

    relao gerao e distribuio de renda para as comunidades rurais, com

    produo de 21.278 toneladas, segundo estimativas de produo de 2008/2009,

    seguida pelas atividades, como o cultivo da cana-de-acar (7.030 toneladas) e

    milho (245 toneladas), a fruticultura, com destaque para a produo de banana (638

    toneladas), abacaxi (336 mil frutos) e aa (277 toneladas de frutos). As hortalias

    mais cultivadas so: melancia, maxixe, coentro, cebolinha, pepino, quiabo, alm de

    repolho, pimento, couve e alface, conforme os dados disponibilizados pelo IBGE.

    Os dados do IBGE apresentados no Quadro 16 mostram que s Carauari

    apresenta dados de produo de hortalias, o que pode indicar a necessidade de se

    incentivar a produo nos demais municpios, visando a segurana alimentar e

    gerao de renda. Outra possibilidade para no ter dados sobre produo de

    hortalias naqueles que a produo muito baixa, essencialmente para

    subsistncia.

  • 49

    Quadro 16 - Estimativas de produo Agrcola no Territrio.

    Discriminao TOTAL DO MUNICPIO (ESTIMATIVAS DA PRODUO 2009 e

    CENSO AGROPECURIO 2006)

    Carauari Itamarati Juru Territrio Estado %

    CULTURAS DE GROS (TON)

    Arroz - 10 - 10 9986 0,10

    Feijo - 38 - 38 3185 1,19

    Caf 47 - - 47 5721 0,82

    Milho - 220 25 245 29252 0,84

    FRUTICULTURA

    Laranja (t) 95 - - 95 16278 0,58

    Abacate (t) - 66 - 66 933 7,07

    Limo (t) 8 - - 8 3617 0,22

    Cupuau (t)* 4 3 - 7 2411 0,29

    Abacaxi (mil frutos) 48 - 288 336 22378 1,50

    Pupunha (mil cachos)* 77 11 - 88 1369 6,43

    Banana (t)* 410 225 3 638 38749 1,65

    Coco (mil frutos) 6 - 20 26 16823 0,15

    Maracuj (t frutos) - - 4 4 3143 0,13

    Mamo (t)* 4 1 - 5 7798 0,06

    Aa (fruto) (t)* 239 11 27 277 4093 6,77

    CULTURAS INDUSTRIAIS

    Mandioca (t) 10140 4708 6430 21278 995876 2,14

    Cana-de-acar (t) 3550 3480 - 7030 368050 1,91

    Caju (t)* 10 0 - 10 314 3,18

    HORTALIAS*

    Melancia (mil frutos) 91 22 572 685 31318 2,19

    Cebolinha (mil maos) 14 - - 14 1060 1,32

    Coentro (mil maos) 5 - - 5 783 0,64

    Pepino (t) 14 - - 14 1612 0,87

    Quiabo (t) 7 - - 7 289 2,42

    Maxixe (t) 73 - - 73 1133 6,44

    Batata doce (t) 18 0 - 18 1095 1,64

    Fonte: Pesquisa Agrcola Municipal, IBGE 2009 e (*) Dados do Censo Agropecurio 2006.

    No que se refere a rendimentos da produo, verificou-se, segundo dados

    do IBGE, que a cultura da cana-de-acar desenvolvida em Carauari e Itamarati,

    que juntos obtiveram uma produo de 7.030 toneladas em 2009, proporcionaram

    uma renda ao Territrio de R$ 1.125.000,00 (Quadro 16). Outra cultura que tambm

  • 50

    se destaca na gerao de renda da lavoura temporria do Territrio a melancia.

    Em 2009, a produo de 685 toneladas proporcionou uma renda de R$ 556.000,00.

    O municpio de Juru foi o maior responsvel por esse montante de produo e

    renda com a melancia.

    De acordo com informaes obtidas nas oficinas realizadas no Territrio e

    anexadas neste trabalho, a produo de farinha de mandioca est entre as

    principais atividades desenvolvidas na regio, contando com grandes

    potencialidades, tendo em vista que a farinha constitui-se base alimentar de 90%

    das famlias locais, possui demanda de mercado local e regional e boa

    produtividade. Entretanto, conta com os seguintes gargalos que dificultam a prtica

    desta atividade:

    Infra-estrutura deficiente para a produo de farinha (as casas de farinha

    existentes so inapropriadas para o beneficiamento da mandioca);

    Ausncia de um padro de qualidade para os produtos;

    Baixo padro de higiene;

    Mo-de-obra pouco capacitada;

    Dificuldades no escoamento da produo;

    Assistncia tcnica insuficiente; e

    Pouca organizao dos produtores.

    No que se refere a fruticultura, as culturas de banana, laranja, mamo,

    cupuau, coco, abacaxi e pupunha, que possuem demanda no mercado local do

    Territrio, precisam ser fortalecidas, a fim de que o mesmo possa se auto-abastecer,

    uma vez que a maioria destas frutas comercializadas no mercado municipal dos

    municpios que compem o territrio proveniente de municpios vizinhos.

    A agricultura no Territrio uma atividade tradicional e familiar, de pouca

    relevncia quando comparada a produo do Estado, conforme demonstrado no

    Quadro 16, entretanto, a que gera mais receitas nos estabelecimentos rurais do

    Territrio.

    H de se ressaltar que na regio do Juru o agricultor est sujeito s

    particularidades e limitaes locais como: solos quimicamente pobres, longas

    distncias dos centros consumidores, difcil acesso, alm da dificuldade de acesso a

  • 51

    recursos financeiros e desenvolvimento tcnico, que so obstculos a serem

    vencidos para o bom desempenho da agricultura. Aliado ao fato de que a maioria

    dos agricultores possui baixo nvel escolar e pouca organizao social o que dificulta

    a aplicao de tcnicas inovadoras, em relao aos fatores que esto diretamente

    ligados aos aspectos produtivos.

    Diante destes fatores torna-se necessria a adoo de medidas que

    assegurem a organizao social, o escoamento e a comercializao da produo

    agrcola, assim como o financiamento, a busca de melhorias no sistema de

    armazenagem e escoamento da produo rural, assim como executar obras de

    infra-estrutura e de atividades de assistncia tcnica e financiamento s

    comunidades rurais.

    2.6.4. Produo Pecuria

    Na produo pecuria, o Territrio Mdio Juru se destaca pela criao de

    bovinos e aves para abate. Na criao de galos, frangos, pintos e galinhas possui

    13.918 cabeas, o que representa 1,06% do rebanho do Estado do Amazonas,

    entretanto, a maior representatividade atribuda ao rebanho de codornas (11,43%).

    Em relao ao rebanho de bovinos o Territrio possui 10.889 cabeas que

    representa 0,83% do rebanho existente no Amazonas (Quadro 17).

    Quadro 17 - Rebanho Animal existente no Territrio Mdio Juru.

    Tipo de Rebanho Carauari Itamarati Juru Territrio Amazonas %

    Bovinos (cabeas) 7.202 1.846 1.841 10.889 1.312.352 0,83

    Equinos (cabeas) 14 15 3 32 12.339 0,26

    Sunos (cabeas) 2.050 820 800 3.670 143.664 2,55

    Caprinos (cabeas) 34 35 69 16.070 0,43

    Ovinos (cabeas) 312 71 383 41.802 0,92

    Galos, frangos, frangas e pintos (cabeas) 8.958 960 9.918 1.107.736 0,90

    Galinhas (cabeas) 4.000 4.000 2.574.982 0,16

    Vacas ordenhadas (cabeas) 20 20 85.393 0,02

    Codornas (cabeas) 2.000 2.000 17.495 11,43

    Fonte: IBGE Pesquisa Pecuria Municipal 2008

  • 52

    O municpio de Carauari se destaca na criao de rebanho animal, entre

    galos, frangos, frangas, pintos e galinhas, o municpio possui 13.958 cabeas. Em

    rebanho bovino totaliza 7.202 cabeas, enquanto Itamarati e Juru possuem,

    respectivamente, 1.846 e 1.841 cabeas de rebanho bovino. Segundo dados do

    IDAM (2007), aproximadamente 50% a 60% da carne bovina consumida no

    municpio de Itamarati oriunda do estado do Acre, mais especificamente dos

    municpios de Feij e Tarauac, em funo disso h necessidade de se elaborar

    uma estratgia de melhoramento e aumento do rebanho municipal, a fim de

    abastecer o mercado interno.

    O rebanho bovino do municpio de Juru, relativamente baixo quando

    comparado ao de Carauari, deve-se em parte ao fato de que a sede deste municpio

    encontra-se na rea de entorno da Reserva Extrativista do Baixo Juru, onde h

    restries quanto criao de animais de grande porte (bovinos). Os criadores

    localizados na sede municipal e nas comunidades ribeirinhas de dentro da Reserva

    so proibidos por lei de criarem animais de grande porte. Aliado a isso, o municpio

    ainda no regularizou sua situao fundiria, gerando assim, problemas de acesso

    ao crdito de investimento na pecuria local.

    A criao de sunos tambm se destaca no Territrio, conforme se observa no

    Quadro 17, em 2008 a criao correspondia a 3.670 cabeas, o que representa

    2,55% do rebanho amazonense. Deste total, Carauari possui 2.050 cabeas, ou

    seja, 56% do rebanho suno do territrio. O rebanho de ovinos no tem muita

    relevncia para o Territrio, possui apenas 383 cabeas, dos quais mais de 80%

    esto localizados no municpio de Carauari e o restante em Itamarati. Juru no

    havia rebanho de ovinos em 2008, segundo a estimativa do IBGE.

    Quanto aos produtos de origem animal, verificou-se que a produo de ovos

    de galinha tem maior destaca no Territrio, com produo de 40 mil dzias,

    entretanto, essa produo no chega a representa nem 1% da produo de ovos do

    Estado. A quantidade de vacas ordenhadas no Mdio Juru insignificante, pois

    possui um rebanho de apenas 20 cabeas e concentradas no municpio de Carauari,

    o que levou a produo de apenas 8.000 litros de leite anual (Quadro 18).

  • 53

    Quadro 18 Produtos de origem animal produzidos no Territrio Mdio Juru.

    Tipo de produto Carauari Itamarati Juru Territrio Amazonas %

    Leite (Mil litros) 8 - - 8 39.385 0,02

    Ovos de galinha (Mil dzias) 40 - - 40 53.560 0,07

    Ovos de codorna (Mil dzias) - 5 - 5 331 1,51

    Fonte: IBGE Pesquisa Pecuria Municipal 2008.

    2.6.5. Extrativismo

    O extrativismo um sistema de produo caracterstico das populaes

    tradicionais da Amaznia, estando presente na economia do Estado, em maior ou

    menor intensidade ao longo do tempo, seja pela extrao de ltex, coleta de

    Castanha-do-Brasil e/ou extrao de madeira. Por outro lado, esta economia tem

    caractersticas bastante frgeis em decorrncia da desestruturao do sistema

    tradicional de produo de borracha, ainda um importante produto do extrativismo,

    da falta de polticas de apoio produo, de preos e mercados que estimulem o

    beneficiamento artesanal ou industrial dos produtos na regio, bem como do limitado

    conhecimento cientfico direcionado identificao do potencial de aproveitamento

    dos recursos naturais da regio em bases sustentveis.

    No Territrio Mdio Juru o extrativismo de produtos florestais madeireiros e

    no madeireiros amplamente praticado e constitui-se em importante fonte de renda

    para muitas famlias. Alm da borracha e da madeira, no Territrio so extrados da

    floresta diversos frutos, principalmente aa, buriti, piaava, murumuru, alm de

    sementes para artesanato, com destaque novamente para o aa e para os frutos

    das palmeiras Tucum, Jarina e Inaj, bem como sementes para a extrao de

    leos vegetais com destaque para a andiroba e o murumuru, destinados a

    fabricao de perfumes, sabonetes e cosmticos de base vegetal. A produo de

    alguns destes produtos encontra-se descrita no Quadro 19.

  • 54

    Quadro 19- Produtos da extrao vegetal no Territrio Mdio Juru.

    Produtos da extrao vegetal

    Carauari Itamarati Juru

    Quantidade (t) Valor da produ

    o (Mil Reais)

    Quantidade (t) Valor da produo

    (Mil Reais)

    Quantidade (t) Valor da produ

    o (Mil Reais)

    Colhida

    Vendida

    Colhida

    Vendida

    Colhida

    Vendida

    Aa (fruto) 555 134 426 29 14 47 58 57 36

    Andiroba (semente) 21 20 23 3 2 18 - - -

    Borracha (ltex coagulado) - - - 6 6 12 - - -

    Buriti (coco) 5 1 4 2 1 3 11 10 9

    Buriti (palha) - - - 7 3 12 - - -

    Copaba (leo) - - - 1 1 7 - - -

    Cupuau 1 0 1 - - - - - -

    Murumuru (semente) 46 46 31 0 0 1 - - -

    Pupunha (coco) 1 1 3 - - - 2 2 1

    Tucum 10 7 4 - - - - - -

    Fonte: Censo Agropecurio IBGE, 2006.

    Segundo dados da Produo da Extrao Vegetal e da Silvicultura do IBGE,

    em 2009 a produo de borracha (ltex coagulado) no Territrio foi de 8 toneladas,

    superior a produo registrada em 2006 pelo Censo Agropecurio (6 toneladas),

    entretanto, quando comparado produo estadual, a borracha produzida pelo

    Territrio pouco representativa (apenas 3,17%) e se mantm estabilizada desde o

    ano de 2002 (Figura 13).

    Figura 13 - Evoluo da produo de Borracha no Territrio

    Fonte: IBGE, 2009

  • 55

    Nas oficinas realizadas no Territrio, os dados sobre produo de borracha

    do IBGE foram contestados por representantes da Associao dos Produtores

    Rurais de Carauari (ASPROC), segundo os quais, em 2008 foram produzidas 16

    toneladas deste produto no municpio que foram vendidas para uma empresa

    acreana e em 2009 foram produzidas 14 tonelada, sendo a estimativa para 2010 de

    40 toneladas.

    Ao se comparar a quantidade de produtos do extrativismo colhidos no

    Territrio com a produo do Estado (Quadro 20), verifica-se que o murumuru

    colhido e comercializado pelo Territrio, em especial, pelo municpio de Carauari,

    representa 97,87% do total de sementes desta espcie extradas no estado do

    Amazonas. Da mesma forma, a andiroba tambm se destaca no Territrio,

    representando 20,34% do extrativismo do Estado.

    Quadro 20 - Proporo da quantidade de produtos do extrativismo vegetal colhidos no Territrio Mdio Juru.

    Produtos da extrao vegetal Quantidade colhida (t)

    Territrio Amazonas %

    Aa (fruto) 642 18244 3,52

    Andiroba (semente) 24 118 20,34

    Borracha (l tex coagulado) 6 189 3,17

    Buriti (coco) 18 505 3,56

    Buriti (palha) 7 122 5,74

    Copaba (leo) 1 60 1,67

    Cupuau 1 779 0,13

    Murumuru (semente) 46 47 97,87

    Pupunha (coco) 3 351 0,85

    Tucum 10 3228 0,31

    Fonte: Governo do Amazonas - SEPLAM

    Nas oficinas territoriais verificou-se que a atividade de extrao de leos

    vegetais tambm est entre as principais atividades desenvolvidas no Territrio

    Mdio Juru. Esta regio possui um potencial elevado para o extrativismo de

    produtos no-madeireiros, especialmente para a extrao de leos de andiroba,

    copaba e murumuru, que so abundantes na regio. O territrio, conta inclusive,

    com uma usina de beneficiamento e extrao de leos vegetais no municpio de

    Carauari, na RESEX do Mdio Juru, onde a Cooperativa do Desenvolvimento

  • 56

    Agroextrativista do Mdio Juru - CODAEMJ, sediada na Comunidade do Roque,

    organiza, gerencia e comercializa produtos da fbrica de extrao de leos de

    sementes oleaginosas (andiroba e murumuru).

    Figura 14 Sementes de murumuru e andiroba, de onde se extrai o leo vegetal.

    Fonte: www.naturaekos.com.br/biodiversidade/murumuru

    Desde 1999 a cooperativa mantm parceria com empresa Natura Ekos,

    especializada na fabricao de cosmticos sem conservantes, a partir de matrias

    primas obtidas do extrativismo de frutos da floresta. A cooperativa fornece insumos

    da biodiversidade empresa desde 2003 e esta investe em estudos na regio,

    capacitao e assessorias, proporcionando melhoria da produo e agregao de

    valor aos insumos da floresta.

    A atividade de extrao de leos vegetais, embora seja promissora, conta

    com as seguintes fragilidades que dificultam a sua prtica no territrio:

    Mo-de-obra pouco qualificada para o beneficiamento da produo;

    Infra-estrutura deficiente;

    Falta de tecnologia para aproveitamento dos resduos gerados;

    Dificultados no transporte, acesso e escoamento da produo; e

    Pouca divulgao dos produtos.

    O Aa foi apontado pelos participantes no encontro sobre diagnstico

    territorial como a 3 potencialidade desenvolvida em Carauari e a 5 em Itamarati e

    Juru. Segundo relatos dos participantes o produto de excelente qualidade.

  • 57

    A atividade madeireira uma das mais importantes e tradicionais na

    Amaznia. No Territrio esta atividade tambm bastante explorada, em virtude do

    potencial madeireiro existente e da grande demanda de mercado. O territrio conta,

    inclusive com plo moveleiro no municpio de Carauari, que fabrica carteiras

    escolares, projetos e moblias para o governo do Estado. Nos trs municpios, parte

    dos produtores que trabalham com madeira j se encontra organizados em

    associaes.

    Cararuari e Juru possuem tambm Planos de Manejo Florestal Sustentvel

    na modalidade de Pequena Escala PMFSPE (para reas de at 500 ha e

    intensidade de explorao de at 1,0 m3/ha/ano), voltados aos pequenos produtores,

    possibilitando a estes o acesso a explorao de madeira legal. Entretanto, existe

    ainda deficincia na execuo dos planos de manejo, em razo do pouco

    conhecimento tcnico, a assistncia tcnica8 deficiente, o licenciamento ambiental

    demorado, devido a existncia de pendncias documentais (principalmente

    documentos fundirios) nos planos de manejo apresentados, alm das dificuldades

    de logstica para a realizao de vistorias tcnicas e fiscalizao pelo rgo

    ambiental, falta de conscientizao ambiental dos madeireiros, entre outros fatores,

    que acabam levando a atividade para a ilegalidade e para a explorao predatria

    dos recursos florestais.

    Segundo dados do IBGE (Produo da Extrao Vegetal e da Silvicultura), a

    produo extrativa de madeira em tora no Territrio totalizou 219.291 m3, em 2009, o

    que corresponde a 21% da produo estadual neste ano, sendo a maior produo

    registrada para o municpio de Itamarati (93.537 m3), seguido de Carauari (90.101

    m3) (Quadro 21).

    8 O IDAM o rgo estadual que presta servios de extenso florestal e assistncia tcnica aos detentores de PMFSPE, sendo os responsveis pela elaborao dos planos de manejo.

  • 58

    Quadro 21 - Produo extrativa de madeira no Territrio Mdio Juru.

    Municpio Produo extrativa de madeira (metros cbicos)

    2008 2009

    Carauari 89.209 90.101

    Itamarati 92.611 93.537

    Juru 35.300 35.653

    Territrio 217.120 219.291

    Estado 1.102.976 1.055.928

    % 19,68 20,77

    Fonte: Produo da Extrao Vegetal e da Silvicultura do IBGE, 2008/2009

    A produo madeireira representou cerca de 99,7% da atividade extrativa do

    Mdio Juru em 2008. Desta, 94,8% foi comercializada em toras e 4,9% em lenhas.

    Apenas 0,29% da extrao vegetal e Silvicultura do Territrio foi de borracha, como

    se observa na Figura 15.

    Figura 15: Percentual da Atividade Extrativa no Mdio Juru em 2008

    Fonte: IBGE Produo da Extrao Vegetal e da Silvicultura 2008

    Ao analisar os dados da produo extrativa de madeira do IBGE com os

    dados do Instituto de Proteo Ambiental do Estado do Amazonas - IPAAM referente

    ao volume de madeira autorizado em Planos de Manejo Florestal Sustentvel

    PMFS nos anos de 2008 e 2009, verificou-se que em 2008 foram autorizados

    508.865,09 m3 no Estado do Amazonas em 2009, 358.709,51 m3, (Quadro 22),

    valores abaixo daqueles registrados pelo IBGE (Figura 16). Para o Territrio Mdio

  • 59

    Juru foram autorizados pelo IPAAM em 2008 apenas 3.748,01 m3 de madeiras

    legalizadas e em 2009 no houve autorizaes de explorao florestal para os

    municpios de Carauari, Itamarati e Juru, mesmo assim h registros de produo

    extrativa na ordem de 217.120 m3 e 219.291 m3, para os anos de 2008 e 2009,

    respectivamente.

    Quadro 22 - Volume de madeira autorizado em PMFS no Territrio Mdio Juru e no Estado do Amazonas.

    Municpio

    Volume Autorizado (m 3) % Territrio x Estado

    2008 2009 2008

    Carauari 1.473,08 0 0,29

    Itamarati 1.575,22 0 0,31

    Juru 699,71 0 0,14

    Territrio 3.748,01 0 0,74

    Amazonas 508.865,09 358.709,51

    Fonte: IPAAM, 2009. Disponvel em http://www.ipaa.am.gov.br

    Figura 16 - Comparao entre o volume de madeira autorizado em PMFS e a produo extrativa, segundo Produo da Extrao Vegetal e da Silvicultura do IBGE para o Estado do Amazonas.

    Fonte: IPAAM e IBGE.

  • 60

    Estes dados9 podem ser indicativos da forma predatria como vem ocorrendo

    a atividade madeireira na regio, quase sempre realizada de forma clandestina e

    ilegal, muito embora, o governo do Estado do Amazonas, por intermdio do

    Programa Zona Franca Verde, tenha apoiado a produo florestal de produtos

    madeireiros e no madeireiros, por meio do acesso ao crdito, difuso dos conceitos

    de manejo sustentvel, reforo das cadeias produtivas, assistncia tcnica com

    tecnologias de produo, gesto e infra-estrutura de apoio e tenha criado a

    modalidade de Planos de Manejo Florestal Sustentvel em Pequena Escala.

    Diante desse quadro verifica-se a necessidade urgente de se promover o uso

    sustentvel dos recursos madeireiros do Territrio e acesso a madeiras legalizadas

    para o abastecimento das serrarias e movelarias existentes nos municpios, a fim de

    coibir a explorao ilegal das florestas da regio.

    Por fim, as atividades inerentes ao extrativismo vegetal devero ser balizadas

    por medidas que promovam o seu desenvolvimento sustentvel. Para tanto se

    tornam necessrias algumas medidas como: o estabelecimento de mecanismos de

    fomento e financiamento para o setor de explorao madeireira, particularmente a

    produo certificada; presena da fiscalizao para coibir a prtica da extrao ilegal

    da madeira; estabelecimento de mecanismos de fomento e financiamento para a

    atividade de explorao de leos essenciais, assim como a elaborao do

    mapeamento dos tipos e locais mais propcios para o seu desenvolvimento

    (zoneamento econmico-ecolgico).

    2.6.6. Produo Pesqueira

    A pesca no Amazonas uma atividade bsica na regio e uma das principais

    formas de aproveitamento dos rios amaznicos e garantia de sobrevivncia de boa

    parte da populao do Estado, que pode ser comprovada pelo consumo per capita

    da populao local, que tem no pescado a principal fonte de protena, cerca de 70%

    da protena animal ingerida diariamente (150 gramas/dia em Manaus,

    aproximadamente, em torno do triplo no interior do Estado) (CEPAL, 2007).

    9 No foram contabilizados nos dados do IPAAM, o volume de madeira em tora proveniente de Autorizaes de desmatamento.

  • 61

    No Territrio, apesar de grande parte dos ribeirinhos pescarem basicamente

    para consumo prprio, de forma artesanal, o aproveitamento econmico dos

    estoques pesqueiros enquanto atividade geradora de renda tambm assume grande

    importncia.

    De acordo com informaes obtidas nas oficinas realizadas no Territrio,

    verificou-se que a regio possui um elevado potencial para a atividade pesqueira,

    em razo da abundncia de rios e lagos e diversidade de pescados, alm da

    existncia de um mercado consumidor local e regional promissor e existncia de

    colnias de pescadores nos municpios que o compe.

    Segundo dados do IDAM (Planos Operativos), o setor pesqueiro do Territrio

    contava em 2007 com 1.330 pescadores pertencentes s colnias de pescadores,

    associaes e cooperativas e contava com uma produo pesqueira de 2.725

    toneladas de pescado por ano (Quadro 23).

    Quadro 23 - Estimativas da pesca artesanal no Territrio Mdio Juru.

    Municpios N de Pescadores

    N de embarcaes Produo

    (t/ano) Canoas (Quant.)

    Barcos de at 10 t (Quant.)

    Barcos acima de 10 t (Quant.)

    Carauari 530 450 50 30 2.000

    Itamarati 300 150 700

    Juru 500 800 9 25

    Territrio 1.330 1.400 59 30 2.725

    Fonte: IDAM, 2007.

    Assim como ocorre em outros rios amaznicos, no Juru e nos municpios

    que compem o Territrio tambm ocorre a pesca desordenada e predatria para

    fins comerciais, com a invaso de barcos pesqueiros oriundos principalmente do

    Acre e do Par e outros municpios como Tef, Manacapuru, Itacoatiara e Manaus,

    alm deste fator, verifica-se a falta de controle efetivo da comercializao de peixes

    em feiras e mercados, alm de uma fiscalizao insuficiente, principalmente no

    perodo de defeso. Estes e outros fatores dificultam o controle da pesca e dos seus

    estoques pesqueiros no Territrio.

    Nas reunies territoriais foram identificadas algumas fragilidades desta

    atividade no Territrio Mdio Juru, tais como:

  • 62

    Embarcaes inadequadas e insuficientes para os pescadores;

    Falta de equipamentos de pesca aos pescadores;

    Infra-estrutura precria para o armazenamento do pescado (falta cmara

    frigorfica e as fbricas de gelo no suportam a demanda);

    Dificuldades no escoamento da produo; e

    Falta de mobilizao das organizaes sociais para a implementao de

    acordos de pesca na regio e manejo de lagos e espcies.

    No que se refere aqicultura, esta atividade ainda no uma prtica comum

    entre os agricultores familiares do Territrio Mdio Juru, sendo que a grande

    maioria dos audes existentes encontra-se localizado nas propriedades dos

    pecuaristas, que a realizam na maioria das vezes como uma atividade secundria.

    A piscicultura no Territrio desenvolvida sem muita tecnologia e as espcies

    criadas so geralmente capturadas nos rios e lagos da regio. As principais

    espcies criadas so: Tambaqui, Matrinch, Curimat, Piau e Surubim.

    Vale ressaltar que a piscicultura uma atividade produtiva, que permite o

    equilbrio entre o interesse econmico e a explorao racional da natureza, visto que

    apresenta elevada produtividade por hectare (entre 2.500 a 6.000 Kg/ha/ano),

    utilizando menos superfcie, em comparao com outras atividades, como a

    pecuria que varia de 70 a 300 Kg/ha/ano. Nesse sentido, e considerando que esta

    atividade possui um potencial natural para ser trabalhada na regio, verifica-se a

    necessidade de adoo de medidas que promovam o acesso dos pequenos

    produtores, bem como o desenvolvimento sustentvel desta atividade, como:

    Fomento, assistncia tcnica, crdito, inovaes tecnolgicas para os diferentes

    sistemas de produo, desenvolvimento da gesto dos negcios da aqicultura e o

    fortalecimento organizacional do setor mediante aes de cooperativismo e

    associativismo.

    2.6.7. Potencialidades da Agricultura Familiar no Territrio

    A anlise das potencialidades territoriais deve seguir a metodologia de

    enfoque sistmico para visualizar o Territrio como um todo nos aspectos de

  • 63

    produo, de transformao e de comercializao. O perfil territorial traado pelo

    colegiado em reunies territoriais mostram uma mudana de concepo de modelos

    de sistemas produtivos locais.

    As principais potencialidades foram identificadas pelo pblico-alvo do MDA no

    Territrio, quando da realizao das oficinas para elaborao do PTDRS (Quadro

    24).

    Quadro 24 Potencialidades da agricultura familiar no Territrio.

    Municpio Agrcola No-agrcola

    Carauari Mandioca (farinha) Extrao de leos vegetais, aa, madeira e pesca

    Itamarati Mandioca (farinha), cupuau Extrao de leos vegetais, aa, madeira e pesca

    Juru Farinha, cupuau, abacaxi, banana Extrao de leos vegetais, aa, madeira e pesca, pecuria de leite

    Fonte: Oficinas Territoriais.

    O quadro acima mostra uma forte tendncia dos municpios que compem o

    Territrio em aderirem atividades sustentveis e voltadas para o agroextrativismo,

    sem no entanto, abandonar a produo agrcola, que por sua vez, possui grandes

    chances (e demanda) de passar por uma transio para sistemas agroflorestais ou

    plantios agroecolgicos.

  • 64

    2.7. SERVIOS DE APOIO PRODUO

    2.7.1. Infra-estrutura de Apoio Produo

    As condies para produo rural no Territrio apresentam muitos gargalos,

    como observamos no diagnstico aqui apresentado. Pelos dados sobre infra-

    estrutura de apoio produo, catalogados pela Unidade local do IDAM, se percebe

    as dificuldades que os produtores encontram para desenvolver a atividade produtiva,

    nos diversos aspectos desse processo, conforme se observa no Quadro 25.

    Quadro 25 - Infra-estrutura de apoio Produo no Mdio Juru

    INFRA-ESTRUTURA DE APOIO CARAUARI ITAMARATI JURU

    Existente Necessrio Existente Necessrio Existente Necessrio

    AGROINDSTRIA Abatedouro 1 1

    Agroindstria de laticnio Beneficiamento de frutas 1 Beneficiadora de arroz 1 1 1 1 1 Casa de farinha mecanizada 1 1 Casa de farinha tradicional 50 5 10 Debulhador de milho 1 1 3 1 1 Engenho de cana-de-acar 1 1 1 Fbrica de rao Secador para cereais 1 1 1 1 1 Torrefao de caf 1

    ARMAZENAMENTO Armazm 1 1 Balana empacotadora 1 1 1 Cmara frigorfica 2 1 1 2 1

    TRANSPORTE DA PRODUO Caminho c/ carroceria de madeira 1 1 1 2 Caminho frigorfico 1 1 Carroa de trao animal 40 5 20 Carroa de trao motorizada 2 4

    MECANIZAO AGRCOLA Colheitadeira de arroz Distribuidor de calcrio 1 Microtrator 6 5 1 4

    Trator agrcola de 4 rodas 2 1 2 1

    Trator de esteira 2 1 Trilhadeira de cereais 1 3

    OUTROS Casa de vegetao 20 10

    Estradas vicinais ( Km) 60 1 3 27 30 Fbrica de gelo 2 1 1 1 1 Feira coberta 1 1 1 2 1 Reforma

    Fonte: Unidade Local do IDAM - Plano Operacional

  • 65

    Comparando as necessidades para o desenvolvimento da agroindstria e as

    condies reais dos municpios no que se refere infra-estrutura d para se ter uma

    idia dos problemas enfrentados pelos produtores rurais em fazer o beneficiamento

    dos seus produtos. De acordo com o Quadro 25, verifica-se que em Carauari, existe

    uma beneficiadora de arroz, um debulhador de milho e um secador para cereais,

    mas as necessidades so muitos maiores, s para ilustrar, este municpio necessita

    de 50 casas de farinha, no entanto, no existe nenhuma. A situao de Itamarati

    ainda mais catica, pois no existe nenhum equipamento de apoio a agroindstria.

    Em Juru o quadro um pouco melhor, tem uma beneficiadora de arroz, dez casas

    de farinhas tradicionais, um debulhador de milho e um secador para cereais, mas,

    ainda assim, est muito longe do Ideal.

    Quanto ao armazenamento da produo, Carauari dispe de duas cmaras

    frigorficas, da mesma forma que Juru, sendo que este conta tambm com uma

    balana empacotadora.

    Conforme os dados do IDAM, as condies para dar suporte ao transporte da

    produo so bastante frgeis nos municpios que compem o Territrio. Somente

    Itamarati e Juru dispem de algum tipo de transporte, no caso, caminho com

    carroceria de madeira e carroa de trao motorizada. Para fazer a mecanizao

    agrcola, Carauari no dispe de nada; Itamarati possui um trator agrcola de quatro

    rodas, um trator de esteira e um trilhadeira de cereais e Juru tem somente um

    microtrator.

    Carauari dispe para dar apoio a produo: 20 casas de vegetao, duas

    fbricas de gelo e uma feira coberta. Itamarati dispe de uma feira coberta e uma

    estrada vicinal. Juru tem 27 estradas vicinais, uma fbrica de gelo e uma feira

    coberta.

    2.7.2. Capacitao destinada aos Produtores Rurais

    So diversos tipos de cursos oferecidos aos produtores rurais como forma de

    capacit-los para melhorar a produtividade e a qualidade do produto. Carauari

    ofereceu 11 tipos de cursos, Itamarati e Juru 7, cada um. O Quadro 26, a seguir,

  • 66

    indica os cursos oferecidos por municpio e d uma dimenso da importncia que

    tem essa atividade para o apoio produo.

    Quadro 26 - Cursos oferecidos aos trabalhadores rurais para apoio Produo

    Item CARAUARI 1 Cursos Quant. Participantes 2 Treinamento de Tcnica e Queda Direcionada 1 20 3 Oficina, Capacitao Manejo de Aaizais 2 45 4 Treinamento de Jovens Extrao Ltex 1 20 5 Boas Prticas de Cultivo Cana de Acar 1 20 6 Curso para criao de peixe 1 25 7 Curso para beneficiamento Cip Titica 1 20 8 Curso de Meliponicultura 1 20 9 Curso Prticas do Cultivo Orgnico 2 40 10 Cultivo de Hortalias 1 20 11 Curso Prtico para Vaqueiro 1 20

    ITAMARATI 1 Indstria Caseira com alimentao alternativa 1 25 2 Melhoramento e Beneficiamento da Qualidade da Farinha 3 75 3 Organizao Comunitria 1 25 4 Piscicultura 1 25 5 Movelaria (adequao de melhoria de lay out) 1 25 6 Artesanato 1 25 7 Curso de Acabamento e design de moveis 1 25

    JURU 1 Gerenciamento de Associao 1 25

    2 ATER para Beneficirios do PRONAF - B 1 20 3 Crdito Rural para Agricultores Familiares 1 20 4 Horticultura 1 25

    5 Processo de extrao de leo de Andiroba 1 20 6 Processo de extrao de leo de copaba 1 20 7 Processo do Manejo da Castanha 1 30

    Fonte: Unidade Local do IDAM Plano Operacional 2.7.3. Servio de Energia

    O Mdio Juru tem uma gerao bruta de energia de 22.151 MWh para

    atender uma demanda de 6.813 consumidores, com um consumo de 18.226 MWh,

    segundo dados obtidos junto a Secretaria de Planejamento do Estado do Amazonas

    (SEPLAM) (Quadro 27). A maior gerao de energia feita em Carauari e tambm

    tem maior nmero de consumidores.

  • 67

    Quadro 27 - Servio de Energia Oferecido no Mdio Juru

    Indicador Carauari Itamarati Juru Territrio

    Gerao Bruta (MWh) 15.285 3.399 3.467 22.151

    Potncia Instalada (KW) 6.150 2.150 2.820 11.120

    Demanda Mxima (KW) 2.790 665 645 4.100

    Horas funcionamento 24 24 24 24

    Consumo (MWh) 12.600 2.273 3.353 18.226

    Consumidores 4.533 1.000 1.280 6.813

    Fonte: SEPLAM - CEAM 2009

    Segundo informaes da Unidade Local do IDAM, de todos os municpios do

    Mdio Juru, a maiorias das comunidades rurais tem como fonte de energia o motor

    gerador, mas j h locais em que o Programa Luz para Todos j se encontra

    presente, o que ajudou a dinamizar a atividade produtiva. H comunidades que a

    nica fonte de energia a lamparina.

    2.7.4. Aspectos Sociais

    Para que o diagnstico do Territrio do Mdio Juru sirva de subsdio e

    contribua com o poder pblico na criao de polticas que possam melhorar as

    condies de vida da populao desta parte do Estado do Amazonas de

    fundamental importncia que se tenha uma percepo da realidade social ali

    existente. Neste tpico fez-se um levantamento da situao de sade,

    abastecimento de gua, saneamento, educao, assistncia social e segurana

    pblica dos municpios integrantes do Territrio, com base, principalmente, nas

    estatsticas do IBGE e outros rgo governamentais.

    2.7.4.1. Educao

    A rede educacional do Territrio Mdio Juru exercida exclusivamente pelo

    poder pblico, administrada tanto pelo municpio quanto pelo estado. Entre o ensino

  • 68

    pr-escolar, fundamental e mdio, o Territrio contabilizava em 2009, 15.851alunos

    efetivamente matriculados, conforme se pode observar no Quadro 28.

    Quadro 28 - Nmero de Matrculas efetivadas no Territrio do Mdio Juru em 2009

    Fonte: MEC/INEP Censo educacional 2009

    O ensino mdio de responsabilidade do estado e contava em 2009 com

    1.626 matrculas efetivadas. J o ensino fundamental no Territrio oferecido tanto

    pelo governo municipal e estadual e tinha em 2009 12.814 matrculas efetivadas.

    Finalmente, o pr-escolar de exclusividade do municpio que tinha registrado

    naquele ano um total de 1.411 matrculas.

    No que se refere ao nmero de professores efetivos, em 2009, segundo o

    IBGE, havia um total de 637 que se dividiam no ensino fundamental, mdio e pr-

    escolar. A maioria dos mestres no Territrio est ligada administrao municipal,

    corresponde a um total de 333 no ensino fundamental e 70 no pr-escolar. No

    ensino mdio so 234 professores estaduais (Quadro 29).

    Municpios e Territrio

    Matrculas no Ensino Fundamental

    Estadual Federal Municipal Privado Total

    Carauari 3.023 0 3.826 0 6.849

    Itamarati 1.155 0 1.760 0 2.915

    Juru 709 0 2.341 0 3.050

    Territrio 4.887 0 7.927 0 12.814

    Matrculas no Ensino Mdio

    Carauari 977 0 0 0 977

    Itamarati 315 0 0 0 315

    Juru 334 0 0 0 334

    Territrio 1626 0 0 0 1626

    Matrculas no Ensino Pr-escolar

    Carauari 0 0 713 0 713

    Itamarati 0 0 155 0 155

    Juru 0 0 543 0 543

    Territrio 0 0 1.411 0 1.411

  • 69

    Quadro 29 - Nmero de Docentes efetivos no Territrio do Mdio Juru em 2009

    Fonte: MEC/INEP Censo educacional 2009

    De acordo com a Quadro acima verifica-se a importncia de uma poltica de

    integrao entre o Governo do Estado e as prefeituras do Territrio a fim de atender

    a demanda de ensino dos municpios que o compem. Dos 489 lecionandos no

    ensino fundamental, mais de 30% so custeados pelo Estado, um percentual

    bastante significativo.

    O territrio do Mdio Juru possui 195 escolas distribudas entre ensino

    fundamental, mdio e pr-escolar. So 19 escolas estaduais, sendo 11 de ensino

    fundamental e 8 de ensino mdio e 176 municipais, destas, 126 so de ensino

    fundamental e 50 pr-escolar (Quadro 30). Levando-se em conta que a populao

    do municpio de Carauari numericamente superior a dos outros municpios, o

    nmero total de escolas construdas nos municpios do Territrio tem certo equilbrio.

    Carauari possui 54 escolas, Itamarati 45 e Juru 38. O nmero de escolas estaduais

    praticamente o mesmo nos trs municpios.

    Municpios e Territrio

    Docentes no Ensino Fundamental

    Estadual Federal Municipal Privado Total

    Carauari 92 0 146 0 238

    Itamarati 40 0 87 0 127

    Juru 24 0 100 0 124

    Territrio 156 0 333 0 489

    Docentes no Ensino Mdio

    Carauari 38 0 0 0 38

    Itamarati 14 0 0 0 14

    Juru 26 0 0 0 26

    Territrio 78 0 0 0 78

    Docentes no Ensino Pr -escolar

    Carauari 0 0 37 0 37

    Itamarati 0 0 6 0 6

    Juru 0 0 27 0 27

    Territrio 0 0 70 0 70

  • 70

    Quadro 30 - Nmero de Escolas existentes no Territrio do Mdio Juru em 2009

    Fonte: MEC/INEP Censo educacional 2009

    No que diz respeito ao nmero de escolas do pr-escolar pode se observar

    na Quadro acima uma grande distoro se comparado com o nmero da populao

    de cada municpio. Carauari tem apenas 15 escolas para esse tipo de ensino,

    enquanto Juru com uma populao muito menor que Carauari possui 33. A cidade

    de Itamarati conta com duas escolas de ensino pr-escolar, um nmero bastante

    insignificante.

    A qualidade do ensino no Territrio Mdio Juru foi analisada com base no

    ndice de Desenvolvimento da Educao Bsica (IDEB), que mede o fluxo escolar e

    a mdia de desempenho nas avaliaes. A meta do IDEB desejada estabelecida

    pelo MEC seis que o padro das escolas com melhor desempenho dos pases

    da Organizao para a Cooperao e o Desenvolvimento Econmico (OCDE).

    Em 2005 no havia projeo e o ndice mdio observado nas escolas

    pblicas do Territrio foi de 2, longe do padro desejado. Em 2007 alcanou-se um

    ndice mdio de 3 e em 2009 foi de 3,9, como se observa no Quadro 31. Um ponto

    positivo que o ndice tem se elevado a cada dois anos, perodo em que

    mensurado, conforme metodologia traada. Outro fator importante sobre essa

    Municpios e Territrio

    Escolas no Ensino Fundamental

    Estadual Federal Municipal Privado Total

    Carauari 7 0 47 0 54 Itamarati 2 0 43 0 45

    Juru 2 0 36 0 38 Territrio 11 0 126 0 137

    Escolas no Ensino Mdio

    Carauari 3 0 0 0 3 Itamarati 2 0 0 0 2

    Juru 3 0 0 0 3 Territrio 8 0 0 0 8

    Escolas no Ensino Pr-escolar

    Carauari 0 0 15 0 15 Itamarati 0 0 2 0 2

    Juru 0 0 33 0 33 Territrio 0 0 50 0 50

  • 71

    mensurao que os ndices observados foram sempre superiores aos projetados

    em 2007 e 2009, bem como verificou-se que o municpio de Itamarati, em 2009,

    alcanou um IDEB de 5,2, bem prximo do padro almejado, segundo o INEP.

    Quadro 31 - ndice de Desenvolvimento da Educao Bsica (IDEB) do Mdio Juru 2005-2009.

    Municpios e Territrio

    2005 2007 2009

    Projetado Observado Projetado Observado Projetado Observado

    Carauari 2,7 2,8 3,3 3,1 3,6

    Itamarati 1,6 1,8 2,8 2,5 5,2

    Juru 1,7 2 2,9 2,8 2,9

    Territrio 2 3 3,9

    Fonte: MEC/INEP

    De acordo com o Censo demogrfico do IBGE (2000), a taxa de

    analfabetismo10 no Territrio foi bastante elevada, variando de 30,03%, mnima, a

    56,51%, mxima e sendo, em todas as faixas etrias, mais elevadas que a taxa de

    analfabetismo do Estado. A taxa mais elevada se situa entre a populao que tem

    25 anos ou mais e a menor entre 15 a 17 anos. O municpio de Itamarati apresenta a

    pior situao, no que diz o analfabetismo, em todas as faixas etrias a taxa maior

    que Carauari e Juru (Quadro 32).

    Quadro 32 - Taxa de analfabetismo no Territrio do Mdio no ano de 2000

    Municpio % 7 a 14

    anos analfabetas

    % 10 a 14 anos

    analfabetas

    % 15 a 17 anos

    analfabetas

    % 18 a 24 anos

    analfabetas

    % 15 anos ou mais

    analfabetas

    % 25 anos ou mais

    analfabetas

    Carauari 35,32 24,05 20,45 27,65 42,84 53,83

    Itamarati 59,25 49,61 44,49 48,37 59,95 70,01

    Juru 42,9 32,16 25,14 23,54 40,16 45,68

    Territrio 45,82 35,27 30,03 33,19 47,65 56,51

    Amazonas 33,62 20,22 14,16 17,77 28,93 36,46

    Fonte: IBGE Censo 2000

    10 Para o IBGE considerado analfabeto a pessoa que no sabe ler e escrever um bilhete simples no idioma que conhece.

  • 72

    A educao superior no Territrio Mdio Juru possui seis cursos de

    formao universitria, todos oferecidos pela

    Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

    que funciona no Ncleo de Ensino Superior

    de Carauari, oferecendo os seguintes

    cursos: Normal Superior, Letras (lnguas

    portuguesa), Licenciatura em Matemtica,

    Licenciatura em Educao Fsica,

    Tecnologia em Anlise e Desenvolvimento

    de sistemas e Tecnologia em Gesto Ambiental, oferecendo 535 vagas. H alunos

    de Itamarati e Juru fazendo faculdade neste Ncleo da UEA.

    2.7.4.2. Sade

    De acordo com dados do IBGE (Assistncia Mdica Sanitria, 2005), no

    Territrio Mdio Juru existia 14 unidades de sade (Quadro 33), das quais 13 eram

    unidades pblicas e apenas uma privada. Das unidades pblicas, duas so federais,

    quatro estaduais e sete municipais. No municpio de Carauari onde se encontra a

    maioria das unidades de sade, oito no total, duas das quais so de mbito federal.

    Itamarati e Juru possuem 3 unidades cada, sendo nenhuma federal. Cabe destacar

    que em Itamarati no h unidades dirigidas pelo poder local, pois as trs existentes

    duas so estaduais e uma privada. J o municpio de Juru tem uma unidade

    estadual e duas municipais.

    Quadro 33 - Estabelecimentos de Sade no Territrio Mdio Juru

    Municpios e Territrio

    Pblico Privado Federal Estadual Municipal total

    Carauari 8 0 2 1 5 8

    Itamarati 2 1 0 2 0 3

    Juru 3 0 1 2 3

    Mdio Juru 13 1 2 4 7 14

    Fonte: IBGE Assistncia Mdica Sanitria, 2005.

    Do ponto de vista do atendimento das unidades de sade do Territrio Mdio

    Juru, apenas trs oferecem condies para que os pacientes possam ter uma

    Fonte: www1.uea.edu.br

  • 73

    internao total, caso haja necessidade. Enquanto as onze unidades restantes no

    oferecem servio de internao total, como se observa no Quadro 34. Por municpio,

    cada um dos que compes o Territrio possuem uma unidade com servio de

    internao total do paciente, enquanto que em Carauari sete unidades no h

    internao total, em Itamarati e Juru essa situao ocorre em duas unidades para

    cada um. Todas essas unidades com internao e sem internao so ligadas a

    rede pblica e conveniadas com o Sistema nico de Sade (SUS).

    Quadro 34 - Estabelecimento de Sade com internao

    Municpio e Territrio Com internao Total Sem Internao Total Tipo

    Carauari 1 7 Pblico (SUS)

    Itamarati 1 2 Pblico (SUS)

    Juru 1 2 Pblico (SUS)

    Mdio Juru 3 11

    Fonte: IBGE Assistncia Mdica Sanitria, 2005.

    Analisando a quantidade de leitos para atendimento dos pacientes residentes

    no Territrio do Mdio Juru verifica-se no Quadro 35 que h um total de sessenta e

    quatro e que todos esto disponveis em unidades pblicas da rede estadual de

    sade. H maioria dos leitos esto disponveis nos municpios de Carauari e Juru

    com quantidades de 40 e 20, respectivamente. O municpio de Itamarati possui

    apenas quatro leitos.

    Quadro 35 - Nmero de Leitos em Estabelecimento de Sade

    Fonte: IBGE Assistncia Mdica Sanitria, 2005.

    Segundo a Organizao Mundial de Sade (OMS), o padro exigido que

    haja um leito para cada mil habitantes. Por essa recomendao da OMS o Territrio

    do Mdio Juru cumpre com essa exigncia, pois segundo dados do Quadro 36

    havia em 2002 uma relao de 3,83 leitos por mil habitantes. O ponto negativo que

    Municpios e Territrio N de

    Leitos

    Tipo Federal Estadual Municipal

    Carauari 40 Pblico 0 40 0

    Itamarati 4 Pblico 0 4 0

    Juru 20 Pblico 0 20 0

    Mdio Juru 64 0 64 0

  • 74

    o municpio de Juru no atende o padro recomendado, pois possui zero leito. O

    municpio de Itamarati o melhor posicionado nesse quesito.

    Em relao quantidade de mdicos para cada 1.000 habitantes, o

    Territrio deixa a desejar em relao aos padres exigidos pela OMS, que

    recomenda um mdico para cada mil habitantes. O Territrio tem ndice abaixo do

    recomendado (0,42 mdicos para mil habitantes), sendo o menor ndice verificado

    para o municpio de Carauari.

    Quadro 36 - Nmero de Mdicos e Leitos em Hospitais por 1000 habitantes

    Fonte: DATASUS, 2002.

    A realizao de exames mdicos de alta complexidade no Territrio do Mdio

    Juru ainda precria. Segundo dados do IBGE (Pesquisa Mdica Sanitria, 2005)

    todos os municpios do Territrio possuem apenas aparelhos de Raio X at 100mA,

    que exclusivo para tratamento ortopdico. Caso haja necessidade de outro

    tratamento o paciente ter que se dirigir capital ou um local mais prximo que

    tenha o aparelho necessrio para o exame.

    Quadro 37- Equipamentos para exames existentes no Mdio Juru

    Fonte: IBGE Assistncia Mdica Sanitria, 2005.

    Municpio Mdicos por 1000 habitantes

    Leitos por 1000 habitantes

    Carauari 0,34 4,36

    Itamarati 0,36 5,35

    Juru 0,76 0

    Total Territrio 0,42 3,83

    Equipamentos Carauari Itamarati Juru Mdio Juru

    Mamgrafo 0 0 0 0

    Raio X 0 0 0 0

    Tomgrafo 0 0 0 0

    Ressonncia Magntica 0 0 0 0

    Ultrassom 0 0 0 0

    Eletrocardigrafo 0 0 0 0

    Eletroencefalgrafo 0 0 0 0

    Equipamento de Hemodilise 0 0 0 0

    Raio X at 100mA 1 1 1 3

  • 75

    Sobre as especialidades mdicas, o Territrio Mdio Juru dispe de

    especialistas para diversas reas, no entanto, as de alta complexidade como o

    caso de neurocirurgies e de cirurgias buo-maxilofacial no h atendimento. No

    que diz ao atendimento ambulatorial, os trs municpios oferecem esse tipo servio.

    Os servios de atendimentos oferecidos no Territrio podem ser visualizados com

    mais detalhes no Quadro 38.

    Quadro 38 Nmero de estabelecimento com tipos de Atendimento Sade oferecida no Territrio.

    Fonte: IBGE Assistncia Mdica Sanitria, 2005.

    2.7.4.3. Assistncia Social

    Segundo Glossrio dos Direitos da Criana e do Adolescente (2006), a

    poltica de assistncia social a estratgia de prestao de servios pelo Estado e

    pela sociedade visando o atendimento de direitos reconhecidos nos artigos 203 e

    204 da Constituio Federal e na Lei Orgnica da Assistncia Social.

    O Artigo 203 da Constituio Federal assegura que a a assistncia social

    ser prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuio

    seguridade social... (Senado Federal, 2008:135)

    Tipos de Atendimento Carauari Itamarati Juru Mdio Juru

    Ambulatorial Total 8 3 3 14

    Ambulatorial sem Mdico 3 2 1 6

    Especialidades Bsicas 6 1 2 9

    Odontolgico 1 1 1 3

    Emergncia Total 1 1 1 3

    Emergncia Peditrica 1 1 1 3

    Emergncia Obstetrcia 1 1 1 3

    Emergncia Psiquiatria 0 0 0 0

    Emergncia Clnica 1 1 1 3

    Emergncia Cirrgica 1 1 0 2

    Emergncia Traumato Ortopedia 1 0 0 1

    Emergncia Neurocirurgia 0 0 0 0

    Emergncia Cirurgia Buco Maxilofacial 0 0 0 0

    Outras Emergncias 0 0 0 0

  • 76

    J o artigo 2004, diz que as aes governamentais na rea de assistncia

    social sero realizadas com recursos do oramento da seguridade social, previstos

    no art. 195, alm de outras fontes... (ibid).

    Com base na conceituao em torno da assistncia social procuramos

    analisar a situao do Territrio do Mdio Juru, portanto dos municpios que o

    compe, averiguando, em primeiro lugar, o grau de desenvolvimento humano em

    que se encontra quela regio, analisando o ndice de Desenvolvimento Humano

    Municipal (IDHM) para em seguida, apresentar as polticas pblicas de assistncia

    social prestadas nos municpios do Mdio Juru.

    2.7.4.3.1. ndice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)

    O ndice de Desenvolvimento Humano Municipal analisa trs variveis:

    educao (alfabetizao e freqncia escolar), longevidade (esperana de vida ao

    nascer) e renda (PIB per capita). O ndice varia de 0 (zero) a 1 (um), quanto mais

    prximo de 1 melhor ser o desenvolvimento. O ndice mdio do Territrio do Mdio

    Juru em 2000 foi de 0,54 que para os padres da Organizao das Naes Unidas

    (ONU) possui um mdio desenvolvimento.

    Analisando por municpio verifica-se no Quadro 39 que o municpio de

    Carauari apresenta um melhor ndice de desenvolvimento, 0,58, seguido de Juru

    0,55 e Itamarati 0,51. Por varivel, Carauari tem um melhor ndice em educao,

    0,62 e renda, 0,51; Itamarati em longevidade, 0,65 e Juru em educao, 0,58.

    Quadro 39 - ndice do Desenvolvimento Humano Municipal no Mdio Juru

    Municpio IDHM IDHM-Educao IDHM-Longevidade

    IDHM-Renda

    Gini -Renda

    Carauari 0,58 0,62 0,6 0,51 0,78

    Itamarati 0,51 0,45 0,65 0,42 0,69

    Juru 0,55 0,58 0,56 0,49 0,73

    Mdia do Territrio 0,54 0,55 0,6 0,47 0,73 Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2000

    O Quadro acima apresenta, ainda, o ndice Gini-Renda que analisa a

    desigualdade na distribuio de renda e que tambm varia de 0 a 1, mas no sentido

  • 77

    inverso do IDHM, ou seja, quanto mais prximo de 1 maior ser a desigualdade na

    distribuio da renda no municpio. No caso do territrio do Mdio Juru o Gini-

    Renda em 2000 foi de 0,73, o que significa que havia uma pssima distribuio de

    renda nos municpios que o compe. Sendo que Carauari o que apresenta pior

    situao, 0,78; seguido, respectivamente, de Juru e Itamarati, 0,73 e 0,69.

    2.7.4.3.2. Polticas de Assistncia Social

    A Previdncia Social , sem dvida nenhuma, uma das polticas de

    assistncia social de maior abrangncia social das polticas pblicas brasileira.

    Segundo o IPEA (2002: 45), a Previdncia Social uma poltica que tem por

    objetivo repor a renda dos indivduos nas situaes em que eles perdem, temporria

    ou permanentemente, sua capacidade de trabalho. No Territrio do Mdio Juru os

    benefcios previdencirios emitidos em 2009 chegaram a um total de 1.847, dos

    quais 1.557 no municpio de Carauari, que representou uma proporo de 84,30%

    do Territrio. A maioria dos beneficirios esto em reas urbanas do Mdio Juru,

    cerca de 1.004 benefcios e 843 em rea rural (Quadro 40).

    Quadro 40 Benefcios emitidos em 2009 pela Previdncia Social no Territrio do Mdio Juru

    Municpios e Territrio

    Quantidade de Benefcios Emitidos no ms de

    Dezembro

    Valor arrecadado

    no ano

    Valor dos Benefcios Emitidos no ano (R$)

    Total Urbano Rural Total Urbano Rural

    Carauari 1.557 838 719 1.905.561 8.979.432 4.965.557 4.013.874

    Itamarati 140 66 74 0 630.134 335.139 294.995

    Juru 150 100 50 0 700.424 426.799 273.625

    Mdio Juru 1.847 1.004 843 1.905.561 10.309.989 5.727.495 4.582.495

    Fonte: Ministrio da Previdncia Social

    Com base no Quadro acima a arrecadao previdenciria em 2009 somou um

    total de R$ 1.905.561,00 (Hum milho, novecentos e cinco mil, quinhentos e

    sessenta e um reais) para benefcios pagos no valor de R$ 10.309.989,00 (Dez

    milhes, trezentos e nove mil, novecentos e oitenta e nove reais), o que significa um

    altssimo dficit previdencirio. Ressaltando que os valores arrecadados em

    Itamarati e Juru aparem zerados no banco de dados do Ministrio, mesmo que

  • 78

    tenha ocorrido arrecadao no alteraria muito o dficit, pois pelo nmero de

    benefcios a arrecadao deve ser baixa nesses municpios.

    O outro Programa de forte impacto social que tem atingido grande parcela

    da populao do Territrio do Mdio Juru o Bolsa Famlia. Segundo Weissheimer

    (2006: 25), o Bolsa Famlia um programa federal de transferncia direta de renda

    destinado s famlias em situao de pobreza (renda mensal por pessoa de R$

    60,00 a R$ 120,00) e de extrema pobreza (com renda mensal por pessoa de at R$

    60,00).

    Segundo o Quadro 41, o nmero de famlias pobres com perfil que se

    enquadram no Programa Bolsa Famlia no Territrio de 4.907. As famlias

    beneficiadas com o programa somam 5.825, o que representa uma cobertura de

    118,70%, o que significa dizer que 18,7% mesmo no tendo o perfil esto recebendo

    o benefcio.

    Quadro 41 - Famlias beneficiadas com a Bolsa Famlia no Mdio Juru em 2010 e valor dos repasses

    Municpio e Territrio

    N de Famlias pobres no

    Perfil do BF

    Famlias beneficiadas

    Cobertura (%)

    Repasse Mensal

    Repasse at set/2010

    Carauari 2.940 3.565 121,26 399.778,00 3.448.232,00

    Itamarati 957 1.200 125,39 140.101,00 1.211.815,00

    Juru 1.010 1.060 104,95 116.585,00 1.017.630,00

    Mdio Juru 4.907 5.825 118,70 656.464 5.677.677

    Fonte: Ministrio de Desenvolvimento Social e Combate Fome

    Por municpio, Carauari o que conta com maior beneficirios do Bolsa

    Famlia, cerca de 3.565 famlias beneficiadas; Itamarati vem em segundo com 1.200

    e Juru em terceiro com 1060. Em termos de valores repassados ao programa, em

    2010 foram R$ 5.677.677,00 (Cinco milhes seiscentos e setenta e sete mil e

    seiscentos e setenta e sete reais) at o ms de setembro. Mensalmente repassado

    ao Territrio um total de R$ 656.464,00 (seiscentos e cinqenta e seis mil e

    quatrocentos e sessenta e quatro reais), sendo mais de 50% destinados ao

    municpio de Carauari.

    Os programas para assistncia social do Governo Federal se direcionam a

    atender determinados pblicos em situao de risco social como crianas,

  • 79

    adolescentes jovens, idosos e famlias de baixa renda. Alm de promover o acesso

    a alimentos s populaes em situao de insegurana alimentar.

    Nesse aspecto, at setembro de 2010 o Territrio do Mdio Juru havia

    recebido, segundo o Quadro 42, um montante de R$ 5.359.713,09 (Cinco milhes,

    trezentos e cinqenta e nove mil, setecentos e treze reais e nove centavos) para

    promover algumas aes sociais, das quais R$ 4.375.800,00 (Quatro milhes,

    trezentos e setenta e cinco mil e oitocentos reais) se destinou a atender Benefcio de

    Prestao Continuada (BPC)11, o que representou mais de 80% dos recursos para a

    assistncia social ao Territrio at setembro de 2010.

    Quadro 42 - Aes de Assistncia Social do Governo Federal No Mdio Juru em 2010*

    Ao Carauri Itamarati Juru Mdio Juru

    Beneficio de Prestao Continuada (BPC) 3.554.190,00 252.960,00 568.650,00 4.375.800,00

    Renda Mensal Vitalcia 82.620,00 0,00 0,00 82.620,00

    Servio de Proteo Social Bsica Famlia

    81.000,00 52.500,00 76.500,00 210.000,00

    Servios Especfic os de Proteo Social Bsica

    39.178,80 8.998,94 12.540,35 60.718,09

    ProJovem Adolescente 28.893,75 30.150,00 36.431,25 95.475,00

    Servio de Proteo Social Especial a Indivduos e Famlias

    13.500,00 0,00 0,00 13.500,00

    Programa de Erradicao do Trabalh o Infantil (PETI)

    101.000,00 130.500,00 39.000,00 270.500,00

    Proteo aos Adolescentes em Cumprimento de Medida Scio-educativa

    6.600,00 0,00 0,00 6.600,00

    Programa de Aquisio de Alimentos (PAA)

    213.000,00 0,00 0,00 213.000,00

    Proteo a Crianas e A dolescentes e suas Famlias

    31.500,00 0,00 0,00 31.500,00

    Total 4.151.482,55 475.108,94 733.121,60 5.359.713,09

    Fonte: Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome.

    *Dados atualizados at setembro de 2010.

    Outras aes para a assistncia social no Territrio tiveram apoio do

    Governo Federal, como se verifica no quadro 42. Para ilustrar podemos citar trs

    delas. Servio de Proteo Social Bsica a Famlia recebeu R$ 210.000,00

    11 O Benefcio de Prestao Continuada da Assistncia Social BPC-LOAS, um benefcio da assistncia social, integrante do Sistema nico da Assistncia Social SUAS, pago pelo Governo Federal, cuja a operacionaliizao do reconhecimento do direito do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e assegurado por lei, que permite o acesso de idosos e pessoas com deficincia s condies mnimas de uma vida digna.

  • 80

    (Duzentos e dez mil reais); Programa de Erradicao do Trabalho Infantil (PETI) foi

    contemplado com R$ 270.500,00 (Duzentos e setenta mil e quinhentos reais) e o

    Projovem que recebeu R$ 95.475,00 (Noventa e cinco mil quatrocentos e setenta e

    cinco reais).

    O municpio de Carauari foi quem mais se beneficiou das aes para a

    assistncia social no Mdio Juru, pois recebeu um montante de R$ 4.359.713,09

    (Quatro milhes trezentos e cinqenta nove mil, setecentos e treze reais e nove

    centavos), o que representou um percentual de 77,45% do total recebido no

    Territrio at setembro de 2010. Numa segunda posio veio Juru com R$

    733.121,60 (Setecentos e trinta e trs mil, cento e vinte um real e sessenta

    centavos), equivalente a 13,67% do total. Itamarati recebeu R$ 475.108,94

    (Quatrocentos e setenta e cinco mil, cento e oito reais e noventa e quatro centavos),

    8,86%.

    O municpio de Carauari recebeu em 2010 um aporte de R$ 213.000,00

    (duzentos e treze mil reais) do Programa de Aquisio de Alimentos (PAA) que

    uma das aes do programa Fome Zero e tem enorme importncia no incentivo da

    produo da agricultura familiar e que ajuda na promoo do desenvolvimento social

    do Territrio, uma vez que a atividade agrcola tem grande potencial no Mdio Juru,

    como vimos em anlises anteriores.

    2.7.4.4. Segurana Pblica

    A situao da segurana pblica nos municpios do Territrio do mdio Juru

    apresenta grandes fragilidades no que diz respeito ao atendimento das populaes

    ali existentes. A estrutura da guarda municipal precria e dentro dos limites de

    atuao auxilia o trabalho da Polcia. Alm do que, no existem delegacias

    especializadas que atenda crimes contra a mulher, idoso, criana e outras classes

    em situao de risco. O Efetivo da Polcia Militar no suficiente para conter a

    criminalidade nos municpios, segundo relatos dos participantes da reunio de

    anlise do diagnstico territorial. O Quadro 43 retrata a situao da segurana

    pblica no Territrio do Mdio Juru.

  • 81

    Quadro 43 - Situao da Segurana Pblica nos Municpios do Territrio Mdio Juru em 2009

    SERVIOS DE SEGURANA Carauari Itamarati Juru Caracterizao do rgo gestor responsvel pela segurana pblica no municpio No possui estrutura

    Secretaria Exclusiva

    Subordinado chefia do executivo

    Conselho municipal de segurana pblica - existncia No NO NO Fundo municipal de segurana pblica - existncia No NO NO Plano municipal de segurana pblica - existncia No NO NO Existe no municpio: NO Delegacia de polcia civil No NO SIM Delegacia de polcia especializada no atendimento mulher No NO NO Delegacia de proteo ao idoso No NO NO Delegacia de proteo criana e ao adolescente (DPCA)* No NO NO Delegacia da criana e do adolescente (DCA)** No NO NO Delegacia da criana e do adolescente (especialidades no separadas) No NO SIM Instituio especializada no atendimento ao idoso vtima de violncia No NO NO Centros integrados de ateno e preveno violncia contra o idoso No NO NO Presdio exclusivamente feminino No NO NO Presdio com carceragem exclusivamente feminina No NO NO Instituto mdico legal No NO NO Centro de integrao social da associao e proteo e assistncia ao condenado No NO NO Delegacia de proteo ao meio ambiente No NO NO Centro de atendimento especializado para a populao lsbica, gay, bissexual, travestis e transexuais No NO NO Conselho comunitrio de segurana No NO NO * Especializada em apurar crimes praticados contra crianas e adolescentes NO NO **Especializada em apurar atos infracionais praticados por adolescentes NO NO NO NO Acesso oficial a registro de criminalidade violenta produzidos pelo estado No NO NO Unidade do Corpo de Bombeiros No NO NO

    O municpio dispe com relao a Defesa civil de: Coordenadoria municipal

    Outro tipo de Unidade Coordenadoria municipal

    Fonte: IBGE - Perfil dos Municpios Brasileiros 200

    A estrutura da guarda municipal existentes nos municpios de Carauari e

    Juru, em Itamarati, segundo o IBGE, apresenta alguns gargalos de fragilidade. Um

    deles nmero de efetivo: em Carauari, 21 e em Juru, 14. Com o tamanho desses

    efetivos insuficientes para atender as demandas populacionais. Treinamento ou

    capacitao regular no h. Em Carauari ocorre ocasionalmente e em Juru ocorreu

    na ocasio do ingresso, alm do que no h disciplina que trate dos direitos

    humanos.

    Do ponto de vista salarial, o ganho de um guarda municipal gira em torno de

    mais de 1 a 3 salrios mnimos, o que insuficiente para exigir dedicao ao

    trabalho de segurana do municpio, uma vez que o custo de vida nessa regio

    elevado devido ao distanciamento da capital. No h registro de ocorrncias por

    parte da guarda municipal. O Quadro 44 apresenta as principais atividades

    exercidas pela guarda municipal existentes no Territrio do Mdio Juru.

  • 82

    Quadro 44 - Situao da Guarda Municipal existentes no Territrio do Mdio Juru em 2009

    SERVIO DE SEGURANA MUNICIPAL Carauari Itamarati Juru Guarda municipal - existncia Sim No SIM

    Efetiv o Total 21 No 14

    Homens 18 No 12

    Mulheres 3 No 2

    Treinada e/ou capacitada

    Na ocasio do ingresso No No SIM

    Periodicamente No No NO

    Ocasionalmente Sim No NO

    Existncia d e disciplina e/ou matria de direitos humanos

    No No NO SABE

    Formao profissional do comandante Policial militar No Guarda Municipal

    A guarda utiliza Nenhum tipo de arma

    No Nenhum tipo de arma

    Faixa do salrio inicial Mais de 1 a 3 salrios mnimos

    No Mais de 1 a 3 salrio mnimo

    Registro de ocorrncias No registram No No registram

    Principais atividades que exercem:

    Proteo de bens, servios e instalaes do municpio

    Sim No SIM

    Posto de g uarda (bairros, entrada da cidade, etc.)

    SIM

    Auxlio Polcia Militar Sim No SIM

    Auxlio no atendimento do Conselho Tutelar

    Sim No NO

    Segurana em eventos/comemoraes

    Sim No SIM

    Patrulhamento de vias p blicas NO NO SIM

    Auxlio ao Judicirio NO NO SIM

    Fonte: IBGE - Perfil dos Municpios Brasileiros 2009.

    2.7.4.5. Servios de Atendimento Bsico

    Em 1991 9,89% da populao do Territrio do Mdio Juru dispunham de

    gua encanada. Dez anos depois esse percentual se elevou para 25,57%, o que

    representou uma variao de 158,54%, conforme se observa no Quadro 45. Ter

    gua encanada no refletiu na construo de banheiros, segundo os dados da

    referida Quadro, pois a varivel banheiro e gua encanada variou apenas 9,41%. A

    coleta de lixo em reas urbana foi o servio que mais cresceu entre 1991 e 2000,

    evoluiu percentualmente de 3,11% para 10,76% nesse perodo, variao de

  • 83

    245,98%. O percentual de famlias com energia eltrica em 2000 era de 56,28%,

    cresceu 26,07% em relao a 1991.

    Quadro 45 Servios de Atendimentos Bsicos oferecidos a populao do Mdio Juru entre 1991-2000

    Servios Carauari Itamarati Juru Mdio Juru Variao 1991-2000

    1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000

    gua encanada 21,91 36,48 2,72 24,45 5,04 15,79 9,89 25,57 158,54

    Banheiro e gua encanada

    17,07 12,17 0,77 3,77 0,63 4,28 6,16 6,74 9,41

    Coleta de lixo em rea urbana

    6,84 13,45 2,39 5,21 0,11 13,61 3,11 10,76 245,98

    Energia eltrica 61,28 79,57 34,58 35,92 38,07 53,36 44,64 56,28 26,07

    Fonte: Atlas do desenvolvimento Humano no Brasil 2000

    2.7.4.6. Crtica e Sugestes aos Aspectos Sociais

    2.7.4.6.1. Sade

    Na anlise do diagnstico territorial foi destacada pelos participantes a

    fragilidade em que se encontra a poltica de sade preventiva nos municpios que

    compem o Territrio, pois as instituies que cuidam da sade da populao

    deveriam se preocupar tambm com a preveno para evitar que muitas

    enfermidades se manifestem.

    Falou-se tambm da pouca infra-estrutura hospitalar, pois nas instituies de

    sade faltam equipamentos para realizao de exames bsicos, o que confirma os

    dados do IBGE apresentados, que apontam a existncia de apenas aparelhos de

    raio X, caso os exames exijam mais complexidade o paciente encaminhado para a

    capital. Alm disso, muitos medicamentos esto em falta nas unidades de sade.

    Outra reivindicao feita foi transportes hospitalar para a rea rural a fim de

    diminuir o sufoco das pessoas quando ficam doentes e necessitam ser

    transportadas para a sede do municpio e muito pior quando tem que ir para a

    capital.

  • 84

    2.7.4.6.2. Educao

    As crticas feitas pelo Territrio s questes educacionais se dirigiram para

    vrios aspectos, entre os quais cita-se: as questes salariais serem muitas vezes

    maios importantes aos professores do que seu papel educacional; falta de

    envolvimento das famlias com a escola e falta de infra-estrutura, como espaos

    fsicos para atividades educacionais, transporte escolar em maior quantidade e

    qualidade para atender as comunidades mais distantes e materiais didticos que

    muitas vezes faltam ou so insuficientes.

    2.7.4.6.3. Assistncia Social

    Sobre as polticas de assistncia social falou-se que os programas e projetos

    so mal utilizados pelas autoridades locais, pois so aplicados como poltica de

    assistencialismo e no h o reconhecimento dessas polticas como um direito.

    Para os participantes no existe uma poltica pblica para promoo de

    trabalho e renda que promovam famlias em situao de vulnerabilidade. Os dados

    do IBGE identificam polticas do governo federal que vo nessa direo, como o

    caso do Bolsa Famlia e o PETI.

    2.7.4.6.4. Segurana Pblica

    O contingente policial insuficiente para atender as ocorrncias criminais que

    ocorrem nos municpios do Territrio do Mdio Juru, segundo avaliao dos

    participantes da oficina de anlise do diagnstico territorial.

    Identifica-se tambm que no existe uma poltica de gerao de renda nas

    delegacias, pois se ocorresse tal atividade serviria como medida scio-educativa

    para os detentos.

    Outro problema apontado pelos participantes da anlise do diagnstico foi a

    falta de infra-estrutura na rea de segurana pblica, tais como mais carros policiais,

    equipamentos de segurana, etc.

  • 85

    2.7.5. Esportes, Lazer e Cultura

    De acordo com informaes obtidas nas reunies territoriais as autoridades

    municipais tm oferecido poucas atividades esportivas para as famlias no Territrio,

    principalmente para as mulheres que no tm um local para praticar vlei como

    tinham antigamente.

    Foi verificada tambm a necessidade de se fazer um resgate cultural da

    histria dos municpios do Territrio do Mdio Juru. Segundo relatos de

    participantes da oficina territorial para a validao do diagnostico, um erro poltico

    indicar apenas um pequeno grupo de pessoas como referencia para resgatar a

    histria cultural dos municpios.

  • 86

    3. PROGRAMAO DO DESENVOLVIMENTO

    3.1. VISO DE FUTURO

    A viso de futuro tem a inteno de identificar os sonhos individuais e

    coletivos das comunidades e pessoas que fazem parte do territrio. Esta viso,

    compartilhada pelos diversos grupos de interesse, representa o futuro desejado do

    territrio, a ser atingido atravs do tratamento de temas crticos, ou situaes

    problema, que deixaro de s-lo como resultado da implementao de projetos

    especficos.

    De posse das informaes obtidas acerca da realidade local, bem como

    daquelas obtidas e construdas nas atividades territoriais, os agentes de

    desenvolvimento territorial trabalharam na montagem da viso de futuro desejada

    para o Territrio Mdio Juru, chegando-se ao seguinte consenso:

    VISO DE FUTURO:

    Que em 10 anos, o Territrio do Mdio Juru tenha igualdade e

    responsabilidade social, com gerao e melhor distribuio de renda, e

    uma economia pautada no desenvolvimento rural sustentvel, sendo

    referncia em qualidade de vida a nvel nacional.

    3.2. OBJETIVOS ESTRATGICOS

    Com o propsito de alcanar o futuro desejado para o Territrio Mdio Juru

    identificado na viso de futuro, os agentes de desenvolvimento territorial

    estabeleceram os seguintes objetivos estratgicos:

    Lutar pela consolidao do plano de educao ambiental nos municpios

    do Territrio do Mdio Juru;

  • 87

    Elaborar acordos de cooperao tcnica entre rgos de governo de

    esferas diferentes;

    Expandir e melhorar as redes de esgotos dos municpios, consolidando

    uma estao de tratamento;

    Lutar por uma poltica de coleta seletiva do lixo e a implantao de um

    aterro controlado;

    Construir escolas nas comunidades indgenas com professores

    especializados;

    Implantar escolas de ensino mdio nas comunidades rurais;

    Ampliar os programas de ateno bsica na rea de sade;

    Estruturar a poltica de segurana pblica nos municpios do mdio

    Juru;

    Implantar polticas pblicas para gerao de trabalho e renda;

    Estruturar o uso produtivo das propriedades rurais do mdio Juru;

    Melhorar as condies para escoamento da produo;

    Estruturar e melhorar as polticas de manejo das atividades produtivas;

    Buscar novos mercados para comercializar os produtos do Territrio.

    3.3. VALORES E PRINCPIOS

    Os valores e princpios apontados pelos participantes da reunio que devem

    nortear a proposta de desenvolvimento rural sustentvel no Territrio do Mdio

    Juru so os seguintes:

    Parceria . Partilhar recursos, de modo a trocar benefcios mtuos e chegar a

    objetivos comuns; tem como objetivo integrar o Territrio com a comunidade, conseguir

    recursos e dar visibilidade sua organizao.

    Responsabilidade . Ser responsvel pelas atividades do Territrio.

    Compromisso . Se comprometer com as atividades e objetivos do Territrio.

    Respeito . Ter apreo por todos do Territrio, no se considerando melhor

    do que o outro.

  • 88

    tica . Atuar com base nos valores humanistas. O ser humano sempre em

    primeiro lugar.

    Transparncia . Que todos os atos no Territrio sejam praticados com plena

    publicidade e ampla prestao de conta.

    Objetividade . Ter clareza do que se quer atingir no Territrio.

    Cidadania . Participar ativamente da vida poltica e social do Territrio.

    Justia Social . O resultado do trabalho no Territrio seja distribudo de

    forma justa.

    Solidariedade . Colocar em comuns atitudes e sentimentos para fortalecer o

    Territrio a fim de se tornas firmes nas adversidades.

    Valorizar o saber tradicional . Para resgatar as experincias de nossos

    antepassados.

    3.4. DIRETRIZES PARA O PTDRS DO MDIO JURU

    Na oficina de construo do Plano Territorial de Desenvolvimento Rural

    Sustentvel do Mdio Juru os participantes apontaram os caminhos que nortearo

    os projetos e aes a serem desenvolvidos nos prximos anos, portanto, todas as

    atividades territoriais devem ser referenciadas de acordo com as diretrizes abaixo.

    3.4.1. Diretrizes Ambientais

    J est evidenciado que um dos maiores responsveis pela degradao do

    meio ambiente o ser humano atravs das aes empregadas como forma de

    sobrevivncia. Nesse sentido, um dos pontos primordiais para termos um ambiente

    saudvel deve comear pela educao ambiental e esta deve ser responsabilidade

    de todos, dos agentes pblicos sociedade civil organizada.

    Para que as polticas ambientais possam lograr sucesso faz-se necessrio o

    fortalecimento das parcerias entre as esferas de governos, tanto federal, estadual e

    municipal, bem como as organizaes da sociedade civil organizada.

    A melhoria das condies ambientais dependero das aes implementadas

    com esse propsito. Cabe ao poder pblico em sintonia com a sociedade criar as

  • 89

    condies para concretizar as aes que favoream o meio ambiente. Nesse

    sentido, que o poder pblico possa priorizar as polticas ambientais, principalmente

    no que concerne a disponibilidade de recursos para estimular projetos com esse fim.

    A melhoria das condies ambientais passa por um oferecimento de melhor

    qualidade dos servios bsicos populao, tais como o tratamento do lixo,

    melhoria na rede de saneamento bsico e uma gua mais bem tratada. Nesse

    aspecto, um ambiente mais favorvel ao habitar humano depende de uma rede de

    servios bsicos de qualidade oferecidos a populao.

    3.4.2. Diretrizes Socioculturais e Educacionais

    Quando tratamos da questo indgena verifica-se que a herana colonial

    ainda muito presente, pois a populao indgena tratada no Brasil como

    categoria de segunda classe. Essa viso no diferente aqui no Amazonas, basta

    observar as condies de vida que os povos indgenas se encontram em muitos

    municpios do estado. Para reverter esse quadro faz-se necessrio fortalecer e

    consolidar as polticas pblicas indgenas da regio.

    Segundo o artigo 205 da Constituio Federal, a educao, um direito de

    todos, dever do Estado e da famlia. Por esse preceito constitucional,

    recomendamos como diretriz para o PTDRS do Mdio Juru que se fortaleam as

    polticas educacionais, procurando envolver a sociedade como um todo para essa

    empreitada.

    Que o Estado crie todas as condies necessrias para que todos tenham

    acesso educao, principalmente em regies do Amazonas, onde as condies

    geogrficas so adversas para tal objetivo.

    Tendo em vista que o professor pea fundamental no sistema educacional.

    Para que possa haver reconhecimento dessa funo de grande valia que se

    promovam polticas de valorizao dos professores das escolas pblicas do

    Territrio.

    O Estado tem papel preponderante para o bem estar da populao do

    Territrio do Mdio Juru, bastar olhar o volume de recursos transferidos

    anualmente para os municpios daquela regio. Nesse sentido, que o sistema de

  • 90

    sade pblica seja ampliado e fortalecido para atender com qualidade a populao

    do Mdio Juru.

    Cada vez vai se percebendo que os problemas de violncia, resultante das

    drogas, prostituio e alcoolismo, no se restringem aos grandes centros urbanos,

    mas comea a se estender para cidades pequenas como vem acontecendo no

    Mdio Juru. Nesse sentido, fundamental que sistema de segurana pblica seja

    fortalecido nas mdias e pequenas cidades.

    A cultura e o lazer so atividades que proporcionam o desenvolvimento de

    uma vida saudvel. Que o poder pblico possa proporcionar as condies

    necessrias para o desenvolvimento de atividades culturais e lazer.

    O ndice de Desenvolvimento Humano dos municpios do Mdio Juru

    revelam as precariedades que se encontram a maioria da populao daquela regio.

    Nesse sentido, que o poder pblico possa promover polticas de assistncia social

    para atender as famlias em situao de vulnerabilidade e tir-las dessa condio.

    3.4.3. Diretrizes Socioeconmicas

    Grande parte das terras da Amaznia no possui ttulo, o que acarreta

    enormes problemas para o proprietrio e, conseqentemente, a atividade produtiva.

    A regularizao fundiria de grande relevncia econmica, social e ambiental.

    Nesse sentido, que o poder pblico possa viabilizar as condies para regularizar as

    terras da regio do Mdio Juru.

    Nos ltimos anos o setor primrio brasileiro vem se despontando com

    enormes potencialidades. No entanto, em muitas regies h gargalos que dificultam

    a atividade produtiva rural. Para superar esses gargalos faz-se necessrio que o

    poder pblico, juntamente com setores organizados da sociedade do campo, os

    identifique e apresente as solues devidas.

    Um dos problemas enfrentados pela agricultura familiar em boa parte da

    regio amaznica fazer com que a produo chegue aos mercados consumidores

    em condies de competitividade, seja pelas condies das estradas ou pela falta de

    infra-estrutura adequada de armazenamento e transporte do produto. Que o poder

    viabilize as condies para estruturar a comercializao dos produtos rurais.

  • 91

    Um dos dilemas vivenciados pelo desenvolvimento econmico poder

    conciliar a atividade produtiva com a preservao do meio ambiente. Que o modelo

    de desenvolvimento rural sustentvel crie as condies de garantia da

    sustentabilidade do sistema.

    3.4.4. Diretrizes Polticas e Institucionais

    A organizao e fortalecimento das organizaes sociais elemento chave

    para garantir a gesto social do planejamento territorial. Nesse sentido, o

    fortalecimento e a consolidao das associaes de produtores rurais, pescadores e

    os seguimentos outros sociais de fundamental importncia.

    Faz-se necessrio garantir a participao das instituies locais nas

    deliberaes das polticas pblicas atravs de fruns em que as mesmas possam

    est democraticamente representadas.

    3.5. EIXOS DE DESENVOLVIMENTO, AES E PROJETOS

    Nas reunies territoriais para viabilizar a construo do Plano Territorial de

    Desenvolvimento Rural Sustentvel (PTDRS) os participantes apontaram as

    principais potencialidades, fragilidades da regio e estabelecendo os projetos que

    poderiam criar as condies para o desenvolvimento do Territrio do Mdio Juru,

    dentro de uma perspectiva de sustentabilidade, levando em considerao as

    principais dimenses do desenvolvimento sustentvel aqui proposto: ambiental,

    sociocultural/educacional, socioeconmica e poltico/institucional.

    Levando em considerao que o Territrio do Mdio Juru possui quatro

    Unidades de Conservao os participantes procuraram verificar que polticas

    poderiam ser implementadas para que essas reas possam ser preservadas, mas

    ao mesmo tempo se aproveitem os recursos que elas oferecem para o bem estar

    das populaes que se encontram l vivendo e em seus entornos. Alm do que,

    procurou-se identificar os problemas ambientais existentes nas sedes municipais e

    de que maneira fazer o enfrentamento.

  • 92

    Verificaram-se os enormes gargalos sociais que se tem pela frente e como

    super-los para o desenvolvimento do Territrio. Um deles sobre a questo

    indgena, pois no Territrio h quatro etnias. H problemas indgenas nas aldeias a

    serem enfrentados, alm dos desaldeiados que vivem nas sedes municipais.

    preciso enfrentar os problemas da educao, sade, misria para se pensar de fato

    em um desenvolvimento territorial.

    Na produo h muitos gargalos que precisam ser superados. A infra-

    estrutura produtiva precria; h problemas de assistncia Tcnica; os produtores

    tm dificuldades para colocar seus produtos no mercado e outros problemas a

    serem enfrentados para chegarmos aos objetivos propostos neste planejamento.

    Uma das condies de fundamental importncia verificada na reunio

    territorial para que o PTDRS se efetive institucionalizar o Territrio, para tal faz-se

    necessrio que as organizaes sociais que participam do colegiado possam se

    fortalecer e participar ativamente das decises territoriais.

    3.5.1. Dimenso Ambiental

    Eixo de Desenvolvimento: Uso dos Recursos Florestai s

    Uma das linhas de ao para o desenvolvimento territorial fomentar a pesca

    manejada nos lagos das Unidades de Conservao, pois os pescadores j esto

    organizados em colnias e possuem boas prticas de manejo. As dificuldades que

    possivelmente podero ser encontradas so as fragilidades das instituies

    competentes para a liberao dos planos de manejo, alm do que, ser preciso

    motivar muitos pescadores a participar de suas organizaes. Para viabilizar o

    desenvolvimento dessa cadeia faz-se necessrio envolver os pescadores em

    conjunto com as instituies para elaborar o plano de manejo, estudar as cadeias

    produtivas das espcies pesqueiras, capacitar os que estiverem envolvidos nessa

    atividade e, fundamentalmente, apresentar um projeto para uma agroindstria de

    pescado.

    Levando em considerao as potencialidades apresentadas nas reunies

    territoriais em relao atividade madeireira ser de grande importncia

    desenvolver como linha de ao no Territrio a extrao de madeira manejada.

  • 93

    Alguns projetos foram apresentados para concretizar esta ao, tais como: estudo

    da cadeia madeireira, capacitao em manejo madeireira e criao de viveiro de

    mudas em reas degradadas.

    Tendo em vista o potencial florestal do Territrio, com a existncia de quatro

    Unidades de Conservao e a sensibilidade de parte da populao moradora nas

    unidades e entorno para o uso sustentvel dos recursos naturais importante

    estimular uma linha de ao que conscientize a maioria dos moradores das

    Unidades de Conservao para o uso sustentvel dos recursos florestais.

    Concretamente podem-se propor as autoridades pblicas que orientem o sistema

    educacional desenvolver disciplina sobre a questo ambiental e melhorem a

    estrutura fiscalizadora nas UCs, podendo estimular tambm os moradores a

    fiscalizar as transgresses ambientais. O uso de meios de comunicao pode ser

    usado para conscientizao ambiental, o rdio, por exemplo, nos pequenos

    municpios tem grande importncia para essa atividade.

  • 94

    .

    DIMENSO AMBIENTAL

    1. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Recursos Florestais

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Fomento pesca manejada nas Unidades de Conservao

    Pesca do Pirarucu Dificuldade em liberar Plano de Manejo

    Estrutura do Setor Plano de Manejo Pesqueiro

    Colnia de Pescadores

    Pouca participao de pescadores

    N de pessoas envolvidas Estudo da Cadeia Produtiva

    Existncia de Lagos

    Potencial de Mercado Capacitao em Manejo pesqueiro

    Boas prticas de manejo

    Agroindstria pesqueira

    2. Extrao de Madeira Manejada

    Potencial Madeireiro

    Deficincia na execuo do Plano de Manejo

    Tcnicas de reaproveitamento de resduos

    Estudo da cadeia madeireira

    Plo Madeireiro Ausncia de

    Reflorestamento

    Tcnicas de acabamento e melhoria da qualidade do produto

    Capacitao em manejo madeireiro

    Mercado Consumidor Fiscalizao Precria

    Tcnicas de monitoramento de manejo florestal

    Viveiro de mudas em reas degradadas

    Associao Organizada

    Lentido no Avano da legalidade

    Demanda Externa Pouco conhecimento de

    tcnicas Fbrica de

    Carteiras Escolares Pouca conscientizao

    dos Extratores

    3. Conscientizao quanto ao uso dos recursos florestais

    Potencial florestal Sensibilidade da

    populao ao uso sustentvel da floresta

    Quatro Unidades de Conservao (UC)

    Incentivo Governamental

    Falta de educao ambiental formal

    Fragilidade nos planos de manejo

    Estrutura de fiscalizao frgil

    Plano de educao ambiental nos municpios

    Poltica de gesto ambiental nas UCs

    Estrutura dos rgos de fiscalizao

    Projetos ambientais no Territrio

    Organizaes ambientais no Territrio

    Disciplina Educao Ambiental

    Estruturao da fiscalizao nas UCs

    Incentivo aos moradores da UCs para fiscalizar

    Educao nas rdios

  • 95

    Eixo de Desenvolvimento: Gesto do Lixo e Saneament o Bsico

    Nos trs municpios que compem o Territrio do Mdio Juru ainda no h

    uma poltica sistemtica de coleta seletiva do lixo, o que tem contribudo para srios

    problemas ambientais na regio. Levando em conta que h um Ncleo Universitrio

    na cidade de Carauari que oferece um curso em Gesto Ambiental de fundamental

    importncia desenvolver essa cultura da seletividade do lixo e isso depender das

    polticas pblicas desenvolvidas para esse setor. Projetos que podem ser

    desenvolvidos com essa finalidade podem ser os seguintes: capacitao para

    catadores, cooperativa de coleta de lixo, reciclagem solidria do lixo, implantao do

    posto de entrega voluntria e galpo de reciclagem.

    A implantao de aterro sanitrio nos municpios onde no dispe deste tipo

    de rea foi outra sugesto aprovada na reunio territorial. Para viabilizar essa ao

    no Territrio tem como vantagem o Curso Superior em Gesto Ambiental que

    poder preparar especialistas para viabilizar projetos com essa inteno. Faz-se

    necessrio fazer o estudo da rea que melhor se adqe para construo desse

    projeto.

    Para melhorar a qualidade ambiental nos municpios do Territrio

    necessrio expandir e melhorar a rede de saneamento bsico e uma das

    reivindicaes fazer a expanso do esgoto domstico. Em Carauari a rede de

    esgoto apresenta enormes problemas como o vazamento em algumas localidades e

    s atende alguns bairros. Os projetos apresentados foram os seguintes: implantao

    de rede de esgoto em Itamarati e Juru, educao sanitria e ambiental, criao de

    fossa sptica em alguns locais.

  • 96

    DIMENSO AMBIENTAL

    2. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Gesto do Lixo e Saneam ento Bsico

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Fomento a coleta seletiva e reciclagem

    Curso Superior em Gesto Ambiental

    Secretaria do Meio Ambiente

    Falta de coleta seletiva e reciclagem

    Pouca sensibilidade dos moradores

    Falta de poltica de gesto ambiental

    Lixo Hospitalar em local inadequado

    Falta de fiscalizao

    Estudos sobre educao ambiental

    Formas de organizao de coleta de lixo

    Polticas de gesto ambiental

    Capacitao para catadores Cooperativa de coleta de lixo Reciclagem Solidria do lixo Aquisio de Incinerador nos

    municpios que no tem Aquisio de veicula para

    Coleta do Lixo Implantao de Posto de

    Entrega Voluntria Galpo de Reciclagem

    2. Implantao de Aterro Sanitrio

    Curso Superior em Gesto Ambiental

    Secretaria do Meio Ambiente

    Muitas reas para construo do aterro

    Falta de estudo de rea para aterro

    Estrutura frgil da Secretria Meio Ambiente

    Falta de vontade poltica dos governantes

    Estudar as condies de melhor local

    Recursos para gesto ambiental

    Estrutura de coleta do lixo

    Implantao de Aterro Controlado nos municpios de Juru e Itamarati

    Estudo de melhor rea para Aterro

    3. Saneamento Bsico: Expanso da Rede de Esgoto Domstico

    Curso Superior de Gesto Ambiental

    Secretaria de Meio Ambiente

    Existncia de rede de esgoto em alguns municpios

    Estao de Tratamento

    Vazamento de esgoto Esgoto atende alguns

    Bairros Falta de

    Acompanhamento tcnico qualificado

    Locais onde tem Rede de Esgoto

    Estudo Tcnico Poltica pblica de

    Saneamento

    Implantao de Rede de Esgoto onde no tem

    Ampliao de Rede de esgoto domstico

    Educao Sanitria e Ambiental

    Criao de Fossa Sptica para alguns locais

  • 97

    3.5.2. Dimenso Sociocultural/educacional

    Eixo de desenvolvimento: Polticas indgenas

    No Territrio do Mdio Juru h quatro etnias indgenas que, segundo os

    participantes da reunio territorial, enfrentam enormes problemas, tais como

    dificuldade em acessar crdito por falta de ttulo definitivo de suas propriedades,

    falta de polticas pblicas direcionadas s populaes indgenas e emigrao para a

    sede do municpio em busca de alternativas de trabalho, o que acaba agravando sua

    situao, uma vez que h fortes preconceitos por parte dos moradores da sede.

    Ao proposta para melhorar a situao indgena a regularizao de suas

    propriedades. Projetos para atende essa finalidade so os seguintes: projeto de

    regularizao, legalizar os indgenas nas cidades, crdito para produo e

    investimento em infra-estrutura nas comunidades indgenas.

    Outra ao proposta o incentivo ao artesanato indgena. Pontos fortes para

    viabilizar esta ao so as seguintes: existncia de matria-prima em abundncia na

    floresta, especialidade em tcnicas tradicionais e forte demanda para os objetos

    confeccionados. Projetos para essa ao: capacitao artesanal, feira de artesanato

    e exposio em eventos.

    A sade indgena foi outra preocupao da reunio territorial, uma vez que as

    populaes indgenas vivendo no Territrio tm atendimento precrio em relao

    sade, s condies sanitrias deixam muito a desejar, falta de especialista em

    sade indgena e as enfermidades tm ndices altssimos. Os projetos para viabilizar

    essa ao so os seguintes: viabilizar Distritos Sanitrios Especiais Indgenas,

    melhorar o abastecimento de gua e as condies sanitrias nas reas indgenas.

    Foi identificada como fragilidades da situao indgena a escassez de escolas

    nas reas indgenas, a oferta de professores nas aldeias indgenas abaixo da

    demanda, h dificuldades de comunicao entre professores e populao indgenas

    e falta de polticas educacionais especficas aos ndios. Para equacionar esses

    problemas foi sugerido como ao que haja prioridade na educao indgena e

    alguns projetos foi propostos, tais como: construo de escolas em reas indgenas,

    capacitao de professores indgenas e curso superior especficos para populao

    indgena.

  • 98

    DIMENSO SOCIOCULTURAL/EDUCACIONAL

    3. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Polticas Indgenas

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Regularizao das Terras Indgenas

    4 Etnias Desenvolvem

    Atividades Produtivas

    Terras homologadas

    Preservao Ambiental

    Dificuldade com Crdito Desaldeado na sede do

    municpio Sede da FUNAI distante

    das Aldeias

    Tradio e costumes Potencial Produtivo Polticas Pblicas Especficas Organizao

    Regularizao das Terras indgenas

    Legalizao das comunidades que esto na cidade

    Financiamento para produo Infra-estrutura nas aldeias Integrao entre os povos

    indgenas do Territrio

    2. Artesanato Indgena

    Matria Prima na floresta em abundncia

    Especialidade com tcnicas tradicionais

    Produtos subvalorizados preo baixo

    Falta de divulgao Dificuldade para acessar

    mercado

    Cultura indgena Tcnicas de produo Mercados artesanato indgena Cadeia de Valor

    Capacitao Artesanal Feira de Artesanato Exposio em Eventos

    Demanda alta Agregao de Valor

    3. Sade Indgena

    Uso da Floresta para tratamento

    Tutela do Estado

    Atendimento Precrio Condies sanitrias

    precrias Distanciamento dos locais

    de atendimento Esgotamento sanitrio

    precrio Falta de especialista em

    sade indgena Alto ndice de

    enfermidade

    Uso de ervas tradicional Cultura Indgena Polticas oficiais Condies sanitrias Tipos de enfermidades

    Distritos Sanitrios Especiais Indgenas

    Abastecimento de gua em reas indgenas

    Esgotamento Sanitrio em reas Indgenas

    Melhorias Sanitrias em reas Indgenas

    4. Educao Indgena

    Saber Tradicional Preservao de

    alguns dialetos indgenas

    Poucas Escolas em reas indgenas

    Poucos Professores Indgenas

    Dificuldade de comunicao entre professores e ndio

    Poltica de educao especfica

    Experincias de educao indgena

    Cultura indgena N Escolas em reas

    indgenas N Professores Indgenas Demanda de matrculas

    indgenas

    Construo de escolas em reas indgenas

    Capacitao professores indgenas

    Curso superior para reas indgenas

  • 99

    Eixo de Desenvolvimento: Educao

    Uma educao bsica de qualidade uma ao primordial que deve ser

    desenvolvida no Territrio, segundo opinio dos representantes territoriais. H boas

    variveis que favorecem trabalhar essa ao. A participao do governo estadual

    fundamental, pois no Territrio as escolas estaduais so de grande importncia para

    uma boa poltica educacional; o Exame nacional de Ensino Mdio (ENEM) tem

    ajudado a estimular os estudantes a freqentar com mais motivao a escola, pois

    criar a expectativa de ingresso no ensino superior, Alm do que o Governo Federal

    tem repassado boas somas de recursos para melhorar a qualidade de ensino,

    conforme apresentamos na anlise do diagnstico territorial. Para fortalecer essa

    ao faz-se necessrio fortalecer a Associao de pais e mestres, curso de

    formao para professores rurais e estimular curso de alfabetizao de adultos. A

    ampliao do ensino superior no Territrio ser uma ao estratgica para o

    desenvolvimento. J h o Ncleo de Ensino Superior da Universidade Estadual do

    Amazonas (UEA) localizado no municpio de Carauari, o que cria certa dificuldade

    quem deseja fazer faculdade nos demais municpios. Portanto, seria fundamental

    criar outros Ncleos em Itamarati e Juru. Projetos para fortalecer essa ao seria

    realizao de concurso para professores que moram no Territrio, uma vez que a

    maioria vem de fora; faz necessrio tambm reivindicar um plo universitrio federal.

    J existem algumas pr-condies para melhorar a educao no Territrio. A

    maioria das escolas climatizada, o que colabora para um aprendizado melhor, a

    relao entre governo estadual e municipal tem ajudado a melhorar a estrutura

    educacional, no que diz respeito ao nmero de espaos fsicos para educao,

    conforme mostrado no diagnstico territorial. No entanto, h algumas fragilidades:

    poucas escolas nas comunidades rurais, alm de no existir o ensino mdio nesses

    locais; o transporte escolar bastante precrio, tanto quantitativamente, como

    qualitativamente e a escassez de material didtico. Os projetos sugeridos resolver e

    fortalecer essa ao so os seguintes: construo de escolas indgenas, plo de

    ensino mdio nas zonas rurais, aquisio de transportes escolar, ampliao das

    escolas municipais nas zonas rurais.

  • 100

    DIMENSO SOCIOCULTURAL/EDUCACIONAL

    4. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Educao

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Educao Bsica de Qualidade

    Escolas Estaduais Exame Nacional de

    Ensino Mdio (ENEN)

    Recursos Federais Freqncias

    Professores s lutam por salrios

    Fragilidade na Estrutura Pouca Formao dos

    Professores Falta de Participao da

    famlia Analfabetismo Alto

    N de Professores por Aluno Aproveitamento Escolar Plano de Capacitao para

    Professores Plano de Cargos e Carreira Estrutura educacional Taxa de Analfabetismo

    Fortalecimento da Associao de Pais e Mestres

    Curso de Formao para professores Rurais

    Encontro de Professores do Territrio

    Alfabetizao de Adultos Mais dinheiro na Escola

    (Programa Federal)

    2. Ampliao do Ensino Superior

    Ncleo da UEA em Carauari

    Ncleo s em Carauari Demanda maior que

    oferta Professores de fora Fragilidade na Extenso

    e Pesquisa

    Tipos de Demandas por Curso Cursos Ofertados N de Professores Alunos matriculados Estrutura de Funcionamento

    Ncleo de Ensino Superior em Juru e Itamarati

    Concursos para Professores locais

    Implantao da Universidade Federal

    Desenvolver atividades de Extenso e Pesquisa

    3. Estruturao da Educao no Territrio

    Escolas Climatizadas

    Escolas Estaduais e Municipais

    Ncleo Universitrio

    Poucas Escolas nas comunidades rurais

    Falta Ensino Mdio nas Comunidades Rurais

    Transporte Escolar Precrio

    Material Didtico Precrio Deficincia em Escolas

    Indgenas

    Escolas das Comunidades Rurais

    Projeto Estadual e Municipal para educao no Territrio

    N e tipos de Transportes Escolares

    Plano de expanso Universitria Estadual e Federal

    Construo de Escolas Indgenas

    Plo de Ensino Mdio nas Zonas Rurais

    Aquisio de Transporte Escolar para Zona Rural

    Ampliao das Escolas Municipais nas Zonas Rurais

  • 101

    Eixo de Desenvolvimento: Sade para todos no Territ rio

    Fomentar a sade preventiva uma linha de ao que deve ser

    implementada no Territrio, com isso melhoraria substancialmente a qualidade de

    vida da populao. J existem atendimentos nesse sentido, por exemplo, o governo

    federal dispe recursos para atendimento bsico sade preventiva, as unidades

    bsicas de sade fazem exames preventivos e outros para avaliar a sade da

    mulher. Alguns projetos foram apresentados para fortalecer essa ao: ampliao do

    Programa Sade da Famlia (PSF), ampliao de saneamento bsico nas zonas

    rurais, educao nas escolas sobre sade preventiva, campanhas sobre doenas

    sexualmente transmissveis.

    Faz-se necessrio reforar a sade bsica no Territrio e para isso

    necessrio superar alguns gargalos, como expandir atendimento de sade do

    governo federal para os municpios de Itamarati e Juru, melhorar o transporte

    hospitalar nas reas rurais, ampliar a distribuio de medicamento para as famlias

    de baixa renda, ampliar e sofisticar os equipamentos para exames de sade e

    ampliar e fortalecer as unidades de sade nos municpios.

    Embora existam muitas especialidades de atendimento mdico nos

    municpios do Territrio necessrio superar alguns problemas nessa questo da

    sade, por exemplo, quando a necessidade de atendimento de alta complexidade

    preciso se deslocar para outras locais, alm do que, h poucos profissionais para

    atender a demanda de pacientes a fim de melhorar a qualidade dos recursos

    humanos. Projetos para viabilizar essa ao foram apresentados alguns projetos:

    curso de capacitao e avaliao peridica aos profissionais de sade.

  • 102

    DIMENSO SOCIOCULTURAL/EDUCACIONAL

    5 EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Sade para todos no Terr itrio

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Fomento a aes de Sade Preventiva

    Programas de ateno Bsica Sade: PSF

    Preventivos, Sade da Mulher, Pr-Natal

    Planejamento Familiar

    Quantidade de mdicos insuficientes

    Estrutura Precria Saneamento Bsico

    Precrio

    Programas oficiais de sade Preventiva

    Transferncias Governamentais para o setor

    Demanda de Atendimento

    Ampliao do Programa Sade da Famlia (PSF)

    Contrao de Mdicos Ampliao de Saneamento

    Bsico nas Zonas Rurais Educao nas Escolas de

    Sade Preventiva Realizar Campanha sobre

    Doenas sexualmente transmissveis

    2. Estruturao da Sade Bsica

    14 Estabelecimentos de Sade no Territrio: Federal, Estadual e Municipal

    11 estabelecimentos com internao

    64 Leitos: 3,83 p/ cada 1000 hab.

    Estabelecimento Federal s em Carauari

    Transportes Hospitalar frgil na zona rural

    Falta de medicamentos Deficincia em

    equipamentos de exame Estrutura de Pronto

    Atendimento frgil Unidades de Sade nas

    Zonas Rurais insuficiente

    Projetos para novos estabelecimentos

    Tipos de equipamentos necessrios para exame

    Demanda de Internao Quantos pblicos e privados Quantos estabelecimentos

    federais, estaduais, municipais e privados

    Ampliao e Implantao de Unidades de Sade

    Aquisio de Transporte Hospitala para as Zonas Rurais

    Aquisio de Aparelhos para exames mais complexos

    Ampliao das Farmcias Populares para distribuio de medicamento

    Implantao de Incinerador para lixo hospitalar

    3. Qualificao de Recursos Humanos na Sade do Territrio

    Muitas especialidades mdicas

    Profissionais qualificados Mdicos Estrangeiros

    Especialidades mais complexas no h

    Poucos Profissionais Pouca Capacitao Especialista em Sade

    Indgena Deficiente

    Quantificar as especialidades Tipos de Capacitao Satisfao dos Profissionais Tipo de Atendimento dos

    Profissionais Quantidade de Atendimentos

    de pacientes Capacitao dos Auxiliares

    mdicos

    Curso de Capacitao peridico aos Profissionais da Sade

    Capacitao para atendimento Encontro de Pressionais no

    Territrio Avaliao Peridica dos

    Profissionais

  • 103

    Eixo de Desenvolvimento: Segurana Pblica a Servi o do Cidado

    Existem inmeras limitaes para que a segurana pblica no Territrio

    atenda as demandas dos cidados. Uma delas, apontada nas reunies territoriais,

    a superlotao nas cadeias existentes nos municpios, o que contribui para uma

    dificuldade socializao dos delinqentes. Outro fator limitador para uma poltica de

    segurana a inexistncia de uma secretaria especfica para a rea. S existe este

    rgo no municpio de Itamarati. Ainda, segundo indicadores levantados junto ao

    IBGE, no existem delegacias especializadas, o efetivo da polcia militar e da guarda

    municipal insuficiente e, por conseqncia destes fatores, no se formalizou um

    conselho municipal de segurana pblica. Propostas apresentadas pelos

    representantes dos municpios so as seguintes: construo de uma penitenciria

    em Carauari, aquisio de viaturas para guarda municipal, instalao do conselho

    municipal de segurana pblica, ampliao dos efetivos policiais e construo de

    delegacias.

    Foram identificados os gargalos da segurana pblica no Territrio que so:

    ausncia de capacitao permanente dos efetivos municipais, salrios defasados,

    inexistncia de uma poltica de direitos humanos e no h medidas scio-educativas

    para os presidirios, tais como atividades para gerar trabalho e renda. Os projetos

    apresentados foram os seguintes: estruturar uma escola de formao militar no

    Territrio, curso sobre direitos humanos para os policiais e melhoria salarial para

    corporao.

  • 104

    DIMENSO SOCIOCULTURAL/EDUCACIONAL

    6. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Segurana Pblica a Servio do Cidado

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Estruturao da Segurana Pblico no Territrio

    Efetivos da Polcia Militar Existncia de Guarda

    Municipal em Carauari e Juru

    Cadeias com superlotao

    Secretaria especfica s em Itamarati

    No Existncia de delegacias

    Efetivo da Policia Militar insuficiente

    No Existncia de Conselhos Municipais

    Efetivos municipais insuficiente

    Tipos de ocorrncias criminais Equipamentos existentes Poltica de Segurana Pblica Indicadores de Violncia Total de Efetivos da PM Estrutura da Guarda Municipal

    Construo de uma Penitenciria em Carauari

    Aquisio de Viaturas para Guarda Municipal

    Instao de Conselho Municipal de Segurana Pblica

    Ampliao dos Efetivos Militares

    Construo de Delegacias

    2. Capacitao do Efetivo Militar

    Estrutura da Guarda Municipal

    Parceria com a Polcia Militar

    Recursos Federais

    Falta de Poltica de capacitao permanente

    Salrios Baixos Falta de Sensibilizao

    dos Militares Falta de Capacitao em

    Direitos Humanos Falta de uma poltica

    scio-educativo: gerao de rendas nos presdios

    Plano da Segurana Pblica Poltica de Formao Oficial Tipos de Capacitao Formao dos Agentes Programas de Capacitao do

    Governo Federal

    Estruturar uma Escola de Formao Militar no Territrio

    Curso sobre Direitos Humanos no Territrio

    Capacitao Tcnico-profissional aos Pressionais da Segurana Pblica do Territrio

    Valorizao Salarial aos Profissionais

  • 105

    Eixo de Desenvolvimento: Cultura e Lazer Segundo relato dos participantes das reunies territoriais, um dos problemas

    vivenciado nos municpios do Mdio Juru a falta de espaos fsicos para o

    exerccio de prticas culturais, o que dificulta apresentao de manifestaes

    tradicionais da regio, tais como: festa de datas comemorativas, festivais folclricos

    e feiras culturais. Os espaos existentes muitos tem estrutura precria, sem as

    mnimas condies para apresentaes. Outras vezes, os espaos so

    improvisados. Essa situao ocorre devido a falta de uma poltica cultural

    estruturada pelo poder pblico, na opinio dos representantes municipais. Como

    forma de avanar na questo cultural e ampliar os espaos para manifestaes

    populares foram sugeridos alguns projetos: criao do conselho municipal de

    cultura, construo de praas de alimentao nos municpios, de museus e de um

    bumbdromo em Carauari e lutar para criao de um ponto de cultura em cada um

    dos municpios.

    H uma percepo por parte do Colegiado Territorial que os municpios do

    Mdio Juru vm perdendo um pouco de suas identidades culturais, devido a

    importao de eventos culturais de outras regies. Nesse sentido, proposto como

    linha de ao o resgate da cultura do Mdio Juru como forma de recuperar a

    identidade cultural da regio. Para os representantes municipais preciso resgatar a

    histria de luta contra a explorao da populao da regio do Mdio Juru para

    mostrar a forma como se deu a formao do Territrio que no se deu de forma

    pacfica. Para isso preciso trabalhar alguns projetos que foram apresentados.

    Promover festival folclrico com apresentaes tpicas da regio, fazer uma ampla

    discusso entre os trs municpios que compem o Territrio sobre o resgate cultural

    e promover pesquisas da histria dos municpios para criar um acervo memorial.

    Embora existam quadras poliesportivas nos municpios do Territrio, mas

    no suficiente para atender as demandas esportivas e de lazer da populao e

    isso contribui para que parte dos jovens dos municpios se enverede para a

    marginalizao. A partir deste diagnstico foi feita a seguinte proposta como linha de

    ao: criao de espaos fsicos para fomentar o lazer no Territrio. Com a sugesto

    de alguns projetos. Construo e ampliao de quadras poliesportivas, criao de

  • 106

    praas para juventude, fomento de atividades esportivas nas escolas e criao do

    campeonato de futebol do Mdio Juru.

  • 107

    DIMENSO SOCIOCULTURAL/EDUCACIONAL

    7. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Cultura e Lazer

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Criao de Espaos Fsicos para atividades culturais

    Festa de datas comemorativas

    Festival Folclrico Feiras Culturais

    Falta de apoio do poder pblico

    Poucos espaos para atividades culturais

    Ausncia de Cinema no Territrio

    Inexistncia de Museus no Territrio

    Inexistncia de Teatro no Territrio

    Expresses Culturais dos Municpios

    Polticas Pblicas para Cultura Espaos Culturais existentes As datas Comemorativas nos

    municpios

    Criao do Conselho Municipal de Cultura

    Construo de Praa de Alimentao nos Municpios

    Construo do Museu do Mdio Juru

    Construo de Bumbdromo em Carauari

    Criao de um Ponto de Cultura nos Municpios

    2. Resgate da Cultura do Mdio Juru

    Cultura Indgena Datas Comemorativas Lendas e Histrias do Rio

    Juru Identidade Cultural do

    Territrio

    Importao de Atividades Culturais

    Perca da Identidade Resgate Cultural

    Abandonado Resgate cultural pouco

    trabalhado nas escolas

    Histria do Mdio Juru Lutas contra a explorao Polticas para Resgate Cultural Documentos Oficiais

    Festival Folclrico do Mdio Juru

    Seminrio de Resgate Cultural do Mdio Juru

    Criar um Acervo sobre a Histria do Mdio juru

    3. Criao de Espaos Fsicos para o Fomento do lazer no Mdio Juru

    Existncias de Quadra Poliesportiva

    Muitos Espaos desabitados

    Programas Federais Associao Esportivas

    Falta de uma poltica de lazer

    Muitos jovens se enveredando pela droga

    Poucas quadras poliesportivas

    reas de desenvolvimento do lazer

    Recursos destinados para essa atividade

    Atividades nas escolas

    Construo e ampliao de quadras poliesportivas

    Construo de uma Praa da Juventude

    Fomentar atividades esportivas nas escolas

    Campeonato de futebol do Mdio Juru

  • 108

    Eixo de Desenvolvimento: Poltica de Assistncia So cial

    Segundo dados do IBGE sobre ndice de desenvolvimento municipal do

    Mdio Juru os municpios tem alto grau de pobreza e uma distribuio de renda

    muito desigual. Para minorar as condies de vulnerabilidade das famlias daquela

    regio os Programas de Assistncia Social do Governo Federal tem grande

    relevncia. No entanto, para que as famlias no fiquem em uma dependncia

    permanente dessas polticas est sendo proposto neste PTDRS que se construam

    aes para gerao de trabalho e renda, apresentando os seguintes projetos:

    construo de habitaes populares pelo Programa Minha casa minha vida,

    realizao de feiras artesanais com produtos locais, qualificao de trabalhadores,

    linhas de crditos para pequenos empreendedores, fomentar poltica de economia

    solidria e capacitao direcionada as mulheres.

    Os problemas enfrentados pela populao de terceira idade no Mdio Juru

    so enormes. A estrutura hospitalar para atendimento deste pblico bastante

    precria, pois faltam equipamentos para exames essenciais, conforme vimos nos

    diagnstico territorial; no h centro de convivncias para idosos; inexistncia de

    locais para prticas desportivas direcionadas a essa populao especfica e a

    burocracia pblica para se aposentar muito grande. Nesse sentido, foi proposto

    como linha de ao ter uma poltica de assistncia a terceira idade. Para tornar essa

    poltica exeqvel foram apresentados os seguintes projetos: construo de centros

    de convivncia, aquisio de transportes hospitalar para as zonas rurais, centro de

    lazer para terceira idade e atendimento itinerante para orientar e agilizar processos

    de aposentadorias.

    Foi visto que alguns problemas tpicos de reas urbanas vm atingindo os

    adolescentes e jovens nos municpios do Mdio Juru, tais como: prostituio, uso

    de entorpecentes e alcoolismo. Algumas aes de polticas pblicas vm sendo

    implementadas como forma de enfrentar esses problemas, alm de aes

    desencadeadas pelos Conselhos Tutelares e Promotoria Pblica, no entanto,

    preciso ampliar e fortalecer aes que possam proteger as crianas, adolescentes e

    jovens no Territrio, para tal foram propostos alguns projetos nesse sentido. Ampliar

    o Programa de Erradicao do Trabalho Infantil (PETI), Estruturar melhor os

  • 109

    Conselhos Tutelares, Instalao de quadras poliesportivas nas comunidades rurais e

    promover ciclo de palestras nas escolas sobre os problemas das drogas.

  • 110

    DIMENSO SOCIOCULTURAL/EDUCACIONAL

    8. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Poltica de Assistncia Social

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Gerao de Trabalho e Renda

    Programas do Governo Federal e Estadual

    Engajamento das Agremiaes Religiosas

    Secretaria Municipal de Assistncia Social

    Existncia de Centro de Referncia Especializado de Assistncia Social (CREAS)

    Cadastro nico Perfil de Famlias aptas ao

    Bolsa Famlia

    Alto de ndice de Famlias Vulnerveis

    Falta de Informaes dos Programas Federais

    Poltica Assistencialista Dependncia Poltica da

    populao No reconhecimento

    como um dever do Estado e direito do cidado

    Recursos financeiros transferidos aos municpios para Assistncia Social

    Mapeamento das famlias vulnerveis

    Polticas para gerao de Trabalho e Renda

    ndice de Desenvolvimento Humanos dos Municpios do Mdio Juru

    Construo de habitaes populares pelo Programa Minha Casa, Minha Vida

    Feira de Artesanato nos municpios do Mdio Juru

    Cursos para qualificao de Trabalhadores com recursos do FAT

    Crdito facilitado para pequenos empreendedores: Banco Popular

    Desenvolver atividades de Economia Solidria

    Capacitao Direcionada s Mulheres

    2. Assistncia a Terceira Idade

    Mais de 10 mil recebem Assistncia Previdenciria no Mdio Juru

    Recursos Federais para Benefcios de Prestao Continuada (BPC)

    Grupos de Terceira Idade

    Estrutura Hospitalar Frgil (falta de equipamentos para exames)

    Inexistncia de centro de Convivncia para Idosos

    Falta de locais para prticas esportivas direcionados aos idosos

    Falta de sensibilidade para Terceira Idade

    Abandono Familiar Burocracia para se

    Aposentar

    Mapeamento da Terceira Idade

    Polticas para Terceira Idade Atendimento Hospitalar aos

    idosos Programas Federais de

    Assistncia aos Idosos

    Construo de Centro de Convivncia para Idosos nos Municpios do Mdio Juru

    Aquisio de Transporte Hospitalar para as Zonas Rurais

    Centro de Lazer para prtica esportiva na Terceira Idade

    Aposentadoria para Trabalhadores Rurais

    3. Proteo s Crianas, Adolescentes e Jovens

    Programas Federais nos Municpios do Mdio Juru

    Existncia de Conselhos Tutelares

    Promotoria Pblica em Carauari

    Estrutura do Conselho Tutelar Precria

    Prostituio Infantil crescente

    Consumo de droga crescente

    Alcoolismo Crescente Falta de delegacia

    especializada

    N de ocorrncias criminais que envolvam crianas e adolescentes

    Polticas Pblicas de Proteo a crianas e adolescentes

    Poltica de Proteo a Juventude

    reas de lazer para jovens

    Ampliao do Programa de Erradicao do Trabalho Infantil (PETI)

    Estruturao dos Conselhos Tutelares

    Quadras Poliesportivas nas Comunidades Rurais

    Criao de Delegacia da Infncia e Juventude

    Palestras Contra a Droga

  • 111

    3.5.3. Dimenso Socioeconmica

    Eixo de Desenvolvimento: Fomento a Atividade Agrco la da Olericultura

    A mandioca a principal atividade produtiva do Mdio Juru. Ela serve de

    base alimentar para maioria das famlias da regio. Alm do que, tem uma alta

    demanda de mercado, o que a torna rentvel economicamente. O cultivo da

    mandioca desenvolvido nos trs municpios do Territrio com alta potencialidade e

    tem como vantagem a organizao dos produtores rurais. Por esse motivo de

    fundamental importncia desenvolver a cadeia produtiva da mandioca. No entanto,

    alguns gargalos precisam ser superados para melhorar a produtividade desta

    cultura, tais como: melhorar a qualidade do produto, capacitar a mo-de-obra

    envolvida nessa atividade, criar as condies para que a infra-estrutura melhore,

    reforar a assistncia tcnica e, fundamentalmente, agilizar para regularizar as

    propriedades rurais. Projetos para viabilizar essa ao so os seguintes:

    capacitao em assistncia tcnica nas comunidades rurais, aquisio de caminho

    para transportar a produo, regularizar as propriedades rurais, implantar

    certificao do produto e capacitao em cooperativismo e associativismo.

    Outra proposta de ao apresentada na reunio territorial foi desenvolver a

    cadeia produtiva da melancia. Essa atividade tem potencialidade no Territrio, pois

    cultivada nos trs municpios, o seu plantio e colheita so altos e tem alta demanda

    no mercado local. No entanto, limitaes como dificuldade para escoar a produo,

    desorganizao dos produtores, difcil a acesso a novos mercados, poucas linhas de

    crdito e terras no regularizadas precisam ser superadas. Para tal, faz-se

    necessrio desenvolver cursos de assistncia tcnica nas comunidades rurais,

    melhorar as estradas vicinais, regularizar as propriedades rurais e capacitar em

    cooperativismo e associativismo.

  • 112

    DIMENSO SOCIOECONMICA

    9. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Fomento a Atividade Agr cola da Olericultura

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Mandioca

    Base Alimentar de 90% das Famlias Locais

    Forte Demanda de Mercado

    Cultura de Produtividade Segura

    Atividade em Todas as Comunidades

    Variedade de Espcies Alta Produo e Alto

    Consumo Associao de Produtores

    Rurais organizado em Carauari

    Ausncia de Energia em muitas comunidades

    Ausncia de um Padro de Qualidade

    Ausncia de Embalagens do Produto

    Baixo Padro de Higiene Baixa Qualidade da

    gua para Higiene da Mandioca

    Baixa Capacitao da Mo-de-obra

    Falta de Infra-estrutura para Produo

    Dificuldade no Escoamento da Produo

    Pouca Assistncia Tcnica

    Ausncia de Boas Prticas de Fabricao

    Desorganizao dos Produtores em alguns municpios

    Falta de Regularizao das Terras

    Variedade de Cultura que Atinja alm da Produtividade uma boa qualidade do Produto

    Novas Tcnicas de uso ordenado do solo

    Treinamento e Capacitao para Melhoria, Diversidade e Qualidade da farinha

    Padro de Granulao Potencial de cada variedade Manuseio de Tcnicas de

    Higiene Tcnicas de Capacitao As variedades de Mandiocas

    com maior Produtividade

    Capacitao em Assistncia Tcnica nas Comunidades Rurais

    Aquisio de Caminho para Transportes da Produo

    Regularizar as Propriedades Rurais

    Organizar as Associaes de Produtores Rurais

    Implantao do Programa Luz para Todos

    Capacitao para Boas Prticas de fabricao

    Implantar certificao do Produto

    Aquisio de Equipamento para Embalagem da Produo

    Capacitao para Associativismo e Cooperativismo

    2. Desenvolvimento da cadeia produtiva da Melancia

    Atividade Produtiva nos trs municpios do Territrio

    Uso de Extensa rea de Terra para Plantio e Colheita

    Abastecimento do mercado Local

    Dificuldade para Escoamento da produo

    Transportes em condies precrias

    Produtores desorganizados

    Preos subvalorizados Dificuldade a mercados Dificuldades ao crdito Regularizao de

    propriedade precria

    Estudo da cadeia produtiva Estudo de Mercado Linhas de Financiamento Capacitao para assistncia

    Tcnica

    Curso de Assistncia Tcnica nas Comunidades Rurais

    Aquisio de caminho para transportes da Produo

    Regularizar as propriedades Rurais

    Melhoramento das Estradas Vicinais

    Capacitao em Associativismo e Cooperativismo

  • 113

    Eixo de Desenvolvimento: Fomento a Atividade de Fru ticultura

    Desenvolver a cadeia produtiva da banana , na opinio dos agentes

    territoriais, uma atividade bastante promissora no Mdio Juru, pois j existe pontos

    fortes que s preciso fortalec-los para torna a produtividade deste produto

    economicamente vivel. A produo da banana, segundo os dados do IBGE, tem

    alta produtividade. J existe poltica de distribuio de mudas para plantio e as

    espcies cultivadas so resistentes a sigatoka negra, doena destrutiva da cultura

    da bananeira. A produo desenvolvida com mo-de-obra familiar e tem enorme

    potencial no mercado local. Projetos apresentados para desenvolver essa ao so

    os seguintes: capacitao aos produtores rurais, fortalecimento das associaes de

    produtores e ampliar as linhas de financiamento.

    O Territrio do Mdio Juru tem grande potencial no cultivo do aa. O

    produto de boa qualidade, possui demanda local e tem apoio tcnico de instituio

    do IDAM, alm do que, tem linha de crdito para financiar produo. As dificuldades

    que inviabilizam um melhor aproveitamento dessa atividade so as seguintes:

    dificuldades no escoamento da produo, assistncia tcnica bastante precria,

    no h boas prticas de fabricao e uma baixa qualidade na higienizao da

    produo. Espera-se que essa ao possa ser viabilizadas mediante a execuo

    dos seguintes projetos: capacitao dos produtores em boas prticas de

    beneficiamento, recuperao das estradas vicinais, aquisio de caminho para

    transportar a produo, capacitao em assistncia tcnica, obteno de selo de

    certificao e agroindustrial para o beneficiamento do aa.

    Desenvolver a cadeia produtiva do cupuau e do abacaxi outra linha de

    ao proposta pelos agentes territoriais. Algumas condies so favorveis, como

    produo para o mercado em alta, produtos de boa qualidade, o cultivo pode ser

    feito de forma consorciada e tem apoio de instituies pblicas. Projetos para

    viabilizar essa ao: recuperao de estradas vicinais, implantao de agroindstria,

    aquisio de caminho e capacitao em assistncia tcnica.

  • 114

    DIMENSO SOCIOECONMICA 10. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Fomento a Atividade de Fruticultura

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades) Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Banana

    Alta Produtividade e Rentabilidade

    Distribuio de mudas aos Agricultores

    Espcies Resistentes a Sigatoka Negra

    Extensa rea de Plantio Mercado Local com Potencial Fixao de Mo-de-obra rural Atividade de Agricultura familiar

    Dificuldade no Escoamento da produo

    Pouca Assistncia Tcnica

    Ausncia de Boas Prticas de Fabricao

    Precariedade na Organizao dos Produtores

    Estudo da cadeia produtiva Linhas de Financiamento Estudo de Mercado Estudo dos Solos

    Apropriados Novas Tcnicas de Plantio Melhor poca de Plantio Conhecimento das Espcies

    e que melhor se adapta

    Capacitao dos Produtores Rurais em Assistncia Tcnica

    Capacitao em Associativismo e Cooperativismo

    Fortalecimento das Associaes de Produtores

    Distribuio de mudas aos Produtores Rurais

    Ampliar Linhas de Financiamento

    2. Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Aa

    Tem Grande Potencial Econmico Boa Qualidade do Produto Mercado Consumidor reas Nativas e Cultivadas Apoio do IDAM PRONAF e AFEAM

    Dificuldade no Escoamento da Produo

    Pouca Assistncia Tcnica

    Ausncia de Boas Prticas de Fabricao

    Precariedade na Organizao dos Produtores

    Baixa Qualidade Higinica na Produo

    Extrao Inadequada do Fruto

    Tcnicas de Extrao Tcnicas de

    Beneficiamentos e Armazenamentos

    Mercado Consumidor Externo

    Estudo da Cadeia Produtiva Estudo de Mercado

    Capacitao dos Produtores em Boas Prticas de Beneficiamentos

    Recuperao das Estradas Vicinais

    Aquisio de Caminho para o Transporte da Produo

    Capacitao em Assistncia Tcnica

    Realizao de Intercmbio com Produtores de outros Municpios

    Projeto para Financiamento Obteno de Selo de Certificao Agroindstria de Beneficiamento

    do Aa

    3. Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Cupuau e Abacaxi

    Produo para o Mercado Local em Alta

    Produto de Boa Qualidade Produtores em Atividade Produo Consorciada (cupuau) Apoio do IDAM PRONAF e AFEAM

    Dificuldade no Escoamento da Produo

    Pouca Assistncia Tcnica

    Organizao Precria dos produtores

    Fragilidade no beneficiamento

    Estudo de Mercado Estudo da Cadeia

    Produtiva Tcnicas de

    Beneficiamento Condies de

    Armazenamento

    Recuperao das Estradas Vicinais

    Implantao de Agroindstria Aquisio de Caminho Capacitao em Assistncia

    Tcnica

  • 115

    Eixo de Desenvolvimento: Extrativismo de leos Vege tais O potencial de leos vegetais na regio do Mdio Juru bastante promissor

    para os produtores rurais. A andiroba uma das espcies de grande aceitao no

    mercado, pois o leo e seus subprodutos como sabonetes e velas so bastante

    comercializados em alguns pontos comerciais da regio amaznica. O leo tambm

    vendido para indstria de cosmtico nacional e internacional. Em Carauari existe

    um projeto piloto de produo e beneficiamento deste leo. Segundo informaes da

    Secretria de Desenvolvimento Sustentvel (SDS), em 2006 os produtores da

    RESEX do Mdio Juru e da RDS do Uacari comercializam andiroba in natura por

    um valor de R$ 5,00 uma lata, que corresponde a 18 litros. A produo comprada

    pela Cooperativa do Roque que processa e comercializa. Na avaliao dos

    representantes territoriais o produto tem grande potencial de mercado e a atividade

    produtiva garante a sustentabilidade da floresta.

    O murumuru comercializado com a Natura Ekos extrado da Reserva

    Extrativista do Mdio Juru e da Reserva de desenvolvimento Sustentvel de

    Uacarari. Assim como a andiroba o murumuru possui alta demanda de mercado, por

    isso que proposto como linha de ao o desenvolvimento de sua cadeia produtiva.

    Praticamente os gargalos so os mesmo para o desenvolvimento destes dois

    produtos. A estrutura de produo no suficiente para atender a demanda

    requerida, no h certificao do produto, a fiscalizao desta atividade muito

    precria e a capacitao dos produtores apresenta bastante fragilidade.

    Para que essa atividade se estabelea gerando desenvolvimento para o

    Mdio Juru os agentes territoriais apresentaram as seguintes proposituras:

    instalao/ e ou ampliao de usinas nas localidades de extrao desses leos,

    zoneamento das reas produtivas dos municpios, consolidao dos planos de

    manejo, capacitao da mo-de-obra e melhorias das estradas vicinais.

  • 116

    DIMENSO SOCIOECONMICA

    11. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Extrativismo de leos Vegetais

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Andiroba

    Grande Potencial de Mercado

    Produo Sustentvel

    Existncia de Cooperativas

    Produo em Unidade Familiar

    Existncia de Associaes de Produtores

    Projeto Piloto em Carauari: Usina

    Oferta Abaixo da Demanda

    Ausncia de Certificao

    Destino do Resduo Fiscalizao Frgil Informalidade dos

    Funcionrios Pouca Infra-estrutura Deficincia no

    Sistema de Gesto

    Novas Tcnicas de Beneficiamento

    Estudo da cadeia produtiva Identificao do Mercado

    Consumidor Linhas de Financiamento

    Instalao e/ou Ampliao da Usina

    Zoneamento das reas Produtivas por Municpios

    Consolidao dos Planos de Manejo

    Capacitao da Mo-de-obra Abertura de Estradas Vicinais

    2. Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Murumuru

    Grande Potencial de Mercado

    Produo Sustentvel

    Existncia de Cooperativas

    Produo em Unidade Familiar

    Existncia de Associaes de Produtores

    Oferta Abaixo da Demanda

    Ausncia de Certificao

    Destino do Resduo Fiscalizao Frgil Informalidade dos

    Funcionrios Pouca Infra-estrutura Deficincia no

    Sistema de Gesto

    Novas Tcnicas de Beneficiamento

    Estudo da cadeia produtiva Identificao do Mercado

    Consumidor Linhas de Financiamento

    Instalao e/ou Ampliao da Usina

    Zoneamento das reas Produtivas por Municpios

    Consolidao dos Planos de Manejo

    Capacitao da Mo-de-obra Abertura de Estradas Vicinais

  • 117

    Eixo de Desenvolvimento: Atividade Pesqueira

    Como linha de ao da atividade pesqueira se prope o desenvolvimento da

    piscicultura, pois existe grandes potencialidade, tais como: potencial elevado e

    diversidade de espcies, mercado consumidor local e externo, existncia de colnia

    de pescadores, fabrica de gelo em funcionamento, estao de alevinos em Carauari

    e muitos lagos no Territrio. Os gargalos a serem superados so os seguintes: falta

    de cumprimento do seguro defeso, falta de fiscalizao na sada do pescado,

    fragilidade no armazenamento, precariedade em tcnicas de piscicultura, escassez

    de instrumentos de pesca, barcos de pequeno porte e inexistncia de acordo de

    pesca.

    Foram apresentados os seguintes projetos: implantao de unidade de

    beneficiamento do pescado e manejos de lagos e de espcies, capacitao para

    beneficiamento do pescado, construo de entreposto de salga e construo de

    frigorfico para armazenamento.

  • 118

    DIMENSO SOCIOECONMICA

    12. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Atividade Pesqueira

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Fomento a Piscicultura no Mdio Juru

    Potencial Elevado Diversidade de

    Espcies Mercado Consumidor

    Local e Externo Existncia de

    Colnia de Pescador Fbrica de gelo em

    Construo em Carauari, Itamarati

    Estao de Alevinos em Carauari

    Muito lagos Produtivo

    Existncia do Manejo do Pirarucu em Carauari

    Falta de Cumprimento do Seguro Defeso

    Falta de Fiscalizao na Sada do Pescado

    Fragilidade no Armazenamento

    Fragilidade em tcnicas de Piscicultura

    Falta de Equipamento de Pesca aos Pescadores

    Barcos de Pequeno Porte aos Pescadores

    Inexistncia de Manejo de lagos

    Inexistncia de Acordo de Pesca

    Conhecer Potencial Pesqueiro

    Conhecimento das Tcnicas de manejo de lago e das espcies

    Tcnicas de Beneficiamento do Pescado

    Tcnicas de Armazenamento

    Implantao de Unidade de Beneficiamento do Pescado

    Implantao de Manejo de lago e das espcies

    Capacitao para Beneficiamento do Pescado

    Capacitao e Mobilizao para Acordo de Pesca

    Construo de Entreposto de Salga para beneficiamento do Pescado

    Implantao de Frigorfico para Armazenamento

  • 119

    3.5.4. Dimenso Poltico/Institucional

    Fortalecimento das Organizaes Sociais

    Uma das precondies para o fortalecimento do planejamento territorial a

    organizao dos atores sociais, como forma de garantir o protagonismo do processo

    de desenvolvimento. Nesse sentido se prope como linha de ao a legalizao das

    associaes dos produtores e pescadores. Essa ao fortalecer o envolvimento

    dos produtores nas atividades produtivas, facilitar a compra dos produtos pelas

    associaes e garantir a participao dos trabalhadores nos fruns decisrios das

    polticas para o territrio. Do contrrio, os produtores perdem foras poltica nas

    decises sobre suas atividades, cresce as atividades ilegais e enfraquece o controle

    sobre o seguro defeso. As propostas apresentadas dizem respeito a criao de

    fruns em cada municpio para articulao das associaes e legalizao das

    associaes.

    Nas reunies territoriais a presena de representantes de associao de

    produtores de grande relevncia para fortalecer as decises do colegiado, o que

    garante interlocuo com as instituies pblicas, recebe as informaes para

    desenvolvimento dos projetos, como linhas de crditos e intermediao para a

    venda da produo. Nesse sentido, ficou estabelecido como linha de ao o

    fortalecimento das organizaes de produtores existentes. Projetos nesse sentido

    so os seguintes: estruturao das associaes, frum das organizaes, criao de

    uma entidade territorial e capacitao sobre elaborao de projetos de produo.

  • 120

    DIMENSO: POLTICO/INSTITUCIONAL

    13. EIXO DE DESENVOLVIMENTO: Fortalecimento das Organizaes Sociais

    Linhas de Ao Pontos Fortes (Potencialidades)

    Pontos Fracos (Limitaes)

    O que ainda precisamos conhecer (Diagnstico) Projetos

    1. Legalizao das Associaes de Produtores e Pescadores

    Envolvimento nas Atividades Produtivas

    Compra da Produo Representao nos

    Fruns Participao nas

    Decises de poltica Pblica

    Gesto das polticas

    Perca de Fora Poltica

    Muitos Pescadores na Atividade Ilegalmente

    Falta de Controle do Seguro Defeso

    No Participao em Fruns

    Mapeamento das Organizaes

    Documentao para Legalizao

    Dirigentes das Organizaes

    Frum em cada municpio para articular Associao

    Legalizar Associaes Reconhecimento das

    Associaes como Entidades Pblicas

    2. Fortalecimento das Organizaes Existentes

    Representao no Colegiado do Territrio

    Estabelecimento de Parcerias com governos

    Captao de Recursos

    Desenvolvimento de Projetos

    Intermediao na venda da produo

    Pouca Participao dos Associados

    Estrutura Precria Falta de Capacitao Poucos recursos

    para Articulao no Territrio

    No Reconhecida como Entidade pblica

    Capacidade Tcnica Precria

    Organizaes Existentes Projetos em Desenvolvimento Prestao de Conta Parcerias Estabelecidas Representantes das

    Organizaes

    Estruturao das Associaes

    Frum das Organizaes Criao de uma entidade

    Territorial Criao de Curso de

    Capacitao para Elaborao de Projetos

  • 121

    4. GESTO SOCIAL DO TERRITRIO

    O modelo de desenvolvimento hegemnico do sculo XIX se baseou no

    crescimento econmico, onde as formas de gestes tinham como preocupao

    central o aumento da produtividade atravs das inovaes tecnolgicas. No entanto,

    este modelo no foi capaz de resolver questes cruciais da humanidade.

    Conseqncia disso foi o crescimento do desemprego de forma acelerada, o

    aumento da misria, da fome, entre outros dramas sociais. Alm do que, os danos

    causados ao meio ambiente foram de forma irreparveis.

    Diante disso, desde os anos setenta surge de forma embrionria um debate

    acerca de um modelo alternativo para o desenvolvimento econmico. nesse

    contexto que surge a idia de desenvolvimento sustentvel que preconiza o uso dos

    recursos naturais para atender as demandas da sociedade presente, mas

    preocupado com o atendimento das geraes futuras. Para garantir essa nova forma

    de desenvolvimento faz-se necessrio criar novas formas de arranjos institucionais

    em substituio ao velho modelo fordista da grande indstria em que a produo se

    dava de forma verticalizada.

    Imbudo desse propsito, que na cpula mundial organizada pela Unctad

    sobre desenvolvimento uma das proposituras aprovadas falava de parcerias para o

    desenvolvimento, reunindo formalmente governos, empresas e organizaes no

    governamentais.

    Essa nova concepo de desenvolvimento baseado nas parcerias

    institucionais que tem norteado a construo dos Planos Territoriais Rurais

    Sustentveis, Brasil afora. Ela coloca os atores sociais como protagonistas da

    construo das polticas pblicas para a melhoria de suas vidas. Alm do que, faz

    com que os mesmos se empoderem do processo e, conseqentemente, fortalea o

    Plano Territorial para sua execuo.

    Na construo do Plano Territorial do Desenvolvimento Rural Sustentvel

    (PTDRS) do Mdio Juru os atores envolvidos dos trs municpios, Carauari,

    Itamarati e Juru, discutiram, criticamente, os dados secundrios apresentados

    sobre a realidade do Territrio, observando as potencialidades e os principais

    entraves para o seu desenvolvimento, apontando, posteriormente, os principais

    eixos e projetos para superao dos gargalos e fortalecimento das atividades

  • 122

    potenciais, finalizando com uma discusso sobre a consolidao da organizao

    para gesto do Plano Territorial.

    Cabe ao Colegiado Territorial, pea chave do processo, o papel de gerir o

    Plano, articulando reunies territoriais para discutir e encaminhar as demandas

    territoriais; cabe tambm a tarefa de acompanhar a execuo das propostas

    apontadas no planejamento, atuando como interlocutor junto s autoridades

    pblicas. Nesse sentido, o Colegiado Territorial do Mdio Juru, como os demais

    colegiados territoriais, tem que buscar e propor alternativas que facilite a troca de

    informao, o debate democrtico e o monitoramento das atividades propostas no

    PTDRS, superando as dificuldades impostas pelas distancias geogrficas,

    ecolgicas e de comunicao.

    Cabe ao governo federal, como fomentadores da estratgia de

    desenvolvimento territorial rural sustentvel, alem de disponibilizar e apoiar a

    construo de instrumentos para a gesto social do processo, tem que garantir a

    execuo do PTDRS. E atravs da fora poltica quem exerce, precisa garantir o

    compromisso dos governos estaduais e municipais com a proposta. Pois, caso isso

    no ocorra, corre-se o risco de perdermos o momento propcio e histrico para

    avanarmos na direo da viso de futuro, viso de sociedade que o

    Colegiado/povo, tem debatido e trabalhado nos Territrios de Desenvolvimento

    Rural Sustentvel.

  • 123

    5. BIBLIOGRAFIA REFERENCIAL

    AMAZONAS. 2005. Planos Operativos. Manaus: Governo do Estado do

    Amazonas/IDAM.

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    BRASIL. 2005. Referncias para uma estratgia de desenvolvimento Rural

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    BRASIL, 2008. Termo de referncia para apoio na elaborao do Pla no de

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    MMA/ICMBio. Disponvel em http://www.pnud.org.br/recrutamento/arquivos/122821

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