PLANO TERRITORIAL DE DESENVOLVIMENTO ?· Brasil e de Portugal em que a extração e exportação do…

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PLANO TERRITORIAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL E SOLIDRIO PTDSS Territrio Piemonte da Diamantina Piemonte da Diamantina Bahia Janeiro de 2017 PLANO TERRITORIAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL E SOLIDRIO PTDSS Territrio Piemonte da Diamantina Piemonte da Diamantina Bahia 2017 Organizador Consultor Paulo Henrique Muricy Nunes Junior Parceiros Associao Comunitria da Grota do Brito Associao de Ao Social e Preservao das guas, Fauna e Flora da Chapada Norte Companhia de Desenvolvimento e Ao Regional - CAR - Lara Micia A. Mascarenhas Sena Cooperativa de Trabalho e Assistncia a Agricultura Familiar e Sustentvel do Piemonte - Farnesio Braz, Leonardo Lino Carvalho Ncleo de Pesquisa e Extenso NUPEX Mercejane D. Almeida Secretaria de Cultura do Estado da Bahia - Inaiara Lima de Souza Nunes Piemonte da Diamantina, Bahia Janeiro de 2017 O Colegiado de Desenvolvimento Territorial Sustentvel do Piemonte da Diamantina CODETER/ TIPD apresenta a todos/as o Plano Territorial de Desenvolvimento Sustentvel e Solidrio PTDSS. Trata-se da construo coletiva de um instrumento que consolida o que j foi elaborado no Territrio Piemonte da Diamantina, por meio de escutas municipais e territoriais, Conferncias de mbito territorial e dos diversos setores sociais. Toda esta produo foi feita ao longo de anos e agora est sendo reciclada, atualizada e consolidada num novo instrumento de planejamento para o desenvolvimento sustentvel do Territrio. A poltica Territorial na Bahia uma abordagem para o desenvolvimento, a qual prescinde da compreenso do conjunto das instituies presentes no territrio sobre o seu significado estratgico. Pensar em termos territoriais significa pensar de maneira estrutural e articulada sobre os problemas e as possveis solues, articulando foras, atores, instituies, oportunidades, empenhos dos cidados e cidads, para superar obstculos que impedem o conjunto dos municpios do territrio de se desenvolverem. O CODETER acredita que o PTDSS nos remete ao sentimento da necessidade de firmarmos compromissos, alm de ser uma forma de manifestarmos quem somos, o que queremos, qual entendimento ns temos da realidade, que caminhos vamos percorrer para estabelecer nosso modo de vida rural e urbana com abundncia, justia social e cidadania. SUMRIO APRESENTAO CAPTULO 1 DIAGNSTICO DO TERRITRIO 1.1 HISTRICO DO TERRITRIO DE IDENTIDADE PIEMONTE DA DIAMANTINA 1.1.1 HISTRICO DE JACOBINA E REGIO 1.1.2 ACERVOS GEOLGICO, ARQUEOLGICO E HISTRICO-CULTURAL DO PIEMONTE DA DIAMANTINA 1.1.3 MARCO REGULATRIO TERRITORIAL DA BAHIA 1.2 CARACTERSTICAS DO TERRITRIO 1.3 DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL DO TERRITRIO CAPTULO 2 MATRIZ DE OBJETIVOS, ESTRATGIAS E METAS 2.1 DESCRIO SOBRE OS EIXOS DE DESENVOLVIMENTO 2.2 MATRIZ DE AES CAPTULO 3 GESTO, ACOMPANHAMENTO E MONITORAMENTO DO PTDSS 3.1 DESCRIO SOBRE OS INSTRUMENTOS E ESTRATGIAS PARA A GESTO DO DESENVOLVIMENTO REFERNCIAS APRESENTAO O PTDSS Plano Territorial de Desenvolvimento Sustentvel e Solidrio do Piemonte da Diamantina se constitui como principal instrumento de planejamento de curto, mdio e longo prazo e configura-se como suporte para a gesto do desenvolvimento do Territrio de Identidade Piemonte da Diamantina - TIPD. Ele foi elaborado de forma democrtica e participativa, com amplo protagonismo do Colegiado de Desenvolvimento Territorial Codeter/TIPD, em especial de suas Cmaras Temticas, apoiado por equipe externa de consultoria e apoio incondicional de instituies parceiras, ativistas e militantes sociais. Apesar do processo de construo de planos territoriais ter iniciado na Bahia entre os anos de 2004 e 2010, s agora o TIPD apresenta a sua primeira verso, embora possua documentos resultantes de atividades territoriais como as Conferncias de Desenvolvimento Rural, Cultura, Meio Ambiente, e as Conferncias Setoriais de Mulheres, da Juventude, de Assistncia Tcnica e Extenso Rural - Ater, de Segurana Alimentar e Nutricional SAN, e de Povos e Comunidades Tradicionais, dentre outras, que apontam objetivos, diretrizes e estratgias de desenvolvimento sustentvel do territrio. A elaborao deste Plano Territorial decorre da necessidade e orientao da II Conferncia Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentvel e Solidrio - CNDRSS realizada em 2013 e em conformidade com a resoluo n 100 de 22/12/2014 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentvel Condraf. O PTDSS do TIPD est estruturado em trs captulos: Captulo 1 Diagnstico do Territrio, apresentando o histrico regional, marcos regulatrios da sua criao, as caractersticas e informaes sobre o desenvolvimento do Territrio; Captulo 2 - Matriz de Objetivos, Estratgias e Metas, fazendo uma breve descrio sobre os eixos do desenvolvimento (Desenvolvimento Econmico, Estrutura Fundiria e Acesso a Terra, Formao Cidad e Organizao Social, Infra Estrutura e Servios Pblicos, e Gesto de Recursos Hdricos) e a Matriz das Aes; Captulo 3 - Gesto, Acompanhamento e Monitoramento do PTDSS, descrevendo as estratgias para a gesto do desenvolvimento; e Referncias. 1 DIAGNSTICO DO TERRITRIO 1.1 Histrico do Territrio de Identidade Piemonte da Diamantina O ciclo da minerao importante para a histria da regio, perodo da histria do Brasil e de Portugal em que a extrao e exportao do ouro dominava a dinmica econmica da colnia. Neste perodo, o processo de povoamento se intensificou com a busca incessante por metais preciosos. Alm disso, a regio das proximidades do que chamamos de Piemonte da Diamantina, passou a constituir importantes ncleos de povoamento, configurando assim reas de intensa circulao de mercadorias e pessoas. A histria de Jacobina-Bahia, muncipio que originou os outros 08 municpios do Territrio, indicia que j era habitada desde o Descobrimento pelos ndios sapois, paiais, tocs, secaquerinhens, todos pertencentes ao grupo dos Quirirs, formando a grande nao dos Tapuias em toda a regio de vegetao baixa e espinhosa que formava o serto. A posterior ocupao do Territrio testifica- se em relatos datados do final do sculo XVII (1682), com o incio do desbravamento do territrio por aventureiros em busca de metais preciosos, foram ento encontradas jazidas de salitre, ainda muito exploradas na primeira dcada e logo sucedidas pelos primeiros relatos do ouro abundante encontrado na regio (AZEVEDO, 1996). Um dos seus principais componentes geogrficos naturais a Serra do Tombador, que corta o Territrio ao meio perfazendo um marco divisor de guas, delimitando duas bacias hidrogrficas, Salitre e Itapicuru, e tendo os seus municpios ao sop ou p do monte (piemonte) dessa cordilheira que a entrada da Chapada Diamantina pelo lado norte, sendo essa caracterstica responsvel pela denominao de Territrio de Identidade Piemonte da Diamantina. 1.1.1 Histrico de Jacobina e regio Segundo o grande sertanista Theodoro Sampaio, o topnimo Jacobina, Jaccuabynna, Jacuabina, uma palavra indgena que significa Campo Limpo, uma aluso ao pediplano sertanejo visto das Serras de Jacobina. Toda extenso das Serras de Jacobina, aproximadamente 200km, era ocupado, antes do colonizador, por populaes originrias, chamados de ndios Payays. Considerados por muitos como muralhas humanas, impedindo a colonizao do interior da Capitania Real por sculos, somente na metade do sculo XVII foram dizimados pelos oficiais da coroa portuguesa. A cidade de Jacobina, abre-se em meio a grandes paredes, serras aurferas e grutas, em meio s guas dos lagos rios e variadas cachoeiras. Rico tambm o patrimnio histrico e cultural desta que a Cidade do Ouro; herana dos tempos de explorao das minas, que atraam numerosos exploradores. A descoberta de prata nas Serras de Potos, no Peru, pelos espanhis em 1545, mostrou ao mundo colonial, pela primeira vez, metais preciosos em abundncia, e rapidamente a prata se torna a principal moeda de troca comercial e o metal mais ambicionado pelos conquistadores ibricos. A coroa portuguesa no teve a mesma sorte. A descoberta e explorao do ouro em Jacobina data da segunda metade do sculo XVI, iniciando o primeiro ciclo de ouro no usufrudo pelo Imprio Portugus, sendo Gabriel Soares de Souza um dos primeiros a acender as minas, sendo responsvel pela primeira Corografia do Brasil em 1587. Ele e seu irmo, e mais um primo, Melchior Dias Moreya 1, so responsveis pelas primeiras exploraes de ouro na regio1. Com o consentimento de Felipe II, Gabriel Soares de Souza parte de Madri com a nau Grifo Dourado e 360 oficiais reais, os quais iriam ocupar os cargos da administrao do novo distrito mineiro que iria erigir em Jacobina, onde Gabriel Soares seria encabeado como Marqus das Minas, nico possuidor dos roteiros que conduzia as anunciadas riquezas. Por volta de 1591, adentram novamente pela parte sul das Serras de Jacobina em direo as Minas de Jacobina, onde fundariam a primeira Vila 1 Esse sub-captulo inteiramente baseado em: CARVALHO, Fbio O., BUSQUEDA E EXPLOTACIN DE METALES EN EL BRASIL COLONIAL: La colonizacin de los sertes de Jacobina - Baha entre los siglos XVI XVIII, Dissertao de Mestrado, Universidade Autonoma de Madrid, Espanha, 2010. mineira do Brasil. A histria nos conta que foram dizimados pelos payays. Com a notcia do incidente, e de posse dos roteiros, seu primo Melquior Dias Moreya organiza uma Bandeira e faz entrada em busca de Gabriel Soares, permanecendo oitos anos em Jacobina, at que, dado como morto, aparece em sua fazenda em Tatuapar. Logo aps, segue para Espanha por volta de 1605, reclamar ao Rei os ttulos e honras a que tinha direito como descobridor, informando a Felipe III ser possuidor dos roteiros que levariam a coroa a riquezas muito maiores que Biscaia, mina de ferro responsvel pelos maiores dividendos aos cofres reais do perodo. Mas seu pedido no foi atendido. O fato que Belchior Dias Moreira2 morre no comeo do sculo XVII sem revelar o local das Minas de Jacobina, gerando o mito das Minas de Prata, histria essa romantizada em uma novela histria de Jos de Alencar, As Minas de Prata, com lanamento na segunda metade do sculo XIX. O segundo ciclo de minerao em Jacobina se inicia a partir da segunda metade do sculo XVII, onde a regio passou a ser povoada, vindo a surgir os primeiros adensamentos humanos e as primeiras mineraes de ouro em Jacobina, aps a vitria do colonizador nas Guerras Justas. Contudo, desde o comeo deste sculo, o avano do gado pela parte norte das Jacobinas, ou seja, no entorno norte das Serras de Jacobina, a penetrao do interior baiano com currais de gado foi intensa. Sabemos que por volta de 1666, o missionrio flamengo Jacob Roland, acompanhado de outro telogo, Joo de Barros, funda a Misso de So Francisco Xavier Misso de Jacobina onde edificam uma Igreja de Santo Antnio, e onde em 1683 o Arcebispo da Bahia cria a Freguesia de Santo Antonio de Jacobina. 2 Melchior Dias Moreya troca seu nome para Belchior Dias Moreira antes de sua viagem Espanha. Nas Minas recm descobertas, logo se instala a Igreja Matriz de Santo Antonio em 1705, e em 1706 instalada a Misso do Bom Jesus da Glria. A presena do negro tambm bastante importante na regio, diversas so as ordens para aprision-los, marcando sua forte presena na regio, como a ordem emitida ao Capito do Mato Domingos Gonalves Ferreira, que lhe ordena aprisionar os quilombos e mocambos em Jacobina. Logo em 1720, Jacobina passa ter privilgio de Vila, com topnimo de Vila de Santo Antnio de Jacobina, passado a possuir os mais altos cargos da administrao colonial. A Casa da Torre em conjunto com a Casa da Ponte, redefiniram por sculos a organizao espacial de Jacobina. Certamente, o comeo do sculo XVIII foi um dos mais intensos da Bahia, onde ocorreu um rpido deslocamento de populaes para o interior, e o declnio na economia da cidade de Salvador pela escassez de mo de obra escrava, que progressivamente ia sendo deslocada para as Minas de Jacobina. Por outro lado, o crescente aumento do contingente de aventureiros que adentravam os sertes em busca de enriquecimento fcil, gerava um clima de desordens e tumultos, at a instalao da Vila em 1724, com a construo da Cmara Municipal, ainda existente. Pela Proviso de 13 de maio de 1726 foi ordenada a construo de duas Casas de Fundio, uma em Jacobina e outra em Rio de Contas. Com a instalao da Casa de Fundio em Jacobina, provavelmente no Solar das Almas, na Praa Rio Branco, aos finais de 1727. Em 1755, a Casa de Fundio transferida para as Minas Novas de Arassuay, no norte de Minas Gerais, marcando o grande declnio na arrecadao do quinto em Jacobina. Em 1758, a sede da Freguesia de Jacobina instalada. Em 1759 se constri a Igreja de Nossa Senhora da Conceio, ano de expulso dos jesutas do Brasil. Aps a proclamao da repblica, a Vila de Santo Antnio de Jacobina perde substancialmente seu territrio, que por todo o perodo colonial, abarcava quase todo interior da Bahia, grande parte de Minas Gerais e partes dos estados de Sergipe e Pernambuco. Uma extenso territorial to vasta que era maior que muitos reinos da Europa. Ao final do sculo XIX, uma lei de 28 de julho de 1880 eleva a Vila de Santo Antnio de Jacobina a categoria de cidade, com topnimo de Cidade Agrcola de Santo Antnio de Jacobina. 1.1.2 Acervos geolgico, arqueolgico e histrico-cultural do Piemonte da Diamantina Em relao ao acervo histrico-cultural verifica-se a presena de antigos casares, igrejas centenrias, runas, stios histricos e arqueolgicos e a Estrada Real - caminho oficial, nico autorizado para a circulao de pessoas e mercadorias no perodo colonial - um smbolo deste perodo, podendo ser considerada um patrimnio histrico, cujo resgate e valorizao poder contribuir significativamente para o desenvolvimento territorial. O Territrio Piemonte da Diamantina expresso de patrimnios materiais e imateriais em sua maioria desconhecidos por sua populao e do pblico em geral. Do ponto de vista arqueolgico, registra-se a ocorrncia de fsseis de animais da megafauna, ou seja, animais de grandes propores, mais especificamente, animais pr-histricos que desapareceram no final do perodo Pleistoceno, Idade Gelesiana. No territrio, de acordo com o Bahia Arqueolgica, foram registrados cerca de nove stios arqueolgicos, distribudos quase uniformemente nos municpios de Mirangaba, Jacobina, Ourolndia, Sade e Umburanas, onde foram encontrados e classificados utenslios em arte rupestre associados ao perodo Pr-Histrico que aponta vestgios da ocupao humana na regio h milnios. Quadro 1. Stios Arqueolgicos nos municpios do Territrio de Identidade do Piemonte da Diamantina: MUNICPIOS DO TERRITRIO PIEMONTE DA DIAMANTINA Jacobina Mirangaba Ourolndia Sade Umburanas STIOS RUPESTRES ARQUEOLGICOS Morro Sto. Antnio (BR 324) Gruta de Sto. Antnio Grota do Veinho Serra da Santa Cruz Poo da Ona (Povoado de Volta da Serra) (Povoado de So Bento) (Povoado de Jenipapo) (Distrito de Delfino) Toca do Fole (Povoado de Trs Coqueiros) Pedra pintada (Povoado de Sussuarana) Toca Beira da Estrada (Povoado de Peguento) Toca do Tapuio Marreca Peguento FONTE: Bahia Arqueolgica/ Stios < http://www.bahiarqueologica.com/default.asp?secao=sitios> Acesso em 12de Nov.2016. Vale destacar stios Toca do Tapuio (Umburanas), Gruta de Santo Antnio (Mirangaba) e Toca do Fole (Jacobina). Alm disso, estudos em stios rupestres, investigaram 49 jazidas arqueolgicas regionais supondo existir significados subjacentes s pinturas e adotando a noo de gramtica para anlise do material encontrado, indicando trs perfis grficos especficos para a regio do Piemonte da Diamantina, provavelmente fruto de uma sucesso de momentos distintos de ocupao do territrio, dentre os quais o mais expressivo formado quase exclusivamente por smbolos geomtricos. Com relao identificao de cavernas, foram observados 40 registros, sendo que 95% dos registros estudados esto concentrados no municpio de Ourolndia (CECAV, 2011). Nos municpios de Miguel Calmon, Jacobina e Mirangaba, a formao Tombador, alm das riquezas minerais, tornou-se referncia identitria por sua beleza natural e marcante simbolismo da paisagem local. Neste sentido, em relao ao patrimnio ambiental, destaca-se tambm a Serra da Jacobina, importante cordilheira que detm inmeras nascentes, baixadas e patamares adjacentes, cortados pela drenagem representada por diversos rios e riachos afluentes do Rio Itapicuru-Mirim e Itapicuru-Au, pertencente bacia hidrogrfica Itapicuru. 1.1.3 Marco Regulatrio Territorial da Bahia Desde 2001 no Estado da Bahia, destaca-se a atuao de atores sociais e agentes de financiamento, entidades pblicas e privadas, organizaes do terceiro setor, universidades e movimentos que trabalham com polticas pblicas e que, vm realizando parcerias com o Estado, na busca de perspectivas para atuao conjunta e melhor aplicao dos recursos em prol do desenvolvimento regional. Compreendendo que o debate recente sobre polticas pblicas, desenvolvimento e territrio coloca imensos desafios analticos, tericos e polticos para o entendimento dos fenmenos e das estratgias adotadas de ordem pblica e privadas, muitos estudos j mostraram que esses elementos incidem de maneira desigual sobre as regies, os setores econmicos e os grupos sociais e indivduos, acentuando deficincias e desigualdades j existentes e criando novos desequilbrios. Por essa razo, a questo da escala espacial de anlise dos dados dos municpios ganha destaque neste contexto. Com a premissa de que territrio um espao fsico, geograficamente definido, geralmente contnuo, caracterizado por critrios multidimensionais, tais como o ambiente, a economia, a sociedade, a cultura, a poltica e as instituies, e uma populao com grupos sociais relativamente distintos, que se relacionam interna e externamente por meio de processos especficos, onde se pode distinguir um ou mais elementos que indicam identidade e coeso social, cultural e territorial, em 2007, aps amplo processo de escutas em todo o Estado, organizaes da sociedade civil, instituies federais e estaduais atuaram na mobilizao dos atores locais para aprofundar as discusses em torno da proposta do Ministrio de Desenvolvimento Agrrio - MDA e construir uma nova formatao territorial a partir da identificao dos espaos j constitudos, culminando na criao dos Territrios de Identidade, hoje considerados como unidades de planejamento das polticas pblicas do Estado da Bahia. Iniciou-se, portanto, o processo de implantao de uma Poltica de Desenvolvimento Territorial PDT. Hoje em nmero de vinte e sete em todo o Estado, o Territrio de Identidade Piemonte da Diamantina, originalmente, era composto por dez municpios, sendo eles: Cam, Capim Grosso, Jacobina, Miguel Calmon, Mirangaba, Ourolndia, Sade, Serrolndia, Umburanas e Vrzea Nova, cada um com sua histria prpria de formao especfica, mas com muitas semelhanas que as identificam e formam sua identidade. Seu funcionamento ordenado por meio do seu regimento interno pactuado entre as entidades da sociedade civil e rgos pblicos das esferas municipais, estaduais e federais que compem o seu rgo gestor, Colegiado de Desenvolvimento Territorial (Codeter). Em 2015, por meio da Lei 13.468 de 29 de dezembro, que instituiu o Plano Plurianual (PPA) Participativo do Estado da Bahia para quadrinio 2016-2019, determinou a migrao do municpio de Capim Grosso para o Territrio de Identidade Bacia do Jacupe. 1.2 Caractersticas do Territrio Aspectos gerais O Territrio de Identidade Piemonte da Diamantina (16), inserido macrorregio semirido, faz divisa com o Territrio Serto do So Francisco (ao noroeste), Piemonte Norte do Itapicuru (ao norte e nordeste), Bacia do Jacupe (ao sudeste), Piemonte do Paraguau (ao sul) e com o Territrio Chapada Diamantina (ao sudoeste).O TIPD compreende uma rea de 11.325,9Km, equivalente a 2% do territrio do Estado, com populao aproximada de 203.056 pessoas (IBGE, 2010) e engloba os municpios de Cam, Jacobina, Miguel Calmon, Mirangaba, Ourolndia, Sade, Serrolndia, Umburanas e Vrzea Nova. Tabela 01 Sntese dos Dados de rea e Populao do Territrio VARIVEL VALOR rea (em Km) 11.325,9 Populao Total (hab.) 203.056 Populao Urbana (hab.) 119.797 Populao Rural (hab.) 83.259 Fonte: IBGE, Censo Demogrfico (2010); Normalmente, as temperaturas variam entre 16 e 33 graus e o bioma predominante a Caatinga. Compreende reas sob influncia predominante de clima rido, semirido e semirido a sub mido com precipitaes mdias anuais variando de 400 a 650 mm, 600 a 850 mm e 700 a 850 mm, respectivamente, possuindo drenagens hdricas superficiais para as Bacias Baianas do Itapicuru, Paraguau, Salitre e Verde/Jacar, e consequentemente a Bacia Nacional do So Francisco devido a afluncia destas duas ltimas. Com uma geologia que, em alguns municpios apresenta unidades dos Paleoproterozico e Neoproterozico, que resultam numa riqueza mineral representada uma diversidade de rochas, formaes ferrferas, xistos e quartzitos, formaes Salitre, e uma srie de outras complexas formaes que resultam, em Jacobina, por exemplo, em possibilidades de depsitos minerais metlicos, no-metlicos e de pedras preciosas, como mangans, ametista, esmeralda, barita e ouro, como destaque, hoje explorada pela Jacobina Minerao e Comrcio Ltda., atravs do grupo canadense Yamana Gold. A vegetao do TIPD caracterizada por uma florstica singular que forma verdadeiros jardins de altitudes. Encontra-se tambm Floresta Estacional, Caatinga Arbrea e Campo Rupestre Montano, distribudos ao longo da Serra de Jacobina, nas encostas, vales e grotes e se caracteriza por uma vegetao lenhosa decidual e/ou arbustiva, sendo esta ltima apresentada por um estrato denso lenhoso decidual. Os Latossolos Vermelho-Amarelos compem as classes de solos predominantes desse Territrio de Identidade - TI, representando aproximadamente 50% dos solos existentes na regio, seguido de Cambissolos Hplicos Eutrfico e Neossolos Litlicos Distrfico. Destaca-se no TI Piemonte da Diamantina a presena de seis unidades geomorfolgicas: Patamares do Mdio Rio Paraguau, Pediplano Karstificado, Pediplano Sertanejo, Serra de Jacobina, Serras das Bordas Oriental e Ocidental e Tabuleiros Interioranos. Poucas reas do territrio se encontram legalmente protegidas, tendo sido identificadas trs unidades de conservao, que esto totalmente inseridas no territrio e que constitui proteo integral de seus recursos naturais. A Unidade de Conservao Parque Estadual das Sete Passagens tem por competncia a esfera estadual e est contida nos municpios de Miguel Calmon e Jacobina. O Parque Natural Municipal das Macaqueiras est inserido no municpio de Jacobina, e a RPPN Maria Maria no municpio de Sade. A rea total protegida est em torno de 2.926 ha e corresponde a 0,24% da extenso territorial do TI Piemonte da Diamantina, tendo respectivamente 2822 ha, 100 ha e 4,11 ha. DEMOGRAFIA O Territrio Piemonte da Diamantina registrou, na ltima dcada, crescimento mais lento de sua populao, com taxa mdia anual de 0,3%. Esse cenrio se deve reduo da populao rural (-1,2%), combinado ao crescimento da populao urbana praticamente no mesmo percentual (1,3%). O municpio que mais cresceu no territrio foi Umburanas (1,9%). Quatro deles registraram decrscimo da populao, com destaque para Cam (-1,9%) e Vrzea Nova (-0,8%). Conforme tabela 2. Tabela 2 Crescimento populacional de 2000 a 2010 e rea por municpio Fonte: IBGE, Censo Demogrfico (2000); IBGE, Censo Demogrfico (2010). Municpio rea (em Km) 2000 2010 Populao total (hab.) Populao urbana (hab.) Populao rural (hab.) Populao total (hab.) Populao urbana (hab.) Populao rural (hab.) Cam 548,38 12.562 3.374 9.188 10.368 3.655 6.713 Capim Grosso 334,42 23.847 17.810 6.037 26.577 21.762 4.815 Jacobina 2.358,69 76.429 52.048 24.381 79.247 55.868 23.379 Miguel Calmon 1.568,22 28.308 14.806 13.502 26.475 16.066 10.409 Mirangaba 1.697,95 14.255 4.706 9.549 16.279 7.879 8.400 Ourolndia 1.489,24 15.354 4.458 10.896 16.425 6.341 10.084 Sade 504,31 11.486 5.991 5.495 11.845 6.646 5.199 Serrolndia 295,85 12.609 6.032 6.577 12.344 7.279 5.065 Umburanas 1.670,42 14.137 6.183 7.954 17.000 7.510 9.490 Vrzea Nova 1.192,93 14.150 8.681 5.469 13.073 8.553 4.520 Total 11.325,99 199.290 106.279 93.011 203.056 119.797 83.259 O territrio caracteriza-se por uma presena maior de idosos que a mdia da Bahia:11,7% contra 10,3% do estado. O nmero de crianas e adolescentes at 14 anos, no entanto, maior na mdia: 26,8% contra 25,6%, respectivamente. Essa distribuio faz com que a populao com idade entre 15 e 59 anos seja, proporcionalmente, menor em relao Bahia: 61,5% e 64%, respectivamente. A migrao influencia negativamente sobre a populao: entre 2005 e 2010, o territrio perdeu 3,78% de sua populao: os 11,6 mil emigrantes foram compensados pela chegada de apenas 3,6 mil imigrantes. Desse fluxo emigratrio, mais de 4,9 mil pessoas partiram com destino a So Paulo. A REALIDADE RURAL O Territrio de Identidade Piemonte da Diamantina tem 11,6 mil estabelecimentos agropecurios com Agricultura Familiar, conforme levantamento do Censo Agropecurio 2006 do IBGE. Nesse total, as maiores quantidades localizam-se em Jacobina (2,8 mil), seguido de Miguel Calmon (2 mil) e Umburanas (1,6 mil). O municpio com menor nmero de estabelecimentos com Agricultura Familiar no territrio Cam (998). Tabela 03 - Dados da Agricultura Familiar Municpio DAP Pessoa Fsica N de agricultores cadastrados no Garantia Safra Cam 528 276 Jacobina 1.671 646 Miguel Calmon 1.736 419 Mirangaba 4.246 1.102 Ourolndia 3.023 1.349 Sade 721 871 Serrolndia 919 627 Umburanas 1.357 739 Vrzea Nova 1.086 518 Total 15.287 6.547 Fonte: Bahiater, 2016 Em relao distribuio da propriedade entre os agricultores familiares, a maior quantidade est entre aqueles que so titulares da terra que cultivam (10.827). H a ocorrncia de outras situaes, como a parceria (28), o arrendamento (52) e tambm as ocupaes (730). As propriedades ocupadas significam 6,27% do total de estabelecimento da Agricultura Familiar no Piemonte da Diamantina. As principais atividades agropecurias envolvem culturas caracterizadas como de subsistncia: a caprino-ovinocultura rudimentar e o cultivo do milho, de acordo com dados do Zoneamento Ecolgico-Econmico (ZEE) realizado em 2013. No Piemonte da Diamantina o rebanho bovino totaliza 242,5 mil animais, de acordo com dados do IBGE de 2010. Nessa atividade, destacam-se os municpios de Jacobina e Miguel Calmon, com mais de 51% do rebanho total do territrio. EDUCAO No mbito da educao, um dos avanos verificados no Territrio Piemonte da Diamantina foi a reduo do nmero de analfabetos entre 2000 e 2010. A taxa passou de 27,9% para 20,7% para a populao com idade superior a 15 anos. Note-se que a taxa superior mdia baiana, que totaliza 16,3%. As taxas mais elevadas foram verificadas em Ourolndia (26,7%), em Cam (25,4%) e em Mirangaba (25,4%). O acesso educao na faixa etria entre 6 e 14 anos caminha para a universalizao no territrio, tendo passado de 92,8% para 97,3% entre 2000 e 2010. Os melhores resultados foram verificados em Serrolndia (98,8%) e em Cam (98,8%). Com relao faixa etria entre 4 e 5 anos, a universalizao ainda um desafio, embora o avano no mesmo perodo tenha sido expressivo, passando de 54,9% para 85,4%. Com relao populao com idade entre 15 e 17 anos, houve razovel elevao do acesso educao entre 2000 e 2010: passou de 75,5% para 82,6%. O grande desafio, porm, coloca-se em relao permanncia em sala de aula: a taxa de escolaridade lquida, que considera os que efetivamente permanecem na escola, muito baixa: 13,4% e 33,1% em 2000 e 2010, respectivamente. Esse nmero, a propsito, inferior ao que se verificou para a Bahia em 2010: 38%. SADE Desde 2000 os municpios do TI Piemonte da Diamantina registram queda nos ndices de mortalidade infantil. Em 2000 registrou-se, em mdia, 23 bitos por grupo de mil crianas nascidas vivas. Esse ndice recuou para 19,3 por mil dez anos depois. Na faixa etria at os 5 anos, o nmero de mortes tambm se reduziu, passando de 26,4 para 20,9, no mesmo intervalo, para cada grupo de mil nascidas vivas. Um problema de sade que vem se reduzindo no territrio a tuberculose. Em 2001, foram registrados 104 casos e, em 2012, esse nmero caiu para 62. Os casos de hansenase registraram leve declnio: o nmero de registros recuou de 22 para 18 no mesmo intervalo. A dengue um problema que permanece no TI Piemonte da Diamantina. O nmero de registros da doena subiu de 944 para 2.122 no perodo entre 2001 e 2012. No intervalo, os nmeros se tornaram mais expressivos em 2002 e 2009 quando foram notificados, respectivamente, 2,4 mil e 3,2 mil casos. VULNERABILIDADE Nenhum dos municpios do Territrio Piemonte da Diamantina registra ndice de Desenvolvimento Humano IDH similar ao da Bahia, que em 2010 alcanou o patamar de 0,660. O melhor resultado, naquele ano, foi alcanado por Jacobina (0,649). Os resultados mais insatisfatrios foram verificados em Umburanas (0,515) e Sade (0,549). No entanto, todos os municpios registraram avanos em relao a 2000. Naquele ano, exceo de Jacobina e Capim Grosso, nenhum municpio havia alcanado o patamar de 0,500. O ndice de Desenvolvimento Humano um indicador de qualidade de vida de uma populao. Compem o IDH a expectativa de vida ao nascer, o nvel de escolaridade e a renda per capita. O IDH entre zero e 0,499 considerado baixo; entre 0,500 e 0,799 considerado mdio e, acima de 0,800, o nvel de desenvolvimento alto. O nvel de desenvolvimento Piemonte da Diamantina, portanto, pode ser considerado mdio. O Territrio Piemonte da Diamantina registra ndice de concentrao de rendaGini significativamente inferior mdia da Bahia. No estado, o ndice alcana 0,631, contra 0,560 no territrio. Quanto mais elevado o Gini, maior a concentrao de riqueza. O territrio, inclusive, registra avanos em relao a melhor distribuio da riqueza, j que em 2000 esse ndice era de 0,618. A melhoria desses indicadores reflete a reduo da pobreza no territrio. Entre 2000 e 2010, o percentual de pessoas na condio de extrema pobreza se reduziu de 37,3% para 21 %, totalizando 48,1 mil pessoas, contra 83,2 mil dez anos antes. Na Bahia, esse percentual era de 15% em 2010, contra 28,3% em 2000. Somente Capim Grosso (13,2%), na poca ainda pertencente ao TIPD, e Jacobina (13,2%) tem percentual de extremamente pobres inferior a 20% no territrio. De acordo com critrios estabelecidos pelo IBGE, foram consideradas extremamente pobres as pessoas com renda per capita inferior a R$ 70 em 2010. Em parte, a reduo da pobreza ocorreu em funo da implementao de polticas de transferncia de renda no Brasil, particularmente o Programa Bolsa Famlia PBF. No Piemonte da Diamantina, dados de outubro de 2013 indicam que 38,3 mil famlias eram beneficirias da iniciativa nos dez municpios que integravam o Territrio de Identidade. O valor total repassado aos beneficirios, at outubro, superava os R$ 65,1 milhes. MERCADO DE TRABALHO A ampliao no nmero de empregos formais no Territrio Piemonte da Diamantina tambm um fator que contribuiu para a reduo da pobreza no territrio. O nmero de postos de trabalho se ampliou de 9 mil para 18,6 mil entre os anos de 2001 e 2011. Parte do impacto, no entanto, se deve Administrao Pblica, que ampliou o nmero de empregos de 4,6mil para 8,2 mil no intervalo. Setores como Comrcio e Servios, embora tenham gerado empregos, tem influncia mais modesta no Mercado de Trabalho: no Comrcio, os empregos passaram de 1,7 mil para 4,4 mil. J no setor de Servios, a variao foi de 1,4 mil para 2,4 mil empregos. A quantidade de empregos formais, no entanto, limitada quando se considera o volume de trabalhadores sem carteira assinada: 29,1 mil pessoas esto nessa condio, com remunerao abaixo da renda do setor formal, conforme dados do Censo 2010 do IBGE. GUA E SANEAMENTO O nmero de domiclios interligados rede geral de esgoto se ampliou no Territrio Piemonte da Diamantina em uma dcada: eram 10,5 mil em 2000 e passaram a 17,4 mil dez anos depois. Os desafios em relao ao tema no territrio, no entanto, ainda persistem: mais de 35,4 mil domiclios utilizam fossas rudimentares para o descarte de resduos. O acesso rede geral de distribuio de gua tambm melhorou: eram 35,7 mil domiclios atendidos em 2000, passando para 53,9 mil no levantamento realizado em 2010. Apesar dos avanos, mais de 15,1 mil domiclios ainda recorrem a outras formas de abastecimento, a exemplo de nascentes, poos, rios, audes ou lagos. 1.3 Desenvolvimento Sustentvel no Territrio DIMENSO SOCIO ECONMICA Esta dimenso busca a organizao social e econmica do territrio segundo suas potencialidades, capazes de se tornarem dinamizadoras do desenvolvimento e geradoras das competncias sistmicas para a sustentabilidade. Caracteriza-se, portanto, por dois processos: a organizao social das potencialidades do territrio e a reestruturao social das atividades produtivas ali predominantes, a partir da construo dos nveis de acumulao territorial e o desenvolvimento constante da produtividade e da intersetorialidade socioprodutiva. TURISMO O potencial turstico do TI Piemonte da Diamantina em funo de todo o seu histrico e conjunto de atrativos culturais e naturais enorme. Mas, o uso deliberado e estruturado de forma a explorar este potencial em benefcio do desenvolvimento socioeconmico da regio ainda precisa de um extenso planejamento, que articule os municpios e suas riquezas em um projeto comum, que produza sinergia e seja suficientemente robusto para assumir uma posio de destaque no cenrio baiano e nacional. Entretanto, a falta de tratamento adequado aos patrimnios pblicos expe as comunidades da regio apropriao indevida de suas riquezas, alm disso, o desconhecimento e desvalorizao destes elementos patrimoniais levam a um comportamento depredador pela populao, que precisa de uma processo reflexivo e educador no sentido de assegurar o uso sustentvel de suas riquezas. Neste sentido, o investimento sistemtico em projetos estruturantes fundamental para assegurar um desenvolvimento sustentvel do Territrio. O fortalecimento da identidade territorial e da autoestima de sua populao so metas relevantes aos projetos socioambientais regionais. Considerando-se a importncia do patrimnio para o desenvolvimento desta cadeia produtiva, reafirma-se a importncia de aes e projetos com uma relevante contribuio para o reconhecimento, resgate e valorizao dos patrimnios materiais, imateriais e ambientais do Piemonte da Diamantina, fortalecendo aspectos para o turismo ecolgico, religioso, histrico e de eventos, inclusive empresariais e de negcios. DESENVOLVIMENTO RURAL As atividades relacionadas com a agricultura, que mais se destacam no territrio so os cultivos de mandioca, feijo e milho, sendo todas consideradas de mdio potencial poluidor de acordo com o Decreto Estadual n 14.032/12. O cultivo de feijo e milho realizado sem grande mecanizao e insumos muito modernos. O manejo do solo, por sua vez realizado com tcnicas de mdio nvel tecnolgico. O cultivo de mandioca realizado de forma elementar e como produo para subsistncia. Este arranjo no configura uma atividade especializada. O manejo do solo realizado com tcnicas de baixo nvel tecnolgico. Com relao as culturas extrativistas no Territrio merecem destaque a do coco babau, ouricuri, e a de frutferas, em especial a do maracuj e umbu. A caprinocultura/ovinocultura bastante primitiva nesta regio. O arranjo executado de forma extensiva e configura uma atividade predominantemente familiar, se dividindo com outras atividades. Com relao pecuria extensiva no territrio, essa atividade est relacionada com o potencial poluidor mdio e, segundo a Produo Pecuria Municipal - PPM, exibe 242,5 mil cabeas de gado (IBGE, 2010b). Os municpios de Jacobina e Miguel Calmon destacam-se por concentrar em torno de 51% da quantidade de bovinos. Por outro lado, o municpio de Cam aparece como o menos expressivo, com 6.023 cabeas. O patamar tecnolgico observado est direcionado para a produo de carne e produo leiteira, com o manejo do solo baseado em tcnicas de mdio nvel tecnolgico. O grupo de criaes confinadas caracterizado pelo alto potencial poluidor, tendo em vista a criao de muares e equinos. A criao de muares exibe os menores nmeros, ocorrendo na maioria dos municpios do territrio, com destaque para o municpio de Jacobina, que concentra 30% do total de criaes existentes no TI. A criao de equinos representa a maior quantidade de cabeas do grupo de alto potencial poluidor, ocorrendo em todos os municpios do territrio. Destacam-se os municpios de Jacobina, Miguel Calmon e Sade que juntos concentram mais de 63% do total de equinos no TI. No se observa criao de bubalinos em nenhum municpio do TI. No grupo das criaes confinadas com potencial poluidor mdio, chama ateno o grupo das aves (498,2 mil cabeas), e Jacobina indica a maior expressividade neste arranjo. As criaes de caprinos (164,8 mil cabeas) e ovinos (96,7 mil cabeas) ocorrem em todos os municpios do TI, com destaque para Jacobina e Ourolndia, com 44% e 41% do total dos rebanhos da macrorregio nestes segmentos, respectivamente. A criao de sunos tambm ocorre nessa regio, entretanto de maneira menos expressiva, com 43.408 animais. Das demandas da populao residente no TI Piemonte da Diamantina, decorrentes de Cmaras Setoriais da Agricultura, destacam-se as reivindicaes com relao divulgao do consumo de produtos lcteos sem risco, adotando a marca Leite Bahia e a consolidao de projetos de infraestrutura propostos pelo Estado, com nfase nas agroindstrias (casas de farinha, laticnios, casas do mel e beneficiamento de frutas e alho). Pode-se citar ainda o desejo imprescindvel pela assistncia tcnica e extenso rural na regio e ao fomento de implantao de armazns gerais, como o Mercado do Produtor, e cursos de capacitao para profissionais da cadeia dos gros. Para o arranjo produtivo da mandioca, demanda-se o ajuste a realidade do zoneamento da produo desta cultura para tornar o crdito mais oportuno, com liberao desse crdito antes do plantio, e a melhoria do padro de qualidade do produto e das unidades de processamento, favorecendo ganhos de economia de escala, especialmente na consolidao e formao de associaes e cooperativas. DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL Na atualidade, a regio alvo de investimentos da indstria de energia elica e, embora esta atividade manifeste-se como aparentemente de baixo impacto, a forma como essa atividade ir transformar a regio depender da organizao social de sua populao, de sua articulao e preparo para defender o desenvolvimento que os seus habitantes elegerem para si. No que se refere aos empreendimentos mapeados pela FIEB (2012), o TI Piemonte da Diamantina apresenta um total de 111 indstrias, a maior parte concentrada nos municpios de Jacobina e Ourolndia. A partir desse mapeamento, metade das indstrias foram classificadas como sendo de baixo potencial poluidor, principalmente nos municpios de Jacobina. Como exemplo dos segmentos que mais se destacam em quantidade neste grupo, vale citar o setor de fabricao de artigo de vesturio e acessrios e de artigos e artefatos de couro (43%) e o setor de fabricao de mveis e produtos de madeira (27%). As indstrias classificadas como de mdio potencial poluidor representam 14% do total dos empreendimentos mapeados e concentram-se em sua maioria no municpio de Jacobina (10). As indstrias com alto potencial poluidor, por sua vez, representam 40% do total de indstrias existentes no TI Piemonte da Diamantina, estando mais centralizada em Ourolndia (18) e Jacobina (17). Cerca de metade dos empreendimentos deste grupo esto voltados para a extrao de pedra, areia e argila. Enquanto a outra metade representada principalmente pelo setor de fabricao de artefatos de material plstico e de minerais no metlicos, destacando-se o municpio de Serrolndia com a fabricao de bolsas, e Jacobina e Ourolndia como artesanato mineral. ECONOMIA SOLIDRIA A Economia Solidria no TI Piemonte da Diamantina se expressa em organizao e sensibilizao sobre o consumo responsvel, fortalecendo relaes entre campo e cidade, entre produtores e consumidores, e permitindo uma ao mais crtica e pr-ativa dos consumidores sobre qualidade de vida, segurana alimentar e nutricional, interao e proteo ao meio ambiente e interesse sobre os rumos do desenvolvimento relacionados atividade econmica. Apresenta-se ainda com uma srie de fragilidades, em especial na comercializao de seus produtos. Destacam-se no Territrio iniciativas da Agricultura Familiar, com nfase na produo e comercializao de alimentos, por meio de Feiras Agroecolgicas. So observados, ainda, no Territrio empreendimentos solidrios a exemplo de cooperativas de artesanato, comercializao de derivados de leite, extrao mineral, e de catadores de materiais reciclveis. Quadro 1 Desafios e Potencialidades na Dimenso Socioeconmica DESAFIOS POTENCIALIDADES - Modelo de produo insustentvel com base no uso de energia de alto custo para a produo agrcola; - Ausncia e/ou ineficincia de poltica de Ater pblica, gratuita e continuada, com reduo de tcnicos nas instituies executoras, tendo como uma de suas consequncias o uso ineficiente do crdito rural; - Precariedade no processamento e beneficiamento do mel; - Problemas gerais de comercializao da produo da agricultura familiar com forte presena dos atravessadores, deficincia ou ausncia de logstica para realizao de feiras e dificuldades de escoamento da produo; - Precariedade dos espaos de comercializao para a agricultura no territrio; - Em determinadas reas, reservas hdricas abundantes com rios perenizados, guas subterrneas (poos tubulares) e reas favorveis fruticultura irrigada, horticultura e ao cultivo de vazantes; - Fertilidade dos solos; - Reservas minerais abundantes com bastante diversidade, viabilizando a possibilidade de produo de artesanato mineral e a gerao de emprego e renda nos empreendimentos de explorao; - Existncia de iniciativas de produo sustentvel e agroecolgicas, como: quintais produtivos, agroindstrias (casas do mel, casas de farinha, beneficiamento de frutas e alho, beneficiamento de ouricuri e coco babau); - Presena das cadeias produtivas da bovinocultura, da ovino/caprinocultura e apicultura; - Inexistncia de espaos para estoque de mantimentos da Conab para poca de estiagem; - Baixo nvel de organizao dos agricultores familiares tanto no mbito da produo, beneficiamento quanto da comercializao, acentuada pelo descrdito no associativismo e cooperativismo; - Dificuldade financeira de pequenos agropecuaristas familiares para aquisio de insumos e vacinas; - Dificuldade para emisso de licenas e autorizaes dos processos produtivos para comercializao; - Extino de programas do governo federal voltados a garantia da segurana alimentar, acesso gua e apoio a agricultura familiar (Pronaf, Plano Safra, Proinf, Pac I e II) e outros programas como o Luz para Todos; - Avanos nas atividades pecurias como a melhoria do padro gentico na bovinocultura e ampliao da criao de galinhas caipiras e aves em geral; - Os patrimnios materiais, imateriais e ambientais e equipamentos sociais e culturais existentes no Territrio favorecem a prtica do ecoturismo, do turismo rural e turismo de eventos; - Presena de cooperativas e associaes comunitrias; - Presena de rgos pblicos e organizaes no governamentais executoras de Ater; - Presena de Frigorfico para abate de animais; - O PPA 2016-2019 regionalizado estabelece os seguintes objetivos estratgicos para este territrio, que dialogam com essa dimenso: a) Fortalecer as cadeias produtivas do territrio, com nfase na agricultura de base familiar. b) Garantir a democratizao do acesso a gua para uso humano e produtivo de forma racional (Fonte: PPA). DIMENSO AMBIENTAL Consiste na valorizao e avaliao da situao das questes e dos componentes do meio ambiente do territrio e seu bioma, assim como a identificao dos passivos ambientais em busca da sustentabilidade. Qualidade ambiental No que diz respeito qualidade das guas superficiais, no TI Piemonte da Diamantina apresentam-se resultados de quatro pontos de monitoramento estabelecidos pelo Programa Monitora do Inema. Com relao ao IQA, os resultados revelam uma condio aceitvel em todos os pontos (rios Itapicuru-Au, do Ouro e Salitre), exceto em um ponto em Jacobina (rio Itapicuru-Mirim), com condio crtica. Para o IET, as condies se encontram semelhantes, apresentando uma condio crtica tambm para o mesmo ponto de Jacobina mencionado no IQA. A populao que no beneficiada com servio de tratamento dos esgotos primrios (provenientes de vaso sanitrio) antes de seu encaminhamento a algum corpo hdrico, ou que no deposita estas contribuies em fossas, se apresenta mais elevada nos municpios de Jacobina e Miguel Calmon. Esses municpios detm ainda os maiores percentuais de no atendimento. Para a qualidade do ar, o TI Piemonte da Diamantina tem como destaque o municpio de Jacobina com relao frota de veculos nos municpios estudados. A respeito das indstrias com potencial de emisso de poluentes do ar, no constam registros oficiais, apesar das reclamaes verbais de moradores prximos a indstrias de beneficiamento de caf, padarias, cermicas e mineradoras. Por fim, foi identificada a presena de mineradoras nas fases de concesso de lavra para ametista, barita calcrio, esmeralda, mangans, mrmore, minrio de ouro e ouro, quartzito e quartzo. H tambm mineradora em fase de lavra garimpeira de esmeralda. Na anlise dos fatores que comprometem a qualidade do solo, tratando-se da inadequada disposio final dos resduos slidos, todos os municpios apresentam lixo como alternativa de disposio, exceto a sede de Jacobina, que possui aterro controlado. As queimadas, fator de reduo da qualidade do solo, cobertura vegetal e fauna, configura-se como um problema grave no Territrio, repetindo-se insistentemente nos perodos mais secos do ano, compreendendo reas serranas de proteo integral e difcil acesso ao combate, sendo necessrio na maioria das vezes uso de aeronaves. Por ltimo, foram analisados o uso da terra e a cobertura vegetal, o que revelou que o tipo de uso predominante a agropecuria, ocupando cerca de 35% da rea do territrio. A cobertura vegetal mais representativa, ocupando uma rea total de aproximadamente 64% do territrio. A vegetao remanescente representa em torno de 42% da rea do TI Piemonte da Diamantina. Demandas No PPA Participativo, para o tema meio ambiente, a criao de uma brigada de incndio e de unidades de conservao, com implementao do plano de manejo das existentes e a implantao de uma unidade regional do Inema so indicados pela sociedade como principais demandas desse TI. Quadro 2 Desafios e Potencialidades na Dimenso Ambiental DESAFIOS POTENCIALIDADES - Modelo de produo insustentvel com base na prtica indiscriminada de queimadas e uso de agrotxicos, para a produo agropecuria, e prticas de cultivo e criao que levam a graves problemas ambientais como eroso e ndice crescente de desertificao no territrio; - Em determinadas reas, reservas hdricas escassas com rios intermitentes e reas desfavorveis produo agrcola; - Assoreamento dos rios e audes, desmatamento, destruio de matas ciliares e nascentes; - Incipincia de estudos de guas subterrneas; - Diversidade de riquezas naturais hdricas e minerais em determinadas reas; - Existncia de Conselhos Municipais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentvel no Territrio; - Presena de Comits de Bacias Hidrogrficas e Polticas Nacional e Estadual de Recursos Hdricos e do Meio Ambiente; - Atores sociais sensibilizados para a importncia da implantao de novas prticas que visam a reduo do lixo. - Experincias exitosas de comercializao de materiais reciclveis. - Existncia de aterro controlado de lixo na sede do municpio de Jacobina; -Presena de animais e vegetais na lista de possibilidade de extino; - Ocupao desordenada de reas de proteo permanente; - Destinao inadequada de resduos slidos em todas as cidades do Territrio; - Fragilidade do Inema nos processos de fiscalizao e instrumentos da poltica estadual de recursos hdricos; - Poucas reas protegidas por instrumentos legais (UC); - Inexistncia ou insuficincia de Brigadas de Incndios florestais e urbanas; - Existncia de 03 UCs de proteo integral; DIMENSO SOCIOCULTURAL EDUCACIONAL Procura identificar e resgatar a histria da formao do territrio e as caractersticas sociodemogrficas da diversidade sociocultural, bem como as suas relaes com os direitos educao, sade e o fortalecimento da identidade cultural, visando construo da sustentabilidade democrtica do desenvolvimento do territrio. Quanto educao, deve ser vista como mecanismo sistmico de reproduo social e cultural dos novos valores, comportamentos imaginrios e simblicos da sustentabilidade do territrio. COMUNIDADES TRADICIONAIS Localizao dos povos e comunidades tradicionais no TIPD A) Povos Indgenas Existem municpios no territrio com presena indgena, no meio rural como urbano, porm no esto com suas terras demarcadas, a exemplo de Jacobina, onde vivem famlias da etnia Kiriri em zonas perifricas da cidade. Tabela 4: Populao autodeclarada indgena por situao do domiclio, segundo os municpios do Territrio Municpio Total Urbana Rural Cam 12 7 5 Jacobina 334 287 47 Miguel Calmon 12 10 2 Mirangaba 10 2 8 Ourolndia 74 33 41 Sade 6 6 0 Serrolndia 13 13 0 Umburanas 3 1 2 Vrzea Nova 20 16 4 Total 484 375 109 Fonte: Brasil IBGE (2010), adaptado por Markus Breuss em 2016. B) Comunidades Remanescentes de Quilombos As comunidades remanescentes de quilombos (CRQs) reconhecidas e certificadas e as CRQs em processo de reconhecimento pela Fundao Cultural Palmares e seus respectivos municpios, que fazem parte do Territrio de Identidade do Piemonte da Diamantina (TIPD), baseado em dados da Secretaria de Promoo da Igualdade Racial (2013) e da Fundao Cultura Palmares (2016), so os seguintes: Tabela 5: Comunidades remanescentes de quilombos no TIPD por municpio. N Municpios N Comunidades Quilombolas 1 Cam 1 Bom Jardim 2 Monteiro 3 Pau Seco 4 Vrzea Queimada 2 Jacobina 5 Bananeira 6 Baranas de Dentro 7 Lages do Batata 8 Lzaro de Timb 9 Barroco Velho* 10 Campestre* 11 Corea* 12 Lagoa do Timb* 13 Malhadinha de Dentro* 3 Miguel Calmon 14 Saco 15 Covas/Mucambo dos Negros 4 Mirangaba 16 Almeida 17 Coqueiros 18 Dionsia 19 Jatob 20 Nuguau 21 Olhos D' gua 22 Palmeira 23 Ponto Alegre 24 Santa Cruz 25 Solidade 26 Sambaba* 5 Ourolndia 27 Novo Achado* 6 Sade 28 Grota das Oliveiras* 7 Vrzea Nova 29 Mulung Total 7 Total 29 *Em processo de reconhecimento Fonte: BAHIA SEPROMI: Mapeamento das Comunidades Quilombolas do Estado da Bahia. Salvador/BA, 2013. BRASIL MinC/FCP: Comunidades CRQ certificadas e CRQ em processo de reconhecimento, http://www.palmares.gov.br/?page_id=37551 (encontrado 29/07/2016). No total, no TIPD, as CRQs reconhecidas e certificadas e as CRQs em processo de reconhecimento, somam 29 comunidades. C) Comunidades de Fundo e Fecho de Pasto No TIPD observe-se apenas a existncia de uma (01) comunidade tradicional de Fundo de Pasto, de acordo dados disponibilizados pela SEPROMI. Tabela 6: Comunidades tradicionais de Fundo de Pasto no TIPD por municpio: http://www.palmares.gov.br/?page_id=37551N Municpios N Comunidades Quilombolas 1 Umburanas 1 Vrzea de Dentro Total 1 Total 1 D) Comunidades da Cultura Cigana No territrio observa-se a presena de comunidades tradicionais de povos ciganos de vrias etnias, as quais se organizam em grupos familiares extensos. Ainda no existem dados oficiais sobre a populao cigana no TIPD, mas, de acordo a SEPROMI (2016), os dados esto sendo levantados. O fato que o povo cigano possui caractersticas seminmades dificulta o levantamento da populao por municpio, porque os nmeros se alteram de acordo os deslocamentos. Entre as diferentes etnicidades encontradas no TIPD pode se destacar os grupos dos Roma, Calderara, Sintis e Calon, com as famlias Dourado, Vs e Gama. O grupo dos Calon tem o maior tempo de presena no territrio, desde a poca dos bandeirantes, quando o cigano Joo Torres acompanhava as caravanas para o interior do continente. No TIPD, observa-se uma maior presena de comunidades da cultura cigana nos municpios de Miguel Calmon, Jacobina, Cam e Sade. JUVENTUDE A Cmara Temtica da Juventude presente na articulao deste PTDSS tem sua formao embasada na articulao democrtica, no obstante, espelha a luta pela efetivao de direitos, nesse sentido, as iniciativas coletivas com bases no auto reconhecimento do jovem como sujeito de direitos so os precedentes da base para a efetivao e tambm criao de polticas pblicas advindas de garantias j previstas na Lei. O Estatuto Nacional da Juventude define como jovens as pessoas entre 15 e 29 anos e estabelece especificidades em bases e normativas j previstas pela Constituio Federal, nesse sentido foram elencados eixos temticos como objetivos a serem desenvolvidos como escopo no pensamento estratgico, definindo assim, propostas e metas para embasar a consulta na construo das polticas pblicas. No sentido da temtica do Plano Territorial o Estatuto aponta o Direito Sustentabilidade e ao Meio Ambiente convergindo assim para o alcance de melhor qualidade de vida por meio da Educao Ambiental para os jovens, cabendo ao Estado a promoo do desenvolvimento de uma nova cultura, tanto no meio urbano como na zona rural. A construo do contedo da Temtica da Juventude se deu por meio de escutas e dilogos promovidos em Encontros locais e Conferncias Rurais da Juventude. A metodologia viabilizou o alcance das perspectivas de construo no mbito dos municpios que compem o Territrio de Identidade Piemonte da Diamantina. Na definio das prioridades foram elaboradas propostas em dez eixos de sustentao das principais temticas, dentre os direitos: diversidade e igualdade; desporto e ao lazer; comunicao e liberdade de expresso; cultura; direito ao territrio e mobilidade; segurana pblica e acesso justia; direito cidadania, participao social e poltica representao juvenil; direito profissionalizao, trabalho e renda; direito sade e educao. MULHERES O TIPD possui organizao civil ativa no que tange aos direitos das mulheres e luta contra violncia de gnero, a exemplo do Movimento de Mulheres de Jacobina (MMJ), fundado no dia 27 de dezembro de 1981, e a Central de Mulheres (Cemu). Estes movimentos tm atuado nos ltimos anos junto sociedade civil e aos de representao poltica com intuito de consolidar as polticas pblicas para esse setor. Dentre as demandas feitas, particularmente para coibir a violncia contra a mulher no TIPD est a implantao da Delegacia da Mulher, solicitada junto ao governo estadual desde 2007, mas ainda no instalada. Contudo, em 2017, fruto dessa luta da sociedade civil, esta demanda foi parcialmente atendida pela parceria entre Estado e o municpio de Jacobina para a implantao do Centro de Referncia em Atendimento Mulher (Cram), o 31 no estado da Bahia Cram Mariene Soares. Outro ponto de apoio na construo de uma Rede de Ateno mulher e no combate violncia de gnero, particularmente a violncia obsttrica, o Programa Rede Cegonha. Desde outubro de 2012, a portaria 2448 de 26 de do Ministrio da Sade, selecionou Jacobina, dentre outros municpios como Miguel Calmon, para recepo de recursos destinados ao custeio de centros de parto normal, casa da gestante, beb e purpera, com o intuito de ofertar servio humanizado e reduzir os indicadores de bito infantil e materno. Considerando esses avanos, preciso que o poder pblico, junto com a sociedade civil, trace planos para atender s demandas de: 1. Preveno: por meio da conscientizao e combate da violncia de gnero e seu amplo espectro (violncia fsica, psicolgica, patrimonial e/ou sexual) por meio de aes articuladas nos diversos mbitos (campanhas junto ao pblico) e melhor qualificao e treinamento dos profissionais que atuam nas frentes de combate violncia; 2. Responsabilizao dos agressores pelo fortalecimento dos mecanismos de acompanhamento e aplicao da legislao especfica como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicdio, como a implantao da delegacia da mulher; 3. Escuta ativa da sociedade civil para acompanhamento e avaliao dos servios ofertados na Rede de apoio mulher em constituio, de modo a consolid-los e implantar novas frentes. ESPORTE E LAZER Com caractersticas bem peculiares, o TIPD destaca-se no cenrio nacional para a prtica do voo livre, j que dispe de uma boa infraestrutura para a prtica deste esporte, alm das condies meteorolgicas. O futebol consiste tambm em uma das opes de entretenimento e lazer no Territrio, j que os municpios dispem de diversos campeonatos amadores, alm da existncia de um clube profissional no municpio de Jacobina, o Jacobina Esporte Clube. Merecem destaque no Territrio competies de atletismo, com corridas de ruas e rurais, alm de prticas de esportes de aventura como o rapel em cachoeiras, escalada, montanhismo, trilhas, motocross, enduros, ciclismo, dentre outros, alm de encontros de motociclistas e desportistas em geral. A deficincia se d pela incipincia de competies desportivas com abrangncia Territorial, e em alguns municpios a precariedade e/ou inexistncia de espaos fsicos para a prtica de esportes, como: piscinas pblicas, pistas de atletismo, campos gramados de futebol, pistas de skate, dentre outros. INFRA ESTRUTURA Para o tema infraestrutura e logstica, reivindica-se a construo de aeroporto para voos comerciais; ampliao dos servios de telefonia mvel e banda larga; melhoria da infraestrutura das estradas, inclusive das vicinais; ampliao do acesso energia eltrica e ao saneamento ambiental; construo de ciclovias; ampliao do acesso a gua, inclusive para os processos produtivos. SADE O modelo de Ateno Sade do TIPD, se expressa atravs de um conjunto de atividades de ateno, promoo e recuperao sade, desenvolvidos a partir dos domiclios pelos Agentes Comunitrios de Sade e Agentes de Endemias, articulados a uma rede de servios, hierarquizada, por Unidades Bsicas de Sade tradicionais, Unidades da Estratgia Sade da Famlia, Centro de Ateno Psicossocial, Ncleos de Apoio Sade da Famlia, Centro de Especialidades Odontolgicas, Samu, Unidade de Pronto Atendimento e Unidades Hospitalares. Apesar do avano na cobertura em sade nos ltimos anos, o Territrio ainda se encontra numa posio desfavorvel quando comparado a outros Territrios, perfazendo segundo a opinio pblica um eixo prioritrio para os anseios de resoluo perante ao Estado. Quadro 4 Desafios e Potencialidades na Dimenso Sociocultural Educacional DESAFIOS POTENCIALIDADES Sade - Inexistncia, insuficincia e precariedade de equipamentos pblicos para atendimento populao do Sade - Existncia de polticas pblicas importantes como o SUS, Brasil territrio, tais como centros de tratamento especficos (zoonoses), hospitais de nveis secundrios e tercirios, unidades de sade rurais, equipamentos socais (CREAS, CAPs, CEO, NASF, CEREST) em municpios de pequeno porte, e aterros sanitrios; - Inexistncia de leitos de UTI no Territrio; - Dificuldade nos processos de regulao para os servios de mdia e alta complexidade; - Inexistncia ou ineficincia de regulao para servios especializados; - Deficincia, insuficincia, precarizao e falta de qualidade na prestao de servios populao do territrio nas reas social, de sade e saneamento; - Deficincia, insuficincia e rotatividade de profissionais devido precarizao do vnculo; Educao e Cultura - Inexistncia de cursos de nvel superior nas instituies pblicas, nas reas prioritrias para o Territrio (sade, agrcola, turismo, empreendedorismo, arqueologia, arquivologia e biblioteconomia, dentre outras); - Insuficincia e/ou precariedade de equipamentos pblicos para atendimento populao do territrio, Sorridente, Programa Sade da Famlia, UPA, SAMU e Programa de Cisternas. - As polticas de sade no territrio so compatveis com o sistema SUS, existem Conselhos de Sade, projetos especficos de promoo da sade e poltica de sade mental; - O PPA 2016-2019 regionalizado estabelece os seguintes objetivos estratgicos para este territrio, que dialogam com essa dimenso: a) Garantir uma sade pblica de qualidade, humanizada com garantia de financiamento das esferas pblicas e compatvel com as necessidades nos trs nveis de ateno: primria, secundria e terciria. Educao e Cultura - Existncia e avanos nas polticas pblicas educacionais como PNDE, FNDE, Caminho da Escola, Brasil Alfabetizado, Regulamentao do Piso Nacional dos Professores de ensino mdio e PRONERA; - Melhoria dos indicadores do IDEB nos municpios do territrio; - A diversidade cultural do territrio; - Presena de Universidades, Instituto e Escolas Pblicas e Privadas no Territrio; - O PPA 2016-2019 regionalizado estabelece os seguintes objetivos tais como bibliotecas pblicas, centros culturais, teatros, salas de multimeios, arquivos pblicos, academias da sade, laboratrios de cincia e informtica, escolas do campo e transporte escolar. - Insuficincia de profissionais de educao, em especial ao de coordenadores pedaggicos nas escolas estaduais; - Insuficincia do nmero de escolas urbanas e rurais de tempo integral; - Falta de qualidade na prestao de servios populao do territrio nas reas de educao e cultura, que se refletem em problemas de evaso escolar alta, reduzido nmero de matrculas de educao infantil, drogas e violncia nas escolas; - Falta de Qualificao dos gestores pblicos sobre a poltica de desenvolvimento territorial; - Enfraquecimento e ou inexistencia de conselhos municipais de educao; - Falta de profissionais para interdisciplinaridade escolar; - Rotatividade de profissionais da educao, falta de qualificao e capacitao de gestores de cultura; - Inexistncia de repasses fundo a fundo na poltica cultural. Segurana Pblica - Alto ndice de homicdios no Territrio; estratgicos para este territrio, que dialogam com essa dimenso: a) Consolidar uma educao contextualizada inclusiva em tempo integral com a participao das famlias, qualificao profissional e acompanhamento de equipes multiprofissional e interdisciplinar. Segurana Pblica - O PPA 2016-2019 regionalizado estabelece os seguintes objetivos estratgicos para este territrio, que dialogam com essa dimenso: a) Reduzir a violncia e a criminalidade na cidade e no campo. Juventude - Experincias exitosas de Boas Prticas (Rede Territorial da Juventude do TIPD); - Presena de jovens empoderados socialmente; - Existncia de Cmara Temtica de Juventude no Codeter-TIPD Mulheres - Existncia de grupos e movimentos de mulheres no TI; - Realizao de eventos voltados para as mulheres em todo o territrio; - Existncia da Rede de Mulheres no TI; - Deficincia de contingente, equipamentos e capacitaes das polcias militar e civil; - Ausncia de polticas de ressocializao de detentos; - Ineficincia de polticas de proteo a mulheres, crianas e adolescentes vtimas de violncia; - Ausncia de Corpo de Bombeiros no Territrio. Juventude - Insuficincia de polticas de primeiro emprego para jovens; - Insuficincia de opes de entretenimento, cultura e esporte para jovens. Mulheres - Insuficincia de polticas pblicas para Mulheres Idosos - Insuficincia de polticas de proteo aos direitos dos idosos; - Insuficincia de abrigos de idosos. - Fragilidade dos rgos de assistncia aos idosos no convvio familiar Comunidades Tradicionais - Invisibilidade dos povos ciganos na educao escolar Idosos - Riqueza de conhecimento e disponibilidade de mo de obra Comunidades Tradicionais - Existncia de comunidades tradicionais reconhecidas e em processo de reconhecimento no TI; - Existncia da Rede Quilombola da Chapada Norte - Presena de representantes de comunidades tradicionais no poder legislativo em alguns municpios do TI Incluso Social - Existncia e capacidade criativa dos deficientes Esporte e Lazer - Potencial para a prtica de esportes de aventura (rapel, escalada, voo livre, motocross, ciclismo, corridas de aventura, enduro, dentre outros); - Existncia de time de futebol profissional (Jacobina Esporte Clube); - Existncia de eventos esportivos de alta performance (atletismo, motocross, enduro de regularidade, voo livre, futebol); - Existncia de diversas modalidades esportivas amadoras em todo o Territrio; Incluso Social - Insuficincia de polticas pblicas para deficientes Esporte e Lazer - Insuficincia de locais para prtica de determinados esportes (natao, atletismo de pista, skate, esportes olmpicos, etc.) DIMENSO POLTICO-INSTITUCIONAL Apesar do avano nas relaes intermunicipais, ainda h muito o que se percorrer e avanar nas resolues consorciadas para o Territrio. Quadro 5 Desafios e Potencialidades na Dimenso Poltico-Institucional DESAFIOS POTENCIALIDADES - Baixo ndice de articulao entre os nveis federal, estadual e municipais, na gesto das polticas pblicas; - Baixa participao dos prefeitos e outros gestores pblicos municipais no Colegiado Territorial; - Fragilidade de algumas instituies pblicas resultando em baixo nvel de envolvimento no acompanhamento de projetos territoriais; - Insuficiente empoderamento da sociedade civil para participao no - Funcionamento e fortalecimento das instncias do Colegiado Territorial, Ncleo Diretivo incluindo a estruturao das Cmaras Temticas de Comunidades Tradicionais, Juventude, Mulheres, Meio Ambiente e Turismo, Desenvolvimento Rural e Economia Solidria, Cultura, Infraestrutura, Educao e Sade; - Fortalecimento de rgos e instncias colegiadas com atuao no TIPD, como: Conselho Gestor do Parque Estadual Codeter TIPD e na gesto social dos projetos e aes no territrio; - Falta de envolvimento das equipes tcnicas locais na elaborao de projetos de amplitude territorial; - Falta de assessores tcnicos contratados; - Insuficiente capacidade institucional instalada no territrio para a gesto de polticas pblicas (Consrcios pblicos, Associao de Prefeitos, etc.); - Falta de institucionalizao de algumas Cmaras Temticas no Codeter TIPD, como: Segurana Pblica; - Falta de compromisso e participao efetiva de alguns membros e Cmaras Temticas do Codeter TIPD.; - Ausncia de aes na implementao da Poltica de Convivncia com o Semirido Sete Passagens, Comits de Bacias, Conselhos Municipais, dentre outros; - Implantao do SETAF TIPD Contratos com as Entidades atravs do Pr Semirido; - Realizao do PPA 2016-2019; - Espao de articulao de interesses e polticas pblicas com amadurecimento do Grupo Gestor; - PTDSS TIPD elaborado com repre-sentatividade de seus atores; - Presena de rgos pblicos, Universidade e Instituto pblicos no TIPD; - Existncia de CMDS; - Acompanhamento e atuao do CEDETER, CET, SEPLAN, SETAF, CAR, Bahiater, SEBRAE; - Realizao de polticas pblicas no TIPD por meio de editais e chamadas pblicas (cultura e desenvolvimento rural). Captulo 2. Matriz de Objetivos, Estratgias e Metas Quadro 2.1. Eixo Desenvolvimento Econmico e Ambiental com Incluso Socioprodutiva OBJETIVOS ESTRATGIAS METAS Recuperar e proteger reas degradadas, em especial nascentes, matas ciliares e APPs no bioma caatinga e resqucio de mata atlntica. - Realizar campanhas educativas sobre a atual realidade e necessidade; - Fiscalizar efetivamente por meio dos rgos ambientais competentes; - Aumentar a rigidez na elaborao e cumprimento das condicionantes nos - Reduzir em 50% do desmatamento ilegal em 5 anos; - Implantar 01 escritrio regional do Inema no Territrio at 2019; - Realizar estudo de rea desmatada no TIPD at 2020; processos de licenciamento; - Viabilizar editais pblicos para iniciativas privadas; - Revegetar o bioma caatinga e mata atlntica; - Implementar polticas estaduais de educao ambiental e pagamentos de servios ambientais; - Realizar cooperao tcnica entre Estado, municpios, entidades afins para efetivao do CEFIR; - Realizar chamadas pblicas para entidades privadas para efetivao do CEFIR. - Revegetar 10% da rea desmatada em 5 anos; - Concluir CEFIR at 2019. Criar e incentivar mecanismos de proteo de reas sensveis com a criao de UCs nas bacias dos Rios Itapicuru e Salitre. - Viabilizar editais para iniciativas privadas e pblicas municipais; - Incentivar a efetivao de PPP para a criao de UCs, em especial as RPPNs; - Realizar estudos para listar espcies em risco de extino no Territrio; - Realizar estudos para reas prioritrias e viveis para conservao; - Realizar Fruns e Seminrios sobre UCs. - Criar no mnimo uma (01) UC de proteo integral de domnio estadual no TIPD at 2019; Fomentar a criao de Brigadas de Incndios Florestais. - Realizar capacitaes para brigadistas voluntrios; - Doar equipamentos a Brigadas Voluntrias; - Criar e institucionalizar Brigada Territorial do Piemonte da Diamantina; - Criar legislao estadual que regulamente as Brigadas de Incndio; - Ampliar Programa PrevFogo no TIPD; - Intensificar Campanhas Educativas de Combate a incndio - Criar no mnimo uma (01) Brigada de Incndio Florestal no TIPD com no mnimo 30 brigadistas at 2018. Implementar Plano de Manejo do Parque Estadual das Sete Passagens (PESP) - Destinar recursos da Cmara de Compensao Ambiental para o PESP; - Capacitar membros do Conselho Gestor de UCs; - Realizar estudos tcnicos para delimitaes e especificidades da zona de amortecimento ZA. - Atualizar e implementar Plano de Manejo do PESP at 2019. Fomentar a cadeia produtiva do turismo - Realizar cadastro dos servios de turismo; - Atualizar mapeamento e geo-referenciamento dos atrativos tursticos do Territrio; - Fortalecer turismo de aventura, religioso, cultural, rural, de empreendedorismo e eventos, com nfase nas de base comunitria; - Viabilizar editais para iniciativas privadas e pblicas municipais; - Incentivar a efetivao de PPP para a criao de empreendimentos tursticos, priorizando os de iniciativas solidrias e comunitrias; - Criar (01) Memorial Piemonte da Diamantina/Museu Regional em Jacobina at 2019; - Criar cursos de nvel superior e/ou tcnicos nas reas afins ao turismo (arqueologia, museologia, turismo, etc) at 2021; - Tombar e/ou reconstruir Igreja de So Miguel das Figuras at 2022; - Criar Ncleo Territorial do Instituto Estrada Real da Bahia at 2019; - Realizar 01 plano executivo de desenvolvimento turstico at 2018. Apoiar a cadeia produtiva da pecuria de leite e corte (Bovino, Caprino e Ovino). - Disponibilizar servios de Assistncia Tcnica e Extenso Rural ATER gratuitos e peridicos; - Agir no melhoramento gentico, por meio de parcerias institucionais e governamentais; - Efetivar PPP e pblicas entre Estado e municpios para a adequao de matadouros municipais para abate de animais de pequeno porte; - Incentivar o associativismo e cooperativismo; - Viabilizar editais para iniciativas privadas e pblicas municipais; - Contratar no mnimo 20 entidades para prestar assistncia tcnica e extenso rural para 6413 famlias de agricultores at 2020; - Formar continuadamente 60 tcnicos para Ater at 2018; - Construir no mnimo 01 frigorfico para abate de animais de pequeno porte at 2019; - Aumentar de imediato em 30% as linhas de crdito rural; - Implantar 15 pontos de coleta de leite (in natura) com resfriador no TI at 2019; - Prover suporte tcnico e financeiro para a criao de Sistemas de Inspees Municipais, Territorial e/ou Estadual para produtos de origem animal; - Incentivar a realizao de feiras e exposies agropecurias; - Desburocratizar selos de inspeo municipal e estadual, inclusive prestando assessoria tcnica a produtores; - Disponibilizar linhas de crdito para mecanizao no campo (ordenhadeira, kits de irrigao, forrageira, etc). Apoiar todas as cadeias produtivas agrcolas priorizando a agricultura familiar, fomentando os sistemas produtivos sustentveis e transio agroecolgica. - Disponibilizar servios de Assistncia Tcnica e Extenso Rural - ATER para a agricultura familiar; - Agir no melhoramento gentico, por meio de parcerias institucionais e governamentais; - Efetivar PPP e pblicas entre Estado e municpios para a adequao de centros de abastecimento e feiras territoriais e municipais, com nfase nas feiras orgnicas e de iniciativas familiares e solidrias; - Realizar estudos e pesquisas agropecurias no Territrio; - Aumentar agroindstrias no TI, com nfase nas Casas de Mel, Beneficiamento de Mandioca, Frutas e Cadeias extrativistas (babau, umbu, maracuj); - Mecanizar agroindstrias; - Viabilizar editais para iniciativas privadas e pblicas municipais; - Criar Centro Territorial de Tecnologias e Prticas para Convivncia com o Semirido; - Criar 02 cursos de nvel superior e 02 tcnicos na rea agrcola e animal at 2021; - Criar no mnimo uma (01) Feira Agroecolgica em cada um dos nove municpios do TIPD at 2018; - Realizar 01 estudo tcnico de Zoneamento Agrcola do TIPD, aliado ao CFIR at 2019; - Construir Mercado do Produtor at 2018; - Aderir 70% dos agricultores ao Programa Garantia Safra; - Ampliar em 30% o nmero de agroindstrias at 2020; - Ampliar em 30% os recursos do Programa RENIVA at 2020; - Ampliar em 20% ao ano os recursos do Prosemirido; - Aumentar de imediato em 30% as linhas de crdito. - Promover a adeso dos municpios e de agricultores familiares ao programa Garantia Safra - Implantar projetos comunitrios para gerao de ocupao e renda, com nfase na economia criativa e solidria. - Criar programa de incluso produtiva, formao cidad e capacitao na gerao de renda da juventude rural, povos e comunidades tradicionais, assentados de reforma agrria e mulheres; - Incentivar ao associativismo e cooperativismo; - Viabilizar de editais para iniciativas privadas e pblicas municipais; - Implantar (01) Centro de Economia Solidria CESOL no Territrio at 2019; - Promover o trabalho decente na gerao de mais e melhores empregos, considerando as diretrizes da Agenda Bahia do Trabalho Descente. - Incentivar a formao de empresas e cooperativas; - Aumentar da fiscalizao ao trabalho infantil; - Fortalecer o Sistema S, - Regularizar cooperativas de explorao mineral do TIPD at 2018; - Implantar o Sistema Integrador Estadual de Registro Mercantil em Jacobina at 2018; - Realizar 01 Evento anual, a exemplo da FEBAN, com abrangncia territorial com nfase dos empreendimentos comunitrios e solidrios; - Construir Centro de Convenes no territrio at 2022; Quadro 2.2 Eixo Governana Fundiria e Acesso Terra OBJETIVOS ESTRATGIAS METAS - Ampliar os Programas de Regularizao Fundiria. - Regularizar fundiariamente os povos e comunidades tradicionais e assentamentos de reforma agrria; - Regularizar fundiariamente a entrega de ttulos de propriedades rurais e urbanas; - Realizar assentamentos de famlias de trabalhadores rurais; - Regularizar 02 assentamentos rurais at 2019; - Entregar 1328 ttulos de propriedade rural at 2019; - Efetivar de Termo de Cooperao Tcnica e Jurdica entre o Estado e os 09 municpios do TIPD para - Realizar apoio tcnico e jurdico do Estado para processos de regularizao fundiria municipais; - Realizar capacitaes sobre o Direito Terra. regularizaes fundirias urbanas e rurais at 2018. Quadro 2.3. Eixo Formao Cidad e Organizao Social OBJETIVOS ESTRATGIAS METAS - Prover infraestrutura e suprimentos adequados na rede de escolas estaduais - Implantar escolas de tempo integral. - Implantar no mnimo 01 escola de tempo integral por municpio at 2019. - Fortalecer as Universidades Estaduais. - Aumentar oferta de cursos de graduao e ps graduao na UNEB Campus IV; - Ampliar projetos de pesquisa e extenso. - Implantar no mnimo mais 02 cursos de graduao na UNEB Campus IV at 2020; - Aumentar em 30% a oferta de projetos de pesquisa e extenso at 2018. - Implementar polticas de educao do campo, educao ambiental e atendimento diversidade, educao infantil e ensino mdio no campo, e fortalecer a educao de jovens e adultos; - Efetivar parceria entre Estado e municpios para a construo de Escola Famlia Agrcola. - Garantir o funcionamento das escolas do campo com educao contextualizada realidade local; - Fomentar e fortalecer a identidade no campo; - Construir no mnimo 01 EFA no Territrio at 2020. - Criar o plano territorial de educao do campo at 2019. - Fortalecer a educao profissional tcnica. - Aumentar a oferta de cursos da Escola Tcnica Estadual no Territrio; - Aumentar a oferta de cursos de qualificao profissional; - Realizar cobranas e parcerias com a Unio para a ampliao da oferta de cursos tcnicos no IFBA - Ampliar Escola Tcnica na Rede Estadual (CETEP) at 2020; - Implantar no mnimo mais 02 cursos tcnicos no IFBA at 2020; - Implementar poltica de educao inclusiva. - Construir a poltica de educao inclusiva. - Elaborar a poltica de educao inclusiva at 2020. - Prover infraestrutura e suprimentos adequados na rede de escolas estaduais e municipais. - Qualificar e ampliar o acesso ao transporte escolar; - Qualificar o Programa de Merenda Escolar, inclusive ampliando o PAA e PNAE; - Ampliar a oferta de Profissionais nas Escolas da Rede Estadual, com nfase nos professores e coordenadores pedaggicos, e equipes multiprofissionais. - Dotar no mnimo 01 coordenador pedaggico para cada escola da rede estadual at 2019; - Aumentar em 10% de professores na rede estadual, atravs de concurso pblico at 2019. - Fortalecer as polticas para juventude no territrio. - Implantar Secretarias/ coordenadorias de Polticas para Juventude; - Elaborar os Planos Municipais de Polticas para a Juventude; - Elaborar o Plano Territorial de Polticas para Juventude. - 50 % dos municpios com planos implantados at 2020; - Criar conselhos de juventude em todos os municpios do territrio. - Fortalecer as polticas para as mulheres no territrio. - Implantar Secretarias/ coordenadorias de Polticas para as mulheres; - Elaborar os Planos Municipais de Polticas para as Mulheres; - Elaborar o Plano Territorial de Polticas para as Mulheres. - 50 % dos municpios com planos implantados at 2020; - Fortalecer as polticas de segurana alimentar. - Elaborar os Planos Municipais de Segurana Alimentar; - Elaborar o Plano Territorial de Segurana Alimentar; - Ampliar e fortalecer o Programa de Aquisio de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentao Escolar (PNAE). - Fortalecer os conselhos de alimentao escolar. - 50 % dos municpios com planos implantados at 2020; - Fortalecer a poltica cultural no territrio. - Construir espaos de lazer e recreao para crianas, idosos e jovens, a exemplo dos CEUs; - 100 % dos municpios com planos implantados at 2020; - Construo de no mnimo 01 CEU por municpio do TIPD at 2022; - Instituir o processo de territorializao dos editais da Secult; - Fortalecer a parceria com o Governo do Estado para a elaborao de planos municipais e territorial de cultura. - Qualificar o pblico em geral para elaborao de projetos - Elaborar Plano Territorial de Cultura at 2020; - Determinar regra de Territorializao no mnimo em 50 % dos editais da Secult. - Fortalecer a poltica de educao no territrio - Monitorar as metas dos planos municipais de educao; - Criar o Frum Territorial de Educao e fortalecer os conselhos municipais; - Criar estratgias de permanncia dos alunos de EJA. - Fortalecer Parceria Pblico Privada para ampliao de ofertas de novos cursos e implantao de novas escolas e universidades no territrio. - Implantar a poltica de educao continuada para profissionais da educao at 2021; - Reduzir as taxas de evaso do EJA em at 30% ate 2020. - Aumentar em 10% o numero de vagas de formao inicial e continuada at 2019. - Implantar poltica de educao contextualizada. - Construir e implantar poltica de educao contextualizada; - Fortalecer o debate sobre cultura, diversidade, povos e comunidades tradicionais, questo ambiental, dentre outras temticas importantes para compreenso da complexidade da existncia humana. - Ampliar o nmero de ps-graduao no Campus IV da UNEB at 2020 Latu Sensu; - Implantar projeto de cultura cigana em todos os municpios do territrio. Quadro 2.4. Eixo Infraestrutura e Servios Pblicos OBJETIVOS ESTRATGIAS METAS Promover a diversificao da matriz energtica estadual, com nfase nas fontes renovveis. - Utilizar energia solar nas reparties pblicas; - Aumentar as exigncias nos processos de licenciamento de empreendimentos elicos. - Utilizar energia solar nas reparties pblicas e programas de habitao construdas a partir de 2018; - Exigir de EIA-RIMA nos processos de licenciamento de empreendimentos elicos a partir de 2017. Melhoria da oferta dos servios de sade. - Ampliar a oferta de medicamentos da farmcia bsica; - Ampliar a oferta de servios especializados; - Disponibilizar leitos de UTI; - Fortalecer Rede Cegonha; - Efetivar PPP para fortalecimento da rede em sade, em especial na viabilizao de Faculdades com cursos na rea de sade; - Fortalecer a Estratgia de Sade da Famlia; - Aumentar a fiscalizao dos servios pactuados com os maiores centros; - Fortalecer a rede hierrquica dos diversos programas de sade (Samu, Cerest, Ceo, etc.) - Aumentar em 20% o elenco da Relao Estadual de Medicamentos da Farmcia Bsica; - Construir e implantar da Policlnica Territorial at 2019; - Implantar 10 leitos de UTI at 2020; - Implantar Casas de Parto Natural em 30% dos municpios de pequeno porte; Dotar o TI de espao apropriado para eventos de mdio e grande porte. - Realizar Fruns Setoriais nas mais diversas reas; - Construir 01 Centro de Convenes no Territrio at 2022; Ampliar a cobertura de saneamento ambiental. - Implantar poltica estadual de educao ambiental; - Realizar Termos de cooperao tcnica entre Estado e municpios para elaborao dos PMS. - Elaborar 1 plano regional de saneamento bsico em 2018; - Ampliar 3 sistemas de esgotamento sanitrio at 2019; - Construir 100 mdulos sanitrios domiciliares em 2018; - Elaborar 3 estudos e projetos para obras de esgotamento sanitrio at 2019; - Implantar 2 sistemas de esgotamento sanitrio at 2020. Ampliar Programa de Melhoria Habitacional - Realizar projetos pilotos para saneamento ambiental rural; - Condicionar captao de gua de chuva e tratamento de efluentes nos programas - Implantar 1 projeto modelo em assentamento, com saneamento ambiental rural em 100%, no territrio at 2019. de construo governamental; Qualificar segurana pblica - Aumentar o efetivo policial; - Implantar Corpo de Bombeiros. - Implantar Batalho da Polcia Militar no TI at 2021; - Implantar Batalho do Corpo de Bombeiro no TI at 2022; - Implantar Delegacia da Mulher at 2021. Ampliar oferta de telefonia mvel e banda larga - Efetivar PPP para ampliao de servios de telecomunicaes - Universalizar o acesso a telefonia mvel e banda larga at 2025 Melhorar mobilidade urbana e rural - Construir e recuperar malha rodoviria; - Implantar voos comerciais; - Requalificar BAs do TI -144, BA-131, BR 324 trecho Lages do Batata Vrzea Nova; - Ampliar ou relocar o aeroporto de Jacobina para receber voos de mdio porte at 2023. Quadro 2.5 Gesto de Recursos Hdricos OBJETIVOS ESTRATGIAS METAS Investir em tecnologias socialmente apropriadas para reuso de guas residurias, contemplan-do comunidades tradi-cionais, comunidades rurais e reas de assentamento de reforma agrria. - Viabilizar editais para iniciativas privadas e pblicas municipais; - Ampliar poltica estadual de educao ambiental; - Reusar guas residurias de bacias de decantao de processos de tratamento de esgotos. - Implantar 626 Bacias de Evapotranspirao BET para reuso de guas negras; - Implantar de 20 projetos piloto de saneamento ambiental rural. Ampliar a infraestrutura hdrica para a oferta de gua para usos mltiplos e sustentveis. - Ampliar programa de acesso a gua (gua para Todos); - Melhorar e ampliar os Sistemas de Abastecimento de gua existentes; - Realizar estudos de viabilidade de novos barramentos no Rio Itapicuru; - Construir 1287 sistemas de captao de gua de chuva, entre: cisternas de consumo e produo, barragens subterrneas, tanques de pedra, barreiros, etc.; - Ampliar 1 barragem; - Ampliar 2 sistemas de abastecimento de gua; - Ampliar Barragens e/ou audes; - Finalizar Plano de Recursos Hdricos e Proposta de Enquadramento dos corpos dgua do Itapicuru e Salitre; - Realizar estudos de oferta de gua subterrnea no Territrio; - Dessalinizar guas de poos artesianos. - Ampliar sistemas integrados de abastecimento de gua; - Elaborar projeto executivo de oferta de gua; - Elaborar projetos de sistemas de abastecimento de gua; - Implantar sistemas integrados de abastecimento de gua com adutoras; - Implantar 120 sistemas simplificados de abastecimento de gua; - Perfurar 170 poos artesianos; - Recuperar 1 barragem; - Implantar 2 estruturas hdricas em escolas rurais; - Implantar 1192 tecnologias sociais de acesso gua. Fortalecer e implementar os instrumentos da poltica estadual de recursos hdricos. - Realizar cadastro de usurios de gua no TIPD; - Realizar cadastro de usurios nas Bacias Hidrogrficas que compreendem o TIPD at 2018. Captulo 3. Gesto, Acompanhamento e Monitoramento do PTDSS 3.1 Descrio sobre os instrumentos e estratgias para a gesto do desenvolvimento Monitoramento e Avaliao so processos analticos organicamente articulados, se complementado no tempo, com o propsito de subsidiar o gestor pblico com informaes mais sintticas e tempestivas sobre a operao do programa. (JANNUZZI. 2009 p.124) A elaborao do PTDSS tem suas bases arraigadas nas propostas de sustentabilidade por meio de aes conjuntas e articuladas para objetivos e metas cujas diretrizes e estratgias comuns definem o desenvolvimento social sustentvel como objeto do diagnstico cientfico por meio da elaborao e acompanhamento de projetos bem como do monitoramento de programas implantados. O monitoramento nesse sentido aponta para um levantamento que produz oportunidade crtica que, por sua vez seriam postas como matria de desafios estratgicos no ciclo de aprimoramento. O Codeter TIPD composto pela sua Plenria, Ncleo Diretivo, bem como pelas instncias consultivas, Cmaras Temticas. So nesses espaos que se constroem a governana e as pactuaes territoriais. Assim, caber a estas instncias gerir e monitorar os objetivos, estratgias e metas elencadas no PTDRSS. Pretende-se criar no segundo semestre de 2017 uma comisso permanente de acompanhamento e avaliao do plano, responsvel pela elaborao e implementao do Sistema de Monitoramento e Avaliao do PTDRSS. Sua composio ser definida em Assembleia Geral e seguir normais regimentais especficas. Esta Comisso de Acompanhamento e Avaliao ter como tarefa principal o acompanhamento interno das discusses acerca das estratgias e metas almejadas, construindo uma metodologia participativa para a criao de indicadores de monitoramento e cobrana junto as demais instncias de governana como o Cedeter e CET, alm das secretarias de competncia de cada meta pactuada. Ao longo da elaborao do PTDRSS, percebeu-se a grande dificuldade de referncias bibliogrficas de dados estratificados por municpio no Territrio, o que dificultou a consolidao de dados por parte do consultor e equipe de trabalho, sugerindo ao Estado atualizao de seus peridicos, excluindo dados do municpio de Capim Grosso do Territrio Piemonte da Diamantina, j que o mesmo agora no faz parte do Territrio. Est previsto a criao de uma fanpage no Facebook, um grupo de e-mails e um grupo de Waths App na tentativa de melhorar a comunicao entre os membros do Codeter TIPD, alm de blog ou site para divulgao pblica das atividades e aes do Colegiado, ferramentas essas que podem tambm auxiliar o acompanhamento e avaliao das metas estabelecidas. REFERNCIAS AZEVEDO, Paulo Ormindo de. Inventrio de Proteo do Acervo Cultura da Bahia- IPAC-BA. FREITAS, Jos e REGINA, Maria. 1996. Histria da Freguesia Velha de Santo Antnio. Disponvel em: http://almacks.blogspot.com.br/2010/07/e-x-p-o-s-i-c-o.html > Acesso em 13 de novembro de 2016. Inventario de Proteo ao Acervo Cultural da Bahia - IPAC- BAHIA. Instituto Histrico Geogrfico Brasileiro IHGB. Monumentos e Stios da Serra Geral e Chapada Diamantina. Vol. IV. Disponvel em < https://ihgb.org.br/pesquisa/biblioteca/item/10477-ipac-ba-invent%C3%A1rio-de-prote%C3%A7%C3%A3o-ao-acervo-cultural-da-bahia,-v-1,-3,-4-5,-7-secretaria-da-ind%C3%BAstria,-com%C3%A9rcio-e-turismo.html> Acesso em 13 de novembro de 2016. Barros, Mary Amazonas L. de B e Berthell Leslie. TRADUO; Histria da Amrica Latina, (A descoberta, p. 471 a 473). Volume 2. Editora EdUSP, 1999. So Paulo-SP.

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