Plano municipal de cultura

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<ul><li> 1. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA DE ANPOLIS Uma proposta de poltica de Estado para a cultura para os prximos 10 anos Documento elaborado a partir dos Fruns Permanentes de Cultura realizados entre os anos de 2009 a 2013, com a participao da Secretaria Municipal de Cultura, Conselho Municipal de Cultura e agentes culturais e artsticos de Anpolis, referendado na 3 Conferncia Municipal de Cultura, realizada no dia 28 de junho de 2013. </li> <li> 2. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA 2013 / 2023 2 Prefeito de Anpolis Antnio Roberto Otoni Gomide Vice-Prefeito Joo Gomes Secretrio Municipal de Cultura Augusto Cesar de Almeida Comisso Tcnica do Conselho Municipal de Cultura Gabrielle Corra Tiziano Mamede </li> <li> 3. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA 2013 / 2023 3 SUMRIO APRESENTAO...........................................................................................................................04 1.O MUNICPIO DE ANPOLIS....................................................................................................06 1.1 Dimenso Histrica.............................................................................................................06 1.2 Dimenso Socioeconmica.................................................................................................11 2. GESTO DA CULTURA............................................................................................................19 2.1 Institucionalizao da cultura em Anpolis.......................................................................19 3. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA...........................................................................................25 3.1 Diagnstico da cultura.........................................................................................................25 4. DIRETRIZES .............................................................................................................................33 5. OBJETIVOS ..............................................................................................................................35 6. ESTRATGIAS .........................................................................................................................36 7. METAS.....................................................................................................................................40 8.AES......................................................................................................................................43 CONSIDERAES FINAIS.............................................................................................................63 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS..................................................................................................64 </li> <li> 4. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA 2013 / 2023 4 APRESENTAO PLANO MUNICIPAL DE CULTURA com muita satisfao que apresentamos sociedade o Plano Municipal de Cultura de Anpolis. O motivo de nossa satisfao est no s em cumprirmos essa etapa fundamental na construo do Sistema Municipal de Cultura, mas tambm pela forma como foi elaborado este documento. O planejamento para o setor cultural de nossa cidade, para os prximos dez anos, fruto da participao social resultando de discusses entre o poder pblico e a sociedade civil. O Frum Permanente de Cultura de Anpolis o espao de debates onde este plano foi elaborado. Portanto, este planejamento reflete o momento atual vivido pelo setor artstico cultural de Anpolis, mas contextualiza esse momento no processo histrico do municpio e do desenvolvimento cultural ao longo do tempo, nos permitindo uma reflexo sobre o papel histrico que temos no curso que o movimento cultural venha a tomar nos prximos anos. A vocao da cidade, que surge como entreposto comercial, vai se consolidar enquanto centro de distribuio de mercadorias e polo industrial, desenvolvendo-se como plataforma logstica para o pas. Tal condio traz a caracterstica do cosmopolitismo como uma realidade marcante de nossa vida scio cultural. Somos uma cidade do interior goiano que se manifesta nas mais diferentes linguagens de expresses artsticas, seja atravs da catira, folia e viola, como tambm na literatura, na msica, nas artes plsticas, no teatro, na dana, no circo e nas artes de rua, bem como na produo audiovisual e na cultura digital em geral. Isso faz com que tenhamos as mais diferentes demandas, o que nos impe a necessidade do planejamento para que possamos garantir o desenvolvimento cultural e assim contribuirmos para a continuidade do progresso de nosso municpio. O Plano Municipal de Cultura define as diretrizes e aponta metas a serem atingidas no prximo decnio, indicando o fortalecimento dos mecanismos de fomento as atividades culturais no municpio estimulando a iniciativa de produtores independentes, a ampliao dos espaos de discusso e dos canais de comunicao entre o poder pblico e a sociedade civil organizada. Destaca, ainda, a importncia da regularidade na realizao dos eventos que constituem o calendrio cultural da cidade, combinado com a formao artstica, oferecida de forma descentralizada e articulada com outros setores da administrao pblica. Este Plano, </li> <li> 5. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA 2013 / 2023 5 tambm trata da importncia de preservao do nosso patrimnio material e imaterial como forma de promoo da educao e resgate cultural da histria de Anpolis. Levantamos, ainda, a necessidade de edificao de novos espaos que comportem as escolas de formao artstica e os grandes eventos, que a dinmica que toma a atividade cultural em nossa cidade j demonstra sua relevncia. Por fim, a capacidade de discutir e elaborar este Plano Municipal de Cultura demonstra o amadurecimento do setor artstico e cultural de Anpolis e insere a cultura na pauta das grandes questes de Estado, determinando um direcionamento para a definio das polticas pblicas de cultura nos prximos anos. Este Plano refora a importncia da dimenso cultural no desenvolvimento da cidade, garantindo a qualidade de vida da comunidade, promovendo a incluso social atravs do exerccio do direito de acesso a cultura como um dos principais direitos de cidadania. Augusto Csar de Almeida Secretrio Municipal de Cultura </li> <li> 6. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA 2013 / 2023 6 O MUNICPIO DE ANPOLIS 1.1 Dimenso Histrica Anpolis no nasceu da atividade de minerao, pois no se tem notcia da descoberta de ouro na regio, comum a outras partes do estado. Segundo historiadores, ao que tudo indica, a cidade pode ter comeado como um entreposto comercial, porque Anpolis se situa no interior do quadriltero formado pelas cidades de Gois, Pirenpolis, Silvnia e Luzinia. Na poca, eram as cidades da regio central do estado que mais realizavam transaes comerciais com o sudeste do pas. Nessa regio transitavam inmeras caravanas de tropeiros a caminho dos centros urbanos. Segundo Freitas (1995), os tropeiros que passavam pela regio onde hoje Anpolis tinham a oportunidade de satisfazer suas necessidades materiais e espirituais. Com o tempo, uma pequena aglomerao urbana comeou a se constituir nas proximidades do Crrego do Cesrio. Assim, teve incio um povoamento ordenado, cujo ncleo central se deu nos arredores onde atualmente a Praa SantAna, local em que foi erguida a primeira capela, dcadas mais tarde demolida para dar lugar atual Igreja SantAna. De acordo com Polonial (1995) existem duas verses lendrias sobre a origem do ncleo que formou a cidade de Anpolis. Ambas envolvem Ana das Dores de Almeida, me de Gomes de Sousa Ramos, considerado o fundador do povoado de SantAna. A origem do povoado teve como base trs fatores: as condies geogrficas favorveis, a vocao comercial e o fervor religioso. Em abril de 1870 foi feita a doao de terras para construir uma capela SantAna, atravs do Termo de Doao considerado o primeiro documento histrico de Anpolis, a rogo de Joaquim Rodrigues dos Santos e outros fazendeiros da regio. Com o passar dos anos, pela Lei Provincial n. 514 de 06 de agosto de 1873 foi criada a Freguesia, transformando a simples capela em Parquia de SantAna, sendo seu primeiro vigrio o Padre Francisco Incio da Luz. </li> <li> 7. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA 2013 / 2023 7 De acordo com Ferreira (1979) o desenvolvimento comercial e o aumento da populao fizeram acalentar a esperana de transformar a Freguesia em Vila. Isto ocorreu no final da dcada de 18801 pela Lei Provincial n. 811 de 15 de Dezembro de 1887. Essa autora relata o grande regozijo da populao, entretanto, a instalao s se deu cinco anos depois. Entre os acontecimentos que retardaram o processo de instalao da Vila, citam-se a Abolio da Escravatura (1888) e a Proclamao da Repblica (1889). Numa outra interpretao histrica, a instalao da Vila s ocorre em 1892 por causa da resistncia de Pirenpolis, que no queria perder a Freguesia de solo frtil e geradora de impostos, com potencialidade econmica considervel (Polonial, 1995). O ncleo urbano continuava sendo um entreposto comercial evoluindo para a formao de um mercado consumidor abastecido com os excedentes de uma economia agropastoril de subsistncia. Nesse contexto de desenvolvimento socioeconmico a Vila de SantAna das Antas chega ao status de cidade. Com a elevao da Vila de SantAna das Antas categoria de cidade, por meio da Lei Estadual n. 320 de 31 de julho de 1907, com o nome de Anpolis, ocorrem grandes mudanas para a efetivao de sua economia, correspondendo ao perodo de consolidao da cidade2 como entreposto comercial. Nesse perodo o crescimento da populao de Anpolis foi o maior de sua histria. A populao rural cresceu 298,19%, enquanto a urbana teve um aumento de seu contingente em 279,00%. A elevao do quantitativo populacional rural deveu-se a migrao para o municpio de italianos (9.62%) e de japoneses (42,68%). Os primeiros para trabalhar nas lavouras de caf, os ltimos na rizicultura. Para o setor urbano migravam, principalmente, srios com 30,13% do total de imigrantes, para trabalhar no setor tercirio (comrcio) do municpio. 1 A elevao da Freguesia em Vila deu a SantAna das Antas uma relativa autonomia poltica em relao Meia Ponte (Pirenpolis), o que fez surgir uma grande polmica no meio historiogrfico local: j teria ocorrido o centenrio de emancipao poltica da cidade, uma vez que a denominao poltico- administrativa de Vila era considerada, durante o Brasil Imperial como uma localidade totalmente independente. 2 Pela Lei Estadual n. 496, de 29 de julho de 1914, foi criada a comarca de Anpolis, porm s instalada em 16 de abril de 1915. Em 1917 a comarca foi suprimida, voltando a ser termo da Comarca dos Pirineus. Essa situao foi resolvida em 1920 com a Lei Estadual 659 de 05 de julho, quando foi restabelecida a Comarca de Anpolis. </li> <li> 8. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA 2013 / 2023 8 Segundo Polonial (1995), aps a dcada de 30, a populao urbana cresce mais do que a rural, at super-la na dcada de cinqenta, quando 63,55% dos anapolinos j estavam morando na cidade, e 35,45% permaneciam nos distritos e nas propriedades rurais. Dois fatores nortearam o processo de urbanizao: a chegada da ferrovia e a emancipao poltica de vrios distritos. Chiarotti (2003), baseando-se em Freitas (1995), observa que ocorre no perodo uma necessidade de mudana de hbito dos moradores da cidade. Estabelece-se, nesse momento, um novo padro de cultura, pois se faziam necessrias para a chegada da ferrovia cidade, mudanas que visavam solapar um comportamento de cidade interiorana para um mais urbano. Por intermdio da Prefeitura Municipal e pela intelectualidade local, estas mudanas foram ocorridas como, por exemplo: a edificao de vrios edifcios pblicos, inclusive a sede da Prefeitura que hoje a Secretaria Municipal de Cultura, situada na Praa do Bom Jesus; a revitalizao urbana do centro da cidade, entre outras. O que levou cidade se sentir preparada para o recebimento da estrada de ferro. Assim, o grande crescimento populacional, o desenvolvimento da agricultura comercial, a valorizao das terras e a dinamizao da troca de mercadorias determinaram insero da economia anapolina no mercado nacional, culminando com a chegada da primeira composio da Estrada de Ferro Gois estao de Anpolis. Aps a chegada dos trilhos a Anpolis a economia local experimentou mudanas significativas. O comrcio torna-se mais dinmico, com o crescimento do nmero de estabelecimentos. O comrcio atacadista cresceu 1.533,34% no perodo de 1935 a 1948, enquanto as mquinas de beneficiamento tiveram um crescimento de 212,50% no mesmo perodo (Frana, 1973). Desse modo, o setor tercirio passa a ser mais dinmico do que o setor primrio, isto contribuiu para a maior urbanizao da cidade, pois cada vez mais as pessoas deslocavam-se para a sede do municpio, tanto para fixar residncia, quanto para promover transaes comerciais. O objetivo desse volumoso comrcio era, principalmente, o de abastecer uma vasta regio de Gois, que correspondia a 36% da rea do estado, com uma populao de 49% dos goianos, englobando um total de 31 municpios, da o ttulo de celeiro regional. </li> <li> 9. PLANO MUNICIPAL DE CULTURA 2013 / 2023 9 Anpolis oferecia, tambm, servios nos setores mdico-hospitalar, bancrio, educacional e at na imprensa, utilizada pelas cidades vizinhas para publicaes oficiais e anncios (Frana, 1973). Entretanto, na dcada de 50 do sculo XX e depois desta, Anpolis perdeu a hegemonia do comrcio regional, isso se deveu a crise energtica, a concorrncia econmica com a nova capital estadual e, nos anos 60, com a federal e, por fim, com advento da era rodoviria. No final da dcada de 50, aconteceria primeira manifestao pblica pela retirada dos trilhos do centro da cidade, o que s ocorreu em 1976. Foi o fim da epopia ferroviria em Anpolis. Contudo, graas ferrovia foi possvel cidade criar a base econmica que lhe garantiu o acmulo de capitais que lhe deu a infra-estrutura necessria para viabilizar os projetos econmicos das dcadas seguintes, inclusive o DAIA, garantindo a passagem de celeiro regional para distrito industrial. Em 1973 foi aprovada a Lei Estadual n. 7.700 que concedia estmulos financeiros e fiscais s indstrias que se estabelecessem em Gois. A presso dos empresrios anapolinos fez-se presente, conseguindo do governo estadual que os incentivos dessa lei tivessem validade apenas para investimento industrial em Anpolis. Com isso, foram se consolidando as bases da poltica industrial do municpio, alcanando seus objetivos em 1976, com a instalao do Dist...</li></ul>