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PROJETO OURO VERDE 2007 Plano de Manejo Florestal Resumo Público Boa Vista, Setembro de 2007

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PROJETO OURO VERDE  

2007 

Plano de Manejo FlorestalResumo Público 

 

       

Boa Vista, Setembro de 2007  

 

 

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Apresentação O presente documento consiste no Resumo Público do Plano de Manejo Florestal do Projeto Ouro Verde. O objetivo do projeto é o plantio, manejo e  colheita de  florestamentos da espécie Acacia mangium em Roraima, nas proximidades de Boa Vista, capital do Estado.   O  Projeto Ouro Verde  é  administrado  por  um Grupo  de  Certificação  Florestal  dirigido  pela Ouro Verde Agrosilvopastoril  Ltda  ‐ OVA  e  financiado  por  fundos de  investimentos  “FIT  Timber Growth Fund” e “Acacia mangium Holding”, assim como por  investidores privados. A Ouro Verde Florestal Management Ltda é uma filial da OVA que fornece todo o corpo de funcionários para a realização e administração do projeto e máquinas para as atividades florestais.  As florestas sob este Plano de Manejo Florestal são administradas de maneira sustentável, de acordo com os Princípios, Critérios e Indicadores do FSC (Forest Stewardship Council) para a certificação de plantações florestais desenvolvidas pelo grupo de trabalho brasileiro do FSC.   O Resumo Público do Plano de Manejo do Projeto Ouro Verde foi elaborado com o objetivo de ser um  instrumento  de  interação  entre  a  empresa  e  as  demais  partes  interessadas.  Seu  conteúdo  é revisado e atualizado anualmente, sendo  inseridas  informações relativas às mudanças ocorridas no processo  florestal, bem como aos  resultados do monitoramento dos programas e ações  realizadas pela empresa.  Em caso de dúvidas, críticas ou sugestões a respeito do Plano de Manejo, a Ouro Verde disponibiliza um canal direto de atendimento através do telefone: (95) 3626‐4390 

Dados Gerais para Contato

Nome: Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda Endereço: Rua Botão de Ouro n° 190; Pricumã; 69309‐211 Boa Vista RR – Brasil Telefone:     +55‐95‐3626 43 90 Telefax:        +55‐95‐3626 42 92 Ouvidoria:    0800 725 3050 E‐mail: info@ouro‐verde.com Fonte Complementar de Informação:  www.ouro‐verde.com Responsável Técnico: Florian Herzog Apoio Técnico: Silviconsult Engenharia Ltda 

               

Empresas  que  pos‐suem  o  certificado FSC  são  aquelas  que manejam  suas  flo‐restas  de  forma ambientalmente cor‐reta, socialmente  justa  e  economica‐mente viável. 

 

 

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Compromisso de Adesão aos Princípios e Critérios do FSC

  

 

 

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Apresentação e Histórico da Empresa A Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda foi fundada em 1999, em função de resultados promissores de um plantio experimental de 1.000 mudas de Acacia mangium realizado em 1998 em Boa Vista ‐ RR. Após obter excelentes resultados no segundo ano de plantio, a Ouro Verde Agrosilvopastoril (OVA) tomou a decisão de empreender um grande projeto de florestamento na região de Boa Vista. Este projeto  recebeu  recursos  de  investidores  estrangeiros,  através  de  um  sistema  de  financiamento concebido e coordenado pelo empreendedor Walter Vogel.   A OVA,  parte  do Grupo  de  empresas  “Empreendimentos Walter Vogel”  (EWV),  desde  então  atua como uma  fornecedora de serviços, que executa o manejo das  florestas para os  investidores, mas que igualmente possui áreas de plantio.   No ano 2002 foi elaborado um EIA / RIMA  (Estudo e Relatório de  Impacto Ambiental), onde  foram levantados todos os aspectos e impactos socioambientais do empreendimento. Após um processo de aprovação, incluindo a realização de audiências públicas, o empreendimento foi aprovado, mediante o comprometimento da empresa em executar os PBAs  (Programas Básicos Ambientais), que até o presente momento estão sendo monitoradas pelo órgão ambiental do Estado.   No ano de 2005  foi criada a Ouro Verde Florestal Management Ltda como uma  filial da OVA, que fornece todo o corpo de funcionários e máquinas para as atividades florestais e para a administração do projeto. A OVA agora possui somente árvores plantadas, uma parte das terras e todas as licenças requeridas. As  áreas de  lavrado  adquiridas para  florestamento,  após 1998,  foram  todas utilizadas anteriormente para criação de gado. Nenhuma área de floresta foi devastada para plantios e, áreas de  florestas  secundárias,  existentes  dentro  da  plantação,  têm  sido  deixadas  intocadas  e  estão definidas como áreas de proteção. 

Dados Gerais do Empreendimento: 

Área Total: 80.866,5 ha Área Plantada: 26.757 ha Capacidade de Produção: 10.000 m³/ano Produto: Madeira serrada de Acacia mangium 

 FIGURA 1. LOCALIZAÇÃO DO PROJETO OURO VERDE

 

 

 

Os  Empreendimentos Walter  Vogel  (EWV) congregam  várias companhias  locais,  to‐das  pertencentes  ou parcialmente  perten‐centes  ao  fundador Walter Vogel, que  ini‐ciou  suas  atividades agrícolas  e  comerciais em Boa Vista no prin‐cípio dos anos 80. 

 

 

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Caracterização Regional

Contexto Socioeconômico  

O Projeto Ouro Verde está localizado em 4 Municípios do Estado de Roraima, sendo eles: Boa Vista, Cantá, Alto Alegre e Bonfim. De forma geral, os 4 Municípios presentes na área de influência indireta do Projeto apresentam as seguintes características socioeconômicas:  • o predomínio de população urbana acontece apenas no Município de Boa Vista,  representado 

por 98,37 % da população. Já em todos os outros Municípios predomina a população rural: em Cantá a população rural é de 86,52 % (maior percentual encontrado), seguido de Alto Alegre com 70,99 % e Bonfim com 67,83 %; 

 • as terras  indígenas  localizadas totalmente ou parcialmente no Estado de Roraima ocupam uma 

área  total  de  18 milhões  de  hectares,  habitadas  por  aproximadamente  30,7 mil  índios.  Estas áreas estão distribuídas nos 10 dos 15 Municípios do Estado. As terras  indígenas  localizadas na AII do Projeto correspondem a aproximadamente 905.340 ha. As etnias indígenas mais populosas no Estado de Roraima e que ocupam a AII são os Makuxi e os Wapishana.  

 • Boa Vista é o Município mais populoso, com 200.568 habitantes, enquanto Alto Alegre, Bonfim e 

Cantá possuem respectivamente 17.907, 9.326 e 8.571 habitantes;  • o grau de alfabetização do Estado de Roraima é compatível com a média nacional  (88%). Boa 

Vista  apresenta  92,23%  da  população  alfabetizada,  os  demais  encontram‐se  pouco  abaixo  da média  do  Estado  de  Roraima  (88,01%).  O  Município  de  Cantá  apresenta  o  menor  grau  de alfabetização  (77,53%),  enquanto  que  Alto  Alegre  e  Bonfim  possuem  84,4%  e  81,38% respectivamente.  Analisando  a  alfabetização  da  AII  por  faixa  etária  verifica‐se  que  índices  de analfabetismo  superiores  a 10% ocorrem nas  faixas  acima dos 30  anos. Entre 10  e 29  anos o índice de analfabetismo é inferior a 6%; 

 • em  relação  à  estrutura  de  saúde,  todos  os Municípios  apresentam  ambulatórios  e  apenas  o 

Município  de  Cantá  não  possui  nenhum  hospital. No Município  de  Boa  Vista  predominam  as doenças do aparelho  circulatório  como principal  causa de mortalidade  (em 2005), nos demais Municípios variam entre demais causas definidas e outras; 

 • indicadores  de  qualidade  de  vida  como:  número  de  domicílios  com  abastecimento  de  água, 

instalação sanitária, coleta de  lixo e  IDH‐M, apontam para boas condições na  região analisada, sendo bem semelhantes à média apresentada para o Estado de Roraima, exceto para o Município de Alto Alegre que apresenta  indicadores de qualidade de vida  inferiores à média, refletido em um  índice  inferior  aos  observados  nos  demais Municípios  da  AII.  O  IDH‐M  da  região  da  AII, encontra‐se no índice 4 ou seja, “médio superior”, para todos Municípios da AII; 

 • o rendimento médio mensal das pessoas, considerando apenas aquelas com mais de 10 anos de 

idade e que possuem algum rendimento varia entre R$ 268,12 (Bonfim) e R$ 669,42 (Boa Vista);  • segundo  o  IBGE,  em  1996,  o  número  de  propriedades  rurais  variava  entre  

829 (Alto Alegre) e 1.210 (Bonfim). Em Alto Alegre 51,15 % destas propriedades concentravam‐se na  classe  de  pequenas  a  médias  (10  a  100  ha),  enquanto  que  em  Bonfim  42,23%  das propriedades estavam entre 100 e 200 ha e 16,69% apresentavam de 200 a 500 ha. Em Boa Vista, 46,10%  das  propriedades  concentravam‐se  na  classe  de  pequena  propriedade  (até  10  ha)  e 11,98% eram de grandes propriedades (> 2.000 ha).  

 

AID  ‐  Área  de  Influ‐ência  Direta  do  Em‐preendimento:  é  o conjunto  das  proprie‐dades  rurais  vincu‐ladas ao Projeto Ouro Verde,  atualmente com plantios  ou  onde pretende‐se  implantar os florestamentos;   AII ‐ Área de Influência Indireta  do  Empreen‐dimento: é a área con‐stituída  pelos  muni‐cípios onde a empresa possui  ou  pretende implantar  plantios  de Acacia mangium;   O  IDH‐M  (Índice  de Desenvolvimento  Hu‐mano Municipal) é um indicador para medir a qualidade  de  vida  da população,  tendo  co‐mo  base  parâmetros como  renda,  longe‐vidade e educação. 

 

 

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Contexto Ambiental  

As áreas da OVA estão distribuídas na mesorregião do Norte de Roraima e microrregiões de Boa Vista e Nordeste de Roraima. O Município de Boa Vista possui área  total de 5.711,9 km²  representando 2,54 % do Estado e localizado a uma altitude de 85 m acima do nível do mar. 

 

Clima

Segundo a classificação climática de Köppen, Boa Vista apresenta clima tropical úmido  ‐ Aw, com a temperatura média anual de 26°C e temperatura média do mês mais frio superior a 18 °C. 

 

Geomorfologia

A  geomorfologia  das  áreas  abrangidas  pelo  empreendimento  é  influenciada  de  modo  mais importante  por  três  domínios  distintos:  Pediplano Rio  Branco  ‐ Rio Negro;  Planaltos Residuais  de Roraima; e Planalto Dissecado Norte da Amazônia. Os solos  locais apresentam como característica típica o balanço hídrico alterado por massas impermeáveis, além do que, apresentam‐se pobres em nutrientes, o que em geral compromete o crescimento da vegetação florestal. 

 

Hidrografia

A hidrografia do Estado de Roraima está inserida na Bacia do Rio Amazonas e baseia‐se basicamente na Sub‐bacia do Rio Branco, afluente do Rio Negro. Os Núcleos de plantio da OVA encontram‐se sob a  influência do sistema da bacia hidrográfica do Rio Branco, composta por diversas microbacias. A Bacia do Rio Branco se caracteriza por possuir um regime hidrográfico marcado por um período de cheia e outro de seca.  

 

Flora

Os Núcleos de plantios de Acacia mangium da OVA encontram‐se inseridos nos domínios da Savana, denominação  de  IBGE  (1992)  para  a  região  fitogeográfica  do  bioma  Cerrado.  Regionalmente,  a Savana recebe o nome de “Lavrados”, o qual teria surgido no  início do século XX e  incorporado ao vocabulário da  região. As  fitofisionomias que ocorrem na área compõem‐se de: Savana Gramíneo‐Lenhosa; Savana Parque; Savana Arborizada; Savana Florestada; Floresta Ombrófila Aberta; Floresta Ombrófila Densa; Floresta Estacional Semi‐Decidual; e Formações Pioneiras.  

Fauna

As principais espécies de mastofauna, avifauna e herpetofauna (répteis e anfíbios) de ocorrência no Estado de Roraima são: 

 

• mastofauna:  dentre  a  composição  mastofaunistica  local,  constam  na  lista  de  espécies ameaçadas:  Myrmecophaga  tridactyla  (tamanduá‐bandeira),  Speothus  venaticus  (cachorro‐vinagre),  Odocoileus  virginianus  (veado‐campeiro),  Chrysocyon  brachyurus  (lobo‐guará)  (este registro merece  ressalvas  levando‐se  em  conta  que  a  literatura  não  cita  a  ocorrência  desse canídeo para a  região), Puma concolor  (suçuarana), Leopardus pardalis  (jaguatirica), Leopardus sp. (gato‐do‐mato, gato‐maracajá) e, presumivelmente, também Panthera onca (onça‐pintada) e Pteronura brasilinsis (ariranha). Dentre os primatas (macacos), Alouatta seniculus (guariba).  

• avifauna: em  inventários  realizados em  áreas de  Savana  e  Florestas de Galeria do Rio Branco foram  registradas  317  espécies de  aves distribuídas nas  distintas  fácies  ambientais. Dentre  as espécies  de  maior  interesse  à  conservação,  endemismos  do  Estado  de  Roraima,  pode‐se encontrar: Cercomacra carbonaria  (chororó) e Synallaxis kollari  (joão‐de‐barba‐grisalia). Dentre as espécies ameaçadas de extinção para o Brasil, a ocorrência de Harpia harpyja (harpia) e como exemplo de rara na natureza, Sarcorhamphus papa (urubu‐rei).  

• herpetofauna: para a região de ocorrência da Savana, há o registro de 76 espécies, sendo 56 de répteis e 20 de anfíbios. Para a área o projeto ocorrem espécies de interesse para a conservação, caso dos jacarés Caimam crocodilus (jacaré‐tinga) e Melanosuchus niger (jacaré‐açu).  

  

Em  22  de  maio  de 2003,  em  comemo‐ração  ao  dia  Inter‐nacional  da  Diversi‐dade  Biológica,  o IBAMA lançou a nova lista  da  fauna  sil‐vestre brasileira ame‐açada  de  extinção, que  foi  publicada pelo  Ministério  do Meio Ambiente. 

 

 

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Estrutura Organizacional O Projeto Ouro Verde é administrado por duas empresas: Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda (OVA) e Ouro Verde Florestal Management Ltda (FLORESTAL).  

A  OVA  é  administradora  do  sistema  de  investimento  florestal,  proprietária  de  algumas  terras plantadas,  proprietária  da  floresta  plantada  e  responsável  por  todas  as  licenças  ambientais  e operacionais do Projeto. A OVA também é gestora do grupo de certificação FSC “Projeto Ouro Verde” e presta serviços administrativos e  legais às empresas proprietárias das terras plantadas (averbação de reservas legais, etc.).   

A Ouro Verde Florestal Management Ltda (FLORESTAL) é a filial da Ouro Verde Agrosilvopastoril que fornece  todo  o  corpo  de  funcionários  para  a  realização  e  administração  do  projeto  e  todas  as máquinas para as atividades florestais do mesmo. Ela também fornece a mão‐de‐obra e administra as empresas: Madeireira Vale Verde Ltda e Mangium Wood Serraria Ltda.   

Gestão Florestal

Objetivos do Manejo Florestal  

Objetivos a Longo Prazo  

• garantir  a  sustentabilidade  econômica,  ecológica  e  social  do  projeto  por  assegurar‐se  que:  os retornos  do  investimento  sejam  satisfeitos  dentro  do  tempo  e  que  sejam  asseguradas  a produtividade e a demanda projetada; a qualidade ambiental seja preservada com respeito aos padrões  nacionais  e  internacionais;  as  necessidades  do  ambiente  social  relevantes  sejam incluídas; as condições de trabalho sejam adequadas e gradualmente melhoradas; 

• continuar o melhoramento da qualidade ambiental do solo, da água, da flora e da fauna através de práticas sustentáveis de manejo; 

• desenvolver e aplicar novas tecnologias para o melhoramento da produtividade da companhia, qualidade do produto e proteção ambiental; 

• conservar os remanescentes de floresta natural existentes; e • enriquecer  os  povoamentos  de  plantação  com  espécies  de  árvores  locais  a  fim  de  criar 

povoamentos mistos semi‐naturais para propostas múltiplas de uso e produção de madeira de alta qualidade. 

 

Objetivos a Médio Prazo  

 

• aumentar o valor do produto  final, produzindo  localmente produtos acabados para o mercado local e internacional; 

• estudar e desenvolver novos mercados potenciais; • desenvolver  técnicas  para  um  aproveitamento  melhor  dos  resíduos  do  desbaste  dentro  da 

floresta; • criar parcerias com clientes e fornecedores; e • produzir fibras de madeira / pellets / briquetes a partir de resíduos para aumentar o rendimento 

do investimento; e • realizar um projeto de venda de créditos de sequestro de carbono. 

   

 

 

 

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Objetivos a Curto Prazo  

• conquistar  no  ano  de  2007  o  certificado  FSC  para  o  manejo  florestal  do  plantio  de  Acacia mangium e para a cadeia de custodia da Serraria Mangium Wood; 

• vender madeira serrada e produtos semi‐acabados no mercado internacional; • continuar  o  processo  de  consulta  contínua  e  participativa  junto  ao  ambiente  social  a  fim  de 

facilitar um manejo socialmente sustentável; • aperfeiçoar o sistema de seleção de áreas para plantio e o sistema de adubação; • melhorar  a  organização  e  o  desempenho  do  manejo  florestal  operacional,  através  de  um 

monitoramento  de  todas  as  atividades  operacionais  e  ocorrências  diversas  no  sistema  de informação florestal; 

• melhorar as condições de segurança de trabalho e saúde dos colaboradores; • aperfeiçoar  a  proteção  dos  recursos  hídricos  e  das  Áreas  de  Preservação  Permanente,  das 

florestas naturais e a recuperação de áreas degradadas; • reduzir custos através de um monitoramento  financeiro mais eficaz e  informatizado utilizando  

um sistema de planejamento de recursos (ERP); e • realizar um programa de melhoramento florestal e melhoramento genético  introduzindo, entre 

outras, técnicas de micropropagação, em cooperação com instituições de pesquisa.  

Base Florestal  

Os  plantios  de  Acácia  do  Projeto Ouro  Verde  estão  distribuídos  em  quatro  Núcleos,  sendo  eles: Jacitara; Serra da Lua; Mucajaí; e Santa Cecília. A Tabela 1 mostra a área plantada da empresa por Núcleo, enquanto que a Figura 2 mostra a localização e a distribuição dos Núcleos de plantio. 

TABELA 1. ÁREA PLANTADA DA OVA EM 2007  

Núcleo  Área Plantada  Outras Áreas1  Área Total (ha)2 

Jacitara  4.922  11.063  16.572 Serra da Lua  18.460  33.178  53.714 Mucajaí  2.209  2.871  5.157 Santa Cecília  1.167  3.976  5.423 

Total  26.758  51.088  80.866  

1 Corresponde às áreas de reserva legal e outras áreas remanescentes de cerrado. 2 Inclui ainda o somatório de outras áreas, como de infra‐estrutura por exemplo. 

FIGURA 2. DISTRIBUIÇÃO DOS NÚCLEOS DE PLANTIO

O  FSC  –  Forest  Ste‐wardship  Council  ou Conselho  de Manejo Florestal é uma  insti‐tuição  internacional independente  e  sem fins  lucrativos,  cuja missão é promover e atestar o bom mane‐jo florestal. 

 

 

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Planejamento Florestal  

Inventário Florestal  

Para  avaliar  o  recurso madeireiro  em  intervalos  regulares  de  um  ano,  desde  setembro  de  2002 inventários  florestais  são  realizados,  baseados  em  parcelas  amostrais  permanentes  que  são distribuídas sistematicamente em todos os Núcleos. As metas desses inventários anuais são o cálculo do  incremento médio  anual  e  total  e  do  volume  atual  do  povoamento  a  partir  de  equações  de volume. Alem disso, está sendo calculada a área basal de cada parcela e o índice de sitio, assim como um estudo de qualidade. 

 São ainda realizados inventários de qualidade, com o objetivo geral de determinar o índice de sitio de cada Talhão assim como a produção potencial do mesmo e para fixar o momento do desbaste com a ajuda das tabelas de sitio. 

 

Processo Florestal  

Silvicultura  

Viveiro Florestal

O Viveiro Florestal da Ouro Verde é do tipo permanente, com a produção de mudas em recipientes. Todas as atividades de produção de mudas precedem a um planejamento intenso em relação à área de  plantio,  assim  como  a  época  do  ano,  visando máxima  qualidade  e menor  custo  unitário  de produção.   As mudas são produzidas em uma estrutura que está  localizada a 8 km de Boa Vista, denominada Viveiro Santa Cecília.  A capacidade de produção é de quatro milhões e trezentas mil mudas por ano.  Dependendo da demanda de mudas a serem produzidas e do planejamento logístico do plantio, uma estrutura alternativa pode ser ativada, localizada a 40 km de distância da capital, denominada Viveiro Jacitara, com a capacidade de produção de dois milhões de mudas por ano. 

Seleção e Preparação de Área para Plantio

A seleção de sítios tem por objetivo avaliar fatores de ordem técnica e econômica das áreas a serem adquiridas com finalidade de buscar o melhor resultado na relação custo / benefício para instalação de culturas de longo prazo. A preparação de áreas para plantio envolve as seguintes atividades:  

• abertura  de  áreas:  retirada  da  vegetação  primária  e  arbustiva  dos  sítios  previamente selecionados e licenciados; locação e construção de acessos (construção de caminhos de serviço, estradas, aterros, pontes, e demais obras de infra‐estrutura);  

• delimitação  dos  Talhões:  são  construídos  aceiros  delimitando  as  áreas  dos  Talhões,  com  o objetivo de facilitar o planejamento do trabalho operacional (derrubada da vegetação arbustiva);  

• supressão da vegetação: geralmente a vegetação que é  retirada  faz parte da  savana gramínea lenhosa. As áreas de preservação (APP’s), Reserva Legal (RL) e áreas improdutivas ficam intactas;  

• limpeza: o material é empilhado em pequenos montes com uma pá mecânica, que são  levados para fora da área com o auxílio de um trator de esteira; e 

 

• preparo de solo: o preparo final do solo é a operação que sucede à abertura da área escolhida e previamente subsolada, o preparo  final é  feito simultaneamente na época do plantio. Tem por finalidade promover um melhoramento do solo para um melhor acondicionamento das mudas e facilitar o plantio por se tratar de uma operação manual. O preparo de solo envolve as operações de subsolagem, aplicação de corretivos (adubação) e gradagem. 

 

 

 

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Plantio de Leguminosa Guandú

No  plantio  de  Acacia  mangium,  a  implantação  antecipada  do  guandú  promove,  entre  outros benefícios, a função de quebra‐vento de relva, proporcionando uma melhor orientação das plantas jovens, pois  livre deste problema, o aprumo direciona a energia para o broto principal, exercendo ainda  um  estímulo  de  crescimento  vertical  provocado  pelo  efeito  de  fototropismo  em  função  da concorrência pela luz. 

Adubação

É o emprego de  fertilizantes no  solo para  suprir  a necessidade em nutrientes à  cultura da Acacia mangium.  Tem  o  objetivo  de  obter  melhores  resultados  em  incremento  de  matéria‐prima.  A recomendação nutricional das plantas  tem base nas análises  foliares, disponibilidade de nutrientes do solo e tipo e características dos solos. São realizados três tipos de adubação: adubação no preparo do solo; adubação pós‐poda e adubação de recuperação.  

Plantio

O plantio de Acacia mangium é realizado no início do período das chuvas, quando a umidade do solo já  estiver  restabelecida  e  as  condições  de  campo  permitam  um manejo  adequado  das  práticas silviculturais, acondicionando melhor as mudas no solo. O período que abrange as precipitações varia de ano para ano, mas geralmente acontece entre os meses de abril e  setembro. A  seqüência dos trabalhos  de  plantio  consiste  em:  escolha  das  mudas;  transporte  das  mudas;  definição  do espaçamento;  armazenamento  das  mudas  no  campo;  descarte  das mudas  no  campo;  irrigação; coveamento; adubação; acondicionamento das mudas; e recolhimento de caixas e tubetes.  

Trabalhos de Silvicultura até o Primeiro Desbaste

      A condução dos plantios de Acacia mangium até o primeiro desbaste envolve as atividades de:  

• primeira poda: uma primeira poda (baixa poda) é desenvolvida a fim de estimular o crescimento em altura e não permitir que as árvores ganhem uma aparência de arbusto por causa do rápido crescimento dos  ramos e bifurcações  típicos na Acacia mangium. Em geral, a primeira poda é feita de seis a oito meses após o plantio, durante a estação seca porque as plantas estão menos suscetíveis aos ataques de fungos durante esse período;  

• inventário  de  qualidade  (Q1):  um  estudo  de  qualidade  de  todos  os  Talhões  plantados  é executado  um  ano  após  o  plantio  e  por  causa  disso  todo  Talhão  recebe  uma  classificação preliminar de qualidade e  categoria de  sítio. Este estudo estima a qualidade dos  trabalhos de plantio  e  fornece  ao  Departamento  de  Silvicultura  uma  oportunidade  para  reabilitar rapidamente, se ainda possível, áreas com baixo desempenho;  

• operações mecanizadas:  a  capina mecanizada  entre  as  fileiras,  ou  a  aplicação mecanizada  de herbicidas (Scout) nas fileiras de plantio (com trator de 90 hp), é feita 8 a 12 meses após o plantio para conservar a remoção do mato e a regeneração natural do declive. Uma mistura de cálcio, gipsita e fosfato é usada na adubação. Uma segunda operação de adubação manual é feita 20 a 24 meses após o plantio;  

• segunda poda: a segunda poda é feita com ainda 2,5 m de largura dos troncos das árvores com uma altura máxima de árvore entre 3 a 4,5 m entre 12 e 15 meses de  idade. Os ferimentos da poda acima de 3 cm são tratados com fungicida e doenças das plantas, formas fracas de troncos e ramificações não são podados porque serão derrubados durante a próxima operação de poda;  

• poda alta: para a poda alta somente árvores com alto potencial de produção e com propriedades dos troncos extremamente evoluídos são selecionadas. Este sistema deve melhorar a qualidade da madeira e serve, além do mais, como critério de seleção para desbaste positivo; e  

• controle de pragas e uso de agroquímicos: os produtos químicos são utilizados para o controle de fungos,  formigas  e  ervas  daninhas,  que  prejudicam  o  desenvolvimento  das  plantas.  A  OVA somente utiliza produtos de uso permitido no Brasil e liberados pelo FSC. O manuseio, aplicação e  armazenamento  desses  produtos  seguem  rígidas  normas  de  segurança  estabelecidas  pela empresa.  

  

O plantio de culturas destinadas  à  cober‐tura do solo, como o Guandú,  tem por ob‐jetivo  proporcionar sinergismo  positivo para a cultura subse‐qüente,  podendo  ser desde o controle das invasoras  e  da  ero‐são,  assim  como  a fixação de nitrogênio e  outros  benefícios conhecidos. 

 

 

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Colheita Seleção de Regime de Desbaste

A  medida‐chave  para  determinar  os  próximos  passos  da  silvicultura  é  um  procedimento  de monitoramento sobre o desenvolvimento do Talhão que é realizado no quarto ano após plantio. Este segundo  inventário de Qualidade  (Q2)  fornecerá os  seguintes  tipos de  informação que  são usadas pelo departamento de Silvicultura: área basal; categoria do sítio do Talhão (o índice de categoria de sítio  é  gerado  durante  inventários  anualmente);  qualidade  do  tronco  (potencial  de  meta  de produção); condição da copa; danos por fungos; e mortalidade. Com a ajuda dos dados coletados o regime de desbaste é determinado assim como o  tempo para as próximas medidas de  silvicultura para cada Talhão.  O momento de desenvolver o primeiro desbaste é definido pela área basal que foi demonstrado para indicar uma forte correlação com o raio da copa da árvore. O desenvolvimento das copas, densidade da cobertura do plantio e respectiva concorrência entre os indivíduos decide sobre o momento para o desbaste.   Uma pré‐seleção de um  certo  regime de desbaste para o Talhão é  feita com dados do estudo de qualidade. A categoria do  local é o parâmetro prioritário que decide sobre o regime de desbaste e meta  de  produção.  Tabelas  incluindo  recomendações  de  desbaste  são  calculadas  e  adaptadas anualmente.  Caso  a  taxa  de mortalidade  seja muito  alta,  danos  por  doença  ou  praga,  danos  por incêndios  florestais ou extremamente baixo desempenho de crescimento sejam  identificados, uma decisão sobre conversão da área ou replantio é tomada pelo engenheiro florestal responsável. A  decisão  final  por  um  certo  regime  de  desbaste  é  tomada  pelo  técnico  florestal  a  cargo  das operações de desbaste. O técnico escolhe um dos regimes descritos abaixo. 

 

• desbaste  futuro:  seleção positiva  “desbaste  futuro”  (povoamentos de alto  índice qualitativo e quantitativo)  ‐ cerca de 450 a 550 árvores  futuras são selecionadas por hectare  (normalmente ocorre uma pré‐seleção pela poda alta) e 0,7 – 1,0 competidores são extraídos por árvore futura. Entre 20% e 25% das árvores por hectare são removidas. Os Talhões devem produzir ao menos 400 ‐ 600 árvores para o corte final.  

• desbaste  negativo:  seleção  negativa  “desbaste  negativo”  (povoamentos  de  baixo  índice quantitativo,  e  alto  índice  qualitativo)  ‐  somente  árvores  de  baixa  qualidade  (tortuosas  e defeituosas) e aquelas mostrando sinais de infecção por fungos são selecionadas para extração. Entre 20% e 25% das árvores por hectare são removidas. Os Talhões devem produzir ao menos 400 ‐ 600 árvores para o corte final.  

• desbaste tipo sanitário: caso fortes ataques por fungos ou outras pragas tenham sido avaliados pelo Q2, um desbaste sanitário é efetuado para prevenir‐se a propagação dos fungos. Em muitos casos o desbaste sanitário é feito junto com um dos outros regimes de desbaste de árvores, uma seleção negativa na maioria dos casos, limpando os grupos de árvores que tenham sido atacados. 

Baldeio

O  baldeio  consiste  na  retirada  organizada  das  toras  seccionadas  do  interior  dos  eitos,  utilizando como via de acesso a entrelinha central do mesmo. O baldeio segue as etapas abaixo: 

 • um trator de pneu com uma carreta agrícola acoplada é introduzido ao longo do eito; • ajudantes florestais, de forma manual, abastecem a carreta agrícola com o material serrado; • o  material  serrado  é  direcionado  as  margens  do  talhão  (carreadores  principais),  onde  são 

empilhados; e • placas de identificação das pilhas são introduzidas a fim de realizar a rastreabilidade da madeira. 

 

Planificação, Construção e Manutenção de Estradas  

Uma  rede  rodoviária  de  alta  qualidade  é  muito  importante  para  a  eficiência  do  manejo  da silvicultura. Por isto, um setor da empresa está a cargo do controle e monitoramento permanente da construção  e  trabalhos  de  manutenção  de  estradas  que  seguem  as  Normas  Reguladoras  do Ministério  dos  Transportes  e,  respectivamente,  do  Departamento  Nacional  de  Infra‐Estrutura  de Transportes (DNIT). 

Uma área basal entre 9  e  12  m²,  que  é alcançado  em  uma idade  de  dois  a  qua‐tro  anos,  foi  identifi‐cada apropriada para o  primeiro  desbaste. Em  uma  área  basal de 14m² a 17 m², que ocorre  entre  cinco  e oito  anos  de  idade, um  segundo  des‐baste  deve  ser  exe‐cutado. 

 

 

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A equipe de trabalho do empreendimento assegura que as estradas são construídas minimizando o impacto ambiental. O equipamento utilizado para a construção de estradas e obras complementares possibilita uma otimização dos trabalhos, além de minimizar impactos. Algumas das estradas usadas intensivamente pela empresa são também rodovias públicas.  As  atividades  desenvolvidas  para  a  construção  de  estradas  são:  terraplanagem  ‐  serviços preliminares;  terraplanagem  –  remoção  de  solos moles;  terraplanagem  ‐  cortes;  terraplanagem  – aterro;  terraplanagem  –  empréstimos;  terraplanagem  –  caminhos  de  serviço;  terraplanagem  – colchão drenante de areia para fundação de areia; drenagem ‐ bocas e caixas para bueiros tubulares; drenagem  –  sargetas  e  valetas;  terraplanagem  –  revestimento primário; obras  complementares  – porteiras  e  mata‐burros;  e  obras  complementares  –  cercas.  Os  trabalhos  de  manutenção  das estradas consistem de nivelamento regular, preenchimento de caldeirões, limpeza de valas e bueiros, assim como reparo de pontes, cabeças de pontes, mata‐burros e cercas.   

Tecnologia  A OVA  investe em projetos de pesquisa desenvolvidos na área de  silvicultura  com a  finalidade de sofisticar  o  planejamento  de  produção,  das  atividades  florestais  e  da  interação  das  unidades produtivas com o meio ambiente.   Os projetos de pesquisa são coordenados pelo Departamento de Planejamento e Monitoramento e têm  sido desenvolvidos em parceria  com  seguintes entidades: Universidade Federal de Roraima – UFRR;  Empresa  Brasileira  de  Pesquisa  Agropecuária  –  EMBRAPA/Boa  Vista;  Universidade  de Hamburgo  ‐  Alemanha  e  Instituto  de  Pesquisa  Federal  Alemão  para  Madeira  e  Silvicultura; Universidade  de Würzburg  –  Alemanha;  Eidgenössische Materialprüfungsanstalt  ‐  EMPA  –  Suíça; Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia INPA ‐ Manaus e a Universidade Federal de Viçosa ‐ UFV.  

 Os  projetos  específicos  abrangem  estudos  na  área  de  ciências  florestais,  como  tecnologia  de madeira, silvicultura, dendrometria, genética, pedologia, hidrologia, zoologia, botânica e também na área de ciências humanas: sociologia e arqueologia.  

 

Testes de Diversificação por Núcleos Acacia mangium

 Diferentes  tentativas de  florestamento  com  Eucalyptus  spp.  foram desenvolvidas no  ano de 2002 para o plantio de aproximadamente 134 hectares com espécies E. urograndis, E. camaldulensis e  E. grandis em todos os quatro Núcleos da OVA. Os resultados do incremento permanecem bem abaixo das  expectativas.  Atualmente  a  OVA  está  realizando  diferentes  testes  para  enriquecimento  dos Núcleos de Acacia mangium e florestamento de espécies múltiplas, com espécies de árvores nativas locais.  Essas  são  desenvolvidas  em  diferentes  contextos:  testes  de  diversificação  com  Acacia mangium que foram desenvolvidas com a espécie paricá (Schizolobium amazonicum); testes com ipê (Tabebuia  impetiginosa) e sumaúma (Ceiba pentandra) fora da área sujeita a este Plano de Manejo (A área está localizada a vários quilômetros ao sul do Núcleo Mucajaí, no lado sul do rio Mucajaí). 

 

Proteção da Unidade de Manejo  

Plano de Prevenção de Incêndios

 A Ouro Verde possui um eficiente sistema de detecção de incêndios florestais.  O relevo das áreas de plantios  de  Acacia mangium  proporciona  uma  ótima  visualização  de  focos  de  incêndios  a  longas distâncias devido ao  fato do  terreno ser plano e pouco acidentado.   Além disto, a empresa possui uma  equipe  de  brigadistas  devidamente  treinada  dentro  das  técnicas  de  prevenção  e  combate  a incêndios  florestais,  tendo  inclusive  apoio  de  capacitação  profissional  do  Corpo  de Bombeiros  do Estado  de Roraima  e  do Distrito  Federal. O  sistema  de operação  de  combate  segue os  seguintes passos:  

• os  fiscais  de  área  (rondas), munidos  de  um  aparelho  de  rádio  comunicação  e motocicletas, realizam o patrulhamento da área total dos plantios de acácia; 

Os  projetos  de  pes‐quisa  incluem  trabal‐hos  de  graduação, pós‐graduação,  mes‐trado ou dissertações. Os  estudos  já  realiza‐dos  geraram  mais  de 40  relatórios  cientí‐ficos. 

 

 

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• ao detectar um  foco de fumaça, os  fiscais de área efetuam a aproximação ao  local até obter a informação visual; 

• constatando  o  risco  aos  plantios,  mesmo  que  seja  mínimo,  o  ronda  pelo  sistema  de radiocomunicação informa a ocorrência para o supervisor mais próximo; 

• o  supervisor  se desloca ao  local da ocorrência e  junto com o  fiscal de área avaliam o nível de risco; 

• caso  exista  a  necessidade  de  combate,  os  brigadistas mais  próximos,  treinados  em  todas  as frentes de trabalhos da empresa, se deslocam para iniciar o combate; 

• após o combate, é realizado um monitoramento da área incendiada e efetuado o rescaldo; e • a ocorrência é registrada no SIF (Sistema de Informações Florestais) da empresa. 

 

Aceiros de Segurança

Aceiros  são  técnicas  preventivas  destinadas  a  quebrar  a  continuidade  do  material  combustível.  Constituem‐se  basicamente  de  faixas  livres  de  vegetação,  onde  o  solo mineral  é  exposto,  sendo distribuídas  na  área  florestal,  de  acordo  com  as  necessidades  de  proteção.  A  primeira  etapa  é determinar  a  quantidade  de  áreas  a  serem  aceiradas  por  Fazenda,  planificadas  através  de visualização prévia no Arc Gis.   A planificação prévia visa a  identificar e determinar as áreas de alto risco, assim como barreiras naturais e locais de maior ocorrência de incêndios.   

Combate a Incêndios  

Os combates a incêndios florestais são realizados por funcionários das equipes de frentes de trabalho da silvicultura e colheita, treinados com as técnicas adequadas e aptos a realizar a operação. Para o combate  a  incêndios,  as  seguintes  atividades  são  desenvolvidas:  reconhecimento;  ataque  inicial; controle; extinção ou rescaldo; vigilância da área queimada ou patrulhamento. Os métodos usados para  confinar  e  desse modo  controlar os  incêndios  florestais,  construir  uma  linha  de  controle  ao redor  da  área  do  incêndio,  confinar  o  fogo  dentro  desta  área  e  retirar  o  combustível  ainda  não consumido, prevenindo a ocorrência de  incêndios  fora da  linha de controle e extinguindo aqueles que ocorrem são:   

• ataque direto: o combate é feito diretamente na “frente do fogo”, jogando água e terra sobre o material aceso; e 

• ataque paralelo ou  intermediário: usado quando o calor produzido pelo  fogo permite pequena aproximação, mas não o suficiente para o ataque direto.   

 

Segurança e Saúde dos Trabalhadores  

O  setor  de  saúde  e  o  setor  de  segurança  no  trabalho  estão  subordinados  ao  departamento  de Recursos Humanos. O setor de saúde da OVA possui um médico e um auxiliar de enfermagem, os quais estão encarregados de monitorar permanentemente a saúde dos membros da companhia. O setor de segurança no trabalho é composto por quatro colaboradores ‐ um engenheiro de segurança, dois  técnicos  e  um  auxiliar,  responsáveis  por  organizar  e  controlar  as  condições  de  segurança, cuidando  da  exposição  dos  colaboradores  aos  riscos  físicos,  químicos  e  biológicos,  assim  como acidentes no trabalho em todas as atividades desenvolvidas pela companhia.   

Inspeção de Condições de Trabalho e da Infra-estrutura do Empreendimento

 O  setor  de  segurança  inspeciona  regularmente  as  condições  do  trabalho  em  todas  as  atividades desenvolvidas  no  campo  e nas  edificações  da  companhia. A  freqüência de  inspeções depende da sazonalidade de atividades silviculturais, sendo semanal durante a época do plantio ou desbaste e mensal durante o semestre restante. Nas acomodações do campo, sedes das Fazendas ou casas de vigilância, é efetuada uma vistoria trimestral, a qual pode passar a mensal dependendo da ocupação das  edificações  devido  às  atividades  florestais  desenvolvidas  em  suas  redondezas.    A  vistoria  é documentada, sendo gerados relatórios que apontam pontos fracos a serem corrigidos e soluções e providencias para resolver os eventuais problemas. 

 

 

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Treinamentos de Capacitação e Conscientização  A OVA possui um plano anual de capacitação e conscientização para seus membros e trabalhadores terceirizados, monitorando a renovação de habilitações para todos os  tipos de operação. Todos os funcionários recebem  treinamentos de capacitação e conscientização  incluindo os seguintes cursos internos da empresa:   

• primeiros  socorros  (teoria  e  pratica  com  treinamento  de  ressuscitação  e  atendimento  de emergências);  

• certificação florestal FSC;  • normas, condutas e regras da empresa;  • gerenciamento de resíduos sólidos;  • cuidados com o meio ambiente  (treinamento  teórico e pratico  sobre ocorrências ambientais e 

atendimento de emergências);  • segurança de trabalho, ergonomia e uso dos EPIs;  • treinamentos operacionais para atividades de silvicultura; e  • gerenciamento e motivação para supervisores e fiscalizadores florestais, como também curso de 

gestão para o corpo executivo.   O curso sobre cuidados com produtos químicos ‐ prevenção de acidentes e tecnologia de aplicação é executado pela Embrapa Roraima. Operadores de máquinas  recebem o  treinamento de máquinas pesadas (operação, lubrificação e meio ambiente) no SENAI em Boa Vista. A empresa também possui uma  parceria  com  o  SESI  para  o  Programa  Brasil  Alfabetizado,  visando  à  alfabetização  de  seus colaboradores.   

Equipamentos de Proteção Individual  

O  setor  de  segurança  tem  formulado  padrões  para  requerimento  de  equipamento  de segurança  para  cada  atividade  de  campo.  O  equipamento  é  comprado,  armazenado  e distribuído.  A  companhia  fornece  Equipamento  de  Proteção  Individual  também  aos trabalhadores  terceirizados  cobrando  o  uso  e  responsabilizando‐se  pela  igualdade  de condições nas operações florestais.  

Definição e Sinalização de Zonas de Riscos  

Todas  as  zonas  de  riscos  de  segurança  no  trabalho  que  se  encontrem  em  volta  de atividades  desenvolvidas  no  campo  e  nas  edificações  da  companhia  estão  sendo identificadas e sinalizadas. O setor executa um levantamento semestral de zonas de riscos, elaborando um relatório que defina a sinalização e procedimentos necessários para evitar quaisquer acidentes.   

Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA  

O objetivo do PPRA é a preservação da  saúde e da  integridade dos  seus  colaboradores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, levando em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais.  

Programa de Controle Médico  O PCMSO ‐ Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional dos Trabalhadores ‐ prevê uma serie de atividades, abrangendo desde a análise de aptidão física e mental no serviço de medicina do trabalho para os candidatos à admissão, exames periódicos para todos os colaboradores, avaliação clinica ocupacional em casos de mudança de função, até exames demissionais. 

Uma  comissão  para prevenção de acidente no  trabalho  rural  (Co‐missão Interna de Pre‐venção  de  Acidentes do  Trabalho  Rural  ‐ CIPATR)  foi  estabe‐lecida  e  apoiada  pelo pessoal da companhia, a  fim  de  comunicar  e monitorar  acidentes. Esta comissão é super‐visionada  e  treinada pelo departamento de segurança  no  trabal‐ho. 

 

 

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Gestão Ambiental

Áreas Naturais  

A  OVA  mantém  algumas  áreas  representativas  de  ambientes  naturais  em  suas propriedades, distribuídas entre áreas de Reserva Legal, Preservação Permanente e outras áreas com remanescentes de vegetação nativa.  De acordo com classificação,  feita com base em características  fisionômicas e ecológicas, as fitofisionomias que ocorrem na região da área de estudo compõe‐se de Savana (com as sub‐formações  Savana  Gramíneo‐Lenhosa,  Savana  Parque,  Savana  Arborizada  e  Savana Florestada), Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Ombrófila Densa, Floresta Estacional Semi‐Decidual,  Formações  Pioneiras  e  Áreas  de  Tensão  Ecológica.  Respectivamente,  estas fitofisionomias são apresentadas na Figura 3.  FIGURA 3. FITOFISIONOMIAS DE OCORRÊNCIA NA REGIÃO DO PROJETO OURO VERDE  

 

 

 

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Áreas de Alto Valor de Conservação

 Diferentes áreas da empresa apresentam espaços relevantes para a conservação em vista de sua estrutura vegetacional e fauna associada. Dentre os maciços florestais distribuídos em algumas Fazendas da empresa, principalmente no Núcleo Serra da Lua,  se destacam como de alto valor de conservação os seguintes:  

• extensão  florestal  localizada  entre  as  Fazendas  Umirizal  e  Tangará:  trata‐se  de  uma  faixa  de floresta com  larguras variadas que abrange parte das áreas que compõe as Fazendas Umirizal, Araçá,  Sítio  Palmares,  Sítio  Gracioso,  Sítio  3  Irmãos,  Cumaça  e  Tangará,  estendendo‐se  por propriedades lindeiras, incluindo as reservas indígenas Moskow e Manoá;   

• floresta riparia da Fazenda Alvorada: faixa de Floresta Ripária de largura relativamente estreita e que se estende às margens do rio Branco ao longo de uma das divisas da Fazenda Alvorada. Tem importante função no controle de erosão e assoreamento do rio. 

 FIGURA 4. CORREDORES ECOLÓGICOS

 

     

Programa de Monitoramento das Águas Superficiais (PMAS) e de Águas Subterrâneas

 A Ouro  Verde  criou  um  programa  de monitoramento  das  águas  superficiais  através  da demarcação de uma microbacia hidrográfica  representativa da  região onde o projeto  se encontra  inserido. Além disso, uma força tarefa foi criada para  limpar todos os cursos de água  nas  Fazendas  da  empresa,  uma  vez  por  ano,  de  vegetação  invasiva  de  Acacia mangium.  O monitoramento das águas subterrâneas tem como objetivo avaliar os efeitos provocados pelos plantios de Acacia mangium sobre a disponibilidade de água subterrânea existente nas  áreas de plantio. A  empresa  ainda possui  3  estações meteorológicas para monitorar as condições atmosféricas e utilizar os dados no PMASS.  

Florestas  de  Alto  Valor de  Conservação  são áreas  que  possuem valores ambientais e so‐ciais  considerados  de caráter  excepcional  ou importância  crítica. Essas  áreas  devem  ser manejadas  apropria‐damente  para  que  os Altos  Valores  de  Con‐servação  identificados sejam  mantidos  ou ampliados (PROFOREST, 2003). 

 

 

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FIGURA 5. PONTOS DE MONITORAMENTO DE ÁGUAS SUPERFICIAIS

  

 

Gerenciamento de Resíduos Sólidos  A Ouro Verde mantém um plano de gerenciamento de resíduos através da coleta seletiva, que  visa  à  manutenção  sanitária  de  todas  as  Fazendas  da  empresa,  além  de  estar contribuindo para manter o ambiente saudável. 

 

Identificação de Impactos Ambientais  

Os aspectos e  impactos ambientais foram analisados relacionando‐os diretamente a cada Atividade Florestal  realizada pela empresa. Por  sua vez, cada Atividade está  ligada a um Grupo de Atividades. Cada Grupo de Atividades está ligado a uma Linha de Produção, que por sua vez está ligada a um Grupo de Linhas de Produção, como mostra a Figura 6.   FIGURA 6. PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS

 

Aspecto / 

Impacto

Grupo de Linha de Produção

Linha de Produção

Grupo de Atividade

AtividadeMedidas Preventivas e/ou 

Mitigadoras

A  avaliação  inicial  dos impactos  ambientais das atividades florestais da  Ouro  Verde  foi realizada  com  base  na metodologia  conhecida por Matriz  de  Leopold, a qual  é  o  processo  de avaliação qualitativa de impactos mais  utilizado mundialmente. 

 

 

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A Avaliação de  Impactos Ambientais mostrou que as atividades mais  impactantes são em sua  maioria  as  mecanizadas,  relacionadas  diretamente  com  a  movimentação  e revolvimento do solo, e as que utilizam produtos químicos, para correção do solo, controle de pragas e doenças.   O monitoramento  dos  impactos  ambientais  e  seus  efeitos  é  essencial  para  a melhoria contínua das ações de mitigação e prevenção. Neste sentido, as áreas a serem manejadas através  das  atividades  florestais  consideradas  potencialmente  impactantes  deverão  ser monitoradas constantemente.  

  

Gestão Social

Projetos Cooperativos  

Os projetos cooperativos realizados pela Ouro Verde e firmados em forma de convênios e parcerias são: 

 • desenvolvimento regional: convênio firmado junto à UNIRENDA. Este convênio tem o intuito de 

valorizar o  trabalho dos catadores como agente ecológico,  resgatando‐lhe a cidadania e ainda, participar  do  potencial  econômico  através  da  comercialização  dos  materiais  recicláveis, fornecendo  todo  o  material  selecionado  no  projeto  de  coleta  seletiva  das  áreas  do empreendimento; 

 • educação: parcerias formadas com cooperativas  locais, SESI e comunidades Indígenas da região 

Serra  da  Lua.  A  parceria  com  o  SESI  foi  concretizada  através  do  projeto  “Por  um  Brasil Alfabetizado”  do  Governo  Federal,  na modalidade  de  Educação  de  Jovens  e  adultos,  com  a finalidade  de  alfabetizar  colaboradores  da  empresa  divididos  em  duas  turmas  distintas  de  20 alunos cada visando com isso à promoção de melhor formação. O projeto teve início no dia 07 de maio de 2007 com proposta de término para o dia 07 de novembro de 2007. Para a realização das aulas a empresa viabiliza o transporte dos professores, adquiriu quadros negros e organizou o espaço  físico, enquanto que o SESI oferece o material escolar e didático e a capacitação dos professores durante todo o período; 

 • educação ambiental: disponibilizando o Jardim Botânico a empresa pode oferecer à comunidade 

um  espaço  ideal  para  o  desenvolvimento  de  pesquisa,  lazer  e  eventos  culturais. Aproximadamente  12 mil  pessoas  já  passaram  pelo  local,  entre  eles  grupo  de  estudantes  do ensino  fundamental, médio e universitários,  grupos da  terceira  idade,  artistas  regionais, entre outros. O lugar tem sido usado com freqüência por escolas, a fim de atender aos projetos extra‐classe; e 

 • pesquisa científica e educação:  − convênio firmado com a Universidade de Hamburgo com o intuito de possibilitar o intercâmbio 

de  pesquisadores  e  troca  de  conhecimentos  técnico/científico  e  realização  de  trabalhos científicos sobre aspectos  relevantes de silvicultura e manejo de Acacia mangium, bem como relativos à Certificação Florestal FSC; 

− convênio com a Universidade do Amazonas e Universidade Federal de Roraima com o objetivo cooperar  com  o  desenvolvimento  profissional  de  estudantes  do  nível  superior  através  de estágios;e 

− parceria  de  pesquisa  com  as  seguintes  entidades: Universidade  Federal  de  Roraima  – UFRR; Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA/Boa Vista; Universidade de Hamburgo ‐ Alemanha e Instituto de Pesquisa Federal Alemão para Madeira e Silvicultura; Universidade de Würzburg  –  Alemanha;  Eidgenössische  Materialprüfungsanstalt  ‐  EMPA  –  Suíça;  Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia INPA ‐ Manaus e a Universidade Federal de Viçosa ‐ UFV.  

 

 

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Benefícios Sociais  

A  Ouro  Verde  oferece  aos  funcionários  próprios  alguns  benefícios  sociais  na  forma  de serviços, vantagens ou facilidades. Os benefícios oferecidos são:  • auxílio saúde; • auxílio moradia;  • auxílio alimentação; • transporte; • aquisição de veículos; • comunicação; • educação; • capacitação profissional; e • festas e eventos internos.  

Canais de Informação e Diálogo  

Entende‐se  por  canal  de  informação  todos  os meios  de  comunicação  que  levam  e/ou apresentam um determinado conteúdo aos públicos de  interesse. Já os canais de diálogo são definidos como meios de comunicação de “mão dupla”, ou seja, levam a informação e viabilizam o processo de feedback, através de críticas, sugestões, elogios, entre outros, e a solução ou encaminhamento destas questões.  A  empresa  acredita  que,  à medida  que  os progressos  em  termos de  comunicação  e  de abertura  para  as  partes  interessadas  forem  percebidos  pela  sociedade  roraimense  e colaboradores, ocasionará uma maior abertura de diálogo e informação, atendendo assim aos  aspectos  sociais  e  comunitários  de  forma  cada  vez  mais  eficiente.  Os  canais  de informação e diálogo disponibilizados atualmente pela Ouro Verde são: 

 • website: configurado para acesso via  internet, oferece acesso em Português,  Inglês e Alemão. 

Contempla informações gerais a empresa, projetos e informações de contato; • internet/e‐mail: ferramenta de comunicação interna, disponível para parte dos funcionários; • caixas  de  sugestão:  a  caixa  de  sugestão  é  disponibilizada  para  funcionários,  visitantes  e 

interessados.  As  caixas  estão  disponíveis  nos  seguintes  locais:  Escritório  Boa  Vista;  Serraria MangiumWood; Sede Principal Santa Cecília; Sede Principal Tangará; Sede Principal Jacitara; Sede Principal Poção; Escritório Caracaraí e respectivas sedes. 

 

Ouvidoria  

Visando melhorar  a  comunicação  entre  empresa  e  os  grupos  de  interesse,  criou‐se  um canal de comunicação direto através de uma ouvidoria, que assegura ao cidadão – usuário, o exame de suas reivindicações além de  fortalecer a cidadania ao permitir a participação do interessado.  A  Ouvidoria  atua  no  pós‐atendimento,  na  mediação  de  conflitos  entre  o  cidadão  e  a instituição, procurando personalizar o atendimento ao usuário. Trata, principalmente, de assuntos que possuam a  característica de causar  transtorno ou dano,  inconveniência ou impasse ao órgão ou aos seus dirigentes e servidores e às normas.  À Ouvidoria  é  conferida  a  tarefa  de  interpretar  as  demandas  de  forma  sistêmica,  para inferir  oportunidades  de melhoria  dos  serviços  e  sugerir mudanças.  Também  estimula iniciativas  descentralizadas,  voluntárias  e  efetivas  de  aprimoramento  da  empresa,  dos profissionais e dos serviços prestados, tornando‐se um instrumento de inclusão social. 

O  objetivo  é  assistir ao  funcionário  e  seus familiares,  dando‐lhes segurança  e  proporci‐onando‐lhes  condi‐ções  para  melhorar sua qualidade de vida.  A população alvo é de aproximadamente 420  funcionários  (in‐cluindo serraria). 

 

 

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Relações Públicas  

O  setor  de  Relações  Públicas  da  OVA  exerce  uma  função  estratégica  na  empresa  ao planejar  e  executar  sua  comunicação  e  seus  relacionamentos  com  os  mais  diversos públicos. Consideram‐se atividades específicas de Relações Públicas: 

• elo entre a imprensa e a empresa, participando das entrevistas com os diretores; • representação da empresa em atos públicos e reuniões; • elaboração e distribuição de informações para os demais setores da empresa; • organização e realização de eventos especiais como: inaugurações e comemorações diversas; • atendimento ao público externo; • direção de cerimonial nos eventos da empresa; e • supervisão e arquivamento de material de imprensa em geral. 

 

Caracterização das Comunidades Indígenas  

As terras indígenas localizadas totalmente ou parcialmente no estado de Roraima ocupam uma  área  total  de  18  milhões  de  hectares,  habitadas  por  aproximadamente  30,7  mil indígenas. Estas áreas estão distribuídas nos 10 dos 15 municípios do estado.   As etnias de ocorrência nas AII do empreendimento são os Makuxi e Wapishana. As áreas indígenas da AII do empreendimento correspondem a aproximadamente 905.340 ha. Os territórios indígenas localizados nos Municípios pertencentes à AII são:  

 • Alto Alegre: Anta, Barata Livramento, Boqueirão, Mangueira, Pium, Raimundão, Sucuba, Truarú e 

Yanomami; • Boa Vista: São Marcos e Serra da Moça; • Bonfim: Bom Jesus, Canauanim, Jabutí, Jacamin, Malacacheta, Manoá Pium, Moskow e Muriru; e • Cantá: Muriru e Tabalascada. 

 A Figura 10 mostra a localização das comunidades no entorno do Núcleo Serra da Lua. 

 FIGURA 10. COMUNIDADES INDÍGENAS PRESENTES NO ENTORNO DO NÚCLEO SERRA DA LUA

 

   

De  todos  os  vizinhos das plantações da em‐presa, os Índios Wapi‐chana  da  região  da Serra  da  Lua  são  os mais numerosos,  pos‐suem  a  maior  exten‐são  territorial  e  são muito  próximos  às plantações. 

 

 

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A Tabela 2 apresenta as  comunidades  indígenas mais próximas da área de  influência da empresa e os respectivos números de habitantes e famílias.  

 TABELA 2. COMUNIDADES INDÍGENAS ABRANGIDAS PELO TERMO DE COMPROMISSO

 

Comunidade  N° de Famílias  N° de Habitantes 

Malacacheta  194 817

Canauanim  119 655

Tabalascada  95 509

Moskow  75 425

Muriru  14 83

TOTAL  497 2.489 

Gestão de Impactos Sociais  

Em  2007  a  OVA  realizou  um  diagnóstico  social  envolvendo  levantamentos  primários  e secundários. Através desse diagnóstico foi possível conhecer a realidade da empresa e seu ambiente  mais  imediato,  bem  como  os  impactos  gerados  por  suas  atividades,  as necessidades a serem satisfeitas e os objetivos a serem atingidos.  

No  geral,  os  resultados  do  diagnóstico  foram  considerados  positivos.  Os  grupos pesquisados  identificaram  e  reconheceram  a Ouro Verde  como uma  empresa  com bom ambiente de trabalho, pagamentos em dia, geradora de emprego e benefícios para região.  

O principal aspecto negativo identificado na pesquisa refere‐se à necessidade de aprimorar os canais formais de comunicação com os diversos grupos de interesse, pois foi constatado que  a  maior  parte  dos  impactos  é  decorrente  da  falta  de  informação  sobre  o empreendimento e sua política corporativa.  

Comparando os indicadores municipais de educação, saúde e qualidade de vida (água, luz, instalação sanitária, coleta de  lixo, renda e  IDH‐M) com os resultados  levantados para os funcionários  (próprios  e  terceiros),  através  de  questionário,  percebe‐se  que  não  existe diferença significativa entre estes e a situação regional. Isto ocorre em função de 94% dos funcionários próprios morarem em áreas urbanas e, portanto, possuírem acesso à  infra‐estrutura básica e boas condições de moradia.  

A  partir  dos  resultados  obtidos  nesse  diagnóstico  e  informações  publicadas  no  Estudo Impacto  Ambiental  e  PBA  realizados  nos  últimos  anos,  foi  possível  definir  as  principais linhas de  ações  necessárias  para  a  implementação  de  uma política  de  gestão  social,  de forma a  incorporar este  conjunto de ações em um  sistema ou  “Programa de Gestão de Impactos Sociais”.              

 

 

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Monitoramento do Plano de Manejo Ter  um  programa  efetivo  de monitoramento  é  um  dos  aspectos mais  importantes  do manejo florestal para assegurar que as metas do Plano de Manejo estejam sendo mantidas e  melhoradas.  O  requerimento  básico  do  monitoramento  é  encontrar  um  ou  mais indicadores que possam ser  regularmente medidos para ver se o planejamento  tem sido cumprido  ou  não,  ou  se  certos  princípios  econômicos,  ecológicos  ou  sociais  ficaram obsoletos.  Os  indicadores  selecionados  para  monitoramento  devem  ser  apropriados, mensuráveis, diretos, de custos efetivos e  fáceis de  serem monitorados periodicamente. Os  sistemas  de  monitoramento  são  desenvolvidos  e  coordenados  pela  equipe  do Departamento de Planejamento & Monitoramento. Os seguintes tipos de monitoramento são realizados:  

• controle  de  empreiteiros  e  subempreiteiros:  a  qualidade  dos  trabalhos  desenvolvidos  pelos empreiteiros,  como:  construção  de  estradas,  preparação  da  área,  plantio,  transporte  de funcionários  etc.,  é  permanentemente monitorada  em  forma  de  fiscalização:  do  uso  do  EPI, legalização do emprego, funcionamento de veículos e maquinas e treinamento dos funcionários do  empreiteiro  pela  equipe  da  OVA.  No  caso  de  não‐conformidade  severa  ou  repetida  dos padrões estabelecidos, o contrato do empreiteiro será cancelado; 

 

• desenvolvimento  dos  povoamentos:  o  departamento  de  planejamento  e monitoramento  do Projeto Ouro Verde monitora o  incremento e a qualidade dos povoamentos plantados através dos inventários anuais e de inventários de qualidade realizados por duas equipes de inventário; 

 

• atividades  operacionais:  para  o  monitoramento  operacional  e  fiscal  e  o  planejamento estratégico  de  todas  as  operações,  a  empresa  esta  introduzindo  o  sistema  de  informações florestais “Cadastro / Planope” em 2007. Todas as atividades são monitoradas através de fichas de  campo  que  são  preenchidas  diariamente  pelo  fiscal  responsável  pela  atividade. Semanalmente estas  fichas são verificadas pelo encarregado da atividade e depois digitalizadas no sistema. Assim, a qualquer momento podem ser criados relatórios digitais padronizados por atividade, para avaliar o desempenho da equipe e o custo gerado. O sistema é administrado pelo encarregado do SIF. O administrador é responsável pelo funcionamento do sistema, geração de novos  padrões  de  relatórios,  atualização  e  reavaliação  das  fichas  de  campo,  junto  com  o encarregado da  atividade, devendo  garantir um  fluxo de  informação  continuo do  campo para dentro  do  sistema,  fiscalizando  também  a  entrega  e  digitalização  das  fichas  de  campo.  Este monitoramento dos trabalhos silviculturais do plantio, adubação, capina etc. permite a aplicação de mudanças do sistema de manejo a qualquer momento; 

 

• consulta ao ambiente social: a consulta ativa ao ambiente social é conduzida permanentemente, para buscar orientações e recomendações práticas para realizar um manejo florestal socialmente sustentável. Para este fim, o Projeto Ouro Verde instalou uma ouvidora que esta sendo publicada no site da empresa e para todos os outros canais de  informação disponíveis. A empresa possui um setor de relações publicas responsável por esta ouvidora. Além disso, o setor socioambiental da empresa mantém  relações permanentes com diferentes representantes do ambiente social, como associações públicas e privadas, ONG’s e principalmente os tuxauas das reservas indígenas adjacentes, a FUNAI e os órgãos ambientais como FEMACT e IBAMA; e  

• monitoramento  ambiental:  o  monitoramento  ambiental  pré  e  pós‐operacional  para  as atividades  de  plantio,  desbaste,  poda,  adubação  etc.  fornece  informações  úteis  sobre  os impactos  das  práticas  operacionais  atuais. O monitoramento  dos  impactos  ambientais  e  seus efeitos é essencial para a melhoria contínua das ações de mitigação e prevenção. Neste sentido, as áreas a serem manejadas através das atividades florestais consideradas mais potencialmente impactantes deverão ser monitoradas constantemente. Para este fim, os supervisores de campo farão  uma  checagem  das  condições  visuais  e  estruturais  da  área  antes  e  depois  da  operação florestal, por ocasião da auditoria interna de campo. Os resultados da auditoria de campo serão avaliados  periodicamente,  visando  verificar  se  os  impactos  provocados  pela  operação  estão adequados ao grau de impactação definido previamente, bem como se as medidas preventivas e mitigadoras adotadas foram suficientes para cada operação. 

O Princípio 8 da Norma de Certificação  FSC pa‐ra  florestas  plantadas diz  que:  “O  monito‐ramento  deve  ser  con‐duzido  –  apropriado  à escala  e  à  intensidade do  manejo  florestal  – para  que  sejam  avalia‐dos  as  condições  da floresta,  o  rendimento dos produtos  florestais, a cadeia de custódia, as atividades de manejo e seus  impactos  ambien‐tais e sociais”. 

 

 

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Controle de Cadeia de Custódia

A  Ouro  Verde mantém  o  controle  da  procedência  da madeira  utilizada  através  de  um sistema  de  documentação  que  acompanha  desde  o  corte  das  árvores  (desbastes  e/ou corte raso), até a expedição do produto final.   

O  controle  da  quantidade  de  madeira  retirada  das  unidades  de  colheita  pela  OVA  é realizado através de romaneios estabelecidos pelo encarregado da colheita para cada pilha de madeira e cada carga de caminhão transportada. Esses romaneios contêm a quantidade de  madeira  baldeada  e  transportada  em  metros  cúbicos  e  os  números  dos  talhões exploradas. 

 • controle na  floresta: na  floresta, o controle de CoC é  feito a partir do momento em que cada 

talhão é cortado.   O material produzido de cada  talhão  recebe uma  identificação única para o controle de fluxo de material. A partir disso, este controle é feito de forma seqüenciada em cada uma  das  operações  realizadas,  utilizando  formulários  específicos  para  esta  finalidade.  Estes dados finalmente são processados em computador, do qual pode ser obtido o histórico de cada um dos talhões processados durante as operações florestais.  

• controle de estoque  ‐ pátio de estocagem: os caminhões carregados com os toretes de acácia chegam ao pátio munidos da nota fiscal e do romaneio de carga. A nota contém os dados gerais de  praxe  e  o  romaneio  contém  as  informações  sobre  a  carga, medidas,  volume,  número  do talhão ou  talhões de origem, a data de emissão e o número da nota  fiscal. A documentação é conferida pelo  responsável do pátio, que  indica o  local da descarga. Cada  carga é  separada e identificada através do número da nota  fiscal  correspondente pintado em placas. Assim,  cada carga fica armazenada separadamente e devidamente identificada.  

• controle  no  processo  industrial:  a  alimentação da  serraria  é  feita pilha por pilha de  toras do pátio, assim, cada pilha é consumida integralmente. Após o processamento, a madeira serrada é empilhada  em  fardos  com  separadores  por  camada.  Cada  fardo  é  identificado  com  o mesmo número da nota fiscal marcado na pilha de origem. Como o processo é linear e contínuo, torna‐se fácil identificar a primeira e a última peça da pilha.  Caso não seja possível completar um número inteiro de pacotes com a madeira em toras da mesma pilha, é feita uma separação com barrotes sobre  a  última  camada  de  tábuas  da  pilha  consumida.  Sobre  os  barrotes  será  iniciada  uma camada  com  madeira  da  próxima  pilha.  Os  pacotes  identificados  são  colocados  dentro  das estufas para secar e permanecem por um período que varia entre 10 e 15 dias. Após a secagem os pacotes seguem para a  linha de beneficiamento que é composta por duas serras refiladeiras múltiplas,  duas  plainas  moldureiras  e  quatro  destopadeiras.  Todos  os  pacotes  processados durante um dia de trabalho têm seus números anotados em um relatório de produção diário e o produto  final acabado é  identificado com a data de produção, que propicia  identificar de quais notas fiscais e, conseqüentemente, de quais talhões vieram os toretes que deram origem a ele.  

• controle  de  expedição  (vendas):  o  material  acabado  é  embalado  e  cada  fardo  pronto  é identificado com as datas de produção desse material e é estocado no galpão. Após a Ouro Verde obter a certificação FSC de suas florestas, nas faturas de venda ou remessa de produtos deverá constar  as  seguintes  informações:  descrição  de  que  o  produto  é  certificado;  e  código  de certificação do FSC. 

   

Cadeia  de  Custódia (CoC)  é  o  processo pelo  qual  a  matéria‐prima  é  controlada desde  sua  origem (floresta)  até  a  colo‐cação do produto final no  mercado,  envol‐vendo basicamente as etapas  de  colheita, transporte,  estoque, processo/manufatura e expedição.