planejando a próxima década

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Planejando a Prxima Dcada - Alinhando Planos

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  • 1. 1 trio da ucao Ministrio da Educao G O V E R N O F E D E R A L G O V E R N O F E D E R A L Ministrio da Educao G O V E R N O F E D E R A L Ministrio da Educao G O V E R N O F E D E R A L Planejando a Prxima Dcada Alinhando os Planos de Educao

2. Planejando a Prxima Dcada Alinhando os Planos de Educao 3. A Emenda Constitucional n 59/2009 mudou substancialmente a condio e o papel dos planos de educao. O Plano Nacional de Educao (PNE) e consequentemente os planos estaduais, distrital e municipais passaram a ser decenais e articuladores dos sistemas de educao. Isso significa que, do ponto de vista constitucional, os planos de educao so superiores aos planos plurianuais de governo. Exigem articulaes institucionais e participao social para sua elaborao ou adequao, seu acompanhamento e avaliao. Cabe aos gestores dos sistemas de educao liderar esse processo, ultrapassando uma viso restrita s suas escolas e ao tempo de sua gesto, e compete SASE/MEC estimular a colaborao entre os sistemas para a elaborao de metas comuns. Essa nova postura constitui-se num passo importante para a construo do Sistema Nacional de Educao (SNE), considerando que as formas de colaborao, criadas para elaborar e atingir as metas, podem fortalecer o pacto federativo, que ser a base de sua regulamentao e condio essencial para uma educao de qualidade para todos. Apoiar os diferentes entes federativos na elaborao ou adequao, no acompanhamento e avaliao dos seus planos, uma competncia definida para a Secretaria de Articulao com os Sistemas de Ensino do Ministrio da Educao (SASE/MEC). No um desafio pequeno, porque necessrio construir o entendimento nacional de que os planos de educao devem ser feitos para um determinado territrio, onde vive o cidado a quem o direito deve ser garantido. Essa condio envolve as trs esferas de governo, representaes sociais e interesses diversos, em uma realidade poltica de disputa de projetos que historicamente caracterizou nosso pas e suas polticas educacionais. Apresentamos, portanto, concepes e estratgias que podem contribuir nessa tarefa. As referncias principais devem ser a Constituio Federal de 1998, a Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional (LDB Lei n 9.394/1996), as deliberaes da Conferncia Nacional de Educao (CONAE 2010), a avaliao do Plano Nacional de Educao (PNE 2001-2010), a proposta do novo PNE, encaminhada pelo Executivo federal (PL 8.035/2010, tramitando no Senado Federal como PLC n 103/2012), alm de publicaes acadmicas de elevada relevncia para o debate, todas listadas ao final do texto. Apresentao 4. Assim, este documento traz as concepes tericas que podero nortear a tarefa desafiadora de elaborar ou ajustar planos de educao estaduais/distrital e municipais para que estejam alinhados ao PNE. Pretende ajudar os estados, o Distrito Federal e os municpios a estruturarem seus planos de educao ou atualiz-los de tal modo que possam, ao mesmo tempo, contribuir para a melhoria da qualidade e oferta da educao pblica em todo pas e ajudar efetivamente para a concretizao do SNE, tendo em vista uma poltica nacional comum de melhoria da qualidade da educao e de valorizao de seus profissionais. Para a elaborao do texto, a SASE/MEC contou com a contribuio da Universidade Federal de Pernambuco e da Associao Nacional de Poltica e Administrao da Educao (ANPAE), que subsidiaram o debate terico sobre o tema, agregando inquietaes e avanos conceituais e polticos de centenas de pesquisadores comprometidos com a educao pblica no Brasil. Tambm importante foi a colaborao do Conselho Nacional de Educao em suas tradicionais audincias pblicas e os encontros regionais realizados pelas organizaes de Conselhos Municipais e Estaduais de Educao (Unio dos Conselhos Municipais de Educao e Frum dos Conselhos Estaduais de Educao), que aprofundaram o debate sobre o assunto, aqui incorporado. Por fim, agradecemos a Unio dos Dirigentes Municipais de Educao (UNDIME) e o Conselho dos Secretrios Estaduais de Educao (CONSED), que, junto com o Ministrio da Educao, tm dialogado intensamente sobre a responsabilidade presente: fazer deste prximo decnio um virtuoso marco no destino deste pas. A todos agradecemos, confiantes de que a poltica de Estado em construo pavimentar o caminho que vai posicionar o Brasil no lugar de destaque que lhe cabe na histria. 5. Sumrio Alinhando os Planos de Educao I. Planejamento governamental e poltica pblica: sua relao com os planos de educao e participao social.............................................................................9 II. Avanos recentes na legislao e nas polticas educacionais.....................................................11 III. A experincia acumulada: construo coletiva de polticas de Estado..................................12 IV. Plano Nacional de Educao e seu alinhamento com os planos locais: o desafio da pactuao...................................................................................13 V. Elaborao ou adequao, aprovao, acompanhamento e avaliao dos planos de educao................................................................................................................................16 1. Elaborao ou adequao.........................................................................................................................16 2. Aprovao........................................................................................................................................................21 3. Acompanhamento e avaliao..............................................................................................................21 Bibliografia consultada........................................................................................................................................25 6. 9 I.PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL E POLTICA PBLICA: SUA RELAO COM PLANOS DE EDUCAO E PARTICIPAO SOCIAL Quando os governos planejam, utilizam tcnicas, mtodos e procedimentos para solucionar determinados problemas por meio de uma interveno previamente estruturada frente s distintas polticas pblicas. O planejamento deve ser um contnuo processo de reflexo, de exame e de anlise estratgica pois envolve um conjunto de opes que conjugam componentes tcnicos e polticos. Tomar decises na seleo de alternativas e caminhos em busca dos resultados que se deseja alcanar no futuro implica um complexo processo de escolhas. Os gestores devem levar em considerao pelo menos trs aspectos articulados e interdependentes: i) o projeto que deseja alcanar; ii) a governabilidade perante os demais atores; e iii) a capacidade de execuo, envolvendo recursos financeiros e capacidade tcnica (Matus, 1998). O plano, colocado no papel, deve ser o resultado de um processo rico de planejamento; um registro que deve ser continuamente revisto e confrontado com a realidade e com o resultado que se deseja alcanar, explicitando o que se pensa fazer, de que modo, quando, com quais recursos e com que atores (Vasconcellos, 1997). O plano caracteriza-se como um meio que a sociedade utiliza para tentar influenciar o seu prprio futuro (Ingestam, 1987). Representa, normalmente, reaes a situaes de insatisfao e, portanto, se volta na direo da promoo de mudanas a partir de determinadas interpretaes da realidade, dos problemas e das suas causas, refletindo valores, ideias, atitudes polticas e um determinado projeto de sociedade. Ao almejarmos uma mudana de situao, significa dizer que estamos considerando a existncia de uma situao problemtica para a qual buscamos solues, que quase sempre vo se configurar como alvos da ao pblica. Assim, a ao pblica, ao procurar solucionar os problemas, o far por meio de um determinado padro de interveno: temos, ento, uma poltica pblica. Portanto, a construo de uma poltica pblica envolve sempre uma leitura da realidade, expressa no modo de compreenso das causas dos problemas a serem solucionados e nas propostas para a sua superao. Esse modo de interpretao do mundo pode ser traduzido nos referenciais orientadores da poltica pblica em questo e expressa as orientaes polticas predominantes, incorporando tambm recursos de poder oriundos dos grupos e classes que pressionam pelo atendimento de suas demandas (Azevedo, 2003 e 2010). alinhando os PLANOS DE EDUCAO 7. 10 Na atual conjuntura brasileira, os processos de construo de polticas pblicas educacionais ganham sentido e importncia quando tm por objetivo principal a busca de um padro de qualidade que seja compreendido como direito de cada cidado. Por esta razo, so processos que se vinculam aos mecanismos de autoconstruo da sociedade, que sintetizam embates, negociaes e acordos entre as foras sociais presentes. Infelizmente, dificuldades histricas na conduo e mediao destas disputas tm resultado mais em aes de governo em detrimento de polticas de Estado, marcadas pela descontinuidade. Esse quadro comeou a mudar com a aprovao da Emenda Constitucional n 59/2009. Para efeito das finanas pblicas, um plano decenal com status constitucional superior aos planos plurianuais de quatro anos (Abicalil, 2011), o que deve garantir maior perenidade s polticas a serem adotadas. Significa dizer que, se o PNE 2001-2010 j estivesse sob essa recomendao, os vetos argumentando a incompatibilidade com o Plano Plurianual no teriam fundamentao. O mesmo vale para os planos estaduais/distrital e municipais, o que amplia a responsabilidade e os compromissos institucionais e de sucessivos governos com as metas pactuadas. Trata-se de um importante avano legal, que permite exigir providncias por ser reconhecido como dever do Estado. importante ressaltar que espaos de participao so elementos indissolveis do processo. No podem e no devem ser desconsiderados, pois so os responsveis pela qualificao das demandas sociais e garantia de uma maior governabilidade para a efetivao das metas. De fato, a participao no jogo poltico das decises um dos meios de fortalecimento e ampliao do espao pblico, que poder permitir o redirecionamento ou a reconst