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  • DESENVOLVIMENTO DE UM MTODO ELETROANALTICO PORTTIL

    PARA A DETERMINAO DE PARACETAMOL EM MEDICAMENTOS

    Rafael Backes dos Santos; Rodrigo Amorim Bezerra da Silva2

    UFGD-FACET, C. Postal 533, 79804-970 Dourados-MS, E-mail: rafael_backes06@hotmail.com

    PIBIC/UFGD/CNPQ; PESQUISADOR UFGD/FACET.

    RESUMO

    Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de estabelecer um mtodo para

    determinar paracetamol em medicamentos comerciais e manipulados. A metodologia

    desenvolvida e utiliza foi a tcnica de Anlise por Injeo em Batelada (BIA) com

    deteco amperomtrica com eletrodo de diamante dopado com boro (DDB). O mtodo

    proposto apresentou uma faixa linear entre 0,3 a 20 mg L-1, baixos limites de deteco

    (0,0107 mg L-1) e de quantificao (LQ = 0,0358 mg L-1). Alm disto, as anlises foram

    realizadas rapidamente (frequncia analtica = 176 injees h-1) e a repetibilidade do

    sistema (n = 20) foi satisfatria (DPR = 0,97 %). Os resultados obtidos foram comparados

    com o mtodo recomendado pela farmacopeia brasileira Espectrofotometria na regio do

    ultravioleta e visvel (UV-VIS). Os resultados obtidos por ambos os mtodos foram

    semelhantes, no entanto o mtodo proposto (BIA) apresentou maior seletividade do que

    UV-VIS. Entretanto, as dosagens de paracetamol obtidas pelos dois mtodos ficaram

    abaixo do valor rotulado.

    PALAVRAS CHAVE: Paracetamol, Anlise por injeo em batelada. Amperometria.

    INTRODUO

    Medicamentos so produtos elaborados com a finalidade de prevenir e curar

    doenas ou aliviar seus sintomas, sendo produzidos com rigoroso controle tcnico para

    atender s especificaes determinadas pela ANVISA. O efeito do medicamento se deve

  • a uma ou mais substncias ativas com propriedades teraputicas conhecidas

    cientificamente, denominadas frmacos, drogas ou princpios ativos [1].

    Dentre estes frmacos, os analgsicos esto entre os medicamentos mais

    comercializados no Brasil e no mundo, sendo movimentado no Brasil U$ 902 milhes em

    2010. O pas o 6 maior mercado do mundo, diante de tal potencial de demanda, esto

    hoje registrados no mercado brasileiro mais de 380 produtos analgsicos, segundo a IMS

    Health. A EMS, uma das principais fabricantes de genricos do pas, por outro lado,

    mostra um avano do segmento. Com 21,5 milhes de unidades comercializadas entre

    abril do ano passado e maro deste ano, a rea de analgsicos da empresa registrou

    crescimento de 50%. Dentre seus principais produtos esto os genricos dipirona e

    paracetamol [2].

    O paracetamol, acetaminofeno ou N-(4-hidroxifenil)etanamida (IUPAC) um

    frmaco com propriedades analgsicas e antipirticas (antitrmicas) [3], bastante

    utilizado em formulaes farmacuticas com capacidade de combater a dor e a febre.

    Alm disto, por ter ao similar a aspirina, acaba sendo um frmaco alternativo para

    pacientes intolerantes a este princpio ativo. Nas drogarias, o paracetamol pode ser

    encontrado nas formas de cpsulas, comprimidos, gotas, xaropes e injetveis e em

    medicamentos nos quais pode estar presente sozinho ou misturado a outros

    farmoqumicos (cido acetilsaliclico, cafena e/ou dipirona, dentre outros) [4].

    Devido elevada presena deste frmaco no mercado farmacutico e ao risco

    em potencial oferecido devido ao consumo de medicamentos de dosagem duvidosa, o

    controle de qualidade dos medicamentos contendo paracetamol extremamente

    importante. De acordo com a farmacopeia brasileira, recomendado que a anlise em um

    medicamento contendo um ou mais princpios ativos deve ser realizada atravs de

    mtodos analticos baseados na cromatografia lquida de alta eficincia (HPLC, do ingls

    High Performance Liquid Chromatography) com deteco ptica na regio do

    ultravioleta (UV)[5]. No entanto, devido ao elevado custo destes equipamentos e dos

    solventes de alta pureza (grau espectroscpico), as anlises quantitativas ficam limitadas

  • em muitos laboratrios brasileiros [6]. Neste sentido, a utilizao de mtodos

    eletroanalticos bastante vantajoso, devido ao custo reduzido da instrumentao

    utilizada quando comparados aos mtodos cromatogrficos.

    Os mtodos eletroanalticos compreendem a um grupo de tcnicas nas quais

    podem ser medidas as propriedades eltricas de uma soluo, tais como carga, corrente,

    potencial, etc. Para a realizao das medidas eletroqumicas necessrio o uso de uma

    clula eletroqumica, que composta basicamente de um reservatrio para a acomodao

    da soluo de medida contendo um eletrlito suporte e os eletrodos de referncia, auxiliar

    e de trabalho. Estes eletrodos so conectados ao aparelho de medida, conhecido como

    potenciostato. Dentre as tcnicas eletroqumicas mais utilizadas, destacam-se a

    voltametria cclica, voltametrias de pulso (onda quadrada, pulso normal, pulso

    diferencial) e a amperometria.

    Anlise por injeo em batelada (BIA) uma tcnica analtica divulgada pela

    primeira vez em 1991, atravs de um trabalho publicado por Wang e Taha [7]. Nesta

    tcnica, diferentemente dos sistemas FIA, a soluo de anlise injetada diretamente

    sobre a superfcie do eletrodo de trabalho (configurao walljet) localizado numa clula

    eletroqumica contendo um grande volume de eletrlito suporte e inerte (clula BIA). Os

    sistemas BIA e FIA possuem vrias caractersticas em comum, como: elevada frequncia

    analtica, baixo consumo de amostras e reagentes, reduzida contaminao do eletrodo de

    trabalho (em relao a sistemas estacionrios), elevada sensibilidade e repetibilidade

    adequada no procedimento de injeo (em BIA, empregando a pipeta eletrnica). No

    entanto, os sistemas BIA so mais vantajosos em sensibilidade, reduzida gerao de

    resduos e principalmente na simplicidade e portabilidade do sistema (ausncia de

    bombas, vlvulas e tubulaes) [8].

    Neste trabalho foi almejado o desenvolvimento de uma metodologia simples e

    rpida baseada em um sistema de anlise por injeo em batelada (BIA) com deteco

    amperomtrica para a anlise quantitativa de paracetamol em medicamentos.

  • MATERIAIS E MTODOS

    1. Reagentes e amostras

    1.1- Soluo de cido sulfrico (eletrlito suporte)

    Foi retirada uma alquota de 27 mL de cido sulfrico a 98% e adicionado em

    um balo volumtrico de 1000,0 mL que j continha gua destilada e a seguir foi

    completado com gua destilada at o menisco, assim tendo concentrao de 0,5 mol L-

    1. Para o preparo da soluo de concentrao de 0,1 mol L-1 foi feito uma diluio da

    soluo preparada anteriormente de 0,5 mol L-1 para um balo volumtrico de 1000,0 mL.

    Esta soluo foi utilizada como eletrlito suporte.

    1.2- Preparo da soluo estoque de Paracetamol 200 mg L-1

    Foram pesados 0,01g de paracetamol (padro) em transferido para um balo

    volumtrico de 50,0 mL e o volume completado com soluo de cido sulfrico 0,1 mol

    L-1. A partir da diluio desta soluo foram preparadas as solues de menores

    concentraes, que foram injetadas na clula BIA. Vale ressaltar que estas diluies

    tambm foram realizadas com soluo de cido sulfrico 0,1 mol L-1.

    1.3- Preparo das Amostras contendo Paracetamol

    Foi pesado 0,0421 g de cada amostra em uma balana analtica e transferindo

    para os respectivos bales volumtricos de 50 mL. Posteriormente os bales foram

    preenchidos com gua destilada at o menisco. Aps esse processo foi transferido 0,03

    mL da soluo que continha nos bales volumtricos preparados anteriormente, para um

    frasco Eppendorf de 1,5 mL que foi completado com soluo de cido sulfrico 0,1 mol

    L-1. Foram utilizadas trs amostras comerciais na forma de comprimido, sendo uma

    contendo apenas paracetamol (A3) e duas contendo paracetamol e cafena (A1 e A4).

  • Alm disto, uma amostra manipulada contendo paracetamol, cido acetilsaliclico e

    cafena foi analisada (A2).

    Para o preparo das amostras na forma de soluo oral, foi retirado uma alquota

    de 0,025 mL da amostra transferido para um balo volumtrico de 10 mL completado seu

    menisco com gua destilada. Aps esse procedimento foi tirado uma alquota de 0,03 mL

    transferido para um para um eppendorf de 1,5 mL que foi completado com soluo de

    cido sulfrico 0,1 mol L-1.

    2- Medidas Eletroqumicas

    2.1. Equipamentos e eletrodos

    Para a realizao das medidas eletroqumicas foi utilizado um mini potenciostato

    Emstat II (Palmsens Instruments) interfaceado a um computador contendo o software

    (PSLite 1.8) [9].

    Como eletrodo de referncia foi utilizado um eletrodo de Ag/AgCl/KClsat.

    construdo em laboratrio, atravs da eletrodeposio AgCl sobre um fio de Ag[10].

    Nesta construo, um potencial de +0,8 V foi aplicado a um fio de prata mergulhado em

    uma soluo contendo HCl 0,1 mol L-1. Posteriormente este fio foi fixado em uma

    ponteira de micropipeta de 0,1 mL cuja sua extremidade inferior foi preenchida com um

    polmero condutor. Para finalizar, o volume interno da ponteira foi preenchido com uma

    soluo de KCl saturada[11]. Como eletrodo auxiliar foi utilizado um fio de platina.

    Como eletrodo de trabalho foi utilizado uma placa de diamante dopado com boro

    (DDB) que foram adquiridas da empresa Adamant Technologies As (La Chaux-de-Fonds,

    Suia). Segundo especificao do fabricante, esta placa possui uma base de silcio

    cristalino de 1 mm de espessura (0,7 x 0,7 cm) coberta com uma camada de DDB de 1,2

    m (8000 ppm de dopagem com boro).

    2.2.- Sistema BIA

  • A clula BIA apresenta o corpo e tampa de polipropileno, o que permite a