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PDF do livro PIAGET, VYGOTSKY, WALLON: Teorias Psicogenéticas em Discussão Yves de La Taille, Marta Kohl de Oliveira e Heloysa Dantas

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  • PIAGET, VYGOTSKY, WALLON Teorias Psicogenticas em Discusso

    Yves de La Taille Marta Kohl de Oliveira Heloysa Dantas

    Escrito por professores da Universidade de So Paulo, especialistas no pensamento de Piaget, Vygotsky e Wallon, este livro traz um dilogoentre os trs principais tericos da psicologia que buscam compreender o funcionamento psicolgico luz de sua gnese e evoluo. Os textos tratam das relaes entre fatores biolgicos e sociais nodesenvolvimento psicolgico e entre aspectos cognitivos e afetivos da psicologia humana. Permitem assim, ao leitor, realizar sua prpriasntese das vrias abordagens em psicologia gentica, em benefcio tanto do aprofundamento terico quanto do aperfeioamento da prtica pedaggica.

    SUMRIO

    Apresentao ... 7

    Parte I - Fatores Biolgicos e Sociais

    O lugar da interao social na concepo de Piaget ... 11 Yves de La Taille

    Vygotsky e o processo de formao de conceitos ....... 23 Marta Kohl de Oliveira

    Do ato motor ao ato mental: a gnese da inteligncia segundoWallon ... 35 Heloysa Dantas

    Parte II - Afetividade e cognio

    Desenvolvimento do juzo moral e afetividade na teoria deJean Piaget ... 47 Yves de La Taille

    O problema da afetividade em Vygotsky ... 75 Marta Kohl de Oliveira

    A afetividade e a construo do sujeito na psicogentica deWallon ... 85 Heloysa Dantas

    Apndice - Trs perguntas a vygotskianos, wallonianos e

  • piagetianos ... 101 Yves de La Taille, Heloysa Dantas, Marta Kohl de Oliveira

    p.7

    Apresentao

    Este livro resultado de dois anos consecutivos (1989-1990) departicipao nas Reunies Anuais da Sociedade de Psicologia de RibeiroPreto, agora Sociedade Brasileira de Psicologia. Somos devedores deMaria Clotilde Rossetti Ferreira, professora titular da Faculdade deFilosofia, Cincias e Letras da USP de Ribeiro Preto, pela idia depublicar o contedo dos cursos e mesas-redondas que realizamos nessasreunies. A receptividade que os temas apresentados, encontraram deve serinterpretada como um indicador seguro da necessidade que havia deabord-los, tanto no plano da teoria, quanto no do embasamento da prxispedaggica. Ela sinaliza tambm um processo de filtragem, que vemconferindo psicogentica um lugar de destaque cada vez maior. Estudaras funes psquicas a luz de sua gnese e evoluo tem dado frutosmuito ricos: aqueles que decorreram da teoria piagetiana, que tem semostrado capaz de absorver as concepes cognitivistas no genticas, odemonstram saciedade. Seu avano, no entanto, requer faz-la entrar emdilogo com interlocutores de peso: dai a escolha de Vygotsky e Wallon,que vm cumprindo esta funo ativadora e dinamognica. O confronto, em profundidade, desses trs pontos de vista podecolocar o investigador na chamada "zona crtica" da cincia psicolgica,nos seus confins, a regio onde se travam as polmicas e se geram osavanos. Neste sentido, o interesse pelo dilogo entre eles representa autilizao de uma das duas formas possveis de progresso em cincia,aquela que alterna seus efeitos com os que procedem da confrontao comos dados. Confrontam-se teorias com fatos, ou teorias com teorias. Essa ltima talvez seja a nica forma possvel de evoluo para umsistema da solidez do piagetiano, que corre o risco de imobilizar-se,vtima de sua prpria hegemonia. Esse papel de confrontao terica temsido cumprido, nos ltimos anos, pelas idias de Vygotsky, em suainstigante abordagem sobre a dimenso social no desenvolvimentopsicolgico. Um outro tiro de necessidade presidiu a escolha dos temas. Oseducadores pedem que as teorias psicolgicas expliquem o funcionamentoda inteligncia e da afetividade: mas disso elas no tm dado conta. Nocenrio atual, a psicanlise e a psicogentica construtivista tm divididoessa tarefa, o que tornou aquelas dimenses paralelas e exteriores. Ademanda reflete ento o desejo -- muito justificado -- de pedir psicogentica, aquela mais prxima da teoria acadmica e da prxispedaggica, que d soluo a este impasse. Dai o acerto de incluir aperspectiva walloniana, que tem uma contribuio especifica para essetema. Em suma, a escolha dos autores reflete a necessidade de fazeramadurecer, pelo confronto, a psicologia gentica; a seleo dos

  • assuntos, a de integrar, em benefcio tanto da teoria quanto da prtica,o estudo dos dois grandes eixos da pessoa. Nossa contribuio foi a deaproxim-los; ao leitor a tarefa de instaurar o dialogo entre eles.

    p.9 PARTE I Fatores biolgicos e sociais

    p.10 (em branco)

    p.11 O Lugar da Interao Social na Concepo de Jean Piaget

    Yves de La Taille

    Em seu livro, _Biologie _et _Connaissance, Piaget escreveu que "ainteligncia humana somente se desenvolve no indivduo em funo deinteraes sociais que so, em geral, demasiadamente negligenciadas."1(1. Piaget, J. Biologie et Connaissance. Paris, 1967, p.314 (emportugus, Biologia e Conhecimento: ensaio sobre as relaes entre asregulaes orgnicas e os processos cognoscitivos. Petrpolis, Vozes,1973) Tal afirmao, num livro cujo ttulo resume o tema central da obrado autor, talvez cause estranheza em alguns leitores, pois, como enotrio, Piaget costuma ser criticado justamente por "desprezar" o papeldos fatores sociais no desenvolvimento humano. Todavia, nada seria maisinjusto do que acreditar que tal desprezo realmente existiu. O mximoque se pode dizer que, de fato, Piaget no se deteve longamente sobrea questo, contentando-se em situar as influncias e determinaes dainterao social sobre o desenvolvimento da inteligncia. Emcompensao, as poucas balizas que colocou nesta rea so de sumaimportncia, no somente para sua teoria, como tambm para o tema. Para introduzir a questo, analisemos a seguinte afirmao: o homem um ser essencialmente social, impossvel, portanto, de ser pensadofora do contexto da sociedade em que nasce e vive. Em outras palavras, ohomem no social, o homem considerado como molcula isolada do resto deseus semelhantes, o homem visto como independente das influncias dosdiversos grupos que freqenta, o homem visto como imune aos legados dahistria e da tradio, este homem simplesmente no existe. Tal postulado segundo o qual o homem , como dizia Wallon,_geneticamente _social vale para a teoria de Piaget. Escreve ele:

    Se tomarmos a noo do social nos diferentes sentidos do termo, isto , englobando tanto as tendncias hereditrias que nos levam vida em comum e imitao, com as relaes "exteriores" ( no sentido de Durkheim) dos indivduos entre eles no se pode negar, que desde o nascimento, o desenvolvimento intelectual , simultaneamente, obra da sociedade e do indivduo.2 (2. Piaget, J. tudes Sociologiques. Genebra - Paris, Droz, 1977, p.242 ( em Portugus, Estudos Sociolgicos. Rio de Janeiro, Forense, 1973).

  • p.12 Todavia, como escreve Piaget em seguida, tal postulado demasiadamente amplo e, por conseguinte, vago. Uma interpretaopossvel seria afirmar que o porvir da razo individual erguer-seacima desta base social comum, de lhe ser superior. Outra seria pensarque, no seu desenvolvimento, a razo incessantemente esculpida pelasdiversas determinaes sociais. Em suma, afirmar que o homem sersocial ainda no significa optar por uma teoria que explique como este"social" interfere no desenvolvimento e nas capacidades da intelignciahumana. O equacionamento que Piaget d a essa questo passa por doismomentos. O primeiro: definir de forma mais precisa o que se deveentender por ser social". O segundo: verificar como os fatores sociaiscomparecem para explicar o desenvolvimento intelectual.

    O HOMEM COMO SER SOCIAL

    Escreve Piaget:

    O homem normal no social da mesma maneira aos seis meses ou aos vinte anos de idade, e, por conseguinte, sua individualidade no pode ser da mesma qualidade nesses dois diferentes nveis.3 (3. Piaget, J. tudes Sociologiques. Genebra - Paris, Droz, 1977, p. 242 ( em Portugus, Estudos Sociolgicos. Rio de Janeiro, Forense, 1973).

    Para melhor compreender esta afirmao, vamos ver como Piaget defineem que sentido um adulto _ _social. Seu critrio a qualidade da"troca intelectual" entre dois indivduos _a e _a'. O grau timo desocializao se d quando tal troca atinge o equilbrio. Uma equaopermite descrever tal equilbrio:

    (Ra = Sa') + (Sa' = Ta') + (Ta' = Va) = (Ra = Va)

    onde: Ra = ao de _a exercida sobre _a' (Ra', a recproca); Sa' = satisfao (positiva, negativa ou nula) sentida por _a' emfuno da ao de _a (Sa, a recproca); Ta' = dvida de _a' em relao a _a em funo da ao precedente Ra(Ta, a recproca); Va = valor virtual, para _a, correspondendo divida Ta'.

    p.13 Piaget explica como aplicar essa equao para as trocas intelectuais: 1) O indivduo _a enuncia uma proposio Ra (verdadeira ou falsa em graus diversos); 2) O interlocutor _a' est de acordo (ou no, em graus diversos), este acordo designado por S; 3) o acordo (ou o desacordo) de _a' o liga para a seqncia das

  • trocas entre _a' e _a, donde Ta'; 4) esse engajamento de _a' confere proposio Ra um valor Va (positivo ou negativo) no que tange s trocas futuras.4 (4. Piaget, J. tudes Sociologiques. Genebra - Paris, Droz, 1977, p. 160 ( em Portugus, Estudos Sociolgicos. Rio de Janeiro, Forense, 1973).

    Imaginemos este pequeno dilogo entre _a e _a':

    _a - Na minha opinio, a obra de Freud a mais importante emPsicologia;_a' - Admiro que seja importante; todavia no diria que a maisimportante de todas, porque no aborda todas as facetas do comportamentohumano._a - Mas eu no estava pensando nesse aspecto quando falei daPsicanlise; estava pensando apenas no fato de que a obra de Freudreformulou totalmente as concepes de homem que antes eram dominantes._a' - Deste ponto de vista, faz sentid

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