pesquisa jornalismo e mudan§as climticas - andi

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Pesquisa realizada e publicada pela ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) em 2008.

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  • 1. Notas e Observaes 1. O presente texto, com os resultados da pesquisa Mudanas Climticas na Imprensa Brasileira: uma anlise de 50 Jornais no perodo de julho de 2005 a junho de 2007, uma verso para discusso. No prximo ano, a ANDI, com apoio do Programa de Comunicao em Mudanas Climticas da Embaixada Britnica no Brasil, preparar uma edio ampliada dessas reflexes. Nesse sentido, todas as contribuies e sugestes dos leitores e leitoras para o aprimoramento da obra so mais do que bem vindas. Mensagens podem ser enviadas para o endereo mudancasclimaticas@andi.org.br. 2. O uso de um idioma que no discrimine e nem marque diferenas entre homens e mulheres ou meninos e meni- nas uma das preocupaes da ANDI e da Embaixada Britnica no Brasil. Porm, no h acordo entre os lingis- tas sobre a maneira de como faz-lo. Dessa forma, com o propsito de evitar a sobrecarga grfica para marcar a existncia de ambos os sexos em lngua portuguesa, optou-se por usar o masculino genrico clssico na maioria dos casos, ficando subentendido que todas as menes em tal gnero representam homens e mulheres.

2. SUMRIORESUMO EXECUTIVO 04INTRODUO 08ANLISE DOS RESULTADOS Agendamento19 Informao contextualizada 32 Enquadramentos 40 A mdia como watchdog46 Questes jornalsticas 48CONCLUSO50REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 52ANEXO I55ANEXO II 57FICHA TCNICA59 3. RESUMO EXECUTIVO A partir do ltimo trimestre de 2006, as redaes de 50 importantes dirios brasileiros comearam a dedicar um espao mais expressivo de suas pginas ao agendamento do debate sobre um tema que vem ganhando destaque no cenrio internacional nos ltimos anos: as Mudanas Climticas. Esta uma das concluses apontadas pelo estudo Mudanas Climticas na Imprensa Brasileira: uma anlise de 50 jornais no perodo de julho de 2005 a junho de 2007, realizado pela ANDI Agncia de Notcias dos Direitos da Infncia, com o apoio do Programa de Comunicao em Mudanas Climticas da Embaixada Britnica no Brasil.A pesquisa avaliou uma amostra de 997 editoriais, artigos, colunas, entrevistas e matrias veiculadas entre 1 de julho de 2005 e 30 de junho de 2007. Para efeitos comparativos, alm dos textos relacionados ao debate sobre as Mudanas Climticas, foi tambm contabilizado um segundo conjunto de textos. Este material utilizado para comparao poderia ter sido composto por qualquer tema veiculado nos mesmos dias da amostra de Mudanas Climticas. Optou-se por avaliar os contedos relacionados agenda ambiental mais extensa (excluindo-se o debate sobre as alteraes climticas). Tal escolha foi pautada pela proposta de se verificar como a cobertura ambiental evolui paralelamente quela relacionada s alteraes climticas e vice-versa.A partir de um extenso trabalho de sistematizao dos dados coletados, foi elaborado um mapa bastante detalhado do tratamento editorial dispensado pelos jornais s alteraes climticas. Os resultados dessa radiografia da cobertura podem contribuir diretamente para avanos ainda mais pujantes na estratgia at hoje conduzida pelos veculos para cobrir o tema. Ao mesmo tempo, so relevantes para que as fontes de informao aprimorem o seu dilogo com os meios em relao a essa discusso.Perfil geral da cobertura A anlise do noticirio revela que foi a partir do ltimo trimestre de 2006 que a abordagem so- bre as Mudanas Climticas ganhou expresso nas pginas dos dirios brasileiros. Tal tendncia guarda relao com eventos marcantes nesse perodo lanamento do Relatrio Stern, do filme Uma Verdade Inconveniente, dos relatrios do Painel Intergovernamental sobre Mudanas do Clima (IPCC, na sigla em ingls) e a ocorrncia de fenmenos naturais vistos como provveis conseqncias das alteraes no clima.Nos primeiros cinco trimestres da anlise, identificou-se um texto publicado pelos jornais a cada cinco dias. Essa mdia cresce para uma matria a cada dois dias nos ltimos trs trimestres.A presena da cobertura nos veculos de abrangncia nacional (Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, O Globo e Correio Braziliense) e econmicos (Valor e Gazeta Mercantil) mais significativa do que aquela encontrada nos jornais regionais, revelando que o tema, de maneira geral, possui um agendamento de carter mais abrangente. Esse re- sultado demonstra a necessidade de que esse debate tambm passe a ser enfocado a 4 4. partir da perspectiva local, no raro, ofertada pelos dirios de capitais fora do eixo Rio-So Paulo-Braslia.Enquanto os 44 jornais de circulao regional contriburam, na mdia individual, com 1,46% dos textos veiculados no perodo, os quatro veculos nacionais somados aos dois de cunho econmico contriburam, tambm na mdia individual, com 5,95% dos textos publicados uma diferena de mais de quatro vezes.A agenda principal A imprensa refere-se mais expresso aquecimento global (70% dos casos) do que idia de Mudanas Climticas (30%), isto , toma a parte pelo todo. A cobertura sobre as alteraes climticas possui um foco geogrfico internacional. Cerca de 50% das matrias que apresentam uma localidade nmero que se acentua se considerarmos apenas os jornais nacionais e econmicos trata do cenrio inter- nacional ou o relaciona ao contexto brasileiro; as restantes focam exclusivamente o territrio nacional. Metade dos textos analisados revela o agendamento das principais temticas que esto na rbita do debate mais amplo sobre as Mudanas Climticas: efeito estufa; questes energticas; conseqncias/impactos das mudanas/aquecimento global. Outros 22 assuntos dividem a segunda metade da cobertura, dentre eles: desmata- mento, ao coletiva internacional, agricultura, indstria, eventros climticos extre- mos, consumo, questes tecnolgicas, vulnerabilidades. Em geral, os veculos do muito mais ateno agenda da mitigao (41,7%) do que adaptao (2,7%). As estratgias de mitigao, por sua vez, concentram-se no tema da oferta de energia (quase 50% das que falam de mitigao); j os aspectos relacio- nados s florestas, centrais no caso do Brasil, vm bem abaixo, com 23%.O contexto da informao As vastas implicaes geradas para as sociedades pelas Mudanas Climticas ampliaram os contextos que devem ser trazidos baila quando o tema est em discusso. Assim, se por um lado, h um volume no desprezvel de elementos gerais de contextualizao 40% mencionam estatsticas, 36% legislao, 32% dados cientficos; por outro, falha-se na apresentao dos contextos especficos. A perspectiva ambiental a principal forma pela qual a mdia reporta a questo (35,8%), seguida pelo enfoque econmico (19,7%) o que, contudo, no implica, necessariamente, um aprofundamento da discusso a partir destes mesmos ngulos, conforme veremos. Enquadramentos que esto presentes no debate internacional (tecnolgica, sociocultural, individual/mudana de comportamento) praticamente no fizeram parte do raio de ateno da imprensa brasileira no perodo. 5 5. Ainda que cerca de 20% dos textos tenham enquadrado a discusso sobre Mudanas Climticas a partir de uma tica econmica, os dados apontam para uma baixa con- textualizao no que se refere a este tipo de perspectiva: 9,7% centram-se nos cus- tos, 8% sublinham oportunidades, 7% abordam benefcios econmicos, 6% trazem uma reflexo sobre os padres de consumo das sociedades contemporneas, 2,2% dos textos relacionam o tema com impactos no PIB e 2,3% mencionam modelos econmicos. Ao trabalhar a questo dos gases geradores do efeito estufa (45%), por exemplo, apenas 3,9% dos textos salientam as diferenas no volume de emisses entre os pases e 0,3% atenta para as diferena no volume de emisses entre os estados bra- sileiros, questes de fundo da agenda poltica. Contextualiza-se pouco a relao das mudanas climticas com os indivduos ou gru- pos especficos de indivduos (12,7%). Somente 2% dos textos salientam, por exem- plo, os impactos diferenciados que j atingem as populaes de baixa renda. Na apresentao de causas, solues e conseqncias, os jornais valorizam os impac- tos e oferecem menos espao para compreender o que levou e continua levando s mudanas e quais so os caminhos para enfrentar o problema.Desenvolvimento fora da pauta As discusses e fatos sobre as Mudanas Climticas podem e devem ser enqua- dradas a partir de diferentes perspectivas. Em parte, foi essa a tendncia que a mdia demonstrou na cobertura do tema. Contudo, deixou-se de fazer uma conexo fun- damental relacionada a essa discusso: no chegam a 15% os textos que vinculam o debate sobre as alteraes climticas agenda mais ampla do desenvolvimento (in- dependentemente do adjetivo que lhe seja acoplado) e at mesmo do crescimento.Esprito investigativo restrito As polticas pblicas governamentais estiveram sub-representadas na cobertura da imprensa sobre as mudanas climticas (24%). Alm das iniciativas pblicas terem sido abordadas de forma lateral, os dados salien- tam que elementos fundamentais (por exemplo, meno ao oramento, avaliao e monitoramento de polticas pblicas e responsabilidade dos governos) para se construir um noticirio que colabore efetivamente para garantir a accountability dos governos no estavam presentes nos textos investigados. Da mesma forma, cobrou-se pouco dos poderes pblicos e discusses sobre questes or- amentrias foram mnimas, bem como sobre a avaliao e monitoramento das polticas. Uma hiptese que pode explicar esse comportamento a efetiva escassez de polticas pblicas para a rea no contexto brasileiro o que, entretanto, no exime a imprensa de apontar essas eventuais lacunas. 6 6. Preocupao com a diversidade de vozes De maneira geral, os dirios diversificaram as fontes ouvidas, consultando diferentes categorias de atores (poderes pblicos, especialistas, tcnicos e universidades, em- presas no estatais, governos estrangeiros so os mais ouvidos), o que representa um ponto positivo da cobertura. Por outro lado, menos de 10% dos textos trazem opi- nies divergentes e um volume no desprezvel (quase 30%) no explicita as fontes de informao consultadas. Paralelamente baixa pluralidade de opinies nos textos, verificou-se um volume expressivo de material opinativo na amostra analisada: 26,7% composta por edito-

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