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  • Perspectivas dialgica do discurso

    foco no conceito de arquitetnica

    Maria Ins Batista Camposmaricamp@usp.br

    USP24/09/2013

    M. M. Bakhtin em seu

    gabinete de trabalho. 1973

  • Mikhail Bakhtin em dilogo: conversas de 1973 com Viktor Duvakin

    V. D. Duvakin prepara-se para

    gravao de M. M. Bakhtin.

  • Sou um filsofo, afirma BakhtinD: Ilustrou muito bem o seu pessoal crescimento cientfico, e tambm filosfico... Mas, no todo, o interesse, digamos, pela Escola de Marburg, e em geral pelafilosofia, era amplamente difundido?

    B: No amplamente, no. Em essncia ... No, no foi nunca. Tratava-se de uminteresse bem restrito.

    D: Quem fazia parte alm do senhor?

    B: Alm de mim, havia uma pessoa que pude conhecer melhor com o passar dotempo e que virou um dos meus amigos mais ntimos. Ele tinha estudadodiretamente na Alemanha, com Hermann Cohen. Morreu h tempo, mas suafilha me visita ainda.

    D: De quem se trata precisamente?

    B: Matvei Isaivitch Kagan.

    D: Ento em Odessa vocs j se conheciam?

  • Sou um filsofo, afirma BakhtinB: No. Conheci-o muito tempo depois.

    D: Mas eu perguntei quem estava com o senhor em Odessa ...Interessando-se por aquela filosofia?

    B: Somente eu e meu irmo, que ento estava tambm naUniversidade, matriculado em Odessa.

    D: Mas o senhor no era tambm um classicista?

    B: Eu era j ... Eu era um filsofo. Veja, eu diria assim ...

    D. O senhor era mais filsofo que fillogo?

    B: Filsofo, mais que fillogo. Filsofo. E assim permaneci at hoje.Sou um filsofo. Sou um pensador.

    BAKHTIN, M. Mikhail Bakhtin em dilogo: conversas de 1973 com Viktor Duvakin. So Carlos: Pedro & Joo Editores, 2008, p.45.

  • Onde se encontra o

    conceito de arquitetnica na obra de Bakhtin ?

  • Ponto de partida: a cinciaBakhtin parte do conceito de mecnica para introduzir asconcepes sobre a criao esttica e apresenta uma alternativade compreenso do movimento fora do domnio da mecnica.

    Mechanik (grego) e mechanica (latim) significam a atividade doscorpos, dos movimentos e das foras que agem em seu interior emobilizam seus impulsos.

    A mecnica se orienta pelas coisas em si, tomadas isoladamente, eno pelo que elas possam significar em suas relaes umas comoas outras. Os elementos do conjunto esto justapostos e no hinterao entre eles.

    (Machado, I. A questo espao-temporal em Bakhtin: cronotopia e extopia. In.: PAULA; STAFUZZA. Crculo de Bakhtin: teoria inclassificvel. Campinas: Mercado de Letras, 2010, p.203.

  • Conceito de arquitetnica na perspectiva bakhtinianaBAKHTIN, M. Arte e responsabilidade. (1919, 2003, p. XXXIII)

  • Conceito de arquitetnica

    Chama-se mecnico ao todo se alguns deseus elementos esto unificados apenas noespao e no tempo por uma relaoexterna e no os penetra a unidade internado sentido. As partes desse todo, ainda queestejam lado a lado e se toquem, em simesmas so estranhas umas s outras.

    BAKHTIN, M. Arte e responsabilidade. (1919, 2003, p. XXXIII)

  • Proposta conceitual de Bakhtin:arquitetnica

    Os trs campos da cultura humana a cincia, a arte ea vida s adquirem unidade no indivduo que osincorpora sua prpria unidade. Mas essa relaopode tornar-se mecnica, externa. Lamentavelmente, o que acontece com maior frequncia. O artista e ohomem esto unificados em um indivduo de formaingnua, o mais das vezes mecnica: temporariamenteo homem sai da agitao do dia-a-dia para a criaocomo para outro mundo de inspirao, sons doces eoraes.

    M. Bakhtin, 2003, XXXIII

  • Arquitetnica: projeto conceitual

    MCANICA

    trata o mundo em si, mundo das coisas mudas;Mundo da mecnica nada se deixa tocar pela unidade interna do sentido.

    Mostra os posicionamentos.

    ARQUITETNICA

    valoriza as relaes produtoras de sentidos; o ser humano fala, interroga a si mesmo e aos outros, constri conhecimentos;mundo dos acontecimentos, dos atos ticos e da atividade esttica; mostra o movimento.Persegue os fluxos e seus pontos de vista projetados sob forma de diferentes interaes.

  • inacabamento

    Chave conceitual do

    projeto especulativo centro das

    relaes ticas entre os sujeitos

    Dimenses do acabamento sob a forma

    de texto

  • Estilstica da criao verbal do jovem Bakhtin uma trilogia inacabada (B.Vauthier)

    (1) Para uma filosofia do ato responsvel (1986/1993-ingls);

    (2) O autor e o heri na atividade esttica; (1979/1990- ingls), na

    obra de coletnea Esttica da criao verbal;

    (3) O problema do contedo, do material e da forma na criao

    literria, (1923-24, 1975/1990), na obra de coletnea Questes de

    literatura e de esttica: a teoria do romance.

  • Para uma filosofia do ato responsvel (1919-1921)

    Escrito em Vitebsk, s foi publicado pela primeiravez em 1986.

    Manuscrito com alguns trechos ilegveis emdecorrncia das condies precrias de arquivo.Faltam as primeiras pginas do texto. umrascunho.

    Texto filosfico com vrios interlocutores: destaca-se o filsofo Immanuel Kant com sua obra A crticada razo pura. A razo humana de naturezaarquitetnica.

  • O princpio tico como fundamento do dialogismo em Mikhail Bakhtin (Bubnova)

    Resultado do Seminrio kantiano (1919-1928) com M. Kagan e L. Pumpianski.

    Estudos em torno da escola de Marburg

    Herman Cohen

    Paul Nartorp

    Ernst Cassirer

  • Definio do ato tico1. necessrio, no fortuito;

    2. Ncleo o conceito de responsabilidade, personalizada, ontolgica, sempreconcreta. Compreender um objeto significa compreender meu dever ser emrelao a ele, compreender como se vincula a mim no singular acontecerexistencial, de modo que essa relao no suponha uma abstrao de minhasubjetividade (como o ato terico cognoscitivo puro), mas minha participaoresponsvel. (2012, p.66; 1986, p.95),

    3. O ato consequncia da interao do eu com o outro que o converte em umacontecimento do ser, com carter ontolgico. Em russo, o acontecimento doser, sobytie bytia pode ser lido como um ser juntos, compartilhar aexperincia do ser.

    4. O ato no implica s uma ao fsica, mas enquanto permanecer tico pode serato-pensamento, ato-sentimento, ato de cognio, ato esttico, ato-enunciado,etc.

    5. O ato tico um documento assinado: tem autoria, no possui valor nenhumsem a aceitao livre e consciente da responsabilidade que implica a autoria(assinatura); nico, pessoal, comprometido e irrepetvel.

  • Dialogia bakhtiana: alteridade

    Presena do terceiro no dilogo ontolgico e nodilogo social. Alm da alteridade fsica ouinterna, o terceiro fonte de valores quepermite apreci-lo a partir de dois pontos devista:

    A viso esttica se fundamenta na visoexcedente que o outro tem sobre mim.

  • Dialogia bakhtiana: alteridade Em primeiro lugar, minha corporeidade fsica: somente o outro

    pode me ver como um corpo global e acabado, sobre um fundo externo; apenas para o outro esses aspectos meus podem representar um valor no comparvel com aqueles que minha subjetividade opera, sendo assim um valor negativo. O reconhecimento do outro a razo fundamental de meus atos.

    S ao outro posso abarcar amorosamente com o olhar, abraar, beijar, convert-lo em objeto de contemplao esttica amorosa.

    Do ponto de vista puramente antropolgico ou fenomenolgico, el Doble es un otro que al mismo tiempo me representa a m mismo; y por el contrario: es un yo que no coincide consigo mismo al topar en un momento determinado consigo mismo como si fuera otro fuera de s (MAJLN, 1992, p. 85).

  • Espao e tempo em Filosofia do ato

    Espao e tempo fenomenologia do ato responsvel

    Ato sempre nico e irrepetvel, s possvel descrev-lo participativamente, jamais conceitualizando-o por um gesto de abstrao.

    No tenho libi na existncia. No tenho desculpas. Essa obrigao ocorre por eu ser singular, ocupar um lugar nico, insubstituvel e impenetrvel da parte de um outro.

    No espao, mede-se o tempo e, sem espacializao, o tempo impalpvel. Essa tenso aparece no conceito de exotopia.

  • Sobre o espao e o tempo:a) exotopia: temporalidade que tem o carter do

    acabamento e de totalizao, dando uma nfase espacial: o lugar onde possvel fixar algo do devir e dar-lhe a forma de um todo.

    b) Cronotopo: inspirado na Fsica contempornea, o termo designa lugar de fuso dos ndices espacio-temporais em um todo intelegvel e concreto.

    O cronotopo orienta a compreenso da comunicao na cultura de sistemas verbo-visuais que constroem as relaes de espao-tempo em composies arquitetnicas imprevisveis desafiando todo nosso conhecimento sobre as condies da prpria natureza humana.

  • 1 parte da Filosofia do ato: Arquitetnica do mundo vivido e do ato esttico (p. 119)

    Nesta parte, esto presentes:

    Oposio entre o significado eterno e a realidade e aconscincia transitrias;

    A escolha da arte pelos tons emotivo-volitivos, mais prximado mundo da vida;

    O significado se torna vlido somente associado ao ato,adquirindo a luz do valor. O tom e o valor elevam a unidadede significado condio de evento nico.

    Exemplo da anlise: poema de Pushkin.

  • Conceito de forma arquitetnica: em textos filosficos de M. Bakhtin

  • Conceito de forma arquitetnica: em textos filosficos de M. Bakhtin

    p. 82

    AUTOR Y HROE EM LA ACTIVIDAD ESTTICA

    [...] est condicionado porlos trminos de la vida delinvestigador, a como por elestado aleatorio de losmateriales (...)

    (...) Suplementary Section

    p. 3

    CAPTULO IO AUTOR E A

    PERSONAGEM

    A relao arquitetoni-camente estvel e dinami-camente viva do autor coma personagem deve sercompreendida tanto em seufuncionamento geral e deprincpio quanto naspeculiaridades individuaisde que ela se reveste nesseo