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    Pergentino Liberato de Andrade (Tino) PT7AA pt7aa@uol.com.br

    Fortaleza, CE Julho de 2009

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    Homenagem

    Na verdade, eu gostaria mesmo era de homenagear a

    turma toda. Muitos nomes de radioamadores so

    citados nas pginas que se seguem, e todos eles so

    merecedores de meus aplausos e de minha gratido.

    Para mim, entretanto, um desses companheiros

    muito especial. Trata-se de Karl Mesquita Leite,

    PS7KM, de Natal, Rio Grande do Norte. a ele que

    devo meu ingresso no pequeno grande mundo de

    expedies radioamadorsticas brasileiras. Foi ele que batalhou incansavelmente junto s

    Foras Armadas, ao IBAMA, e empresas de navegao e pesca, para conseguir permisso e

    transporte para nossas viagens a diversas ilhas. Se no conseguiu tudo o que desejvamos,

    obteve o que era humanamente possvel. A ele, meus agradecimentos e minhas reverncias.

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    Nota do autor

    Minha idia inicial era elaborar um texto que tratasse

    apenas de contar pequenas histrias, alguns

    acontecimentos inesperados, engraados, curiosos ou

    simplesmente casos interessantes, vivenciados durante

    algumas de minhas expedies, no havendo nenhuma

    inteno, ou qualquer interesse em fazer um relato

    autobiogrfico.

    Logo porm tive de mudar meus planos, pois algumas

    pessoas, principalmente as mais jovens, habituadas ao progresso das ltimas dcadas e

    familiarizadas com as modernidades dos tempos atuais, certamente vo precisar conhecer

    alguns detalhes da vida como ela era, quando minha histria radioamadorstica comeou, em

    meados do sculo passado.

    Para que haja melhor compreenso por parte de leitores

    leigos, tambm achei importante incluir, durante as narrativas

    que se seguem, alguns esclarecimentos sobre o

    funcionamento do RADIOAMADORISMO, um hobby

    empolgante para os amantes das telecomunicaes, como eu

    e outros milhares de pessoas ao redor do mundo.

    Muita coisa mudou, desde a dcada de 60. Hoje a Internet e a

    televiso trazem para nossas casas os acontecimentos do mundo em tempo real e quase

    toda criana parece que j nasce capacitada a manusear telefones celulares, brinquedos

    eletrnicos e computadores.

    Mesmo assim, o radioamadorismo continua atuante, firme e forte, acompanhando o

    progresso e atualizando-se dia a dia, mas mantendo, ao mesmo tempo, a idia de

    Companheirismo, Paz, Fraternidade, e Harmonia no mundo.

    Tino - PT7AA

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    O INCIO DE TUDO

    ( Relembrando o passado )

    Quinze de novembro de 2004. Hoje, uma segunda-feira, dia 15 de novembro de

    2004, data importante, na qual se comemora a Proclamao da Repblica. Daqui a 15 dias

    ter incio o ms de dezembro e no final dele estarei completando 67 anos de idade. Tenho

    seis filhos, todos de maior idade e encaminhados na vida, treze netos e uma bisneta. Estou

    comeando a ficar velho.

    O relgio do shack ( 1 ) informa que so onze horas e trinta minutos, hora zulu,

    hora de Greenwich. a hora internacional, normalmente usada pelos radioamadores em

    todos os continentes e que, como eu, so aficionados do DX. ( 2 )

    Esse o sistema horrio que de fato interessa, quando estou aqui em cima. Para

    Zilma, minha mulher, que est cuidando do almoo na cozinha, no andar de baixo, so

    simplesmente 8 e meia da manh, hora local. Ela no se liga muito em radioamadorismo,

    que o meu hobby preferido, mas o aceita quase sem restries, graas a Deus.

    Afinal, desde que me conheceu, em 1957, ela sabe que, a partir dos 13 anos de

    idade, minha vida foi sempre ligada s comunicaes, primeiro como entregador de

    telegramas do D.C.T. ( 3 ), depois como telegrafista, na mesma Repartio, e, finalmente,

    como radioamador.

    Pois , so oito e meia da manh. At meia hora atrs eu estava de mangueira em

    punho, regando nosso jardim, e, como sempre acontece com a maioria das pessoas quando

    est s, fiquei relembrando o passado, rememorando os bons e maus momentos da vida.

    Mentalmente passei em revista, com um misto de alegria e orgulho, algumas das

    aventuras que vivenciei. Depois senti um pouco de tristeza, por no ter conseguido realizar

    todas aquelas proezas que um dia planejei. Agora no d mais, vou ter de me aquietar.

    No decorrer dessa verdadeira viagem atravs do tempo, lembrei-me de Karl e

    Leopoldo, velhos companheiros de minha primeira expedio aos Rochedos de So Pedro e

    (1) Shack Cabana, em ingls como o radioamador chama o espao onde est instalada a sua estao. (2) DX Contato a longa distncia. como so chamadas as comunicaes internacionais. Os praticantes de DX so chamados de DX-man, dx-istas ou ainda dexizistas. (3) D. C. T. Antigo Departamento de Correios e Telgrafos, atual E.C.T.

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    So Paulo, em 1989. Recordei tambm os colegas Carlinhos, Nivardo, Antonio (Toinho),

    Elsio, Jesus, Joaquim das Virgens, Ricardo, Ronaldo, Jnior, Andr, Joo, Amrico, Nelson,

    Jim, Alexa, Fabiano, Dias, Eglaube, todos companheiros em alguma das outras vrias

    expedies em ilhas brasileiras, das quais fui integrante, como operador de telegrafia.

    Lembrei-me do comandante Peter Pereira e seu veleiro Shanty, do senhor Manoel

    Morro, dos pescadores Gedeo, Rafael, Luciano, Jales, Ded, Bento e Edvan, do

    comandante Manoel e de seu barco pesqueiro chamado Rio Turi, do comandante Edmilson e

    de seu barco Alfa, do comandante Heleno e seu velho e estragado pesqueiro chamado

    Namorado, do comandante Zeca e seu veleiro Delcia. Convivi com todos eles e com

    dezenas de outros marinheiros e tripulantes em muitos dias de mar.

    Lembrei-me do outro Andr, o de Fernando de Noronha, e de vrias pessoas do

    IBAMA, como Filippini, Ricardo, Gilberto Sales, e Zelinha, (chamada a me do Atol das

    Rocas); recordei os donos da Nortepesca S/A, que sempre facilitaram nossas viagens. E

    tambm de alguns militares, como os coronis Zanella e Jos Carlos, o capito Marinho, o

    sargento Amador, o soldado Da Cruz (nosso mestre-cuca na ilha de Santo Aleixo), todos

    do 4 Batalho de Comunicaes do Exrcito, em Recife, bem como da garbosa e

    imponente figura do capito de fragata Marco Antonio Gonalves Bompet, comandante do

    navio-faroleiro Almirante Graa Aranha.

    Relembrei figuras simplrias, mas igualmente importantes como Durval, Joo

    Goberto, Z Maria e seus pais, seu Cicico e dona Livramento e tambm alguns outros

    colegas radioamadores como Hugo, Uchoa, Morel, Teresinha, Luis Carlos, Nilton, Cadete,

    Hlio, Mergulho, Kim, Pepe e Luciano, que tanto ajudaram em diferentes ocasies.

    Todas essas imagens, que esto indelevelmente gravadas em minha mente, so

    sempre relembradas e me fazem sentir saudades do tempo em que a sade, a disposio e

    a coragem me permitiam fazer as coisas que realmente gostava.

    Lembrei de alguns dos fatos acontecidos no decorrer de minhas andanas,

    principalmente aqueles ocorridos durante essas mesmas expedies radioamadorsticas,

    pequenos e inesperados acontecimentos, que so os temas favoritos de minhas conversas

    nas reunies ou encontros com novos amigos. Quem no me conhece pode at achar que

    tudo lorota.

    Quando conto essas histrias, sempre aparece algum para me perguntar: por que

    voc no escreve um livro? Por que no aproveita esse material, os artigos das revistas que

    publicaram algumas de suas expedies, as fotografias de sua coleo, para mostrar para

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    todo mundo os detalhes de suas aventuras? Qualquer dia voc morre, e no vai mais poder

    falar essas coisas, como est fazendo agora.

    verdade. Qualquer dia desses eu bato as botas e no sei se l aonde vou, terei

    a quem contar minhas aventuras de radioamador expedicionrio.

    Escrever um livro! Ser que d? Sou de um tempo em que diploma universitrio

    no era l to importante. Bastava ser eficiente, ter competncia e ser trabalhador, para

    alcanar razovel sucesso. Muito diferente dos dias atuais, que exige escolaridade at para

    candidatos a empregos de trabalho braal.

    Cresci numa poca em que o curso de datilografia tinha enorme importncia e ser

    bom datilgrafo era cumprir uma das principais exigncias do mercado de trabalho, talvez a

    que mais tinha valia para conseguir emprego, enfim, para progredir na vida.

    Mesmo tendo estudado em bons colgios, como o Sete de Setembro e Liceu do

    Cear, comecei a trabalhar muito cedo, por isso estudava noite e s cheguei a concluir o

    curso cientfico. ( 4 ) Nada de faculdade. Isso era coisa para rico.

    O importante, naquela ocasio, era encarar o prximo concurso. Podia ser para o

    Banco do Brasil, para a Receita Federal, para a Caixa Econmica, podia ser para qualquer

    coisa, mas, principalmente, podia ser para telegrafista do D.C.T. Departamento dos

    Correios e Telgrafos, onde eu j trabalhava desde os 13 anos de idade.

    Na Repartio, todo mundo comentava que os telegrafistas estavam ficando