PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO ? PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

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  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Sinopse:

    JOVENS SEMIDEUSES: preparem-se para ter acesso a arquivos altamente sigilosos. Compilado pelo escriba snior do

    Acampamento Meio-Sangue, o Sr. Rick Riordan, o contedo su-persecreto apresentado em Os arquivos do semideus inclui os re-

    latrios de trs das mais perigosas aventuras de Percy Jackson,

    informaes valiosas conseguidas em entrevistas com os mais importantes heris da saga, um utilssimo mapa do acampamento

    e muito, muito mais. Leiam e tornem-se especialistas no universo

    dos deuses e heris do Olimpo.

    Este livro contm alguns fatos, fotos e informaes que no livro original

    no contm, e todos foram disponibilizados atravs de outros blogs.

    Disponibilizao e Digitalizao:

    Creditos:

    BLOG:

    http://dlivros.blogspot.com/

    E-M@IL: di-cas.livros@gmail.com

    TWITTER: http://twitter.com/dlivros

    Comunidade do Orkut: http://www.orkut.com.br/

    Main#Community.aspx?cmm=87952025

    Boa Leitura!!!

    http://dlivros.blogspot.com/http://dlivros.blogspot.com/http://twitter.com/dlivroshttp://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=87952025http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=87952025

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    Eu estava no quinto tempo, na aula de cincias, quando ouvi sons vindos

    de fora.

    SCRAUC! AU! SCRECH! eia!

    Era como se algum estivesse sendo atacado por uma galinha possuda. E,

    acredite, essa uma situao que j vivi. Ningum mais pareceu notar o tumulto.

    Estvamos no laboratrio, e todo mundo estava conversando, ento, no foi dif-

    cil olhar pela janela enquanto fingia que lavava meu bquer.

    Como eu suspeitava, havia uma garota no beco empunhando uma espada.

    Ela era alta e musculosa como uma jogadora de basquete, tinha cabelos castanhos

    oleosos e usava jeans, coturnos e jaqueta de brim. Estava golpeando um bando de

    pssaros pretos do tamanho de corvos. Havia penas presas a suas roupas em v-

    rios lugares. Um corte acima de seu olho esquerdo sangrava.

    Enquanto eu a observava, um dos pssaros lanou uma pena como se fosse

    uma flecha, que se alojou no ombro dela. Ela praguejou e tentou acertar o animal,

    mas ele voou para longe.

    Infelizmente, reconheci a garota. Era Clarisse, minha antiga inimiga no

    acampamento para semideuses. Ela costumava passar o ano inteiro no Acampa-

    mento Meio-Sangue.

    Eu no tinha idia do que Clarisse fazia no Upper East Side no meio de

    um dia de aula, mas, obviamente, ela estava com problemas. E no ia agentar

    por muito mais tempo. Fiz a nica coisa que podia.

    Sra. White chamei , posso ir ao banheiro? Acho que vou vomitar.

    Sabe quando os professores ensinam que as palavras mgicas so por fa-

    vor? Isso no verdade. A palavra mgica vomitar. Ela tira voc da sala de aula

    mais rpido do que qualquer outra coisa.

    V! respondeu a sra. White.

    Corri para a porta, tirando os culos de proteo, as luvas e o avental do

    laboratrio. Ento saquei minha melhor arma: uma caneta esferogrfica chamada

    Contracorrente.

    Ningum me parou nos corredores. Sa pelo ginsio. Cheguei ao beco a

    tempo de ver Clarisse acertar um pssaro demonaco com a lateral da espada co-

    mo numa rebatida de beisebol. O pssaro guinchou e voou para longe em espiral,

    batendo na parede de tijolos e escorregando para dentro de uma lixeira. Mesmo

    assim, ainda havia uma dzia deles em volta dela.

    Clarisse! gritei.

    Ela me lanou um olhar furioso, descrente.

    Percy? O que voc est fazendo...

    Ela foi interrompida por uma saraivada de penas que zuniram sobre sua

    cabea e espetaram-se na parede.

    Essa a minha escola.

    Que sorte a minha Clarisse resmungou, mas estava muito ocupada

    para reclamar mais.

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    Destampei minha caneta, que se tornou uma espada de bronze de um me-

    tro de comprimento, e entrei na batalha golpeando os pssaros e desviando as

    flechas com a lmina.

    Juntos, Clarisse e eu atacamos e atingimos os pssaros at que todos fos-

    sem reduzidos a pilhas de penas no cho.

    Ns dois respirvamos com dificuldade. Eu tinha alguns arranhes, mas

    nada, alm disso. Arranquei do meu brao uma pena. Ela no tinha me perfurado

    muito. Se no fosse venenosa, eu ficaria bem. Tirei um saquinho de ambrosia do

    bolso da jaqueta, onde sempre o mantinha para emergncias, parti um pedao ao

    meio e ofereci um pouco a Clarisse.

    No preciso da sua ajuda murmurou ela, mas pegou a ambrosia

    mesmo assim.

    Engolimos alguns pedaos, mas no muitos, j que a comida dos deuses

    pode queimar at as cinzas se ingerida em excesso. Acho que por isso que no

    h muitos deuses gordos. De qualquer forma, em poucos segundos nossos cortes

    e arranhes desapareceram.

    Clarisse colocou sua espada na bainha e bateu a sujeira da jaqueta.

    Ento... a gente se v.

    Espere a! retruquei. Voc no pode ir embora assim.

    Claro que posso.

    O que est acontecendo? O que est fazendo fora do acampamento?

    Por que aqueles pssaros estavam perseguindo voc?

    Clarisse me empurrou, ou tentou me empurrar. Eu estava bastante acostu-

    mado com seus truques, ento apenas dei um passo para o lado e deixei que ela

    passasse direto por mim.

    Vamos l insisti. Voc quase foi morta na minha escola. Isso a-

    gora virou assunto meu.

    No virou, no!

    Deixe eu ajudar voc.

    Ela deu um breve suspiro. Senti que realmente queria me bater. Mas, ao

    mesmo tempo, havia desespero em seus olhos, como se ela estivesse com srios

    problemas.

    So meus irmos comeou ela. Eles esto aprontando comigo.

    Ah respondi, sem muita surpresa. Clarisse tinha muitos irmos no

    Acampamento Meio-Sangue. Todos implicavam uns com os outros. Acho que

    isso era esperado, j que so filhos e filhas do deus da guerra, Ares.

    Que irmos? Sherman? Mark?

    No respondeu ela, parecendo assustada como eu nunca tinha visto.

    Meus irmos imortais. Phobos e Deimos.

    Sentamos num banco do parque enquanto Clarisse me contava a histria.

    Eu no estava muito preocupado em voltar para a escola. A sra. White

    chegaria concluso de que a enfermeira teria me mandado para casa, e o sexto

    tempo era aula de trabalhos manuais. O sr. Bell nunca fazia chamada.

    Ento me deixe entender isso direito. Voc pegou o carro do seu pai

    para dar uma volta e agora ele sumiu.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    No um carro rosnou Clarisse. uma quadriga de guerra! E ele

    me disse que pegasse. como... um teste. Eu deveria traz-la de volta ao pr do

    sol. Mas...

    Seus irmos roubaram o carro de voc.

    Roubaram a quadriga corrigiu ela. Normalmente, so eles que a

    guiam, entende? E no gostam que ningum mais o faa. Ento, roubaram a qua-

    driga e me perseguiram com esses pssaros idiotas que disparam flechas.

    Os animais de estimao do seu pai?

    Ela assentiu, chateada.

    Eles guardam o templo. De qualquer forma, se eu no encontrar a qua-

    driga...

    Parecia que ela estava prestes a ter um ataque de nervos. Eu no a culpo.

    J vi seu pai, Ares, ficar irritado, e no foi uma viso agradvel. Se Clarisse o

    decepcionasse, ele pegaria pesado com ela. Muito pesado.

    Vou ajudar voc ofereci.

    Por que faria isso? Eu no sou sua amiga devolveu ela, irritada.

    No pude argumentar diante daquilo. Clarisse tinha agido mal comigo um

    milho de vezes, mas, ainda assim, eu no gostava da idia de ela ou qualquer

    outra pessoa estar na mira de Ares. Eu tentava descobrir como explicar isso a ela

    quando ouvimos uma voz masculina.

    Ah, olhe s. Acho que ela andou chorando!

    Um garoto mais velho estava encostado num telefone pblico. Usava jeans

    surrado, camiseta preta e jaqueta de couro, e uma bandana cobria seus cabelos.

    Tinha uma faca presa ao cinto. Seus olhos eram da cor de chamas.

    Phobos. Clarisse cerrou os punhos. Onde est a quadriga, seu i-

    diota?

    Voc a perdeu provocou ele. No pergunte a mim.

    Seu...

    Clarisse desembainhou a espada e partiu para o ataque, mas Phobos desa-

    pareceu bem no meio do golpe e a lmina acertou o poste do telefone pblico.

    Ele apareceu no banco ao meu lado. Estava rindo, mas parou quando en-

    costei a ponta de Contracorrente em sua garganta.

    melhor voc devolver aquela quadriga eu disse a ele. Antes

    que eu me irrite.

    Phobos me olhou com desprezo e tentou parecer duro, ou to duro quan-

    to algum pode ficar com uma espada na garganta.

    Quem o seu namoradinho, Clarisse? Agora voc precisa de ajuda para

    vencer suas batalhas?

    Ele no meu namorado! Com um puxo, Clarisse tirou sua espada

    do poste. No nem meu amigo. Esse Percy Jackson.

    Algo mudou na expresso de Phobos. Ele pareceu surpreso, talvez at ner-

    voso.

    O filho de Poseidon? Aquele que deixou papai furioso? Ah, isso mui-

    to bom, Clarisse. Voc est andando com um arqui-inimigo?

    Eu no estou andando com ele!

    Os olhos de Phobos brilharam num vermelho bem vivo.

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    Por favor, no! gritou Clarisse. Ela golpeou o ar como se estivesse

    sendo atacada por insetos invisveis.

    O que est fazendo com ela? eu quis saber.

    Clarisse se afastou para a rua, balanando sua espada furiosamente.

    Pare com isso! eu disse a Phobos.

    Apertei minha espada um pouco mais fundo em sua garganta, mas ele

    simplesmente sumiu, reaparecendo perto do telefone pblico.

    No se anime tanto, Jackson disse Phobos. S mostrei a ela aqui-

    lo de que ela tem medo.

    O brilho desapareceu dos seus olhos. Clarisse se curvou, respirando com

    dificuldade.

    Seu desgraado arfou ela. Eu vou... eu vou pegar voc.

    Phobos se virou para mim.

    E quanto a voc, Percy Jackson? O que voc teme? Sabe, vou desco-

    brir. Eu sempre descubro.

    Devolva a quadriga. Tentei manter minha voz calma. Enfrentei

    seu pai uma vez. Voc no me assusta.

    Nada a temer alm do medo em si. No o que dizem? Phobos riu.

    Bom, deixe eu contar um segredinho a voc, meio-sangue. Eu sou o

    medo. Se voc quer a quadriga, venha pegar. Est sobre as guas. Voc vai en-

    contr-la onde vivem os animaizinhos selvagens, exatamente o tipo de lugar a

    que voc pertence. Ele estalou os dedos e desapareceu numa cortina de fuma-

    a amarela.

    Preciso dizer: conheci muitos deuses inferiores e monstros de que no gos-

    tei, mas Phobos ganhou o prmio mximo.

    No gosto de valentes. Nunca pertenci turma dos populares da escola,

    ento passei a maior parte da minha vida me defendendo de punks que tentavam

    amedrontar a mim e a meus amigos. A forma como Phobos riu de mim e fez Cla-

    risse desmoronar s com o olhar...

    Queria dar uma lio nesse cara. Ajudei Clarisse a se levantar. Seu rosto

    ainda estava coberto pelo suor.

    Agora voc quer ajuda? perguntei.

    Pegamos o metr preparados para novos ataques, mas ningum nos inco-

    modou. Enquanto viajvamos, Clarisse me falou sobre Phobos e Deimos.

    Eles so deuses inferiores explicou ela. Phobos o medo. Dei-

    mos o pnico.

    Qual a diferena?

    Ela deu de ombros.

    Deimos maior e mais feio, eu acho. Ele bom em enlouquecer multi-

    des. Phobos mais, digamos, pessoal. Ele consegue invadir a sua mente.

    da que vem a palavra fobia?

    Sim resmungou ela. Ele tem muito orgulho disso. Todas aquelas

    fobias nomeadas em homenagem a ele. O idiota.

    E por que eles no querem que voc conduza a quadriga?

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    Isso costuma ser um ritual apenas para os filhos homens de Ares,

    quando completam quinze anos. Eu sou a primeira menina a ter uma chance em

    muitos anos.

    Bom para voc.

    Diga isso a Phobos e a Deimos. Eles me odeiam. Eu tenho de levar a-

    quela quadriga de volta ao templo.

    Onde o templo?

    Per 86. O Intrepid.

    Ah.

    Aquilo fazia sentido, pensei na hora. Na verdade, eu nunca estivera a bor-

    do do antigo porta-avies, mas sabia que era usado como uma espcie de museu

    militar.

    Provavelmente, estava cheio de armas e bombas e outros brinquedos peri-

    gosos. Exatamente o tipo de lugar que um deus da guerra gostaria de frequentar.

    Talvez tenhamos cerca de quatro horas antes do pr do sol supus.

    Pode ser tempo suficiente, se acharmos a quadriga.

    Mas o que Phobos quis dizer com sobre as guas? Estamos numa i-

    lha, pelo amor de Zeus. Pode estar em qualquer lugar!

    Ele disse alguma coisa sobre animais selvagens lembrei. Anima-

    izinhos selvagens.

    Um zoolgico?

    Concordei. Um zoolgico sobre as guas pode ser o do Brooklyn, ou tal-

    vez... algum lugar de difcil acesso, com pequenos animais selvagens. Algum

    lugar onde ningum pensaria em procurar uma quadriga.

    Staten Island sugeri. H um pequeno zoolgico l.

    Talvez respondeu Clarisse. Esse parece o tipo de lugar fora do

    comum em que Phobos e Deimos esconderiam alguma coisa. Mas se estivermos

    errados...

    No temos tempo para estarmos errados.

    Descemos na Times Square e pegamos o trem nmero 1 para o centro de

    Manhattan, em direo ao cais das barcas. Embarcamos para Staten Island s trs

    e meia da tarde, com um monte de turistas que lotavam as grades do deque supe-

    rior, tirando fotografias conforme passvamos pela Esttua da Liberdade.

    Ele a esculpiu em homenagem me comentei, observando a est-

    tua.

    Quem? Clarisse olhou para mim com desdm.

    Bartholdi respondi. O cara que fez a Esttua da Liberdade. Ele

    era filho de Atena e projetou a esttua de forma que se parecesse com a me dele.

    Bom,

    foi o que Annabeth me contou.

    Clarisse revirou os olhos. Annabeth era minha melhor amiga e tinha lou-

    cura por arquitetura e monumentos. Acho que, s vezes, sua fixao pelo assunto

    acabava me contaminando.

    Intil Clarisse considerou. Se no ajuda voc na batalha, uma

    informao intil.

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    Eu poderia ter discutido com ela, mas, logo em seguida, a barca se incli-

    nou como se tivesse batido em uma rocha. Os turistas escorregaram, derrubando

    uns aos outros.

    Clarisse e eu corremos para a frente do barco. A gua abaixo de ns co-

    meou a borbulhar. Ento, a cabea de uma serpente marinha emergiu na baa.

    O monstro era, no mnimo, to grande quanto o barco. Era cinza e verde, e

    possua uma cabea de crocodilo e dentes em formato de lminas afiadas. Chei-

    rava como... bom, como alguma coisa que tivesse acabado de sair do fundo das

    guas do porto de Nova York. Montado em seu pescoo, estava um garoto forte

    que usava uma armadura grega de cor preta. Seu rosto estava coberto de feias

    cicatrizes, e ele segurava uma lana.

    Deimos! berrou Clarisse.

    Ol, irm! Seu sorriso era quase to terrvel quanto o da serpente.

    Que tal uma brincadeira?

    O monstro rugiu. Os turistas gritaram e se dispersaram. No sei exatamen-

    te o que viram, a Nvoa geralmente evita que mortais vejam monstros em sua

    forma verdadeira. Mas, seja l o que tenham visto, deixou-os aterrorizados.

    Deixe-os em paz! berrei.

    Ou o qu, filho do deus do mar? Deimos desdenhou.

    Meu irmo me disse que voc um banana!Alm disso, eu amo pnico.

    Eu vivo em meio ao pnico!

    Ele incitou a serpente a golpear a barca com a cabea, e, com o impacto,

    ela espalhou gua para trs. Alarmes dispararam. Passageiros se atropelaram ao

    tentar fugir.

    Deimos gargalhava de felicidade.

    Chega murmurei. Clarisse, agarre aqui.

    O qu?

    Agarre meu pescoo. Vamos dar uma volta.

    Ela no protestou. Agarrou-se a mim e eu comecei a contar:

    Um, dois, trs... pule!

    Pulamos do deque superior direto para dentro da baa, mas ficamos em-

    baixo dgua s por um instante. Senti o poder do oceano tomar conta de mim.

    Induzi a gua a fazer um redemoinho em torno de ns, aumentando a velocidade

    at que surgssemos no topo de uma tromba dgua de dez metros de altura. En-

    to nos conduzi diretamente ao monstro.

    Acha que consegue cuidar de Deimos? berrei para Clarisse.

    Eu pego ele! respondeu ela. S me faa descer dez metros.

    Avanamos rapidamente em direo serpente. Assim que ela exps sua

    presa, desviei a tromba dgua para o lado e Clarisse pulou. Ela foi de encontro a

    Deimos e os dois caram na gua.

    A serpente veio atrs de mim. Rapidamente, virei a tromba dgua para

    encar-la. Ento, reuni todo o meu poder e induzi a gua a subir cada vez mais.

    uouuuu!

    Milhes de litros de gua salgada atingiram o monstro. Pulei em sua cabe-

    a, destampei Contracorrente e cortei com toda a minha fora o pescoo da cria-

    tura.

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    O monstro rugiu. Sangue verde jorrou da ferida, e a serpente afundou nas

    ondas.

    Mergulhei e observei a criatura enquanto ela recuava em direo ao mar

    aberto. Isto bom nas serpentes marinhas: elas se tornam bebs gigantes quando

    esto feridas.

    Clarisse emergiu perto de mim; cuspindo e tossindo. Nadei at ela e a a-

    garrei.

    Voc pegou Deimos?

    Clarisse balanou a cabea.

    O covarde desapareceu enquanto lutvamos. Mas tenho certeza de que

    o veremos de novo. E a Phobos tambm.

    Os turistas ainda corriam em pnico pela barca, mas no havia sinais de

    ningum ferido. O barco no parecia estar danificado. Decidi que no devamos

    ficar ali.

    Segurei Clarisse pelo brao e fiz com que as ondas nos levassem para Sta-

    ten Island. No oeste, o sol se punha sobre a costa de Jersey. Nosso tempo se es-

    gotava.

    Eu nunca tinha passado muito tempo em Staten Island. Percebi que era

    maior do que eu imaginava e no muito divertida para caminhadas. As ruas se-

    guiam trajetos confusos e tudo parecia ficar no alto.

    Eu estava seco (nunca me molho no oceano, a menos que eu queira), mas

    as roupas de Clarisse ainda pingavam. Ela deixava pegadas imundas pela calada

    e o motorista do nibus no nos deixou entrar.

    No vamos conseguir chegar a tempo observou ela.

    Pare de pensar assim. Tentei parecer otimista, mas eu tambm co-

    meava a duvidar. Gostaria que tivssemos tido reforos. Dois semideuses contra

    dois deuses inferiores j no era uma disputa justa, e eu no tinha certeza do que

    faramos quando encontrssemos Phobos e Deimos ao mesmo tempo. Ficava re-

    lembrando o que Phobos tinha dito: E quanto a voc, Percy Jackson? O que vo-

    c teme? Sabe, vou descobrir.

    Depois de nos arrastarmos at a metade da ilha, de passarmos por vrias

    casas de subrbio, algumas igrejas e um McDonalds, finalmente avistamos uma

    placa em que se lia zoolgico. Viramos a esquina e seguimos pela rua sinuosa

    com algumas rvores em um dos lados at que chegamos entrada.

    A senhora da bilheteria nos observou com olhar de suspeita, mas, graas

    aos deuses, eu tinha dinheiro suficiente para pagar nossas entradas.

    Andamos pelo viveiro dos rpteis e Clarisse parou de repente.

    L est ela.

    Ela estava estacionada num cruzamento entre a fazendinha das crianas e

    o lago das lontras: uma enorme quadriga vermelha e dourada atrelada a quatro

    cavalos pretos. A quadriga era decorada com incrvel riqueza de detalhes. Seria

    bonita se todas as imagens no mostrassem pessoas morrendo dolorosamente. Os

    cavalos soltavam fogo pelas narinas.

    Famlias com carrinhos de bebs passavam ao lado da quadriga como se

    ela no existisse. Acho que a Nvoa em torno dela devia estar muito forte, pois o

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    nico disfarce da quadriga era um bilhete escrito mo colado no peito de um

    dos cavalos em que se lia veculo oficial do zoolgico.

    Onde esto Phobos e Deimos? sussurrou Clarisse, desembainhando

    sua espada.

    No os via em lugar algum, mas isso s podia ser uma armadilha.

    Eu me concentrei nos cavalos. Normalmente, consigo falar com cavalos,

    j que meu pai os criou. Ei, cavalos, labaredas legais essas. Venham aqui!, cha-

    mei.

    Um deles relinchou desdenhosamente. Certo, consegui entender seus pen-

    samentos. Ele me chamou de alguns nomes que no posso repetir.

    Vou tentar pegar as rdeas Clarisse avisou. Os cavalos me co-

    nhecem, me d cobertura.

    Tudo bem.

    Eu no estava certo de como deveria dar cobertura a ela com a espada, mas man-

    tive meus olhos bem abertos enquanto Clarisse se aproximava da quadriga.

    Ela andou em volta dos cavalos, quase na ponta dos ps. E congelou

    quando uma senhora passou com uma garotinha de uns trs anos de idade.

    Cavalinho pegando fogo! disse a menina.

    No seja boba, Jessie a me respondeu com uma voz confusa. Is-

    so um veculo oficial do zoolgico.

    A garotinha tentou argumentar, mas a me agarrou sua mo e elas conti-

    nuaram andando. Clarisse chegou perto da quadriga. A mo dela estava a quinze

    centmetros do arreio quando os cavalos empinaram, relinchando e soltando

    chamas. Phobos e Deimos apareceram na quadriga, os dois agora vestidos com

    negras armaduras de guerra.

    Phobos deu uma risada, seus olhos vermelhos brilhando. As feies assus-

    tadoras de Deimos pareciam ainda mais terrveis de perto.

    A caada comeou! gritou Phobos. Clarisse tombou para trs en-

    quanto ele chicoteava os cavalos e conduzia a quadriga diretamente para cima de

    mim.

    Bom, agora eu gostaria de poder contar a vocs que cometi um ato heri-

    co, como permanecer parado diante um grupo feroz de cavalos lana-chamas

    munido somente com a minha espada.

    Mas a verdade que eu fugi.

    Pulei uma lata de lixo e uma grade, mas no houve meio de eu ser mais

    rpido que a quadriga. Ela foi de encontro grade logo atrs de mim, escavando

    tudo pelo seu caminho.

    Percy, cuidado! gritou Clarisse, como se eu precisasse que algum

    me dissesse aquilo.

    Saltei e pousei numa ilha de pedra no meio da rea das lontras. Fiz com

    que a gua formasse uma coluna para fora do lago e se jogasse sobre os cavalos,

    apagando temporariamente suas chamas e deixando-os confusos. As lontras no

    ficaram felizes com isso. Elas tagarelaram e gritaram, e entendi que era melhor

    sair da sua ilha bem rpido, antes que mamferos marinhos enfurecidos comeas-

    sem a me perseguir tambm.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Corri enquanto Phobos xingava e tentava controlar seus cavalos. Clarisse

    aproveitou a chance para pular nas costas de Deimos justamente quando ele co-

    meava a empunhar sua lana. Os dois saltaram da quadriga no momento em que

    ela tombou para a frente.

    Pude ouvir Deimos e Clarisse comearem a lutar, espada contra espada.

    Mas eu no tinha tempo para me preocupar com isso porque Phobos estava me

    perseguindo novamente. Avancei rapidamente em direo ao aqurio com a qua-

    driga em meu encalo.

    Ei, Percy! provocou Phobos. Tenho uma coisa para voc!

    Olhei para trs e vi a quadriga derreter e os cavalos se transformarem em

    ao, envolvendo uns aos outros como se bonecos de barro estivessem sendo re-

    trabalhados. A quadriga se remodelou em uma caixa preta de metal com a parte

    de baixo como a de um trator, uma pequena torre e um longo cano de arma. Um

    tanque de guerra.

    Reconheci por causa de uma pesquisa que tivera de fazer para

    a aula de histria. Phobos dava risadas para mim do alto de um tanque da Segun-

    da Guerra Mundial.

    Diga x! disse ele.

    Rolei para o lado quando a arma disparou.

    CA-BUUUM!

    Um quiosque de suvenires explodiu, e bichos de pelcia, canecas de pls-

    tico e cmeras descartveis voaram em todas as direes. Enquanto Phobos re-

    carregava sua arma, eu me levantei e mergulhei no aqurio.

    Eu queria me cercar de gua. Isso sempre aumentava meu poder. Alm do

    mais, era possvel que Phobos no conseguisse fazer a quadriga passar pela porta.

    Claro que, se ele explodisse tudo, no faria diferena...

    Corri pelas salas iluminadas por uma estranha luz azul-clara vinda dos

    tanques de exposio de peixes. Spias, peixes-palhaos e enguias, todos me en-

    cararam medida que eu passava correndo por eles.

    Filho do deus do mar! Filho do deus do mar!, eu podia ouvir suas peque-

    nas mentes sussurrarem.

    timo quando lulas o consideram uma celebridade.

    Parei no final do aqurio para escutar. No ouvi nada. E ento...

    vrum, vrum.

    Um tipo diferente de motor.

    Olhei sem acreditar quando Phobos apareceu pilotando uma Harley-

    Davidson. Eu j tinha visto aquela moto: seu tanque de combustvel decorado

    com chamas, seus coldres com espingardas, seu assento de couro parecido com

    pele humana.

    Aquela era a mesma moto que Ares pilotava quando o vi pela primeira

    vez, mas nunca imaginei que ela era apenas outra forma para sua quadriga de

    guerra.

    Oi, perdedor Phobos me cumprimentou puxando uma enorme espa-

    da da bainha. Hora de ficar com medo.

    Empunhei minha espada, determinado a encar-lo. Ento, os olhos de

    Phobos incandesceram e cometi o erro de olhar dentro deles.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    De repente, eu estava num lugar diferente. Era o Acampamento Meio-

    Sangue, meu lugar favorito em todo o mundo, e ele estava em chamas. A floresta

    pegava fogo. Saa fumaa dos chals. As colunas gregas do pavilho do refeitrio

    haviam tombado e a Casa Grande era uma runa ardente. Meus amigos, ajoelha-

    dos, imploravam. Annabeth, Grover e todos os outros campistas.

    Salve a gente, Percy!, eles choramingavam. Faa a escolha!

    Fiquei paralisado. Era o momento que sempre temi: a profecia que deveria

    ser cumprida quando eu completasse dezesseis anos. Eu teria de escolher entre

    salvar ou destruir o Monte Olimpo.

    Agora chegara o momento e eu no tinha a menor ideia do que fazer. O

    acampamento queimava. Meus amigos me encaravam, pedindo ajuda. Meu cora-

    o estava disparado. Eu no podia me mover. E se eu fizesse a coisa errada?

    Ento, ouvi as vozes dos peixes do aqurio.

    Filho do deus do mar! Acorde!

    Subitamente, senti o poder dos oceanos me dominar novamente, milhares

    de litros de gua salgada e centenas de peixes tentavam chamar minha ateno.

    Eu no estava no acampamento. Era uma iluso. Phobos me mostrara meu

    temor mais profundo.

    Pisquei e vi a espada de Phobos vindo na direo da minha cabea. Empu-

    nhei Contracorrente e bloqueei o golpe segundos antes que ele me partisse em

    dois.

    Contra-ataquei e acertei Phobos no brao. Icor dourado, o sangue dos deu-

    ses, ensopou sua camisa. Phobos rosnou e avanou sobre mim. Desviei facilmen-

    te.

    Sem o seu poder do medo, Phobos no era nada.

    Ele no era nem um guerreiro razovel. Eu o contive, golpeando seu rosto

    e deixando-lhe um corte na bochecha. Quanto mais irritado ele ficava, mais desa-

    jeitadamente agia. Eu no podia mat-lo. Ele era imortal. Mas no era possvel

    saber disso levando em conta somente sua expresso.

    O deus do medo parecia amedrontado.

    Finalmente, chutei-o contra a fonte de gua. Sua espada foi parar no ba-

    nheiro das mulheres. Agarrei-o pelos cordes da sua armadura e o levantei at a

    altura do meu rosto.

    Voc vai desaparecer agora ordenei. Vai sair do caminho de Cla-

    risse. E se eu o vir de novo, vou lhe dar uma cicatriz maior e num lugar muito

    mais doloroso!

    Ele engoliu em seco.

    Haver uma prxima vez, Jackson! E se dissolveu numa fumaa

    amarela.

    Eu me virei para o tanque de exposio de peixes.

    Valeu, pessoal!

    Ento, observei a moto de Ares. Eu nunca havia pilotado uma superpode-

    rosa quadriga Harley-Davidson de guerra. Quo difcil poderia ser? Subi na mo-

    to, acionei a ignio e sa do aqurio para ajudar Clarisse.

    No tive problemas para encontr-la, apenas segui o rastro de destruio.

    Grades foram derrubadas e animais corriam livremente. Texugos e lmures esta-

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    vam explorando a pipoqueira. Um leopardo gordo espreguiava-se num banco do

    parque, rodeado de penas de pombo.

    Estacionei a moto prximo fazendinha das crianas, e l estavam Dei-

    mos e Clarisse na rea das cabras. Clarisse estava de joelhos. Corri at ela, mas

    parei subitamente quando vi como Deimos havia mudado sua forma.

    Agora ele era Ares: o grande deus da guerra, usando couro preto e culos

    de sol. Todo o seu corpo soltava fumaa furiosamente enquanto ele levantava o

    punho para Clarisse.

    Voc me decepcionou de novo! o deus da guerra elevou a voz.

    Eu a avisei do que aconteceria!

    Ele tentou acert-la, mas Clarisse arrastou-se para longe.

    No! Por favor! clamou ela.

    Garota boba!

    Clarisse! gritei. Isso uma iluso. Enfrente-o!

    A forma de Deimos vacilou.

    Eu sou Ares! insistiu ele. E voc uma garota desprezvel! Eu

    sabia que voc me decepcionaria. Agora vai sofrer minha ira.

    Eu queria avanar e lutar com Deimos, mas, de alguma maneira, sabia que

    no podia ajudar. Clarisse precisava fazer isso. Esse era o seu maior medo. Ela

    teria de super-lo sozinha.

    Clarisse chamei. Ela se virou e eu tentei sustentar seu olhar. En-

    frente-o eu disse. Isso s fachada. Levante-se!

    Eu... eu no consigo.

    Sim, voc consegue. Voc uma guerreira. Levante!

    Ela hesitou. E ento comeou a se erguer.

    O que est fazendo? Ares elevou a voz. Humilhe-se por miseri-

    crdia, garota!

    Clarisse deu um breve suspiro.

    No disse ela, calmamente.

    O qu?

    Estou cansada de ser amedrontada por voc. Ela empunhou a espa-

    da.

    Deimos atacou, mas Clarisse se desviou do golpe. Ela cambaleou, mas no

    caiu.

    Voc no Ares afirmou ela. Voc no nem mesmo um bom

    guerreiro.

    Deimos rosnou de frustrao. Ele atacou de novo, Clarisse estava prepara-

    da. Ela o desarmou e o atingiu no ombro, no to profundamente, mas o suficien-

    te para ferir mesmo um deus inferior.

    Ele uivou de dor e comeou a incandescer.

    No olhe! avisei a Clarisse.

    Desviamos nossos olhos enquanto Deimos explodia em luz dourada, sua

    verdadeira forma divina, e desaparecia. Estvamos sozinhos, exceto pelas cabras

    da fazendinha, que mordiscavam nossas roupas em busca de migalhas.

    A moto se transformou novamente em uma quadriga puxada a cavalos.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Clarisse me observou cautelosamente. Ela limpou a palha e o suor do ros-

    to.

    Voc no viu isso. Voc nunca viu nada disso.

    Eu dei uma risada.

    Voc se saiu bem.

    Ela olhou para o cu, que ficava vermelho atrs das rvores.

    Suba na quadriga disse ela. Ainda temos uma longa viagem a fa-

    zer.

    Alguns minutos depois, chegamos estao das barcas de Staten Island e

    relembramos o bvio: estvamos numa ilha. A barca no transporta carros. Ou

    quadrigas. Ou motos.

    timo resmungou Clarisse. O que fazemos agora? Conduzimos

    essa coisa pela Ponte Verrazano?

    Ns dois sabamos que no havia tempo. Existiam pontes para o Brooklyn

    e para Nova Jersey, mas ambos os caminhos exigiriam horas para levar a quadri-

    ga de volta a Manhattan. Mesmo se consegussemos induzir as pessoas a pensa-

    rem que aquilo era um carro normal.

    Ento, tive uma ideia.

    Vamos pegar um caminho direto.

    O que voc quer dizer? Clarisse franziu as sobrancelhas.

    Fechei os olhos e comecei a me concentrar.

    Siga em frente. V!

    Clarisse estava to desesperada que no hesitou. Ela gritou Eia! e chico-

    teou os cavalos. Eles avanaram em direo gua. Imaginei o oceano se tornan-

    do slido, as ondas se transformando numa superfcie firme at Manhattan.

    A quadriga de guerra bateu na arrebentao, a respirao ardente dos cava-

    los espalhava fumaa ao nosso redor. Andamos por cima das ondas diretamente

    at o porto de Nova York.

    Chegamos ao Per 86 bem no momento em que o cu ganhava a cor roxa.

    O USS Intrepid, templo de Ares, era uma enorme parede cinza de metal

    diante de ns, a pista de decolagem pontilhada de aeronaves e helicpteros.

    Estacionamos a quadriga na rampa e descemos dela. Pelo menos uma vez

    eu me sentia feliz por estar em terra firme.

    Concentrar-me em manter a quadriga sobre as ondas foi uma das coisas

    mais difceis que j fiz. Eu estava exausto.

    melhor eu sair daqui antes que Ares chegue eu disse.

    Clarisse concordou.

    Ele provavelmente mataria voc assim que o visse.

    Parabns cumprimentei-a. Acho que voc passou no seu teste de

    direo.

    Ela enrolou as rdeas na mo.

    Sobre aquilo que voc viu, Percy. Aquilo de que eu tenho medo, quer

    dizer...

    No vou contar a ningum.

    Ela me olhou com desconforto.

    Phobos assustou voc?

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Sim. Vi o acampamento em chamas. Todos os meus amigos implora-

    vam por ajuda, e eu no sabia o que fazer. Por um instante, no consegui me mo-

    ver. Eu estava paralisado. Sei como voc se sentiu.

    Ela baixou os olhos.

    Eu, hum... acho que eu devo dizer... As palavras pareciam estar pre-

    sas na sua garganta.

    No tinha certeza se algum dia na sua vida Clarisse dissera obrigada.

    No precisa se incomodar eu disse.

    Comecei a me afastar, mas ela me chamou.

    Percy?

    Sim?

    Quando voc, hum... teve aquela viso com seus amigos...

    Voc era um deles dei minha palavra. S no conte a ningum,

    est bem? Ou vou ter de matar voc.

    Um sorriso fraco passou pelo rosto de Clarisse.

    A gente se v.

    A gente se v.

    Eu me encaminhei para o metr. Aquele tinha sido um longo dia, e eu es-

    tava pronto para voltar para casa.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    e o

    Drago de Bronze

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Um drago pode arruinar o seu dia. Confie em mim, como semideus, j tive minha cota de experincias ruins.

    J apanhei, j fui apanhado, incendiado e envenenado. J lutei com drages de

    uma cabea, de duas, de oito, de nove e com um tipo de tantas cabeas que se

    tivesse parado para cont-las com certeza estaria morto.

    Mas e aquela vez com o drago e bronze? Sinceramente, achei que eu e

    meus amigos viraramos rao de drago.

    A noite comeou bem tranqila.

    Era final de junho. Eu tinha retornado de minha mais recente misso havia

    umas duas semanas, e a vida no Acampamento meio Sangue estava voltando ao

    normal. Stiros perseguiam ninfas. Monstros uivavam na floresta. Os campistas

    pregavam peas uns nos outros, Dionsio transformava em arbusto qualquer um

    que no se comportasse. Coisas tpicas de acampamento de vero.

    Depois do jantar, os campistas ficaram conversando no pavilho do refei-

    trio. Estvamos todos empolgados porque a captura da bandeira naquela noite

    seria totalmente cruel.

    Na noite anterior, o chal de Hefesto conseguira uma grande vitoria. Eles

    capturaram a bandeira de Ares com a minha ajuda, muito obrigado - o que sig-

    nificava que o chal de Ares viria atrs de sangue. Bem... eles sempre vem atrs

    de sangue, mas nessa noite estariam especialmente inspirados.

    Na equipe azul estavam o chal de Hefesto, Apolo, Hermes e eu, o nico

    semideus no chal de Poseidon. Por ora, a m noticia era que Atena e Ares, am-

    bos os chals de deuses da guerra, estavam contra ns na equipe vermelha, junto

    a Afrodite, Dionsio e Demeter. O chal de Atena guardava a outra bandeira, e

    minha amiga Annabeth era a sua capit.

    Annabeth no algum que voc gostaria de ter como adversria.

    Logo antes do jogo ela se virou para mim:

    Oi, Cabea de Alga.

    Quer parar de me chamar assim?

    Ela sabe que eu odeio esse nome, principalmente porque nunca consegui

    responder a altura. Ela filha de Atena o que no me d muitas opes. Quer

    dizer Cabea de Coruja e Sabidinha no so insultos de verdade.

    Voc sabe que adora.

    Ela bateu em mim com o ombro, o que imagino que era para ter sido um

    ato amigvel, mas ela usava uma armadura grega completa, ento, meio que do-

    eu. Seus olhos cinzentos brilharam sob o elmo. Seu rabo de cavalo louro descia

    em um cacho sobre um dos ombros. Era difcil algum ficar bonito numa arma-

    dura de combate, mas Annabeth conseguia.

    o seguinte ela baixou o tom de voz: ns vamos destruir vocs

    esta noite, mas se voc escolher uma posio segura... como o flanco direito, por

    exemplo... Garanto que no ser to massacrado.

    Uau, obrigado comecei , mas estou jogando para vencer.

    Ela sorriu

    A gente se v no campo de batalha.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Annabeth correu de volta para seus companheiros de equipe, que riram e a

    cumprimentaram tocando as mos espamaldas no alto. Eu nunca a tinha visto to

    feliz, como se a chance de me acertar fosse a melhor coisa que j acontecesse a

    ela.

    Beckendorf se aproximou com seu elmo embaixo do brao.

    Ela gosta de voc, cara.

    Com certeza murmurei. Gosta de mim como alvo.

    Que nada, elas sempre fazem isso. Se uma garota tenta matar voc, sai-

    ba que ela est na sua.

    Faz muito sentido.

    Beckendorf deu de ombros.

    Conheo essas coisas. Voc devia convid-la para os fogos.

    No conseguia descobrir se ele estava falando a serio. Beckendorf era

    conselheiro-chefe de Hefesto. Era uma cara enorme com uma carranca perma-

    nente, tinha msculos como um jogador de futebol americano profissional e as

    mos cheias de calos do trabalho nas forjas. Acabara de completar dezoito anos e

    ia para a Universidade de Nova York no outono. Por ele ser mais velho, eu cos-

    tumava ouvi-lo sobre as coisas, mas a ideia de convidar Annabeth para os fogos

    do Quatro de Julho na praia tipo, o maior programa de vero fez meu esto-

    mago revirar.

    Ento, Silena Beauregard, a conselheira-chefe de Afrodite, passou por ns.

    Beckendorf tinha uma no to secreta queda por ela havia trs anos. Os cabelos

    dela eram longos e pretos e os olhos, grandes e castanhos. Quando ela andava os

    caras se viravam para olhar.

    Boa sorte, Charlie disse ela. (Ningum nunca chamava Beckendorf

    pelo primeiro nome).

    Ela lanou para ele um sorriso brilhante e foi se juntar a Annabeth no time

    vermelho.

    Ah... Beckendorf engoliu em seco.

    Dei um tapinha em seu ombro.

    Obrigado pelo conselho, cara. Que bom que voc to sbio com as

    garotas e tudo mais. Venha. Vamos para a floresta.

    Naturalmente, Beckendorf e eu ficamos com o trabalho mais perigoso.

    Enquanto o chal de Apolo fazia a defesa com seus arcos, o chal de Her-

    mes ocupava o meio da floresta para distrair os adversrios. Nesse meio tempo,

    Beckendorf e eu exploraramos a rea do flanco esquerdo, localizaramos a ban-

    deira do inimigo, derrubaramos os defensores e levaramos a bandeira de volta

    para o nosso lado. Simples.

    Por que o flanco esquerdo?

    Por que Annabeth queria que eu fosse para o direito disse eu a Bec-

    kendorf. O que significa que ela no quer que a gente v para o esquerdo.

    Ele assentiu

    Vamos nos preparar.

    Beckendorf vinha trabalhando numa arma secreta para ns dois: uma ar-

    madura camuflada de bronze, encantada para se misturar ao ambiente. Se estivs-

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    semos diante de pedras, nossos peitorais elmos e escudos ficariam cinza. Se esti-

    vssemos em frente a arbustos, o metal mudaria sua cor para verde-folha. No

    era invisibilidade verdadeira, mas teramos um disfarce muito bom, pelo menos

    distncia.

    Essa coisa levou uma eternidade para ser forjada ele me disse.

    No a estrague!

    Pode deixar, Capito.

    Beckendorf rosnou. Eu diria que ele gostou de ter sido chamado de Capi-

    to. O restante dos campistas de Hefesto nos desejou boa sorte e ns nos embre-

    nhamos na mata, ficando imediatamente marrons e verdes como as arvores.

    Cruzamos o riacho que servia de fronteira entre as equipes. Ouvimos uma

    luta ao longe, espadas contra escudos. Notei um facho de luz vindo de alguma

    arma mgica, mas no vimos ningum.

    Nenhum guarda de fronteira? Beckendorf sussurrou. Estranho.

    Excesso de confiana supus.

    Mas fiquei incomodado, Annabeth era uma tima estrategista. No era do

    seu feitio ser desleixada com a defesa, mesmo que sua equipe fosse maior que a

    nossa.

    Avanamos territrio inimigo adentro. Eu sabia que precisvamos rpidos

    porque nossa equipe estava jogando na defesa, e isso no duraria para sempre. Os

    filhos de Apolo superados mais cedo ou mais tarde. O chal de Ares no seria

    detido por uma coisinha como arcos.

    Ns nos arrastamos pela base de um carvalho. Quase morri de susto quan-

    do o rosto de uma menina emergiu do tronco.

    Shhhh! disse ela. E ento desapareceu atrs de uma raiz.

    Ninfas do bosque resmungou Beckendorf Que irritante.

    Continuamos a avanar. Era difcil dizer exatamente onde estvamos. Al-

    guns limites se mantinham, como o riacho, certos rochedos e algumas arvores

    muito antigas, mas a floresta tendia a transformar. Acho que os espritos da natu-

    reza ficavam inquietos. Caminhos mudavam. Arvores se mexiam.

    De repente, estvamos nas bordas de uma clareira. Percebi que estvamos

    encrencados quando vi a montanha de sujeira.

    Santo Hefesto murmurou Beckendorf A Colina das Formigas.

    Quis voltar e correr. Eu nunca havia visto a Colina das Formigas, mas ti-

    nha ouvido historias de campistas mais velhos. O monte que chegava quase ao

    topo das arvores quatro historias no mnimo. Suas laterais eram perfuradas por

    tneis que se espalhavam para dentro e para fora onde milhares de...

    Myrmekos murmurei.

    Era formigas em grego antigo, mas aquelas coisas eram mais que isso.

    Elas fariam qualquer exterminador ter um ataque cardaco.

    Os Myrmekos eram do tamanho de pastores alemes. Suas cabea blinda-

    das cintilavam em vermelho-sangue. Os olhos brilhavam como contas pretas e as

    mandbulas anavalhadas cortavam e estalavam. Alguns carregavam ramos de

    arvores. Outros levavam pedaos de carne crua, e eu no queria nem pensar de

    onde aquilo vinha. A maioria carregava pedaos de metal: armaduras antigas,

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    espadas, pratos do refeitrio at ali. Uma formiga estava arrastando uma lustrosa

    capota preta de um carro esporte.

    Elas adoram metal brilhante Beckendorf sussurrou Principalmen-

    te ouro. Ouvi dizer que elas tem mais no ninho do que Fort Knox ele soou

    invejoso.

    Nem pense nisso.

    Cara no estou pensando nada prometeu ele. Vamos sair daqui

    enquanto ns...

    A quinze metros de distancia, duas formigas lutavam para arrastar um e-

    norme pedao de metal em direo ao ninho. Era do tamanho de uma geladeira,

    todo feito de ouro e bronze reluzente, com salincias e pontas pela lateral e um

    ramo de fios preso na base, As formigas giraram a coisa e vi sua face.

    Quase morri de susto

    Aquela uma...

    Shhh! Beckendorf me puxou de volta para os arbustos.

    Mas aquela uma...

    Cabea de drago disse ele em tom reverente Sim. Estou vendo.

    O focinho era to longo quanto meu corpo. A boca estava aberta e mostra-

    va dentes de metal, como os de um tubaro. A pele era uma combinao de es-

    camas de ouro e bronze e os olhos eram rubis to grandes quanto meus punhos.

    A cabea parecia ter sido cortada do corpo por mandbulas de formigas. Havia

    fios cortados e emaranhados.

    A cabea tambm devia ser pesada, porque as formigas se esforavam,

    mas s conseguiam mov-la alguns centmetros a cada puxo.

    Se elas levarem a cabea at o monte, as outras ajudaro disse Bec-

    kendorf Precisamos impedi-las.

    O que? perguntei Por qu?

    Este um sinal de Hefesto. Venha!

    Eu no sabia a que Beckendorf se referia, mas nunca o vira to determina-

    do. Ele correu pela margem da clareira, sua armadura se confundindo com as ar-

    vores.

    Eu estava prestes a segui-lo quando alguma coisa pontuda e fria pressionou o

    meu pescoo.

    Surpresa! disse Annabeth, bem a meu lado.

    Ela devia estar usando o seu bon mgico dos Yankees porque es-

    tava totalmente invisvel.

    Tentei me mexer, mas ela colocou a faca embaixo do meu queixo.

    Silena surgiu da floresta com a espada desembainhada. Sua armadura de Afrodite

    era rosa e vermelha, cores escolhidas para combinar com as roupas e a maquia-

    gem. Ela parecia uma Barbie Guerreira.

    Bom trabalho disse ela a Annabeth.

    Mos invisveis confiscaram a minha espada. Annabeth tirou seu bon e

    apareceu diante de mim, com um sorriso presunoso.

    Garotos so to fceis de seguir. Eles fazem mais barulho do que um

    Minotauro apaixonado.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Senti meu rosto quente. Tentei relembrar os fatos na esperana de no

    ter dito nada embaraoso. Era impossvel saber por quanto tempo Annabeth e

    Silena nos espionaram.

    Voc o nosso prisioneiro anunciou Annabeth. Vamos pegar

    Beckendorf e...

    Beckendorf!

    Por meio segundo eu o tinha esquecido, mas ele ainda avanava, direta-

    mente para a cabea do drago. J estava a doze metros de distancia. Ele no no-

    tara as garotas, ou o fato de que eu no estava atrs dele.

    Vamos! disse eu a Annabeth

    Ela me puxou de volta.

    Aonde voc pensa que vai prisioneiro?

    Veja!

    Beckendorf saltou e atingiu uma das formigas. Sua espada tiniu contra a

    carapaa da coisa. A formiga se virou, estalando as pinas. Antes mesmo que eu

    pudesse avis-lo ela mordeu a perna de Beckendorf e ele caiu ferido no cho.

    Uma segunda formiga borrifou uma gosma em seu rosto, e Beckendorf gritou.

    Ele deixou a espada cair e esfregava os prprios olhos loucamente.

    Eu me dirigi para alcan-lo, mas Annabeth me puxou de volta.

    No!

    Charlie! berrou Silena

    No disse Annabeth entre os dentes J tarde demais.

    Do que voc est falando? eu quis saber Ns precisamos...

    Ento notei mais e mais formigas se aproximando de Beckendorf... dez,

    vinte. Elas o agarraram pela armadura e o afastaram to rpido em direo coli-

    na que ele foi varrido para dentro do tnel e sumiu.

    No! Silena empurrou Annabeth Voc deixou que eles levassem

    Charlie!

    No h tempo para discusso disse Annabeth Vamos!

    Pensei que ela fosse nos liderar numa ao para salvar Beckendorf, mas

    em vez disso, ela correu para a cabea do drago, que as formigas haviam esque-

    cido momentaneamente. Ela agarrou pelos fios e comeou a arrast-la para a flo-

    resta.

    O que voc est fazendo? eu quis saber Beckendorf...

    Ajude-me Annabeth rosnou Rpido, antes que elas voltem.

    Ah, meus deuses! disse Silena Voc est mais preocupada com

    esse monte de metal do que com Charlie?

    Annabeth girou nos calcanhares e a sacudiu pelos ombros.

    Escute Silena! Aqueles so Myrmekos. Eles so como formigas-de-

    fogo, s que cem vezes pior. Eles picam injetando veneno. Eles borrifam acido.

    Eles se comunicam com todos os outros e enxameiam qualquer coisa que os a-

    meace. Se avanssemos at l para ajudar Beckendorf, seriamos arrastados para

    dentro tambm. Vamos precisar de ajuda muita ajuda para traz-lo de vol-

    ta. Agora agarre alguns fios e puxe.

    No sabia o que Annabeth pretendia, mas eu j tinha vivido aventuras o

    bastante com ela para saber que devia haver uma boa razo para fazer o que ela

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    dizia. Ns trs rebocamos a cabea de metal do drago para o meio da floresta.

    Annabeth no nos deixou parar at que estivssemos a quarenta e cinco metros

    da clareira. Ento, camos de cansao, suando e respirando com dificuldade.

    Silena comeou a chorar.

    Ele provavelmente j est morto.

    No Annabeth retrucou Elas no vo mat-lo agora. Temos cerca

    de meia hora.

    Como voc sabe disso? perguntei

    Li sobre os Myrmekos. Eles paralisam a presa para que possam amaci-

    -la antes de...

    Silena gemeu.

    Precisamos salv-lo!

    Silena, vamos salv-lo, mas preciso que voc se controle disse An-

    nabeth Existe uma chance.

    Chame os outros campistas eu disse ou Quron. Quron saber o

    que fazer.

    Annabeth balanou a cabea.

    Eles esto espalhados por toda a floresta. Quando tivermos todos aqui

    de volta, poder ser tarde demais. Alem disso, nem mesmo todo o acampamento

    seria suficiente forte para invadir a Colina das Formigas.

    E ento?

    Annabeth apontou para a cabea do drago.

    T. Voc vai assustar as formigas com um grande boneco de metal?

    um autnomo informou ela.

    Isso no fez com que eu me sentisse muito melhor. Autmatos eram robs

    de bronze mgicos feitos por Hefesto. A maioria deles eram maquinas assassinas

    enlouquecidas, e isso quando eram boazinhas.

    E da? s uma cabea. Est quebrado.

    Percy, esse no um autmato qualquer retrucou Annabeth o

    drago de bronze. Voc no conhece as historias?

    Eu a encarei, sem entender. Annabeth est no acampamento h muito mais

    tempo do que eu. Ela provavelmente conhece toneladas de historias que eu no

    conheo.

    Os olhos de Silena se arregalaram.

    Voc est falando do antigo guardio? Mas essa s uma lenda.

    Epa! Que antigo guardio?

    Annabeth inspirou profundamente.

    Percy, no tempo anterior ao pinheiro de Thalia, antes do acampamento

    ter fronteiras mgicas, para manter os monstros afastados, os conselheiros tenta-

    ram inmeras maneiras diferentes para se proteger. A mais famosa foi o drago

    de bronze. O chal de Hefesto o fez com a bno de seu pai. Supostamente ele

    era to feroz e poderoso que manteve o acampamento a salvo por mais de uma

    dcada. E, ento... h cerca de quinze anos, ele desapareceu na floresta.

    E voc acha que essa cabea a dele?

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tem de ser! Provavelmente os Myrmekos o desenterraro quando pro-

    curavam metais preciosos. Eles no puderam mover a coisa toda, ento, cortaram

    a cabea com os dentes. O corpo no pode estar muito longe.

    Mas eles separaram totalmente a cabea. intil.

    No necessariamente.

    Os olhos de Annabeth se estreitaram e eu podia jurar que seu crebro fazia

    um esforo extra.

    Ns poderamos reunir as partes. Se pudssemos ativ-lo...

    Ele poderia nos ajudar a resgatar Charlie! Silena concluiu.

    Espere ai disse eu So muitos ses. Se ns o encontramos, se o

    reativarmos a tempo, se ele nos ajudar. Voc disse que essa coisa desapareceu a

    quinze anos?

    Annabeth fez que sim.

    Alguns dizem que seu motor pifou pelo uso ento ele foi para a floresta

    se desativar. Ou que seu programa perdeu o controle. Ningum sabe.

    Voc quer reativar um drago de metal descontrolado?

    Ns precisamos tentar! insistiu Annabeth a nica esperana pa-

    ra Beckendorf! Alem disto, este pode ser um sinal de Hefesto. O drago deve

    querer ajudar um dos filhos de Hefesto. Beckendorf ia querer que ns tentsse-

    mos.

    No gostei da idia. Por outro lado, eu no tinha uma sugesto melhor.

    Nosso tempo estava acabando e Silena entraria em choque se no fizssemos al-

    guma coisa logo. Beckendorf tinha dito algo sobre um sinal de Hefesto. Talvez

    estivesse na hora de descobrir.

    Certo concordei Vamos em busca de um drago sem cabea.

    Procuramos por uma eternidade. Ou talvez tenha sido apenas uma sensa-

    o, porque o tempo todo fiquei imaginado Beckendorf na Colina das Formigas,

    amedrontado e paralisado, enquanto um bando de seres em armaduras o cerca-

    vam, esperando que ele estivesse mais macio.

    No era difcil seguir as trilhas das formigas. Elas haviam arrastado a ca-

    bea do drago pela floresta, deixando um sulco profundo na lama. E ns arras-

    tamos a cabea de volta pelo caminho de onde as formigas tinham vindo.

    Devamos ter percorrido uns vinte metros e comecei a me preocupar

    com o nosso tempo , quando Annabeth disse Di immortales.

    Chegamos a beira de uma cratera, como se alguma coisa tivesse aberto um

    buraco do tamanho de uma casa no cho. As laterais irregulares e pontilhadas de

    razes, amontoado de metal brilhava no meio da sujeira. Fios saiam de um tronco

    de bronze em uma das extremidades.

    O pescoo do drago conclui Voc acha que as formigas fizeram

    essa cratera?

    Annabeth balanou a cabea.

    Parece mais como uma exploso de meteoros...

    Hefesto disse Silena O deus deve ter desenterrado isso. Hefesto

    queria que nos encontrssemos o drago. Ele queria que Charlie... Ela estava

    em choque.

    Venham convoquei Vamos reconectar esse bad-boy.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Levar a cabea do drago para o fundo foi fcil. Ela caiu direto pela desci-

    da e atingiu o pescoo com um sonoro e metlico BONK! Reconectar foi mais

    difcil.

    Annabeth se enrolou com os fios e xingou em grego antigo.

    Precisamos de Beckendorf. Ele poderia fazer isso em segundos.

    A sua me no a deus a dos inventos perguntei.

    Annabeth me olhou furiosa.

    , mas isso diferente. Sou boa com idias. No com mecnica.

    Se eu fosse escolher algum no mundo para recolocar minha cabea no

    lugar, escolheria voc.

    Eu simplesmente soltei aquilo para passar confiana a ela, eu acho

    mas imediatamente depois percebi que a frase soara bem estpida.

    Awmmm... Silena fungou e secou os olhos Percy isso to fofo.

    Annabeth corou.

    Cala a boca, Silena. Passe a sua adaga para mim

    Tive medo que Annabeth fosse me esfaquear. Em vez disso ela usou a a-

    daga como uma chave de fenda para abrir um painel no pescoo do drago.

    Assim no vamos chegar a lugar algum disse ela.

    Ento ela comeou a unir os fios de bronze celestial.

    Isso levou um logo tempo. Muito longo.

    Calculei que aquela altura, a captura da bandeira devia ter acabado. Ima-

    ginei quanto tempo levaria para que os outros campistas dessem pela nossa falta

    e viessem nos procurar. Se os clculos de Annabeth estavam corretos (e eles

    sempre estavam), provavelmente Beckendorf teria ainda cinco ou dez minutos

    antes de as formigas o atacarem.

    Finalmente, Annabeth se levantou e expirou o ar de seus pulmes com

    fora. Suas mos estavam arranhadas e sujas. As unhas estavam estragadas. Ha-

    via uma linha marrom, onde o drago cuspira graxa.

    Certo, est pronto, eu acho...

    Voc acha? Silena perguntou.

    Tem de estar pronto disse eu Nosso tempo est acabando. Como

    ns, ahn, ligamos isso? Ele tem algum boto ou coisa parecida?

    Annabeth apontou para os olhos de rubi do drago.

    Eles se movem em sentido horrio. Acho que devemos gir-los.

    Se algum rodasse meus globos oculares, eu acordaria concordei

    E se ele se enfurecer com a gente?

    Ento... estamos mortos Annabeth respondeu.

    timo devolvi Isso animador.

    Juntos, giramos os olhos de rubi do drago. Imediatamente eles comea-

    ram a brilhar. Eu e Annabeth nos afastamos to rpido, que camos um por cima

    do outro. A boca do drago se abriu, como se testasse o maxilar. A cabea se vi-

    rou e olhou para ns. Vapor emanou das orelhas e ele tentou se levantar.

    Quando descobriu que no podia se mexe o drago pareceu confuso. Ele

    ergueu a cabea e observou a sujeira. Finalmente, entendeu que estava enterrado.

    O pescoo se estendeu uma vez, duas... e o centro da cratera estourou.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    O drago se levantou, desajeitadamente, sacudindo montes de lama do

    corpo como um cachorro e nos respingando dos ps a cabea. O autmato era to

    incrvel que nenhum de ns conseguia falar. Quer dizer, claro que ele precisaria

    de uma passadinha num lava jato e havia alguns fios soltos aqui e ali, mas o cor-

    po do drago era maravilhoso, como um tanque ultramoderno com pernas. Suas

    laterais eram chapeadas com escamas de bronze e de ouro, com pedras preciosas

    incrustadas. As pernas eram do tamanho de trs caminhes e os ps tinham gar-

    ras de ao. Ele no tinha assas a maioria dos drages gregos no tm mas

    a cauda era no mnimo to longa quanto a parte principal do corpo, que era do

    tamanho de um nibus escolar. O pescoo rangeu e estalou quando ele virou a

    cabea para o cu e soprou uma coluna de fogo triunfante.

    Bom... eu disse baixinho ainda funciona.

    Infelizmente ele me ouviu. Aqueles olhos de rubi fixaram-se em mim e

    seu focinho estacou a cinco centmetros do meu rosto. Instintivamente busquei

    minha espada.

    Drago, pare! Silena gritou.

    Eu estava impressionado por ela ainda ter voz. Falou com tanta deciso

    que o autmato desviou a ateno para ela.

    Silena engoliu em seco, nervosa.

    Ns o acordamos para defender o acampamento. Voc se lembra? Esse

    o seu trabalho!

    O drago inclinou a cabea, como se pensasse. Imaginei que Silena tinha

    cinqenta por cento de chances de levar uma raja de fogo. Eu considerava hip-

    teses de pular no pescoo da coisa e distra-la, quando Silena continuou.

    Charles Beckendorf, filho de Hefesto, est com problemas. Os Myrme-

    kos o levaram. Ele precisa de sua ajuda.

    Ao som da palavra Hefesto, o pescoo do drago se ajeitou. Um tremor

    percorreu seu corpo de metal, jogando uma nova chuva de metal sobre ns.

    O drago olhou como se tentasse encontrar o inimigo.

    Ns precisamos mostrar a ele. disse Annabeth . Venha drago!

    Por esse caminho at o filho de Hefeto! Siga-nos!

    Assim, ela desembainhou sua espada e ns trs samos do buraco.

    Por Hefesto Annabeth gritou o que foi uma idia legal. Avanamos

    pela floresta. Quando olhei para trs, o drago de bronze estava bem na nossa

    cola, os olhos vermelhos brilhavam e saa fumaa de suas narinas.

    Ele era um bom incentivo para continuarmos correndo enquanto nos diri-

    gamos em direo a Colina das Formigas.

    Quando chegarmos clareira o drago parecia ter sentido o cheiro de

    Beckendorf. Ele nos ultrapassou e tivemos de sair do caminho para no sermos

    achatados. Ele batia contra as arvores, as articulaes rangia e os ps deixavam

    crateras no solo.

    Ele avanou direto para a Colina das Formigas. No inicio os Myrmekos

    no entenderam o que acontecia. O drago pisou em alguns deles, transforman-

    do-os em suco de inseto. Ento, a rede teleptica das formigas pareceu se ativar,

    como se dissesse: Drago gigante. Mau!

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Todas as formigas da clareira se viraram ao mesmo tempo e rodearam o

    drago. Mais delas transbordavam da colina, centenas. O drago cuspiu fogo e

    uma fileira inteira de formigas bateu em retirada, em pnico. Quem diria que

    formigas eram inflamveis? Porem mais delas continuavam vindo.

    Para dentro, agora! Annabeth comandou Enquanto elas esto

    concentradas no drago!

    Silena liderou a movimentao era a primeira que eu seguia uma filha

    de Afrodite numa batalha. Passamos pelas formigas correndo, mas elas nos igno-

    raram. Por alguma razo, elas pareciam considerar o drago uma ameaa maior.

    Vai entender.

    Mergulhamos no tnel mais prximo e eu quase vomitei com o fedor. Na-

    da, nada mesmo, cheira to mal quanto uma toca gigante de formigas. Eu poderia

    jurar que elas deixavam a comida apodrecer antes de com-la. Algum precisava

    seriamente contar para elas que existem geladeiras.

    Nossa jornada l dentro foi um borro escuro de ambientes mofados forra-

    dos com carapaa de formigas velhas e piscina de gosma. Formigas agitavam-se

    passado por ns a caminho da batalha. Mas apenas dvamos um passo para o

    lado e as deixvamos passar. O fraco brilho de bronze da minha espada nos deu

    luz enquanto seguamos para a profundeza do ninho.

    Vejam! Apontou Annabeth.

    Espiei uma sala lateral e meu corao falhou uma batida. Pendurados no

    teto estavam enormes sacos gosmentos larvas de formiga, eu acho , mas

    no foi isso que chamou minha ateno. O cho da gruta estava cheio de moedas

    de ouro, pedras preciosas e outros tesouros como capacetes, espadas, instrumen-

    tos musicais, jias. Brilhavam como se fossem objetos mgicos.

    Essa s uma sala Annabeth comentou Provavelmente existem

    centenas de berrios aqui embaixo decorados com tesouros.

    Isso no importante Silena insistiu Temos de encontrar Charlie.

    Outra primeira vez: uma filha de Afrodite que no estava interessada em

    jias.

    Seguimos em frente. Depois de mais de uns seis metros, entramos em uma

    caverna que cheirava to mal, que meu nariz se fechou completamente. Os restos

    de refeies velhas estavam numa pilha to alta quanto, dunas de areia: ossos,

    montes de carne estragada, at antigas refeies do acampamento. Acho que as

    formigas faziam incurses a pilha de restos do refeitrio e roubavam nossas so-

    bras. Na base de uma pilha, esforando-se para manter-se ereto, via-se Becken-

    dorf. Ele estava horrvel em parte porque sua armadura camuflada agora era da

    cor do lixo.

    Charlie! Silena correu para ele e tentou puxa-lo.

    Graas aos deuses disse ele. Minhas... minhas pernas esto para-

    lisadas!

    Isso vai passar disse Annabeth. Mas temos de tirar voc daqui.

    Percy, pegue-o pelo outro lado.

    Eu e Silena suspendemos Beckendorf e ns quatro comeamos a voltar pe-

    los tneis. Eu podia ouvir sons distintos de batalha: metal rangendo, rugidos de

    fogo, centenas de formigas mordendo e cuspindo.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    O que est acontecendo l fora? Beckendorf quis saber. Seu corpo

    se enrijeceu O drago! Vocs no... o reativaram, n?

    Acho que sim respondi Pareceu a nica opo.

    Mas vocs no podem simplesmente ligar um autmato! Vocs tem de

    calibrar ao motor, processar um diagnostico... No h como prever o que ele vai

    fazer! Temos de ir ate l!

    Acabou que no precisamos ir a lugar nenhum, porque o drago veio ate

    ns. Tentvamos lembrar qual tnel levava a sada quando a colina inteira explo-

    diu, cobrindo-nos de sujeira. De repente, estvamos olhando para cu aberto. O

    drago estava exatamente acima de ns. Golpeava para frente e para trs e redu-

    zia a Colina das Formigas a p enquanto tentava se livrar dos Myrmekos espa-

    lhados pelo corpo.

    Vamos gritei.

    Cavamos para fora da sujeira e camos aos tropeos pela lateral da colina,

    puxando Beckendorf conosco.

    Nosso amigo drago estava com problemas. Os Myrmekos mordiam as ar-

    ticulaes de sua armadura, cuspindo acido sobre ela. O drago pisoteava, estala-

    va e soltava chamas, mas no resistiria muito mais. Fumaa saia de sua cabea de

    bronze.

    Para piorar, algumas formigas se voltaram para ns. Acho que no gosta-

    ram de termos roubado seu jantar. Eu retalhei uma e cortei sua cabea. Annabeth

    apunhalou outra bem em meio s antenas. Assim que o bronze celestial penetrou

    a carapaa da formiga, ela se desintegrou completamente.

    Eu... eu acho que consigo andar agora disse Beckendorf, e imedia-

    tamente caiu de cara no cho quando o soltamos.

    Charlie!

    Silena o ajudou a se levantar e o puxou com dificuldade enquanto eu e

    Annabeth abramos caminho entre as formiga. De alguma maneira conseguimos

    atingir a margem da clareira sem sermos mordidos ou cuspidos, embora um dos

    meus tnis estivesse soltando fumaa por causa do acido.

    Ainda na clareira, o drago tropeou. Uma grande nuvem de nvoa cida

    irritava sua couraa.

    No podemos deix-lo morrer! disse Silena

    muito perigoso retrucou Beckendorf , triste sua rede eltrica ...

    Charlie implorou Silena , ele salvou sua vida! Por favor, por mim.

    Beckendorf hesitou. Seu rosto ainda estava muito vermelho por causa da

    saliva das formigas, e ele tinha a aparncia de quem ia desmaiar a qualquer mo-

    mento, mas se esforava para manter em p.

    Preparem-se para correr comandou ele. Ento observou a clareira e ber-

    rou: DRAGO! Defesa emergencial, beta ATIVAR!

    O drago se virou na direo do som da voz de Beckendorf. Ele parou de

    lutar contra as formigas, e seus olhos brilharam. O ar se encheu do cheiro de o-

    znio, como antes de uma tempestade com raios e trovoes.

    ZZZZZZZAAAAAAPPPPP!

    A pele do drago lanou descargas eltricas em ondas para cima e para

    baixo do seu corpo, conectando-o com as formigas. Algumas delas explodiram.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Outras queimaram, ficaram pretas e contorceram as patas. Em poucos segundos,

    no havia mais formigas sobre o drago. As que ainda estavam vivas bateram em

    franca retirada, escapando de volta para a colina arruinada enquanto raios eltri-

    cos atingiam-nas no traseiro, apressando-as.

    O drago urrou triunfante. Ento, ele virou os olhos brilhantes para ns.

    Agora disse Beckendorf , nos corremos.

    Desta vez no gritamos Por Hefeto!. Gritamos Socoooooorro!.

    O drago veio nos golpear, vomitando fogo e lanando raios sobre as nos-

    sas cabeas como se estivesse se divertindo muito.

    Como se para essa coisa? gritou Annabeth.

    Beckendorf, cujas pernas agora estavam boas (nada como ser perseguido

    por um monstro enorme para o corpo ficar em ordem), sacudiu a cabea e arfou.

    Vocs no deveriam t-lo ligado! Ele instvel! Depois de alguns a-

    nos, autmatos ficam descontrolados!

    Bom saber gritei Mas como se desliga?

    Beckendorf olhou em volta freneticamente.

    L.

    Uma enorme formao rochosa estava nossa frente, quase to alta quan-

    to as rvores. A floresta era cheia de pedras estranhas, mas eu nunca tinha visto

    uma assim. Tinha o formato de uma rampa de skate gigante, inclinada em um dos

    lados e com uma descida ngreme do outro.

    Corram acompanhando a base do despenhadeiro disse Beckendorf

    Distraiam o drago. Mantenham-no ocupado!

    O que voc vai fazer? quis saber Silena

    Voc ver. Vo!

    Beckendorf sumiu atrs de uma arvore enquanto eu virei e gritei para o

    drago:

    Ei boca de jacar! Seu bafo tem cheiro de gasolina!

    O drago soltou fumaa pelas narinas. Ele avanou para cima de mim, sa-

    cudindo o cho.

    Vamos! Annabeth agarrou minha mo. Corremos para trs do des-

    penhadeiro. O drago nos seguiu. Precisamos segur-lo aqui disse ela. Ns

    trs preparamos nossas espadas.

    O drago nos alcanou e cambaleou ate parar. Ele inclinou a cabea como

    se no acreditasse que seriamos to burros a ponto de lutar. Agora que nos alcan-

    ara, havia tantas maneiras diferentes de nos matar que Le provavelmente no

    conseguia decidir.

    Ns nos separamos quando a primeira rajada de fogo transformou o peda-

    o do cho prximo a ns num buraco de cinzas.

    Ento, vi Beckendorf sobre ns, no alto do despenhadeiro, e entendi o que

    ele tentava fazer. Ele precisava de um alvo limpo. Eu tinha de prender a ateno

    do drago.

    I! Avancei. Enfiei Contracorrente na pata do drago e cortei

    uma garra.

    Sua cabea rangeu enquanto olhava para baixo, para mim. Ele parecia

    mais confuso que enraivecido, tipo: Porque voc arrancou o meu dedo?

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Ento, ele abriu a boca, revelando uma centena de dentes pontiagudos.

    Percy! Annabeth me advertiu.

    Mantive minha posio.

    S mais um segundo...

    Percy!

    E exatamente quando o drago ia me atacar. Beckendorf se lanou nas

    rochas e aterrissou no pescoo do autmato.

    O drago empinou-se e soltou chamas, tentando sacudir Beckendorf, mas

    ele se segurou como um caubi ao mesmo tempo em que o monstro dava cabe-

    adas a esmo. Eu observava, fascinado, enquanto Beckendorf abria a fora um

    painel na base da cabea do drago e arrancava um fio.

    Instantaneamente, o drago congelou. Seus olhos ficaram opacos. De re-

    pente, ele era s uma estatua de bronze mostrando os dentes para o cu.

    Beckendorf deslizou pelo pescoo do drago. Ele desabou ao chegar a

    cauda, exausto e respirando com dificuldade.

    Charlie! Silena correu at ele e lhe deu um longo beijo no pescoo.

    Voc conseguiu!

    Annabeth veio at mim e apertou meu ombro de leve.

    Ei, cabea de Alga, voc est bem?

    Sim... eu acho.

    Eu pensava em quo perto eu cheguei de virar um semideus modo na bo-

    ca do drago.

    Voc foi timo.

    O sorriso de Annabeth era muito melhor do que o daquele drago idiota.

    Voc tambm disse eu, trmulo. Ento... o que fazemos com o

    autmato?

    Beckendorf secou a testa. Silena ainda cuidava dos cortes e machucados

    dele, que parecia bem distrado com toda aquela ateno.

    Ns... ... eu no sei respondeu ele. Talvez possamos consert-lo,

    faz-lo proteger o acampamento, mas isso poderia levar messes.

    Vale tentar comentei.

    Imaginei termos aquele drago de bronze na nossa luta contra Cronos, o

    Senhor dos Tits. Seus monstros pensariam duas vezes antes de atacar o acam-

    pamento se tivessem de encarar aquela coisa. Por outro lado, se o drago decidis-

    se ser um brbaro furioso de novo e atacasse os campistas... isso seria muito pior.

    Voc viu todo aquele tesouro na Colina das Formigas? Beckendorf

    perguntou. As armas mgicas? A armadura? Aquelas coisas realmente poderi-

    am nos ajudar.

    E os braceletes Silena comentou. E todos os colares.

    Estremeci s de lembrar o cheiro daqueles tneis.

    Acho que essa uma aventura para depois. Seria necessrio um exerci-

    to de semideuses somente para chegar perto daquele tesouro.

    Talvez ponderou Beckendorf Mas que tesouro...

    Silena estudou o drago paralisado.

    Charlie, essa foi a coisa mais corajosa que eu j vi... voc pulando na-

    quele drago.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Beckendorf engoliu em seco.

    Hum... . Ento... voc quer ir aos fogos comigo?

    O rosto de Silena se animou.

    Claro, seu tolinho! Pensei que nunca fosse me convidar!

    De repente Beckendorf pareceu estar muito melhor.

    Bom, vamos voltar, ento! Aposto que a captura da bandeira j acabou.

    Tive de ir descalo, porque o cido corroeu completamente meu sapato.

    Quando o joguei fora percebi que a gosma tinha ensopado minha meia e deixado

    meu p em carne viva. Eu me apoiei em Annabeth e ela me ajudou a seguir pela

    floresta coxeando.

    Beckendorf e Silena caminhavam nossa frente, de mos dadas, e ns os

    deixamos vontade.

    Observando os dois, com meu brao em volta de Annabeth para me apoi-

    ar, me senti bastante desconfortvel. Silenciosamente amaldioei Beckendorf por

    ele ser to corajoso, e no estou me referindo a enfrentar o drago. Depois de trs

    anos, ele finalmente encontrou coragem para convidar Silena Beauregard para

    sair. Isso no era justo.

    Sabe Annabeth comeou a dizer enquanto nos esforvamos para

    andar , essa no foi a coisa mais corajosa que eu j vi.

    Pisquei. Ser que ela lia meus pensamentos?

    Hum... o que voc quer dizer?

    Annabeth segurou meu pulso quando passamos desajeitados por um cr-

    rego raso.

    Voc encarou o drago para que Beckendorf tivesse a chance de pu-

    lar... isso foi corajoso.

    Ou muito idiota.

    Percy voc um cara corajoso afirmou ela. Apenas aceite o elo-

    gio. to difcil assim?

    Nossos olhares se encontraram. Nossos rostos estavam, tipo, a cinco cen-

    tmetros de distancia um do outro. Senti o peito meio esquisito, como se meu co-

    rao tentasse fazer polichinelos.

    Ento... comecei , acho que Silena e Charlie vo as fogos juntos.

    Acho que sim Annabeth concordou.

    ... continuei , hum sobre isso...

    No sei o que eu teria dito, mas, justo naquele instante, trs irmos de An-

    nabeth do chal de Atena brotaram dos arbustos com as espadas desembainhadas.

    Quando eles nos viram comearam a rir.

    Annabeth! um deles a chamou. Bom trabalho! Vamos prender

    esses dois.

    Eu o encarei.

    O jogo no acabou?

    O campista de Atena gargalhou.

    Ainda no... mas acabar logo, logo. Agora que capturamos voc.

    Cara, o que isso Beckendorf protestou Ns nos desviamos do

    jogo. Havia um drago e toda a Colina das Formigas nos atacou.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    A-h. outro garoto de Atena se manifestou claramente no impres-

    sionado timo trabalho distraindo os dois, Annabeth. Funcionou perfeitamen-

    te. Voc quer que ns os levemos a partir daqui?

    Annabeth se afastou de mim. Eu jurava que ela ia nos dar passe livre para

    a fronteira, mas ela desembainhou a espada e a apontou para mim com um sorri-

    so.

    No disse ela. Eu e Silena podemos fazer isso. Vamos, prisionei-

    ros. Mexam se.

    Eu a encarei pasmo.

    Voc planejou isso? Voc planejou a coisa toda s para nos manter fo-

    ra do jogo?

    Percy, serio como eu poderia ter planejado isso? O drago, as formi-

    gas... voc acha que eu poderia ter previsto tudo?

    Pode no parecer, mas essa Annabeth. Era impossvel conhec-la total-

    mente. Ento, Ela trocou olhares com Silena, e eu podia jurar que elas tentavam

    no rir.

    Voc... sua... comecei a dizer, mas no consegui pensar num nome

    forte o bastante para xing-la.

    Protestei por todo o caminho, at a priso, assim com Beckendorf. Era

    muito injusto sermos tratados como prisioneiros depois de tudo o que passamos.

    Mas Annabeth apenas sorriu e nos prendeu. Enquanto se dirigia de volta

    para a linha de frente, ela se virou e piscou.

    Vejo voc nos fogos?

    Ela nem esperou pela minha resposta antes de se lanar para a floresta.

    Olhei para Beckendorf.

    Ela acabou de... me convidar para sair?

    Ele deu de ombros completamente enojado.

    Quem vai entender as garotas? Prefiro encarar um drago descontrola-

    do.

    Ento, ns nos sentamos e esperamos as garotas ganharem o jogo.

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    Entrevista com CONNOR e TRAVIS STOLL,

    Filhos de Hermes

    Qual foi a melhor pea que vocs j pregaram em outro campista? Connor: A manga dourada! Travis: Ah, cara. Essa foi sensacional. Connor: Bom, ns pegamos uma manga e a pintamos com tinta spray dourada, certo? Escrevemos Para a mais gostosa nela e a deixamos no chal de Afrodite enquanto as garotas esta-vam na aula de arco e flecha. Quando voltaram, as garotas comearam a brigar pela manga, tentando descobrir qual de-las era a mais gostosa. Foi muito engraado. Travis: Sapatos Gucci voaram pelas janelas. As filhas de Afrodite rasgavam as roupas umas das outras e atiravam ba-tons e jias. Eram como um rebanho fantico de bonecas Bratz selvagens. Connor: ento, elas descobriram o que tnhamos feito e vie-ram atrs de ns. Travis: Aquilo no foi nada legal. Eu no sabia que elas faziam maquiagem permanente. Fiquei parecendo um palhao por um ms. Connor: . Elas jogaram uma maldio em mim que, no impor-tava o que eu vestisse, todas as minhas roupas ficavam dois tamanhos menores e eu me sentia um idiota. Travis: Voc um idiota. Quem vocs gostariam de ter em sua equipe para a captura da bandeira?

    IRMOS STOLL

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    Travis: Meu irmo, porque preciso ficar de olho nele. Connor: Meu irmo, porque no confio nele. Alm dele? Pro-vavelmente o chal de Ares. Travis: . Eles so fortes e fceis de manipular. A combi-nao perfeita. Qual a melhor parte de estar no chal de Hermes? Connor: Voc nunca est sozinho. Serio, novas crianas es-to sempre chegando. Ento voc sempre tem com quem conver-sar. Travis: Ou zoar. Connor: Ou roubar, uma grande famlia feliz.

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    Entrevista com CLARISSE LA RUE,

    Filha de Ares

    Com quem voc mais gostaria de arrumar uma briga no Acampa-mento Meio Sangue? Clarisse: Com qualquer um que atravesse o meu caminho, ot-rio. Ah, voc quer dizer especificamente? Muitas opes. Tem esse garoto novo do chal de Apolo. Michael Yew. Eu ia adorar quebrar seu arco na cabea dele. Ele pensa que o chal de Apolo melhor que o de Ares s porque eles podem usar armas de longo alcance e ficar longe da batalha como covardes. Sou mais uma lana e um escudo. Algum dia pode escrever, transformarei em p Michael Yew e todo o seu cha-l de bananas. Com exceo do seu pai, quem voc acha que o deus ou a deusa mais corajoso ou corajosa do Conselho Olimpiano? Clarisse: Bom, ningum chega perto de Ares, mas acho que o Senhor Zeus bastante corajoso, quer dizer, ele deu conta de Tifo e lutou contra Cronos. Claro que fcil ser cora-joso quando se tem um arsenal de raios superpoderosos. Sem querer ofender. Voc j se vingou de Percy por ele t-la ensopado com gua de privada? Clarisse: Ah, aquele intil anda se exibindo de novo, NE? No acredite nele. Ele exagerou a coisa toda. Acredite, a vingana se aproxima. Um dia desses, ele vai lamentar. Por que espero? Apenas estratgia. Aguardo os prximos aconte-cimentos e espero o momento certo para atacar. No estou assustada, ok? E sou capaz de quebrar os dentes de quem disser o contrario.

    CLARISSE

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    Entrevista com ANNABETH CHASE,

    Filha de Atena

    Se voc pudesse desenhar uma nova estrutura para o acampa-mento Meio Sangue, qual seria? Annabeth: Fico feliz que voc tenha perguntado. Precisamos seriamente de um templo. Aqui estamos ns, filhos dos deu-ses gregos, e no temos nem um monumento a nossos pais. Eu o colocaria no monte logo ao sul da Colina Meio Sangue, e o projetaria de tal forma que todas as manhs o sol nascen-te brilhasse pelas janelas e desenhasse smbolos dos deuses no cho, num dia uma guia, num outro uma coruja. Ele teria estatuas para todos os deuses, claro, e braseiros de bronze para queimar oferendas. Eu o faria com acstica perfeita, como o Carnegie Hall, para que tivesse concertos de lira e flauta l. Eu poderia continuar falando, mas acho que voc j entendeu Quron diz que ns temos que vender quatro mi-lhes de caminhes de morangos para pagar um projeto como esse, mas acho que valeria a pena. Com exceo de sua me, quem voc acha que o deus ou a deusa mais sbio ou sbia do Conselho Olimpiano? Annabeth: Ai, deixe-me pensar... hum. A questo que os olimpianos no so conhecidos exatamente por sua sabedoria, e digo isso com o mximo de respeito possvel. Zeus sbio a seu modo. Quer dizer, ele mantm a famlia unida por qua-tro mil anos, e isso no fcil. Hermes esperto. Ele ate fez Apolo de bobo uma vez, ao roubar o rebanho dele, e Apo-lo no nenhum negligente. Sempre admirei rtemis tambm. Ela no desonra suas crenas. Ela apenas cuida dos prprios assuntos e no perde muito tempo discutindo com os outros deuses do conselho. Ela ainda passa mais tempo no mundo mortal que a maioria dos deuses. Ento, entende o que acon-tece. Mas no compreende os garotos. Acho que ningum perfeito.

    ANNABETH

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    De todos os seus amigos do Acampamento Meio Sangue, quem voc mais gosta de ter ao seu lado numa batalha? Annabeth: Ah, Percy. Sem duvida. Quer dizer, claro que ele pode ser chato, mas confivel. Ele corajoso e um bom lutador. Geralmente, desde que eu diga o que fazer, ele vence uma luta. Sabemos que voc chama Percy de Cabea de Alga de vez em quando. Qual a caracterstica mais irritante dele? Annabeth: Bom, eu no o chamo assim porque ele brilhante, chamo? Quer dizer ele no burro. Na verdade ele bem in-teligente, mas age como burro as vezes. Fico pensando se ele no age desse jeito s para me chatear. O cara tem mui-tas coisas a seu favor. Ele corajoso. Tem senso de humor. bonito, mas no ouse contar isso a ele. Onde eu estava? Ah, sim, ele tem muitas coisas a seu favor, mas to... lento. Essa a palavra. Quer dizer, ele no enxerga coisas realmente obvias; por exemplo, o mo-do como as pessoas se sentem, mesmo quando voc d pistas a ele e totalmente explicito. O que? No, no me refiro a algum ou a algo em particular! S estou dando o depoimento geral. Por que todo mundo sempre pensa... Argh! Deixa para l!

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    Entrevista com GROVER UNDERWOOD,

    Stiro

    Que musica voc mais gosta de tocar na flauta? Grover: Ah, ... bem, isso um pouco embaraoso. Recebi um pedido uma vez de um rato almiscarado que queria ouvir Muskrat Love, sobre o amor de ratos almiscarados. Bom... aprendi a musica, e tenho de admitir que gostei de toc-la. Honestamente, ela no mais s para ratos almiscara-dos! Ela uma histria de amor muito doce. Fico com os o-lhos cheios dgua quando toco essa musica. Percy tambm, mas acho que porque ele est rindo de mim. Qual desses dois voc preferiria encontrar em um beco escu-ro: um ciclope ou o Sr. D furioso? Grover: B! Que tipo de pergunta foi essa? ... bem... eu preferiria encontrar o Sr. D obviamente, porque ele to... legal. Sim, carinhoso, generoso com todos ns, s-tiros. Todos ns o amamos. E eu no digo isso s porque ele sempre ouve e me faria em pedaos se eu falasse outra coi-sa. Na sua opinio, na natureza, qual o lugar mais bonito nos Estados Unidos? Grover: incrvel que ainda haja tantos lugares legais, mas gosto de Lake Placid, no norte do estado de Nova York. Muito bonito, especialmente num dia de inverno! E as ninfas do bosque de l... uau! Ah, espere, voc pode cortar essas parte? Jniper vai me matar. Latas de alumnio so realmente to gostosas assim? Grover: Minha velha vov cabra costumava dizer: Duas latas por dia para no ter monstros, a garantia. As latas tm vrios minerais, so muito nutritivas e sua textura maravilhosa. Verdade como no gostar? No tenho culpa se os dentes humanos no foram feitos para o trabalho pesado.

    GROVER

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    Entrevista com PERCY JACKSON, Filho de Poseidon

    Do que voc mais gosta nos veres do Acampamento Meio Sangue? Percy: De ver meus amigos, com certeza. muito legal vol-tar ao acampamento depois de um ano na escola. como vol-tar para casa. No primeiro do vero passeio pelos chals e Connor e Travis furam coisas da loja do acampamento, Silena discute com Annabeth, tentando mudar o seu estilo, e Cla-risse enfia as cabeas das crianas nas privadas. bom que algumas coisas nunca mudem. Voc freqentou muitas escolas diferentes. Qual a parte mais difcil de ser aluno novo? Percy: Fazer sua reputao. Quer dizer todo mundo quer se encaixar num grupo, certo? Mesmo que voc seja um nerd, um pit-boy ou o que for. Voc precisa deixar claro desde o principio que algum que eles podem importunar, mas voc tambm no pode ser um mala quanto a isso. Mas provavelmen-te no sou a melhor para dar conselhos. No consigo passar um ano sem ser expulso ou destruir alguma coisa. Se voc pudesse trocar Contracorrente pelo item mgico de algum, o de quem voc escolheria? Percy: Essa difcil, porque eu realmente me acostumei a Contracorrente. No consigo me imaginar sem aquela espada. Acho que seria mais legal ter um conjunto de armadura que se transformasse em roupas comuns. Vestir armadura muito ruim. pesada, quente. E no deixa voc exatamente na moda, entende? Ento, ter roupas que se metamorfoseassem em armadura seria realmente til. Mas eu ainda no estou muito certo de que trocaria minha espada por isso. Voc quase foi pego muitas vezes, mas qual foi o momento mais assustador?

    PERCY

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Percy: Vou te responder que foi a minha primeira luta com o Minotauro, no alto da Colina Meio Sangue, porque eu no sabia o que diabos estava acontecendo. Eu nem sabia o que era um semideus aquela altura. Pensei que tivesse perdido minha me para sempre, e estava preso numa colina debaixo de uma tempestade lutando contra esse sujeito meio touro enquanto Grover, desmaiado, gemia: Comida!. Foi aterrori-zante, cara. Algum conselho para crianas que suspeitam serem semideuses tambm? Percy: Rezem para estarem errados. Serio, pode parecer di-vertido ler sobre isso, mas no uma boa coisa. Se voc pensa mesmo que um semideus, encontre um stiro depressa. Voc normalmente pode ach-los em qualquer escola. Eles ri-em de um jeito esquisito e comem qualquer coisa. Eles podem andar engraado porque tentam esconder os cascos dentro de ps falsos. Encontre o stiro de sua escola e pea ajuda. Voc precisa chegar a o Acampamento Meio Sangue logo. Mas, de novo, voc no quer ser um semideus. No tente fa-zer isso em casa.

    PERCY

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Mapa do

    Acampamento

    Meio - Sangue

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Mapa do Acampamento

    Meio - Sangue

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Maleta de Annabeth Chase para

    o Acampamento Meio - Sangue

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    E a

    Espada de Hades

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    Passar o Natal no Mundo Inferior NO estava nos meus planos. Se soubesse o que estava por vir, teria inventado uma doena qualquer. Poderia

    ter enfrentado um exercito de demnios, uma luta com um tit ou uma cilada que quase

    lanou a mim e aos meus amigos na escurido eterna.

    Mas no, eu tinha que fazer a minha prova idiota de ingls. Ento l estava eu,

    no ultimo dia do semestre de inverno na Goode High School, sentado no auditrio com

    todos os outros calouros e tentando terminar a minha redao eu-no-li-o-livro-mas-

    estou-fingindo-que-li sobre Um conto de duas cidades, quando a sra. OLeary surgiu no

    palco, latindo loucamente.

    A sra. OLeary meu co infernal de estimao. Ela um monstro preto e pelu-

    do do tamanho de uma caminhonete Hummer com caninos afiados, garras cortantes

    como ao e olhos vermelhos brilhantes. Ela realmente doce, mas em geral fica no A-

    campamento Meio-Sangue, o lugar para o treinamento de semideuses. Eu estava um

    tanto surpreso de v-la no palco andando por entre as arvores de Natal, os duendes do

    Papai Noel e o restante do cenrio da pea de fim de ano.

    Todo mundo levantou os olhos para ver. Eu estava certo de que as outras crian-

    as entrariam em pnico e correriam para a sada, mas apenas comearam a cochichar e

    a rir. Algumas garotas disseram Awmm, fofinha!.

    Nosso professor de ingls, o dr. Boring (no estou brincando, o significado

    chato e esse o nome dele), ajeitou os culos e franziu o cenho.

    Tudo bem comeou ele , de quem o poodle?

    Suspirei aliviado, agradecendo aos deuses pela Nvoa o vu mgico

    que impede os humanos de verem as coisas como realmente so. Eu j a tinha

    visto distorcer a realidade muitas vezes, mas a sra. OLeary como um poodle?

    Essa foi impressionante.

    Hum, meu senhor respondi em voz alta Desculpe! Ela deve ter

    me seguido.

    Algum atrs de mim comeou a assobiar Mary tinha um carneirinho.

    Mais crianas aderiram ao coro.

    Chega! interrompeu o dr. Boring, rispidamente Percy Jackson,

    essa uma prova final. No posso ter poodles...

    AU!

    O latido da sra. OLeary sacudiu o auditrio. Ela abanou o rabo, derruban-

    do alguns duendes. Ento, inclinou-se sobre as patas dianteiras e me encarou co-

    mo se quisesse que eu a seguisse.

    Vou tir-la daqui dr. Boring prometi Eu j terminei mesmo.

    Fechei meu caderno de respostas e corri para o palco. A sra. OLeary se

    dirigiu para a sada e eu a segui enquanto as outras crianas ainda riam e grita-

    vam pelas minhas costas : At mais, menino poodle!.

    A sra. OLeary correu pela rua 81 Leste em direo ao rio.

    Devagar! gritei Aonde voc est indo?

    Recebi alguns olhares estranhos dos pedestres, mas estvamos em Nova

    York, e, afinal um garoto perseguindo um poodle provavelmente no era a coisa

    mais esquisita que eles j tinham visto.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    A sra. OLeary se manteve bem a minha frente, e se virou para latir de vez

    em quando como se dissesse: Mexa-se, lesma! Ela correu trs quadras para o nor-

    te, direto para dentro do parque Carl Schurz. Quando eu a alcancei, ela saltou

    uma cerca de ferro e desapareceu numa enorme parede de arbustos podados co-

    bertos de neve.

    Ei vamos l! reclamei.

    Eu no havia tido a chance de pegar o meu casaco na escola. J estava

    morrendo de frio, mas escalei a cerca e mergulhei na moita congelada.

    Do outro lado havia uma clareira: uns dois quilmetros de quadrados de

    grama congelada circundada por arvores sem folhas. A sra. OLeary cheirava o

    entorno, balanando a cauda loucamente. No percebi nada fora do comum. A

    minha frente o Rio East, cor de ao, flua preguiosamente. Nuvens de fumaa

    branca saiam do telhado no Queens. Atrs de mim, o Upper east Side se destaca-

    va frio e silencioso.

    Eu no tinha certeza do porque, mas minha nuca comeou a formigar. Pe-

    guei minha caneta esferogrfica e a destampei. Imediatamente, ela aumentou de

    tamanho at virar minha espada de bronze. Contracorrente. Sua lmina reluzia

    fracamente na luz do inverno.

    A sra. OLeary levantou a cabea. Suas narinas tremeram.

    O que foi garota sussurrei.

    Os arbustos farfalharam e um cervo dourado surgiu entre eles. Quando eu

    digo dourado, no quero dizer amarelo. Aquela coisa tinha o pelo metlico e chi-

    fres que pareciam genunos catorze quilates. Ele emitia uma aura de luz dourada,

    quase brilhante demais para se olhar diretamente. Era provavelmente a coisa

    mais bonita que eu j tinha visto.

    A sra. OLeary lambeu os beios como se estivesse pensando hambrguer

    de cevo! Ento, os arbustos farfalharam de novo e uma figura encapuzada saltou

    para a clareira, uma flecha engatada em seu arco.

    Levantei minha espada. A garota mirou em mim depois parou.

    Percy?

    Ela jogou para trs o capuz prateado de sua capa. Seus cabelos negros es-

    tavam mais longos do que eu lembrava, mas eu conhecia aqueles brilhantes olhos

    azuis e a fita prateada que a marcava como a primeira-tenente de rtemis.

    Thalia! exclamei O que est fazendo aqui?

    Seguindo o cervo dourado ela respondeu, como se isso fosse obvio

    o animal sagrado de rtemis. Entendi que era algum tipo de sinal. E, hum...

    v ela indicou a sra. OLeary com a cabea, nervosa. Voc quer me dizer o que

    aquilo est fazendo aqui?

    Aquilo meu bicho de estimao . Sra. OLeary,no! A Sra. OLeary estava cheirando o cervo, invadindo completamente o seu espa-

    o. O cervo tocou o co infernal no nariz. Logo em seguida, os dois estavam brincando

    de um estranho jogo de pega-pega pela clareira.

    Percy Thalia franziu o cenho Isso no pode ser uma coincidn-

    cia. Voc e eu no mesmo lugar e ao mesmo tempo?

    Ela estava certa. Semideuses no viviam de coincidncias, Thalia era uma

    boa amiga, mas eu no a via fazia um ano, e agora, de repente, ali estvamos ns.

    Algum deus est aprontando com a gente sugeri.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Provavelmente

    Bom ver voc, ms o assim.

    Ela sorriu de m vontade.

    T. Se sairmos dessa inteiros, pago um cheeseburger para voc. Como

    est Annabeth?

    Antes que eu pudesse responder, uma nuvem passou pelo sol. O cervo

    dourado tremeluziu e desapareceu, deixando a sra. OLeary latindo para um mon-

    te de folhas.

    Preparei minha espada. Thalia armou seu arco. Instintivamente nos posi-

    cionamos de costas um para o outro. Um caminho de escurido passou pela cla-

    reira e um garoto caiu dele, como se tivesse sido cuspido, pousando na grama aos

    nossos ps.

    Ai! resmungou.

    Ele bateu a poeira de sua jaqueta de aviador. Tinha mais ou menos doze

    anos, cabelos escuros, usava jeans, camiseta preta e um anel de caveira prateado

    na mo direita. Uma espada pendia ao seu lado.

    Nico. chamei

    Os olhos de Thalia se arregalaram

    O irmo mais novo de Bianca.

    Nico nos olhou de cara feia. Duvido que ele gostasse de ser anunciado

    como irmo mais novo de Bianca. Sua Irma, uma Caadora de rtemis, tinha

    morrido havia alguns anos, e esse ainda era um assunto delicado para ele.

    Por que vocs me trouxeram para c? reclamou Num minuto es-

    tou em um cemitrio em Nova Orleans. No minuto seguinte... isso Nova York?

    O que em nome de Hades eu estou fazendo em Nova York?

    Ns no o trouxemos para c jurei Ns fomos... um calafrio des-

    ceu pelas minhas costas. Fomos trazidos juntos. Os trs.

    Do que voc est falando? Nico quis saber

    Os filhos dos Trs Grandes disse eu Zeus, Poseidon e Hades.

    Thalia respirou fundo.

    A profecia. Vocs no acham que Cronos...

    Ela no conclui o pensamento. Todos conhecamos a grande profecia: uma

    guerra estava a caminho, entre os tits e os deuses, e o primeiro filho de um dos

    trs grandes a completar dezesseis anos tomaria uma deciso que salvaria ou des-

    truiria o mundo. Isso se referia a um de ns. Ao longo dos ltimos anos, o Senhor

    dos Tits, Cronos, tentou manipular cada um de ns separadamente. Agora... ser

    que ele estava tramando alguma coisa ao trazer os trs juntos?

    O cho retumbou. Nico empunhou sua espada, uma lmina negra de ferro

    estgio. A sra. OLeary saltou para trs e latiu assustada.

    Percebi tarde demais que ela estava tentando me alertar.

    O cho se abriu sob Thalia, Nico e eu, e ns camos na escurido.

    Eu esperava continuar caindo para sempre, ou talvez acabar achatado co-

    mo uma panqueca de semideus quando atingssemos o fundo. Mas o que vi a se-

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    guir foi Thalia, Nico e eu de p num jardim, todos os trs ainda gritando de ter-

    ror, o que me sentir bastante idiota.

    O que... onde estamos? Thalia perguntou

    O jardim era escuro. Fileiras de flores prateadas brilhavam fracamente, re-

    fletindo enormes pedras preciosas que delineavam o canteiro: diamantes, safiras

    e rubis do tamanho de bolas de futebol americano. Arvores arqueavam-se sobre

    ns, as copas cobertas de flores de laranjeira e frutas docemente perfumadas. O

    ar era frio e mido, mas no como no inverno de Nova York. Parecia mais com

    uma caverna.

    J estive aqui antes eu disse.

    Nico arrancou uma rom de uma arvore;

    O jardim da minha madrasta, Persfone ele fez uma cara azeda e

    largou a fruta No comam nada.

    Ele no precisava me avisar duas vezes. Uma s prova da comida do

    Mundo Inferior e ns nunca seriamos capazes de ir embora.

    Olhem para cima Thalia alertou

    A principio, pensei que a mulher fosse um fantasma. O vestido esvoaava

    em torno dela como fumaa. Os longos cabelos escuros flutuavam e ondulavam

    como se no pesassem nada. O rosto era bonito, porem mortalmente plido.

    Ento, eu percebi que o vestido no era branco. Tinha todas as cores mis-

    turadas flores vermelhas, azuis e amarelas brotavam do tecido mas era es-

    tranhamente desbotado. Seus olhos eram do mesmo jeito, multicoloridos mas

    esmaecidos, como se o Mundo Inferior houvesse sugado sua vontade de viver.

    Tive a impresso de que no mundo acima de ns ela seria bonita, ate brilhante.

    Sou Persfone disse ela. Sua voz fina e fraca. Sejam bem-vindos,

    semideuses.

    Nice esmagou a roa embaixo de sua bota.

    Bem-vindo? Depois da ultima vez, voc tem coragem de me dar boas-

    vindas?

    Eu me mexi, inquieto, porque algum que falasse desse jeito com um deus

    pode ser transformado em tufos de poeira.

    Hum, Nico...

    Est tudo bem disse Persfone friamente Tivemos uma pequena

    desavena familiar.

    Desavena familiar gritou Nico Voc me transformou em um

    dente-de-leo!

    Persfone ignorou o enteado.

    Como eu estava dizendo, semideuses, bem-vindos ao meu jardim.

    Thalia baixou o arco.

    Voc enviou o cervo dourado?

    E o co infernal admitiu a deusa E a sombra que coletou Nico.

    Era necessrio traz-los juntos.

    Por qu? perguntei

    Persfone me observou e senti como se pequenas florzinhas crescessem

    em meu estomago.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    O Senhor Hades tem um problema disse ela. E se sabem o que

    bom para vocs, iro ajud-lo.

    Sentamos em um terrao escuro com vista panormica para o jardim. As

    criadas de Persfone trouxeram comida e bebida, que nenhum de ns tocou. Elas

    seriam bonitas no fosse o fato de estarem mortas. Estavam vestidas de amarelo e

    usavam coroas de margaridas e plantas venenosas na cabea. Os olhos eram va-

    zios e as vozes sombrias como o bater de assas de morcego.

    Persfone sentou-se em um trono prateado e nos estudou.

    Se estivssemos na primavera, poderia receb-los apropriadamente no

    mundo l em cima. Pena que no inverno isso seja o melhor que eu posso fazer.

    Ela soou amarga. Depois de tantos milnios, acho que ainda se ressentia

    de viver com Hades metade do ano. Parecia sem cor e deslocada, como a fotogra-

    fia de uma antiga primavera.

    Ela se virou em minha direo como se lesse meus pensamentos.

    Hades meu marido e mestre, meu jovem. Eu faria qualquer coisa

    por ele. Mas neste caso preciso de ajuda de vocs, e rpido. Tem a ver com a es-

    pada do Senhor Hades.

    Nico desdenhou.

    Meu pai no tem uma espada. Ele usa um exercito e seu elmo das tre-

    vas.

    Ele no tinha uma espada corrigiu Persfone.

    Thalia se levantou

    Ele est forjando um novo smbolo de poder? Sem a permisso de

    Zeus?

    A deusa da primavera apontou. Em cima da mesa, uma imagem tremulou

    e ganhou vida: ferreiros esqueletos trabalhavam sobre uma forja de chamas ne-

    gras, usando machados decorados com caveiras de metal para moldar uma exten-

    so de ferro em lmina.

    A guerra contra o deus tit est muito prxima disse Persfone

    Meu senhor, Hades, tem de estar preparado.

    Mas Zeus e Poseidon nunca permitiram que Hades forjasse uma nova

    arma! Thalia protestou Isso desequilibraria o acordo de diviso de poderes

    entre eles.

    Persfone balanou a cabea.

    Voc quer dizer que faria de Hades um igual? Acredite, filha de Zeus,

    o Senhor dos Mortos no tem planos contra seus irmos. Ele sabia que nunca

    entenderiam, e foi por isso que forjou uma arma em segredo.

    A imagem sobre a mesa tremeu. Um ferreiro zumbi ergueu a lmina, ainda

    ardendo com o calor. Alguma coisa estranha estava presa na base no era uma

    pedra preciosa. Parecia mais...

    Aquilo uma chave? perguntei

    Nico emitiu um som engasgado.

    As chaves de Hades?

    Espere interrompeu Thalia o que so as chaves de Hades?

    Nico parecia mais plido que sua madrasta.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Hades tem um conjunto de chaves de ouro que podem trancar e des-

    trancar a morte. Pelo menos... essa a lenda.

    verdade afirmou Persfone.

    Como se tranca ou destranca a morte? perguntei.

    As chaves tm o poder de aprisionar uma alma no Mundo Inferior

    Persfone respondeu Ou libert-la.

    Nico engoliu em seco.

    Se uma daquelas chaves foi presa na espada...

    Aquele que a utilizar pode ressuscitar os mortos Persfone comple-

    tou Ou, com um mero toque pode ceifar a vida de qualquer coisa e mandar a

    alma para o Mundo Inferior.

    Estvamos todos em silncio. A gua borbotava de uma fonte tranqila.

    Criadas flutuavam nossa volta, oferecendo bandejas de frutas e doces que nos

    manteriam no Mundo Inferior para sempre.

    tima espada disse eu, afinal.

    Seria impossvel deter Hades concordou Thalia.

    Esto vendo comeou Persfone porque vocs devem ajudar a

    recuper-la.

    Eu a encarei.

    Voc disse recuper-la?

    Os olhos de Persfone eram bonitos e mortalmente srios, como botes

    venenosos.

    A lmina foi roubada quando estava quase pronta. No sei como, mas

    suspeito de um semideus, algum servo de Cronos. Se a lmina cair nas mos do

    Senhor dos Tits...

    Thalia ficou de p.

    Vocs permitiram que a lmina fosse roubada! Que coisa idiota, no?

    Provavelmente Cronos est com ela agora!

    Ento as flechas de Thalia germinaram em rosas de talos longos. O arco se

    fundiu em uma vinha de madressilvas pontuadas de flores brancas e douradas.

    Cuidado, caadora! Persfone alertou Seu pai pode ser Zeus e

    voc pode ser a tenente de Artemis, mas ningum se dirige a mim com desrespei-

    to em meu prprio palcio.

    Thalia trincou os dentes.

    Devolva... meu... arco.

    Persfone acenou. O arco e as flechas voltaram ao normal.

    Agora, sente-se e oua. A espada no pode ter deixado o Mundo inferi-

    or ainda. O Senhor Hades usou as chaves restantes para fechar o reino. Nada en-

    tra ou sai at que ele encontre a espada, e ele est usando todo o seu poder para

    localizar o ladro.

    Thalia sentou-se relutante.

    Ento, para que voc precisa de ns?

    A procura da lmina no pode ser do conhecimento de todos res-

    pondeu Persfone Ns trancamos o reio, mas no anunciamos o porqu. E os

    servos de Hades no podem ser usados na busca. Eles no podem saber que a

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    lmina existe at que seja terminada. Certamente no podem saber que est desa-

    parecida.

    Se acharem que Hades est com problemas, eles podem desertar su-

    ps Nico E podem se unir aos tits.

    Persfone no respondeu, mas se uma deusa parecer nervosa, ela pareceu.

    O ladro tem de ser um semideus. Nenhum imortal pode roubar a arma

    de outro imortal diretamente. Mesmo Cronos tem de respeitar a Antiga Lei. Ele

    tem um heri aqui em algum lugar. E para pegar um semideus... devemos usar

    trs.

    Por que ns? quis saber.

    Vocs so os filhos dos trs grandes comeou a deusa Quem po-

    deria resistir aos seus poderes combinados? Alm disso, quando vocs recupera-

    rem a espada de Hades, enviaro uma mensagem ao Olimpo. Zeus e Poseidon

    no protestaram contra a nova arma de Hades se ela lhe for entregue por seus

    prprios filhos. Mostrar que vocs confiam em Hades.

    Mas eu no confio nele retrucou Thalia.

    Nem eu completei Por que deveramos fazer alguma coisa por

    Hades, principalmente dar a ele uma superarma? Certo, Nico?

    Nico olhava fixamente para a mesa. Seus dedos batiam levemente na sua

    lmina negra de ferro estgio.

    Certo Nico? incentivei

    Levou um segundo at que ele se concentrasse em mim.

    Eu tenho que fazer isso, Percy. Ele meu pai.

    Ah, de jeito nenhum protestou Thalia Voc no pode acreditar

    que isso seja uma boa idia!

    Voc prefere que a espada v para as mos de Cronos?

    Esse era um bom argumento.

    O tempo est passando disse Persfone O ladro deve ter cmpli-

    ces no Mundo Inferior, e estar procurando por uma sada.

    Franzi o cenho.

    Pensei que voc tinha dito que o reino estava trancado.

    Nenhuma priso hermeticamente fechada, nem mesmo o Mundo Infe-

    rior. As almas esto sempre encontrando sadas, com mais rapidez do que Hades

    pode bloque-las. Vocs precisam recuperar a espada antes que ele deixe nosso

    reino, ou tudo estar perdido.

    Mesmo que quisssemos fazer isso comeou Thalia como encon-

    traramos esse ladro.

    Uma planta em um vaso apareceu na mesa: era um craveiro amarelo,

    doente com algumas folhas verdes. O cravo inclinava-se para o lado, como se

    tentasse encontrar o sol.

    Isto vai gui-los informou a deusa

    Um craveiro mgico? perguntei

    A flor que sempre aponta par o ladro. A medida que sua presa se a-

    proximar da fuga, as ptalas caram.

    Foi s falar e uma ptala amarela ficou cinza e caiu flutuando para a sujei-

    ra.

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    Se todas as ptalas carem, a flor morre explicou Persfone Isso

    significar que o ladro alcanou uma sada e que vocs falharam.

    Olhei para Thalia. Ela no pareceu muito entusiasmada com toda aquela

    coisa de persiga-um-ladro-com-uma-flor. Depois olhei para Nico. Infelizmente,

    reconheci a expresso em seu rosto. Eu sabia o que era querer deixar um pai or-

    gulhoso, mesmo que seu pai fosse difcil de amar. Neste caso, muito difcil de

    amar.

    Nico ia executar a misso, com ou sem a gente. E eu no podia deix-lo

    sozinho.

    Uma condio disse eu a Persfone Hades ter que jurar pelo Rio

    Estige que nunca usara essa espada contra os deuses.

    A deusa de ombros.

    No sou o Senhor Hades, mas tenho certeza de que ele faria isso... co-

    mo pagamento pela sua ajuda.

    Outra ptala caiu do craveiro.

    Eu me virei para Thalia.

    Eu seguro a flor enquanto voc acaba com o ladro.

    Ela suspirou.

    Tudo bem. Vamos pegar esse idiota.

    O Mundo Inferior no tinha entrado no clima natalino. medida que des-

    camos pela estrada do palcio ate os Campos de Asfdelos, o lugar ficava muito

    mais parecido com aquele da minha visita anterior: realmente depressivo. Grama

    amarelada e choupos negros poucos desenvolvidos ondulavam a perder de vista.

    Sombras vagavam sem rumo pelas colinas, saindo do nada e indo para o nada,

    conversando entre si e tentando lembrar quem foram em vida. Bem acima de ns,

    o teto da caverna cintilava ameaadoramente.

    Eu carregava o craveiro, o que me fez sentir bem estpido. Nico nos guia-

    va, j que sua lmina podia abrir caminho atravs de qualquer grupo de mortos-

    vivos. Thalia basicamente resmungava que ela deveria ter sido mais esperta em

    vez de sair em uma misso com dois garotos.

    Persfone no pareceu meio tensa? perguntei.

    Nico atravessou um bando de fantasmas, afastando-os com a lmina de

    ferro estgio.

    Ela sempre age assim quando estou por perto. Ela me odeia.

    Ento porque ela o incluiu na misso?

    Provavelmente foi idia do meu pai.

    Pareceu que ele queria que aquilo fosse verdade, mas eu no tinha tanta

    certeza.

    Era estranho para mim o fato de que no fora o prprio Hades quem nos

    designara a misso. Se essa espada era to importante para ele, porque deixou

    que Persfone explicasse as coisas? Geralmente, Hades gostava de ameaar se-

    mideuses pessoalmente.

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    Nico seguiu em frente. No importava quo cheios os campos estivessem

    e se voc j viu a Times Square na noite de Ano-Novo, sabe do que eu estou

    falando os espritos abriam caminho diante dele.

    Ele sabe lidar com multides de zumbis admitiu Thalia Acho que

    vou lev-lo comigo da prxima vez que eu for ao shopping.

    Ela segurou firme seu arco, como se estivesse com medo que ele se trans-

    formasse em um ramo de madressilvas de novo. Thalia no parecia mais velha

    que no ano anterior, e de repente me ocorreu que ela nunca envelheceria, agora

    que era uma caadora. E isso queria dizer que eu era mais velho que ela. Esquisi-

    to.

    Ento? comecei como a imortalidade est tratando voc?

    Ela revirou os olhos.

    No imortalidade total Percy. Voc sabe disso. Ns ainda podemos

    morrer em combate. que... ns nunca envelhecemos ou ficamos doentes, ento

    vivemos para sempre, contanto que nenhum monstro nos faa em pedaos.

    Isso sempre um perigo.

    Sempre.

    Ela olhava em volta, percebi que observava atentamente os rostos dos

    mortos.

    se voc est procurando Bianca falei rpido para que Nico no me

    ouvisse ela deve estar nos Campos Elseos. Ela teve uma morte de heri.

    Eu sei respondeu ela, rispidamente. Ento se recomps No is-

    so, Percy. Eu estava... esquea.

    Fui tomado por um calafrio. Lembrei que a me de Thalia morrera numa

    batida de carro alguns anos atrs. Ela nunca haviam sido prximas, mas Thalia

    no teve a chance de se despedir. A sombra de sua me poderia estar vagando

    por ali... Era natural que Thalia parecesse exaltada.

    Desculpe disse eu No me toquei.

    Nossos olhos se encontraram e eu senti que ela compreendeu. Sua expres-

    so suavizou.

    Tudo bem. Vamos acabar logo com isso.

    Outra ptala caiu do cravo enquanto caminhvamos.

    No fiquei feliz quando a flor nos indicou a direo dos Campos da Puni-

    o. Eu tinha esperanas de que pudssemos ser conduzidos para os Campos El-

    seos para estar com pessoas bonitas e festejar, mas no. A flor parecia gostar da

    parte mais difcil e cruel do Mundo Inferior. Pulamos um crrego de lava e se-

    guimos caminho por entre horrveis cenas de tortura. No vou descrev-las por-

    que voc perderia completamente o apetite, mas eu gostaria de estar com algodo

    nos ouvidos.

    O craveiro se inclinou para uma colina a nossa esquerda.

    L em cima disse eu.

    Thalia e Nico pararam. Eles estavam cobertos de fuligem por caminhar

    pelos Campos da Punio. Acho que eu no estava muito melhor.

    Um som alto e opressor vinha do outro lado da colina, como se algum

    puxasse uma maquina de lavar. Ento, a colina foi sacudida por um BOM! BOM!

    BOM! e um homem xingou.

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    Thalia olhou para Nico.

    Esse no quem eu estou pensando que , ?

    Acho que sim respondeu Nico O maior especialista em enganar a

    morte.

    Antes que eu pudesse perguntar o que Nico queria dizer, ele nos levou at

    o topo da colina.

    O cara do outro lado no era bonito, e no estava feliz. Parecia um daque-

    les bonecos de troll com a pele laranja, barrigo, braos e pernas mirrados e com

    um tipo de tanga-fralda envolta na cintura. Seus cabelos de rato estavam eriados

    para o alto como uma tocha. Ele pulava de um lado para o outro xingando e chu-

    tando uma pedra duas vezes maior que ele.

    No vou! berrava No, no, no!

    Ento, ele lanou uma seqncia de pragas em vrios idiomas diferentes.

    Se eu tivesse um daqueles potes que voc coloca uma moeda para cada palavro,

    teria feito uns quinhentos dlares.

    Ele comeou a se afastar da pedra, mas, depois de dez passos, deu uma

    guinada, como se uma fora invisvel o puxasse. Cambaleou de volta e comeou

    a bater com a cabea na pedra.

    Tudo bem! gritou Tudo bem, maldito seja!

    Ele coou a cabea e resmungou mais alguns palavres.

    Mas essa a ultima vez. Voc est me ouvindo?

    Nico olhou para ns.

    Vamos. Enquanto ele no tenta de novo.

    Ns descemos a colina.

    Ssifo chamou Nico

    O cara de troll levantou os olhos, surpreso. Depois arrastou-se para trs da

    pedra.

    Ah, no! Vocs no vo me fazer de idiota com esses disfarces. Eu sei

    que vocs so Frias!

    No somos Frias retruquei S queremos conversar.

    Vo embora gritou ele Flores no melhoram a situao. muito

    tarde para se desculpar!

    Veja comeou Thalia ns queremos apenas...

    L, l, l! berrou ele No estou escutando!

    Brincamos de pega-pega com ele em torno da pedra at que finalmente

    Thalia, a mais rpida, agarrou o velho pelos cabelos.

    Parem choramingou ele Eu tenho pedras para empurrar. Pedras

    para empurrar!

    Eu empurro sua pedra! ofereceu Thalia Apenas cale-se e fale

    com meus amigos.

    Sfio parou de resistir.

    Voc vai... vai empurrar minha pedra?

    melhor que ficar olhando para voc Thalia me olhou Seja r-

    pido com isso Ento conduziu Sisifo at ns.

    Ela apoiou os ombros contra a pedra e comeou a empurr-la bem devagar

    para cima.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Ssifo fez cara feia para mim, desconfiado. Ele beliscou meu nariz.

    Ei! disse eu.

    Ento voc realmente no uma Fria concluiu maravilhado Pa-

    ra que a flor?

    Procuramos uma pessoa respondi A planta est nos ajudando a

    encontr-la.

    Persfone ele cuspiu na poeira Esse um dos seus artifcios de

    busca, no ? Ele se inclinou para frente e senti um bafo desagradvel de ve-

    lho-que-est-rolando-uma-pedra-por-uma-eternidade. Eu a fiz de boba uma

    vez, sabe. Eu fiz todos eles de bobos.

    Olhei para Nico.

    Traduo?

    Ssifo enganou a morte. explicou Nico. Primeiro ele acorrentou

    Tnatos, o ceifador de almas, para que ningum pudesse morrer. Ento, quando

    Tnatos se libertou e estava prestes a mat-lo, Sfio disse a esposa que fizesse um

    funeral com os rituais errados, para que ele nunca descansasse em paz. Nosso

    Sissi... Posso cham-lo de Sissi?

    No!

    Sissi enganou Persfone, induzindo-a a deix-lo voltar para o mundo a

    fim de perseguir a esposa. E ele no retornou para c.

    O velho gargalhou.

    Continuei vivo outros trinta anos antes que eles finalmente viessem a-

    trs de mim!

    Thalia estava na metade do caminho agora. Ela cerrava os dentes, empur-

    rando a pedra com as costas. Sua expresso dizia: Apressem-se!

    Ento essa foi a sua punio eu disse a Sisifo. Rolar uma pedra

    at o alto da colina para sempre. Valeu pena?

    Um retrocesso temporrio! gritou ele Eu vou sair daqui em bre-

    ve. E, quando eu sair, todos lamentaro!

    Como voc vai sair do Mundo Inferior? perguntou Nico Est

    trancado, voc sabe disso?

    Sisifo forou um sorriso fraco.

    Isso foi o que o outro me perguntou.

    Meu estmago revirou.

    Algum mais pediu a sua opinio?

    Um jovem irritado Sisifo lembrou No muito educado. Colocou

    uma espada na minha garganta. No se ofereceu para rolar a minha pedra nem

    nada.

    O que voc disse a ele? quis saber Nico Quem ele era?

    Sisifo massageou os ombros. Ele olhou de relance para Thalia, que estava

    quase no topo da colina. O rosto dela estava vermelho e encharcado de suor.

    Ah... difcil dizer Sisifo respondeu Nunca o vi antes. Ele carre-

    gava um pacote longo todo embrulhado em tecido preto. Esquis, talvez? Uma p?

    Quem sabe se vocs esperarem aqui eu possa ir procur-lo...

    O que voc disse a ele? perguntei

    No lembro

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Nico desembainhou sua espada. O ferro estgio era to frio que produziu

    vapor no ar quente e seco dos Campos da Punio.

    Faa um esforo

    O velho estremeceu.

    Mas que tipo de pessoa carrega uma espada como essa?

    Um filho de Hades disse Nico Agora me responda!

    Sisifo ficou plido.

    Eu disse a ele que falasse com Melione! Ela sempre tem uma sada!

    Nico baixou sua espada. Acho que o nome Melione o incomodou.

    Voc est maluco? devolveu ele Isso suicdio!

    O velho deu de ombros.

    J enganei a morte antes. Posso fazer isso de novo.

    Como era esse semideus?

    Hum... ele tinha um nariz disse Sisifo Uma boca. E um olho e ...

    Um olho? interrompi Ele usava tapa-olho?

    Ah... talvez respondeu ele Tinha cabelos na cabea. E Ele ar-

    fou por cima do meu ombro L est ele!

    Ns camos nessa.

    Assim que nos viramos, Ssifo escapou colina abaixo.

    Estou livre! Estou livre! Estou... ARGH!

    A trs metros da colina, sua corrente invisvel estendeu-se ao Maximo e

    ele caiu de costas. Eu e Nico agarramos seus braos e o rebocamos de volta.

    Malditos sejam! Ele soltou xingamentos em grego antigo, latim, in-

    gls, francs e muitas outras lnguas que eu no reconheci. Nunca vou ajud-

    los! Vo para o Hades!

    J estamos nele resmungou Nico.

    Chegando Thalia berrou

    Levantei os olhos e devo ter falado palavres. A pedra descia a encosta,

    bem na nossa direo. Nico pulou para o lado. Eu pulei para outro. Ssifo gritou

    NO! Enquanto a coisa fazia o caminho at ele. De alguma forma, tomou

    coragem e parou a pedra antes que ela passasse por cima dele. Acho que ele tinha

    bastante pratica.

    Pegue-a de novo bradou ele Por favor. No posso agentar mais.

    De novo no ofegou Thalia Agora com voc.

    Ele nos tratou com uma linguagem bem pior. Estava claro que no ia nos

    ajudar mais, ento o deixamos com sua punio.

    A caverna de Melione por aqui disse Nico.

    Se esse tal ladro realmente tem um olho s ponderei pode ser

    Ethan Nakamura, filho de Nmesis. Foi ele quem libertou Cronos.

    Eu lembro disse Nico, sombrio Mas se vamos lidar com Melione,

    temos grandes problemas. Vamos.

    Enquanto nos afastvamos, Sfio gritava.

    Tudo bem, mas essa a ultima vez. Esto me ouvindo? A ltima vez!

    Thalia tremeu.

    Voc est bem? perguntei a ela

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    Acho que... hesitou ela Percy, o assustador que quando eu che-

    guei ao topo, achei que tinha acabado. Pensei Isso no to difcil. Posso fazer

    a pedra ficar. E quando ela rolou de volta, eu quase me entusiasmei a tentar de

    novo. Achei que pudesse conseguir numa segunda vez.

    Ela olhou para trs melancolicamente

    Vamos disse eu Quanto mais cedo sairmos daqui, melhor.

    Caminhamos pelo que pareceu uma eternidade. Mas trs ptalas do cravo

    murcharam, o que significava que metade dele estava oficialmente morta. A flor

    nos conduziu para uma extenso de colinas cinza e irregulares, semelhantes a

    dentes. Ento caminhamos naquela direo, por uma plancie de rochas vulcni-

    cas.

    Belo dia para ficar a toa resmungou Thalia. Provavelmente, as

    Caadoras esto se banqueteando em alguma clareira numa floresta exatamente

    neste instante.

    Imaginei o que minha famlia estaria fazendo. Minha me e meu padrasto,

    Paul, ficariam preocupados quando eu no chegasse da escola, mas no era a

    primeira vez que isso acontecia. Eles concluiriam rapidamente que eu estaria em

    alguma misso. Minha me andaria de um lado para o outro na sala, pensando se

    eu conseguiria voltar para abrir os meus presentes.

    Ento, quem essa Melione? perguntei, tentando desviar meu pen-

    samento de casa.

    Longa historia respondeu Nico Longa e muito assustadora histo-

    ria.

    Eu quase perguntei o que ele queria dizer quando Thalia se agachou.

    Armas!

    Desembainhei Contracorrente. Tenho certeza de que eu parecia aterrori-

    zante com um vaso de cravo na outra mo, ento o coloquei no cho. Nico de-

    sembainhou a espada.

    Ficamos de costas um para o outro. Thalia preparou uma flecha.

    O que foi? sussurrei

    Ela parecia estar ouvindo algo. Ento seus olhos se arregalaram. Um cr-

    culo de uma dzia de damones materializou-se em torno de ns.

    Tinham o corpo parte mulher, parte morcego. Suas caras eram achatadas e

    raivosas, possuam caninos e olhos salientes. Pelo cinza desbotado e uma arma-

    dura fragmentada cobriam seus corpos. Tinham braos encolhidos com garras em

    vez de mos, assas de couro cresciam das costas e as pernas eram curtas, grossas

    e arqueadas. Elas seriam engraadas, no fosse o brilho assassino dos olhos.

    Queres afirmou Nico.

    O que? perguntei

    Espritos do campo de batalha. Elas se alimentam da morte violenta.

    Ah, maravilha disse Thalia.

    Afastem-se! ordenou Nico as damones O filho de Hades est

    mandando.

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    As Queres sibilaram. As bocas espumavam. Elas olharam para as nossas

    armas, apreensivas, mas senti que no ficaram muito impressionadas com a or-

    dem de Nico.

    Em breve Hades ser derrotado uma delas rangeu os dentes Nos-

    so novo mestre nos dar um reino livre!

    Nico piscou

    Novo mestre?

    A damon lder deu o bote. Nico estava to surpreso que ela poderia t-lo

    feito em pedaos, mas Thalia atirou uma flecha queima roupa na cara feia de

    morcego da criatura, e ela se desintegrou.

    O restante delas avanou. Thalia deixou o arco de lado e desembainhou as

    facas. Eu me esquivei enquanto a espada de Nico zuniu por cima da minha cabe-

    a, cortando uma das criaturas pela metade. Eu cortava e golpeava e trs ou qua-

    tro delas explodiram minha volta, mas outras continuavam a aparecer.

    Ipeto vai amaldio-los! uma gritou.

    Quem? perguntei, mas ento eu a atravessei com a minha espada.

    Anote a: se voc acabar com um monstro ele no poder responder as su-

    as perguntas.

    Nico tambm desenhava arcos com a sua espada, golpeando as Queres. A

    lmina absorvia a essncia delas, como um aspirador a vcuo, e quanto mais ele

    as destrua, mais frio ficava o ar ao redor. Thalia golpeou as costas de uma da-

    mon, atravessando-a com uma de suas facas e com a outra espetou um segundo

    monstro sem ao menos virar-se para trs.

    Morra sofrendo, mortal!

    Antes que eu pudesse levantar minha espada para me defender, as garras

    de uma damon rasparam meu ombro. Se eu estivesse usando uma armadura, tu-

    do bem, mas ainda estava com o meu uniforme da escola. As garras da coisa a-

    briram um corte na minha camisa e rasgaram minha pele. Todo o meu lado es-

    querdo pareceu explodir de dor.

    Nico chutou o monstro para longe e o apunhalou. Tudo o que pude fazer

    foi cair e me encolher, tentando resistir a terrvel queimao.

    O som da batalha se extinguiu. Thalia e Nico correram para o meu lado.

    Agente firme Percy Thalia pediu Voc vai ficar bem.

    Mas a falha em sua voz me dizia que o ferimento era grave. Nico o tocou

    e eu berrei de dor.

    Nctar disse ele Estou colocando nctar sobre a ferida.

    Nico tirou a rolha do frasco com a bebida dos deuses e pingou um pouco

    no meu ombro. Isso era perigoso, pois apenas um gole do liquido quase tudo o

    que um semideus pode suportar. Mas, imediatamente, a dor aliviou. Juntos, Tha-

    lia e Nico fizeram um curativo na ferida, e eu desmaiei somente algumas vezes.

    Eu no podia saber quanto tempo se passara, mas a ultima coisa que eu me

    lembro de estar apoiado com as costas em uma rocha. Meu ombro estava enfai-

    xado. Thalia me alimentava com pequeninos pedaos de ambrosia sabor chocola-

    te.

    As Queres? murmurei

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    Foram embora, por enquanto respondeu ela. Por um instante, vo-

    c me deixou preocupada, Percy, mas acho que vai resistir.

    Nico se agachou perto de ns. Ele segurava o craveiro. A flor s tinha

    mais cinco ptalas.

    As Queres vo voltar alertou. Ele olhava para o meu ombro com

    preocupao Esse ferimento... as Queres so espritos da doena e da peste,

    assim como as da violncia. Ns podemos retardar a infeco, mas em algum

    momento voc precisar de srios cuidados. Quer dizer, do poder divino. Ou en-

    to...

    Ele no completou o pensamento.

    Eu vou ficar bem.

    Tentei me sentar e imediatamente me senti enjoado.

    Devagar disse Thalia Voc precisa descansar para poder se mexer

    depois.

    No h tempo Olhei para o craveiro Uma das damones mencio-

    nou Ipeto. isso mesmo ou minha memria est falhando? Ele um tit?

    Thalia assentiu desconfortvel.

    O irmo de Cronos, pai de Atlas. Ele era conhecido como o tit do oes-

    te. Seu nome significa o Perfurador, porque isso que ele gosta de fazer com

    seus inimigos. Foi lanado ao Trtaro com seus irmos. Ainda deveria estar l.

    Mas se a espada de Hades puder destrancar a morte? perguntei

    Ainda no sabemos quem eles so lembrou Thalia.

    O meio-sangue que trabalha para Cronos disse eu v Possivelmente,

    Ethan Nakamura. E ele est comeando a recrutar alguns aliados de Hades para o

    seu lado, como as Queres. As damones acham que, se Cronos vencer a guerra,

    eles tero caos e maldade alm do combinado.

    E provavelmente esto certos disse Nico Meu pai tenta manter

    o equilbrio. Ele reina sobre os espritos mais violentos. Se Cronos escalar um de

    seus irmos para ser o senhor do Mundo Inferior...

    Como esse Ipeto completei.

    ...ento o mundo Inferior vai ficar bem pior continuou Nico As

    Queres gostariam disso. E Melione tambm.

    Voc ainda no nos disse quem Melione.

    Nico mordeu o lbio.

    a deusa dos fantasmas... uma das servas do meu pai. Ela controla os

    mortos que vagam sem descanso pela Terra. Todas as noites ela ascende no

    Mundo Inferior para aterrorizar os mortais.

    Ela tem seu prprio caminho para o mundo, l em cima?

    Nico assentiu.

    Duvido que possa ter sido bloqueado. Normalmente, ningum nunca

    pensaria em atravessar sua caverna. Mas se esse semideus for corajoso o sufici-

    ente para fazer um acordo com ela...

    Ele poder voltar ao mundo emendou Thalia e levar a espada a

    Cronos.

    Quem a usaria para tirar seus irmos do Trtaro. E ns teramos um

    grande problema conclu.

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    Tentei ficar em p. Uma onda de enjo quase me fez desmaiar, mas Thalia

    me amparou.

    Percy comeou ela voc no esta em condies...

    Tenho de estar Observei enquanto mais ptalas murchavam e caa

    do cravo. Faltavam quatro para o fim dos dias. Me d a planta. Temos de en-

    contrar a caverna de Melione.

    Enquanto caminhvamos tentei pensar em coisas positivas: meus jogado-

    res de basquete favoritos, minha ultima conversa com Annabeth, o que minha

    me faria para o jantar de Natal qualquer coisa menos a dor. Mesmo assim, eu

    sentia como se um tigre-dentes-de-sabre estivesse mastigando o meu ombro. Eu

    no ia ser muito til numa luta, e me amaldioava por ter baixado a guarda. Nun-

    ca deveria ter sido ferido. Agora Thalia e Nico teriam que rebocar meu traseiro

    intil pelo restante da misso.

    Eu estava me lamentando que no notei o som de gua em movimento at

    Nico dizer Oh-oh.

    Cerca de quinze metros a nossa frente, um rio escuro corria com violncia

    por uma garganta de rocha vulcnica. Eu j tinha visto o Rio Estige, e este no

    parecia o mesmo rio. Era estreito, a correnteza, veloz. A gua era negra como

    nanquim. Ate a fumaa produzida era negra. A margem oposta mais distante es-

    tava apenas a nove metros, muito longe para saltarmos, e no havia ponte.

    O Rio Lete Nico amaldioou em grego antigo Nunca vamos atra-

    vess-lo.

    A flor apontava para o outro lado: na direo de uma montanha obscura e

    de um caminho para a caverna. Alem da montanha, os muros do Mundo Inferior

    assomavam como um cu de granito negro. Eu no imaginara que o Mundo Infe-

    rior pudesse ter uma fronteira, mas era o que aqueles muros pareciam ser.

    Tem de haver um meio de atravess-lo falei.

    Thalia se ajoelhou prximo a margem.

    Cuidado! alertou Nico Esse o Rio do esquecimento. Se uma go-

    ta da gua respingar, voc comeara a se esquecer de quem .

    Thalia recuou.

    Conheo esse lugar. Luke me falou dele uma vez. As almas vem aqui

    quando escolhem renascer, para esquecer totalmente suas vidas anteriores.

    Nico assentiu.

    Nade nessa gua e sua mente ser apagada. Voc ser um bebe recm-

    nascido.

    Thalia estudou a margem oposta.

    Eu poderia atirar uma flecha para o outro lado, talvez, ancorar uma

    corda em uma daquelas pedra.

    Voc quer confiar seu peso a uma corda que no esta amarrada?

    perguntou Nico.

    Thalia levantou as sobrancelhas.

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    Tem razo. Funciona nos filmes, mas... no. Voc pode evocar alguns

    mortos para nos ajudarem?

    Eu poderia, mas eles s apareceriam no meu lado do rio. gua correte

    age como uma barreira para os mortos. Eles no podem atravess-la.

    Eu me encolhi.

    Que tipo de regra idiota essa?

    Ei, eu no inventei isso Ele estudou meu rosto Voc est horrvel

    Percy. Deveria se sentar.

    No posso. Vocs precisam de mim para isso.

    Para que? Perguntou Thalia Voc mal consegue ficar em p

    gua, no ? Vou ter de control-la. Talvez eu possa mudar o seu

    curso tempo suficiente para que a gente consiga atravessar.

    Nas suas condies? disse Nico De jeito nenhum. Eu me senti-

    ria mais seguro com a idia da flecha.

    Cambaleei ate a beira do rio.

    Eu no sabia se conseguiria fazer aquilo. Eu era filho de Poseidon, ento

    controlar gua salgada no era problema. Rios comuns... talvez, se os espritos do

    rio quisessem cooperar. Mas rios mgicos do Mundo Inferior? Eu no tinha idia.

    Afastem-se pedi.

    Eu me concentrei na correnteza: a barulhenta gua negra que passava com

    velocidade. Eu a imaginei como parte do meu corpo. Poderia controlar o fluxo,

    faz-lo atender a minha vontade.

    No tinha certeza, mas achei que a gua batia e borbulhava com mais vio-

    lncia, como se pudesse sentir minha presena. Eu sabia que no conseguiria par-

    ra todo o rio de uma s vez. A gua represada inundaria o vale todo, explodindo

    em nossa direo assim que eu a libertasse. Mas havia outra soluo.

    Isso no vai ser fcil murmurei.

    Ergui meus braos como se levantasse alguma coisa acima de minha ca-

    bea. Meu ombro ferido queimou como larva, mas tentei ignor-lo.

    O rio se ergueu. A correnteza elevando-se das margens formava um gran-

    de arco. Era um barulhento arco de gua negra de seis metros de altura. O leito

    do rio a nossa frente se tronou lodo seco, um tnel no meio da gua apenas largo

    o suficiente para duas pessoas caminharem Aldo a lado.

    Thalia e Nico me encararam maravilhados.

    Vo. No vou conseguir sustentar isso por muito tempo.

    Pontos amarelos danavam em frente aos meus olhos. Meu ombro ferido

    quase gritava de dor. Thalia e Nico caminharam com dificuldade para o leito do

    rio e seguiram em frente pelo lodo pegajoso

    Nem uma nica gota. No posso deixar que nem uma nica gota dgua

    respingue neles.

    O Rio Lete lutou comigo. Ele no queria ser arrancado de suas margens.

    Queria despencar sobre meus amigos, apagar suas mentes e afog-los. Mas sus-

    tentei o arco.

    Thalia, do outro lado, subiu para a margem e se voltou para ajudar Nico.

    Venha Percy chamou ela Ande!

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Meus joelhos vibravam. Meus braos tremiam. Dei um passo a frente e

    quase cai. O arco de gua estremeceu.

    No posso! gritei de volta

    Sim, voc pode retrucou ela Ns precisamos de voc!

    De alguma forma, consegui descer para o leito do rio. Um passo depois

    outro. Acima, a gua. Minhas botas chapinhavam no lodo.

    Na metade do caminho, eu tropecei. Ouvi Thalia gritar No!. E perdi

    minha concentrao.

    Enquanto o Rio Lete desabava sobre mim, tive tempo para um ultimo e

    desesperado pensamento. Seco.

    Ouvi o bramido e senti o impacto de toneladas de gua a medida que o rio

    retomava o seu curso natural. Mas...

    Abri os olhos. Eu estava envolto em escurido, mas continuava comple-

    tamente seco. Uma camada de ar me cobria como uma segunda pele, protegendo-

    me da gua. Eu me esforcei para ficar de p. Mesmo esse pequeno esforo para

    ficar seco algo que j fiz muitas vezes em guas normais foi quase mais do

    que eu podia agentar. Avancei com dificuldade pela correnteza negra, cego e

    duas vezes mais dolorido.

    Subi na margem do Lete, surpreendendo Thalia e Nico, que pularam um

    bom metro para trs. Cambaleei para frente, cai diante de meus amigos e desmai-

    ei gelado.

    O gosto de nctar me fez despertar. Meu ombro parecia melhor, mas havia

    um zumbido desconfortvel em meus ouvidos. Meus olhos ardiam como se esti-

    vesse com febre.

    No podemos arriscar com mais nctar Thalia dizia Ele vai ex-

    plodir em chamas.

    Percy chamou Nico Voc pode me ouvir?

    Chamas murmurei Entendi.

    Eu me sentei devagar. Meu ombro tinha novas bandagens. Ainda doa,

    mas eu podia ficar de p.

    Estamos perto. disse Nico Voc consegue andar?

    A montanha assomava acima de ns. Uma trilha de poeira se insinuava

    por uns trinta metros ate a entrada da caverna. O caminho era pavimentado com

    ossos humanos, para dar um clima aconchegante.

    Estou pronto disse eu

    No gosto disso resmungou Thalia

    Ela segurava com cuidado o craveiro, que apontava na direo da caverna.

    A flor tinha agora duas ptalas, como se fosse duas tristes orelhas de coelho.

    Uma caverna assustadora comentei A deusa dos fantasmas. D

    para piorar?

    Em uma espcie de resposta, o som de um assobio ecoou da montanha.

    Uma nvoa branca veio da caverna, como se algum tivesse ligado uma maquina

    de gelo seco.

    Na neblina, uma imagem apareceu: uma mulher alta com cabelos louros e

    desgrenhados. Ela vestia um roupo de banho e tinha uma taa de vinho na mo.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Seu rosto era severo e desaprovador. Eu podia enxergar atravs dela, ento sabia

    que era algum tipo de esprito, mas sua voz soava bastante real.

    Agora voc volta rosnou ela Bom, tarde demais!

    Olhei para Nico

    Melione? sussurei

    Ele no respondeu. Estava esttico, encarando o esprito.

    Thalia abaixou o arco.

    Me? Seus olhos se encheram de gua. De repente, ela parecia ter

    uns sete anos.

    O esprito jogou no cho a taa de vinho, que se estilhaou e desapareceu

    na neblina.

    Isso mesmo, menina. Condenada a vagar pela Terra, e isso culpa sua!

    Onde voc estava quando eu morri? Por que fugiu quando precisei de voc?

    Eu... eu...

    Thalia chamei ela apenas um fantasma. No pode machucar

    voc.

    Sou mais que isso rosnou o esprito Thalia sabe.

    Mas... voc me abandonou Thalia argumentou.

    Menina desprezvel! Fugitiva ingrata!

    Pare! Nico deu um passo a frente com a espada desembainhada, mas

    o esprito mudou de forma e o encarou.

    Este fantasma era mais difcil de enxergar. Era uma mulher em um vestido

    de veludo negro fora de moda, com um chapu combinando. Usava um colar de

    perolas e luvas brancas, e seus cabelos escuros estavam presos para trs.

    Nico parou onde estava

    No...

    Meu filho disse o fantasma Morri quando voc era to pequeno.

    Eu assombro o mundo com pesar, pensando em voc e em sua Irma.

    Mame?

    No, minha me murmurou Thalia, como se ela ainda visse a pri-

    meira imagem.

    Meus amigos estavam indefesos. A neblina comeou a ficar espessa em

    volta de seus ps, enrolando-se em suas pernas como se fosse uma videira. As

    cores pareciam sumir de suas roupas e do rosto, como se eles tambm virassem

    sombras.

    Chega disse eu, mas minha voz mal saiu. Apesar da dor, levantei

    minha espada e andei em direo ao fantasma Voc no a me de ningum!

    O fantasma se virou para mim. A imagem tremeluziu e eu vi a deusa em

    sua verdadeira forma.

    Voc poderia pensar que depois de algum tempo eu no fosse mais me a-

    pavorar com a aparncia dos monstros gregos, mas Melione me pegou de surpre-

    sa. Sua metade direita era plida, da cor de giz branco, como se tivessem drenan-

    do todo o seu sangue. A metade esquerda era negra como piche e se vida, parecia

    uma pele de mmia. Ela usava um vestido e vu dourados. Seus olhos eram orbi-

    tas negras, vazias, e quando eu olhei l dentro tive a sensao de ver minha pr-

    pria morte.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Onde esto os seus fantasmas? quis saber ela, irritada.

    Meus... eu no sei. No tenho nenhum.

    Ela reclamou

    Todo mundo tem fantasmas... Mortes que voc lamente. Culpa. Medo.

    Por que no consigo ver os seus?

    Thalia e Nico ainda estavam hipnotizados, encarando a deusa como se ela

    fosse a me que h muito eles perderam. Pensei em outros amigos que eu tinha

    visto morrer: Bianca di Angelo, Zoe Doce-Amarga, Lee Fletcher, para citar al-

    guns.

    Estou em paz com eles respondi Fizeram a passagem. No so

    fantasmas. Agora, liberte meus amigos!

    Ataquei Melione com minha espada. Ela se afastou rpido, rosnando de

    frustrao. A neblina ao redor de Thalia e Nico se dissipou. Eles olhavam para a

    deusa como se s agora vissem quanto ela era medonha.

    O que isto? Thalia quis saber Onde...

    Era um truque Nico respondeu. Ela nos enganou.

    Vocs esto muito atrasados, semideuses informou Melione. Outra

    ptala caiu do craveiro, restando apenas uma O acordo foi feito.

    Que acordo? perguntei

    Melione sibilou e eu percebi que essa era a sua maneira de rir.

    So tantos fantasmas, meu jovem semideus. Eles desejam ser livres.

    Quando Cronos comandar o mundo estarei livre para andar entre os mortais du-

    rante o dia e a noite, semeando o terror como eles merecem.

    Onde est a espada de Hades? insisti Onde est Ethan?

    Perto daqui assegurou ela No deterei vocs. No ser preciso.

    Em breve Percy Jackson, voc ter muitos fantasmas. E se lembrar de mim.

    Thalia armou uma flecha e mirou na deusa.

    Se voc abrir uma passagem para o mundo, acha mesmo que Cronos

    vai recompens-la? Ele vai lan-la no Trtaro com o restante dos servos de Ha-

    des.

    Melione mostrou os dentes.

    Sua me estava certa, Thalia Voc uma menina cheia de raiva. Boa

    em fugir. Nada ale, disso.

    A flecha voou, mas, assim que Melione a deusa dissolveu-se em neblina,

    deixando para trs apenas o silvo de sua risada. A flecha atingiu as rochas e par-

    tiu, inofensiva.

    Fantasma idiota resmungou Thalia.

    Eu podia jurar que ela estava realmente abalada. Os olhos pareciam aver-

    melhados. As mos tremiam. Nico tambm estava impressionado, como se esti-

    vesse sofrido uma grande desiluso.

    O ladro... ele conseguiu dizer Provavelmente est na caverna.

    Precisamos det-lo antes que...

    Naquele instante, a ultima ptala do cravo caiu. A flor ficou preta e mur-

    cha.

    Tarde demais disse eu.

    Uma gargalhada masculina ecoou na montanha.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Est certo quanto a isso. rugiu a voz.

    Na boca da caverna estavam duas pessoas: um garoto com tapa-olho e um

    homem de trs metros vestido com um esfarrapado macaco de prisioneiro. O

    garoto eu reconheci: Ethan Nakamura, filho de Nmesis. Tinha nas mos uma

    espada inacabada, uma lmina dupla de ferro estgio negro com desenhos de es-

    queletos gravados em prata. Ela no tinha guarda, mas na base da lmina havia

    uma chave dourada, exatamente como a que eu vira na imagem de Persfone.

    O homem gigante ao lado dele tinha olhos inteiramente prateados. Seu

    rosto era coberto por uma barba falhada e seus cabelos grisalhos eram completa-

    mente bagunados. Ele parecia magro e cansado em suas roupas rasgadas como

    se tivesse passado os ltimos milnios no fundo de um abismo, e mesmo nesse

    estado debilitado parecia bastante assustador. Ele estendeu a mo e uma lana

    gigante apareceu. Lembrei do que Thalia dissera sobre Ipeto: Seu nome significa

    o Perfurador porque isso que ele gosta de fazer com os inimigos.

    O tit sorriu cruelmente.

    E agora vou destruir vocs.

    Mestre! interrompeu Ethan. Ele vestido com uniforme de combate e

    tinha uma mochila pendurada nas costas. Seu tapa-olho estava torto, e o rosto

    sujo de ferrugem e suor. Ns temos a espada. Devamos...

    Sim, sim o tit retrucou, impaciente Voc se saiu bem, Nawaka.

    Nakamura, na verdade.

    Que seja. Tenho certeza de que meu irmo Cronos vai recompens-lo.

    Mas agora temos uma matana para cumprir.

    Meu senhor insistiu Ethan Seu poder no est completamente

    restabelecido. Devemos subir e convocar seus irmos do mundo l em cima. As

    ordens eram para fugirmos.

    O tit virou-se para ele

    FUGIR! Voc disse FUGIR?

    O cho retumbou. Ethan despencou sentado e arrastou-se para trs. A es-

    pada inacabada de Hades caiu sobre as pedras.

    M-m-mestre, por favor...

    IPETO NO FOGE! Esperei trs eras para ser evocado do abismo. Eu

    quero vingana, e vou comear matando esses fracotes.

    Ele apontou a lana para mim e atacou.

    Se estivesse no auge de sua fora, no tenho duvidas de que teria me per-

    furado em cheio. Mesmo fraco e tendo acabado de sair do abismo, o cara era r-

    pido. Ele se moveu como um tornado e atacou to rapidamente que mal tive tem-

    po de me esquivar antes que a lana se cravasse na pedra onde eu estava.

    Eu me sentia muito tonto e mal podia segurar minha espada. Ipeto arran-

    cou a lana do cho, mas quando se virou para mim, Thalia encheu seu flanco de

    flechas, do ombro ao joelho. Ele rugiu e se virou para ela, parecia mais irado que

    machucado. Ethan Nakamura tentou desembainhar sua espada, mas Nico gritou:

    Melhor, no.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    O cho se abriu diante de Ethan. Trs esqueletos em armaduras emergiam

    e o atacaram, empurrando-o para trs. A espada de Hades continuava repousada

    nas pedras. Se eu pudesse s chegar at ela...

    Ipeto golpeou com sua lana e Thalia se esquivou. Ela deixou cair o arco

    para desembainhar suas facas, mas no resistiria muito no combate corpo a cor-

    po.

    Nico deixou Ethan para os esqueletos e avanou na direo de Ipeto. Eu

    j estava frente dele. Parecia que meu ombro ia explodir, mas me lancei contra

    o tit e, com um golpe de cima para baixo, cravei a lmina de Contracorrente em

    sua panturrilha.

    AHHHHHHRRR!

    Icor dourado jorrou da ferida. Ipeto girou e o cabo de sua lana me atin-

    giu, me atirando longe.

    Eu bati contra as pedras, bem ao lado do Rio Lete.

    VOC MORRE PRIMEIRO! Ipeto berrou enquanto mancava em

    minha direo. Thalia tentou chamar a ateno dele, atingindo-o com um arco

    eltrico produzido por suas facas, mas isso tambm deve ter surtido o efeito de

    uma picada de mosquito. Nico desferiu um golpe com sua espada, mas Ipeto o

    atirou para o lado sem nem olhar.

    Vou matar todos vocs! Depois lanarei suas almas na escurido do

    Trtaro!

    Eu estava vendo estrelas. Mal conseguia me mexer. Dois centmetros

    mais, e teria mergulhado a cabea no rio.

    O rio.

    Engoli em seco, torcendo para que a minha voz ainda tivesse fora.

    Voc ... voc ainda mais feio que seu filho provoquei o tit

    Posso ver de quem ele Atlas herdou sua estupidez.

    Ipeto rangeu os dentes. Ele avanou mancando, sua lana erguida.

    Eu no sabia se teria foras, mas precisava tentar. Ipeto baixou a lana e

    esquivei-me para o lado. A ponta fincou-se no cho, bem prximo a mim. Eu me

    estiquei e agarrei a gola da sua camisa, contando o fato de que ele estava ferido e

    sem equilbrio. Ele tentou manter-se de p, mas eu o puxei para frente com todo

    o peso do meu corpo. Ele cambaleou e caiu, agarrado aos meus braos, em pni-

    co, e juntos mergulhamos no Lete.

    BLOOOOOM! Eu estava imerso em gua negra.

    Rezei a Poseidon que minha proteo no se desfizesse, e, enquanto afun-

    dava percebi que ainda estava seco. Eu sabia meu nome. E ainda segurava o tit

    pela gola da camisa.

    A corrente devia t-lo feito escapar de minhas mos, mas, de algum modo,

    o rio formava um canal minha volta, deixando-nos em paz.

    Com o pouco de fora que restava, subi para a beira do rio, puxando Ipe-

    to com o meu brao bom. Ns tombamos na margem eu perfeitamente seco e

    o tit pingando. Seus olhos inteiramente prateados estavam grandes feito a lua.

    Thalia e Nico me observavam maravilhados. L na caverna Ethan Naka-

    mura derrubava o ultimo esqueleto.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Ele se virou e ficou paralisado ao ver seu aliado tit cado de braos aber-

    tos no cho.

    Meu... meu senhor? chamou ele

    Ipeto se sentou e fixou o olhar em Ethan. Ento olhou para mim e sorriu.

    Oi disse ele Quem sou eu?

    Voc meu amigo soltei Voc o... Bob.

    Isso pareceu agrad-lo bastante

    Eu sou o seu amigo Bob!

    Claramente, Ethan podia ver que as coisas no estavam boas para o seu

    lado. Ele deu uma olhada para a espada de Hades repousada na poeira. Mas antes

    que pudesse dar o bote, uma flecha de prata fincou-se no cho a seus ps.

    Nem pensar garoto Thalia o alertou Mais um passo e eu prego os

    seus ps nas rochas.

    Ethan correu... direto para a caverna de Melione. Thalia mirou suas costas,

    mas eu disse:

    No. Deixe ele ir.

    Ela franziu as sobrancelhas, mas baixou o seu arco.

    Eu no sabia por que quis poupar Ethan. Acho que j tnhamos lutado o

    bastante para um dia, e na verdade eu sentia pena dele. Ele estaria numa grande

    encrenca quando voltasse para falar com Cronos.

    Nico recolheu a espada de Hades respeitosamente.

    Conseguimos. Ns realmente conseguimos.

    Conseguimos? perguntou Ipeto Eu ajudei?

    Forcei um sorriso

    Sim, Bob. Voc se saiu muito bem.

    Conseguimos uma viagem expressa para o palcio de Hades. Nico man-

    dou um aviso, graas a alguns fantasmas que ele evocou debaixo da terra. E em

    poucos minutos as Trs Frias em pessoa chegaram para nos transportar de volta.

    Elas no estavam muito animadas em carregar tambm Bob, o tit, mas no tive

    coragem de deix-lo para trs, especialmente depois que ele notou um ferimento

    no meu ombro, disse Awn e curou-o com um toque.

    Enfim, na hora em que chegamos a sala do trono de Hades, eu me sentia

    timo. O senhor dos mortos sentou-se em seu trono de ossos, com um olhar fixa-

    do em ns e acariciando a barba negra como se estivesse imaginando a melhor

    maneira de nos torturar. Persfone sentou-se a seu lado, sem falar nada, enquanto

    Nico explicava nossa aventura.

    Antes que lhe entregssemos a espada, insisti para que Hades fizesse o ju-

    ramento de no us-la contra os deuses. Seus olhos chamejaram como se ele qui-

    sesse me incinerar, mas finalmente ele fez a promessa, com os dentes cerrados.

    Nico repousou a espada aos ps do pai e fez uma reverencia, esperando

    por uma reao.

    Hades olhou para a esposa.

    Voc desafiou a s minhas ordens diretas.

    Eu no sabia sobre o que ele estava falando, mas Persfone no reagiu,

    mesmo sob o seu olhar fulminante.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Hades se voltou para Nico. Seu olhar se abrandou um pouco, como se pe-

    dra fosse mais macia do que ao.

    Voc no vai falar sobre isso com ningum.

    Sim, senhor Nico concordou.

    O deus lanou-me um olhar penetrante.

    E se seus amigos no segurarem as lnguas, eu vou cort-las fora.

    Como queira falei.

    Hades fixou-se na espada. Seus olhos estavam cheios de raiva e de algo

    mais... algo como apetite.. Ele estalou os dedos. As Frias desceram voando do

    topo de seu trono.

    Devolvam a lamina s forjas ele disse Fiquem com os ferreiros

    at que ela esteja pronta, e ento tragam-na de volta a mim.

    A Frias subiram em crculos com a arma, e fiquei pensando em quanto

    tempo levaria para que eu me arrependesse daquela dia. Havia brechas em jura-

    mentos, e calculei que Hades procuraria por uma.

    Voc sbio, meu senhor. disse Persfone

    Se fosse sbio rosnou ele eu a trancaria nos seus aposentos. Se

    voc me desobedecer de novo...

    Ele deixou a ameaa pairando no ar. Depois estalou os dedos e sumiu na

    escurido.

    Persfone parecia ainda mais plida que o normal. Levou um tempo arru-

    mando o vestido e depois se virou para ns.

    Vocs se saram bem, semideuses. Ela acenou e trs rosas verme-

    lhas apareceram aos nossos ps. Esmaguem-nas e elas os levaro de volta ao

    mundo dos vivos. Vocs tm a gratido do meu senhor.

    Imagino resmungou Thalia.

    Forjar a espada foi idia sua percebi Por isso Hades no estava l

    quando voc nos deu a misso. Hades no sabia que a espada tinha sumido. Ele

    nem sabia que ela existia.

    Absurdo retrucou a deusa.

    Nico cerrou os punhos.

    Percy est certo. Voc queria que Hades forjasse uma espada. Ele disse

    que no. Ele sabia que era muito perigoso. Os outros deuses nunca confiariam

    nele. Isso afetaria o equilbrio de poder.

    E ai ela foi roubada completou Thalia Voc trancou o Mundo In-

    ferior, no Hades. Voc no podia contar a ele o que havia acontecido. E precisa-

    va de ns para recuperar a espada antes que Hades descobrisse. Voc nos usou.

    Persfone umedeceu os lbios.

    O importante que agora Hades aceitou a espada. Ela ficar pronta e

    meu marido se tornar to poderoso quanto Zeus ou Poseidon. Nosso reino estar

    protegido contra Cronos... ou qualquer outro que tente nos ameaar.

    E ns somos responsveis por isso conclu, infeliz

    Vocs foram muito teis Persfone concordou Talvez uma re-

    compensa pelo seu silncio...

    Deixe a gente em paz, antes que eu a leve para o Lete e a jogue l den-

    tro. Bob vai me ajudar. No Bob?

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Bob vai ajudar voc! concordou Ipeto alegremente

    Os olhos de Persfone se arregalaram e ela desapareceu em uma nuvem

    de margaridas.

    Nico, Thalia e eu nos despedimos numa sacada com vista para os Asfde-

    los. Bob, o tit, ficou sentado l dentro construindo uma casinha com os ossos e

    rindo cada vez que ela desmoronava.

    Cuidarei dele disse Nico Ele inofensivo agora. Talvez... no

    sei. Talvez possamos transform-lo em alguma coisa boa.

    Tem certeza de que quer ficar aqui? perguntei Persfone far da sua

    vida um inferno.

    Eu preciso insistiu ele Tenho que me aproximar do meu pai. Ele

    precisa de um conselheiro melhor.

    No pude agentar contra isso.

    Bom se voc precisar de alguma coisa...

    Eu chamo prometeu ele Ele apertou minha mo e a de Thalia.

    Virou-se para ir embora, mas me olhou mais uma vez Percy, voc esqueceu

    minha oferta?

    Um calafrio desceu pela minha espinha.

    Ainda estou pensando no assunto.

    Nico assentiu

    Bem, quando voc estiver pronto.

    Depois que ele saiu, Thalia perguntou:

    Que oferta?

    Uma coisa que ele me disse no vero passado respondi Uma pos-

    svel maneira de enfrentar Cronos. perigoso. E eu j vivi perigo demais em um

    nico dia.

    Thalia concordou

    Nesse caso, ainda h tempo para o jantar?

    No pude fazer nada, alem de sorrir

    Depois de tudo isso voc est com fome?

    Ei, at os imortais precisam comer. Estou pensando em cheeseburger

    na McHalls.

    E juntos, pisamos as rosas que nos levariam de volta para o mundo.

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Os doze deuses olimpianos + 2

    Uma breve lista de todos os Olimpianos!

    Deus /Deusa Esfera de Controle Animal/ Smbolo

    Zeus Cu guia, raio-mestre

    Hera Maternidade, casamento Vaca (animal maternal), pavo,

    leo

    Poseidon Mar, terremotos Cavalo, tridente

    Demter Agricultura Papoula vermelha, cevada

    Hefesto Ferreiros Bigorna, codorna (salta engraada,

    como ele)

    Atena Sabedoria, batalha, tcnicas Coruja

    Afrodite Amor Pomba, cinto mgico (que faz os

    homens se apaixonarem por ela)

    Ares Guerra Javali, lana sangrenta

    Apolo Msica, medicina, poesia, tiro ao arco,

    solteiros

    Rato, lira

    rtemis Donzela, caa Ursa

    Hermes Viajantes, comerciantes, ladres, men-

    sageiros

    Caduceu, elmo alado e sandlias

    Dionsio Vinho Tigre, uvas

    Hstia Casa e famlia Lareira

    Hades O Mundo Inferior Elmo do terror

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    EXTRAS - ARQUIVOS

    Tambm conhecido como:

    Senhor do Cu

    Soberano do Monte Olimpo

    Um dos Trs Grandes

    Cidade Natal:

    Monte Olimpo

    (atualmente localizada no 600 andar

    do Empire State Building)

    Arma Preferida:

    Raio-mestre

    ZZEEUUSS

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    Tambm conhecido como:

    Deus do Mar

    Um dos Trs Grandes

    Pai de Percy

    Cidade Natal:

    O fundo do Mar

    Arma Preferida:

    Tridente

    PPoosseeiiddoonn

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tambm conhecido como:

    Deusa da Sabedoria

    Me de Annabeth

    Cidade Natal:

    Cabea de Zeus, da qual ela nasceu j vestida

    em armadura completa

    Arma Preferida:

    Estratgia, trapaa e o que tiver em mos

    AAtteennaa

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tambm conhecido como:

    Deus da Guerra

    Pai de Clarisse

    Cidade Natal:

    O Monte Olimpo

    (embora no adesivo de seu pra-choque esteja escrito No nasci em Es-

    parta, mas cheguei aqui o mais rpido que pude)

    Arma Preferida:

    Voc escolhe, ele se vira

    AArreess

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tambm conhecido como:

    Semideus filho de Poseidon

    Cabea de Alga

    Cidade Natal:

    Nova York

    Arma Preferida:

    Contracorrente

    PPeerrccyy JJaacckkssoonn

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tambm conhecido como:

    Semideusa filha de Atena

    Sabidinha

    Cidade Natal:

    So Francisco, Califrnia

    Arma Preferida:

    Bon mgico da invisibilidade dos Yankees e

    faca de bronze celestial

    AAnnnnaabbeetthh CChhaassee

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tambm conhecido como:

    Menino bode

    Melhor amigo de Percy

    Cidade Natal:

    A floresta do Acampamento Meio - Sangue

    Arma Preferida:

    Flauta de bambu

    GGrroovveerr UUnnddeerrwwoooodd

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tambm conhecido como:

    Sr. Brunner

    Mestre imortal de heris

    Diretor de atividades do Acampamento Meio - Sangue

    Cidade Natal:

    Acampamento Meio Sangue

    Long Island, Nova York

    Arma Preferida:

    Arco e flecha

    QQuurroonn

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tambm conhecido como:

    Grando

    Irmo de Percy e filho de Poseidon

    Cidade Natal:

    Nova York

    Arma Preferida:

    Clava

    ttyyssoonn

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tambm conhecido como:

    Semideus filho de Hermes

    Cidade Natal:

    Connecticut

    Arma Preferida:

    Mordecostas

    LLuukkee ccaasstteellllaann

  • PERCY JACKSON & OS OLIMPIANOS OS ARQUIVOS DO SEMIDEUS

    Tambm conhecido como:

    Semideus filho de Hades

    Rei dos Fantasmas

    Cidade Natal:

    Nova York

    Arma Preferida:

    Espada com a lmina negra feita de ao do Styx.

    NNiiccoo ddii AAnnggeelloo

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    Tambm conhecido como:

    Pesadelo Ruivo (por Percy)

    Cidade Natal:

    Nova York

    Arma Preferida:

    Consegue ver atravs da Nvoa

    RRaacchheell eelliizzaabbeetthh

    ddaarree