Penas de Multa Adrielmo

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<p>PENAS DE MULTA (ARTS. 49 52 DO CP)</p> <p>1</p> <p>PENA DE MULTASegundo Carrara, se chama pena pecuniria a diminuio de nossas riquezas, aplicada por lei como castigo de um delito. Origens: J temos notcias desta espcie de pena observando-se a Bblia Sagrada (xodo e Levtico), onde nas denominadas Leis Judiciais aparecem alguns preceitos e normas, que remontam a uma pena pecuniria. Em Roma este presente no Direito Pblico e no Direito Privado, com carter indenizatrio tpico da vingana privada. Tambm na alta Idade Mdia foi amplamente utilizada, substituindo aos poucos as severas penas corporais, e de morte, entretanto, por volta do sculo XVII, perdeu espao para s penas privativas de liberdade.</p> <p>PENA DE MULTASistema dias-multa (origens): Os penalistas internacionais em sua maioria atribuem o surgimento deste sistema ao Sueco Joan Thyren, uma vez que a Finlndia (1921), Sucia (1931) e Dinamarca em (1239), adotaram, desenvolveram, e aperfeioaram o sistema, motivo pelo qual ficou conhecido como Sistema Nrdico. Entretanto, h srias divergncias a esse respeito, uma vez que um sculo antes dos pases escandinavos adotarem o sistema, o nosso Cdigo Criminal do Imprio (1830), criou o instituto, mesmo que de forma defeituosa, sendo o sistema dias-multa mantido pelo Cdigo Criminal da Repblica (1890), e o nico diploma penal brasileiro a no adotar o mesmo foi o Cdigo Penal de 1940. O fato do Brasil no ter sistematizado ou aperfeioado o sistema, como fizeram os pases escandinavos, no invalida sua iniciativa pioneira com relao ao sistema at ento no visto em outras legislaes.</p> <p>PENA DE MULTAS com a reforma penal de 1984 (Lei 7.209/84) que o legislador ptrio retoma o antigo caminho ao adotar novamente o sistema dias-multa, tornando-o mais flexvel e individualizvel, ajustando seu valor no s a gravidade do delito, mas situao scio-econmica do apenado. Nos dias atuais, vrias legislaes adotaram o sistema, tais como Costa Rica, ustria, Alemanha, Portugal. Como o legislador tratou o sistema dias-multa com a reforma de 1984 ? Em vez de repetir em cada tipo penal a espcie ou cabimento de pena restritiva a quantidade da pena de multa, inseriu um captulo especfico para as penas restritivas e cancelou as referncias a valores de multa, substituindo a expresso multa de... por multa, em todos os tipos da parte especial que cominam pena pecuniria.</p> <p>PENA DE MULTA (ARTIGO 49 DO CP)A multa uma das trs modalidades de penas previstas pelo Cdigo Penal. Pena Pecuniria porque incorre no pagamento em dinheiro; Consiste no pagamento ao Fundo Penitencirio Nacional de quantia em dinheiro fixada na sentena condenatria, calculada em dias-multa; O Juiz no fixa determinado valor para que o condenado pague. Fixa a condenao atravs do critrio de DIAS-MULTA, cada dia-multa fixado entre 1/30(um trigsimo) do salrio mnimo e 5(cinco) vezes esse salrio (Art. 49, 1 CP).</p> <p>PENA DE MULTAA dosimetria, levar em conta a gravidade do delito mais as caractersticas do artigo 59 CP e a situao econmica do ru e ser dividida em 3 fases; 1 - encontrar o nmero de dias-multa, que ser estabelecido a quantidade de dias multas podendo variar entre 10 a 360 dias multa; 2 - encontrar o valor de cada dia-multa, que poder ser de (1/30 do salrio) R$ 510/30 = R$17, no mnimo e (5x o salrio) ou seja, R$ 2.550,00 no mximo; 3 - multiplicar o nmero de dias multa pelo valor de cada um deles.6</p> <p>PENA DE MULTA1 Etapa: o juiz deve, considerando a espcie de crime praticado e as circunstncias judiciais (art.59 do CP), fixar a pena entre os limites de 10 e 360 dias-multa, e em seguida, considerar os aumentos e diminuies referentes s agravantes, atenuantes, causas de aumento ou diminuio de pena, tudo como determina o art.68 do CP. Fixa assim o nmero de dias-multa segundo o grau do injusto e a culpabilidade, assim como as exigncias de reprovao e preveno do crime.</p> <p>7</p> <p>PENA DE MULTA2 Etapa: o juiz estipula em quanto importa o dia-multa, entre os limites legais (de um trigsimo a cinco vezes o salrio mnimo), atendendo agora situao econmica do condenado, como a justa retribuio diante das condies pessoais do autor do crime. Caso assim no ocorresse, e a fixao da pena de multa fosse realizada em apenas uma etapa, na converso, anteriormente possvel, haveria uma desigualdade entre os condenados, pois o mais abonado, cuja pena importaria um nmero de dias multa mais elevado, deveria cumprir um nmero maior de dias de deteno. (L. R. Prado)8</p> <p>PENA DE MULTABitencourt afirma que se torna difcil em alguns casos distinguir a pena de multa de outras sanes pecunirias como as civis, administrativas, fiscais, etc. Entretanto, havia duas caractersticas fundamentais a multa penal que a distinguia das demais sanes no penais: a) A possibilidade de sua converso em priso; b) Seu carter personalssimo, com a impossibilidade de transferncia para os herdeiros ou sucessores do apenado. Entretanto, com a Lei 9.268/96, foi retirada sua coercibilidade, impedindo sua converso em priso por falta de pagamento.</p> <p>9</p> <p>PENA DE MULTAQuando aplicada de forma alternativa, mais uma espcie de pena que evita o encarceramento de pessoas condenadas pela prtica de crimes menos graves, ou mesmo, para evitar o cumprimento de penas privativas de liberdade de pequena durao. A pena de multa pode ser prevista no tipo penal, de forma cumulativa ou alternativa com a pena privativa de liberdade, ou a nica prevista no tipo, como nas contravenes penais.</p> <p>10</p> <p>PENA DE MULTAA pena de multa tambm pode ser uma pena substitutiva da pena privativa de liberdade quando esta no for superior a 1 (um) ano Art. 44 2, do CP, desde que o ru no seja reincidente em crime doloso e as circunstncias judiciais assim indicarem. A lei de combate ao trfico de entorpecente (Lei 11.343/06), nos artigos 33 ao 39 previu a possibilidade de nmero de multa muito superior ao previsto na Parte Geral do CP. Obs.: O art. 33 dessa lei prev de 500 a 1500 dias-multa.</p> <p>11</p> <p>PENA DE MULTAO artigo 60 do CP estabelece que a pena de multa haver de ser fixada segundo as condies econmicas do condenado, podendo ser aumentada em at o triplo, se mesmo no mximo for tida como insignificante para o condenado, dada a sua condio econmica. Preconiza-se a idia de que a pena de multa haver de ser fixada com a utilizao dos mesmos critrios empregados para fixao das outras espcies de pena.</p> <p>PAGAMENTO DA MULTATransitada em julgado a sentena condenatria, o condenado poder adimplir ou pedir o parcelamento (art. 50 da LEP), podendo ser paga atravs de desconto no salrio, valor esse que deve ficar entre 1/10 a do salrio do condenado (artigo 168 da LEP), quando aplicada isoladamente ou cumulativamente com pena restritiva de direitos; Poder haver uma revogao desse pagamento parcelado, no caso de impontualidade no mesmo ou ento se houve melhora econmica na situao do acusado (art. 169 2 da LEP).</p> <p>13</p> <p>PAGAMENTO DA MULTAPrazo para pagamento e Execuo da pena: Segundo regra do art. 50, 1, alnea a do CP, a multa dever ser paga em dez dias do trnsito em julgado de sentena condenatria, entretanto a LEP (art. 164) determina que o MP, de posse de certido da sentena penal condenatria, dever requerer a citao do condenado para, no prazo de 10 dias, pagar o valor da multa ou nomear bens penhora. Como os dois diplomas tratam da matria, quando de fato se inicia o prazo para o pagamento da multa ?</p> <p>14</p> <p>PAGAMENTO DA MULTABitencourt afirma que se pode at argumentar que o prazo do CP para a multa ser paga e o prazo da LEP para a multa ser cobrada, ou em outros termos: a previso do CP para o pagamento voluntrio e a previso da LEP para o pagamento compulsrio. Ento, se passados os 10 dias do trnsito em julgado e s depois o ru comparecesse para pagamento, este no poderia ser recebido, porque espontneo ? Qual a diferena, afinal, de o acusado pagar dentro dos 10 dias ou depois deles, sempre voluntariamente? Nenhuma! Ento aquele prazo do art. 50 do CP no tem sentido nem finalidade alguma.</p> <p>15</p> <p>PAGAMENTO DA MULTANo processo de Execuo da pena de multa, a finalidade da citao no para pagar sob pena de priso, j que a converso impossvel. A citao tem na verdade trs finalidades alternativas: pagar a multa imposta; nomear bens penhora; depositar a importncia correspondente. Assim, deixar de pagar no acarreta a converso, mas to-somente a cobrana judicial.</p> <p>a) b) c)</p> <p>16</p> <p>PENA DE MULTAO pagamento dever ser realizado em 10 dias, caso esse no se realize essa pena haver de ser executada, tendo sido criada uma discusso a quem competia propor essa execuo, se o Ministrio Pblico ou a Procuradoria do Estado. A discusso adveio da nova redao do artigo 51 do CP que considerou a multa como uma dvida de valor, aplicando-lhe as normas referentes dvida ativa da Fazenda Pblica. A partir da lei 9268/96, que revogou o artigo 51 e seus pargrafos, do CP, no h mais converso da pena de multa em pena privativa de liberdade, resolvendo-se a questo dos miserveis inadimplentes da multa cumprirem a pena de priso.</p> <p>17</p> <p>PENA DE MULTAA multa no se transmite aos herdeiros. Com o pagamento do valor da multa tem-se a pena cumprida. de ser observada a possibilidade desse tipo de pena vir a ser cumprida por terceira pessoa, como nas hipteses do ru sem condies financeiras que se vale dos favores de parentes ou amigos, deixando de ser observado o princpio da pessoalidade da sano penal. Os tipos penais prevem a multa como pena cumulativa ou alternativa. Algumas contravenes prevem como pena nica.18</p> <p>PENA DE MULTASuspenso da execuo da multa: suspensa a execuo da pena de multa, se sobrevm ao condenado doena mental (art. 52 do CP e art. 167 da LEP).</p> <p>Prescrio durante a execuo: A prescrio da pena de multa isoladamente aplicada ocorre em dois anos, que comea a contar a partir do trnsito em julgado para a acusao. Nos demais casos, absurdamente as medidas processuais para a cobrana da multa no interrompe nem suspende a prescrio.</p> <p>19</p>