pegadas musicais tfg marysol rivas brito fauusp 2012

Download Pegadas musicais tfg marysol rivas brito fauusp 2012

Post on 12-Mar-2016

217 views

Category:

Documents

4 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Trabalho Final de Graduação para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (2012). Pesquisa teórica e projeto de parque de equipamentos relacionando arquitetura e música.

TRANSCRIPT

  • 1 Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

    Universidade de So Paulo

    PEGADAS MUSICAIS TRABALHO FINAL DE GRADUAO

    MARYSOL RIVAS BRITO

    Orientador: Prof. Dr. Fbio Mariz Gonalves

    Novembro, 2012

  • ESPAO DE VIVNCIA MUSICAL2

  • 3AGRADECIMENTOS

    Ao Professor Fbio Mariz Gonalves, por toda a orientao ao longo deste processo, pela pacincia e bons conselhos.

    Ao tantos outros orientadores que tive ao longo desses anos FAU por, percebendo os limites da minha viso, abrirem meus horizontes e me incentivarem a caminhar nesse sentido.

    Aos amigos que fiz na FAU, imprescindveis e importantssimos na minha formao. Obrigada por fazerem esses anos superarem minhas mais otimistas expectativas.

    Agradecimentos especiais a Thelma Cardoso, Ana Daniela Dalla Rosa, Mariana Pierobon Gomes, Alexandre Gaiser, Pablo Estefania, Ricardo Froes, Thomas Boerendonk, Camila Reis, Laura Affonso, Hugo Guedes, Kim de Paula, Gabriel Nilson, Julia Paccola, Bruno Zaitsu e Felipe Gomiero, por todo o apoio e grande ajuda na reta final.

    Aos meus Amigos de sempre, pelos anos de amizade, pelas conversas na madrugada, e por to pacientemente compreenderem meus desaparecimentos.

    minha famlia por toda pacincia, carinho, por me apoiarem e acompanharem. Mesmo nas mais inslitas empreitadas.

  • ESPAO DE VIVNCIA MUSICAL4

  • 54. Projeto 75

    4.1 Redesenho do Parque 76

    4.2 Passarela 88

    4.3 Edifcio Ensino-Aprendizagem 104

    4.4 Edifcio Degustao 138

    4.5 Edifcio Performance 162

    4.6 Materiais 187

    4.7 Maquete fsica 189

    5. Referncias Bibliogrficas e Iconogrficas 207

    SUMRIO

    1. Introduo 9

    2. Pesquisa terica 11

    2.1 Espao e Msica 13

    2.2 Estudos de caso 21

    2.3 Acstica arquitetnica 47

    3. Estudos Especficos 51

    3.1 Esferas de Aproximao 53

    3.3 Mapa da Msica 55

    3.4 Pegada Musical 57

    3.5 Escolha Do Terreno 59

    3.6 Estudos Aprofundados / Programa 63

  • ESPAO DE VIVNCIA MUSICAL6

  • 7INTRODUO

    Tanto a arquitetura quanto a msica se destacam por serem artes imersivas, ou seja, preenchem o espao, envolvem o sujeito como um todo. Ao ouvir msica ou entrar em edifcio, o indivduo se v incontestavelmente interagindo com a obra. Essa interao pode se dar de maneira consciente ou no, mas sempre existir. Nesse sentido, a passagem do livro Eupalinos ou o Arquiteto, de Paul Valry (na qual dialogam hipotticos Scrates e Fedro), expressa bem o material subjetivo com o qual se pretende trabalhar:

    Ora, jamais o experimentaste, ao assistir a uma festa solene ou participar de um banquete, a orquestra inundando a sala de sons e fantasmas? No te parecia ser o espao primitivo substitudo por outro, inteligvel e varivel, ou melhor, que o prprio tempo te envolvia de todos os lados? No vivias em um edifcio mvel, incessantemente renovado e reconstruido em si mesmo, todo consagrado s transformaes de uma alma que seria a alma do prprio espao? Essa plenitude cambiante no era anloga a uma chama contnua, iluminando e aquecendo todo o seu ser, atravs de ininterrupta combusto de lembranas, pressentimentos, arrependimentos, pressgios e uma infinidade de emoes sem causa precisa? E aqueles monumentos, com seus ornamentos; e aquelas danas, sem danarinas; e aquelas esttuas, sem corpo nem fisionomia (mas to delicadamente delineadas), no pareciam envolver-te a ti, escravo da presena total da msica?

    Surge ento a proposio de projetar arquitetura com msica e para a msica, desenvolver pesquisa no sentido de repensar como os espaos se relacionam entre si e com seu propsito dentro desse contexto. Aspecto interessante o fato de que a expanso das demais artes rumo a domnios arquitetnicos e musicais grande tendncia atual, o que traz consigo novas oportunidades de interveno e levanta a questo da relao entre os espaos de apreciao e expresso artstica, seus usos e apropriaes.

    Teria de ser equipamento pblico e dentro de contexto urbanstico e paisagstico que justificasse a empreitada. Um edifcio que pudesse tirar partido da rede de infra-estruturas pblicas da cidade e as complementasse, alterando positivamente a dinmica existente. A discusso sobre o espao pblico tambm remete viso de cidade e apropriao dos espaos, levanta a questo da relao entre os diferentes, que se manifesta de forma explosiva na convivncia coletiva.

    A opo por So Paulo se deve a srie de fatores relativos tanto ao tempo de desenvolvimento do trabalho (quanto seria despedindo em etapas de anlise e diagnstico) quanto prpria identidade da cidade. Um ano no seria suficiente para desenvolver entendimento urbano cuidadoso o suficiente para que a implantao de infra-estrutura como a proposta faa algum sentido em outro lugar, visto que o objetivo deste trabalho chegar ao projeto arquitetnico de fato. Alm da contribuio que os anos de FAU trouxeram, a herana de discusses e entendimento urbanos que fazem com que algumas etapas analticas possam ser sublimadas, a vivncia

  • ESPAO DE VIVNCIA MUSICAL8

  • 9de 24 anos morando em So Paulo tambm contribui para melhor entender e elaborar as propostas para o trabalho.

    Musicalmente falando, So Paulo cidade bastante fervilhante, com grande variedade de estilos e vasta oferta de espetculos. Em termos de tradio musical, bero de sambistas de renome como Adoniran Barbosa, e assistiu o surgimento inmeras bandas de rock nas dcadas de 60, 70 e 80, reflexo das grandes mudanas na sociedade e na cultura que aconteciam no pas todo. Bandas ps-punk e garagem tornaram-se fortes na dcada de 1980, associadas ao cenrio sombrio de desemprego da poca, e nos anos 90 drum & bass tornou-se outro movimento musical forte, juntamente com o heavy-metal. Por ser grande plo nacional e por seu aspecto cosmopolita, a cidade cada vez mais se renova musicalmente, aceitando as diversas vertentes musicais oriundas de toda parte. tambm importante local para a msica erudita: possui um dos maiores conjuntos sinfnicos da Amrica Latina (Orquestra Sinfnica do Estado de So Paulo OSESP) e grande nmero de espetculos por ano. A cidade tambm muito influente no movimento hip-hop, sendo que os maiores expoentes dessa vertente cultural se encontram em So Paulo arredores. Tambm forte a presena da msica eletrnica, com diversos clubes noturnos, raves e festivais.

    A primeira etapa do trabalho se foca ento na pesquisa terica e se desenvolve atravs de trs enfoques:

    1- Levantamento e estabelecimento de paralelos entre arquitetura e msica, atravs inclusive

    da anlise do desenvolvimento destas ao longo da histria

    2- Anlise da percepo e relao do usurio com o espao destinado vivncia musical, ligada acstica arquitetnica e critrios de desempenho dos ambientes

    3- Estudo de referncias arquitetnicas e de equipamentos ligados msica

    O produto final da pesquisa terica foi ento o programa do equipamento proposto e o projeto arquitetnico, mote da segunda etapa.

  • ESPAO DE VIVNCIA MUSICAL10

  • 11

    PESQUISA TERICA

  • ESPAO DE VIVNCIA MUSICAL12

  • 13

    ESPAO E MSICA

    A relao mais direta e instintiva entre as duas artes se faz atravs da matemtica, e isso j sabido desde a Grcia antiga. Dentro da escola pitagrica (sc. V a.C.), se considerava que a formao intelectual do homem deveria contemplar dois grandes ramos de conhecimento: trivium e quadrivium. O primeiro engloba gramtica, dialtica e retrica, e o segundo astronomia, geometria, aritmtica e msica. Para os gregos, astronomia seria a grandeza em movimento, a geometria seria grandeza em descanso, aritmtica seriam os nmeros absolutos, e msica os nmeros aplicados. Assim, segundo Elvan Silva (Arquiteto, mestre em arquitetura e doutor em sociologia brasileiro) a aproximao pitagrica era bem diferente da matemtica como conhecemos hoje: os nmeros tinham nela um sentido mais amplo, transcendendo transcrio de relaes quantitativas. Da mesma forma que a aritmtica era usada para compreender o universo fsico e universal, a msica era considerada o melhor exemplo da harmonia universal.

    Pitgoras (filsofo e matemtico grego 571 a.C. a 496 a.C.) tambm cria matematicamente (relaes fsicas entre tamanhos de cordas) os harmnicos, que viriam a ser a base da msica ocidental. Os harmnicos seriam 7 sons prazerosos ao ouvido. Anos depois, Hemholtz (mdico e fsico alemo - 1821 a 1894) diria que dois sons so mais consoantes de acordo com a maior quantidade de harmnicos compartilhados.

    Seguidores de Pitgoras dividiram a msica

    em trs grupos: msica instrumentalis (produzida por instrumentos e cordas vocais), msica humana (inaudvel, produzida pelo corpo e indicando a ressonncia com a alma e entre almas), e msica mundana (produzida pelo cosmos, a msica das esferas). A msica ento era entendida como a expresso mais significativa da harmonia, que se expressava tambm nas famosas propores utilizadas na confeco dos templos e demais construes oficiais.

    Vitrvio (arquiteto e engenheiro romano sc. I a.C.) era defensor da associao das duas artes, em especial na fase de formao do arquiteto. Em seu tratado (mais especificamente no primeiro captulo do primeiro livro, sobre a educao do arquiteto), afirma que o arquiteto deveria entender a msica, conhec-la e compreend-la, objetivando a harmonia na obra.

    8. O arquiteto tambm deve conhecer a msica, e compreend-la de modo a dominar a teoria matemtica e cannica e, alm disso, ser capaz de afinar as em ballistae, as catapultae e os scorpiones, como se fossem instrumentos musicais, na escala certa. Tambm direita e esquerda de suas vigas esto os furos em suas estruturas atravs dos quais as cordas entranadas so esticadas por meio de roldanas e barras, sendo que tais cordas no podem ser fixadas e apertadas at que produzam a correta nota sonora, somente au