pedro ivo garcia nunes - .mudanças, principalmente, quando do gerenciamento de riscos e inovação

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  • UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

    FACULDADE DE TECNOLOGIA

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM TECNOLOGIA

    PEDRO IVO GARCIA NUNES

    CRIAO COLETIVA DE SENTIDO PARA SINAIS FRACOS:

    REVISO DE LITERATURA

    Documento confeccionado como exerccio prtico da disciplina FT061 Seminrio de Tese.

    LIMEIRA

    2015

  • ii

  • iii

    Sumrio

    1. Introduo ................................................................................................................ 1

    2. Reviso de literatura ............................................................................................... 1

    2.1 Base Terica ....................................................................................................... 2

    2.2 Estado da Arte .................................................................................................... 3

    3. Consideraes Finais ............................................................................................... 9

    Referncias .................................................................................................................... 10

    Apndice A .................................................................................................................... 13

    Apndice B ..................................................................................................................... 14

  • iv

  • 1

    1. Introduo

    O conceito de sinal fraco foi proposto por H. I. Ansoff1 para caracterizar o surgimento de

    informaes incipientes sobre um fenmeno emergente. A capacidade de identificar, capturar e

    interpretar esses sinais fundamental para o planejamento estratgico e para o estabelecimento de

    vantagem em um ambiente competitivo. A possibilidade de se antecipar ocorrncia de um

    evento de modo a evitar surpresas permite o melhor aproveitamento de oportunidades e a

    resposta adequada a eventuais ameaas. Assim, at hoje esse tema desperta o interesse das

    organizaes sobre o desenvolvimento de sistemas de monitorao capazes de prospectar

    mudanas, principalmente, quando do gerenciamento de riscos e inovao. Muito embora esses

    sistemas possam contribuir para o estabelecimento de uma inteligncia antecipativa, o desafio

    nesse campo de estudo diz respeito viabilidade do processo de formao de hipteses a partir

    dos sinais fracos.

    Isso ocorre porque a subjetividade envolvida na anlise desses sinais tipicamente

    ambguos implica a influncia de heursticas e vieses cognitivos que prejudicam uma

    interpretao racional da informao. O propsito deste trabalho desenvolver um sistema que

    seja capaz de automatizar essa interpretao, de modo a eliminar a influncia de aspectos

    irracionais durante o processo de criao de sentido a partir dos sinais fracos. Para isso, sero

    utilizados algoritmos baseados no alinhamento semntico de ontologias. Ontologias so artefatos

    computacionais utilizados para representar as relaes entre os conceitos de um determinado

    domnio de conhecimento. O alinhamento dessas ontologias permitir que o conhecimento

    pertinente a diferentes reas seja combinado e utilizado para formulao automtica de hipteses

    a partir da informao associada a uma determinada amostra de sinais fracos.

    2. Reviso de literatura

    Esta seo tem como principal objetivo apresentar uma reviso de literatura acerca da

    temtica dos sinais fracos. Para tal, a Subseo 2.1 procura oferecer uma base terica a partir dos

    1 Harry Igor Ansoff (12 de dezembro de 1918 14 de julho de 2002) foi um matemtico russo-americano

    conhecido por trabalhos na rea de Gesto de Negcios. Em 1965, publicou o livro Corporate Strategy que lhe

    valeu o ttulo de pai da Gesto Estratgica. Dentre suas contribuies, destaca-se, por exemplo, uma importante

    ferramenta de planejamento estratgico para prospeco de produtos e mercados: a Matriz de Ansoff (ROSSEL,

    2012).

  • 2

    principais conceitos envolvidos nessa rea de investigao, enquanto a Subseo 2.2 se dedica a

    discutir alguns temas pertinentes ao estado da arte nesse campo de pesquisa. Finalmente, a Seo

    3 apresenta algumas consideraes finais sobre os resultados desse levantamento bibliogrfico,

    especialmente naquilo se refere s lacunas de conhecimento que foram identificadas pela reviso

    de literatura.

    2.1 Base Terica

    O mundo cada vez mais dinmico adiciona incerteza aos processos decisrios e impe

    srias dificuldades ao gerenciamento de riscos, gesto da inovao e ao planejamento

    estratgico de longo prazo (MILLER; ROSSEL; JORGENSEN, 2012). Quaisquer atividades de

    prospeco, alis, so permeadas por fatores pertinentes a um ambiente turbulento que pode

    proporcionar uma srie de surpresas. A ocorrncia de eventos inesperados, por sua vez, pode

    representar graves ameaas, mas tambm pode caracterizar grandes oportunidades

    principalmente, se estas forem detectadas com alguma antecedncia (DARKOW, 2014). Nesse

    sentido, a capacidade de se antecipar s mudanas crucial para a implantao de estratgias que

    podem contribuir para o estabelecimento de vantagem competitiva (VECCHIATO, 2014).

    J na dcada de 1970, Ansoff percebeu a importncia do desenvolvimento de uma

    inteligncia estratgica que fosse capaz de incrementar a habilidade de adaptao do

    comportamento dos atores frente aos seus concorrentes (MARTINET, 2010). A identificao

    antecipada dos eventos futuros permite uma rpida realocao de recursos, que acaba por conferir

    celeridade capacidade de reao das corporaes. Para tal, essas organizaes devem instituir

    um processo de monitorao do ambiente, a fim de detectar os primeiros sintomas de fenmenos

    emergentes. Esses sintomas so pequenos fragmentos de informao desestruturada e, por

    isso, vaga, ambgua e aparentemente incompleta chamados de sinais fracos (SCHOEMAKER;

    DAY; SNYDER, 2013). Os sinais fracos representam os avisos de profundas mudanas e,

    quando isolados, so dificilmente perceptveis no presente.

    Por isso baseado pela Teoria da Informao Ansoff (1975) prope a utilizao de

    filtros que devem realizar um tratamento aos sinais fracos. Esses filtros permitem que uma

    organizao esteja sensvel ao aparecimento dos sinais, viabilizando o processo de antecipao e

    reao diante de um acontecimento. Isso se faz necessrio quando se considera que os sinais

  • 3

    fracos so sutis e que , inclusive, por isso que so chamados de fracos. medida que um

    evento futuro se aproxima ele passa a emitir sinais cada vez mais claros e evidentes, que so

    chamados de sinais fortes (HOLOPAINEN; TOIVONEN, 2012). Essa dicotomia relacionada

    dinmica dos sinais fundamental para a compreenso do seu potencial de aplicao. Mais do

    que isso, importante perceber que os sinais fracos so estranhos e, se comparados s tendncias

    mainstream, parecem no fazer sentido algum no presente . No entanto, conforme esses sinais so

    agrupados e evoluem, podem indicar a emergncia de um evento que, de fato, pode ocorrer no

    futuro.

    O grande desafio deste trabalho se refere criao de sentido a partir desses sinais, j que

    sua natureza ambgua implica diversas possibilidades de interpretao (HILTUNEN, 2008). Essa

    subjetividade pode ser contornada por meio da instituio de um processo de criao coletiva de

    sentido, que envolva uma diversidade de especialidades, experincias e conhecimentos (LESCA;

    LESCA, 2011; ROSSEL, 2011). Ainda assim, essa anlise multiespecialista pode receber a

    influncia de heursticas e vieses cognitivos, o que, por sua vez, demanda uma tentativa de

    automatizao.

    2.2 Estado da Arte

    Para investigar o estado da arte a respeito dos sinais fracos, deve-se primeiramente

    considerar que esse conceito objeto do estudo de diferentes disciplinas. Por isso, apesar do

    conhecimento a respeito desse tipo especfico de informao estar em constante evoluo, ele

    ainda muito fragmentado (POLI, 2014). Muito embora Ansoff estivesse preocupado com a

    Inteligncia Estratgica quando da proposio de sua teoria, o seu pensamento orientado ao

    futuro abarca diversas reas de investigao como a Inteligncia Prospectiva e a Futurologia2

    (ROSSEL, 2012). Dentre as aplicaes mais comuns para o uso dos sinais fracos, destacam-se o

    gerenciamento de riscos, a gesto da inovao e o planejamento estratgico de longo prazo.

    Como ilustra a Figura 1, a fragmentao do conhecimento e suas diferentes possibilidades

    de aplicao tambm acabam por criar uma nomenclatura diversificada para os principais

    elementos da teoria dos sinais fracos. Alguns autores, por exemplo, chamam esses sinais de

    signos fracos, enquanto outros preferem nome-los como sinais do futuro, condutores de

    2 Futurologia (ou Future Studies) um campo de estudo interdisciplinar que se dedica prospeco de

    cenrios possveis do futuro a partir de uma abordagem cientfica.

  • 4

    mudana, sementes de mudana e, finalmente, wildcards (KUOSA, 2011). H tambm

    quem prefira tratar dos sinais fracos como tendncias emergentes ou disruptivas, bem como

    existem aqueles que no consideram todos esses conceitos correlatos como sinnimos. Assim, a

    diversidade de nomenclaturas est associada a algo muito mais profundo do que preferncias

    etimolgicas. A maneira como determinado autor se refere indica tambm uma concepo

    conceitual a respeito dos sinais fracos. Fundamentalmente, exis