pedro henry

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  • Ementa e Acrdo

    28/08/2013 PLENRIO

    VIGSIMOS QUARTOS EMB.DECL.JULG. NA AO PENAL 470 MINAS GERAIS

    RELATOR : MIN. JOAQUIM BARBOSAEMBTE.(S) :PEDRO HENRY NETO ADV.(A/S) : JOS ANTONIO DUARTE ALVARES EMBDO.(A/S) :MINISTRIO PBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DA REPBLICA

    EMENTA: AO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAO. EMENTA. DVIDA. INEXISTNCIA. SUPRESSO DE NOTAS TAQUIGRFICAS. OMISSO. NO CONFIGURADA. REDISTRIBUIO DO RECURSO A NOVO RELATOR. DESCABIMENTO. DVIDAS, CONTRADIES, OMISSES E OBSCURIDADES NA ANLISE DAS PROVAS. INOCORRNCIA. MERA PRETENSO REITERAO DO JULGAMENTO DE MRITO. CONDENAES POR CORRUPO PASSIVA E LAVAGEM DE DINHEIRO. BIS IN IDEM. AUSNCIA. RESPONSABILIZAO OBJETIVA. NO CARACTERIZADA. ACRDO FUNDAMENTADO SEM QUALQUER VCIO. OMISSO, CONTRADIO E DESPROPORCIONALIDADE DA DOSIMETRIA. INEXISTNCIA. EMBARGOS DECLARATRIOS REJEITADOS.

    No h qualquer dvida ou contradio na ementa do acrdo embargado, decorrente da absolvio do embargante da acusao de prtica do crime de formao de quadrilha. O fato de o embargante ter sido absolvido da imputao deste ltimo delito no teve qualquer repercusso sobre a configurao da prtica do crime de lavagem de dinheiro, como est claro no acrdo embargado e em sua ementa.

    A reviso e o cancelamento das notas taquigrficas, assim como a ausncia de juntada de voto-vogal, no acarretam nulidade do acrdo e nem configuram cerceamento da defesa. Precedentes desta Corte.

    O art. 75, do RISTF, mantm sob a relatoria do presidente os processos em que tiver lanado relatrio. No caso, no s o relatrio j foi lanado, como o prprio julgamento j ocorreu, o que torna infundada a

    Documento assinado digitalmente conforme MP n 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Pblicas Brasileira - ICP-Brasil. Odocumento pode ser acessado no endereo eletrnico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o nmero 4634551.

    Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal FederalInteiro Teor do Acrdo - Pgina 1 de 100 STF-fl. 65595

  • Ementa e Acrdo

    AP 470 EDJ-VIGSIMOS QUARTOS / MG

    pretenso de ver redistribudo o processo para julgamento dos embargos de declarao.

    A alegao de contradio, omisso e obscuridade nos votos vogais incabvel e improcedente. O embargante pretende rediscutir o mrito de cada voto, o que absolutamente incabvel na espcie recursal em julgamento. A contradio sanvel mediante embargos de declarao aquela verificada entre os fundamentos do acrdo e a sua concluso, no a que possa haver nas diversas motivaes de votos convergentes (Precedente: Inq 1070-ED, Rel. Min. Seplveda Pertence, Tribunal Pleno, julgado em 06/10/2005, DJ 11/11/2005).

    Os embargos de declarao no se prestam reavaliao das provas, detidamente apreciadas e sopesadas no julgamento de mrito desta ao penal. Assim, as alegaes de que o nome do embargante no constava da lista de beneficirios indicada por Marcos Valrio, de que o corru Joo Cludio Gen no recebeu qualquer telefonema no gabinete da Liderana do PP enquanto o embargante era o lder e de que o embargante no participou dos recebimentos junto ao Banco Rural no infirma qualquer trecho do acrdo condenatrio, relativamente sua conduta, assim como no houve anlise tendenciosa das provas, e sim sua anlise no contexto dos fatos e provas juntados aos autos, sem qualquer omisso, obscuridade, contradio ou omisso. Precedentes.

    Como se pode perceber da leitura do acrdo embargado, no h bis in idem ou responsabilizao objetiva pelo simples fato de o embargante ser lder do PP. A prova foi bem analisada e mensurada, bem assim foram individualizadas as condutas delitivas, de forma que no possvel nova digresso sobre todo o rico acervo probatrio produzido apenas para reiterar o que j foi explicitado na deciso, cujos fundamentos foram suficientes para a formao do juzo condenatrio por este Plenrio.

    As penas impostas ao embargante, pela prtica dos delitos de corrupo passiva e lavagem de dinheiro, foram coerente e concretamente mensuradas, com anlise de todas as circunstncias legais incidentes no processo de individualizao da pena, nos termos do artigo 68 do CP. Inaplicvel a diminuio de pena do art. 29, 1, do Cdigo Penal, por

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    Documento assinado digitalmente conforme MP n 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Pblicas Brasileira - ICP-Brasil. Odocumento pode ser acessado no endereo eletrnico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o nmero 4634551.

    Supremo Tribunal Federal

    AP 470 EDJ-VIGSIMOS QUARTOS / MG

    pretenso de ver redistribudo o processo para julgamento dos embargos de declarao.

    A alegao de contradio, omisso e obscuridade nos votos vogais incabvel e improcedente. O embargante pretende rediscutir o mrito de cada voto, o que absolutamente incabvel na espcie recursal em julgamento. A contradio sanvel mediante embargos de declarao aquela verificada entre os fundamentos do acrdo e a sua concluso, no a que possa haver nas diversas motivaes de votos convergentes (Precedente: Inq 1070-ED, Rel. Min. Seplveda Pertence, Tribunal Pleno, julgado em 06/10/2005, DJ 11/11/2005).

    Os embargos de declarao no se prestam reavaliao das provas, detidamente apreciadas e sopesadas no julgamento de mrito desta ao penal. Assim, as alegaes de que o nome do embargante no constava da lista de beneficirios indicada por Marcos Valrio, de que o corru Joo Cludio Gen no recebeu qualquer telefonema no gabinete da Liderana do PP enquanto o embargante era o lder e de que o embargante no participou dos recebimentos junto ao Banco Rural no infirma qualquer trecho do acrdo condenatrio, relativamente sua conduta, assim como no houve anlise tendenciosa das provas, e sim sua anlise no contexto dos fatos e provas juntados aos autos, sem qualquer omisso, obscuridade, contradio ou omisso. Precedentes.

    Como se pode perceber da leitura do acrdo embargado, no h bis in idem ou responsabilizao objetiva pelo simples fato de o embargante ser lder do PP. A prova foi bem analisada e mensurada, bem assim foram individualizadas as condutas delitivas, de forma que no possvel nova digresso sobre todo o rico acervo probatrio produzido apenas para reiterar o que j foi explicitado na deciso, cujos fundamentos foram suficientes para a formao do juzo condenatrio por este Plenrio.

    As penas impostas ao embargante, pela prtica dos delitos de corrupo passiva e lavagem de dinheiro, foram coerente e concretamente mensuradas, com anlise de todas as circunstncias legais incidentes no processo de individualizao da pena, nos termos do artigo 68 do CP. Inaplicvel a diminuio de pena do art. 29, 1, do Cdigo Penal, por

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    Documento assinado digitalmente conforme MP n 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Pblicas Brasileira - ICP-Brasil. Odocumento pode ser acessado no endereo eletrnico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o nmero 4634551.

    Inteiro Teor do Acrdo - Pgina 2 de 100 STF-fl. 65596

  • Ementa e Acrdo

    AP 470 EDJ-VIGSIMOS QUARTOS / MG

    incompatibilidade com os fundamentos da condenao. Ausncia de omisso ou contradio.

    A culpabilidade do embargante, ao contrrio do que afirma, foi considerada elevada para o crime de corrupo passiva e exacerbada no crime de lavagem de dinheiro, de modo que ao pretender ver reconhecida cooperao dolosamente distinta, em verdade, busca introduzir discusso nova e absolutamente dissociada das concluses adotadas no acordo embargado. Inadequao da pretenso de ver modificado o resultado do julgamento para aplicao da regra do artigo 29,2 do Cdigo Penal.

    O processo de individualizao da pena tarefa de carter subjetivo, devendo as diretrizes do artigo 59 do CP ser sopesadas em consonncia com as condies pessoais do agente e as objetivas de cada fato delituoso. No se aplica um critrio meramente matemtico de comparao entre penas cominadas a delitos distintos, com intervalos diversos entre a pena mxima e a pena mnima, sob pena de violao do princpio da individualizao. Assim, no h contradio a ser afastada em razo da comparao das penas aplicadas aos corrus Jos Genono, Marcos Valrio e Joo Paulo Cunha

    A reanlise das circunstncias judiciais, objetivando a mudana do critrio adotado, constitui pretenso inadequada para os embargos de declarao, notadamente porque o caminho percorrido para se chegar pena final foi devidamente indicado, estando claro que o acrdo embargado seguiu a tcnica prevista em Lei, de forma objetiva e transparente.

    Embargos rejeitados.

    A C R D O

    Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sesso Plenria, sob a presidncia do ministro Joaquim Barbosa, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigrficas, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar

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    Supremo Tribunal Federal

    AP 470 EDJ-VIGSIMOS QUARTOS / MG

    incompatibilidade com os fundamentos da condenao. Ausncia de omisso ou contradio.

    A culpabilidade do embargante, ao contrrio do que afirma, foi considerada elevada para o crime de corrupo passiva e exacerbada no crime de lavagem de dinheiro, de modo que ao pretender ver reconhecida cooperao dolosamente distinta, em verdade, busca introduzir discusso nova e absolutamente dissociada das concluses adotadas no acordo embargado. Ina