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Peas para 01/09 Divrcio e Poder FamiliarRobson procurou a prtica jurdica contando que casado com Helena e tem uma filha de 15 anos. Conheceu Helena em Cuba, onde morou a vida toda, quando Helena assumiu cargo de advogada especialista em direitos humano servio da OEA.Durante 30 anos moraram em Cuba e, embora vivessem com luxo e ostentao condizentes com as rendas de Helena, Robson sempre trabalhou muito como Professor, ainda que Helena achasse que ele deveria buscar outras atividades mais rentveis.

Nos ltimos 8 anos, Helena se disse cansada de Cuba e resolveu buscar outras posies de trabalho, passando a viajar para o exterior, em temporadas de 6 meses fora, alternadas por 2 meses em Cuba.

No incio de 2013, Helena conseguiu ser removida para ao escritrio da OEA no Rio de Janeiro, tendo, ento, a famlia se mudado para esta cidade e Robson pedido aposentadoria de Professor, por j ter completado 65 anos. Na verdade, o casamento deles j no ia bem e a vinda para o Rio foi tambm uma tentativa de salvar o casamento, tendo o casal buscado auxlio de um psiclogo.

O fato que quando Robson chegou ao Rio, Helena j morava com um namorado, com quem ela j vinha tendo um caso nos ltimos 8 anos.

A filha do casal, que mora com Helena, est muito deprimida e fazendo tratamento com remdios que, segundo Robson, causam dependncia e no so adequados situao dela.

Robson afirma que a filha no est se adaptando ao Rio, que ela sente muita falta de amigos de Cuba e da vida tranquila da cidade pequena onde moravam e que toda sua vida tinha viajado muito pouco. O desejo dela, segundo ele, voltar a morar com o pai em Cuba.

Robson pretende o auxlio da prtica jurdica para:

1. Parar o tratamento a que a filha est sendo submetida;

2. Ficar com a filha e voltar para Cuba;

Dividirei esta questo em vrios itens. Nos casos em que um dos pais, aps a dissoluo da unio for morar em outro pas como se resolve:Antes de voc me apresentar as situaes, vamos traar um pano de fundo: os pais podem ter nacionalidades diferentes, mas resolverem continuar vivendo no Brasil depois do trmino de sua relao. Alis, a relao que acaba a relao matrimonial ou convivencial. A relao parental, quando h filhos, continua para sempre. Mesmo quando os filhos so maiores e plenamente capazes, esses pais vo ter de conviver no casamento de seus filhos, no nascimento de seus netos, nas festas de aniversrio destes. O problema da guarda de filhos menores e incapazes se insere nesse contexto e quando um deles decide ir morar no exterior, a questo ganha contornos especficos bastante interessantes.

Mas preciso ressaltar, aqui, que o melhor, no momento do desfazimento da relao matrimonial ou convivencial, o melhor que a guarda dos filhos e todos os demais reflexos sejam decididos no foro da residncia habitual da criana. E isso por uma questo de facilidade processual na obteno das provas. Se o critrio de escolha do guardio for, como na lei brasileira, favorvel ao genitor que demonstrar possuir melhores condies para o exerccio da guarda, o pai e a me podero provar essa condio por meio do testemunho de vizinhos, do pediatra, dos professores etc. Ora, essas provas so obtenveis no foro da residncia habitual da criana e no em outro. Nesse sentido, deve-se evitar o deslocamento da criana antes dessa deciso sobre a guarda e o direito de visitas.

Muitas vezes, h uma tentao de fugir daquele local, principalmente se um dos pais estrangeiro, para tentar resolver a guarda em outro foro, normalmente o da nacionalidade do que subtrai a criana do local de sua residncia habitual. Essa conduta constitui um ilcito definido em um tratado internacional que vigora no Brasil. Trata-se da Conveno da Haia, de 1980, sobre os aspectos civis do sequestro internacional de crianas. Essa conveno exige que a criana seja devolvida ao local de sua residncia habitual para que a deciso sobre sua guarda seja tomada l. Assim, se uma me vem ao Brasil na companhia de seus filhos, de forma ilegal, sem a prvia condio de guardi das crianas, ela comete esse ilcito e autoriza o pai a requerer busca e apreenso das crianas. Ao judicirio brasileiro compete, apenas, tomar deciso eventual em sede de guarda provisria nunca definitiva e dar execuo ao pedido de busca e apreenso. A deciso sobre a guarda definitiva da competncia do juiz da residncia habitual da criana. Obviamente, por ser regra convencional, preciso que o Estado em que a famlia residia tambm seja parte da conveno da Haia.

Mas, vamos l...Atribuio da Guarda? Lei da residncia habitual da famlia; em caso de separao de fato anterior, vale a lei da residncia habitual da crianaDireito de Visita? Normalmente essa deciso um reflexo da escolha do guardio e, por isso, aplica-se a mesma lei, para haver coernciaAlimentos? Aqui a lei mais prxima a lei do domiclio do devedor de alimentos. A escolha do legislador pragmtica: qualquer execuo desses valores ocorrer, normalmente, naquele Estado soberano. Se a deciso foi tomada no exterior com base naquela lei, ela ser certamente reconhecida.Administrao dos Bens de filhos menores? uma decorrncia da guarda, portanto, vale a mesma lei

Exerccio do Poder Familiar? Da mesma forma. Aplicamos a lei da residncia habitual para, eventualmente, e em situaes patolgicas, determinar a perda do poder familiar; caso contrrio, o normal que ambos os pais permaneam no gozo desse poder.

Quais so as normas de direito internacional sobre o tema que o Brasil signatrio?Alm da conveno que eu citei acima, h a conveno de Nova York sobre alimentos e a Conveno da Haia sobre o mesmo tema, que est em vias de ser encaminhada ao Congresso, se que j no foi. No entanto, ainda no foi aprovada, com certeza. Eu gostaria, muito, que o Brasil buscasse estudar a possibilidade de ratificar a conveno da Haia sobre proteo de crianas, de 1996. Seria bastante conveniente pois daria tratamento uniforme questo no sistema brasileiro.

3. Obter indenizao pela traio de Helena;

CARLOS ALBERTO BITTAR, em sua obra Reparao Civil por Danos Morais, 2 ed., Editora Revista dos Tribunais, preleciona:

Atingem as leses, pois, aspectos materiais ou morais da esfera jurdica dos titulares de direito, causando-lhes sentimentos negativos; dores; desprestgio; reduo ou diminuio do patrimnio, desequilbrio em sua situao psquica, enfim transtornos em sua integridade pessoa, moral ou patrimonial.

Assim sendo, aps a anlise do conceito de Dano e Responsabilidade possvel concluir que a traio e o adultrio, so condutas potencias causadoras de tal leso aos direitos do cnjuge trado.

Sendo o dever de fidelidade, expresso em lei, seu descumprimento caracteriza ato ilcito, dano Moral.

O cnjuge vtima da traio tem toda sua vida emocional abalada pelo fato. O sofrimento advindo do fato indiscutvel, uma vez causador de tristeza e vergonha extremas.

Ademais, a traio e/ou adultrio acabam com a segurana afetiva da vtima em seu casamento, sendo, ainda, causa ensejadora da Separao e de graves danos econmicos, o que por ora no ser analisado.

Para tanto, contudo, devero estar presentes os j citados requisitos para a ocorrncia do dano em sentido amplo, ou seja, a traio do cnjuge (ao), sendo culposa ou dolosa, dever ser a causadora do sofrimento sofrido pela vtima.

Nesse sentido, lecionam SLVIO DE SALVO VENOSA: a transgresso dos deveres conjugais pode gerar danos indenizveis ao cnjuge inocente. Nossa posio no sentido de que essa seara deve decorrer da regra geral do art. 186, o que implica o exame do caso concreto. No toda situao de infidelidade ou de abandono do lar conjugal, por exemplo, que ocasiona o dever de indenizar por danos morais. Essa nossa posio, porm, cada vez mais criticada por vasta poro da doutrina que entende que a simples transgresso dos deveres conjugais faz presumir a existncia de dano moral e portanto acarreta a indenizao. (...) Impe-se o acurado exame da situao concreta.

E o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO: Portanto, no caso de conduta desonrosa, necessrio se torna que o autor, ou autora, rena estes trs requisitos: a) imputao ao ru, ou r, de fatos determinados; b) que esses fatos sejam desonrosos; c) que eles tenham tornado insuportvel a vida em comum.Desde que comprovada a existncia de dano, moral e/ou material, decorrente da violao ao dever de fidelidade, cabe a aplicao dos princpios da responsabilidade civil (...).

Corroborando tais entendimentos, as decises recentes de nossos mais renomados tribunais:

INDENIZAO POR DANO MORAL. ADULTRIO OU TRAIO. POSSIBILIDADE

O que se busca com a indenizao dos danos morais no apenas a valorao, em moeda, da angustia ou da dor sentida pelo cnjuge trado, mas proporcionar-lhe uma situao positiva e, em contrapartida, frear os atos ilcitos do infrator, desestimulando-o a reincidir em tal prtica. Apelao conhecida, mas improvida. (TJ/GO 1 C. Cv., Ap. Cv. n 56957-0/188, Rel. Des. Vitor Barboza Lenza, DJ 23.05.2001)

EMENTA

CIVIL - INDENIZAO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS - VIOLAO AOS DEVERES MATRIMONIAIS - OMISSO DA PATERNIDADE BIOLGICA - VIOLAO DA HONRA SUBJETIVA - DANOS MATERIAIS - INEXISTNCIA DOS PRESSUPOSTOS CARACTERIZADORES - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. NO SOMENTE A INOBSERVNCIA DO DEVER DE FIDELIDADE, MAS TAMBM O PERODO EM QUE O AUTOR PERMANECEU ACREDITANDO SER O PAI BIOLGICO DA MENOR, EM RAZO DA OMISSO SOBRE A VERDADEIRA PATERNIDADE BIOLGICA, JUSTIFICAM O DANO MORAL PASSVEL DE REPARAO. OS DANOS MATERIAIS EXIGEM A DEMONSTRAO EFETIVA DOS PREJUZOS SUPORTADOS EM DECORRNCIA DE UMA CONDUTA ILCITA PRATICADA COM DOLO OU CULPA. (TJDF - Apelao Cvel: APL 322602020078070001 DF 0032260-20.2007.807.0001; Relator(a): LCIO RESENDE; Julgamento: 16/12/2009; rgo Julgador: 1 Turma Cvel; Publicao: 25/01/2010, DJ-e Pg. 42)

4. Obrigar Helena a pagar alimentos para ele e para a filha;

5. Saber se Helena comprou bens no Rio de Ja