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  • Cincias Humanase suas Tecnologias

    O r i e n t a e s E d u c a c i o n a i s C o m p l e m e n t a r e sa o s P a r m e t r o s C u r r i c u l a r e s N a c i o n a i s

    PCNE n s i n o M d i o

  • A reformulao do ensino mdioe as reas do conhecimento 7

    A natureza do ensino mdio e as razes da reformaComo rever o projeto pedaggico da escolaA escola como cenrio real da reforma educacionalNovas orientaes para o ensinoConhecimentos, competncias, disciplinas e seus conceitos estruturadoresA articulao entre as reasA articulao entre as disciplinas em cada uma das reas

    A rea de Cincias Humanas e suas Tecnologias 21O trabalho interdisciplinar e contextualizadoOs conceitos estruturadores da reaO significado das competncias da reaA articulao dos conceitos estruturadores com as competncias geraisCritrios para a organizao dos contedos programticos no mbito

    das disciplinas que compem a reaBibliografia

    Filosofia 41Os conceitos estruturadores da FilosofiaO significado das competncias especficas da FilosofiaA articulao dos conceitos estruturadores com as competncias

    especficas da FilosofiaSugestes de organizao de eixos temticos em FilosofiaBibliografia

    Geografia 55Os conceitos estruturadores da GeografiaO significado das competncias especficas da GeografiaA articulao dos conceitos estruturadores com as competncias

    especficas da GeografiaSugestes de organizao de eixos temticos em GeografiaBibliografia

    Sumrio

  • Histria 69Os conceitos estruturadores da HistriaO significado das competncias especficas da HistriaA articulao dos conceitos estruturadores com as competncias

    especficas da HistriaSugestes de organizao de eixos temticos em HistriaBibliografia

    Sociologia 87Os conceitos estruturadores da SociologiaO significado das competncias especficas da SociologiaA articulao dos conceitos estruturadores com as competncias

    especficas da SociologiaSugestes de organizao de eixos temticos em SociologiaBibliografia

    Formao profissional permanente dos professores 99A escola como espao de formao docenteAs prticas do professor em permanente formao

  • A reformulao do ensino mdioe as reas do conhecimento

    Este texto dirigido ao professor, ao coordenador ou dirigente escolar do

    ensino mdio e aos responsveis pelas redes de educao bsica e pela formao

    profissional permanente de seus professores. Pretende discutir a conduo do

    aprendizado, nos diferentes contextos e condies de trabalho das escolas

    brasileiras, de forma a responder s transformaes sociais e culturais da

    sociedade contempornea, levando em conta as leis e diretrizes que redirecionam

    a educao bsica. Procura estabelecer um dilogo direto com professores e

    demais educadores que atuam na escola, reconhecendo seu papel central e

    insubstituvel na conduo e no aperfeioamento da educao bsica. Sem

    pretenso normativa e de forma complementar aos Parmetros Curriculares

    Nacionais para o Ensino Mdio, as orientaes educacionais aqui apresentadas

    tm em vista a escola em sua totalidade, ainda que este volume se concentre nas

    disciplinas da rea de Cincias Humanas e suas Tecnologias.

    Buscando contribuir para a implementao das reformas educacionais, definidas

    pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional e regulamentadas por

    Diretrizes do Conselho Nacional de Educao, a presente publicao tem como meta,

    entre seus objetivos centrais, facilitar a organizao do trabalho da escola, em termos

    desta rea de conhecimento. Para isso, explicita a articulao entre os conceitos

    estruturadores e as competncias gerais que se desejam promover e apresenta um

    conjunto de sugestes que, coerentes com aquela articulao, prope temas do ensino

    disciplinar na rea. Alm de abrir um dilogo sobre o projeto pedaggico escolar e

    de apoiar o professor das disciplinas em seu trabalho, o texto traz elementos para a

    continuidade da formao profissional docente na escola.

    A natureza do ensino mdio e as razes da reformaA reformulao do ensino mdio no Brasil , estabelecida pela Lei de

    Diretrizes e Bases da Educao Nacional (LDBEN) de 1996, regulamentada em

  • 81998 pelas Diretrizes do Conselho Nacional de Educao e pelos Parmetros

    Curriculares Nacionais, procurou atender a uma reconhecida necessidade de

    atualizao da educao brasileira, tanto para impulsionar uma demo-

    cratizao social e cultural mais efetiva, pela ampliao da parcela da

    juventude brasileira que completa a educao bsica, como para responder a

    desafios impostos por processos globais, que tm excludo da vida econmica

    os trabalhadores no qualificados, por causa da formao exigida de todos os

    partcipes do sistema de produo e de servios.

    A expanso do ensino mdio brasileiro, que cresce exponencialmente, outra

    razo pela qual esse nvel de escolarizao demanda transformaes de

    qualidade, para adequar-se promoo humana de seu pblico atual, diferente

    daquele de h trinta anos, quando suas antigas diretrizes foram elaboradas. A

    idia central expressa na nova Lei, e que orienta a transformao, estabelece o

    ensino mdio como a etapa conclusiva da educao bsica de toda a populao

    estudantil e no mais somente como etapa preparatria de outra etapa escolar

    ou do exerccio profissional. Isso desafia a comunidade educacional a pr em

    prtica propostas que superem as limitaes do antigo ensino mdio, organizado

    em termos de duas principais tradies formativas: a pr-universitria e a

    profissionalizante.

    Especialmente em sua verso pr-universitria, o ensino mdio tem-se

    caracterizado por uma nfase na estrita diviso disciplinar do aprendizado. Seus

    objetivos educacionais se expressavam e, usualmente, ainda se expressam

    em termos de listas de tpicos, dos quais a escola mdia deveria tratar, a partir

    da premissa de que o domnio de cada disciplina era requisito necessrio e

    suficiente para o prosseguimento dos estudos. Dessa forma, parecia aceitvel

    que s em uma etapa superior tais conhecimentos disciplinares adquirissem, de

    fato, sua amplitude cultural ou seu sentido prtico. Por isso, essa natureza

    estritamente propedutica no era contestada ou questionada, mas hoje

    inaceitvel.

    Em contrapartida, em sua verso profissionalizante, o ensino mdio era, ou

    , caracterizado por uma nfase no treinamento para fazeres prticos, associados

    por vezes a algumas disciplinas gerais, mas sobretudo voltados a atividades

    produtivas ou de servios. Treinava-se para uma especialidade laboral, razo

    pela qual se promovia um certo aprofundamento ou uma certa especializao

    de carter tcnico, em detrimento de uma formao mais geral, ou seja,

    promoviam-se competncias especficas dissociadas de uma formao cultural

    mais ampla. importante que continuem existindo e se disseminem escolas que

    promovam especial izao prof iss ional em nvel mdio, mas que essa

    especializao no comprometa uma formao geral para a vida pessoal e

    cultural, em qualquer tipo de atividade.

    O novo ensino mdio, nos termos da le i , de sua regulamentao e

    encaminhamento, deixa de ser, portanto, simplesmente preparatrio para o

    ensino superior ou estritamente profissionalizante, para assumir neces-

  • A re

    form

    ula

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    con

    heci

    men

    to

    9

    sariamente a responsabilidade de completar a educao bsica. Em qualquer de

    suas modalidades, isso significa preparar para a vida, qualificar para a cidadania

    e capacitar para o aprendizado permanente, em eventual prosseguimento dos

    estudos ou diretamente no mundo do trabalho.

    As transformaes de carter econmico, social ou cultural, no Brasil e no

    mundo, que levaram modificao dessa escola, no tornaram o conhecimento

    humano menos disciplinar em nenhuma das trs reas em que se decidiu

    organizar o novo ensino mdio, ou seja, na de Cincias da Natureza e da

    Matemtica, na de Cincias Humanas e na de Linguagens e Cdigos. Essas

    reas, portanto, organizam e articulam as disciplinas, mas no as diluem nem

    as eliminam. No entanto, a inteno de completar uma formao geral nessa

    escola implica uma ao articulada, no interior de cada rea e no conjunto das

    reas, que no compatvel com um trabalho solitrio, definido indepen-

    dentemente no interior de cada disciplina, como acontecia no antigo ensino

    de segundo grau, para o qual haveria outra etapa formativa que articularia os

    saberes e, eventualmente, lhes daria sentido. No havendo necessariamente

    essa outra etapa, a articulao e o sentido devem ser garantidos j no ensino

    mdio.

    Mais do que reproduzir dados, denominar classificaes ou identificar

    smbolos, estar formado para a vida, num mundo como o atual, de to

    rpidas transformaes e de to difceis contradies, significa saber se

    informar, se comunicar, argumentar, compreender e agir, enfrentar

    problemas de qualquer natureza, participar socialmente, de forma prtica

    e solidria, ser capaz de elaborar crticas ou propostas e, especialmente,

    adquirir uma atitude de permanente aprendizado.

    Uma formao com tal ambio exige mtodos de aprendizado compatveis,

    ou seja, condies efetivas para que os alunos possam comunicar-se e

    argumentar, deparar-se com problemas, compreend-los e enfrent-los,

    participar de um convvio social que lhes d oportunidade de se realizarem

    como c idados , fazerem escolhas e proposies , tomarem gosto pelo

    conhecimento, aprenderem a aprender.

    Diferentemente das caractersticas necessrias para a nova escola, esboadas