paul ricoeur interpreta o e ideologias

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INTERPRETAÇÃO E IDEOLOGIAS

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  • B.T OC

    LUO

    OC

    INTRODUO AO PENSAMENTO EPISTEMOLGICf(2.a edio)Hilton Japiassu ' '

    r;f~

    DINMICA DA PESQUISA EM CINCIAS SOCIAISPaul de Bruyne, Jacques Herman e Marc de Schoutheete "

    ;lt-'INTERPRETAO E IDEOLOGIAS |Paul Ricoeur ^. ' t ;

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    NASCIMENTO E MORTE DAS CINCIA^ HUMANASHilton Japiassu "- f

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    1:80173R5414.ed.

    FranciscoAlves' qualidade h mais de um sculo

    UFES138187

    ---L-

    PAUL RICOEURMEDIO

    H(M,I\SFrancisco

    Alves

  • Interpretao e Ideologias

    Nesta obra, Paul Ricoeuraceita o desafio de estabelecerum confronto entre hermenuticae ideologias. Trata-se de umadecodificao interpretativa douniverso dos signos presente naelaborao dos discursos dascincias humanas e sociais, bemcomo de uma tomada de posiocrtico-interpretativa dos discur-sos ideolgicos que se infiltrame se dissimulam em todo conheci-mento, por mais cientfico que eleseja. Para tanto, faz-se necess-rio converter o mtodo herme-nutico num esforo de salvar ohomem da (ou apesar da) cin-cia, de vez que os mtodos posi-tivistas, para salvar a cincia,vem-se obrigados a mutilar ohomem. Contra o esprit gom-trique, ainda vivo e atuante noscientistas humanos, a hermenu-tica opta pelo esprit de finesse,mas sem cair nas iluses daconscincia imediata. Postulauma filosofia em trabalho, queseja tarefa de tomada de cons-cincia mediante a decifrao dosentido oculto nos sentidos apa-rentes. O que s pode ser feitoatravs da interpretao do uni-verso do simbolismo e do proces-so de dissoluo das iluses daconscincia: " necessrio quemorraln os dolos para que vi-vam os smbolos".

    O autor se insurge contra onefasto dualismo epistemolgicoque instaurou a desastrosa men-talidade tentando dicotomizar os

    l i do

    IXTIRPIUTACIE IDEOLOGIAS

  • PAUL RICOEUR

    INTERPRETAOE IDEOLOGIAS

    4? EDIO

    FranciscoAlves

  • rf

    O

    Capa: Ana Maria Silva de Arajo

    Impresso no BrasilPrinted in Brazil

    Ficha Catalogrfica(Preparada pelo Centro de Catalogaona-fonte do

    SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ)

    Ricoeur, Paul.R398 Interpretao e ideologias; organizao, traduo e apre-

    sentao de Milton Japiassu. Rio de Janeiro, F. Alves, 1990.

    1. Hermenutica 2. Ideologia 3. Vontade - FilosofiaI. Ttulo

    CDD - 145153.801

    CDU - 17.021.23301.152

    77-0557 801.73

    1990

    Todos os direitos desta traduo reservados :LIVRARIA FRANCISCO ALVES EDITORA S/ARua Sete de Setembro, 177 - Centro20050 - Rio de Janeiro - RJ

    No permitida a venda em Portugal.BIBLIOTECA

    UFM."

    licoeur. Paul

    Interpretao e ideologias

    33/1541 /1138187/96)

    SUMARIO

    Apresentao

    Primeira parte: FUNES DA HERMENUTICA 15

    1. A TAREFA DA HERMENUTICA 17A. Das hermenuticas regionais hermenutica geral 18

    O primeiro "lugar" da interpretao 18F. Schleiermacher 20W. Dilthey 23

    B. Da epistemologia ontologia 29M. Heidegger 30H. G. Gadamer 37

    2. A FUNO HERMENUTICA DO DISTANCIAMENTO 43A. A efetuao da linguagem como discursoB. O discurso como obraC. A relao entre a fala e a escritaD. O mundo do textoE. Compreender-se diante da obra

    45 A49 A53 A54 *57

  • Segunda parte: CINCIA E IDEOLOGIA

    1. INTRODUO

    2. CRITRIOS DO FENMENO IDEOLGICOtA. Funo geral da ideologiaB. Funo de dominaoC. Funo de deformao

    3. CINCIAS SOCIAIS E IDEOLOGIA

    4. A DIALTICA DA CINCIA E DA IDEOLOGIA

    61

    63

    67677173

    77

    87

    Terceira parte: CRITICA DAS IDEOLOGIAS

    1. A ALTERNATIVAA. Gadamer: a hermenutica das tradiesB. A crtica das ideologias: Habermas

    1. POR UMA HERMENUTICA CRITICAA. Reflexo crtica sobre a hermenuticaB. Reflexo hermenutica sobre a critica

    97

    103103119

    131131 -139'

    Quarta parte: SINAL DE CONTRADIO E DE UNIDADE? 147

    l. OS NEOCONFLITOS NAS SOCIEDADES INDUSTRIAISAVANADAS 149A. Ausncia de projeto coletivo 150B. O mito do simples 152C. Esgotamento da democracia representativa 153

    2. DOIS ANTEPAROS IDEOLGICOSA. A ideologia da conciliao a todo preoB. A ideologia do conflito a todo preo

    157157162

    3. RPLICA IDEOLOGIA: POR UMA NOVA ESTRAT-GIA DO CONFLITO 167

    APRESENTAOPaul Ricoeur: filsofo do sentido

    A obra de Paul Ricoeur pode ser justamente considerada comouma das mais ricas e profundas de nossa poca. Seu ponto departida uma anlise rigorosa da vontade humana. Seu objetivo atingir e formular uma teoria da interpretao do ser. Afenomenologia constitui um momento decisivo de sua metodologia.A originalidade de Ricoeur est em no fazer filosofia a partir defilosofia. No reflete a partir de idias. Seu pensamento no seabriga nem se repousa no pensamento dos outros. umpensamento que recria, que se serve do pensamento dos outroscomo de um instrumento. Evidentemente, sua filosofia noconstitui uma criao ex nihilo, um crculo que se fecha em simesmo, porque no pode haver filosofia sem pressuposies.Trata-se de um pensamento que se prope a adotar um mtodoreflexivo capaz de romper todo e qualquer pacto com o idealismo.De forma alguma pretende negar sua relao com o vivido. Pelocontrrio, tem em vista o esclarecimento, mediante conceitos, daexistncia. E esclarecer a existncia elucidar seu sentido. Por isso,o problema prprio a Ricoeur o da hermenutica, vale dizer, o daextrao e da interpretao do sentido. _Eeieebeu que todo o.pensajnenfl_jnoderno tornou-se interpretao. Assim, a questoque se lhe revela essencial no tanto a do erro ou a da mentira.pormjulaJ/MSflo. Para se descobrir a verdade, deve-se dissipar essaquesto. Toda a crise atual da linguagem pode ser resumida naoscilao entre a desmistificao e a restaurao do sentido. E o pro-jeto de Ricoeur nSo outro seno o de redescobrir a autenticidadedo sentido graas a um esforo vigoroso de desmistificao.

  • Este esforo de desmistificao comea com a construo deuma Filosofia da vontade tendo por objetivo reconciliar Descartese Kierkegaard, atravs de uma meditao sobre a linguagem! Omtodo utilizado o fenomenolgico, tentando compreender oque descreve, para descobrir seu sentido. Para atingir mais direta-mente o essencial da questo da vontade, Ricoeur coloca entreparnteses os temas religiosos da falta e da transcendncia. Suaeidtica da vontade supe a suspenso do juzo sobre os dogmasreligiosos do pecado original e das relaes do homem com Deus.A suspenso do juzo sobre a falta original permite-lhe o estudosem preconceito da falibilidade emprica da vontade humana. E adesconsiderao provisria da transcendncia permite-lhe restituir opoder criador simblico vontade, mediante a poesia. A vontadeprecisa ser isolada e purificada. No pode ser analisada apenas pelomtodo que se funda no estudo dos atos objetivantes da percep-o e do saber, nem tampouco pelo que reduz suas anlises a ummodelo nico: a existncia vivida. A vontade precisa ser estudadaem si mesma. Seus componentes essenciais so o projeto, a execu-o e o consentimento. Isto implica a correlao do voluntrio e doinvoluntrio. Porque querer projetar um mundo, apesar ou contraos obstculos. Querer tambm projetar uma inteno que, peloconsentimento, converte-se em necessidade "sofrida" e retomada pe-lo consentimento.

    Em seu esforo de desmistificao, Ricoeur suspende o parn-teses que introduzira entre a falta e a transcendncia, para instau-rar uma dialtica do voluntrio e do involuntrio, dominada pelasidias de desproporo, de polaridade do finito e do infinito, deintermedirio ou de mediao. Em Finitude e culpabilidade, noestuda mais o problema da realidade do mal, mas o problema desua possibilidade, vale dizer, da falibilidade. A finitude no bastapara explicar o mal. O importante saber que finitude possibilita ainsero do mal na realidade humana. O pathos da misria torna-seum ponto de partida de uma filosofia do homem. O homem no um simples meio entre o ser e o nada. A "intermediariedade" dohomem consiste em operar mediaes entre contrrios ou correla-tivos. A fonte da falibilidade reside em certa no-coincidncia dohomem consigo mesmo. O homem um ser que no coincideconsigo mesmo. um ser que comporta uma negatividade. O papelda filosofia consiste em refletir sobre esse carter pattico da mi- "

    sria, que se revela nos nveis do conhecer, de agir e dosentir.

    \ No_ plano do conhecer, a primeJia_caracterstica do objeto adeaggrecer. Q homem no^cria^o^real. Ele o recebe como umapresena. Sua percepo se abre ao mundo. Percepo finita. Toda

    -viso um ponto de vista. O mundo o horizonte de todo objeto,que s percebido em parte. H possibilidades infinitas de cap-t-lo. Muitos pontos de vista nos escapam. _No entanto, podemosdize-los: pela linguagem, falamos dasjisionomias ocultas e no per-^ce^djs_das_coisas._Fa]arnos delas eni-Sua ausncia. Neste_senido^apalavra transcende todos os pontos de vista. ^A realidade no sereduz ao qye^gjle_sei-vistQ- Identifica-se tambm ao que pode serdito. H uma sntese do visto e do dito numa filosofia do discurso,mas que s se aplica ordem das coisas. No mundo humano,permanece uma dualidade: jjjlado e o sentido so irredutveis. Ohomem no um dado. Ele se define por ser uma tarefa, umasntese projetada. Nem por isso se reduz mera subjetividade. Estvinculado ao mundo'exterior mediante seus interesses e seiis senti-jnentQS. O ser do objeto sntese, ao passo que o ser do homem conflito, pois nele se inscreve, como componente essencial, a pos-sibilidade do mal, embora o mal constitua sempre um escndaloque se impe ao homem. Escndalo presente, injustificvel racio-nalmente. Donde a importncia do discurso filosfico para .revelaras fontes radicais da existncia. Donde tambm a importncia dalinguagem simblica, capaz de restaurar e de fazer uso de umafilosofia da imaginao. Bachelard dizia que a razo recomea, mas a imaginao que comea, pois a imagem potica que nosintroduz na raiz do ser falante. ParaRjcoeur._o smbolo caieexprime nossa