parque d. pedro ii: proposta de revitalizao multifocal

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    CYAN AMARELO MAGENTA PRETO

    Parque D. Pedro II, e sua regio de abran-gncia, est localizado na capital econmi-

    ca do pas, So Paulo, evidenciada na sua regio metropolitana, no Estado de So Paulo, o mais prspero em desenvolvimento tanto econmico quanto educacional e cientfico do Brasil. Esse local carrega os maiores e mais importantes momen-tos da histria do desenvolvimento econmico, da interveno de melhoramento urbanstico e do movimento sindical da produo industrial do pas. Quando nos deparamos com um parque na rea central da cidade de So Paulo, inserido neste

    Parque D. PeDro II:

    O

    Maria rosana Ferreira navarro*

    proposta de revitalizao multifocal

    a proposta derevitalizao multifocal do Parque D. Pedro ii, nacidade de so Paulo,apresentada nestamonografia, atende sdiretrizes de intervenorelatadas nas cartasinternacionais de interesse comum da populao e do planeta e nas legislaes nacionais vigentes, tendo como base a conjuno da sade ambiental com asade pblica, permeando as dimenses de mbito local, regional, nacionale mundial

    contexto histrico e que atualmente se encontra abandonado e numa regio de abrangncia dete-riorada, em razo de diversos fatores de interven-o urbana, que propiciaram seu estado presente, percebemos que os atores sociais ali presentes apresentam-se em condies de sade precria. O meio espacial deteriorado, sua configurao ina-dequada e seu pssimo estado de conservao re-portam aos seus usurios as caractersticas fsicas, mentais e sociais, como depreciao, depresso e excluso. Este trabalho visa propor um projeto ur-banstico de recuperao daquela rea amparado

    por diretrizes integrantes da promoo da sade pela capacitao da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida, fomentando sua maior participao no controle deste proces-so para atingir um estado de completo bem-estar fsico, mental e social, na identificao, aspiraes, para satisfazer necessidades e modificar favoravel-mente o meio ambiente (conforme a Carta de Ot-tawa, 1986, p. 1). Tambm por demais parmetros para a revitalizao dessa regio, como resgatar a autoestima da comunidade e recuperar a salubri-dade ambiental e social local.

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    grama da Prefeitura de So Paulo, denominado Ao Centro, desenvolvido em parceria com a sociedade civil, com o objetivo de reverter o pro-cesso de degradao e desvalorizao afetiva do centro da cidade, coordenado pela Emurb.

    A essa rea da Vrzea do Carmo, abrilhantada com a presena marcante da passagem do Rio Ta-manduate, como disse o rio que atravessa nossas vidas (autor desconhecido), inundando sua regio nos perodos de chuvas, como ilustram diversas pinturas e fotos no transcorrer dos tempos, desde sua tmida utilizao inicial, mesmo nas paradas dos

    percursos dos cavaleiros, despertou a possibilidade de implantao de um jardim pblico em 1872, co-nhecido como Ilha dos Amores. Ele foi aterrado no intuito de minimizar essas enchentes; contudo, teve pouca durao. A compactao do solo agravou a situao, pois diminuiu a permeabilidade do solo e o escoamento das guas que pertencem s leis da natureza. Assim, partes altas das colinas dessa regio por estarem protegidas das enchentes, eram mais valorizadas e foram ocupadas pela classe social mais abastada. Em contrapartida, as terras baixas e alagadias eram mais baratas, portanto adquiridas pelos empresrios para formao do parque industrial paulistano; margeando a ferrovia e seu entorno propiciou a ocupao habitacional dos operrios destas indstrias, dos conhecidos bairros do Brs e da Mooca, sendo eles os usurios desse jardim pblico enquanto este existiu.

    O Rio Tamanduate era navegvel e era por meio dele que a cidade era abastecida, at mesmo pelo primeiro mercado municipal de So Paulo, que havia sido construdo em 1867, na Rua 25 de Maro. Por volta de 1910, foi feita uma nova tentativa de revigorar essa rea, anteriormente ocupada pelo jardim pblico, pelas diretrizes do arquiteto francs Bouvard, com um parque nos moldes franceses; seriam acrescidos equipamen-tos de esporte e lazer e uma construo suntuosa, o Palcio das Indstrias, destinado para exposi-es, frequentada pela elite da poca.

    Analisando o histrico dessa regio, marcada pela segregao social influenciada pelo meio, com a barreira fsica do rio, a vulnerabilidade de inunda-es da vrzea, separou literalmente a populao local em duas classes sociais, com a implantao do parque, a diviso ficou espacialmente evidente.

    Algumas anlises remotas concluram que os recursos do solo devem estabelecer as limitaes s quais ele se obriga de acordo com os valores naturais priorizados e hierarquizados, as questes econmicas, as necessidades sociolgicas e os va-lores espirituais e que devero estar em conjunto integrado, equilibrado, harmonioso, funcional e saudvel, como recomendao do estatuto do solo (Jeanneret, 1933, questo 85, p. 103 e 104).

    No Brasil, em dois artigos da Constituio Federal de 1988 e regulamentado pela Lei n 10.157/2001, denominado Estatuto da Cidade, estabelece o planejamento do desenvolvimento das cidades a fim ordenar e controlar o uso do solo para prevenir e recuperar a deteriorao das reas urbanizadas, como tambm, a poluio e a degradao ambiental.

    O crescimento desordenado produz o caos urbano e consequentemente, gera a deteriora-o das zonas centrais da cidade, resultado dos

    importante lembrar que vrias iniciativas tm sido preponderantes nas discusses sobre essa regio, dando origem Lei 12.346, de 6 de junho de 1997, conhecida tambm como Opera-o Urbana Centro. Ela constitui um programa de melhorias para a rea central da cidade, criando incentivos e meios para sua implantao com a participao dos proprietrios, moradores, usu-rios permanentes e investidores privados, visando a melhoria e valorizao ambiental da rea cen-tral da cidade (So Paulo, 1997, Art. 1).

    Em 2001, foi implementado mais um pro-

    situao existente a permanecer:1 - Mercado Municipal2 - Terminal de nibus3 - Passarelas existentes a permanecer4 - estao do Metr D. Pedro5 - Terminal expresso Tiradentes6 - estao expresso Tiradentes D. Pedro

    situao existente a demolir:1 - viadutos existentes a demolir2 - remover esta via da av. do estado para integrar ao parque e implantar ciclovia

    Propostas de interveno:1 - Universidade Pblica2 - edifcio so vito e os laterais a serem implodidos e a rea transformada em praa integrando com o parque3 - Travessia da av. rangel Pestana em nvel4 - Ponto de Txi5 - Baia de carga e descarga (de madrugada)6 - estao Primria de Tratamento de esgoto7 - semforo com faixa de pedestres e ciclovias - o Trfego de veculos esto indicados pelas flechas amarelas, no entorno do parque

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    as condutas de interveno. Para fins compara-tivos, foram realizados dois levantamentos: o primeiro, em 7 de agosto de 2006, s 9 horas da manh, numa segunda-feira, detectou-se um ndice de 68. A qualidade refere-se estao com ndice mais alto na Regio Metropolitana de So Paulo (RMSP). Essa qualidade de ar consi-derada regular, seus efeitos sade para pesso-as com doenas respiratrias podem apresentar sintomas como tosse seca e cansao. Segundo a previso metereolgica diria, desfavorvel disperso dos poluentes: dixido de enxofre, MP10-partculas inalveis, dixido de nitrog-

    altos ndices de empilhamento, insalubridade, promiscuidade e, como sequela, a degrada-o moral e social. A revitalizao urbana que transforma essa condio em locais orgnicos mediante um planejamento estabelece remoo do empilhamento, dotao de servios pblicos, parques com utilizao adequada, categorizao das vias, reorganizao do trnsito, reabilitao fsica das construes deterioradas.

    Um dos problemas a serem enfrentados na rea o alto ndice de poluio, sobretudo a at-mosfrica. A referncia de estaes de medio de poluio da rea do parque tambm instruiu

    nio, monxido de carbono e desfavorveis para o oznio. Recomenda-se a preferncia pelo transporte coletivo, oferecer carona, e meios al-ternativos de transportes menos poluentes. No segundo, em 21 de janeiro de 2007, s 10 horas da manh, num domingo, detectou-se um ndi-ce de 25. A qualidade refere-se a uma qualidade do ar considerada boa, seus efeitos sade so desprezveis e, segundo a previso meteorolgi-ca diria, favorvel disperso dos poluentes: dixido de enxofre, MP10-partculas inalveis, dixido de nitrognio, monxido de carbono e favorveis para o oznio. Recomenda-se optar

    1 - Palcio das indstrias (Museu Catavento)2 - anfiteatro [proposta da Lina (a ser implantado)]3 - Colgio estadual so Paulo4 - estao de Metr D. Pedro ii5 - Mercado Municipal6 - Quartel do Batalho da Guarda (proposta: Museu da reciclagem)7 - estao de Tratamento Primrio de esgoto(proposta a ser implantada)

    8 - Terminal expresso Tiradentes9 - Terminal de nibus Pq. D. Pedro ii10 - estao D. Pedro expresso Tiradentes11 - Casa das retortas (a ser Museu da Criana)12 - rio Tamanduate13 - av. do estado permanecer14 - av. do estado ser removida

    15 - administrao do Parque16 - restaurante17 - Lanchonete18 - Ponto de Txi19 - Bicicletrio

    20 - Banheiro Pblico21 - Ciclovia arborizada22 - Baia de carga de Descarga23 - Passarelas - Praa24 - edifcios a serem implodidos e quadra transformar-se em praa integrada ao Parque

    Propostas a serem implantadas

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    pelo transporte coletivo, oferecer carona e meios alternativos de transportes menos poluentes, como, tambm, manter o veculo regulado, os pneus calibrados e no queimar lixo (Cetesb, 2006 e 2007).

    Quanto ao transporte coletivo com a implan-tao do Expresso Tiradentes, segundo alguns estudos, o ganho de tempo de viagem conside-rvel, e o tempo um dos fatores preponderantes na qualidade de vida. O ganho de tempo de 5 a 34 minutos com transporte pblico, pode favorecer o descanso mais rpido, a pontualidade tranqui-la e a diminuio do desgaste fsico e emocional. Essas constataes levaram ao aprimoramento desse transporte sob os aspectos: 1) trechos/ex-tenso, com a ampliao da ligao para 31,8km; 2) tipo de veculo, com trao hbrida, a gs e die-sel (padron e articulado); 3) sistema de conduo, sem guiagem; 4) sistema operacional que permite operao de qualquer tipo de veculo (homolo-gado SPTrans); 5) acessibilidade, tratamento es-tendido s quadras lindeiras; 6) ciclovias e bicicle-trios disponveis nas estaes de transferncia (Painis Viva o Centro).

    O sistema de transporte abarca nibus pelo Terminal do Parque D. Pedro II, o Terminal do Ex-presso Tiradentes e a Estao do Metr D. Pedro II, todas com espaos para bicicletrio, onde o in-centivo de bicicletas est sendo enfatizado. Basta

    Corte esquemtico: com a proposta de interveno, ilustrando a passarelas-praa integrando o parque, com todo o aparato inserido e com um mirante

    agora a implantao da ciclovia, que depende da mudana do geomtrico para viabilizar mais esta empreitada. Lembrando que automveis e bicicle-tas no convivem em harmonia na mesma pista... E melhorar todos os acessos de pedestres pela re-gio, evitando o risco de atropelamentos.

    A infraestrutura de saneamento foi aborda-do atravs do Projeto Tiet, desenvolvido pela Sabesp, que pretende ampliar os sistemas de co-leta, com o afastamento e tratamento de esgo-tos da RMSP. O Plano Diretor de Esgotos, em sua verso atual, prev que o sistema de esgotos da RMSP se dar por meio dos interceptores que se-ro construdos ao longo dos rios Tiet, Pinheiros e Tamanduate. O sistema funciona da seguinte forma: as redes coletoras coletam os esgotos das residncias e estes seguem, por gravidade, at os fundos de vale; ao longo dos crregos dos fun-dos de vale esto os coletores-tronco, que de-sembocam os esgotos nos interceptores que vo para as ETEs, onde o esgoto tratado. Na fase lquida tratada descarregado no rio e o lodo, a parte slida, decantado, sofre um tratamento especial e, quando no existem possibilidades de escoamento, so construdas estaes eleva-trias ou de bombeamento. Quanto ao nvel de interferncia do esgoto no sistema de drenagem de guas pluviais, somente 2/3 so conduzidos para o sistema de tratamento; os demais so de-

    positados diretamente nos cursos dgua ou nas galerias de guas pluviais; finalmente sero des-pejados nos rios (Painis Viva o Centro). Ento, para minimizar esta situao, prope-se implan-tar no meio da rotatria que interliga o Viaduto do Glicrio com a Avenida do Estado, uma Esta-o de Tratamento Primrio de Esgoto.

    Quanto drenagem, os principais problemas so: 1) galerias subdimensionadas ocasionadas pelos critrios de projeto no adaptados a So Paulo, alm da galerias insuficientes; 2) canali-zaes fechadas dificultando o acesso, omitindo sua localizao e despejo de lixo no sistema de drenagem (os efeitos so a falta de manuteno e limpeza das tubulaes contribuindo para o as-soreamento e entupimento do sistema); 3) salo-pamentos, consequncia da poluio das guas pluviais e da mudana na caracterstica do tr-fego sobre galerias antigas, ocorrendo corroso da estrutura das galerias e rompimento com so-brecarga; 4) alto custo das obras de recuperao do sistema ocasionadas pela interferncia com vias arteriais e equipamentos de concessionrias e tambm pelo fato de a administrao da rede de drenagem no gerar recursos prprios; 5) problemas institucionais, ou seja, muitos rgos funcionando de maneira autnoma pela falta de coordenao em suas aes; 6) falhas urbansti-cas como a falta de planejamento adequado e, portanto, a falta de controle na ocupao desor-denada dos vales (Painis Viva o Centro).

    A potencialidade desta regio como um polo atrativo de desenvolvimento e seu revigoramen-to inexorvel, por todos os levantamentos que pautam a capacidade na infraestrutura eltrica, de telefonia, gs, saneamento, drenagem, transportes, acessibilidade, entre outras. No entanto, neces-srio ousar. Muitas medidas que possam parecer radicais, podem ser as solues mais eficazes.

    Assim, o Programa de Renovao Urbana para reas decadentes, como o Parque D. Pedro II e sua regio, parte da rea central e os bairros Brs e Mooca, deve considerar a mudana do desenho urbano. Ela se faz necessria pelos im-pactos conflituosos aos quais est subordinada a Avenida do Estado, que atende a toda a hie-rarquizao viria, de automveis, nibus, mo-tocicleta e bicicleta, inclusive ao trfego pesado de caminhes. Somando-se a esses conflitos, os cinco viadutos que passam sobre o parque tor-naram aquela rea incompatvel com o pedestre. Consequentemente impossibilitam usufruir de uma rea to comprometida com o caos urbano; mesmo que fosse suprido com uma vasta vege-tao, seria difcil reverter o quadro.

    Quando o estado de deteriorao for to

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    grave que exija demolio, deve-se proceder ao desenvolvimento das reas afetadas (Carta dos Andes, 1958). Assim, este estudo prope a demolio de quatro viadutos que transpem o parque para reparar o cenrio. Torn-lo mais salutar e atrativo aos pedestres, com projeto paisagstico mais atualizado, exceto o viaduto do Glicrio, que vem da Radial Leste, que deve-r permanecer. Prope-se que a Avenida Rangel Pestana atravesse o parque em nvel (caladas largas e arborizadas com bancos), para integrar-se com o parque e as faixas de pedestres, com instalao de ciclovias em ambos os lados da avenida e semforos em suas extremidades, nos cruzamentos. A proposta ser agregada pela ao humana, o combate a todas as formas de poluio ambiental, inclusive sonora, estimulan-do a passagem de pedestres. Em substituio dos viadutos sero projetadas passarelas agradveis, passarelas-praa, largas e com arborizao flo-rida e bancos. E no topo delas existir um miran-te, que servir para contemplao da paisagem e circulao entre as passarelas para transpor os obstculos naturais como o Rio Tamanduate e os artificiais como a Avenida do Estado, de um lado, e a Avenida Rangel Pestana. As passarelas existentes que atravessam o Rio Tamanduate devero permanecer, e ser construdas outras. A todas elas, dever ser acrescentado tratamento paisagstico para torn-las mais agradveis.

    Para garantir medidas eficazes para proteo, conservao e valorizao do patrimnio cultural e natural, fundamental inseri-las numa funo social e na vida da coletividade. A integrao de espaos verdes (parques) com o Rio Tamanduate (e sua vrzea) e o patrimnio histrico (galpes in-dustriais e vilas operrias), podem compor harmo-niosamente a vida contempornea. Como a zona cerealista est neste momento inadequadamente instalada, porm deve permanecer seu conjunto arquitetnico histrico, expressando na paisagem a origem industrial de sua ocupao na passagem cronolgica da cidade. Poder inclusive, estabele-cer-se sob alguns aspectos culturais, compondo a multiplicidade da funo urbana, mas sem com-prometer a qualidade de vida da comunidade local (deve haver adaptaes de horrios estabelecidos). Sendo acrescentado, neste estudo, a utilizao de baias prximas Estao D. Pedro II do Metr e ao lado do Mercado Municipal, podendo ser baias ou terminal na madrugada para carga e descarga de mercadorias vindas de metr e trem (Esta-o Brs), para distribuio ao comrcio e servios por peruas e vans (veculos de porte menor) e que podem ser acomodados e circular sem congestio-nar e poluir essa rea, nem mesmo de madruga-

    da. E os comrcios que no tiverem condies de ajustes devero ser remanejados para localizao estratgica, fora do circuito urbano. A reparao e a conservao deles, para qualidade de vida da comunidade, requer intervenes que viabilizem alternativas de transporte menos poluente, res-tringindo os veculos automotores particulares nestas reas com a oferta de ponto de txi junto Estao do Metr D. Pedro II para dar aos usu-rios do transporte coletivo, a opo de continuar o trajeto por transporte individual pblico persona-lizado e assim diminuir o congestionamento e as dificuldades para estacionar.

    Tambm a proposta de remoo de um lado da Avenida do Estado resgatar em parte a in-tegralidade do parque, como outrora fora pro-jetado, tanto pelo arquiteto Bouvard como pela arquiteta Lina Bo Bardi. A integrao no ser completa, pela instalao do Expresso Tiraden-tes, que ocupa uma pista da Avenida do Estado, no lado do Terminal de nibus, que est dentro de uma faixa do parque. As ruas que circundam o parque devero ser reformuladas para facilitar o fluxo de veculos, com caladas largas, arbori-zadas, com bancos e flanqueados por ciclovias em ambos os lados.

    O Expresso Tiradentes possui uma pista prximo ao canal do Tamanduate no lado do Terminal de nibus existente. E a proposta deste estudo, de que a rea remanescente seja com-posta com praa arborizada constituda com a colorao das flores alegres: amarelas, cerejas, rosas, azuis... para atenuar o impacto. A remoo dos ambulantes, por sua vez, tambm propiciar um local mais aprazvel. Os ambulantes devero ser convidados a participar de um projeto, para serem acomodados em um dos galpes inativos da regio do Brs, com layout organizado, am-biente com condies sanitrias adequadas, com bancas uniformizadas e espaos para concertos musicais, peas de teatro, ambulatrio mdico. Estas intervenes visam a criao de ambientes favorveis sade; desenvolvimento de habili-dades; reforo da ao comunitria (Declarao de Adelaide, 1988). Alis, como outrora foi rea-lizado com a construo do Mercado Municipal, que abrigou os ambulantes da poca.

    O prximo projeto poder incluir algumas formas sinuosas, recuperando aspectos do pai-sagismo do jardim de Bouvard em sua estrutura de circulao e composio gradual da vege-tao para percurso dos pedestres. At mesmo implantar alguns lagos para combinar com o Rio Tamanduate, com pistas de Cooper, pista de ci-clismo, com bicicletrio em alguns pontos, inclu-sive prximo ao Metr e ao Terminal do Expresso

    Tiradentes, para conexo com o transporte co-letivo... com o anfiteatro do projeto da Lina Bo Bardi para apresentaes ao ar livre. Ser mais um estmulo para a ocupao do parque pela comunidade, unindo trs momentos neste pro-jeto futuro. E tudo sem copiar, sem falsificar, so-mente resgatar alguns elementos marcantes na composio paisagstica do parque.

    A Casa das Retortas, espao que est sendo negociado pela administrao direta, como local de exposies culturais, quase em frente ao Palcio das Indstrias, segundo Pereira (2007), ser trans-formada no Museu da Criana, e que propiciar a aglutinao de crianas, jovens, adultos e idosos em atividades diversificadas, em espaos comuns e salutares. Assim ser possvel atrair pedestres, ciclistas, usurios de transportes coletivos.

    Para o edifcio So Vito (j desocupado) e o prdio ao lado dele, que tambm poder ser deso-cupado (e na outra quadra ao lado, outro edifcio, que est igualmente desocupado), esta propos-ta prev as imploses dos mesmos. Os seus es-paos vazios podero constituir praas pblicas, transformando o Centro de So Paulo, qui com caractersticas semelhantes s de Paris, como pre-conizava o arquiteto francs Bouvard.

    A proposta deste trabalho, como meio de preservao do patrimnio histrico, estende-se utilizao de galpes para renovadas atividades e o Quartel do Batalho da Guarda em restaur-lo e transform-lo no Museu da Reciclagem. Este ter como finalidade a educao para a sade ambien-tal, com exemplos de reciclagem de descarte sele-tivo, compondo toda rea de revitalizao, assim como o prprio parque, com lixeiras de descarte seletivo e totens explicativos/educativos.

    Como o saneamento, tambm a eletricidade, a rede de esgoto e vrios equipamentos urbanos privados e pblicos so contemplados nessa re-gio. Por conseguinte, a proposta deste estudo tambm a de implementar um equipamento educacional pblico, como uma Universidade, para propiciar um adensamento familiar e resgate do entorno do parque. Esta proposta de ncora de revitalizao do Brs ser a escolha de uma quadra naquele bairro paulistano, composta por galpes, que alavancar o desenvolvimento local e que instigar a preservao da memria da pro-duo industrial, movimento que originou a sua ocupao. Esta atrair investimentos que aten-dam esse novo pblico-alvo, como lanchonetes, restaurantes, cinemas, teatros, choperias, livra-rias, lan houses, padarias, academias de esportes e artes e at mesmo lojas de vesturios. Com isso consolidando a renovao urbana, atraindo mo-radias de estudantes e familiares, para encerrar

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    595definitivamente a barreira fsica e social que se-

    parou o perodo original dos dias de hoje.Enfim, a recuperao do meio ambiente

    propcio ao desenvolvimento da vida familiar na coletividade promover a readaptao social do ser humano e sua sade, amparado por fatores preponderantes como a alimentao, sanea-mento bsico, meio ambiente, trabalho, renda, educao, transporte, lazer e acesso a bens e servios sociais, que determinam a organizao social e econmica da comunidade.

    Conclui-se que a proposta para revitalizao do Parque D. Pedro II de suma importncia para a regio do centro da cidade de So Paulo, como tambm, para todo o municpio. Por estar inserido em uma rea histrica, que faz parte da origem da ocupao e formao da cidade de So Paulo, e por ser de localizao estratgica, como polo de interligao entre vrias regies do prprio muni-cpio, da RMSP e tambm interestadual.

    A multifocalidade da interveno denota a res-taurao da qualidade de vida da comunidade sem prejudicar a funo urbana de acesso e integrao viria, desde que todas as necessidades sejam aten-didas harmonicamente: a preservao do patrim-nio cultural, a recuperao da sade ambiental, o resgate do convvio social e a extenso da recicla-gem econmica para atingir o desenvolvimento sustentvel por meio de aes intersetoriais.

    A aceitao por parte da comunidade condicio-nar o sucesso de cada empreendimento proposto. Como a dinmica espacial interage com a dinmica social, a educao para cidadania ter que unir-se com todos os propsitos e projetos que esto sendo implantados ou os que sero. importante ressaltar que a cidade mutvel e moldvel, con-forme as necessidades que vo surgindo, e que no existem situaes nem planejamentos estticos. As adequaes de acordo com as necessidades devem ser avaliadas e readaptadas em nvel de planifica-

    o prvia e ampla, abordando todos os impactos nos diversos nveis e caractersticas multifocais.

    As ferramentas legais, filosficas, histricas e documentais esto disponibilizadas para conheci-mento e discernimento de todos, a fim de originar muitas propostas, que possam at mesmo com-plementar ou alterar as deste estudo explorat-rio, aprimorando e favorecendo a sua aplicao. uma questo de unio, e no de competio, porque, na verdade, somos todos peas funda-mentais neste quebra-cabea e poderemos ser beneficiados na totalidade, da sade ao ambiente, do desenvolvimento sustentabilidade.

    reFernCias BiBLioGrFiCas

    [1] ao CenTro - Disponvel em: acesso em 10 de janeiro de 2007.[2] a CarTa Dos anDes - Traduo de Gustavo N. da Rocha Filho. In: Seminrio de Tcnicos e Funcion-rios em Planejamento Urbano (Centro Interamericano de Vivenda e Planejamento), 1958, So Paulo. Anais. So Paulo: bem-estar, 1958.[3] assoCiao naCionaL De TransPorTe P-BLiCo - Disponvel em: acesso em 13 de janeiro de 2007.[4] BrasiL - Constituio da Repblica Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. So Paulo: Atlas, 1989.[5] BrasiL - Estatuto da Cidade. Lei 10.257/2001. Disponvel em: acesso em 28 de maro de 2007.[6] BUss, PaULo MarCHiori - Promoo da Sade no Brasil. Conferncia apresentada ao I Seminrio Bra-sileiro de Efetividade da Promoo da Sade. No Rio de Janeiro, 10 de maio de 2005. Disponvel em: acesso em 13 de janeiro de 2007.[7] CarTa De aTenas - Atenas, 1933. Disponvel em: acesso em 13 de janeiro de 2007.[8] CarTa De oTTaWa - Ottawa, 1986. Disponvel em: acesso em 13 de janeiro de 2007.[9] CeT - Expresso Tiradentes. Disponvel em: acesso em 10 de janeiro de 2007.[10] CeTesB - Configurao e localizao das esta-

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    * Maria rosana Ferreira navarro arquiteta e ur-banista, especialista em sade ambiental pela USP, infraestrutura urbana pela Escola Politcnica da USP e projetos de parcelamento do solo em loteamentos e conjuntos habitacionais pelo Instituto de Pesquisas Tecnolgicas, IPTE-mail: rosana_navarro@globo.com