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  • PARECER

    Prescrio das dvidas s Autarquias Locais, por taxas

    de fornecimento de gua, de recolha e tratamento de

    guas residuais e de servios de gesto de resduos

    slidos urbanos

    Os assessores:

    Andr Barata e Mariana Vargas

  • P ROVEDOR IA DE J U S T I A

    Rua do Pau de Bandeira, 7 e 9 - 1249-088 Lisboa - Telef. 213 926 600 - Telefax 213 961 243

    http://provedor-jus.pt - correio electrnico: provedor@provedor-jus.pt 2

    Nota Introdutria

    Atravs do Despacho da Ex.ma Senhora Coordenadora a fls. 18 do processo R-3939/09

    (A2), em que Reclamante o Senhor A. e entidade visada a Cmara Municipal de Vila

    Nova de Gaia, no mbito de processos de execuo fiscal que lhe foram instaurados por

    falta de pagamento da taxa de saneamento, contra os quais deduziu oposio, e no qual

    se suscitavam questes relacionadas com a prestao de servios pblicos essenciais,

    objecto de diversas outras queixas apresentadas neste rgo do Estado1, foi

    determinado o estudo conjunto das dvidas para que aquelas questes remetem.

    Cientes das dificuldades de integrao dos diversos diplomas legais aplicveis matria

    em anlise, sobre a qual no existem, por ora, elementos jurisprudenciais e doutrinais

    que permitam fixar com a necessria preciso o mbito e alcance das normas neles

    contidas, dificuldades acrescidas pelo facto de se tratar de matria da competncia

    regulamentar das Autarquias Locais e pela prtica, nem sempre coincidente, quer das

    entidades gestoras dos servios pblicos essenciais em causa, quer das entidades

    competentes para a cobrana coerciva das dvidas provenientes da prestao daqueles

    servios, procurou-se encontrar uma soluo interpretativa de equilbrio entre as

    garantias do utente e a tutela do direito do credor.

    Tal soluo interpretativa decorreu da necessidade de conciliao de normas dispersas

    por vrios diplomas, na maior parte aplicveis situao com as necessrias adaptaes.

    De facto, a Lei n. 23/96, de 26/07, consagra a proteco do utente de servios pblicos

    essenciais, independentemente da natureza jurdica da entidade prestadora.

    Ora, estamos em crer que precisamente a natureza jurdica da entidade prestadora do

    servio pblico essencial que define a qualificao da contraprestao pelo servio

    1 Nomeadamente as queixas que deram origem abertura dos processos R-5907/08 (A2) e R-1137/09 (A2), tambm pendentes.

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    prestado, a forma da sua cobrana coerciva, atravs do processo de execuo

    cvel/injuno ou do processo de execuo fiscal, e determina a diversidade dos regimes

    aplicveis em cada uma das situaes, no identificados pelo legislador, naquela Lei n.

    23/96, de 26/07.

    Procurando conciliar as normas de carcter geral e especial, aplicveis s relaes entre

    o utente de todo e qualquer servio pblico essencial, independentemente da natureza

    jurdica da entidade prestadora, com as normas prprias do direito tributrio,

    devidamente adaptadas, quando o credor uma Autarquia Local, prestamos o seguinte

    PARECER

    Prescrio das dvidas s Autarquias Locais, por taxas de fornecimento de

    gua, de recolha e tratamento de guas residuais e de servios de gesto de

    resduos slidos urbanos

    I Qualificao jurdica das taxas de fornecimento de gua, de recolha e

    tratamento de guas residuais e de servios de gesto de resduos slidos urbanos.

    Os servios de fornecimento de gua, de recolha e tratamento de guas residuais e de

    gesto de resduos slidos urbanos so servios pblicos essenciais, cujos utentes

    beneficiam da proteco que lhes conferida pela Lei n. 23/96, de 26/07, alterada pela

    Lei n. 12/2008, de 26/02, e pela Lei n. 24/2008, de 02/06, encontrando-se enumerados

    nas alneas a), f) e g), do n. 1 do seu artigo 1., respectivamente.

    Trata-se de servios prestados pelas Autarquias Locais, por Empresas Pblicas

    Municipais ou por Empresas Concessionrias, cujas receitas so da titularidade dos

    Municpios, de acordo com o disposto no artigo 10., alnea c), da Lei das Finanas

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    Locais (Lei n. 2/2007, de 15/01), com remisso para os artigos 15. (taxas) e 16.

    (preos), da mesma Lei.

    O entendimento de que, muito embora as referidas receitas possam ser cobradas

    directamente (na fase de pagamento voluntrio) pelas Empresas Concessionrias, no

    constituem receitas prprias, mas sim receitas municipais, sai reforada com a redaco

    do n. 5, do artigo 16., da Lei das Finanas Locais2, em que se prev a sua transferncia

    para a Empresa Concessionria.

    Tais receitas, independentemente do nome que lhes seja atribudo - taxas, tarifas ou

    preos3 (tanto a Lei n. 23/96, de 26/07 como o Decreto-Lei n. 194/2009, de 20/08,

    usam, cumulativamente, as trs designaes) -, so receitas de natureza tributria,

    constando o seu regime geral da Lei Geral Tributria (LGT), aprovada pelo Decreto-Lei

    2 Artigo 16 - Preos 1 Os preos e demais instrumentos de remunerao a fixar pelos municpios relativos aos servios prestados e aos bens fornecidos em gesto directa pelas unidades orgnicas municipais ou pelos servios municipalizados no devem ser inferiores aos custos directa e indirectamente suportados com a prestao desses servios e com o fornecimento desses bens. 2 Para efeitos do nmero anterior, os custos suportados so medidos em situao de eficincia produtiva e, quando aplicvel, de acordo com as normas do regulamento tarifrio em vigor. 3 O preos e demais instrumentos de remunerao a cobrar pelos municpios respeitam, designadamente, s actividades de explorao de sistemas municipais ou intermunicipais de: a) Abastecimento pblico de gua; b) Saneamento de guas residuais; c) Gesto de resduos slidos; d) Transportes colectivos de pessoas e mercadorias; e) Distribuio de energia elctrica em baixa tenso. 4 Relativamente s actividades mencionadas no nmero anterior, os municpios devem cobrar preos nos termos de regulamento tarifrio a aprovar. 5 Salvo disposies contratuais em contrrio, nos casos em que haja receitas municipais ou de servios municipalizados provenientes de preos e demais instrumentos contratuais associados a uma qualquer das actividades referidas no nmero anterior que sejam realizadas atravs de empresas concessionrias, devem tais receitas ser transferidas para essas empresas at ao 30 dia do ms seguinte ao registo da respectiva receita, devendo ser fornecida s empresas informao trimestral actualizada e discriminada dos montantes cobrados. 6 Cabe entidade reguladora dos sectores de abastecimento pblico de gua, de saneamento de guas residuais e de gesto de resduos slidos a verificao do disposto nos n.s 1, 4 e 5, devendo, caso se trate de gesto directa municipal, de servio municipalizado, empresa municipal ou intermunicipal, informar a assembleia municipal e a entidade competente da tutela inspectiva caso ocorra violao de algum destes preceitos, sem prejuzo dos poderes sancionatrios de que disponha. 3 - Sobre a distino entre estas figuras jurdicas, cfr., entre outros, GOMES, Nuno S, Manual de Direito Fiscal - Vol. I, Editora Rei dos Livros, Lisboa, 1995, pgs. 73 e ss., e NABAIS, Jos Casalta, Direito Fiscal, Almedina, Coimbra, 2000, pg. 33 e ss.

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    n. 398/98, de 17/12, cujo artigo 3. - Classificao dos tributos -, as inclui na categoria

    de tributos locais (n. 1, alnea b) e n. 2), embora sujeitas ao regime de lei especial (n.

    3).

    No que respeita generalidade das taxas das Autarquias Locais, a lei especial a que se

    refere o n. 3 do artigo 3., da Lei Geral Tributria, a Lei n. 56-E/2006, de 29/12, que

    aprovou o Regime Geral das Taxas das Autarquias Locais (RGTAL); contudo,

    tratando-se de servios pblicos essenciais, a sua regulamentao especfica a que

    decorre da j citada Lei n. 23/96, de 26/07, complementada por outros diplomas

    legislativos, entre os quais o Decreto-Lei n. 194/2009, de 20/08, cujo objecto , de

    acordo com o seu artigo 1., o de estabelecer o regime jurdico dos servios municipais

    de abastecimento pblico de gua, de saneamento de guas residuais urbanas e de

    gesto de resduos urbanos.

    A cobrana coerciva destes tributos municipais segue as regras do processo de execuo

    fiscal, conforme o estabelecido pelo artigo 7., do Decreto-Lei n. 433/99, de 26/10, que

    aprovou o Cdigo de Procedimento e de Processo Tributrio (CPPT)4, confirmado pelo

    n. 2 do artigo 12. do RGTAL5.

    Apesar das particularidades do regime das taxas de que agora nos ocupamos, procurar-

    -se- definir o regime aplicvel extino da respectiva prestao tributria, por

    caducidade e por prescrio.

    4 Artigo 7. - Tributos administrados por autarquias locais 1 As competncias atribudas no cdigo aprovado pelo presente decreto-lei a rgos perifricos locais sero exercidas, nos termos da lei, em caso de tributos administrados por autarquias locais, pela respectiva autarquia.