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<p>MINISTRIO DA EDUCAO E DO DESPORTO Secretaria do Ensino Fundamental - SEF</p> <p>PARMETROS CURRICULARES NACIONAIS Meio Ambiente</p> <p>verso agosto / 1996</p> <p>ndice 1. Justificativa 1.1. 1.2. 1.3. A questo ambiental Crise ambiental ou crise civilizatria? A educao como elemento indispensvel para a transformao da conscincia ambiental 2. Meio Ambiente no ensino fundamental 2.1. 2.2. Educao Ambiental e cidadania Noes bsicas para a questo ambiental 2.2.1. Meio Ambiente e seus elementos 2.2.1.1. Elementos naturais e construdos do meio ambiente 2.2.1.2. reas urbana e rural 2.2.1.3. 2.2.1.4. Fatores fsicos e sociais do meio ambiente Proteo ambiental 2.2.1.4.1. Proteo 2.2.1.4.2. Preservao 2.2.1.4.3. Conservao 2.2.1.4.4. Recuperao 2.2.1.4.5. Degradao 2.2.2. Sustentabilidade 2.2.3. Diversidade 2.2.4. Algumas vises distorcidas sobre a questo ambiental 2.3. Ensinar e aprender em Educao Ambiental 2.3.1. Contedos relativos a valores e atitudes 2.3.2. Contedos relativos a procedimentos 3. 4. Objetivos gerais para o ensino fundamental Contedos 4.1. 4.2. Critrios de seleo e organizao dos contedos Blocos de contedo 4.2.1. Os ciclos da natureza 2</p> <p>4.2.2. Sociedade e Meio Ambiente 4.2.3. Manejo e conservao ambiental 4.2.4. Contedos comuns a todos os blocos 5. Avaliao 5.1. 5.2. 6. Sobre a avaliao no tema Meio Ambiente Critrios de avaliao</p> <p>Orientao didtica geral 6.1. 6.2. 6.3. 6.4. 6.5. Consideraes gerais O tema Meio Ambiente no projeto educativo Comunidade escolar Formao permanente e constante Realidade local e outras realidades como suporte para o trabalho</p> <p>pedaggico 7. Bibliografia</p> <p>Anexo I</p> <p>3</p> <p>1. Justificativa A perspectiva ambiental consiste num modo de ver o mundo em que se evidenciam as inter-relaes e a interdependncia dos diversos elementos na constituio e manuteno da vida. Em termos de educao, essa perspectiva contribui para evidenciar a necessidade de um trabalho vinculado aos princpios da dignidade do ser humano, da participao, da co-responsabilidade, da</p> <p>solidariedade e da eqidade.</p> <p>1.1. A questo ambiental medida que a humanidade aumenta sua capacidade de intervir na natureza para satisfao de necessidades e desejos crescentes, surgem tenses e conflitos quanto ao uso do espao e dos recursos em funo da tecnologia disponvel. Nos ltimos sculos, um modelo de civilizao se imps, trazendo a industrializao, com sua forma de produo e organizao do trabalho, alm da mecanizao da agricultura, que inclui o uso intenso de agrotxicos, e a urbanizao com um processo de concentrao populacional nas cidades. A tecnologia empregada evoluiu rapidamente com conseqncias</p> <p>indesejveis que se agravam com igual rapidez. A explorao dos recursos naturais passou a ser feita de forma demasiadamente intensa. Recursos no-renovveis, como o petrleo, ameaam escassear. De onde se retirava uma rvore, agora retiram-se centenas. Onde moravam algumas famlias, consumindo alguma gua e produzindo poucos detritos, agora moram milhes de famlias, exigindo imensos mananciais e gerando milhares de toneladas de lixo por dia. Essas diferenas so determinantes para a degradao do meio onde se insere o homem. Sistemas inteiros de vida vegetal e animal so tirados de seu equilbrio. E a riqueza, gerada num modelo econmico que propicia a concentrao da renda, no impede o crescimento da misria e da fome. Algumas das conseqncias indesejveis desse tipo de ao humana so, por exemplo, o esgotamento do solo, a contaminao da gua e a crescente violncia nos centros urbanos.</p> <p>4</p> <p> medida que tal modelo de desenvolvimento provocou efeitos negativos mais graves, surgiram manifestaes e movimentos que refletiam a conscincia de parcelas da populao sobre o perigo que a humanidade corre ao afetar de forma to violenta o seu meio ambiente. Em pases como o Brasil, preocupaes com a preservao de espcies surgiram j h alguns sculos, como no caso do paubrasil, por exemplo, em funo de seu valor econmico. No final do sculo passado iniciaram-se manifestaes pela preservao dos sistemas naturais que culminaram na criao de Parques Nacionais, como ocorreu nos Estados Unidos. nesse contexto que, no final do sculo passado, surge a rea do conhecimento que se chamou de Ecologia. O termo foi proposto em 1866 pelo bilogo Haeckel, e deriva de duas palavras gregas: oikos, que quer dizer morada, e logos, que significa estudo. A Ecologia comea como um novo ramo das Cincias Naturais, e seu estudo passa a sugerir novos campos do conhecimento como, por exemplo, a ecologia humana e a economia ecolgica. Mas s na dcada de 1970 o termo ecologia passa a ser conhecido do grande pblico. Com freqncia, porm, ele usado com outros sentidos e at como sinnimo de meio ambiente. Nas naes mais industrializadas passa-se a constatar uma deteriorao na qualidade de vida que afeta a sade tanto fsica quanto psicolgica dos habitantes das grandes cidades. Por outro lado, os estudos ecolgicos comeam a tornar evidente que a destruio e at a simples alterao de um nico elemento num ecossistema1 pode ser nociva e mesmo fatal para o sistema como um todo. Grandes extenses de monocultura, por exemplo, podem determinar a extino regional de algumas espcies e a proliferao de outras. Vegetais e animais favorecidos pela plantao, ou cujos predadores foram exterminados, reproduzemse de modo desequilibrado, prejudicando a prpria plantao. Eles passam a ser considerados ento uma praga. A indstria qumica oferece como soluo o uso de praguicidas que acabam, muitas vezes, envenenando as plantas, o solo e a gua.</p> <p>5</p> <p>Problemas como esse vm confirmar a hiptese, que j se levantava, de que poderia haver riscos srios em se manter um alto ritmo de ocupao, invadindo e destruindo a natureza sem conhecimento das implicaes que isso traria para a vida no planeta. At por volta da metade do sculo XX, ao conhecimento cientfico da Ecologia somou-se um movimento ecolgico voltado no inc io principalmente para a preservao de grandes reas de ecossistemas intocados pelo homem, criandose parques e reservas. Isso foi visto muitas vezes como uma preocupao potica de visionrios, uma vez que pregavam o afastamento do homem desses espaos, inviabilizando sua explorao econmica. Aps a Segunda Guerra Mundial, principalmente a partir da dcada de 60, intensificou-se a percepo de que a humanidade pode caminhar aceleradamente para o esgotamento ou a inviabilizao de recursos indispensveis sua prpria sobrevivncia. E, assim sendo, que algo deveria ser feito para alterar as formas de ocupao do planeta estabelecidas pela cultura dominante. Esse tipo de constatao gerou o movimento de defesa do meio ambiente que luta para diminuir o acelerado ritmo de destruio dos recursos naturais ainda preservados e que busca alternativas que conciliem, na prtica, a conservao da natureza com a qualidade de vida das populaes que dependem dessa natureza.</p> <p>1.2. Crise ambiental ou crise civilizatria? Para uns, a maior parte dos problemas atuais, decorrentes do modelo de desenvolvimento, economia e sociedade, pode ser resolvida pela comunidade cientfica. Confiam na capacidade de a humanidade produzir novas solues tecnolgicas e econmicas a cada etapa, em resposta a cada problema que surge, permanecendo basicamente no mesmo paradigma civilizatrio dos ltimos sculos. Para outros, a questo ambiental representa quase uma sntese dos impasses que o atual modelo de civilizao acarreta. Consideram que aquilo a queEntende -se por ecossistema o conjunto de interaes desenvolvidas pelos componentes vivos (animais, vegetais, fungos, protozorios e bactrias) e no-vivos (gua, gases atmosfricos, sais minerais e radiao solar) de um determinado ambiente1</p> <p>6</p> <p>se assiste, no final do sculo XX, no s uma crise ambiental, mas uma crise civilizatria. E que a superao dos problemas exigir mudanas profundas na concepo de mundo, de natureza, de poder, de bem-estar, tendo por base novos valores individuais e sociais. Faz parte dessa nova viso de mundo a percepo de que o homem no o centro da natureza. Para outros ainda, o homem deveria se comportar no como dono do mundo, mas, percebendo-se como parte integrante da natureza, resgatar a noo de sacralidade da natureza, respeitada e celebrada por diversas culturas tradicionais antigas e contemporneas. Tanto uns quanto outros, porm, reconhecem que a forma clssica criada pela cincia ocidental para estudar a realidade, subdividindo-a em aspectos a serem analisados por diferentes reas do conhecimento, no suficiente para a compreenso dos fenmenos ambientais. A complexidade da natureza exige uma abordagem sistmica para seu estudo, isto , um trabalho de sntese, com os diversos componentes vistos como um todo, partes de um sistema maior, bem como em suas correlaes e interaes com os demais componentes e seus aspectos. Fazendo-se uma analogia entre um sistema natural em estudo e uma rede de pesca, da mesma forma que para conhecer a rede no basta observar os seus ns mas fundamental iluminarem-se os fios que interligam esses ns, para se conhecer um sistema no basta observar suas partes, mas preciso enxergar como elas se interligam e se modificam, em sua prpria estrutura e sentido de ser, por causa dessas interaes. De todo modo, os recursos naturais e o prprio meio ambiente tornam-se uma prioridade, um dos componentes mais importantes para o planejamento poltico e econmico dos governos. Passam ento a ser analisados em seu potencial econmico e vistos como fatores estratgicos. O desnvel econmico entre grupos sociais e entre os pases, tanto em termos de riqueza quanto de poder, criam vetores importantes de presso sobre as polticas econmicas e ambientais em cada parte do mundo. E, alm do mais, o poderio dos grandes empreendimentos(Secretaria do Meio Ambiente do Estado de So Paulo, 1992).</p> <p>7</p> <p>transnacionais torna-os capazes de influir fortemente nas decises ambientais que governos e comunidades deveriam tomar, especialmente quando envolvem o uso dos recursos naturais. A interdependncia mundial se d tambm sob o ponto de vista ecolgico: o que se faz num local, num pas, pode afetar amplas regies ultrapassando vrias fronteiras. o que acontece, por exemplo, com as armas atmicas. Se um pas resolve fazer um experimento atmico, o mundo todo sofre, em menor ou maior grau, as conseqncias dessa ao. Um desastre numa usina atmica contamina, num primeiro momento, apenas o que est mais prximo. Pessoas, alimentos, todas as formas de vida so afetadas. Num segundo momento, pelas correntes de gua, pelos ventos e pelas teias alimentares, dentre outros processos, a contaminao pode chegar a qualquer parte do mundo. Com a constatao dessa inevitvel interferncia que uma nao exerce sobre outra atravs das aes relacionadas ao meio ambiente, a questo ambiental torna-se internacional. Portanto, ao lado da chamada globalizao econmica, assiste-se globalizao dos problemas ambientais, o que obriga os pases a negociar, a legislar de forma a que os direitos e os interesses de cada nao possam ser minimamente limitados em funo do interesse maior da humanidade e do planeta. A tica entre as naes e os povos deve passar ento a incorporar novas exigncias com base numa percepo de mundo em que as aes sejam consideradas em suas conseqncias mais amplas, tanto no espao quanto no tempo. No s o crime ou a guerra que ameaam a vida, mas tambm a forma como se gera, se distribui e se usa a riqueza, a forma como se trata a natureza. A questo ambiental isto , o conjunto de temticas relativas no s proteo da vida no planeta mas tambm melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida das comunidades compe a lista dos temas de relevncia internacional.</p> <p>8</p> <p> nesse contexto que se iniciam as grandes reunies mundiais sobre o tema , em que se formaliza a dimenso internacional das questes relacionadas ao meio ambiente, o que leva os pases a se posicionarem quanto a decises ambientais de alcance mundial.2</p> <p>1.3. A educao como elemento indispensvel para a transformao da conscincia ambiental Uma das principais concluses e proposies assumidas internacionalmente a recomendao de se investir numa mudana de mentalidade, conscientizando os grupos humanos para a necessidade de se adotarem novos pontos de vista e novas posturas diante dos dilemas e das constataes feitas nessas reunies. Por ocasio da Conferncia Internacional Rio/92, cidados representando instituies de mais de 170 pases assinaram tratados nos quais se reconhece o papel central da educao para a construo de um mundo socialmente justo e ecologicamente equilibrado, o que requer responsabilidade individual e coletiva em nveis local, nacional e planetrio. E isso o que se espera da Educao Ambiental no Brasil, que foi assumida como obrigao nacional pela Constituio promulgada em 1988. Todas as recomendaes, decises e tratados internacionais sobre o tema 3 evidenciam a importncia atribuda por lideranas de todo o mundo para a Educao Ambiental como meio indispensvel para se conseguir criar e aplicar formas cada vez mais sustentveis de interao sociedade-natureza e solues para os problemas ambientais. Evidentemente, a educao sozinha no suficiente para mudar os rumos do planeta, mas certamente condio necessria para tanto. A Conferncia Intergovernamental de Educao Ambiental de Tbilisi estabeleceu princpios que constam deste documento, no item Orientao didtica geral. O Brasil, alm de ser um dos maiores pases do mundo em extenso, possui inmeros recursos naturais de fundamental importncia para todo o planeta: desdeA primeira conferncia internacional promovida pela Organizao das Naes Unidas (ONU) foi a de Estocolmo, em 1972. E a segunda foi no Rio de Janeiro, em 1992, a Rio/92.2</p> <p>9</p> <p>ecossistemas importantes como as suas florestas tropicais, o pantanal, o cerrado, os mangues e restingas, at uma grande parte da gua doce disponvel para o consumo humano. Dono de uma das maiores biodiversidades4 do mundo, tem ainda uma riqueza cultural vinda da interao entre os diversos grupos tnicos americanos, africanos, europeus, asiticos o que traz contribuies para toda a comunidade. Parte desse patrimnio cultural consiste no conhecimento</p> <p>importantssimo, mas ainda pouco divulgado, dos ecossistemas locais: seu funcionamento, sua dinmica e seus recursos. preocupante, no entanto, a forma como os recursos naturais e culturais brasileiros vm sendo tratados. Poucos produtores conhecem ou do valor ao conhecimento do ambiente especfico em que atuam. Muitas vezes, para extrair um recurso natural, perde-se outro de maior valor, como tem sido o caso da formao de pastos em certas reas da Amaznia. Com freqncia, tambm, a extrao de um bem (minrios, por exemplo) traz lucros somente para um pequeno grupo de pessoas, que muitas vezes nem so habitantes da regio, e que levam a riqueza para longe e at para fora do pas, deixando em seu lugar uma devastao que custar caro sade da populao e aos cofres pblicos. Alm disso, a degradao dos ambientes intensamente urbanizados nos quais se insere a maior parte da populao brasileira tambm razo de ser deste tema. A fome, a misria, a injustia social, a violncia e a baixa qualidade de vida de grande parte da popula...</p>