panorama brasil/argentina - set/2013

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Panorama Brasil/Argentina Setembro/2013

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  • 1. 1 Setembro | 2013 Panorama Econmico da Argentina: entre janeiro e julho, o saldo comercial argentino apresentou queda de 27,8% em relao ao mesmo perodo de 2012. Diante da reduo das reservas internacionais, o governo instituiu a anistia a dlares no declarados no exterior. [pgs. 02-03] Panorama do Comrcio Bilateral: nos primeiros sete meses de 2013, o fluxo comercial bilateral apresentou aumento de 12,9% em relao ao mesmo ms de 2012, com elevao de 18,2% das exportaes argentinas ao Brasil e aumento de 8,3% das importaes argentinas originrias do Brasil. [pgs. 03-04] Restries Comerciais: a FIESP constatou atrasos de aproximadamente 230 dias na liberao de DJAIs, que correspondem atualmente ao principal mecanismo de controle das importaes argentinas. [pg. 04] Acordo Automotivo: com vigncia at julho de 2014, o acordo automotivo entre Brasil e Argentina ainda no foi revisado em termos de cotas, vigorando o livre comrcio entre os dois pases. [pg. 05] Brinquedos: A Deciso n 37/12, no mbito do Mercosul, prorroga a autorizao para que os pases membros apliquem alquotas distintas da TEC (Tarifa Externa Comum) na importao de determinado grupo de brinquedos. [pgs. 05-06] Defesa Comercial na Argentina: sumrio das investigaes em curso e medidas em vigor na Argentina contra produtos brasileiros [pgs. 06-07] Panorama Poltico: ocorridas as eleies primrias em 11 de agosto de 2013, as eleies legislativas, a serem realizadas em 27 de outubro, tero provveis impactos sobre o futuro poltico-econmico da Argentina. [pg. 07]
  • 2. 2 Panorama Econmico da Argentina Entre janeiro e julho de 2013, o saldo comercial argentino foi de US$ 5,72 bi (queda de 27,8% em relao ao mesmo perodo de 2012). No referido perodo, as exportaes totais foram de US$ 48,75 bi (elevao de 4,6% em relao a 2012), enquanto as importaes totais atingiram o montante de US$ 43,02 bi (aumento de 11,2% em relao a 2012). Diante desse resultado, possvel que haja o enrijecimento do controle sobre as importaes, com a finalidade de atingir o supervit de US$ 10 bi esperado. Nos sete primeiros meses de 2013, a Argentina registrou um dficit na balana comercial de combustveis de US$ 4,24 bi (diferena de 90,4% em relao ao dficit de US$ 2,22 bilhes, correspondente ao mesmo perodo de 2012). Segundo relatrio da Associao Argentina de Oramento (ASAP), os subsdios argentinos ao setor energtico atingiram, entre janeiro e julho de 2013, o montante de AR$ 45,28 bilhes (superando em 70,2% o mesmo perodo de 2012). Nos ltimos meses, observa-se uma distoro de preos relativos na Argentina, agravada pela elevada taxa de inflao concomitantemente aos subsdios argentinos supracitados. A ttulo exemplificativo, um quilo de po valia AR$5,8 no ano de 2008 e um ms de servio de luz para uma residncia na capital, por sua vez, valia AR$18,9 no mesmo ano. Atualmente, um quilo de po vale AR$20 e um ms de servio de luz para uma residncia AR$18,9. Observa-se uma variao de 245,8% no quilo do po, porm em relao ao servio de luz no houve nenhuma variao. Dados Macroeconmicos - Argentina Taxa de cmbio (peso/US$) (ago/13) 5,57 Risco pas* (ago/13) 1.050 Reservas (ago/13) US$ 37,04 bilhes Dvida Total (dez/12) US$ 197,5 bilhes Preos ao Consumidor** (Abeceb jul/13) 24,9% Preos ao Consumidor (Indec - jul/13) 10,6% * Medido pelo ndice EMBI+ Fonte: Abeceb.com ** ndice Geral de Inflao Reservas Internacionais e Cmbio Paralelo As reservas internacionais argentinas reduziram significativamente nos ltimos anos. Com o objetivo de reverter essa situao, o governo argentino instituiu medidas para a anistia a dlares no declarados no exterior. Estas foram anunciadas em maio e entraram em vigor em julho de 2013, e visam captar dlares para a economia sem que haja a necessidade de se declarar a origem dos mesmos. Para isto, foram desenhados dois instrumentos: o Cedin e o Baade. Ambos os instrumentos so concedidos aos argentinos no momento em que estes entregam seus dlares ao governo. O Cedin um instrumento financeiro que funciona como meio de pagamento para mediar uma transao imobiliria ou de construo civil. O Baade, por sua vez, um ttulo pblico de rendimento semestral fixado em 4% ao ano, cuja captao destinada a investimentos em energia. A iniciativa no obteve grandes resultados desde que entrou em vigor. At o momento, ingressaram
  • 3. 3 aproximadamente US$ 25 milhes na economia (apenas 1% do valor esperado) e no se observa uma tendncia de crescimento na adeso ao programa. Caso o governo no atinja seu objetivo de captar US$ 4 bilhes at outubro, provavelmente o prazo dos instrumentos ser estendido. Investimentos Aparentemente, os fatores de atrao de Investimento Brasileiro Direto (IBD) para a Argentina vm se deteriorando nos ltimos anos, conforme possvel observar a seguir: Panorama do Comrcio Bilateral Nos sete primeiros meses de 2013, o fluxo comercial bilateral apresentou aumento de 12,9% em relao ao mesmo perodo de 2012, com elevao de 18,2% das exportaes argentinas ao Brasil (que atingiram o valor de US$ 10,28 bilhes) e aumento de 8,3% das importaes argentinas originrias do Brasil (atingindo o valor de US$ 11,18 bilhes). O saldo comercial brasileiro, entre janeiro e julho de 2013, foi de aproximadamente 0,90 bilho, valor 44,4% inferior ao observado no mesmo perodo de 2012. Elaborao: DEREX Fonte: Aliceweb No que diz respeito balana comercial brasileira de manufaturados entre janeiro e julho, observa-se a presena da Argentina como principal destino das exportaes brasileiras e a 3 origem das importaes. Mdia 2007 - 2008 2012 Fonte: Abeceb Crescimento do PIB Encargos Trabalhistas Remessa de Utilidades (DAPE) 6,6% 0,9% US$ 805 US$ 1.646 US$ 3.439 * apenas 2008 US$ 225 Fatores Perodo 0,00 1,00 2,00 3,00 1,63 0,90 Saldo comercial brasileiro com a Argentina (US$ bilhes) Jan a Jul 2012 Jan a Jul 2013
  • 4. 4 Elaborao: DEREX Fonte: Aliceweb Segundo o Instituto Nacional de Estatstica e Censos da Argentina - INDEC, de janeiro a julho de 2013 as exportaes para a Argentina dos setores de bens de capital, bens intermedirios e bens de consumo brasileiros sofreram variao de, respectivamente, 15%, -5% e 3% em relao ao mesmo perodo de 2012. Restries Comerciais A meta do governo para a ampliao do supervit argentino contribuiu para que as restries comerciais persistissem durante primeiro semestre de 2013. O Secretrio de Comrcio Interior, Guillermo Moreno, afirmou que as barreiras sero mantidas pelos prximos dois anos. Desvio de comrcio IMPORTAES ARGENTINAS 2012 e 2013 ZONAS ECONMICAS E PASES SELECIONADOS MILHES DE US$ VARIAO PERCENTUAL Jan-Jul /12 Jan-Jul /13 % Todas as origens 38.683 43.025 11 Brasil 10.092 11.160 11 Mercosul (inclusive Venezuela) 10.702 11.821 10 Resto ALADI (exclusive Venezuela) 1.042 1.775 70 China* 5.067 6.404 26 NAFTA 6.339 5.996 -5 Unio Europeia 7.447 8.008 8 * Inclui Hong Kong e Macau Fonte: INDEC/Aliceweb As importaes totais da Argentina elevaram-se em 11,2% nos sete primeiros meses do ano de 2013, em relao ao mesmo perodo em 2012. Neste perodo, as importaes originrias do Brasil apresentaram aumento de 10,6%, enquanto as provenientes da China cresceram 26,3% frente a 2012. As exportaes brasileiras para a Argentina perderam participao em 12 setores. Em 10 setores como txtil, calados e suas partes, qumico, metais e seus manufaturados, autopeas e couro isso ocorreu paralelamente ao aumento das importaes originrias da China. No mesmo perodo, o Brasil teve aumento de participao nas importaes argentinas em 9 setores, incluindo material de transporte, maquinaria agrcola, automotivo, fertilizantes e fitossanitrios. 1 1 2 2 3 3 4 4 5 5 Exportaes Pas Importaes Total Total 1.866 1.768 50.933 Argentina Estados Unidos Pises Baixos Panam Mxico Jan a Jul/2013 Jan a Jul/2013Pas Balana Comercial brasileira de manufaturados Destinos e Origens (US$ Milhes) 20.483 18.959 8.364 8.214 5.752 115.006 China Estados Unidos Argentina Alemanha Coreia do Sul 10.170 7.504 3.355
  • 5. 5 Declarao Jurada Antecipada de Importao (DJAI) Desde fevereiro de 2012, a DJAI se tornou o principal instrumento argentino de controle das importaes, sendo obrigatria para todos os produtos que tenham como destino final o mercado interno. Em consulta realizada pela FIESP, diversos setores registraram atrasos na aprovao das DJAIs, incluindo qumico, txtil, alimentcio, de mquinas e equipamentos, papel, plsticos, dentre outros. Segundo a Receita Federal da Argentina (AFIP), o prazo para anlise das Declaraes est entre 3 e 10 dias corridos, mas alguns atrasos j se aproximam de 230 dias. Acordo Automotivo O acordo automotivo entre Brasil e Argentina, renovado em maio de 2008, possui vigncia at julho de 2014. No entanto, o acordo estipula que, a partir de 1 de julho de 2013, o comrcio de produtos automotivos entre os pases no estar mais sujeito a tarifas e a limitaes quantitativas, conforme dispositivo previsto no prprio acordo renegociado em 2008. O acordo determina um Coeficiente de Desvio sobre as Exportaes no Comrcio Bilateral. Referido coeficiente estabeleceu que, at 30 de junho de 2013, para cada dlar importado de produtos automotivos da Argentina, o Brasil poderia exportar o equivalente a US$ 1,95. Por sua vez, a Argentina, para cada dlar importado do Brasil poderia exportar o equivalente a US$ 2,5. Acima desses limites as exportaes seriam tributadas. Na prtica, observa-se um equilbrio histrico na balana comercial automotiva bilateral, de modo que os coeficientes no so utilizados at o limite de vendas permitido. O Ministro do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior, Fernando Pimentel, ressaltou em uma audincia pblica ocorrida em julho no Senado que para o Bra