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  • Revista do Instituto Geolgico, So Paulo, 23(2), 23-33, 2002.

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    MORFOLOGIA CRISTALINA DE DIAMANTES PROVENIENTES DAS REGIES DE CHAPADA DOSGUIMARES, POXORU, PARANATINGA, DIAMANTINO E ALTO PARAGUAI - MATO GROSSO

    Iede Terezinha ZOLINGERDarcy Pedro SVISERO

    Ricardo Kalikowski WESKA

    RESUMO

    Este artigo refere-se aos principais resultados da anlise morfolgica de diaman-tes provenientes de depsitos detrticos das regies de Chapada dos Guimares,Poxoru, Paranatinga, Alto Paraguai e Diamantino, localizadas no Estado de Mato Gros-so. As principais caractersticas observadas foram o predomnio de cristaisrombododecadricos, seguidos de fragmentos de clivagem, formas irregulares e agre-gados. As formas menos presentes incluem o octaedro, formas transicionais entre ooctaedro de faces planas e o rombododecaedro de faces abauladas, geminado plano,cubo, pseudohexatetraedro, bem como alguns diamantes policristalinos (carbonado eballas).

    Palavras-chave: diamante, Mato Grosso, morfologia, aluvies.

    ABSTRACT

    This paper presents the main results of a mineralogical investigation carried outon detritic diamonds from the municipalities of Chapada dos Guimares, Poxoru,Paranatinga, Diamantino and Alto Paraguai, in the state of Mato Grosso, Brazil. Themain features observed were the dominance of rounded dodecahedral crystals, followedby cleavage fragments, irregular forms and aggregates. Less frequent morphologicaltypes included octahedral, transitional forms between the flat octahedral and the roundeddodecahedral, flat twins, cube, pseudohexatetraedral, as well as some pollycrystalinediamonds (carbonado and ballas).

    Keywords: diamonds, Mato Grosso, morphology, alluvium.

    1 INTRODUO

    O conhecimento das variaes morfolgicasexibidas pelo diamante tem interesse acadmico,uma vez que elas refletem os complexos fenmenosfsico-qumicos que atuam durante sua cristaliza-o e durante o transporte pelo magma kimberltico(MEYER 1985). Por outro lado, h um interesse pr-tico em conhecer essa classificao tendo em vistaque as aplicaes do diamante dependem de suascaractersticas fsicas.

    Considerando que a classe cristalina do dia-mante m3m (YACOOT & MOORE 1993), a discus-so da morfologia deve levar em conta que as ni-cas formas cristalogrficas simples possveis deocorrerem nesse mineral so: cubo,

    rombododecaedro, octaedro, cubo piramidado,trioctaedro, icositetraedro e hexaoctaedro. Alm decombinaes entre estas formas, ocorrem tambmgeminaes.

    Atualmente a maioria dos autores dividem asformas do diamante em primrias ou primitivas (for-mas simples, combinadas e geminados) e secundri-as que renem as formas derivadas. As primrias soresultantes do crescimento cristalino, representadasprincipalmente pelo octaedro, geminados e em me-nor proporo pelo cubo e o rombododecaedro, to-dos de faces planas e arestas retas. As formas secun-drias, derivadas das primrias, exibem evidnciasde dissoluo tais como arestas e faces com grau decurvatura variado. Uma larga variedade de formascristalogrficas de diamantes naturais e sintticos

  • Revista do Instituto Geolgico, So Paulo, 23(2), 23-33, 2002.

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    est bem exemplificada nas Tabelas de Formas Cris-talinas de GOLDSCHMIDT (1916) e na classificaomineralgica de ORLOV (1977).

    Neste trabalho, discutida a classificaomorfolgica de 4.198 diamantes provenientes de de-psitos detrticos situados nos municpios deChapada dos Guimares e Poxoru (borda noroesteda Bacia do Paran) e nos municpios de Paranatinga,Alto Paraguai e Diamantino (Faixa Paraguai), tal comomostrado na figura 1. Dados geolgicos referentesaos depsitos estudados foram apresentados porZOLINGER (2000). Tambm so descritos dados deoutras pesquisas realizadas em garimpos do Tringu-lo Mineiro, Minas Gerais (LEITE 1969), Alto Araguaia,Mato Grosso (SVISERO 1971), Mina de Romaria, Mi-nas Gerais (SVISERO et al. 1981, SVISERO &HARALYI 1985), Tibagi, Paran (CHIEREGATI 1989),Serra do Espinhao, Minas Gerais (CHAVES 1997);

    de kimberlitos da frica do Sul (WHITELOCK 1973;HARRIS et al. 1975, 1979), Estados Unidos da Amri-ca (McCALLUM et al. 1979, 1994; OTTER et al. 1994),do Crton Slave, na regio rtica canadense (DAVIESet al.1998) e dos lamprotos Ellendale e Argyle daAustrlia (HALL & SMITH 1984).

    2 DESCRIO MORFOLGICA DOSDIAMANTES ANALISADOS

    As informaes referentes morfologia crista-lina e as suas respectivas porcentagens de ocorrn-cia esto na tabela 1. Observa-se pela referida tabelaque a forma cristalogrfica dominante nas reasamostradas o rombododecaedro {110} de faces earestas com grau de curvatura variado. Tambm es-to incluidos os cristais rombododecadricos des-

    FIGURA 1 - Localizao e contexto geotectnico das regies de Chapada dos Guimares (1), Poxoru (2), Paranatinga(3), Diamantino (4) e Alto Paraguai (5), Mato Grosso. Modificado de WESKA & SVISERO (2001).

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    proporcionados, achatados e alongados, bem comoos de faces planas e arestas retilneas interpretadoscomo forma de crescimento.

    Cristais fragmentados segundo a clivagem(fragmentos de clivagem), com perda de 60 % daforma original, constituem a segunda categoria maisabundante em mais da metade dos lotes, destacan-do-se nos trs lotes de Poxoru, em um dos lotes deChapada dos Guimares, em dois lotes de AltoParaguai e no lote de Diamantino. So raros os cris-tais com evidncias de reabsoro (arredondamentoda superfcie fragmentada).

    Cristais isentos de feies cristalogrficas(emergncia de eixos, faces e arestas bem definidas)so classificados como cristais irregulares. a se-gunda categoria mais abundante em um dos lotesde Chapada dos Guimares, de Alto Paraguai e dePoxoru. Nos demais lotes ocorre em menor propor-o do que outras categorias.

    Os agregados cristalinos so definidos porassociaes de dois a trs cristais de hbitorombododecadrico. No observa-se nos lotes es-tudados a ocorrncia de associaes de outras for-mas cristalogrficas.

    Os cristais de hbito intermedirio entre ooctaedro de faces e arestas planas e orombododec