paisagens culturais: do cafÉ À .mas, o vinho novo deve-se pôr em odres novos, e assim ambos se

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CENTRO UNIVERSITRIO BARO DE MAU

Departamentos de Geografia, Histria e Pedagogia

DIALOGUS revista das graduaes em licenciatura em

Geografia, Histria e Pedagogia

ISSN 1808-4656 Ribeiro Preto v.6 n.2 2010 p.1-199

DIALOGUS uma publicao semestral dos cursos de Geografia, Histria e Pedagogia mantidos pelo Centro Universitrio Baro de Mau, Ribeiro Preto, SP. Solicita-se permuta. As opinies emitidas so de responsabilidade dos autores. permitida a reproduo total ou

parcial dos artigos desde que citada a fonte.

EXPEDIENTE Reitora Prof. Me. Maria Clia Pressinatto Pr-Reitoras de Ensino Prof. Dr. Dulce Maria Pamplona Guimares e Prof. Dr. Joyce Maria Worschech Gabrielli Diretores Sr. Jos Favaro Jnior Sr. Guilherme Pincerno Favaro Sra. Neusa Pincerno Teixeira Sr. Elizabeth M. Cristina Pincerno Favaro e Silva Sr. Carlos Csar Palma Spinelli Sr. Marco Aurlio Palma Spinelli Diretoria Executiva Sr. Jos Antonio P.Capito Departamento Didtico Pedaggico Profa. Esp. Dulce Aparecida Trindade do Val Prof. Ms. Geraldo Alencar Ribeiro Profa. Esp. Sara Maria Campos Soriani Coordenadora das Graduaes em Geografia e Histria Profa. Ms. Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa Coordenador da Graduao em Pedagogia

Prof. Ms. Cicero Barbosa do Nascimento

Comisso Editorial Prof. Ms. Ccero Barbosa do Nascimento

Prof. Dr. Humberto Perinelli Neto

Profa. Ms. Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa

Prof. Dr. Paulo Eduardo V. P. Lopes

Conselho Editorial Andra Coelho Lastria, prof Dr

Antnio Aparecido de Souza, prof. Ms.

Antnio Carlos Lopes Petean, prof. Ms.

Beatriz Ribeiro Soares, prof Dr

Charlei Aparecido da Silva, prof. Dr.

Dulce Maria Pamplona Guimares, prof. Dr.

Edvaldo Cesar Moretti, prof. Dr.

Fbio Augusto Pacano, prof. Ms.

Fbio Fernandes Villela, prof. Dr.

Francisco Sergio Bernardes Ladeira, prof. Dr.

Ivan Aparecido Manoel, prof. Dr.

Jos William Vesentini, prof. Dr.

Aparecida Turolo Garcia, prof Dr

Jos Lus Vieira de Almeida, prof. Dr.

Llio Luiz de Oliveira, prof. Dr.

Marcos Antonio Gomes Silvestre, prof. Ms.

Maria Lcia Lamounier, prof Dr

Nainora Maria Barbosa de Freitas, prof Dr

Pedro Paulo Funari, prof. Dr.

Renato Leite Marcondes, prof. Dr.

Robson Mendona Pereira, prof. Dr.

Ronildo Alves dos Santos, prof. Dr.

Sedeval Nardoque, prof. Dr.

Silvio Reinod Costa, prof. Dr.

Taciana Mirna Sambrano, prof Dr

Vera Lcia Salazar Pessoa, prof Dr

FICHA CATALOGRFICA DIALOGUS (Departamentos de Geografia, Histria e Pedagogia Centro Universitrio Baro de Mau) Ribeiro Preto, SP Brasil, v.6, n.2, jul/dez 2010. Semestral 16,0 X 21,0. 199p. 2010, 6-2 ISSN 1808-4656 1. Educao. 2. Histria. 3.Geografia. I. Centro Universitrio Baro de Mau. II. Departamentos de Histria, Geografia e Pedagogia.

CAPA: , autoria: Ana Carla Vannucchi

PREFCIO

Reitoria do Centro Universitrio Baro de Mau

Apresentao do segundo nmero do sexto volume

A apresentao deste nmero da DIALOGUS teve como principio a consulta ao dicionrio, na nsia de melhor saber sobre o sentido de dois termos que compem a expresso produo acadmica:

Produo: ato, processo ou efeito de produzir; criao, elaborao, fabricao, fabricao, gerao, realizao.

Acadmica: substantivo masculino; filsofo da escola de Plato (relativo a dilogos); A surpresa diante do dicionrio foi gratificante. A grosso modo,

tal consulta referenda a necessidade de pensarmos a produo acadmica como sendo o exerccio constante e incompleto (ao) da busca de conhecimento, por meio do contato freqente com o novo, o diferente e o desconhecido.

nos fiando neste tipo de entendimento da expresso produo acadmica, que movemos diversos esforos para que houvesse o lanamento de mais um volume da DIALOGUS.

Com este volume, buscamos ressaltar tambm que a cincia poliglota, j que se faz entender por vrias lnguas: podemos acess-la na forma de conferncias, entrevistas, artigos e ensaios (todos aqui presente sob a forma de textos escritos), entre outros suportes.

Ao ter este volume em mos, que o leitor promova seus prprios dilogos e, qui, a partir deles sua produo acadmica, no sentido mais latu possvel.

Comisso Editorial

SUMRIO/SUMMARY

CONFERNCIA/CONFERENCE

ORIGENS DO TRADICIONALISMO CATLICO: UM ENSAIO DE INTERPRETAO Origins of traditional catholic: a test of Iinterpretation

Ivan Aparecido MANOEL

DOSSI/SPECIAL

PATRIMONIO CULTURAL/CULTURAL PATRIMONY

PAISAGENS CULTURAIS: DO CAF CANA Cultural landscapes: from coffee to sugarcane

Nainra Maria Barbosa de FREITAS et al

INSTITUCIONALIZAO DA MEMRIA: MONUMENTOS EM LUGARES PBLICOS DE RIBEIRO PRETO, SP Institutionalization of memory: monuments in public places of Ribeiro Preto, SP

Lilian Rodrigues de Oliveira ROSA Michelle Cartolano de Castro SILVA

ESTRATGIAS DE PRESERVAO DA MEMRIA DO LUGAR: AS POLTICAS PBLICAS PARA A INDUSTRIALIZAO, OS INTELECTUAIS E A ORGANIZAO DA CULTURA E OS DESAFIOS DA PRESERVAO DO PATRIMNIO AGROINDUSTRIAL EM SO JOS DO RIO PRETO, SP Strategies to preserve the memory of place: public policies for industrialization, the intellectuals and the organization of culture and heritage preservation challenges of agro-industrial in So Jos do Rio Preto, SP, Brazil

Fbio Fernandes VILLELA

ARTIGOS/ARTICLES

GEOGRAFIA/GEOGRAPHY

ESPAO E FESTEJOS RELIGIOSOS: ASPECTOS DA ESPACIALIDADE DE COMUNIDADES RIBEIRINHAS DA AMAZNIA Space and Parties Religious: aspects of the spaces communities that live next to rive of the Amazonia

Adriano Lopes SARAIVA Josu da Costa SILVA

A GEOGRAFIA ESCOLAR E A FORMAO DOS PROFESSORES NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL To school geography in the formation teachers in first years of basic schooling

Clzio SANTOS

EDUCAO/EDUCATION

PRXIS EDUCATIVA E LIBERTAO DO SER HUMANO: AS CEBs COMO MOVIMENTO SOCIAL Educative prxis and the human being liberation: the CEBs as social movement

Claudemiro Godoy do NASCIMENTO

GESTO DEMOCRTICA NA ESCOLA: IMPRESSES DOS PARTICIPANTES DO PROGRAMA PROGESTO Democratic management in schools: Impressions conveyed by participants of the program Pro management (Progesto)

Irade Marques de Freitas BARREIRO Gabriella Garcia MOURA

ENSAIO/ANALYSIS

O LEITE DERRAMADO CUJA LEMBRANA NOS ESPELHA... MEMRIAS E SOCIABILIDADES NUM DISCURSO LITERRIO DO/SOBRE O BRASIL The leite derramado in remembrance of which mirrors ... memories and sociability in a literary discourse of / about Brazil

Humberto PERINELLI NETO

ndice de autores/Authors index

ndice de Assuntos

Subject Index

Normas para publicao na revista DIALOGUS

CONFERNCIA/CONFERENCE

ORIGENS DO TRADICIONALISMO CATLICO: UM ENSAIO DE

INTERPRETAO

Ivan Aparecido MANOEL**

RESUMO: Tendo como objeto a Igreja Catlica Apostlica Romana, o presente artigo interpreta a reao catlica, no sculo XIX, ao pensamento moderno, a partir de tericos como Donoso-Corts. Interpreta o conservadorismo catlico tendo por base os seus fundamentos tradicionalistas, cujos alicerces podem enrazam-se nas tradies religiosas judaicas.

PALAVRAS-CHAVE: Igreja Catlica; conservadorismo; pensamento moderno.

No debate acadmico, e mesmo nas matrias jornalsticas, h

constantemente o emprego de alguns adjetivos a qualificarem a Igreja Catlica Romana, sendo os mais comumente empregados, tradicionalista, conservadora e reacionria, esquecendo-se que os mesmos adjetivos poderiam, com toda razo, serem empregados a todas outras igrejas e suas respectivas religies, exatamente porque a tradio, solo de que germinam a conservao e a reao, o fundamento de qualquer crena religiosa.

Centrando a ateno na Igreja Catlica Romana, objeto deste texto, constata-se que sua religio, o cristianismo, explicita seus fundamentos tradicionais, que o prprio Jesus se encarregava de

Texto apresentado sob a forma de conferncias no II Encontro Nacional do GT Histria das religies e das religiosidades/ANPUH, realizado em 2008 na FCHS/UNESP/Franca.. ** Livre Docente em Filosofia da Histria. Docente do Departamento de Histria da FCHS/UNESP/Franca.

conservar, conforme se l no Novo Testamento. Em Mateus (5, 17-18) se l: [...] no julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. No vim para abolir, mas sim para lev-los perfeio. Pois em verdade vos digo: passar o cu e a terra, antes que desaparea um jota, um trao da lei (BBLIA sagrada, 1982, p.1288).

Confirmando a tradio, em Lucas (5, 37-39) encontra-se a ideia de que os elementos da cultura antiga so melhores do que a nova, uma vez que foram conservados e maturados:

Tambm ningum pe vinho novo em odres velhos; do contrrio o vinho novo arrebentar os odres e entornar-se- e perder-se-o os odres. Mas, o vinho novo deve-se pr em odres novos, e assim ambos se conservam. Demais, ningum que bebeu do vinho velho quer j do novo, porque diz: o vinho velho melhor (BBLIA sagrada, 1982, p.1353).

Esto postos, nessas duas passagens, os fundamentos tradicionalistas do cristianismo, que permaneceram ao longo dos sculos: ele se aliceraria nas tradies religiosas judaicas, a Lei, e no se proporia mud-las, mas conserv-las. As mudanas que haveriam de ocorrer no deveriam ser alteraes, mas aperfeioamentos. Por isso o vinho velho seria melhor: porque