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  • INTRODUO

    A poluio atmosfrica considerada um dos tiposde poluio de extrema complexidade. Est relacionadaao crescimento humano e aos prprios avanos que ahumanidade vem alcanando, quando se agruparam emlocais chamados de centro urbanos. Nestes locaisacorrem as maiorias de emisses de gases e materialparticulado responsveis pela denominada poluiocega e por isso, cada vez mais estudos da qualidadedo ar vm sendo desenvolvidos seja em grandes centrosurbanos (CPRH, 1998), seja em empreendimentosconsiderados de grande potencial poluidor (Almeida,1999; Jacomino et al. 2002). As principais fontes dapoluio atmosfrica so as indstrias e os inmerosveculos automotivos que eliminam os principais gasespoluidores, como o monxido de carbono (CO), dixidode enxofre (SO2), xido de nitrognio (NOx), materialparticulado (MP) dentre outros.

    O material particulado uma mistura de partculaslquidas e slidas em suspenso no ar. Sua composiodepende das fontes de emisso. As partculas podemser divididas em dois grupos: (1) Partculas Totais emSuspenso PTS, possuem dimetro maior que 10mmat 100 mm, oriundas da combusto descontrolada,movimentao do solo ou outros minerais da crostaterrestre. Estas partculas podem conter silcio, titnio,alumnio, ferro, sdio, cloro alm de plens, esporos emateriais orgnicos; (2) Partculas Inalveis - PI,possuem menos que 10 mm de dimetro, derivadas da

    MONITORAMENTO E INTERPRETAO DA QUALIDADE DO ARPARA MATERIAL PARTICULADO NA REA DE INFLUNCIA

    DO ATERRO SANITRIO DE BELO HORIZONTE

    Leonardo de Salles1 & Danielle Piuzana2

    RESUMO

    A poluio atmosfrica tem aumentado devido aos processos de industrializao e urbanizao acelerada.A m qualidade do ar tem causado srios problemas sade da populao, ao meio ambiente eaos materiais. O monitoramento da qualidade do ar na rea de influncia do Aterro Sanitrio de BeloHorizonte tem como objetivo determinar as concentraes de Partculas Inalveis - PI e PartculasTotais em Suspenso (PTS) por meio de amostradores PM 10 e de Grande volume (AGV -Hi Vol)respectivamente, em dois pontos distintos escolhidos segundo a direo predominante dos ventos epelo perodo de um ano. Os resultados do monitoramento indicam que no ponto I, na poro sudestedo empreendimento, tanto as concentraes de PI e PTS se mantiveram inferiores aos limitesestabelecidos pelasleis brasileiras enquanto no ponto II, noroeste do empreendimento as concentraesdas partculas ultrapassaram os valores de referncia de padro primrio por seis vezes no perododas medies. Os dados excedentes foram obtidos no perodo de seca.

    Palavras-chave: material particulado, emisses atmosfricas, qualidade do ar

    1 Centro Universitrio Newton Paiva, Geografia e Meio Ambiente. E-mail: sallescastro@ig.com.br2 CPMTC - ICG - UFMG, Belo Horizonte. E-mail:dpiuzana@yahoo.com.br

    queima dos combustveis usados nas indstrias eveculos automotores. Estas partculas podem serformadas por carbono, chumbo, vandio, bromo e osxidos de enxofre e nitrognio.

    Este material particulado podem atingir as poresinferiores do trato respiratrio, prejudicando as trocasgasosas, alem de estarem relacionados com as alergias,asma e bronquite crnica, podendo causar tambm,irritao na garganta e ser responsvel pela diminuioda resistncia s infeces. As partculas com tamanhosmenores que 2,5 mm em dimetro causam severos danos sade e o material particulado diminui a visibilidade(CPRH, 1998). A presena de material particulado naatmosfera provoca o aumento da turbidez do ar, o quecausa reduo da visibilidade, alm de provocar sujeiranas superfcies de casas e edifcios, mveis e objetos e,muitas vezes, sua eroso.

    Este trabalho apresenta dados de monitoramentopara determinao de concentraes de Partculas Totaisem Suspenso (PTS) e Partculas Inalveis (PI) porAmostradores de Grandes Volumes (AGV Hi-Vol) ePM10, respectivamente, no entorno do Aterro Sanitriode Belo Horizonte. A opo por este tema justificadapor se tratar de um depsito de lixo, cujo fluxo deveculos de carga e movimentao de solo muitogrande. Neste trabalho foram abordados os tipos depoluio atmosfrica, os gases que a compe e ospossveis males causados por cada um deles sade

    GEONOMOS (2006) 14(1, 2): 17 -24 17

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    humana. Os resultados obtidos no monitoramento, socomparados com a legislao vigente a fim de identificaro ndice de contribuio de poluentes, e a partir destes,propor alternativas para a diminuio da poluioatmosfrica.

    LOCALIZAO E DADOS GERAIS DO ATERROSANITRIO DE BELO HORIZONTE

    A rea estudada est localizada ao lado da BR-040,km 2, sentido Belo Horizonte - Braslia, na RegionalNoroeste do municpio de Belo Horizonte (Figura 1),prximo ao limite com o Municpio de Contagem.

    De acordo com as informaes fornecidas peloSistema de Limpeza Urbana - SLU, o aterro sanitriopossui uma rea de 132 ha (ver Figura 2 e Figura 3),tendo iniciado operao em 1973. Na dcada de 80 houvesurgimento de bairros no entorno do aterro, sendo osmais importantes: Dom Bosco, Califrnia, Pindorama,Filadlfia, Glria e lvaro Camargos. O aterrocaracterizava-se, at 1997, por 4 bacias de disposiode lixo. A partir de ento houve a implantao do Projetode Biorremediao cujo principal objetivo aumentar avelocidade da degradao do lixo por meio de bactriasde alta resistncia e com grande capacidade detransformao da celulose.

    Todo o lixo coletado no municpio de Belo Horizonte atualmente disposto no Aterro Sanitrio da BR-040.Segundo Sousa et al. 2002, para o ano de 1994, oMunicpio de Belo Horizonte contava com umapopulao residente, acrescida da flutuante, de 2.500.000

    habitantes. Desse total, aproximadamente 85% da reaera atendida pelo servio de limpeza urbana. A produomdia de lixo/dia era de 3.204,41 toneladas considerandoos 92 dias do 4 trimestre de 1994. Atualmente a produo superior a 4.300t/dia.

    O aterro sanitrio localiza-se a norte do QuadrilteroFerrfero, na parte noroeste da regio metropolitana deBelo Horizonte. Encontra-se inserido na poro sul doCrton do So Francisco, onde as rochas possuemidades arqueana e paleoproterozica. Tais rochascompem o embasamento gnissico-migmattico na reado aterro constitudo por rochas granticas egranodiorticas, com bandamento grosseiro eapresentando feies migmatticas com estruturasnebulticas, estromticas, schlieren, etc segundoBrandalise (1999). O complexo gnissico-migmattico naregio foi denominado por Noce (1995) de ComplexoBelo Horizonte, sendo constitudo por gnaissescinzentos freqentemente com um bandamentocomposicional, feies de migmatizao e integrantesde uma sute do tipo Tonalito Throndjemito Gnaisse(TTG) que engloba parte dos municpios de Ravena,Traras, General Carneiro e a zona metropolitana de BeloHorizonte.

    Toda a regio apresenta espesso manto de alterao,tendo como rocha de origem gnaisses de composiodesde grantica a tonaltica. Esta associao do tipo derocha/manto de intemperismo condiciona umafragilidade morfolgica, onde qualquer intervenoantrpica dever apresentar um planejamentodirecionado aos diversos processos erosivos e suas

    Figura 1 - Mapa do municpio de Belo Horizonte com a localizao do Aterro Sanitrio segundo PrefeituraMunicipal de Belo Horizonte. Retirado de Sousa et al. 2002.

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    Meteorologia de Belo Horizonte e sua correlao com aplanta baixa da regio. A predominncia dos ventos naregio no sentido Sudeste / Noroeste.

    Os pontos de amostragens foram previamenteindicados conforme mapa de localizao do AterroSanitrio (figura 3) e posio predominante dos ventos.Os pontos de amostragem foram posicionadosconforme a seguinte disposio:

    O Ponto I (figura 3) foram instalados osequipamentos Hi-Vol e PM10 Sudeste, montante doempreendimento, em relao direo predominantedos ventos. Este ponto foi definido com objetivo decaracterizar a presena de PTS e PI na rea depredominncia residencial, em torno da Central deTratamentos de Resduos Slidos - CTRS.

    O Ponto II (figura 3) foram instalados osequipamentos Hi-Vol e PM10 no quadrante Noroeste, jusante do empreendimento, levando-se emconsiderao a posio predominante dos ventos. OPonto II encontra-se em condies favorveis amovimentao dos ventos, uma vez que se direcionam,aps a passagem pelo aterro, rea residencial, podendoevidenciar os riscos de contaminao na rea urbanaaps o empreendimento.

    As coletas foram realizadas simultaneamente nosdois pontos de amostragens, a cada 06 (seis) dias, comdurao de aproximadamente 24 (vinte e quatro) horas,buscando atender as condies mnimas definidas pornorma de amostragem.

    Para efeito de comparao e estudos dos resultados,foram adotados os limites descritos na ResoluoCONAMA 03 de 28/06/90 e Deliberao NormativaCOPAM 01 de 26/05/81.

    conseqncias, fato este hoje observado no processode recuperao da Lagoa da Pampulha.Quanto hidrogeologia, a regio importante na manutenohdrica das bacias Pampulha e Arrudas, pertencentes Bacia Hidrogrfica Estadual do Rio das Velhas. Os tiposde aquferos relacionados s rochas do Complexo BeloHorizonte so essencialmente aquferos fraturados porse tratarem de rochas cristalinas ou macias,praticamente impermeveis e no porosas. O acmulode gua se d ao longo da fraturas e/ou diclases (Silvaet al. 1995).

    METODOLOGIA

    Determinou-se, durante o perodo entre junho de2003 a junho de 2004, a concentrao de Partculas Totaisem Suspenso (PTS) e Partcula Inalveis (PI).

    Para a realizao das coletas foram utilizadosAmostradores de Grandes Volumes AGV do tipo Hi-Vol para a coleta de PTS e coletores de PI do tipo PM10.Alm disso, foi utilizado um KIT de calibrao do tipoCPV fabricado pela empresa Energtica calibradosegundo DIAS (2001).

    Tais equipamentos e calibraes foram realizadosconforme as normas ABNT (Associao Brasileira deNormas Tcnicas - NBR 9547/97) e metodologias da USEPA United States Environment Protection Agency -40 CFR, Parte 50, Ap. B) aceitas por os rgos de controledo Pas.

    Para a instalao dos Amostradores PTS PartculasTotais em