OS PAPÉIS DE INTERMEDIAÇÃO DAS CIDADES - CORE ?· Atualmente as pesquisas sobre cidades médias utilizam…

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  • Revista Geogrfica de Amrica Central

    Nmero Especial EGAL, 2011- Costa Rica

    II Semestre 2011

    pp. 1-13

    OS PAPIS DE INTERMEDIAO DAS CIDADES

    Luciano Antonio Furini1

    Resumo

    Neste texto so apresentadas as caractersticas gerais da pesquisa Os papis

    de intermediao das cidades de Ourinhos (SP) e Marlia (SP), um estudo

    comparativo no contexto das pesquisas sobre cidades mdias. Considerando o

    acelerado processo de transformao em que as sociedades esto envolvidas

    atualmente, este tipo de estudo colabora para o entendimento de tendncias inerentes

    aos novos papis que as cidades desempenham ou podem desempenhar,

    potencializando contribuies a partir da elaborao de publicaes atualizadas para

    aes de gesto e planejamento.

    Atualmente as pesquisas sobre cidades mdias procuram superar uma

    abordagem que privilegia os aspectos quantitativos, notadamente o tamanho

    demogrfico, no caso brasileiro, e passam a utilizar critrios qualitativos, tais como

    os papis que as cidades desempenham na rede urbana e a situao geogrfica das

    mesmas. Deste modo possvel distinguir estudos baseados no porte das cidades e

    estudos que privilegiam os papis desempenhados pelas mesmas na rede urbana.

    A abordagem que considera a relao intermediria das cidades muito rica,

    porm apresenta o limite de ser muito ampla, exigindo estudos atualizados e

    abrangentes. Nesse sentido so apresentadas algumas possibilidades de anlise a partir

    dos conceitos de redes e territrios enquanto recursos tericos importantes que

    permitem evidenciar os processos de intermediao.

    Palavras chaves: intermediao das cidades

    1 UNESP/Ourinhos E-mail: luanfugeo@hotmail.com

    Presentado en el XIII Encuentro de Gegrafos de Amrica Latina, 25 al 29 de Julio del 2011

    Universidad de Costa Rica - Universidad Nacional, Costa Rica

  • Os papis de intermediao das cidades

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    Atualmente as sociedades esto envolvidas em um acelerado processo de

    transformao que pode ser reconhecido nas novas configuraes produzidas por meio

    das renovadas tendncias urbanizao dos espaos. As conseqncias desse processo

    constituem-se como grandes desafios para governos e pases. Em 2010 a populao

    mundial era de aproximadamente 6,9 bilhes, sendo agora 50% urbana (UNFPA,

    2010), o que remete ao constante processo de reformulao e continuidade dos estudos

    urbanos a partir da complexa relao entre diversas escalas, situaes e processos

    socioespaciais.

    Nesse estudo busca-se o entendimento de tendncias inerentes aos novos

    papis que as cidades desempenham ou podem desempenhar no que se refere

    intermediao que exerce na rede urbana. Esta abordagem pode potencializar

    contribuies a partir da elaborao de publicaes atualizadas para aes de gesto

    e planejamento.

    Reconhecidamente, por pesquisadores de diferentes reas sobre a cidade e o

    urbano, os processos de urbanizao guardam contradies entre centralizao e

    descentralizao ou concentrao e desconcentrao, redefinindo formas, funes,

    processos e contedos ligados s aglomeraes urbanas. A rede urbana atual passa a

    apresentar configuraes que suplantam parte das relaes hierrquicas entre cidades.

    As prprias mudanas e inovaes implicaram alteraes profundas no modo

    de vida nas cidades. Os resultados das formas de constituio e de expanso das

    cidades alimentaram indagaes sobre as conseqncias possveis da ausncia de

    planejamento urbano. Por outro lado, tambm, essas indagaes foram reforadas por

    formas de planejamentos limitadas a grupos de interesses que no objetivavam por

    estabelecimento de autonomia, participao popular e demais formas de planejar o

    espao urbano que permitissem rever constantemente os objetivos traados. Alguns

    limites epossibilidades sobre Planejamento Urbano so apontados por Rezende (1982),

    Souza (2000), Duarte (2007) e Costa e Mendona (2008).

    Em meio ao conjunto de aes e ausncia de aes de planejamento,as

    aglomeraes urbanas diferenciaram-se em termos de tamanho, funes papel,

    importncia econmica, social ou cultural na rede urbana, alm de estarem inseridas

    em um padro de especificidades constantes em cada pas ou regio em que se

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    situam.

    Se as grandes cidades e as regies metropolitanas apresentam problemas

    urbanos em grande escala, ligados ausncia ou aos limites de planejamentos

    urbanos, novos olhares so lanados s cidades pequenas e mdias como mbitos

    onde as possibilidades de planejamento podem conter maior relao de opes sobre

    quais rumos tomar. Essa constatao serve apenas para sugerir modos diferenciados

    de planejamento de acordo com as possibilidades contidas nas cidades e nas formas de

    insero interurbanas que ela tem acesso. No perodo atual torna-se mais evidente que

    no o tamanho fsico-demogrfico que permite resumir uma cidade.

    Nesse trabalho busca-se enfatizar o caso das cidades mdias e seu papel de

    intermediao na rede urbana. Como a anlise dos critrios que permitem identificar

    tais aglomeraes urbanas de difcil aplicao e sua efetivao pode demorar alguns

    anos, parte-se, num primeiro momento, dos dados fsico-demogrficos (quantitativos)

    para selecionar cidades de porte mdio e, posteriormente, enquadr-las ou no como

    cidades mdias, de acordo com a observao da existncia das caractersticas que

    atualmente se aceita como eminentemente pertencentes s cidades mdias.

    Atualmente as pesquisas sobre cidades mdias utilizam critrios qualitativos,

    tais como os papis que as cidades desempenham na rede urbana, que permite anlises

    ligadas ao modo de insero das cidades na economia. Deste modo possvel

    distinguir estudos baseados no porte das cidades e estudos que privilegiam os papis

    desempenhados pelas mesmas na rede urbana. A intermediao urbana das cidades

    torna-se assim um importante elemento para se analisar esses papis desempenhados

    pelas cidades.

    A abordagem que considera a relao intermediria das cidades pode contribuir

    significativamente para os estudos urbanos, porm apresenta o limite de ser muito

    ampla, exigindo estudos atualizados e abrangentes. Nesse sentido so apresentadas

    algumas possibilidades de anlise a partir dos conceitos de redes e territrios enquanto

    recursos tericos importantes que permitem evidenciar os processos de intermediao.

    Esse trabalho sobre intermediao urbana faz parte da pesquisa intitulada: Os

    papis de intermediao das cidades de Ourinhos (SP) e Marlia (SP), um estudo

    comparativo. Ele se apia no contexto das pesquisas sobre cidades mdias. As cidades

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    de Ourinhos e Marlia localizam-se no sudeste do Brasil e so classificadas como

    centro sub-regional A e capital regional C respectivamente (IBGE, Regic, 2008).

    No Brasil os estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE)

    sobre as Regies de Influncia das Cidades (Regic) apresentam resultados importantes

    sobre a rede urbana brasileira, mas que no contemplam algumas especificidades

    regionais ou caractersticas de algumas cidades. Por exemplo, embora o Regic

    contribua para a compreenso das regies de influncia das cidades, no possibilita

    identificar o grau de intermediao que as mesmas possuem na rede urbana. Aps o

    reconhecimento de cidades mdias como aquelas que exercem papis de

    intermediao, torna-se importante compreender as novas especificidades a partir

    destes papis.

    Notadamente, os papis exercidos por uma cidade configuram, atualmente, um

    dos critrios qualitativos de classificao das cidades mdias que mais se

    aproximam da complexidade do perodo atual. Parece que esse critrio permite maiores

    avanos na compreenso da relao entre cidades mdias e pequenas. Uma das

    razes das relaes complementares entre elas a baixa capacidade das cidades

    pequenas de solucionar problemas, remetendo as outras cidades maiores ou mais

    equipadas diversas demandas mais complexas para as quais no so capazes de

    oferecer gesto, servios, bens ou significados sociais.

    Sposito (2004) faz referncias aos diversos papis inerentes s cidades mdias,

    tais como: papis econmicos, papis intermedirios, papis urbanos, papis poltico-

    administrativos, papis na rede urbana, papis comerciais e papis industriais, entre

    outros que, de acordo com o setor, a

    intensidade e o perodo em que ocorrem podem contribuir para compreenso

    das redefinies ocorridas no espao geogrfico.

    Ao analis-las, como postos avanados de expanso do sistema socio

    econmico nacional, Amorim Filho e Serra (2001) destacam as caractersticas

    intermedirias das cidades mdias. Segundo eles, seja por meio de uma produo

    prpria, seja, sobretudo, funcionando como redistribuidora, a cidade mdia representa

    um ponto de difuso da produo e dos valores do sistema socioeconmico de que

    faz parte. Sua participao nas decises ainda era relativamente pequena, mas seu

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    papel na transmisso era fundamental. (AMORIM FILHO e SERRA, 2001, p. 8,

    grifo do autor).

    Desse modo, notamos que os critrios de classificao das cidades mdias so

    centrais na construo do conceito e que constituem recursos importantes para as

    anlises das demais cidades que possam ser includas nesta perspectiva.

    Nveis e setores de intermediao urbana

    A intermediao das cidades pode ser apreendida em diferentes nveis

    articulados entre si. Para efeito deste trabalho apresentamos trs eixos principais a

    partir dos quais podem se efetivar as anlises das articulaes entre cidades. O

    primeiro aquele da diviso poltico-administrativa e suas subdivises regionais

    estabelecidas como microrregio, regio, estado e pas, no qual se evidencia as

    relaes governamentais e setoriais. O segundo se refere ao mercado e s

    localizaes e dinmicas das empresas privadas. O terceiro centrado na sociedade

    civil e suas formas de organizao. Os trs eixos principais podem apresentar

    articulaes entre si de variadas formas o que implica elencar outros modos de

    analisar as relaes nos nveis escalares, como a apresentada a seguir.

    Adotamos, assim, as consideraes de Sobarzo (2010, p.4), quando este, a

    partir dos conceitos de verticalidades e horizontalidades de Santos e Silveira (2001,

    p. 280), destaca que:

    Do ponto de vista da rede urbana e das cidades mdias,

    consideramos que as horizontalidades podem ser analisadas

    a partir das relaes da cidade com seu entorno prximo.

    Nesse ltimo caso, nos referimos s relaes da cidade

    com a sua rea de influncia regional, que inclui cidades

    menores e espaos rurais. Essas relaes de horizontalidade

    esto presentes nos servios que a cidade mdia presta ao

    seu entorno e que significam deslocamentos peridicos da

    populao: sade, educao, comrcio especializado,

    servios pblicos, servios bancrios, entre outros.

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    As verticalidades nas cidades mdias representam os fluxos

    externos, hegemnicos, produzidos e/ou que se manifestam

    a longa distncia, que interferem na dinmica da cidade,

    conectando partes dela com o mbito global, num processo

    que responde aos interesses e aos requerimentos da fluidez e

    da reproduo do capital. (SOBARZO, 2010, p.4)

    A delimitao da escala de abrangncia de certa intermediao que permitir

    identificar se as relaes de determinada cidade contm maior ou menor grau de

    aspectos hierrquicos, permitindo compreender articulaes importantes na rede

    urbana.

    As redes urbanas podem ser apreendidas como espaos de mltiplas

    possibilidades de relaes e de conexes. Uma cidade est potencialmente ligada

    a todas as outras pela rede e seus respectivos canais de comunicao. Em certo

    sentido, a prpria cidade se torna o canal da comunicao entre outras cidades.

    o caso particular das cidades mdias, quando observamos as situaes

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    geogrficas2

    em que se encontram na rede urbana.

    Temporalidades da intermediao

    O processo de Intermediao no implica uma mediao imediata da cidade em

    relao a certo tipo de produto ou servio. Considerando a dimenso urbana da cidade

    as relaes comerciais, industriais e de servios, aparentemente unilaterais, entre a

    cidade intermediadora e outra especfica potencializar a intermediao com outras

    cidades concretizando a intermediao. O fator tempo, deste modo, no que se refere ao

    perodo que o consumo de um produto ou servio leva para se efetivar, passa a ser

    primordial na anlise da intermediao urbana exercida pelas cidades. Os objetos e as

    aes de intermediao incorporados nos diferentes produtos e servios transmudam-

    se ordinariamente e, embora sejam outra coisa constituem o eixo da intermediao.

    Considerando os avanos nos transportes e demais formas de comunicao entre as

    cidades o processo de relativizao das distncias redefine as temporalidades. Temos

    assim identificadas duas formas de pensarmos o tempo das intermediaes urbanas: a

    primeira no que se refere ao processo de efetivao de uma intermediao,

    caracterizado pelas diversas possibilidades e pelos diversos percursos que os fluxos

    intermediados esto sujeitos; a segunda no que se refere ao processo de

    relativizao das distncias, caracterizado pelos graus de avanos e da capacidade de

    incorporao desses avanos nos sistemas de comunicao de cada cidade. Note-se

    que as asseres sobre o papel das novas tecnologias nos meios de comunicao

    necessitam de uma ressalva. Conforme nos adverte Benakouche (2005), no devemos

    sucumbir aceitao da noo de impacto tecnolgico, pois papel da natureza

    poltica que envolve o desenvolvimento tcnico deve constar nas abordagens sobre

    esses processos ligados s revolues logsticas3.

    2 Noo resgatada por Sposito (2001, p. 625) para identificar similaridades e diversidades no contexto das

    cidades mdias quanto a sua posio na rede urbana. 3 Anderson (1990) apresenta um estudo realizado para a Unio Europia que distingue quatro revolues

    logsticas. A partir deste estudo, Sposito (1999) destaca a relao das revolues logsticas com a

    mundializao do capital. Silveira (2009), dando continuidade s argumentaes relativas s revolues

    logsticas, sugere a ocorrncia de uma quinta revoluo logstica. As revolues logsticas esto ligadas ao

    desenvolvimento das tcnicas de transportes e comunicaes em geral.

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    Espacialidades da intermediao

    A posio da cidade intermediadora na rede urbana pode definir a gama de

    produtos e servios que mais influenciaro no grau de intermediao. A situao

    geogrfica da cidade intermediadora relativizar seu papel de intermediao em

    relao s cidades pequenas, mdias, grandes e a participao destas em regies

    metropolitanas ou outras reas com processos de aglomerao urbana.

    As formas de aglomerao urbana so diversas e Miyazaki (2010) destaca que

    fica evidente que o processo de aglomerao urbana est se configurando em

    cidades mdias. Os processos de expanso e estagnao urbanas rivalizam nas

    relaes de dependncia e complementaridade entre as cidades. O mpeto que

    desencadeia tais processos ou situaes possui razes em diversas relaes

    socioeconmicas intra e interurbanas. A delimitao das intermediaes urbanas

    implica, assim, a contextualizao em mbitos diferenciados do espao geogrfico.

    Redes urbanas, tcnicas e sociais

    No processo de intermediao das cidades na rede urbana as redes formadas

    por meio de pessoas ou grupos, tcnicas e cidades acabam por caracterizar, por meio

    de generalizaes, as prprias relaes interurbanas. Esse modo de apreender o

    conjunto das partes (redes social, tcnica ou de cidades) pelo todo (rede urbana,

    neste caso) a mais elementar pista para se compreender as formas de intermediao

    das cidades. Se comparada s divises de trabalho (social, tcnica e territorial) essa

    subdiviso das redes (social, tcnica e de cidades) permite pensarmos na unidade de

    contrrios. As redes mostram as relaes a partir das complementaridades, j as

    divises de trabalho mostram as relaes a partir das rupturas, ambas constituem

    vetores importantes da rede urbana.

    A contribuio da abordagem das redes implica em considerar as dinmicas e

    as complexidades inerentes ao espao geogrfico. Estudar as redes permite analisar

    uma cidade como redes nas redes, ou seja, embora o estudo delimite a abrangncia

    da anlise, ele no descarta a influncia de outros aspectos socioespaciais, como

    aqueles relacionados aos aspectos culturais, polticos e institucionais das sociedades em

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    geral. Deve-se, no entanto, ter o cuidado de se estabelecer limites para o

    aprofundamento de temas de importncia circunstancial menor. As diversas crticas

    relativas s teorias de localizao centravam-se justamente nos limites relacionados a

    ausncia de contradio e natureza esttica dos modelos. Limites que as anlises de

    redes podem superar devido s possibilidades permitidas pela interao entre objetos e

    aes em contextos de constantes transformaes, prprios da abordagem das redes.

    No sem dificuldades e tambm crticas, Castells (1999) demonstra a

    preponderncia do papel das redes nas sociedades atuais. Se as sociedades organizam-

    se em redes ou sofrem influencias a partir de diversas

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