OS BENEFCIOS DA MSICA NA ... Melodia e Harmonia. O som e o tempo so elementos fundamentais para que haja msica. O ritmo, a melodia e a harmonia integram o som e so eles que caracterizam ...

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  • UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

    INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

    PS-GRADUAO LATO SENSU

    OS BENEFCIOS DA MSICA NA ARTETERAPIA

    ROSILENE PEREIRA BARRENTO DA SILVA

    ORIENTADORA

    M. DINA LCIA CHAVES ROCHA

    Rio de Janeiro

    2010

  • 2

    UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

    INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

    PS-GRADUAO LATO SENSU

    OS BENEFCIOS DA MSICA NA ARTETERAPIA

    Rio de Janeiro

    2010

    Apresentao de monografia Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obteno do grau de especialista em Arteterapia em Educao e Sade Por: Rosilene Pereira Barrento da Silva

  • 3

    AGRADECIMENTOS

    .... A Deus, por ter dado-me condies de ter chegado at o final. Ao meu marido vano e a minha filha Isabella, pelo carinho e pela compreenso nos momentos de minha ausncia. minha me e amiga Josefa por ajudar-me nos momentos mais difceis. minha professora e orientadora, Dina Lcia, pela pacincia e carinho na execuo deste trabalho.

  • 4

    DEDICATRIA

    Dedico esse trabalho a Deus e a minha famlia, pois sem ajuda, carinho e compreenso no poderia ter se realizado.

  • 5

    RESUMO

    A presente pesquisa aborda a utilizao da msica na arteterapia como um

    instrumento no processo arteteraputico, verificando os seus benefcios para o

    ser humano, assim como a sua influncia no crebro e na psique. Diante disso,

    o estudo apresenta a histria da msica e sua evoluo, as formas que ela

    deve ser utilizada e os seus efeitos sobre o comportamento humano. Sendo

    assim, a msica conduz o indivduo a elaborao de emoes inconscientes

    transportando-as para o domnio racional e poder ser aplicada a pacientes de

    qualquer idade auxiliando-s no processo teraputico daqueles que possuem

    dificuldade de verbalizao.

  • 6

    METODOLOGIA

    Esta pesquisa foi realizada atravs de uma reviso em livros, artigos

    e sites relacionados Msica e Arteterapia. Todo o material pesquisado e

    utilizado como referncia, foi devidamente publicado.

    Os autores consultados, tais como: Victrio, Antunes e Jung tem

    contribudo para os estudos da msica e sua utilizao no processo

    arteteraputico.

  • 7

    SUMRIO

    INTRODUO 8

    CAPTULO 1

    OS BENEFCIOS DA MSICA 10

    CAPTULO 2

    MSICA E ARTERAPIA 25

    CAPTULO 3

    OS EFEITOS DA MSICA NO CREBRO E NA PSIQUE 31

    CONCLUSO 39

    BIBLIOGRAFIA 40

    WEBGRAFIA 41

    NDICE 42

  • 8

    INTRODUO

    A pesquisa apresentada aborda o tema sobre a importncia da

    Msica na Arteterapia para que se possa entender o que e qual a sua melhor

    aplicao em trabalhos Arteteraputicos.

    A Arteterapia vem ganhando espao na preveno e no tratamento

    dos problemas psquicos, na psicologia comportamental e nos problemas

    cognitivos, como as dificuldades de aprendizagem. Dessa forma, a msica vem

    se apresentando como uma possibilidade expressiva de amplo significado.

    Segundo alguns estudos, a Msica apresenta vrios benefcios

    sade proporcionando, efeitos tranqilizantes, analgsico, equilibrador do

    sistema cardiocirculatrio e do metabolismo. Alm disso, ajuda a combater o

    estresse, entre outros.

    A Msica tem uma influncia direta nas emoes e por isso, est

    sendo utilizada em tratamentos que envolvem o corpo e a mente. No crebro, a

    sede das emoes chama-se sistema lmbico, que est diretamente ligado ao

    sistema nervoso autnomo controlando o sistema neurovegetativo responsvel

    por todos os rgos que garantem a nossa sobrevivncia, ao sistema motor e

    ao sistema imunolgico.

    Assim sendo, a utilizao da Msica na Arteterapia permite o acesso

    ao inconsciente, trazendo conscincia sensaes de desconforto que

    posteriormente, sendo expressos em material plstico, seja desenho, pintura

    ou qualquer outro recurso podem ser compreendidos, proporcionando

    qualidade de vida ao indivduo.

    Um dos principais objetivos desta pesquisa monogrfica analisar a

    utilizao da Msica como instrumento, no processo Arteteraputico, bem

    como, verificar os benefcios da Msica para o ser humano, apresentar a

    influencia da Msica no crebro e na psique.

  • 9

    Desta forma, no primeiro captulo, foi abordado a Histria da Msica

    e sua evoluo histrica, bem como, conceitos e funes da Msica.

    J no segundo captulo o foco desta pesquisa ficou sobre a

    Arteterapia e a utilizao da Msica no processo Arteteraputico.

    O terceiro captulo finaliza e completa esta pesquisa, abordando os

    efeitos da Msica no crebro e na psique.

    A Msica na Arteterapia conduz o indivduo a elaborar emoes

    contidas no inconsciente e a raciocinar sobre elas sem a necessidade de

    verbalizao. Esse trabalho Arteteraputico pode ser desenvolvido em

    atividades individuais ou em grupo.

    Diante do exposto, espera-se que esta pesquisa possa contribuir

    corroborando com a ideia de que a msica uma excelente ferramenta

    Arteteraputica e pode ser aplicada a qualquer faixa etria, principalmente, em

    pacientes que tem dificuldade de verbalizao.

  • 10

    CAPTULO 1

    OS BENEFCIOS DA MSICA

    1.1 O Que Msica?

    Definir a msica no uma tarefa possvel porque apesar de ser

    intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, no h possibilidade de

    encontrar um conceito que seja abrangente a todos os significados dessa

    prtica. A msica contm o som e o manipula e o organiza no tempo. Ela est

    atrelada a conceitos culturais e ao mesmo tempo um conjunto de fatores

    que envolvem o fsico e o emocional. Por isso, to utilizada em trabalhos

    teraputicos. E essa subjetividade impede a formao de uma definio

    objetiva, pois, ao buscar a sua evoluo no tempo percebe-se as suas

    modificaes de acordo com o contexto histrico da poca.

    A definio segundo o dicionrio Aurlio (2000) diz que msica

    uma palavra originria do grego musik tchne, que significa a arte das musas.

    uma forma de arte que constitui-se basicamente em combinar sons e silncio

    seguindo ou no uma pr-organizao ao longo do tempo.

    A msica feita de som e por essa definio pode-se dizer que tudo

    msica. At o sc.XX procurava-se distinguir msica de barulho, mas com o

    passar do tempo percebeu-se que a msica pode ser formada por qualquer

    objeto que faa som. O que podemos diferenciar so os diferentes estilos

    musicais e essa sensibilidade importante para aplicao em uma sesso

  • 11

    arteteraputica individual, pois se for utilizado um estilo musical que seja

    desagradvel ao paciente certamente, no ser alcanado o objetivo

    pretendido.

    O ser humano sempre esteve rodeado de msica. Segundo Victorio

    (2008), o Universo constitudo por vibraes, tudo o que existe est em

    vibrao, e vibrao som. A Msica nasceu com a natureza, ao se considerar

    que seus elementos formais, o som e o ritmo, fazem parte do universo e,

    particularmente da estrutura humana.

    Esse argumento utilizado por Mrcia Victorio em seu livro

    Impresses Sonoras corrobora com textos bblicos que citam o incio da

    criao do mundo. No livro de Gnesis diz que o universo foi criado pela

    palavra e palavra som. Em todo o primeiro captulo lemos a narrao que diz

    que Deus utilizou a palavra para criar e organizar um verdadeiro caos. Pode-se

    imaginar o som do bater das guas desordenadamente. De acordo com essa

    narrativa fomos criados e criamos atravs de sons.

    Dessa forma, pode-se dizer que a natureza, assim como o corpo

    humano produz som em todo o tempo. Nosso organismo pleno de vibrao e

    tudo o que nele existe est vibrando: os tomos, as molculas, as clulas e os

    rgos. (VICTRIO, 2008, p. 16)

    Ele o somatrio de todas essas freqncias e, portanto, constitudo basicamente de matria sonora, porque toda vibrao som. Vibramos, pois, em nossa essncia do ser e em nosso corpo. Vibramos para ser. (op. cit. p. 17)

    Esse trecho citado serve como base para um trabalho

    arteteraputico envolvendo a msica. Pois esse pressuposto parte do princpio

    de que o ser humano se relaciona com o Universo e com o outro atravs de

    ressonncias sonoras. Segundo a autora, Viver em sociedade , portanto, um

    efeito da condio vibratria do ser humano. (ibidem, p.16)

  • 12

    Sendo assim, em conformidade com o conceito de ressonncia e

    natureza vibratria do som a msica dividida de acordo com elementos

    organizacionais, Tais como: Som, Ritmo, Melodia e Harmonia.

    O som e o tempo so elementos fundamentais para que haja

    msica. O ritmo, a melodia e a harmonia integram o som e so eles que

    caracterizam o estilo musical.

    O ritmo est intimamente relacionado com o sistema lmbico,

    presente no crebro, que a sede das emoes. H ritmos melanclicos,

    alegres, violentos e espirituais. Cada um deles nos traz certas reaes que

    vo desde a segurana e tranqilidade at histeria. Os ritmos revelam as

    capacidades motoras e fsicas do ser humano, tais como: liberdade,

    resistncia, flexibilidade ou rigidez. As pessoas que mantem movimentos

    repetidos e mecnicos demonstram uma expresso clara de comportamento,

    indicando que precisa refletir sobre seus condicionamentos, atitudes e aes.

    A melodia o ponto mais importante para o teraputa que faz um

    trabalho de educao emocional. A melodia atua no nvel do crtex, que a

    rea do crebro responsvel pelo consciente e elaborao de pensamentos. A

    melodia tem uma relao estreita com os afetos, a fobia, a depresso.

    A harmonia surgiu da evoluo e aperfeioamento da msica. Os

    sons harmnicos indicam que o homem educou melhor o ouvido e ampliou

    suas percepes auditivas. A harmonia identificada quando duas vozes ou

    dois instrumentos ou vrias vozes com vrios instrumentos atuam ao mesmo

    tempo de forma agradvel. De acordo com os aspectos sensoriais; o ritmo

    predomina sobre o corpo e a melodia sobre os sentimentos. Por sua vez, a

    harmonia rene todas estas caractersticas, conferindo-lhe atuao no campo

    cognitivo e na mente. A harmonia mais ampla por ser composta por sons,

    ritmo e melodia, e por isso, permite possibilidade qudrupla, tais como:

    sensoriais, sentimentais emocionais e cognitivas.

  • 13

    Cada um desses elementos capaz de mexer com a emoo e a

    afetividade do ser humano. Eles representam a subjetividades e as

    idiossincrasias de cada povo de acordo com seus costumes e o contexto

    cultural em que cada um est inserido. E este mais um elemento

    argumentativo que comprova a impossibilidade de definir o que msica e sua

    qualidade.

    Diante disso, a msica um fenmeno social e cultural. As prticas

    musicais no podem ser dissociadas do contexto cultural, pois cada povo

    possui seus prprios estilos musicais em diferentes abordagens e concepes

    do que a msica e do papel que ela deve exercer na sociedade. A msica

    est presente em rituais sagrados, comemoraes festivas, nos atos de guerra,

    em cerimnias fnebres ou simplesmente em momentos de lazer.

    Assim sendo, a msica est presente nos arqutipos do imaginrio

    humano. Ela faz parte do inconsciente e por isso, a msica produz diferentes

    reaes emocionais no ser humano de acordo com a experincia vivenciado

    por cada um. A mesma msica pode trazer paz ou inquietao de acordo como

    for interpretada pelo ouvinte. Esse julgamento est relacionado com o

    significado atribudo a experincias subjetivas dentro de um contexto histrico,

    social, cultural, emocional e afetivo.

    Diante do exposto, pode-se afirmar que a msica no pode ser

    definida e nem classificada. Portanto, na arteterapia a escolha da msica deve

    trazer significado ao objetivo do trabalho. Em um trabalho arteteraputico no

    h escolha de estilo certo e nem errado. Existe a escolha do apropriado ao

    objetivo, aliado necessidade e afinidade do grupo ou paciente em que est

    sendo desenvolvida a terapia.

    1.2 A Evoluo da Histria da Msica

  • 14

    A evoluo da histria da msica um dos assuntos importantes

    para quem gosta de incluir a msica em seus trabalhos arteteraputicos.

    Atravs da histria compreendemos as mudanas e o aparecimento de estilos

    religiosos, romnticos, eruditos e modernos. Ao estudar a histria da msica

    percebe-se que cada poca foi marcada por um movimento poltico e social

    onde a arte sempre esteve presente. Considerando a teoria de Jung pode-se

    dizer que a evoluo da msica tambm est presente no inconsciente coletivo

    herdado da humanidade.

    Segundo Jung (in Victrio, 2008) o Inconsciente Coletivo

    constitudo no por aquisies individuais, mas por um patrimnio coletivo da

    espcie humana. Esse inconsciente coletivo o mesmo em qualquer lugar e

    em qualquer poca respeitando a sua essncia. Dessa forma, no h variao

    de indivduo para indivduo. Os contedos do Inconsciente Coletivo so

    chamados de Arqutipos, que so condies ou modelos prvios da formao

    psquica herdados por nossos antepassados.

    A Histria da Msica comeou quando o homem percebeu que a

    combinao de sons podia trazer uma sensao agradvel e assim ps-se a

    produzir esses sons intencionalmente.

    A msica presena marcante em nossas vidas. Nas mais diversas ocasies est presente: seja nas cantigas de ninar, nas brincadeiras de rodas, nos bailes, nos cultos, nos trabalhos, no lazer, nas cerimnias religiosas, enfim, na vida e na morte. O efeito musical abrange o homem integral: corpo, emoo, vontade, intelecto, relacionamentos. A relao entre a msica e o bem estar do ser humano relatada atravs da histria. O corao da me grvida ouvido pelo feto como primeira noo de que a vida tem ritmo. (ANGELIM, 2003, p. 16)

    Na pr-histria os primeiros sons foram produzidos pelos

    movimentos corporais acompanhados de sons vocais que pretendiam dominar

    os animais e delimitar seu territrio. Os primeiros sons articulados e

    estruturados foram fundamentados na aquisio da linguagem e a partir disso a

  • 15

    criao de uma linguagem peculiar que passou a ser a expresso de

    comunicao pessoal atravs dos sons da natureza.

    De acordo com o site do Portal EduKbr

    (http://www.edukbr.com.br/artemanhas/historiadamusica.asp), que um

    ambiente educacional desenvolvido pela equipe multidisciplinar do Grupo de

    Pesquisas KBr/PUC-Rio, com a colaborao e parceria da Eduweb empresa

    de tecnologia voltada para a Educao, foi transcrito parte da pesquisa sobre a

    Histria da Msica.

    Segundo Relvas (2010), na Antiguidade, at 400 d.C. Acredita-se

    que a msica tenha surgido h 50.000 anos e que as primeiras manifestaes

    tenham ocorrido no continente africano. Os lugares onde encontramos

    vestgios de sua evoluo foram:

    - Egito: Por volta de 4.000 a.C. As pessoas batiam discos e paus uns

    contra os outros, utilizavam bastes de metal e cantavam. Posteriormente, nos

    grandes templos dos deuses, os sacerdotes treinavam coros para cantos de

    msica ritual. Os msicos da corte cantavam e tocavam vrios tipos de harpa e

    instrumentos de sopro e percusso. As bandas militares usavam trompetes e

    tambores.

    - Palestina: O povo palestino provavelmente no criou tanta msica

    quanto os egpcios. A Bblia contm a letra de muitas canes e cnticos

    hebraicos, como os Salmos, onde so mencionados harpas, pratos e outros

    instrumentos. A msica no templo de Salomo, em Jerusalm, no sculo X

    a.C., provavelmente inclua trompetes e canto coral no acompanhamento de

    instrumentos de corda.

    - China: Os antigos chineses acreditavam que a msica possua

    poderes mgicos, achavam que ela refletia a ordem do universo. A msica

    chinesa usava uma escala pentatnica (de cinco sons), e soava mais ou menos

    como as cinco teclas pretas do piano. Os msicos chineses tocavam ctara,

    vrias espcies de flauta e instrumentos de percusso.

  • 16

    - ndia: As tradies musicais da ndia remontam ao sculo XIII a.C..

    O povo acreditava que a msica estava diretamente ligada ao processo

    fundamental da vida humana. Na Antigidade, criaram msica religiosa e por

    volta do sculo IV a.C. elaboraram teorias musicais. Os msicos tocavam

    instrumentos de sopro, cordas e percusso. A msica indiana era baseada num

    sistema de tons e semitons; que em vez de empregar notas, os compositores

    seguiam uma complicada srie de frmulas chamadas ragas. As ragas

    permitiam a escolha entre certas notas, mas exigiam a omisso de outras.

    - Grcia: Os gregos usavam as letras do alfabeto para representar

    notas musicais. Eles agrupavam essas notas em tetracordes (sucesso de

    quatro sons). Combinando esses tetracordes de vrias maneiras, os gregos

    criaram grupos de notas chamados modos. Os modos foram os predecessores

    das escalas diatnicas maiores e menores. Os pensadores gregos construram

    teorias musicais mais elaboradas do que qualquer outro povo da Antigidade.

    Pitgoras, um grego que viveu no sculo VI a.C., achava que a Msica e a

    Matemtica poderiam fornecer a chave para os segredos do mundo. Acreditava

    que os planetas produziam diferentes tonalidades harmnicas e que o prprio

    universo cantava. Essa crena demonstra a importncia da msica no culto

    grego, assim como na dana e nas tragdias.

    - Roma: Os romanos copiaram teorias musicais e tcnicas de

    execuo dos gregos, mas tambm inventaram instrumentos novos como o

    trompete reto, a que chamavam de tuba. Usavam freqentemente o hydraulis,

    o primeiro rgo de tubos; o fluxo constante de ar nos tubos era mantido por

    meio de presso.

    Na Idade Mdia, de 400 a 1450. Houve decadncia do Imprio

    Romano e a implantao do Cristianismo. Ento, a Igreja passa a ter um papel

    decisivo na evoluo da msica, ditando regras culturais, sociais e polticas em

    toda a Europa, com isto interferindo na produo musical daquele momento.

    So os Monges que, nos mosteiros, continuam o trabalho iniciado pelos

    gregos, desenvolvendo a teoria e a escrita musical. Comea a haver uma

  • 17

    grande separao entre a msica religiosa e a msica popular. Uma das

    grandes diferenas entre estes dois tipos de msica est nos instrumentos

    usados. Na igreja apenas o rgo era permitido, enquanto que na msica

    profana (no religiosa) havia a rabeca, o saltrio, o alade, a charamela, a

    sanfona, o realejo. A lngua usada nos cantos da igreja era o Latim, enquanto

    que na msica popular eram usados os dialetos prprios de cada regio. A

    escrita musical, tal como hoje a conhecemos, muito deve aos mil anos da Idade

    Mdia. Foi durante esse perodo que ela evoluiu at chegar ao cdigo atual. A

    msica monofnica (que possui uma nica linha meldica), sacra ou profana,

    a mais antiga que conhecemos e denominada de Cantocho. A msica

    utilizada nas cerimnias catlicas era o canto gregoriano, que foi criado antes

    do nascimento de Jesus Cristo, pois ele era cantado nas sinagogas dos pases

    do Oriente Mdio. Por volta do sculo VI a Igreja Crist fez do canto gregoriano

    elemento essencial para o culto. O nome uma homenagem ao Papa Gregrio

    I (540-604).

    O Renascimento, de 1450 a 1600. Foi uma poca de grandes

    mudanas na Europa. O homem do Renascimento j no vive apenas

    dominado pelos valores da Igreja, mas encontra valores nele prprio e na

    natureza. A Igreja tornou-se menos rgida, permitindo uma troca maior entre a

    msica religiosa e a msica profana. Os governantes e os homens ricos

    (mecenas) desempenham a partir de agora um papel muito importante na

    evoluo da msica, concedendo aos compositores audies e oportunidades

    de trabalho, promovendo festas e acontecimentos culturais. Neste perodo, os

    artistas pretendiam compor uma msica mais universal, buscando se

    distanciarem das prticas da igreja. Havia um encantamento pela sonoridade

    polifnica, pela possibilidade de variao meldica. A polifonia valorizava a

    tcnica que era desenvolvida e aperfeioada, caracterstica do Renascimento.

    O Barroco, de 1600 a 1750. o perodo em que a msica

    instrumental atinge, pela primeira vez, a mesma importncia que a msica

    vocal. Ela exuberante, de ritmo enrgico e frases meldicas extensas,

  • 18

    fluentes e muito ornamentadas. So usados contrastes de timbres e

    densidades. O violino afirma-se e a orquestra vai tomando uma forma mais

    estruturada. Surge a pera e o Ballet. Os instrumentos de tecla tm uma

    grande evoluo e o cravo aparece como instrumento solista, e no apenas

    acompanhante. Na Frana os principais compositores de pera eram Lully, que

    trabalhava para Luis XIV, e Rameau. Na Itlia, o compositor Antonio Vivaldi

    chega ao auge com suas obras barrocas, e na Inglaterra, Handel compe

    vrios gneros de msica, se dedicando ainda aos oratrios com

    brilhantismo. Na Alemanha, Johann Sebastian Bach torna-se o maior

    representante da msica barroca. Os trs ltimos compositores tornaram-se

    referncia e hoje as suas msicas so as mais indicadas para trabalhos

    teraputicos e cognitivos. Suas composies so as mais indicadas para

    escolas que trabalham com msica clssica em sala de aula.

    O Classicismo, de 1750 a 1810. A msica torna-se mais leve e

    menos complicada que no Barroco. Predomina a melodia com

    acompanhamento de acordes; as frases so bem delineadas e mais curtas que

    anteriormente. A dinmica das obras torna-se mais variada; aparece o

    sforzato, o crescendo e diminuendo. A msica tonal. O cravo cai em desuso e

    substitudo pelo piano. A orquestra cresce em tamanho e acolhe um

    diversificado nmero de instrumentos. A pera alcana popularidade e comea

    a tratar temas do dia-a-dia. uma poca extremamente frtil em grandes

    compositores e talvez a mais produtiva de todos os perodos da histria da

    msica. Viena de ustria considerada a capital da msica clssica, pois foi l

    que se concentrou a maioria dos compositores. Este perodo marcado pelas

    composies de Haydn, Mozart e Beethoven (em suas composies iniciais).

    O Romantismo, de 1810 a 1910. o perodo da liberdade de

    expresso de sentimentos e paixes. Paris junta-se a Viena e tornam-se os

    principais centros de msica da Europa. Os compositores libertam-se da tutela

    dos nobres que os empregavam e passam a compor livremente. Os concertos

    pblicos tornam-se mais frequentes e comeam a aparecer as grandes salas

  • 19

    de espetculos. A fantasia, a imaginao e o esprito de aventura

    desempenham um papel importante na msica deste perodo.

    Surge a msica descritiva com os poemas sinfnicos. A literatura exerce uma

    enorme influncia na msica romntica, que est demonstrada na grande

    quantidade de Lied - canes deste perodo. Os msicos interessam-se pela

    msica folclrica, indo a buscar material para compor. dado nfase s

    melodias lricas. As harmonias so ricas e contrastantes, explorando uma

    gama maior de sonoridades, dinmicas e timbres. As obras tomam propores

    grandiosas e a orquestra atinge uma dimenso gigantesca. O Romantismo

    inicia-se pela figura de Beethoven e passa por compositores como Chopin,

    Schumann, Wagner, Verdi, Tchaikovsky, R. Strauss, entre outros.

    O romantismo rendeu frutos na msica, como o Nacionalismo musical, estilo

    pelo qual os compositores buscavam expressar de diversas maneiras os

    sentimentos de seu povo, estudando a cultura popular de seu pas e

    aproveitando msica folclrica em suas composies. A valsa do estilo

    vienense de Johann Strauss um tpico exemplo da msica nacionalista. No

    Brasil, Villa Lobos nosso maior representante.

    Msica Contempornea - Sculo XX, de 1900 em diante. Surge

    como o sculo das experincias, da procura de novos caminhos na msica e

    nas artes em geral. Marcado por uma srie de novas tendncias e tcnicas

    musicais. No entanto torna-se imprudente rotular criaes que ainda encontra-

    se em curso. Porm, algumas tendncias e tcnicas importantes j se

    estabeleceram no decorrer deste sculo. So elas: Impressionismo,

    Nacionalismo do sculo XX, Influncias jazzsticas, Politonalidade, Atonalidade,

    Expressionismo, Pontilhismo, Serialismo, Neoclassicismo, Microtonalidade,

    Msica concreta, Msica eletrnica, Serialismo total, e Msica Aleatria. Isto

    sem contar na especificidade de cada cultura. H tambm os msicos que

    criaram um estilo caracterstico e pessoal, no se inserindo em classificaes

    ou rtulos, estando-lhes apenas o adicional tradicionalista. Acentua-se a

    tendncia para valorizar culturas at ento esquecidas. Os novos meios de

  • 20

    transporte e comunicao facilitam as trocas culturais e fazem com que se

    reconheam na msica Moderna influncias muito variadas. O aparecimento da

    gravao sonora abre um mundo novo produo musical. A procura de novas

    sonoridades faz com que os compositores explorem sons produzidos por

    objetos, transformando-os em instrumentos musicais. Os instrumentos

    convencionais so transformados e preparados de forma a alargar as suas

    possibilidades tmbricas. O timbre talvez o parmetro mais valorizado na

    msica. Surgem os primeiros instrumentos eletrnicos, que ficaro para

    sempre ligados msica Pop e Rock, embora tambm estejam presentes em

    outros gneros musicais.

    1.3 A Funo da Msica

    Segundo alguns estudos, cientificamente comprovado que a

    msica traz benefcios sade orgnica. Esses estudos, atravs de

    experincias comprovam que o organismo humano alterado diante da msica

    causando os seguintes efeitos sobre o metabolismo:

    - Aumenta o metabolismo;

    - Aumenta ou diminui a energia muscular;

    - Altera a pulsao, a presso sangunea e a respirao;

    - Afeta a percepo de outros estmulos.

    Os efeitos provocados no comportamento dependero dos estmulos

    recebidos, pois cada indivduo adquiriu uma experincia pessoal e uma

    formao cultural singular. Sendo assim, os estmulos musicais sero

    interpretados de forma subjetiva. Os efeitos de pulsao e de respirao

    acontecero de acordo com as experincias vividas por cada ser humano.

  • 21

    Dessa forma, a presente pesquisa tambm aborda os efeitos da

    msica nas molculas da gua e dos vegetais. Os relatos da pesquisa a seguir

    corroboram com a autora Mrcia Victorio que em seu livro Impresses

    Sonoras, afirma que os sons vibratrios da msica influenciam todo o Universo

    interagindo com o ser humano.

    Sendo assim, podemos dizer que o ser humano constantemente est em vibrao e interagindo por ressonncia com todo o Universo. (VICTRIO, 2008, p.17)

    O pesquisador Emoto (2004) em seu livro: Mensagens da gua

    realiza pesquisas sobre as transformaes das molculas da gua quando

    expostas a sons e msicas. Ele coloca a gua que foi exposta a um

    determinado som e depois congela para que possa ser fotografada e analisada

    naquele estado. Nessa pesquisa ele congela molculas de gua expostas a

    sons de msicas que trazem tranqilidade ao ser humano com molculas

    congeladas de gua de lugares que no foram contaminados e compara a

    molculas de gua que foram expostas aos som de msica heavy metal com

    molculas de gua poluda. Nota-se que as molculas de gua pura so

    semelhantes as molculas de gua que foram expostas a msicas

    tranqilizantes e as molculas de gua expostas ao som de heavy metal so

    semelhantes as molculas de gua poluda.

    Sendo o corpo humano formado em 70% de gua, a constatao

    dessa pesquisa contribui para que haja uma conscientizao a respeito da

    utilizao da msica em um setting arteteraputico. Pois, se a msica capaz

    de causar esses efeitos a molcula da gua retirada de fontes naturais,

    provavelmente, causar a mesma reao nas molculas de gua existentes no

    organismo humano.

    Sendo assim, torna-se pertinente a indicao de msicas que

    podero ser utilizadas a determinado momento ou finalidade de acordo com as

    sugestes do trabalho de pesquisa j citado (ANGELIM, 2003, pp. 85-91)

  • 22

    Sons relaxantes:

    - Hino ao sol ( Rimsky Korsakov)

    - Sonho de amor (Litz)

    - O Lago do Cisne (Tchaikovsky)

    - Fantasia e Fuga em Sol Menor ( Bach)

    - Serenata (Schubert)

    - Largo de Xerxes (Haendel)

    Sons tranqilizantes:

    - Ave Maria (Schubert)

    - Sute em R Maior (Bach)

    - Cano da ndia (Rimsky Korsakov)

    - Reviere (Schumann)

    Sons tonificantes:

    - Abertura de Ada (Verdi)

    - Judeus (da pera Fausto - Gounod)

    - A Grande Marcha do Tannhauser (Wagner)

    - Sinfonia n 5 (Dvork)

    Sons estimulantes:

    - Adgio (Albinoni)

    - Serenata (Toselli)

    - Daphnis et Chlo (Ravel)

    - As Criaturas de Prometeu ( Beethoven)

    Sons para combater ansiedade:

    - Barcarola (Offenbach)

    - Sonhos de Uma Noite de Vero (Mendelssohn)

    Sons para combater a depresso e o medo:

    - Sonho de Amor (Litz)

    - Serenata (Schubert)

  • 23

    Sons para combater a insnia e o nervosismo:

    - Sonata ao Luar (Beethoven)

    - Sonho de Amor (Litz)

    Sons para combater o estresse:

    - Traumerg (Schumann)

    - Clair de Lune (Debussy)

    - Melodia Matinal (Grieg)

    Sons para estimular a memria:

    - Concerto em D Maior para Bandolim, Corda e Clavicrdio (Vivaldi)

    - Largo do Concerto em D Maior para Clavicrdio (Bach)

    - Spectrum Sute, Confort Zone e Starborn Sute (Stephen Halpern)

    Alguns efeitos das principais sinfonias de Beethoven:

    - Primeira Sinfonia: estimula a motivao e autoconfiana;

    - Segunda sinfonia: gera fora de vontade e poder de deciso;

    - Terceira Sinfonia: equilibra o sistema nervoso e combate a tenso;

    - Quarta sinfonia: elimina o dio, o cime, inveja, vingana e luxria;

    - Quinta Sinfonia: estimula a reflexo;

    - Sexta Sinfonia: estimula a criatividade;

    - Stima Sinfonia: estimula a espiritualidade.

    Sugestes de msicas para vivncia de desinibio e entrosamento:

    - Reconvexo - Maria Betnia

    - Ilumina - Maria Betnia

    - Sonho meu - Gal Costa

    - Alabari Csar Camargo Mariano

    Sugestes de msicas para relaxamento em vivncias corporais:

    - Memory of Antarctica - Vangelis

    - Farol da Liberdade - Marcus Viana

    - Dana das fadas - Marcus Viana

    - Hayimari Kitaro Kojiki

  • 24

    - Reimei Kitaro

    Sugestes de msicas para disciplina e sensualidade:

    - Bola de meia e bola de gude - Milton Nascimento

    - Tango to Evora - Lorenna Mckennitt

    - Between the Shadows - Lorennna Mckennitt

    - The Lady of Shalott Lorena Mckennitt

    Sugestes para danar o toque de energia:

    - Quebra cabea sem luz - Oswaldo Montenegro

    - Incompatibilidade - Oswaldo Montenegro

    - Intuio - Oswaldo Montenegro

    - Por brilho - Oswaldo Montenegro

    Diante do exposto, pode-se afirmar que a msica tem uma grande

    influencia no estado de sade fsica e emocional do ser humano. De acordo

    com os estudos aqui relatados cabe ao arteteraputa utilizar a msica em seu

    trabalho de forma consciente. A msica no deve ser utilizada em sesses

    teraputicas apenas por ser agradvel. Ela uma ferramenta a mais para

    ajudar na cura emocional dos que ficam expostos a ela. O arteteraputa que

    domina tais conhecimentos poder conduzir um trabalho muito mais eficaz.

  • 25

    CAPTULO 2

    MSICA NA ARTEREPIA

    2.1 O Que Arteterapia?

    De acordo com o texto recentemente atualizado da American

    Association of Art Therapy (Associao Americana de Arteterapia):

    A Arteterapia baseia-se na crena de que o processo criativo envolvido na atividade artstica e teraputica enriquecedor da qualidade de vida das pessoas. Arteterapia o uso teraputico da atividade artstica no contexto de uma relao profissional por pessoas que experienciam doenas, traumas ou dificuldades na vida, assim como por pessoas que buscam desenvolvimento pessoal. Por meio do criar em arte e do refletir sobre os processos e trabalhos artsticos resultantes, pessoas podem ampliar o conhecimento de si e dos outros, aumentar sua auto-estima, lidar melhor com sintomas, estresse e experincias traumticas, desenvolver recursos fsicos, cognitivos e emocionais e desfrutar do prazer vitalizador do fazer artstico. Arteteraputas so profissionais com treinamento tanto em arte como em terapia. Tem conhecimento sobre desenvolvimento humano, teorias psicolgicas, prticas clnicas, tradies espirituais, multiculturais e artsticas e sobre o potencial curativo da arte. Utilizam a arte em tratamentos, avaliaes e pesquisas, oferecendo consultoria a profissionais de reas afins. Arteteraputas trabalham com pessoas de todas as idades, indivduos, casais, famlias, grupos e comunidades. Oferecem seus servios individualmente e como parte de equipes profissionais em contextos que incluem sade mental, reabilitao, instituies mdicas, legais, centros de recuperao, programas comunitrios, escolas, instituies sociais, empresas, atelis e prtica privada (AATA -

  • 26

    Associao Americana de Arteterapia apud CIORNAI, 2004, p. 8)

    A Arteterapia utiliza arte como terapia. Embora, a arte seja uma

    atividade milenar, conforme citado no captulo anterior, a sua utilizao na

    arteterapia foi desenvolvendo-se at chegar a arteterapia da forma que se

    conhece. A Arteterapia consiste na criao de material sem preocupao

    esttica e concentra-se apenas em expressar o estado emocional. Esta catarse

    saudvel e possibilita o indivduo a organizar-se internamente.

    Segundo a psicanlise junguiana, diante do processo criativo, o

    inconsciente se une a um arqutipo e o expressa numa linguagem simblica. A

    arte um instrumento utilizado sem o objetivo de verbalizao.

    Aspectos da condio humana como fome-saciedade, dor-prazer, ressentimento-consolo, desejo-orgasmo, podem ser vistos como uma relao de tenso e resoluo, e que a msica pode expressar esta resoluo de uma maneira que a comunicao verbal no pode. (WATSON E DRURY, 1990, p. 21)

    De acordo com Chevalier e Gheerbrant (2006), os smbolos separam

    e unem e comportam as duas idias de separao e de reunio, evocando uma

    comunidade que foi dividida e que pode se reagrupar. Todo smbolo comporta

    uma parcela de signo partido. O sentido do smbolo revela-se naquilo que

    simultaneamente rompimento e unio de suas partes separadas.

    A Arteterapia uma das formas de terapia que atravs da

    estimulao do desenvolvimento da criatividade pode favorecer a liberao das

    emoes dos conflitos internos; imagens perturbadoras do inconsciente; o

    contato com ansiedades por causa de contedos reprimidos e medos;

    desenvolvimento da coordenao motora; solues para a resoluo de

    problemas cotidianos; a formao da identidade e o equilbrio fsico, mental e

    espiritual.

  • 27

    A arteterapia utiliza muitas ferramentas de expresso artstica e uma

    delas a msica aliada a qualquer ramo arteteraputico. A msica pode ser

    associada contao de histria; a produes de artes plsticas, tais como:

    desenho, pintura, colagem e escultura e a expresso corporal atravs da dana

    e do teatro.

    O desenvolvimento do processo criativo tratado na arteterapia

    consiste em utilizar o crebro para recombinar novas conexes neurais

    possibilitando a descoberta de novos conceitos.

    Diante do exposto, a Arteterapia tem o seu foco no sujeito e no em

    sua produo artstica. Assim sendo, dentro do setting Arteteraputico, no

    preciso ser um excelente desenhista, no precisa estudar artes cnicas ou ser

    msico. No processo arteteraputico o sujeito tem que se sentir seguro e livre

    de julgamentos para que possa se expressar criativamente. A partir da sua

    produo criativa, ele pode entrar em contato com o inconsciente e trazer ao

    consciente as questes que precisam ser trabalhadas, tais como: seus

    conflitos, suas sombras e seus recalques. O sujeito cria possibilidades de se

    reorganizar mental e afetivamente e de encontrar o caminho para a

    individuao.

    2.2 A Utilizao da Msica na Arteterapia

    Acredita-se que a principal funo da msica na arteterapia est

    relacionada com a necessidade de expressar os contedos emocionais

    internos. Por outro lado, o uso da msica apresenta possibilidades infinitas.

    A msica permite uma reflexo interior sondando reas do

    inconsciente despercebido pelo consciente humano. Nenhuma outra

    ferramenta capaz de investigar o ser humano to profundamente e de forma

    to agradvel. Cabe ao arteteraputa saber onde, quando e como aplic-la ao

  • 28

    seu cliente, para que ele possa, conscientemente, produzir ferramentas

    internas capaz de prover e transformar as emoes em sentimentos

    racionalizados e benficos para a dicotomia existente ente corpo e a mente.

    Diante disso, a msica na Arteterapia no envolve a mesma proposta da

    Musicoterapia.

    Para que no haja erros conceituais deve-se esclarecer que a

    Musicoterapia a utilizao da msica e os seus elementos, tais como: ritmo,

    melodia e harmonia, por um musicoterapeuta qualificado. A musicoterapia

    pode ser desenvolvida com apenas um cliente ou com um grupo com o objetivo

    de promover a comunicao, o relacionamento, o aprendizado, a mobilizao,

    a expresso, a organizao e outros objetivos teraputicos. Sua finalidade

    atender as necessidades fsicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A

    musicoterapia busca desenvolver potenciais e restaurar funes do indivduo

    para que ele alcance uma melhor qualidade de vida, atravs de preveno,

    reabilitao ou tratamento. No entanto, no inteno dessa pesquisa abordar

    com profundidade o trabalho especfico realizado pela Musicoterapia, mas a

    ampla utilizao da msica em diversas atividades arteteraputicos.

    Por sua vez, a Msica na arteterapia prope associ-la a qualquer

    trabalho no setting arteteraputico. Portanto, o arteteraputa que utiliza msica

    como um instrumento no precisa ser msico. Por outro lado, se o

    arteteraputa conhecer o desenvolvimento da histria da msica e a influencia

    dela sobre o estado emocional trabalhar de forma consciente e poder

    aproveitar melhor essa ferramenta para alcanar seu objetivo terapeutico de

    forma eficaz.

    Dessa forma, o uso da msica no processo teraputico deve ser

    utilizado com suavidade e liberdade. A partir do memento em que o

    arteteraputa conhece o poder de cura da msica e sua influncia sobre os

    estados psquicos e emocionais, poder utiliz-la como uma poderosa aliada

    aos trabalhos com a Arteterapia. A audio de uma msica pode trazer tona

    contedos emocionais contidos no inconsciente que sero importantes para a

  • 29

    terapia. As atividades utilizando letras de msicas para a produo de leitura,

    colagens, pinturas e muitos outros, pode ser muito revelador; a produo de

    ritmos e sons pode propiciar momentos catrticos. O trabalho corporal a partir

    de determinada msica pode liberar o sujeito de alguns traumas inconscientes;

    observar os ritmos corporais pessoais pode trazer uma grande percepo do

    sujeito.

    A maior parte dos profissionais desconhece o efeito poderoso que

    alguns tipos de msica exercem sobre o ser humano. Dependendo do tipo de

    msica associado as experincias pessoais e subjetivas a msica pode agitar,

    energizar, entristecer, acalmar motivar e conscientizar, interiormente, o

    indivduo, embora este no tenha a conscincia de que a msica, dependendo

    do seu gnero, seja capaz de alterar significativamente sua estrutura molecular

    e cerebral.

    Todavia, o presente estudo aborda o processo teraputico que utiliza

    a msica para acionar os contedos psquicos do inconsciente com a finalidade

    de serem interpretados pelo consciente. Pois, quando o sujeito produz qualquer

    som atravs de um objeto sonoro cria msica dentro de si mesmo e a partir

    disso encontra novas possibilidades de encontro da sua essncia presente em

    seu inconsciente com o seu eu consciente.

    Supe-se facilmente que em msica, talvez mais que outros campos de criao artstica, a pessoa esteja apta a projetar os seus desejos mais profundos de maneira simblica e torna-los, ento, aceitveis ao ego. (RUUD, 1990, p. 3)

    Parte-se do princpio que todo ser tem equilbrio rtmico presente na

    pulsao. O desenvolvimento s vezes inibido por questes externas. O

    trabalho do arteteraputa promover o equilbrio interno atravs de propostas

    plsticas, utilizando msica, fazendo uso de canes de pulso regular, com

    andamento lento ou regular. Essa uma possibilidade teraputica que pode

    estimular a harmonizao dos componentes psquicos.

  • 30

    Por meio de ritmo pulsante e organizador, a msica pode oferecer uma possibilidade de equilbrio interno que se verificar nas atitudes de uma pessoa. Por exemplo, um cliente que esteja vivendo um momento conturbado, com mltiplas preocupaes, ansioso, ter, provavelmente, o seu pulso interno to descompassado quanto o seu momento de vida. este poder ser evidenciado na sua produo plstica por meio de utilizao de cores fortes e traos descontnuos, agitados, por um lado, ou por traos muito fracos e cores extremamente suaves, se em estado depressivo. Ambas situaes apontam para um desequilbrio que, por sua vez, poder ser constatada nas palpitaes irregulares do seu corao, na sua respirao descontnua e, mesmo, no seu caminhar oscilante (VICTRIO, 2003, p. 79)

    Para tal preciso considerar o fato de que esse andamento interno

    no constante e varia de acordo com os ciclos vitais. Todas as fases vividas

    pela infncia, adolescncia, idade adulta e velhice devem ser consideradas

    com suas caractersticas individuais e peculiares.

    Diante do exposto, a msica aplicada de forma consciente aos

    trabalhos arteteraputicos pode ser utilizada de inmeras maneiras no setting

    de Arteterapia. Sendo assim, a msica quando utilizada como facilitador dos

    processos emocionais poder atingir seu objetivo vindo a ser uma grande

    colaboradora para o a individuao do sujeito.

  • 31

    CAPTULO 3

    OS EFEITOS DA MSICA NO CREBRO E NA PSIQUE

    3.1 Como a Msica Percebida pelo Crebro Humano

    De acordo com Kolb e Bryan (2002) a Neurocincia Comportamental

    explica que a msica tem uma forte influncia sobre o corpo humano e em

    especial sobre o funcionamento do crebro. Os sons so captados no ouvido

    externo, amplificados no ouvido mdio e levados ao crebro, que os interpreta,

    no ouvido interno. Os estmulos nervosos enviados pelo ouvido, provocados

    pelo som, chegam at o tlamo que envia estmulos nervosos para as

    amgdalas, para o crtex pr-frontal e para o hipotlamo.

    Os sons so percebidos pelas vibraes que entram pela orelha. Ao

    chegarem ao ouvido interno, as clulas receptoras da cclea transformam

    esses impulsos em sinais eltricos, que passam pelo nervo coclear e vo at o

    bulbo, no tronco enceflico e depois aos colculos inferiores. As fibras do nervo

    coclear dividem-se de forma que a maior parte dos estmulos provenientes de

    cada orelha v para os dois hemisfrios. O processamento nesse estgio

    permite que o crebro determine a localizao do som. Os sinais alcanam o o

    crtex auditivo via tlamo, onde caractersticas como freqncia, intensidade,

    qualidade e significado so percebidas. O crtex auditivo esquerdo est mais

    relacionado com o significado e com a identificao do som e o direito com a

    qualidade.

  • 32

    A regio do crtex auditivo esquerdo seria responsvel pelo reconhecimento e discriminao de sutilezas do som. Quanto ao crtex temporal do hemisfrio esquerdo, ele indispensvel para a composio e a escrita da msica. No hemisfrio esquerdo, tambm esto os centros da linguagem que nos possibilitam compreender, inclusive, a linguagem musical. H indcios de que algumas funes musicais e lingsticas so mediadas por substratos neurais comuns, como o caso da sintaxe presente na msica e na fala humana. (VICTRIO, 2008, p. 24)

    De acordo com Vitrio (2008), todos os seres vivos e tudo que est a

    sua volta so vibraes sonoras, mas para que os sons sejam ouvidos com

    significado, eles precisam ser captados pelos ouvidos e transportados ao

    crebro.

    O tlamo formado por vrias divises e est localizado abaixo do

    crtex, na regio central do crebro e funciona recebendo as informaes dos

    sentidos, tais como: viso, audio, gustao e tato. O tlamo tambm envia as

    informaes para outras regies do crebro, incluindo o crtex cerebral.

    As amgdalas fazem parte do sistema lmbico e esto localizadas no

    centro do lobo temporal e tambm fazem comunicao com o crtex pr-frontal

    e hipocampo. O hipocampo funciona como um banco de dados da memria.

    Por isso, ao ouvir um determinado som, a amgdala dispara e prepara o

    organismo para produzir hormnios. Ela entra em contato com o crtex pr-

    frontal, responsvel pelo raciocnio, atravs do giro cingulado. Esse processo

    leva aproximadamente quatro segundos. Depois de interpretada a informao

    as memrias do hipocampo so ativadas e as amgdalas estimulam, atravs do

    hipotlamo, a produo de cortisol e adrenalina, que preparam o nosso corpo

    para a fuga ou defesa; ou os hormnios do bem estar que so a serotonina e

    noradrenalina.

    Quando o organismo exposto a uma msica suave que produz

    bem estar e tranqilidade a produo de hormnios e os ritmos do corpo

  • 33

    podem provocar diversos efeitos benignos sade diminuindo o estresse e

    regulando os efeitos psicossomticos.

    Por outro lado, quando o crebro exposto a msicas de ritmos

    alucinantes como heavy metal. Todo o organismo humano fica comprometido.

    Assim, aumenta o desejo por drogas ou comportamentos que estimulem o

    prazer e, portanto, o vcio.

    Segundo Costa (1994) o organismo estimula as glndulas supra-

    renais a secretarem corticides e adrenalina. As glndulas adrenais passam

    ento a produzir e liberar os hormnios do estresse: adrenalina e cortisol.

    Esses hormnios aceleram os batimentos cardacos, dilatam as pupilas,

    aumentam a sudorese e os nveis de acar no sangue, reduzem a digesto e

    ainda o crescimento e o interesse pelo sexo. Alm disso, contraem o bao, que

    expulsa mais hemcias para a circulao sangnea, o que amplia a

    oxigenao dos tecidos, e causa imunodepresso que a reduo das defesas

    do organismo. A funo dessa resposta fisiolgica preparar o organismo para

    a ao, que pode ser de luta ou fuga.

    Alm dos Sintomas Auditivos, o rudo exerce ao geral sobre vrias funes orgnicas, apresentando reaes distintas, com caractersticas comuns, mas com diferentes significados, como: Reaes de alarme, que consistem em resposta rpida de curta durao sob a ao de um rudo repentino. Essa atitude reflexa se manifesta atravs do ato de fechar os olhos, h aumento da freqncia cardaca e respiratria, aumento da presso arterial e secreo salivar, dilatao pupilar, contrao brusca da musculatura e aumento da secreo dos hormnios e Reaes neurovegetativas, em que a ao geral do rudo exerce uma resposta lenta com variaes durante a estimulao auditiva, influenciando e promovendo transtornos considerados como verdadeiras doenas de adaptao de instabilidade do sistema neurovegetativo; como por exemplo, o aumento do tnus muscular, hiperreflexia, reduo do peristaltismo intestinal, distrbios digestivos, angstia, inquietao, variaes na dinmica circulatria e aumento da amplitude respiratria. (CARMO, 1999, p.32)

  • 34

    O heavy metal causa um desarranjo no sincronismo dos dois lados

    do crebro. Quando o corpo colocado e exposto a estmulos desarmnicos

    variados e contnuos causam perturbao e desordem patolgica

    fundamentais. A caracterstica da msica rock perturbadora porque funciona

    como o oposto das batidas do corao.

    O rudo estressante libera substncias excitantes no crebro, tornando os indivduos sem motivao prpria, incapazes de suportar o silncio. Tambm libera substncias anestesiantes, tipo pio e herona, provocando prazer, conduzindo ao uso de fortes drogas psicotrpicas. (CARMO, 1999 p.37)

    3.2 A Msica e a Psique Humana

    O conjunto de vivencias e experincias formam a psique humana

    que est diretamente relacionada com as emoes. No entanto, sabe-se que a

    emoo e a razo no so reas separadas mais esto intrinsecamente

    relacionadas e uma acontece em funo da outra. Em vista disso, o estudo

    sobre o funcionamento do crebro evoluiu muito nos ltimos anos. Atualmente,

    possvel identificar as partes especficas do crebro usadas para diferentes

    aspectos do pensamento e da emoo. Conforme dito antes, hoje sabemos

    que a rea do raciocnio o crtex pr-frontal e a rea das emoes o

    sistema lmbico. Cada regio cerebral contribui de forma nica para o

    funcionamento do sistema nervoso. Embora, estejam to interligados que

    impossvel separar razo e emoo.

    Segundo Antonio Damsio (2000), neurocientista, o erro de

    Descartes foi justamente esse, separar a emoo da razo. Esse conceito foi

    engessado pela cultura humana e durante muito tempo formamos em todas as

    esferas sociais e profissionais conceitos extremamente radicais quanto ao

    comportamento emocional humano.

  • 35

    Descartes acreditava que o corpo era separado da mente. A mente

    s precisava do corpo para poder funcionar, fora isso, no havia nenhuma

    conexo entre eles. No entanto, Damsio defende o conceito de que o corpo e

    a mente esto interrelacionados.

    A famosa frase do filsofo francs, penso, logo existo, sugere uma atividade (pensar) exclusiva da mente, separada do corpo. Damsio contesta o dualismo da frase e sustenta que certos aspectos do processo da emoo e do sentimento so indispensveis para a racionalidade, e que os sentimentos e emoes so uma percepo direta de nossos estados corporais e constituem um elo entre corpo e conscincia. (apud RELVAS, 2007, p. 51)

    A estrutura cerebral do ser humano est basicamente dividida em

    trs partes. O crebro primitivo, rea do cerebelo, responsvel pelo movimento

    motor; o sistema lmbico, conforme citado, responsvel pelas emoes e o

    crtex pr-frontal, conforme dito antes, responsvel pelo raciocnio, julgamento,

    escolhas e planejamento. Porm, todos esto intimamente relacionados. Os

    movimentos motores so comandados pela emoo e conforme a situao ele

    ser racionalizado pelo indivduo, o que far com que ele corra ou fique parado.

    A memria auditiva est interligada com a memria visual, olfativa,

    ttil e a gustativa. Todos os estmulos externos e sensoriais passam pelo

    hipotlamo e so armazenados no hipocampo que responsvel pela memria

    de longa durao. Por isso, a msica muito mais que um simples conjunto de

    sons que compe uma melodia. Ela penetra na mente humana reativando as

    memrias geradas por experincias vividas.

    A sade fsica e emocional est diretamente relacionada com a

    memria. O hipocampo responsvel pela memria de longa durao e

    nessa estrutura cerebral que acontecimentos impressionantes alteram de tal

    forma essa estrutura que forjam novas conexes entre neurnios. Essas

    modificaes possibilitam a reconstruo ou recordao de acontecimentos

  • 36

    passados. A msica desperta emoes inconscientes porque est presente em

    vrias situaes e experincias vivenciadas pelo ser humano. Por isso, ao ouvir

    determinados tipos de msica o indivduo pode entrar em vrios estgios como

    alegria, tristeza, euforia e depresso. Essas experincias, provavelmente,

    aconteceram simultaneamente audio de alguns sons e msicas que

    ficaram imperceptveis no exato momento. Porm, depois de consolidadas, as

    memrias de longo prazo so armazenadas no crebro como um grupo de

    neurnios, criando um padro, preparados para serem acionados ao mesmo

    tempo quando alguma experincia atual assemelha-se a recordaes j

    armazenadas.

    Ao vivenciarmos uma experincia o sujeito recebe informaes de todo o tipo. Em determinadas situaes, os sentidos visuais e auditivos podem estar sendo mais exigidos, neurnios so ativados de forma consistente e simultnea, a fora sinptica dessas conexes so potencializadas. Sinais luminosos so captados pela retina e sons pelos aparelhos auditivos, so transformados em impulsos eltricos que migram para o crtex cerebral, eles circulam antes de serem descartados ou arquivados. O impulso morre, mas a passagem por determinado caminho estabelece conexes, criam-se ganchos, que permite ao crebro recriar imagens. Quando essa informao resgatada da memria, o conhecimento ser acessado de forma simples e rpida. (RELVAS, 2007, p. 50)

    O hipocampo faz parte do sistema lmbico que est conectado ao

    sistema nervoso autnomo. Este responsvel pelas atividades dos rgos

    viscerais, como: sistema cardiovascular, circulatrio, respiratrio, digestivo e

    excretrio. Alm disso, est interligado ao sistema endcrino e imunolgico.

    Por isso, a cincia explica o fato de que as doenas ou a cura so adquiridas

    ou manifestadas atravs das emoes que so evocadas pelas memrias

    armazenadas no crebro e analisadas pelo crtex pr-frontal responsvel pela

    razo.

  • 37

    Temos duas memrias, uma que se emociona, sente, comove, outra que compreende, analisa, pondera, reflete. Trata-se de emoo e de razo. Essa dualidade se articula atravs de um mecanismo dinmico, uma impulsionando a outra com grande rapidez nas tomadas de decises. Na verdade, complementam-se. Cada pessoa apresenta diferentes reaes conforme a utilizao de suas mentes. Nessa interao o sistema lmbico est presente, personagem importante para o crebro. (RELVAS, 2007, p. 51)

    Dessa forma, os efeitos benficos da msica sade j foram

    comprovados h muitos anos e seu reconhecimento e aes comportamentais

    e emocionais, levou o seu uso como preveno e cura de enfermidades fsicas

    e mentais.

    difcil encontrar uma nica frao do corpo humano que no acuse a influncia dos sons musicais. A msica afeta o corpo direta e indiretamente. Atua de forma direta sobre as clulas e os rgos que o constituem, e indiretamente mobilizando as emoes e influenciando em numerosos processos corporais que, por sua vez, propiciam relaxamento e bem-estar (http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/cogitare/article/viewFile/13121/8881)

    No entanto, importante ressaltar que estilos musicais afetam

    pessoas de diferentes formas. a presena fsica do som que influencia

    nossas reaes. As leis naturais governam a qumica do corpo e da mente e a

    msica tambm provoca efeitos fsicos e mentais no corpo humano: a msica

    afeta as necessidades fsicas, emocionais, cognitivas e sociais de indivduos de

    todas as idades (TODRES, 2006 p. 166).

    A maioria das pessoas por no conhecerem os efeitos da msica

    ignora o impacto que ela tem sobre sua sade fsica, social e mental. A escolha

    da msica amplamente determinada pelo gosto pessoal influenciado pela

    cultura. Embora, muitas tendncias reflitam a demanda consumista da nossa

    sociedade.

    http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/cogitare/article/viewFile/13121/8881http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/cogitare/article/viewFile/13121/8881

  • 38

    Estudos de imagem do crebro mostraram atividades nos condutos auditivos, no crtex auditivo e no sistema lmbico, em resposta msica. Mostrou-se que a msica capaz de baixar nveis elevados de estresse e que certos tipos de msica, tais como a msica meditativa ou clssica lenta, reduzem os marcadores neuro-hormonais de estresse (TODRES, 2006, p. 167).

    Diante do exposto, percebe-se que a influencia da msica no

    comportamento humano vai alm de um simples despertar de emoes. Ela

    altera a estrutura cerebral atravs da consolidao da memria de longo prazo.

    Por isso, ressalta-se que a sua utilizao na arteterapia deve ser utilizada de

    forma consciente objetivando ajuda teraputica mesmo que no haja

    verbalizao por parte do cliente.

  • 39

    CONCLUSO

    A presente pesquisa conclui que a msica est ligada ao ser

    humano desde os tempos primitivos e que sem ela o mundo se tornaria

    incompleto. A musica mais que uma arte, e sim um instrumento que deve ser

    utilizado com responsabilidade.

    Por conseguinte, a pesquisa mostrou que utilizar msica na

    arteterapia diferente do trabalho de musicoterapia que realizada atravs de

    um profissional com formao acadmica em msica.

    A msica tem comprovado a sua eficcia no processo de cura e de

    melhora na qualidade de vida de indivduos de qualquer idade. Dessa forma,

    por ser um elemento e agente de cultura, pode ser utilizada como elemento

    teraputico, pois uma linguagem estruturada.

    Alm disso, pode ser utilizada como estratgia para prevenir,

    reabilitar, readaptar o indivduo, promovendo sua sade atravs do canal som-

    msica-emoo, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida do

    indivduo, independente de idade e situao econmica.

    De acordo com os estudos feitos, a msica age diretamente no

    crebro resgatando memrias inconscientes para serem tratadas

    conscientemente promovendo cura fsica e emocional. Por isso, no dever

    nunca ser utilizada aleatriamente como um simples fundo musical ou para

    preencher algum espao vazio no perodo de tempo de consulta do paciente.

    Todas as vezes que o arteterapeuta utilizar msica deve ter um objetivo claro a

    ser alcanado.

    Sendo assim, a msica, por todos os seus benefcios, um

    excelente instrumento facilitador do processo arteteraputico.

  • 40

    BIBLIOGRAFIA

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  • 41

    WEBGRAFIA

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    http://www.institutokoziner.com/monografias.php%20-%20acessado%20em%2013/05/2010http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/cogitare/article/viewFile/.../8881%20%20acessado%20em%2015/06/2010http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/cogitare/article/viewFile/.../8881%20%20acessado%20em%2015/06/2010http://www.followscience.com/account/library/details/499/historia-da-musica-e-musicoterapia%20-%20acessado%20em%2021/08/2010http://www.followscience.com/account/library/details/499/historia-da-musica-e-musicoterapia%20-%20acessado%20em%2021/08/2010

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    NDICE

    AGRADECIMENTOS 3

    DEDICATRIA 4

    RESUMO 5

    METODOLOGIA 6

    SUMRIO 7

    INTRODUO 8

    CAPITLO 1

    A HISTRIA DA MSICA

    1.1 O Que Msica? 10

    1.2 A Evoluo da Histria da Msica 13

    1.3 A Funo da Msica 20

    CAPTULO 2

    MSICA NA ARTEREPIA

    2.1 O Que Arteterapia? 25

    2.1 A Utilizao da Msica na Arteterapia 27

    CAPTULO 3

    OS EFEITOS DA MSICA NO CREBRO E NA PSIQUE

    3.1 Como a Msica Percebida pelo Crebro Humano 31

    3.2 A Msica e a Psique Humana 34

    CONCLUSO 39

    BIBLIOGRAFIA 40

    WEBGRAFIA 41

    NDICE 42

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