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  • 1. ORIGEM DAS POLTICAS DE SADE PBLICA NO BRASIL: DO BRASIL-COLNIA A 1930 Textos do Departamento de Cincias Mdicas | Escola de Farmcia PROF. DR. MRCIO ANTNIO MOREIRA GALVO Dr. Oswaldo Cruz

2. ORIGEM DAS POLTICAS DE SADE PBLICA NO BRASIL: DO BRASIL-COLNIA A 1930 Textos do Departamento de Cincias Mdicas | Escola de Farmcia UFOP PROF. DR. MRCIO ANTNIO MOREIRA GALVO Presidente do Colegiado de Medicina Mestre em Sade Pblica pela Fundao Oswaldo Cruz Doutor em Medicina Tropical pela Universidade Federal de Minas Gerais Ps-Doutor pela UTMB (University of Texas Medical Branch at Galveston -USA) Professor do Departamento de Cincias Mdicas da Escola de Farmcia da Universidade Federal de Ouro Preto 3. REITOR Prof. Dr. Joo Luiz Martins VICE-REITOR Prof. Dr. Antenor Rodrigues Barbosa Jnior ESCOLA DE FARMCIA DIRETOR Prof Dr Luiz Fernando de Medeiros Teixeira VICE-DIRETORA Prof Dr Andra Grabe Guimares CHEFE DO DEPARTAMENTO DE CINCIAS MDICAS Prof. Dr. George Luiz Lins Machado Coelho PRESIDENTE DO COLEGIADO DE MEDICINA Prof. Dr. Mrcio Antnio Moreira Gaivo PROFESSORES DO DEPARTAMENTO DE CINCIAS MDICAS Prof Dr Adriana Maria de Figueiredo Prof. Dr. George Luiz Lus Machado Coelho Prof Joo Milton Martins Penido Prof. Dr. Mrcio Antnio Moreira Galvo Prof Maria Lilian Sales UFOP EXPEDIENTE ORIGEM DAS POLTICAS DE SADE PBLICA NO BRASIL: DO BRASIL-COLNIA A 1930 4. APRESENTAO ste primeiro Caderno de Textos do Departamento de Cincias Mdicas da Escola de Farmcia da Universidade Federal de Ouro Preto reveste-se de uma contextualizao histrica por se tratar de um nmero comemorativo da Aula Inaugural do Curso de Medicina desta Universidade. O tema abordado extremamente oportuno j que resgata a importncia do papel da Escola de Farmcia de Ouro Preto na histria da Sade Pblica mineira e brasileira desde os primrdios do Ensino Mdico no Brasil. PROF. DR. MRCIO ANTNIO MOREIRA GALVO Presidente do Colegiado de Medicina E ORIGEM DAS POLTICAS DE SADE PBLICA NO BRASIL: DO BRASIL-COLNIA A 1930 5. SUMRIO INTRODUO OS ENSAIOS DE SADE PBLICA NO BRASIL-COLNIA E NO IMPRIO. AS POLTICAS DE SADE PBLICA NA PRIMEIRA REPBLICA CONCLUSO REFERNCIAS 06 08 19 31 33 ORIGEM DAS POLTICAS DE SADE PBLICA NO BRASIL: DO BRASIL-COLNIA A 1930 6. I - INTRODUO Ao estudarmos as origens da Sade Pblica no Brasil, tomadas as medidas exigidas pelo momento. Toda essa deparamos com inmeras situaes, que se parecem com questo nos remete a pocas mais recentes do incio da momentosvividospornsempocasatuais. Nova Repblica, quando da discusso da Reforma Sanitria com sua proposta de municipalizaco das AesAssim acontece, por exemplo, com a questo da de Sade. A Reforma pregava, dentro de um contextomunicipalizao versus centralizao, fenmeno que se geral, a autonomia dos municpios sobre seus prpriossucede durante todo o perodo colonial, com o poder e a problemas como forma de modernizao da estruturaresponsabilidade sobre a Higine Pblica alternando-se existente e que os opositores da idia colocavam comoentre um poder central e o poder das Cmaras Municipais. principal dificuldade para viabilizao dessa autonomia oEssa questo perdura tambm durante o Imprio, poca problema do despreparo do poder local, da mesma formade intensa polmica sobre a Higine Pblica entre o poder queosantigosantimunicipalistas.leigo das Cmeras e a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, detentora do saber mdico nacional na Outra questo que nos bastante atual a polmica poca, para desembocar nas campanhas sanitrias do entre Medicina Preventiva e Curativa. Essa questo vem incio do sculo, quando o Congresso transfere para o ganhando corpo desde o Brasil-Colnia e se impondo poder central a responsabilidade pelos problemas como discusso dominante, medida que se comeou a sanitrios do Distrito Federal, a fim de que possam ser vislumbrar uma idia mais concreta de Medicina Social no ORIGEM DAS POLTICAS DE SADE PBLICA NO BRASIL: DO BRASIL-COLNIA A 1930 PROF. DR. MRCIO ANTNIO MOREIRA GALVO 7. Pas. Isso fica mais evidente principalmente a partir do trabalho, moradia e alimentao se impe como sculo XIX, com a importao das idias europias sobre a causalidade mais evidente dessa alta mortalidade, so Polcia Mdica. A partir da, a dicotomia entre esses dois exemplos claros de que a nossa Sade Pblica continua tipos de Medicina fica bem demarcada, com voltada para problemas que possam vir a ameaar as elites desdobramentos que seriam responsveis pela atual dominantes. organizaodenossosserviosdesade. A questo das origens do Ensino Cirrgico e Questo polmica at hoje, dentro da prpria Mdico no Brasil e sua relao com a sade pblica Medicina Preventiva, o problema das campanhas tambm discutida de passagem nesse texto, mostrando sanitrias com sua viso unilateral sobre o processo que algumas referncias histricas devem ser revistas e causal da doena, o que reflete a no-superao ainda atualizadas. nos dias de hoje do modelo da Medicina Preventiva Enfim, toda essa coincidncia entre teses e Cientfico-Biolgica do final do sculo XIX e incio do discusses levantadas no presente e no passado sobre sculo XX. A volta de molstias pestilenciais, como a Sade Pblica reflete bem a inconsistncia de nosso febre amarela, o dengue nas regies centro-sul do Pas, sistema poltico, em que as alternncias no poder, os com a incrementao de medidas em evidncia no interesses defendidos por ele e a falta de continuidade das incio do sculo e a priorizao que elas recebem em aes, ora nos jogando para frente rumo a um avano real, detrimento do combate a outras doenas de maior taxa ora nos fazendo retroceder, ocasionam perdas no de mortalidade, em que a questo das condies de restituveis,ouseja,vidashumanas. ORIGEM DAS POLTICAS DE SADE PBLICA NO BRASIL: DO BRASIL-COLNIA A 1930 07 PROF. DR. MRCIO ANTNIO MOREIRA GALVO PGINA 8. De acordo com Roberto Machado e colaboradores, a reservar para a medicina o espao da doena. A existncia Sade Pblica Brasileira teve seu nascimento no sculo XIX, da Fisicatura no revela, tambm, nenhuma preocupao por peculiaridades histricas que distinguem esse perodo com a formao de uma esfera autnoma e especfica de dos trs primeiros sculos da colonizao no Brasil. No conhecimentoaqueopoderpolticocentraldevarecorrer. entanto, eles fazemalgumas observaes sobre a Medicina No entanto, a Fisicatura no capaz de cobrir os nesses primrdios, a fim de que possamos realmente situar vrios aspectos da questo da sade, reduzindo-se osculoXIXcomoummarco. legalizao da prtica curativa. Da a necessidade de se Inicialmente, ele chama a ateno para a principal caracterizar, como foi colocada nessa poca, a questo da preocupao da Coroa com a sade da Colnia, que era a sade das populaes, dos habitantes da cidade, da de fiscalizao, entendida como forma privilegiada de sociedadeenfim. articular a atividade mdica no poder soberano. A E, quando procura-se estabelecer a relao entre chamada Fisicatura, rgo mximo para as questes de sade e sociedade, o tema principal abordado, na poca, sade, era, na verdade, um tribunal, com leis, alvars, eraodasujeiraeodeverdezelarpelalimpezadacidade.As regimentos e poder restrito regulamentao da Ordenaes Filipinas de 1604, que regiam todas as profisso, que visava punir os infratores com o objetivo de Cmaras Municipais das cidades e vilas de Portugal e II - OS ENSAIOS DE SADE PBLICA NO BRASIL-COLNIA E NO IMPRIO ORIGEM DAS POLTICAS DE SADE PBLICA NO BRASIL: DO BRASIL-COLNIA A 1930 PROF. DR. MRCIO ANTNIO MOREIRA GALVO 9. Colnias, fixando as atribuies gerais dos municpios, Entretanto, a iniciativa de organizar o espao social, situavam a limpeza como um de seus encargos. A visando impedir doenas ou aumentar o nvel de sade, fiscalizaodocomrciodealimentostambmapareceem parece no fazer parte das atribuies da Cmara. A alguns documentos como problema que deve ser denncia dos habitantes aciona um processo, que abordadopelasCmarasMunicipais. depende do habitante na medida em que, muitas vezes, a Cmara incapaz de realiz-lo eficazmente. A sade daO porto um local da cidade privilegiado como populao est na dependncia da presena deobjeto da ao municipal, j que ponto de contato entre obstculos: quando aparecem e so sentidos peloso interno e o externo, via de penetrao de pestes. habitantes como algo nefasto, so afrontados pela Cmara de modo local, disperso e sem continuidade. Atravs de A considerao tanto da cidade quanto do Porto, do ponto de uma ao pontilhada, pensa-se em evitar a doena, vista da doena possvel, adquire sua significao mais retirando a sujeira-interveno que depende, entretanto, profunda na quadro da poltica metropolitana, que procura daaoprivada.maior controle comercial e militar na colnia, na medida em que se articula com a defesa da riqueza e do territrio. Tambem o mdico que recebe salrio fixo freqente nos documentos a nfase dada no particular proveniente dos vencimentos da Cmara no algum cuidado de sua majestade com a sade dos povos e encarregado de dirigir ou orientar os encargos de sade; ,conservaodoEstado.Apopulao,vitalparadefenderaterra no mximo, assessor da Cmara nas "visitas de sade" aosefaz-laproduzir,aparececomoelementoaserpreservadoem navios, feitas sobretudo quando h perigo de peste, almvida,comovassalosdoRei,povoadoresdeumaterradisputada e produtora, neste contexto que sujeira e doena articulam-se de ser o mdico dos oficiais das Cmaras e de suas famlias. como binmio a ser evitado. Como tambm a partir dele que Logo, no h nenhum carter social de preocupao desse se explica o medo e o perigo da peste, na medida em que ela mdicocomasadedapopulao.dizima as populaes, a ponto de paralisar a cidade e mesmo 1 dediminuiramo-de-obra. O que caracteriza, portanto, a Fisicatura e as Cmaras a atribuio pura e simples de fiscalizar seja o exerccio da Medicina, seja o bom funcionamento da ORIGEM DAS POLTICAS DE SADE PBLICA NO BRASIL: DO BRASIL-COLNIA A 1930 09 1 MACHADO. Roberto et al. Danao da Norma; Medicina Social e constituiodapsiquiatrianoBrasil.RiodeJaneiro:Graal,1978.559p. PROF. DR. MRCIO ANTNIO MOREIRA