ordem hegemonia

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ORDEM, HEGEMONIA E TRANSGRESSO

MINISTRIO DAS RELAES EXTERIORES

Ministro de Estado Secretrio-Geral

Embaixador Celso Amorim Embaixador Antonio de Aguiar Patriota

FUNDAO ALEXANDRE DE GUSMO

Presidente

Embaixador Jeronimo Moscardo

A Fundao Alexandre de Gusmo, instituda em 1971, uma fundao pblica vinculada ao Ministrio das Relaes Exteriores e tem a finalidade de levar sociedade civil informaes sobre a realidade internacional e sobre aspectos da pauta diplomtica brasileira. Sua misso promover a sensibilizao da opinio pblica nacional para os temas de relaes internacionais e para a poltica externa brasileira.

Ministrio das Relaes Exteriores Esplanada dos Ministrios, Bloco H Anexo II, Trreo, Sala 1 70170-900 Braslia, DF Telefones: (61) 3411-6033/6034 Fax: (61) 3411-9125 Site: www.funag.gov.br

GEORGES LAMAZIRE

Ordem, Hegemonia e Transgresso2 edio, Revista e Atualizada

Braslia, 2010

Copyright Fundao Alexandre de Gusmo Ministrio das Relaes Exteriores Esplanada dos Ministrios, Bloco H Anexo II, Trreo 70170-900 Braslia DF Telefones: (61) 3411-6033/6034 Fax: (61) 3411-9125 Site: www.funag.gov.br E-mail: funag@itamaraty.gov.br

Capa: Manabu Mabe, Crculo de Luz 150 x 180 cm - 1980 Equipe Tcnica: Maria Marta Cezar Lopes Henrique da Silveira Sardinha Pinto Filho Andr Yuji Pinheiro Uema Cntia Rejane Sousa Arajo Gonalves Erika Silva Nascimento Fernanda Leal Wanderley Juliana Corra de Freitas Programao Visual e Diagramao: Juliana Orem e Maria Loureiro

Impresso no Brasil 2010 L215o Lamazire, Georges. Ordem, hegemonia e transgresso. Braslia : FUNAG, 2010. 212p. ISBN: 978.85.7631.260-4 1. Guerra fria. 2. Nova ordem mundial. 3. Regime internacional - Conceito. 4. Desarmamento. 5. Conselho de Segurana das Naes Unidas Resoluo. CDU: 327

Depsito Legal na Fundao Biblioteca Nacional conforme Lei n 10.994, de 14/12/2004.

Dedicatria Para minhas filhas Christiana e Carolina.

Agradecimentos

A Viva, pela tolerncia com a provisria obsesso de todo redator de tese. A Octavio de Souza, pela amizade antiga e fraterna. Ao Embaixador Marcos Castrioto de Azambuja, pela iniciao aos meandros das Naes Unidas. Ao Embaixador Celso Lafer, pelo estmulo constante e pela leitura atenta e generosa da tese original. Ao Embaixador Ronaldo Mota Sardenberg, pelos comentrios crticos que muito enriqueceram a arguio. Ao Embaixador Gelson Fonseca Jnior, pelo dilogo sempre inteligente e amigo.

Sumrio

Apresentao, 11 Introduo, 17 1. O fim da Guerra Fria e a noo de nova ordem mundial, 21 1.1. A invaso do Kuaite e o contexto ps-Guerra Fria, 25 1.2. O papel das Naes Unidas no perodo ps-Guerra Fria, 31 1.3. Segurana, desarmamento e no proliferao na nova ordem, 33 1.4. Unipolaridade e multipolaridade, 35 2. O conceito de regime internacional e o regime de no proliferao de armas de destruio em massa, 45 2.1. Regimes de segurana cooperao com desconfiana, 57 2.2. O regime de no proliferao de armas de destruio em massa, 60 2.3. Caractersticas do regime, 65 2.4. Diferenas entre os sub-regimes, 70 3. A resoluo 687 (1991) do Conselho de Segurana das Naes Unidas, 75 3.1. Consideraes preliminares, 75 3.2. A questo da disciplina, 82

3.3. O desarmamento do Iraque, 83 3.4. Outras disposies relevantes, 95 3.5. Uma comparao histrica, 97 4. A experincia da UNSCOM na implementao da seo C da resoluo 687 (1991), 103 4.1. A constituio da UNSCOM, 105 4.2. A implementao das resolues pela UNSCOM, 106 4.3. Descrio e relato das principais atividades da UNSCOM, 109 4.4. Observaes sobre a experincia da UNSCOM, 127 4.5. O caso iraquiano e as salvaguardas da AIEA, 129 4.6. O papel do Conselho de Segurana na rea de no proliferao, 133 5. A diplomacia brasileira e o papel renovado do Conselho, 145 Concluses, 155 Anexo I - Resolues pertinentes do Conselho de Segurana, 161 Anexo II - A questo da verificao, 171 Anexo III - O contexto estratgico da no proliferao, 183 Bibliografia, 193

Apresentao

Revisitar um trabalho acadmico na rea de relaes internacionais quinze anos depois quase sempre uma experincia ambgua, mormente quando o leitor o prprio autor. Erratas to imaginrias quanto tardias proliferam ao longo da leitura. As teorias utilizadas j no so as mais atuais, nem talvez as mais relevantes. A conjuntura internacional, obviamente, outra, derrogando certezas com sua autoridade retroativa. Algumas tendncias confirmaram-se, outras no. A tentao do anacronismo constante. O que pode ficar de um estudo como este, tanto tempo depois, que justifique minimamente uma reedio? Os fatos, em primeiro lugar, que coligidos em seu momento, espera-se, com alguma objetividade, ainda guardam evidncia e pregnncia, para alm de qualquer positivismo. Em segundo, as percepes ou concluses, que sobrevivem menos claramente. No entanto, como se sabe, de tudo fica um pouco. Por isso, um punhado delas segue abaixo, para registro e tambm para servir de guia a quem se aventurar nas muitas pginas que se seguem a esta introduo. A primeira concluso a sublinhar seria a identificao da hegemonia, sobretudo, como capacidade de liderana na cristalizao de regras que ordenaro os aspectos polticos, estratgicos e econmicos no mbito internacional - para no dizer tambm domstico. Como afirma explicitamente o texto, "finalmente, este trabalho buscou sublinhar o fato de que o poder

GEORGES LAMAZIRE

define-se cada vez mais como a capacidade de promover valores, normas e mecanismos institucionais que sejam aceitos pela comunidade internacional" (p. 149). O poder militar segue relevante, mas s pode ser exercido dentro de um quadro mnimo de regras de legitimao no necessariamente de legitimidade que passam pelas organizaes internacionais efetivamente multilaterais, mas chega at a nveis inferiores, porm ainda parcialmente eficazes, de persuaso, como organizaes regionais, alianas de geometria varivel, consensos provisrios de parcelas da opinio pblica mundial, campanhas na mdia, etc,1,2 . Vale acrescentar agora alm das dvidas inevitveis, a qualquer tempo, sobre a real universalidade ou generalidade dos interesses apresentados pelo lder hegemnico que perodos de transio e crise parecem particularmente propensos a uma deslegitimao de hegemonias, na medida em que o lder torna-se cada vez mais "particular" em seu ponto de vista sobre o mundo. A segunda concluso digna de meno diz respeito ao carter da atuao precpua do Conselho de Segurana das Naes Unidas, que se situa no terreno da ao, ou reao, frente a ameaas paz e segurana internacional, no da avaliao jurdica de direitos ou obrigaes3 . Como diz o comentrioEsta () capacidade de liderana na definio de regras que ordenaro os aspectos polticos, estratgicos e econmicos da vida internacional remete ao conceito de hegemonia, ao qual recorreremos ao longo do trabalho, aproveitando dois de seus sentidos explorados pela literatura, o de hegemonia com forte componente de superioridades efetiva em recursos de poder militar c/ ou econmico, prevalecente na academia norte-americana; e o de hegemonia como capacidade de gerar consentimento dos liderados, que se aproximaria mais do seu uso em Gramsci tal como recuperado por Cox (1993). claro que ambos os conceitos convergem, c que nem o primeiro prescinde do elemento ideolgico, nem o segundo da possibilidade de recurso em ltima instncia fora. .(p. 28) 2 There is a close connection between institutionalization and what Gramsci called hegemony. Institutions provide ways of dealing with conflicts so as to minimize the use of force. There is an enforcement potential in the material power relations underlying any structure, in that the strong can clobber the weak if they think it necessary. But force will not have to be used in order to ensure the dominance of the strong to the extent that the weak accept the prevailing power relations as legitimate. This the weak may do if the strong see their mission as hegemonic and not merely dominant or dictatorial, that is, if they are willing to make concessions that will secure the weaks acquiescence in their leadership and if they can express this leadership in terms of universal or general interests, rather than just as serving their own particular interests. (p. 38) 3 Ao comentar tanto a velocidade com que o Conselho passa das medidas econmicas ao recurso fora, como o carter discriminatrio que alguns observadores atribuem a seu ativismo nessa ocasio, em contraste com outras similares, Sur desenvolve anlise sobre a natureza do Conselho de interesse para este trabalho: Sagissant enfn du caractre discriminatoire de lintervention du Conseil, on peut rappeler, mme sil faut le dplorer, que la Charte ne garantit pas une galit de traitement des Etats ni mme des situations sur la base de critres matriels.1

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APRESENTAO

do texto citao de Serge Sur reproduzida em nota de p de pgina, "a descrio do Conselho de Segurana como no relevando de um Estado de direito aponta para a diferena entre uma ordem baseada na segurana de uma outra possvel baseada no direito." (p. 69) A terceira concluso, baseada em anlise do diplomata e especialista sueco Johan Molander, antecipa traos de comportamento que puderam ser confirmados quando da discusso, no Governo do segundo Presidente Bush, sobre a existncia ou no de armas de destruio em massa no Iraque. Molander, ao analisar a atuao da UNSCOM (United Nations Special Comission) no Iraque, enfatizava que "as comunidades de informao recebiam positiva e imediatamente novas e inesperadas descobertas, mas demonstravam uma tendncia a resistir a descobertas negativas". (p. 117 e 118) Uma quarta concluso que vale mencionar seria aquela que diz respeito relevncia da obteno de um assento permanente no Conselho de Segurana das Naes Unidas por parte do Brasil. O trabalho explora vrios argumentos favorveis a essa postulao, tais como o de que a participao em todos os foros da governana mundial essencia

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