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  • Parceiros:

    Assemblia Legislativa de Minas Gerais Comisso de Participao PopularFrente de Defesa dos Direitos da Criana e do Adolescente de Minas GeraisMinistrio Pblico de Minas GeraisEditora O Lutador

    Aliados Estratgicos:

    Oramento pblico,Legislativo e Comunicao

    Trs eixos estratgicos para incidncianas polticas pblicas

  • Oramento pblico, Legislativo e Comunicao

    Trs eixos estratgicos para incidncia nas polticas pblicas

  • Apresentao

    Introduo Compreendendo conceitos | 6

    Oramento Oramento pblico e cidadania | 13

    Ciclo oramentrio | 19

    O Plano Plurianual | 27

    Lei de Diretrizes Oramentrias LDO | 34

    A Lei Oramentria Anual LOA | 41

    Anlise da execuo oramentria | 47

    Legislativo

    Legislativos: sua importncia e seu papel nas democracias | 51

    Municpios: espao de atuao participativa | 54

    ComunicaoMdia e Democracia | 62

    Jornalismo e agenda social | 79

    Construindo um dilogo com a imprensa | 86

    Aliados Estratgicos e Parceiros

    Ficha tcnica

    Sumrio

    34

    398

    36

    313

    351

    362

    100

  • com forte expectativa de contribuir para a transformao nos indicadores de desigualdades que marcam a realidade brasileira que as instituies realizadoras do Projeto Novas Alianas apresentam este guia de conceitos e orientaes para a incidncia em oramento pblico, incluindo aspectos especficos associa-dos ao processo legislativo e comunicao social.

    Esta publicao reflete nossa crena de que a melhoria dos processos de deliberao e de controle de polticas pblicas acompanhada de uma comunicao eficaz acerca dos temas presentes nas agendas dos vrios conselhos representar um impacto positivo na consolidao dos mecanismos democrticos e, consequentemente, na vida de milhes de cidados e cidads, especialmente das novas geraes.

    Alm da prioridade absoluta das crianas e adolescentes nos projetos de desenvolvimento scio-eco-nmico-cultural e da valorizao dos conselhos como espaos de formulao e avaliao das polticas p-blicas, o Projeto Novas Alianas est ancorado nos seguintes princpios ticos e polticos:

    A ampliao e o fortalecimento da participao da sociedade civil organizada nos processos de planeja-mento e controle da gesto pblica.

    A construo de um trabalho articulado e cooperado entre as diversas instncias do poder pblico e entre os setores pblico e privado.

    A formulao e a avaliao de polticas, tendo como base diagnsticos da realidade.

    Acreditamos fortemente que uma postura pr-ativa e articulada em seu relacionamento com as insti-tuies democrticas assegura aos indivduos e organizaes engajados na promoo e defesa dos direitos da criana e do adolescente condies de impulsionar o desenvolvimento de uma nova cultura poltica em nosso pas, com conseqentes avanos nos indicadores sociais.

    Atuao qualificada Somar-se ao processo decisrio relativo s polticas pblicas sociais requer conhecimento acerca das principais demandas da populao e dos possveis caminhos para respond-las com eficincia, eficcia e efetividade. Para isso, trs eixos estratgicos de ao podem e devem ser considerados: o monitora-mento sistemtico do oramento pblico, a atuao poltica junto ao Poder Legislativo e o dilogo produ-tivo com os meios de comunicao.

    A partir de uma linguagem objetiva, o presente guia traz conceitos e procedimentos relacionados a es-sas trs estratgias de atuao. Nesse sentido, os contedos apresentados ao longo das prximas pginas buscam incentivar, entre os diferentes atores sociais, boas prticas de incidncia poltica e ao coletiva. A idia oferecer aos conselheiros e lideranas sociais instrumentos que os auxiliem em suas intervenes na esfera pblica, contribuindo para seu conhecimento diante das demandas sociais, bem como ampliar sua capacidade de comunicao com a sociedade.

    Se ao por em prtica as orientaes aqui contidas surgirem dvidas ou forem constatadas eventuais la-cunas, entre em contato conosco (veja contato da Oficina de Imagens na pgina98). A contribuio de todos ser de grande importncia para o aprimoramento deste material. Envie suas sugestes e ajude a escrever uma outra histria de ateno pblica a crianas e adolescentes em Minas Gerais.

    Boa leitura!

    Apresentao

  • Oramento pblico, legislativo e comunicao | Compreendendo conceitos

    Controle social e incidncia poltica so expresses que j fazem par-te do vocabulrio de boa parte dos cidados e cidads do pas. E essa no uma conquista recente: faz quase trinta anos que a idia de mo-nitoramento das polticas pblicas pela sociedade passou a ser uma realidade do universo poltico brasileiro. Desde a promulgao da Constituio Federal, em 1988, a populao do Brasil passou a dispor de uma srie de diretrizes que garantem sua participao direta no controle das aes governamentais.

    A construo desse processo participativo no surgiu, porm, de um dia para o outro resultado da histrica luta dos movimentos sociais brasileiros e, de certa forma, da prpria consolidao dos valores da democracia em todo o mundo. Por isso, antes de abordarmos propria-mente os temas centrais desta publicao, importante compreender-mos alguns conceitos relevantes para nossa atuao no controle social das polticas pblicas, das esferas de poder e da mdia.

    No transcorrer da histria, a humanidade buscou organizar sua ex-perincia poltica e social por meio de idias que explicassem o poder, o controle, o conflito, o bem comum, ou seja, as dimenses presentes nas relaes polticas. Estado, democracia, sociedade civil, cidadania e incidncia poltica so palavras que expressam as conquistas e dilemas da humanidade na busca de uma gesto melhor e cada vez mais demo-crtica das sociedades.

    Ao conhecermos esses conceitos que sero descritos nas prximas pginas , compreendemos que a poltica o campo pelo qual pode-mos transformar a realidade. Aprendemos que apenas com participa-o podemos interferir nos caminhos de nossa cidade, de nosso pas e do mundo. Percebemos que para exercer a participao no basta votar ou reclamar daquilo que no concordamos na atitude de nossos gover-nantes, necessrio, sobretudo, atuar efetivamente na formulao e no monitoramento das decises polticas.

    Compreendendo conceitos

    [ Introduo ]

    1

  • Compreendendo conceitos | Oramento pblico, legislativo e comunicao

    EstadoO conceito de Estado refere-se ao conjunto das instituies que formam a organizao poltico-administrativa de um povo ou de uma nao: o governo, as foras armadas, as escolas pblicas, a polcia, os tribunais, as cmaras legislativas, etc. A existncia do Estado est condicionada, portan-to, a um domnio territorial que, por sua vez, envolve leis, tradies, moeda e lngua comuns a um mes-mo grupo populacional (povo).

    O governo a instituio res-ponsvel pela gesto do Estado podendo se organizar de vrias formas: monarquias, oligarquias ou democracias, por exemplo. Muitas vezes, costuma-se con-fundir Estado com governo. A di-ferena que o governo mesmo sendo uma das peas principais somente uma parte do Esta-do. Este, engloba outros setores, alm de envolver todos os nveis de governo federal, estadual e municipal e todas as atividades a eles ligadas.

    Em uma sociedade democrti-ca como a nossa, o Estado quem concentra o poder em relao a trs atividades essenciais: legislar, julgar e executar (ou administrar). Da os trs poderes da Repblica, independentes e reciprocamente fiscalizadores entre si:

    Executivo o poder responsvel por exe-cutar as leis e gerir as polticas pblicas. A Presidncia da Re-pblica, os ministrios e as au-tarquias so rgos do Executi-vo Federal. Da mesma forma, as prefeituras e as secretarias inte-gram o Executivo Municipal.

    Legislativo o poder que elabora as leis e que fiscaliza os atos do Poder Execu-

    tivo. No Brasil, esse poder est nas mos do Congresso Nacional, formado pela Cmara dos Depu-tados e pelo Senado Federal. No mbito dos municpios, esse pa-pel desempenhado pelas cma-ras municipais de vereadores.

    Judicirio responsvel por aplicar as leis que garantem os direitos indivi-duais. Fazem parte do Poder Ju-dicirio: os Tribunais de Justia (Federal, Estadual, Militar, Elei-toral, do Trabalho) e os Superio-res (os Supremos Tribunais).

    Mediador de conflitosPara alguns pensadores, o Estado tambm pode ser considerado como um mediador de conflitos. Sob esse ponto de vista, os se-res humanos se encontrariam, a princpio, em um estado de na-tureza, ou seja, seriam comple-tamente livres e com o nico de-ver de sobreviver, prevalecendo nesse contexto relaes regidas pela lei do mais forte. Entre-tanto, como nenhum ser huma-no tem fora suficiente para ga-rantir por si s o seu bem-estar, ele acaba tendo que estabelecer acordos com outros indivduos, de forma a construir uma coe-xistncia pacfica.

    Dito de outra forma, poder-amos entender que, a partir de um determinado momento, os obstculos sobrevivncia no estado de natureza ultrapassam as possibilidades de cada pessoa, obrigando-as a agir em conjunto. Da competio natural, passa-se ento para a cooperao, criada a partir do pacto entre os mem-bros de uma comunidade ou so-ciedade. Nesse contrato, cada ser humano abdicaria de parte de sua autonomia individual em benefcio da estabilidade da vida

    Conselhos de polticas pblicas como os conselhos dos direitos da criana e do adolescentes, os de assistncia social e os de edu-cao, por exemplo so espaos legtimos de que a sociedade civil dispe para incidir politicamente no mbito das aes governamentais. Ou seja, para exercer seu poder de acompanhar a produo dos repre-sentantes eleitos, de dialogar com a estrutura das prefeituras e cmaras municipais, de deliberar sobre as verbas em diferentes reas de pol-ticas pblicas, de propor e influen-ciar as leis e a administrao das ci-dades. Os contedos apresentados nesta publicao procuram contri-buir para o fortal