Orçamento Público e Democracia Direta - ceapg.fgv.br ?· Orçamento Público no Brasil *1939 Poder…

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Oramento Pblico e Democracia DiretaAmrico Sampaio 30/10/17

A Histria do Oramento Pblico Magna Carta (Inglaterra,1215) Restrio da tributao ao Conselho Comum do Reino Bill of Rights, (Inglaterra,1689) InsKtui que a arrecadao da receita real deveria ser previamente

autorizada pelo Parlamento (Cmara dos Lordes e Cmara dos Comuns)

ConsKtuio Francesa (Frana, 1789) A Assembleia Nacional estabeleceu que cabia aos representantes

do povo a votao dos impostos a serem pagos pela sociedade Assembleia da Virgnia (EUA, 1765) Somente a Assembleia Geral da Colnia tem o direito e o poder de

exigir impostos dos seus habitantes

ConsKtuies Quem Elabora Quem Aprova Quem Fiscaliza Observaes

1824 Poder ExecuKvo Poder LegislaKvoCmara dos Deputados

Chegada de D. Joo VI colnia (1808) caracterizou uma melhor organizao das finanas e o disciplinamento dos tributos brasileiros. Foram elas: a criao do regime de

contabilidade pblica, do Errio Pblico (Tesouro), e do Conselho Real da Fazenda e trs contadorias.

1892 Poder LegislaKvo Poder LegislaKvo Tribunal de Contas da Unio (TCU)

A elaborao do Oramento passa a ser do Congresso Nacional, mas na prKca o Ministro da Fazenda extra-oficialmente orientava sua elaborao. Para a fiscalizao do Oramento, foi ao mesmo tempo criado o Tribunal de Contas da Unio (TCU) -

"mediador independente".

*1922 Poder ExecuKvo Poder LegislaKvo

Aaprovado pelo Congresso Nacional o Cdigo de Contabilidade da Unio, definindo que o ExecuKvo forneceria ao LegislaKvo todos os elementos para que o Parlamento definisse

o oramento. *No uma consKtuio

1934 Poder ExecuKvo Poder LegislaKvo

Congresso Nacional (com apoio do Tribunal

de Contas da Unio (TCU))

A nova ConsKtuio reKra a autonomia dos Estados o Governo federal volta a dominar a maior parte das funes pblicas. A iniciaKva da elaborao da proposta oramentria

volta a ser do presidente da Repblica, a ao Congresso Nacional cabe votar a proposta. A fiscalizao das contas pblicas torna-se responsabilidade do poder legislaKvo, com o

auxlio do Tribunal de Contas da Unio (TCU)

1937 Poder ExecuKvo Poder ExecuKvo

Segundo a nova ConsKtuio, a proposta oramentria seria elaborada por um departamento administraKvo a ser criado junto Presidncia da Repblica e votada pela

Cmara dos Deputados e pelo Conselho Federal, mas essas duas cmaras legislaKvas nunca foram

instaladas e o oramento federal era elaborado e decretado pelo chefe do poder ExecuKvo.

Oramento Pblico no Brasil

Oramento Pblico no Brasil

*1939 Poder ExecuKvo Poder ExecuKvo

O regime estado-novista promulgou o Decreto-lei 1.202, que acabava com a autonomia dos

Estados e Municpios e transferiu ao presidente da Repblica a prerrogaKva de nomear os

governadores estaduais e a esses a nomeao dos prefeitos. *No uma consKtuio

1946 Poder ExecuKvo Poder LegislaKvo

Tribunal de Contas da Unio (TCU)

A ConsKtuio de 1946 estabeleceu a elaborao oramentria nos moldes da ConsKtuio de 1934: o Poder ExecuKvo elaborava o projeto de lei oramentria

e a discusso e votao acontecia no Poder LegislaKvo por meio de emendas. O papel do Tribunal de Contas foi resgatado e tambm melhor definido. E foi tambm

padronizado o modelo oramentrio para os trs nveis de governo.

1967 Poder ExecuKvo Poder LegislaKvo

A ConsKtuio de 1967 reKrou a prerrogaKva do LegislaKvo de publicar iniciaKva de leis ou

emendas que criassem ou aumentassem despesas, inclusive impedindo emendas ao projeto de lei do oramento.

1969 Poder ExecuKvo Poder ExecuKvo A alterao da ConsKtuio de 1967 (que praKcamente uma nova consKtuio), limitou a capacidade de iniciaKva do LegislaKvo em leis que gerassem despesas e

emendas que alterassem o oramento proposto pelo ExecuKvo.

1988 Poder ExecuKvo Poder LegislaKvo

Tribunal de Contas da Unio (TCU)

Criou a exigncia de, anualmente, o ExecuKvo encaminhar ao LegislaKvo, o projeto de lei de diretrizes oramentrias com o objeKvo de orientar a elaborao da lei

oramentria, estabelecendo a dinmica do oramento pblico como conhecemos hoje.

Evoluo dos conceitos de Oramento Pblico

Oramento TradicionalProcesso oramentrio em que apenas uma dimenso do oramento explicitada: o objeto do gasto. Nele constava apenas a fixao da despesa e a previso da receita, sem detalhar as aes do governo. O documento prev a receita e de autoriza a despesa. No define a realizao dos programas de trabalho do governo. No estabelece objeKvo e metas a serem aKngidos.

Oramento de desempenhoSucessor do oramento tradicional, o gestor pblico passa a se preocupar com o resultado dos gastos e no apenas com o gasto em si, no entanto, essa modalidade de oramento estava desvinculada de um planejamento central das aes do governo.

Oramento-ProgramaO oramento - programa foi introduzido no Brasil atravs da Lei 4320/64 e do decretolei 200/67. O oramentoprograma pode ser entendido como um plano de trabalho, um instrumento de planejamento da ao do governo, atravs da idenKficao dos seus programas de trabalho, projetos e aKvidades, alm dos estabelecimentos de objeKvos e metas a serem implementados, bem como a previso dos custos relacionados. A CF/88 implantou definiKvamente o oramento-programa no Brasil, ao estabelecer a normaKzao da matria oramentria atravs do Plano Plurianual - PPA, da Lei de Diretrizes Oramentrias - LDO e da Lei Oramentria Anual - LOA, ficando evidente o extremo zelo do consKtuinte para com o planejamento das aes do governo.

Evoluo dos conceitos de Oramento Pblico

Oramento de base zero ou por estratgiaTcnica uKlizada para a confeco do oramentoprograma, que consiste basicamente em uma anlise crKca de todos os recursos solicitados pelos rgos governamentais. Neste Kpo de abordagem, na fase de elaborao da proposta oramentria, haver um quesKonamento acerca das reais necessidades de cada rea, no havendo compromisso com qualquer montante inicial de dotao. Os rgos governamentais devero jusKficar anualmente, na fase de elaborao da sua proposta oramentria, a totalidade de seus gastos, sem uKlizar o ano anterior como valor inicial mnimo.

Oramento ParKcipaKvoCaracteriza-se por uma parKcipao direta e efeKva das comunidades na elaborao da proposta oramentria do governo. Oramento ParKcipaKvo (OP) um mecanismo governamental de democracia parKcipaKva que permite aos cidados influenciar ou decidir sobre os oramentos pblicos, geralmente o oramento de invesKmentos de prefeituras municipais, atravs de processos de parKcipao cidad. Esses processos costumam contar com assemblias abertas e peridicas e etapas de negociao direta com o governo.

Bases do Oramento Pblico InvesKmento pblico > Tributao Tributao > InvesKmento pblico Funo Estatal: AlocaKva - alocar recursos em produtos ou servios que no

sejam rentveis iniciaKva privada (Ex. reas de transporte, energia, comunicaes )

DistribuKva - Promover ajustamentos na distribuio de renda entre os diferentes setores da populao

Estabilizadora - GaranKr: (a) manuteno de elevado nvel de emprego, (b) estabilidade nos nveis de preos, (c) equilbrio no balano de pagamentos, e (d) razovel taxa de crescimento econmico.

Bases do Oramento Pblico

Demanda Agregada

ConsumoProduo

Funes do Oramento Pblico O que : O oramento pblico um instrumento de: Planejamento - determina prioridades do governo Transparncia - permite o combate corrupo PolPco - permite controle do ExecuPvo pelo LegislaPvo e pela

sociedade DemocrPco - possibilita sociedade conhecer e fazer presso sobre a

arrecadao e gastos pblicos Gesto de PolPcas Pblicas Define o quanto de recursos pblicos ser

desPnada a cada uma das polPcas pblicas, por quanto tempo e para qual funo

Funes do Oramento Pblico

Como Funciona: Plano Plurianual - PPA O PPA a lei que define as prioridades do Governo pelo perodo de 4 (quatro) anos. Esta lei entra em vigor a parPr do 2 ano de uma gesto at o 1 ano de outra gesto O execuPvo tem que enviar o projeto de lei do PPA para anlise do legislaPvo at 30 de setembro do seu 1 ano de mandato O PPA define o estabelecimento, de forma regionalizada, das diretrizes, objePvos e metas da administrao pblica para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as

relaPvas aos programas de durao conPnuada

Nenhum invesPmento cuja execuo ultrapasse um exerccio financeiro poder ser iniciado sem prvia incluso no plano plurianual, ou sem lei que autorize a incluso sob pena de crime de responsabilidade

Lei de Diretrizes Oramentrias LDO A LDO estabelece as metas e prioridades para o exerccio financeiro subsequente, orienta a elaborao do Oramento (Lei Oramentria Anual), dispe sobre alteraes na

legislao tributria e estabelece a polPca de aplicao das agncias financeiras de fomento

A LDO a lei anterior lei oramentria, que define as metas e prioridades em termos de programas a executar pelo Governo e nela devero constar: os limites para elaborao das propostas oramentrias dos Poderes LegislaPvo, Judicirio e do Ministrio Pblico; a autorizao especfica para a concesso de qualquer vantagem ou aumento de remunerao, a criao de cargos ou alterao de estrutura de carreiras, bem como a admisso de pessoal, a qualquer htulo, pelos rgos e enPdades da administrao direta e indireta, ressalvadas as empresas pblicas e sociedades de economia mista

O execuPvo tem que enviar o projeto de lei da LDO para anlise do legislaPvo at 30 de abril de cada ano. No caso de So Paulo a Lei Orgnica do Municpio determina que o projeto da LDO deve ser enviado at 15 de abril. Votao at 30 de junho

Lei de Oramento Anual LOA A Lei Oramentria Anual disciplina todos os programas e aes do Governo pblico no exerccio. Nenhuma despesa pblica pode ser executada sem estar consignada no

Oramento

A Lei Oramentria Anual esPma as receitas e autoriza as despesas do Governo de acordo com a previso de arrecadao. Se durante o exerccio financeiro houver necessidade de realizao de despesas acima do limite que est previsto na Lei, o Poder ExecuPvo submete ao LegislaPvo um novo projeto de lei solicitando crdito adicional.

O execuPvo tem que enviar o projeto da LOA at 30 de setembro.

Ciclo do Planejamento Oramentrio

Ciclo do Planejamento Oramentrio

Cronograma do Planejamento Oramentrio

Anlise das Receitas no Oramento

O QUE SO: Imposto Tributo obrigatrio cobrado pela Unio, estados e municpios, que devem

reverter a comunidade sob forma de interesse geral (educao, sade, transporte, etc.)

Taxas Tributo discricionrio cobrado pela Unio, estados e municpios, pela

prestao de servios populao (Ex.taxa do lixo) Tarifas Pagamento de servio prestado pelo Poder Pblico ou concessionria desse

Poder (Ex. tarifa de gua, de energia eltrica) Contribuies de melhoria Tributo gerado pela valorizao imobiliria, decorrente de obras pblicas

realizadas pelo governo (Ex. construo do metr)

Anlise das Receitas no Oramento

Tributos Municipais:

IPTU Imposto Territorial e Predial Urbano

ISS Imposto sobre Servios

ITBI Imposto de Transmisso de Bens Intervivos

Taxas ex: limpeza pblica

Contribuies de Melhoria

Tributos Estaduais:

ICMS Imposto sobre Circulao de Mercadorias (25% deste imposto redistribudo aos municpios)

IPVA Imposto sobre Proprietrios de Veculos Automotores (50% se desKna ao municpio arrecadador)

Tributos Federais:

FPM Fundo de ParKcipao dos Municpios (Formado por 23,5% do IPI e do IR e tambm repassado aos Estados e Municpios)

IR Imposto de Renda ReKdo na Fonte

ITR Imposto Territorial Rural

Anlise das Receitas no Oramento

Receitas Correntes (receitas que apenas aumentam o patrimnio no duradouro do Estado, isto , que se esgotam dentro do perodo anual):

Tributria Que envolve os impostos, taxas e contribuies de melhoria, ou seja, uma receita privaPva das enPdades invesPdas com o poder

de tributar (Ex. IPTU, Taxa do Lixo, ISS e etc.) Patrimonial Oriunda da explorao econmica do patrimnio da insPtuio, especialmente juros, aluguis, dividendos, etc. Agropecuria Decorre da explorao econmica de aPvidades agropecurias: Agricultura, pecuria, silvicultura Industrial Derivada de aPvidades industriais: ExtraPva mineral, de transformao, de construo e de servios industriais de uPlidade pblica

(energia eltrica, gua, e esgoto, limpeza pblica e remoo de lixo)

Servios Decorre de aPvidades como: comrcio, transportes, comunicao, servios hospitalares, armazenagem, servios educacionais,

culturais, recreaPvos, etc. Transferncias Correntes So os recursos financeiros recebidos de pessoas jurdicas ou osicas (Ex. ICMS, IPVA, FPM) Outras Receitas Correntes Envolvem diversas outras receitas no enquadradas nas classificaes anteriores: multas, juros de mora, indenizaes e receitas

diversas (rendas de loterias, receitas de cemitrios e etc.)

Anlise das Receitas no Oramento

Receitas de Capital (receitas que alteram o patrimnio duradouro do estado: Operaes de Crdito Envolvem a captao de recursos para atender desequilbrios oramentrios ou, ainda, financiar

empreendimentos pblicos

Alienao de Bens Envolve o resultado obPdo com a alienao de bens patrimoniais: aes, htulos, bens mveis e

imveis, etc.

AmorKzao de EmprsKmos Nos casos em que a enPdade concede emprsPmos, o ingresso proveniente da amorPzao dos

mesmos caracteriza uma receita de capital

Transferncias de Capital Similar s Transferncias Correntes, as receitas de Transferncias de Capital tm como critrio bsico

de classificao a desPnao, isto , devem ser aplicadas em Despesas de Capital

Outras Receitas de Capital Envolvem as Receitas de Capital no classificveis nas outras fontes, como, por exemplo, a indenizao

que a Petrobrs paga aos Estados e Municpios pela extrao de petrleo, xisto e gs

Anlise das Receitas no Oramento

Codificao da Natureza da Receita e seu detalhamentoNa elaborao do oramento pblico a codificao oramentria da natureza da receita composta dos nveis abaixo: 1 Nvel Categoria Econmica: corrente ou capital 2 Nvel Subcategoria Econmica: Kpo da receita (Ex. tributria,

patrimonial, etc.) 3 Nvel Fonte: Kpo do tributo (Ex. impostos, taxas ou

contribuies de melhoria) 4 Nvel Rubrica: detalhamento das espcies de receita (Ex.

impostos sobre o Patrimnio e a Renda) 5 Nvel Alnea: nome da receita propriamente dita (Ex. imposto

sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) 6 Nvel Subalnea: nvel mais analKco da receita quando

necessrio (Ex. imposto sobre a Propriedade Predial)

Anlise das Receitas no Oramento

Exemplo 1:

1.1.1.2.02.01 Imposto sobre a Propriedade Predial (Parte do IPTU)

1 dgito = Receita Corrente 1 (Categoria Econmica) 2 dgito = Receita Tributria 1 (Subcategoria Econmica) 3 dgito = Receita de Impostos 1 (Fonte) 4 dgito = Imposto sobre o Patrimnio e a Renda 2

(Rubrica) 5 e 6 dgitos = Imposto so...

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