Orçamento Público

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<p>Oramento Pblico: Conceito. Princpios oramentrios. Receitas e despesas extraoramentrias. 3 Oramentoprograma: conceitos e objetivos. 4 Oramento na Constituio Federal</p> <p>Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecero : I - o plano plurianual; II - as diretrizes oramentrias; III - os oramentos anuais. 5 - A Lei Oramentria Anual compreender : I - o Oramento Fiscal referente aos Poderes da Unio, seu s fundos, rgos e entidades da administrao direta e indireta, inclusive fu ndaes institudas e mantidas pelo Poder Pblico; II - o Oramento de Investimento das empresas em que a Unio, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III - o Oramento da Seguridade Social , abrangendo todas as entidades e rgos a ela vinculados, da administrao direta ou indireta, bem como os fundos e fundaes institudos e mantidos pelo Poder Pblico.</p> <p> 6 - O projeto de lei oramentria ser acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenes, anistias, remisses, subsdios e benefcios de natureza financeira, tributria e creditcia. 7 - Os oramentos previstos no 5, I e II , deste artigo, compatibilizados com o plano plurianual , tero entre suas funes a de reduzir desigualdades inter-regionais, segundo critrio populacional. Assim, para atender a todas essas atividades, decorrentes de suas obrigaes constitucionais, o Estado necessita: Obter Receitas Pblicas; Criar Crdito Pblico (endividamento); Planejar e Gerir Oramento Pblico; e Despender Despesa Pblica (Corrente/Investimento) .4.2 - CONCEITOS E PRINCPIOS O oramento pode ser definido como um instrumento de planejamento da ao governamental, composto das despesas fixadas pelo Poder Legislativo , autorizando o Poder Executivo a realizlas durante um exerccio financeiro, mediante a arrecadao de receitas suficientes e previamente estimadas. E ainda, segundo Aliomar Baleeiro, o oramento considerado o ato pela qual o Poder Legislativo prev e autoriza o Poder Executivo, por certo perodo e em pormenor, as despesas destinadas ao funcionamento dos servios pblicos e outros fins adotados pela poltica econmica ou geral do pas, assim como a arrecadao d as receitas j criadas em lei. Convm esclarecer que o oramento no fonte geradora de recursos. O seu principal reflexo se d na redistribuio de riquezas disponveis na sociedade e arrecadadas pelo Estado por meio do Sistema Tributrio Nacional . Assim sendo, ademais de ser um instrumento de carter da vontade popular, justificada pela atuao do Poder Legislativo nas fases de aprovao e controle , o oramento deve contribuir com a reduo das desigualdades da sociedade, uma vez que se reveste em instrumento de planejamento das aes governamentais, possibilitando a distribuio de riquezas. O Oramento Pblico, em sentido amplo, um documento legal (aprovado por lei) contendo a previso de receitas e a estimativa de despesas a serem realizadas por um Governo em um determinado exerccio (geralmente um ano) . Ao longo da vigncia das sete Constituies brasileiras (1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988), de acordo com as caractersticas que determinam a maneira pela qual o oramento elaborado , pode-se dizer que o Brasil vivenciou trs tipos de oramento :</p> <p>- Legislativo: utilizado em pases parlamentaristas, no qual a Elaborao, a Votao e a Aprovao do oramento so de competncia do Poder Legislativo , cabendo ao Executivo a sua execuo (Constituio de 1891); - Executivo: utilizado em pases onde impera o poder absoluto, no qual a Elaborao, a Votao, a Execuo e o Controle do oramento so de competncia do Poder Executivo (Constituio de 1937); - Misto: utilizado em pases cujas funes legislativas so exercidas pelo Congresso ou Parlamento, sendo sancionado pelo Chefe do Poder Executivo . Sendo a Elaborao e a Execuo da competncia do Poder Executivo, cabendo ao Poder Legislativo a sua Votao e Controle. o tipo atualmente utilizado no Brasil ( Constituies 1934, 1946, 1967 e 1988); Alm disso, o oramento poder ser observado sob diversas ticas , a saber: - Jurdica: o oramento uma lei formal. Dessa forma, a dimenso jurdica aquela em que se define ou integra a lei oramentria no conjunto de leis do pas; - Econmica: caracterstica que atribui ao oramento, enquanto plano de ao governamental, o poder de intervir na atividade econmica, propiciando a gerao de emprego e renda, em funo d os investimentos que podem ser previstos e realizados pelo setor pblico; - Financeira: representa o fluxo financeiro gerado pelas entradas de recursos obtidos com a arrecadao de receitas e os dispndios com as sadas de recursos proporcionados pelas despesas, evidenciando a execuo oramentria; - Poltica: corresponde definio de prioridades, visando incluso e realizao de programas governamentais no plano de ao ou oramento a ser executado, devendo sempre compreender a ao poltica na defi nio de prioridades, bem como a concepo e ideologia do partido poltico detentor do poder; - Tcnica: conjunto de regras e formalidades tcnicas e legais exigidas na elaborao, aprovao, execuo e no controle do oramento, no devendo ser confundida com a dimenso jurdica, mas sim complementar a ela. Cumpre ressaltar que o ordenamento jurdico brasileiro trata o oramento como Lei, prevista no art. 165 da CF/88. Dessa forma tm-se as seguintes caractersticas dessa Lei : - Formal: uma Lei que, contu do, por vezes, deixa de apresentar o requisito essencial da coercibilidade porque no obriga o Poder Pblico que pode deixar de executar uma despesa autorizada pelo Legislativo. O oramento brasileiro um instrumento de planejamento autorizativo, e no impositivo; - Temporria: possui vigncia limitada (1 ano civil); - Especial: a lei oramentria possui processo legislativo diferenciado e de tramitao peculiar (art. 166, e inc. I, CF/88); e - Ordinria: no exige quarum qualificado para a sua aprovao , sendo aprovada por maioria simples. Tal caracterstica abrange as leis do PPA, LDO, bem como dos Crditos Suplementares e Especiais. Os primeiros Oramentos que se tm notcia eram os chamados Oramentos Tradicionais, que se importavam apenas com o gasto (nfase no gasto). Eram meros documentos de previso de receita e autorizao de despesas sem nenhum vnculo com um sistema de planejamento governamental. Simplesmente se fazia uma estimativa de quanto se ia arrecadar e decidia -se o que comprar, sem nenhuma prioridade ou senso distributivo na alocao dos recursos pblicos. O Oramento evoluiu ao longo da histria para um conceito de Oramento-Programa, segundo o qual o Oramento no apenas um mero documento de previso da arrecadao e autorizao do gasto, mas um documento legal que contm programas e aes vinculados a um processo de planejamento pblico , com objetivos e metas a alcanar no exercc io (a nfase no OramentoPrograma nas realizaes do Governo). 4.2.1 PRINCPIOS: Princpios Oramentrios: Conceito: Segundo o Prof. Francisco Jos Carrera Raya (Manual de Derecho Financiero, volumen III, Madrid, Editorial Tecnos, 1995), os "principios presupuestarios" constituem um "conjunto de regras jurdicas que devem inspirar a elaborao, aprovao, execuo e controle do oramento".</p> <p>A concepo moderna dos chamados "princpios oramentrios" compreende regras flexveis, ou seja, que admitem excees. Em concursos pblicos, muito provavelmente, ser exigido do candidato o conhecimento das excees. 1. PRINCPIO DA UNIDADE: O oramento deve constar de uma pea nica Fundamento legal: Art. 2, Lei n 4.320/64 Observao: Cada esfera de governo deve possuir apenas 1 oramento. O princpio da unidade no significa que deve existir apenas um oramento aplicvel para todos os entes federados. Unidade oramentria x Unidade de Caixa[1] Excees: Entidades Paraestatais dotadas de Autonomia Financeira (ex. Empresas estatais - apenas os seus investimentos devem constar da Lei Oramentria Anual. O Plano de Dispndios Globais (PDG), ato infralegal, constitui o oramento das empresas estatais abrangendo tambm as despesas de custeio). Questo: A existncia do oramento fiscal, da seguridade social e o de investimentos das estatais viola o princpio da unidade? 2. PRINCPIO DA TOTALIDADE ORAMENTRIA: Admite a coexistncia de diversos oramentos, os quais, entretanto, devero receber consolidao para que o governo tenha uma viso geral do conjunto das finanas pblicas. O autor James Giacomonni sustenta que a CF/88 estabelece que a LOA respeita o princpio da totalidade oramentria, pois os trs oramentos (Fiscal, Seguridade Social e Investimento das Estatais) so elaborados de forma independente sofrendo, contudo, consolidao que possibilita o conhecimento do desempenho global das finanas pblicas. 3. PRINCPIO DA UNIVERSALIDADE: O oramento (uno) deve conter todas as receitas e todas as despesas do Estado. Art. 2, Lei n 4.320/64 Art. 3 e 4, da Lei n 4.320/64 Art. 165, 5, CF/88 Excees: Vide as excees do Princpio da Unidade. Por exemplo, as receitas e despesas operacionais das estatais no esto contidas no Oramento de Investimentos das Estatais, que compe a LOA. 4. PRINCPIO DO ORAMENTO BRUTO: (corolrio do princpio da universalidade): Todas as parcelas da receita e da despesa devem aparecer no oramento em seus valores brutos, sendo vedada qualquer deduo. Art. 6, da Lei n 4.320/64 Existem despesas que, ao serem realizadas, geram receitas ao Ente Pblico. Por outro lado, existem receitas que, ao serem arrecadadas, geram despesas. O princpio do oramento bruto veda que as despesas ou receitas sejam includas no oramento, nos seus montantes lquidos. Exemplo: No exemplo abaixo, no poder ser includa, no oramento, somente a Despesa Pessoal Lquida (R$ 700.000,00), mas devero ser previstas as receitas de IRRF e a da Contribuio Social e autorizada a Despesa de Pessoal Bruta (R$ 1.000.000,00). Realizao da Despesa de Pessoal Valor (R$) Despesa de Pessoal Bruta (+) R$ 1.000.000,00</p> <p>Receita de IRRF (-) R$ 200.000,00 Receita de Contribuies Sociais (-) R$ 100.000,00 Despesa de Pessoal Lquida (=) R$ 700.000,00 5. PRINCPIO DA ANUALIDADE (OU PERIODICIDADE): O oramento autoriza a realizao das despesas por um perodo (exerccio financeiro). Os crditos oramentrios tem vigncia durante o perodo fixado. No Brasil, o exerccio financeiro coincidir com o Ano Civil (art. 34, Lei n 4.320/64). A no coincidncia do exerccio financeiro com o ano civil no implica em violao o princpio da anualidade. Existem Estados em que o oramento tem vigncia iniciando-se em 01.Ago.X1 e terminando em 31.07.X2, sem que se possa falar em violao ao princpio da anualidade. A existncia do PPA tambm no viola o princpio da anualidade. O PPA, segundo JAMES GIACOMONNI, no tem carter autorizativo, mas informativo. 6. PRINCPIO DA NO AFETAO OU NO VINCULAO Art. 167, IV, CF/88 - veda a vinculao de impostos rgo, fundo ou despesa. Art. 167 - So vedados: IV - a vinculao de receita de impostos a rgo, fundo ou despesa, ressalvadas a repartio do produto da arrecadao dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinao de recursos para as aes e servios pblicos de sade, para manuteno e desenvolvimento do ensino e para realizao de atividades da administrao tributria, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, 2, 212 e 37, XXII, e a prestao de garantias s operaes de crdito por antecipao de receita, previstas no art. 165, 8, bem como o disposto no 4 deste artigo; Excees: a) Repartio dos impostos cf. arts. 158/159, CF/88; b) Destinao de recursos para a Sade; c) Destinao de recursos para o desenvolvimento do ensino; d) Destinao de recursos para a atividade de administrao tributria; e) Prestao de garantias s operaes de crdito ARO; f) Art. 167, 4, CF/88 - garantia, contragarantia Unio e pagamento de dbitos para com esta. No tocante a este Princpio, convm esclarecer que os impostos so tributos destinados a cobertura dos Servios Pblicos Gerais "Uti universi". FUNDOS: FORMAS DE VINCULAO Art. 71, Lei n 4.320/64: Constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que, por lei, se vinculam realizao de determinados objetivos ou servios. Art. 167, IX, CF/88 - Vedao instituio de fundos de qualquer natureza sem autorizao legislativa. 7. PRINCPIO DA DISCRIMINAO OU ESPECIFICAO: discriminao ou detalhamento das receitas e despesas no oramento. Art. 5, Lei n 4.320/64: Vedao s dotaes globais destinadas a atender indiferentemente as despesas de pessoal, materiais e servios de terceiros, etc. As entidades pblicas podem realizar detalhamentos ainda maiores que os da Lei.</p> <p>8. PRINCPIO DA EXCLUSIVIDADE Art. 165, 8, CF/88 e art. 7, da Lei n 4.320/64. Regra: Matrias Exclusivas da LOA: Fixao da Despesa + Previso da Receita Excees: a) autorizao para a abertura de crditos suplementares; b) autorizao para a realizao de operaes de crdito, ainda que por antecipao de receita oramentria. Finalidade: Evitar as chamadas "caudas oramentrias", comuns na poca da 1a. Repblica. 9. PRINCPIO DO EQUILBRIO: Receita Prevista = Despesa Fixada CF/88 - Preocupao com o dficit corrente Art. 167, III, CF/88 (REGRA DE OURO): Veda a realizao de operaes de crdito que excedam o montante das despesas de capital. Exceo: operaes de crdito autorizadas mediante crditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta; Finalidade: Evitar que as operaes de crdito (receitas de capital) sejam usadas para financiar despesas correntes (custeio, despesas com manuteno das atividades, etc.). Receitas Correntes + Receitas de Capital = Despesas Correntes + Despesas de Capital. 10. PRINCPIO DA CLAREZA: O oramento deve ser apresentado em linguagem clara e compreensvel para todas as pessoas que necessitam, de alguma forma, manipul-lo. 11. PRINCPIO DA PUBLICIDADE: Publicidade Formal: Publicao no Dirio Oficial 12. PRINCPIO DA EXATIDO: Preocupao com a realidade. Incide sobre os setores encarregados da estimativa de receitas e dos setores que solicitam recursos para a execuo das suas atividades/projetos. 13. PRINCPIO DA PROGRAMAO: O oramento deve expressar as realizaes e objetivos da forma programada. [1] O princpio da unidade de caixa estabelece que todas as receitas devem ser recolhidas em uma nica conta. Vide art. 56, da Lei n 4.320/64 (veda a fragmentao no recolhimento das receitas) e art. 43, 1, da Lei Complementar n 101/2000 (estabelece, entretanto, que as disponibilidades de caixa relativas Seguridade Social devero ser apartadas das demais disponibilidades do ente pblico). Existem princpios bsicos que devem ser seguidos na elaborao e execuo do oramento, que esto definidos na Constituio Federal, na Lei n 4.320, de 17 de maro de 1964, no Plano Plurianual e na Lei de Diretrizes Oramentrias. A Lei n 4.320/64 estabelece os fundamentos da transparncia oramentria (art.2): "A Lei do Oramento conter a discriminao da receita e despesa, de forma a evidenciar a poltica econmico-financeira e o programa de trabalho do governo , obedecidos os princpios da unidade, universalidade e anualidade". Na literatura oramentria encontramos a exposio de 15 (quinze) princpios norteadores do processo de Elaborao, Aprovao , Execuo e Controle do oramento , encontrado...</p>