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    Londrina PR, de 04 a 07 de Julho de 2017.

    II CONGRESSO INTERNACIONAL DE POLTICA SOCIAL E SERVIO SOCIAL:

    DESAFIOS CONTEMPORNEOS III SEMINRIO NACIONAL DE TERROTRIO E GESTO DE POLITICAS SOCIAIS

    II CONGRESSO DE DIREITO CIDADE E JUSTIA AMBIENTAL

    Gesto de Polticas Sociais

    Oramento participativo: um mecanismo de participao e controle social na gesto de polticas sociais.

    Dborah de Meira Mlaque 1

    Resumo: Esta pesquisa tem por escopo examinar como oramento participativo pode ser usado como um instrumento de participao e controle social na gesto de polticas sociais. Neste intuito, apresenta-se uma viso de oramento pblico e suas finalidades, para ento, discutir acerca da implantao do oramento participativo e como o mesmo pode ser til na gesto de polticas sociais. O mtodo de abordagem ser o dedutivo, com o procedimento de pesquisa bibliogrfica. As concluses indicam que havendo a vontade poltica na introduo do oramento participativo, aliado ao interesse da populao com as decises pblicas, haver maior desenvolvimento das polticas sociais locais.

    Palavras-chave: Oramento participativo; Controle social; Participao social; Gesto; Polticas sociais.

    Abstract: This research aims to examine how participatory budgeting can be used as an instrument of participation and social control in the management of social policies. In this sense, a public budget vision and its purposes are presented, to discuss the implementation of the participatory budget and how it can be useful in the management of social policies. The method of approach will be the deductive, with the bibliographic search procedure. The conclusions indicate that if there is the political will in the introduction of the participatory budget, together with the interest of the population with public decisions, there will be further development of local social policies.

    Key-words: Participatory budgeting; Social control; Social participation; Management; Social politics. .

    1 Mestranda em Direito Negocial pela Universidade Estadual de Londrina-PR (UEL). Bolsista CAPES.

    Especialista em Direito e Processo do Trabalho pela Faculdade Arthur Thomas de Londrina-PR (FAAT). Brasil.

    Email: deborahdemeira@gmail.com

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    Londrina PR, de 04 a 07 de Julho de 2017.

    1. INTRODUO

    Para um bom desempenho da administrao pblica no que tange eleio e aplicao

    de polticas sociais, o oramento pblico deve estar inserido em um processo de

    planejamento eficaz e bem direcionado.

    Diante de uma diversidade de urgncias e necessidades que a populao vivencia em suas

    comunidades, a possibilidade de uma comunicao direta entre estes cidados e o poder

    pblico se mostra como uma alternativa relevante para a soluo de problemas.

    vista disso, esta investigao se prope a refletir como o oramento participativo pode

    direcionar os cidados a uma participao e a um controle no que se refere s polticas

    sociais. Parte-se da premissa que, com a consolidao do oramento participativo, a

    tendncia natural caminha para a diminuio do poder da elite burocrtica e o seu retorno

    ao povo. O repasse de informaes oramentrias e prestao de contas para uma

    discusso direta com a populao, reflete a transparncia e possibilidade de participao

    popular. Ademais, diante dos dados indicados pela administrao, a sociedade estar apta a

    efetuar um controle concreto na gesto pblica.

    Assim, haver um ganho visvel para a comunidade local por meio de um maior

    direcionamento dos recursos pblicos para os direitos sociais, o que justifica a relevncia da

    temtica.

    A metodologia aplicada nesta pesquisa ser a bibliogrfica, com o exame de obras que

    debatem o assunto, para enriquecer os debates e auxiliar no processo de compreenso do

    oramento participativo e seus reflexos na gesto de polticas sociais.

    2. CONCEITO E EVOLUO DE ORAMENTO PBLICO E ORAMENTO PARTICIPATIVO

    Durante o processo de expanso e consolidao da democracia nas sociedades, os

    indivduos perderam seu poder e capacidade de interveno direta nas questes ligadas

    vida pblica. A expanso dos Estados, as diversidades culturais e a influencia dos

    detentores de grandes fortunas, repeliram a participao democrtica dos indivduos.

    A burocracia hierrquica e especializada passou a controlar as arenas poltica,

    administrativa, militar e cientfica, em razo da grande ampliao das demandas que se

    tornaram polticas, tais como sade, educao, previdncia social etc., e, alm disso, uma

    burocracia especializada estaria mais preparada do que o indivduo comum para lidar com

    essas questes. (AVRITZER, 2002, p. 564,565).

    No se pode deixar de mencionar que uma forte tradio de poltica autoritria,

    especialmente no Brasil, afastou a populao da esfera pblica. Os modelos oligrquicos e

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    patrimonialistas de dominao acabaram por marginalizar as classes populares de uma

    participao mais efetiva nas instancias decisrias.

    Dentro deste panorama, o oramento pblico firmou-se como uma expresso de

    clientelismo das decises pblicas, restringindo o poder decisrio sobre a distribuio de

    recursos a uma elite poltica.

    Entrementes, a existncia de um oramento vem da necessidade imperiosa de manuseio de

    todos os dados disponveis para a destinao de recursos financeiros para definio de

    prioridades. Tais atividades, frequentemente utilizadas em mbito privado, so de grande

    relevncia para a gesto da administrao pblica.

    A ao planejada do Estado, quer na manuteno de suas atividades, quer na execuo de seus projetos, materializa-se atravs do oramento pblico, que o instrumento de que dispe o Poder Pblico (em qualquer de suas esferas) para expressar, em determinado perodo de tempo, seu programa de atuao, discriminando a origem e o montante dos recursos a serem obtivos, bem como a natureza, e o montante dos dispndios a serem efetuados (PISCITELLI, TIMB , 2014, p. 32)

    O oramento pblico despontou como instrumento de controle pelo Poder Legislativo sobre

    a administrao pblica, j que, somente aps a aprovao legislativa, h destinao de

    recursos pblicos. Caso contrrio, estar-se- sujeito ao enquadramento em alguns tipos

    penais, tais como crime contra as finanas pblicas, previsto no art. 359-D do Cdigo Penal;

    crime de ato de improbidade administrativa, previsto no art. 10, IX, da Lei n. 8.429/92; ou

    crime de responsabilidade para autoridades sujeitas Lei 1.079/1950, como Ministros de

    Estado, Governadores, e outras autoridades (LIMA, 2015, p. 105).

    De forma ampla, o conceito de oramento pblico envolve a previso de receitas e a

    estimativa de despesas em um determinado governo, ou seja, um instrumento de

    planejamento das contas pblicas, ou ainda um instrumento de planejamento

    democrtico, pois sua feitura obedece a todo um rito em que opinies pessoais, partidrias,

    grupais se manifestam. (PIRES, 1999, p. 40).

    A partir destas definies, apresenta-se o oramento participativo (OP) como um paradigma

    de participao e controle da comunidade sobre as decises polticas, especialmente de

    cunho social.

    Os primeiros indcios da configurao de um oramento participativo se deram durante o

    regime militar no Brasil, onde foram vivenciadas experincias de participao popular na

    gesto pblica com alguns municpios governados pelo ento MDB Movimento

    Democrtico Brasileiro. Euzineia Carlos (2007, p. 58) destaca as cidades de Boa Esperana

    (ES), Lages e Joinville (SC) e Osasco (SP), que ainda na dcada de 70, deram passos na

    direo dos ideais do oramento participativo.

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    Nesse perodo ditatorial, novos atores sociais emergiram para criao de novos espaos e

    formas de participao popular, o que incluam a atuao de movimentos populares e

    instituies da sociedade civil. Assim, o oramento participativo foi parte integrante de

    iniciativas que buscavam tornar a administrao pblica mais malevel participao

    popular.

    Leonardo Avritzer (2002, p. 573) aponta que a efetiva ideia de oramento participativo

    despontou na cidade de Porto Alegre (RS), tendo sido uma resposta a uma proposta de

    conselhos populares feita pelo prefeito Alceu Collares (PDT), em maro de 1986. Entretanto,

    somente em 1989, na administrao de Olvio Dutra, filiado ao Partido dos Trabalhadores

    (PT), o oramento participativo foi efetivamente institudo em Porto Alegre, dando nfase e

    maior espao aos movimentos comunitrios na gesto dos recursos pblicos.

    Porto Alegre tem-se mostrado como ponto de referencia mundial em virtude de sua forte

    tradio democrtica, e sua resistncia aos movimentos ditatoriais sempre se destacaram.

    Em junho de 1996, a chamada administrao popular desta cidade, foi eleita pelas Naes

    Unidas como uma das quarenta inovaes urbanas do mundo, alm de organizar diversas

    conferencias internacionais sobre gesto democrtica (AVRITZER, 2002, p. 460). A

    Prefeitura de Porto Alegre (2016) ainda destaca que o Banco Mundial reconhece este

    processo de participao popular como um exemplo bem-sucedido de ao que comunica

    governo e sociedade civil.

    Evanildo Barbosa da Silva e Ana Cludia Chaves Teixeira (2007, p. 123-124) relatam que,

    no Brasil, a origem do OP est ligada, no mnimo, a trs fatores, quais sejam: novo quadro

    institucional dado pela Carta Magna; histria das organizaes da sociedade civil brasileira

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