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  • ORAMENTO PARTICIPATIVO: alguns motivos pelo baixo ndice de municpios adeptos

    Cleber Broietti1

    RESUMOO oramento participativo um plano de trabalho

    governamental que possibilita a participao e a

    discusso sobre o planejamento do oramento pblico.

    Essa pesquisa teve como objetivo relacionar as cidades

    que atualmente tem implementado em sua gesto poltica

    o programa oramento participativo, e tambm trazer para

    o debate alguns dos motivos pelos quais o programa

    Oramento Participativo no adotado por todos os

    municpios do Brasil: os principais motivos encontrados

    foram: A no condio financeira do municpio em realizar

    exigncias feitas pela sociedade e; simplesmente por uma

    deciso poltica do gestor pblico em no adotar esse

    programa.

    Palavras - chave: Oramento Participativo; Municpios; gesto poltica.

    1 Discente do Curso de Mestrado da Universidade Estadual de Londrina (PPGA-UEL)E-mail: cleberbroietti@uol.com.br

  • 1. INTRODUO

    Quando se fala em democracia logo vem a cabea, a participao de todos

    na tomada de deciso, ou seja, a oportunidade de cada cidado em expressar seu

    desejo, sua afinidade em relao a determinado assunto. A partir da promulgao da

    Constituio Federal de 1988, o povo brasileiro passou a ter direitos de expressar

    suas sugestes nas decises polticas.

    O cidado brasileiro tem o direito e o dever de escolher os seus

    representantes atravs do voto poltico, onde ele escolhe o vereador e o prefeito que

    iro represent-lo perante aos assuntos municipais, escolhe deputado estadual e

    governador para represent-lo perante ao estado, e escolhe presidente, senador e

    deputado federal para represent-lo junto ao pas.

    Porm, no basta simplesmente exercer seu papel de cidado realizando o

    voto no dia da eleio, necessrio acompanhar os trabalhos das pessoas que

    foram eleitas. Existem algumas boas ferramentas j institucionalizadas dentro do

    poder pblico que possibilitam o acompanhamento da ao dos polticos eleitos.

    Uma delas foi criada em 1989 na cidade de Porto Alegre e recebeu o nome

    de Oramento Participativo, nesse ano a cidade era administrada pelo Partido dos

    Trabalhadores (PT), segundo (Cavalcante, 2007) o oramento participativo uma

    ferramenta que os municpios usam para diminuir a descrena da populao em

    relao a legitimidade do sistema poltico.

    Diante desse cenrio, aflora a seguinte questo: Porque nas vsperas de

    completar 25 anos o oramento participativo no adotado por todos os municpios

    no Brasil?

    O artigo tem como objetivo relatar a importncia do oramento participativo

    nas cidades brasileiras, identificar a quantidade de municpios que atualmente

    utilizam essa ferramenta de participao social, alm de levantar a discusso sobre

    os motivos que levam aos gestores municipais no adotarem esse instrumento de

    gesto municipal.

    Em face deste contexto, busca-se com este artigo contribuir para o debate

    sobre as possibilidades e a relevncia de estudos a respeito do oramento

    participativo nos municpios do Brasil. Buscando levantar respostas pelo motivo

    dessa tima ferramenta no ser implantada em todas as cidades do pas.

  • O trabalho est estruturado em quadro sees iniciando a partir desta

    introduo com problema, o objetivo e a justificativa. A segunda seo aborda o

    conceito de oramento e como a sua aplicabilidade no Brasil, tambm na segunda

    seo est a definio e o surgimento do oramento participativo. Na terceira seo

    apresentada as cidades que hoje utilizam a ferramenta de oramento participativo

    e tambm os motivos pelo qual poucas cidades utilizam essa ferramenta. E na

    quarta e ltima seo esto as consideraes finais.

    2. REFERENCIAL TERICO2.1 Oramento pblico

    O conceito de oramento pblico segundo Silva (2004, p.43) : oramento

    um plano de trabalho governamental expresso em termos monetrios, que evidencia

    a poltica econmico-financeira do Governo e em cuja a elaborao foram

    observados os princpios da unidade, anualidade, especificao e outros.

    O oramento pblico portanto, evidencia as atividades que iro transparecer

    como as prioridades interpretadas pelo poder executivo e legislativo de determinado

    local, seja uma cidade, um estado ou um pas. Segundo Pires (2005, p. 39) O

    oramento refletir, necessariamente, a distribuio relativa do poder econmico e

    poltico da sociedade.

    Atravs da Constituio Federal de 1988 a sustentao oramentria vigente

    nas trs esferas do governo segue a seguinte estrutura: Plano Plurianual (PPA), Lei

    de Diretrizes Oramentrias (LDO) e Lei Oramentria Anual (LOA). (FORTES,

    2005).

    O PPA, tem vigncia de quatro anos, sendo trs anos de mandato da gesto

    que o elaborou e aprovou e um ano da prxima gesto, cujo a inteno aplicar o

    princpio da continuidade administrativa. O PPA elaborado pelo Poder Executivo e

    remetido at o Poder Legislativo, no mximo at 31 de agosto do primeiro ano de

    gesto do presidente, governador ou prefeito. O objetivo dessa plano ser um guia

    para a elaborao dos demais programas do governo. (Andrade, 2008).

    A LDO estabelece as preferncias das metas que esto contempladas no

    Plano Plurianual (PPA), esse planejamento nada mais que um planejamento

    operacional anual, a elaborao de responsabilidade do Poder Executivo, e deve

    ser entregue ao Poder Legislativo at o dia 15 de abril de cada ano, sendo devolvido

  • para sanso do Poder Executivo at o final da primeira seo legislativa. Segundo

    Andrade (2008) com a implantao da Lei Complementar n 101/00 conhecida como

    Lei da Responsabilidade Fiscal, a elaborao da LDO deve priorizar o equilbrio

    entre receitas e despesas.

    Segundo Andrade a Lei Oramentria anual :

    A LOA, tambm chamada Lei de Meios, pois uma lei especial que contm

    a discriminao da receita e da despesa pblica, de forma a evidenciar a

    poltica econmica financeira e o programa de trabalho do governo,

    obedecidos os princpios de unidade, universalidade e anualidade

    (ANDRADE, 2008, p.36)

    A LOA deve ser arquitetada harmoniosamente com o PPA, com a LDO e com

    a Lei de Responsabilidade Fiscal, deve conter o oramento fiscal, o oramento de

    investimento e o oramento da seguridade social, e deve ser elaborado todas as

    esferas do governo.

    2.2 Oramento participativo

    Segundo Carvalho e Araujo (2010, p.461) o oramento participativo um

    programa poltico municipal com intuito de socializar a poltica oramentria, ou seja,

    garantir aos muncipes acesso s arena decisria e informaes tcnicas respeito

    da distribuio de recursos.

    Portanto o oramento participativo uma ferramenta que possibilita a

    participao da sociedade na gesto e na discusso sobre o planejamento do

    oramento pblico.

    O surgimento do oramento participativo, segundo Pires (2000), est dividido

    em trs momentos:

    a) No primeiro momento surge a necessidade de criar novos modelos de

    gestes pblicas que abrangem a possibilidade de uma maior participao popular;

    b) O segundo momento surge coincidentemente com a conquista de um

    partido totalmente de esquerda a frente de um municpio, o PT (Partido dos

    Trabalhadores) tem prefeitos eleitos em 36 (trinta e seis) prefeituras nas eleies de

    1985, onde a sistemtica e os objetivos de tornar uma gesto pblica mais

    participativa pela populao comea e ser posta em prtica;

  • c) No ltimo momento a adeso de outros partidos polticos que no os de

    esquerda pela mesma metodologia de implementar ferramentas que possibilitem

    uma maior participao popular.

    As primeiras experincias com a participao popular nas decises de

    oramento foram realizadas na dcada de 1970, porm segundo Mantovanelli

    (2001), o primeiro oramento participativo implementado em um municpio ocorreu

    em 1989 na capital do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre que na poca era

    dirigida pelo Partido dos trabalhadores.

    Essa implantao do oramento participativo na cidade de Porto Alegre

    segundo Mantovanelli (2001), ocorreu pelo fato dessa cidade ter fortes tradies em

    movimentos sociais que buscavam maior transparncia e participao popular na

    administrao e tambm pelo fato de ser administrada por um partido de esquerda,

    logo aps a homologao da Constituio Federal.

    Portanto a instituio do oramento participativo em um municpio, oferece a

    populao a oportunidade de discutir com os gestores da administrao pblica as

    prioridades e a forma de distribuio dos recursos pblicos.

    Atravs da instituio da Lei 10.257 de 11 de junho de 2001 denominada de

    Estatuto da Cidade, possibilitou a populao a participao na formulao, execuo

    e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano,

    bem como a participao na gesto oramentria.

    Carvalho e Araujo (2010) reforam a funo do oramento participativo:

    O objetivo do governo municipal ao implementar um programa poltico que

    disponibilize aos cidados participantes informaes tcnicas e gerais

    respeito do processo oramentrio o de abrir o espao pblico para

    debate sobre a distribuio de recursos. Alm disso, promover uma

    administrao das finanas municipais