Orçamento Como Instrumento Gerencial Em ONGS

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<p>VILMAR DA SILVA</p> <p>ORAMENTO COMO INSTRUMENTO GERENCIAL NAS ORGANIZAES NO GOVERNAMENTAIS - ONGS</p> <p>Curitiba 2008</p> <p>VILMAR DA SILVA</p> <p>ORAMENTO COMO INSTRUMENTO GERENCIAL NAS ORGANIZAES NO GOVERNAMENTAIS - ONGS</p> <p>Monografia apresentada ao Departamento de Cincias Contbeis, do Setor de Cincia Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Paran, como requisito para obteno do ttulo de especialista em Contabilidade e Finanas. Prof. Orientador Antnio Barbosa Lemes Jnior</p> <p>Curitiba 2008</p> <p>VILMAR DA SILVA</p> <p>ORAMENTO COMO INSTRUMENTO GERENCIAL NAS ORGANIZAES NO GOVERNAMENTAIS - ONGSMonografia apresentada ao Departamento de Cincias Contbeis, do Setor de Cincia Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Paran, como requisito para obteno do ttulo de especialista em Contabilidade e Finanas. Prof. Orientador Antnio Barbosa Lemes Jnior</p> <p>Banca Examinadora</p> <p>_________________________ Orientador</p> <p>_________________________ Professor</p> <p>_________________________ Professor</p> <p>Aprovada em____/____/2008.</p> <p>A Deus por tudo. Aos meus pais Antonio e Jandira, por sempre prezarem pela educao. A minha esposa Rosana, pelo incentivo e coragem. A minha filha Anna Jlia por tornar minha vida especial.</p> <p>III</p> <p>Como fao uma escultura? Simplesmente retiro do bloco de mrmore tudo que no necessrio.(Michelangelo) VI</p> <p>AGRADECIMENTOS</p> <p>Pela inestimvel colaborao direta ou indireta na realizao deste trabalho evidencio meus profundos e sinceros agradecimentos:</p> <p>ao Professor Dr. Antnio Barbosa Lemes Jnior, pela pacincia dedicao e sabedoria apresentada durante meu trabalho;</p> <p>ao Professor Dr. Moises Prates Silveira, pela confiana, incentivo e preciosos ensinamentos que sempre soube transferir;</p> <p>aos componentes da banca examinadora que aceitaram avaliar e enriquecer o presente trabalho;</p> <p> Universidade Federal do Paran, em especial ao Departamento de Cincias Contbeis, pela oportunidade de realizao da Especializao; aos professores do Programa de Ps-Graduao em Contabilidade e Finanas, pelos conhecimentos transferidos, que colaboraram para a realizao desta monografia; a Funpar Fundao da Universidade Federal do Paran, pelas oportunidades e incentivos aos seus colaboradores de sempre estarem estudando e crescendo; a todos os colegas e amigos que de uma forma ou de outra ajudaram na elaborao da presente pesquisa.</p> <p>V</p> <p>RESUMO</p> <p>Este estudo tem como objetivo geral apresentar o oramento como instrumento de melhora de desempenho das ONGS com fins de incluso social. O aspecto econmico do oramento revela-se da maior importncia. Assim, o oramento apresenta equilbrio quando, durante sua vigncia, despesas e receitas apresentam somas iguais, dficit quando as despesas excedem s receitas e supervit quando as receitas sobrepujam as despesas. Ao favorecer mecanismos de controle gerencial do oramento, a ONG consegue avaliar melhor se as necessidades dos seus clientes esto sendo atendidas.</p> <p>Palavras-Chave: ONGS, Oramento, incluso.</p> <p>VI</p> <p>ABSTRACT</p> <p>This study comes aims to present the general budget as a tool to improve the performance of NGOs for purposes of social inclusion. The economic aspect of the budget appears to be of the utmost importance. Thus, the budget shows balance when, during his lifetime, expenses and revenues have sums equal, deficits when the costs exceed the revenue and surplus when revenues expenditure. In promoting mechanisms of managerial control of the budget, the NGO can better assess</p> <p>whether the needs of clients are being addressed.</p> <p>Key-words: NGOs, Budget, inclusion.</p> <p>VII</p> <p>LISTA DE QUADROS</p> <p>Quadro 1 - Financiadores do setor no lucrativo nas diversas atividades - % Quadro 2 Oramento de Caixa Quadro 3 Previso de Despesas Quadro 4 Oramento de Capital</p> <p>32 54 55 55</p> <p>VIII</p> <p>SUMARIO 1. INTRODUO.................................................................................................................. 10 2. ORAMENTO................................................................................................................... 11 2.1. ORAMENTO PBLICO................................................................................................. 11 2.1.1. Aspecto poltico do oramento ........................................................................ 15 2.1.2. Aspecto econmico do oramento .................................................................. 16 2.1.3. Controle social no oramento .......................................................................... 16 2.2. ORAMENTO EMPRESARIAL........................................................................................ 18 2.2.1. Oramento de Caixa .......................................................................................... 20 2.3. BALANO PATRIMONIAL E DEMONSTRAO DE RESULTADOS DO EXERCCIO....... 22 2.3.1. Balano Patrimonial........................................................................................... 22 3. ORGANIZAES NO-GOVERNAMENTAIS - ONGS ........................................... 23 3.1. ORAMENTO ESPECFICO EM ONGS E A INCLUSO SOCIAL...................................... 28 3.2. RESPONSABILIDADE SOCIAL ....................................................................................... 34 3.2.1. Responsabilidade Social nas ONGS Terceiro Setor ................................ 42 3.2.2. A Questo da Transparncia do Terceiro Setor ........................................... 48 4. MODELOS DE ORAMENTO NAS ONGS ................................................................ 51 4.1. MODELO DE BALANO PATRIMONIAL......................................................................... 51 4.2. MODELO DE DEMONSTRAO DO SUPERVIT OU DFICIT....................................... 52 4.3. MODELO DE ORAMENTO OPERACIONAL .................................................................. 53 4.4. MODELO DE ORAMENTO DE CAIXA.......................................................................... 54 4.5. MODELO DE PREVISO DE DESPESAS ....................................................................... 55 4.6. MODELO DE ORAMENTO DE CAPITAL...................................................................... 55 5. CONCLUSES E RECOMENDAES...................................................................... 56 REFERENCIAS..................................................................................................................... 58</p> <p>IX</p> <p>10</p> <p>1. INTRODUO O principal objetivo deste estudo apresentar uma contribuio melhoria da gesto econmico-financeira das Organizaes No Governamentais ONGS, com fins de incluso social, evidenciando suas vantagens como instrumento de gesto.</p> <p>Nos ltimos anos tem crescido muito a quantidade de ONGS de diversas reas, principalmente na rea social, porm, medida que nascem, surgem tambm novos desafios. Um deles o de gerir corretamente os recursos financeiros para que haja uma continuidade das atividades, que no caso das ONGS com fins sociais o preenchimento das lacunas deixadas pelo poder pblico nas polticas de valorizao e ateno vida do ser humano.</p> <p>Desta forma, importante que estas organizaes passem a adotar melhores ferramentas de gesto para otimizar os recursos que so sempre escassos. Neste estudo ser utilizado o oramento como ferramenta de planejamento e controle financeiros.</p> <p> de grande interesse para os profissionais que atuam em ONGS e tambm para a sociedade como um todo, pois as mesmas tm papel fundamental na incluso social. E a literatura existente escassa e nem sempre aborda a aplicao em entidades sem fins lucrativos.</p> <p>Para a construo do futuro estudo ser utilizado o mtodo cientfico e dentro dele o modelo dedutivo, no qual, conforme Lakatos e Marconi (2004, p. 72), ... a necessidade de explicao no reside nas premissas, mas ao contrrio, na relao entre as premissas e a concluso.</p> <p>No argumento dedutivo, para que a concluso seja verdadeira todas as premissas tambm devero s-lo. Portanto, seu propsito explicar o contedo das premissas levantadas sem a ampliao do seu contedo para se atingir a certeza.</p> <p>11</p> <p>Assim, o presente trabalho monogrfico ser baseado na tcnica de documentao indireta abrangendo a pesquisa documental e bibliogrfica em livros, artigos de revistas, jornais e web sites que tratam do assunto em questo de modo a comprovar todas as premissas apontadas no seu tramitar.</p> <p>2. ORAMENTO</p> <p>Embora este trabalho se proponha a apresentar o oramento aplicado s ONGS, importante que se situe inicialmente o tema sob dois enfoques: o oramento pblico e o oramento empresarial.</p> <p>2.1. Oramento Pblico</p> <p>Existem vrios conceitos de oramento pblico e muitas leis e normas governamentais que o disciplinam. Para efeito de nosso estudo, iremos mostrar apenas alguns deles, para evidenciar sua compreenso no contexto das ONGS.</p> <p>Segundo BEREIJO apud Bastos(2003, pg. 33), " a expresso numrica, cifrada, unitria e orgnica da orientao que o Governo d poltica do Estado". o documento que demonstrar como o dinheiro pblico ser gasto em um determinado perodo, vinculando o Governo.</p> <p>Assim sendo, o oramento pea elaborada pelo Poder Executivo a fim de concretizar sua poltica e o que prev a Constituio da Repblica brasileira, especialmente e em seu artigo 165, que prev o estabelecimento, por leis de iniciativa do Poder Executivo, (i) do plano plurianual, que deve estabelecer, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da Administrao Pblica Federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas de programas de durao continuada, (ii) das diretrizes oramentrias, que devem compreender as metas e prioridades da Administrao Pblica Federal, incluindo as despesas de capital para o exerccio financeiro subseqente, orientar a elaborao da lei oramentria anual, dispor sobre as alteraes na legislao tributria e estabelecer a poltica de aplicao das agncias financeiras oficiais de fomento e (iii) dos</p> <p>12</p> <p>oramentos anuais, devendo a lei oramentria anual conter, em especial, o oramento fiscal referente aos Poderes da Unio, seus fundos, rgos e entidades da Administrao direta e indireta, inclusive fundaes pblicas, e o oramento de investimento das empresas pblicas e das sociedades de economia mista.</p> <p>Desta forma, o legislador constituinte, que, para poder ser executado, o oramento deve passar pelo crivo do Poder Legislativo, que o aprovar por meio de lei, podendo fazer-lhe emendas na forma do 3 do art. 166 da Constituio da Repblica no caso do oramento da Unio. Isso porque a Administrao est vinculada ao princpio da legalidade conforme dispe o artigo 37 da Constituio Federal, i.e., apenas pode fazer o que estiver previsto em lei. A interferncia do Poder Legislativo tambm conseqncia do princpio dos freios e contrapesos, aqui aplicado a fim de evitar a sobreposio de um Poder sobre o outro, bem como a fim de possibilitar a participao do povo (mesmo que indiretamente), uma vez que os membros do Poder Legislativo so, por excelncia, os representantes da populao. Alm disso, o controle da receita (tributos, j sujeitos ao princpio da estrita legalidade) exige o controle dos gastos pblicos.</p> <p>Aliomar Baleeiro define oramento (lei oramentria) como o:Ato pelo qual o Poder Legislativo prev e autoriza ao Poder Executivo, por certo perodo e em pormenor, as despesas destinadas ao funcionamento dos servios pblicos e outros fins adotados pela poltica econmica ou geral do Pas, assim como a arrecadao das receitas j criadas em lei.</p> <p>A forma como deve ser apresentado o oramento tambm no vem prevista na legislao pertinente e, sendo o oramento considerado uma pea contbil, por muito tempo foi tratado como se um balano fosse, utilizando-se o Governo da forma por linhas, i.e., um documento em que as despesas so classificadas por sua natureza, havendo apenas uma conta para cada tipo de despesa (um valor x para material de escritrio, por exemplo). Isso porque o oramento tinha como objetivo ltimo permitir o controle financeiro das atividades do Estado.</p> <p>No contexto atual, busca-se responder a realidades polticas, desenvolver programas funcionais e avaliar a efetividade e a eficincia da prestao de servios</p> <p>13</p> <p>pblicos. Assim, esse modelo apresenta-se, hoje, ultrapassado por no satisfazer uma das finalidades do oramento: num oramento por linhas, no h meios de determinar-se a orientao poltica do Estado. O mtodo de elaborao por projetos tambm chamado de oramento-programa - deve substituir o mtodo por linhas como forma de dar ao oramento maior transparncia, uma vez que ele torna claro o valor das verbas destinadas a cada projeto que o Poder Executivo pretende implementar.</p> <p>Tambm deve ser adotado tendo em vista as disposies constitucionais: o oramento por linhas no compatvel com a forma de elaborao do oramento prevista na Constituio (como determinar se as leis oramentrias anuais esto de acordo com o plano plurianual e a lei de diretrizes oramentrias, se o critrio de organizao das despesas no oramento puramente tcnico-contbil?).</p> <p> de se notar ainda que os princpios previstos na Constituio da Repblica so aplicveis no apenas esfera federal, mas tambm s esferas estadual e municipal sendo os oramentos municipal e estadual de iniciativa dos respectivos Poderes Executivos e estando sujeitos ao crivo dos Poderes Legislativos locais.</p> <p>Ao favorecer mecanismos de controle social do oramento, a prefeitura consegue avaliar melhor se as necessidades dos cidados esto sendo atendidas. O oramento pblico uma ferramenta de planejamento pblico que o governo utiliza para promover crescimento econmico e social. No Brasil, o modelo adotado o Oramento-Programa, que define os gastos segundo programas de trabalho detalhados por rgo, funo, at o nvel de projeto ou atividade a ser executado. Quanto maior o interesse do poder pblico em aumentar a eficincia e a eficcia na implementao dos diversos programas existentes no oramento, mais importante se tornam os mecanismos de avaliao e fiscalizao. Estes mecanismos devem existir em todas as etapas do processo, mas, sobretudo durante as execues oramentrias, assegurando que as reais necessidades dos cidados estejam nelas refletidas e que os compromissos assumidos durante a fase de elaborao sejam cumpridos. Atualmente no Brasil, as experincias de Oramento Participativo tm sido um avano em termos de oramento na medida em que colocam, ao longo do processo, o cidado decidindo junto com o poder pblico, garantindo que as</p> <p>14</p> <p>necessidades maiores da cidade, em termos de investimentos, estejam realmente alocadas na pea oramentria. Apesar disto, esta participao ainda est concentrada na definio, aprovao e acompanhamento do plano de investimentos. preciso ir alm, dando transparncia e possibilitando o controle e a avaliao de todos os recursos e despesas constantes do oramento e no somente as que constam do Oramento Participativo, isto , as do plano de investimentos.</p> <p>Com a finalidade de atender a um processo de modernizao do setor pblico, orientado para uma administrao menos burocrtica e mais gerencial, foram introduzidas vrias mudanas no processo de planejam...</p>