omar - interpretação bíblica básica

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AGENDA PARA ABRILNo teremos aula no prximo sbado 07/04 Retornaremos dia 14/04 No teremos aula no dia 21/04 Retornaremos dia 28/04

Interpretao Bblica BsicaOmar Samir Akl

1. Hermenutica e Exegese Toda interpretao bblica tem 2 palavras-chave:1. Hermenutica (hrmeneia; hrmeneu; hrmeneutes): princpios, teoria. Definio do Dicionrio Houaiss: 1. Cincia, tcnica que tem por objeto a interpretao de textos religiosos ou filosficos. 2. Interpretao dos textos, do sentido das palavras. 3. Teoria, cincia voltada interpretao dos signos e de seu valor simblico. Etimologia: arte de interpretar, relativo interpretao, prprio para fazer compreender, arte de descobrir o sentido exato de um texto, interpretao do que simblico.

1. Hermenutica e Exegese Toda interpretao bblica tem 2 palavras-chave:2. Exegese (exgesis; exgeomai): exposio e explicao prtica do texto. Definio do Dicionrio Houaiss: 1. Comentrio ou dissertao que tem por objetivo esclarecer ou interpretar minuciosamente um texto ou uma palavra. 2. Interpretao de obra literria, artstica etc.

Etimologia: exposio de fatos histricos, interpretao, comentrio, interpretao de um sonho, traduo, conduzir, guiar, dirigir, governar, conduzir passo a passo ou at o fim, expor em detalhe, explicar, interpretar, marchar na frente, conduzir, guiar.

1. Hermenutica e Exegese Hermenutica X Exegese Hermenutica como um livro de receitas, com regras de como fazer um bolo; exegese a preparao do bolo; exposio a entrega do bolo para algum comer. Roy B. Zuck Perigo!!!

A palavra Exegese significa tirar o significado do texto bblico e contrria Eisegese que impor significado ao texto bblico, ou, interpretao de um texto atribuindo-lhe ideias do prprio leitor.

2. Abismo da Interpretao Pensemos se realmente levamos em considerao os fatores agrupados no abismo quando lemos a Bblia:

Tempo Idioma Cosmoviso Literatura Geografia

2. Abismo da Interpretao Todo texto bblico foi escrito por algum (Paulo, Salomo, Davi, Joo, Lucas, Isaas, etc.) para ouvintes especficos, que se encontravam num contexto histrico e geogrfico especfico e com um objetivo especfico. O contedo da Bblia foi afetado e influenciado pelo meio cultural em que cada autor humano escreveu. Dada a existncia de um abismo cultural entre nossa era e os tempos bblicos - e como o nosso objetivo na interpretao bblica descobrir o sentido original das Escrituras - imperativo que nos familiarizemos com a cultura e os costumes de ento. Roy B. Zuck

2. Abismo da InterpretaoA. O abismo cronolgico Os 5 primeiros livros de Moiss (Pentateuco) foram compostos aproximadamente 1.400 anos a.C. J o Apocalipse, ltimo livro da bblia, foi escrito por Joo 90 anos d.C. H um imenso abismo temporal que nos separa dos autores bblicos. Isso gera um grande desafio de voltar no tempo para, de alguma forma, nos comunicarmos com eles e entender o significado do que escreveram.

2. Abismo da InterpretaoB. O abismo geogrfico Vivemos hoje no ocidente, na Amrica, j chamada de o novo mundo. Isso significa que estamos a milhares de quilmetros de distncia dos locais onde a Bblia foi composta. O contexto geogrfico que vivemos determina grandemente nossa forma de enxergar o mundo, sendo que a cultura se adapta ao ambiente em que se desenvolve.

Salmo 42 verso 1: Como a cora anseia pelas guas correntes, minha alma anseia por ti Senhor. Somente uma pessoa que j caminhou em um deserto poderia entender a fora desta poesia.

2. Abismo da InterpretaoC. O abismo dos costumes de vital importncia conhecermos os costumes dos povos dos tempos bblicos.

Como disse Zuck:Quando abrimos a Bblia como se estivssemos entrando num pas estranho. Da mesma forma que ficamos confusos com a maneira de agir das pessoas de outros pases, podemos ficar confusos com o que lemos na Bblia.

2. Abismo da InterpretaoC. O abismo dos costumes Poltica: Por que Boaz foi at a porta da cidade falar com os ancios sobre o terreno de Noemi (Rt 4:1)?

Religio: Qual a razo de Deus ter lanado as 10 pragas sobre o Egito? Por que ele enviou justamente aquelas pragas em vez de outras (xodo captulos 8 11)? Leis: Em Colossenses 1:15 a expresso o primognito de toda a criao significa que Cristo no eterno, mas que foi criado? Agricultura: Por que Jesus amaldioou a figueira se nem era poca de figos (Mc 11:12-14)?

2. Abismo da InterpretaoC. O abismo dos costumes Vida domstica: Por que em Lucas 9:59 o homem disse que queria enterrar o pai antes de seguir a Jesus?

Geografia: Por que a carta para a igreja de Laodicia, em Apocalipse 3:16, dizia que os membros daquela igreja eram mornos, nem quentes, nem frios? Militar: Por que Paulo afirmou em 2Corntios 2:14 que Deus em Cristo sempre nos conduz em triunfo?. Social: Por que nos tempos bblicos as pessoas jogavam p sobre as cabeas (J 2:12; Lm 2:10; Ez 27:30; Ap 18:19)?

2. Abismo da InterpretaoD. O abismo dos idiomas A bblia foi escrita primordialmente em hebraico e grego, com alguns trechos em aramaico. Os manuscritos originais do Antigo Testamento foram escritos em hebraico somente com consoantes (ganharam vogais somente 900 d.C.). O exemplo usado por Zuck, representando em portugus o problema, a sequncia de letras TCH. Podemos ler TOCHA, TACHO, TACHA.

2. Abismo da InterpretaoD. O abismo dos idiomasEXEMPLO Origem da traduo JEOV YHWH ou O QUE EXISTE Nome cuja pronncia perdeu-se

ADONAI ou SENHOR Adaptao dos judeus que evitavam pronunciar YHWH

YEHOWAH YHWH + vogais de ADONAI

3. Nem tudo alegoriaGrande perigo!!! O que facilita uma interpretao bblica livre da Eisegese a busca pela interpretao inicial mais literal possvel. O problema que a mentalidade brasileira, influenciada pela cultura grega, tem uma facilidade imensa para a alegorizao excessiva dos textos bblicos. Quem nunca ouviu a frase? A bblia tem vrias interpretaes, que podem ser verdade dependendo da pessoa que l! Isso parece super espiritual, porm, um erro gravssimo. Com certeza existem algumas passagens bblicas que podem ter mais de uma interpretao plausvel, no entanto, a grande maioria dos textos no tem mais de uma possibilidade de interpretao.

3. Nem tudo alegoriaOs gneros literrios A Bblia um livro rico em gneros literrios. Temos Lei (Pentateuco), Histricos (Juzes, Samuel, Reis, etc.), Narrativas, Poesias (Salmos, Cantares, Lamentaes), Provrbios, Profecias (Isaas, Jeremias, etc.), Evangelhos (Mateus, Lucas, etc.), Cartas (Romanos, Hebreus, etc.) e Apocalipse. Dentro de cada estilo, temos figuras de linguagens e textos literais, com ideias diretas. Isso precisa ser observado antes de fazer uma interpretao, pois nem tudo figura de linguagem. Na apostila esto os exemplos das figuras de linguagem usadas na bblia.

4. Passos bsicos de interpretao bblicaIntroduoA chave para a boa exegese a habilidade de fazer perguntas certas para o texto a fim de captar o significado pretendido pelo autor. Gordon D. Fee Existem duas categorias bsicas de perguntas que devemos fazer para o texto: Por que o autor disse isso? e O que foi que o autor quis dizer no texto? Por que - temos que entender o contexto histrico-cultural do que foi escrito. Que o autor quis dizer - temos que entender o significado de suas palavras e o relacionamento das palavras do autor com o contexto histrico-cultural (Por que) dos seus leitores.

4. Passos bsicos de interpretao bblicaPasso 1 Estudo do contexto histrico geral Perguntas-chave: Quem o autor? Quem so os destinatrios? Qual o relacionamento entre ambos? Onde os destinatrios vivem? Quais so suas circunstncias no momento? Que situao histrica levou composio do documento? Qual o propsito do autor? Qual a preocupao do autor? Pesquise em materiais secundrios: Manuais bblicos, Bblias de estudo, dicionrios bblicos, livros de Arqueologia Bblica, introdues ao Antigo Testamento, introdues ao Novo Testamento, comentrios bblicos, lxicos, etc., so fontes indispensveis de pesquisa. Leia o livro todo de uma s vez e faa um esboo tentando responder s perguntas-chave. No h o que substitua esse passo.

4. Passos bsicos de interpretao bblicaPasso 2 Confirme os limites da passagem Verifique se voc escolheu para a exegese uma unidade genuna e completa. Mesmo que voc faa a exegese de uma s frase, ela deve ter um lugar no seu prprio pargrafo. Leia toda a passagem em vrias tradues e anote principais diferenas (ex. Almeida Corrigida, Almeida Atualizada, Almeida Sc. 21, NVI, Bblia na Linguagem de Hoje, etc.). Veja quais diferenas so apenas sinnimos ou questes de gosto do tradutor e quais diferenas realmente mudam o sentido da passagem. Analise a estrutura das frases e as relaes sintticas. fundamental que desde o incio da exegese voc tenha uma boa noo do fluxo do argumento (ou narrativa) e que reconhea as estruturas bsicas e a sintaxe de cada frase.

4. Passos bsicos de interpretao bblicaPasso 2 Confirme os limites da passagemExerccio Colossenses 3:1-4Fluxograma de frases da passagem Portanto, ...j que vocs ressuscitaram com Cristo, Fluxo do argumento Ligao com passagem anterior Base das exortaes

...procurem as coisas que so do alto,...onde Cristo est assentado direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, ...e no nas coisas terrenas. Pois vocs morreram, ...e agora a sua vida est escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que a sua vida, for manifestado, ...ento vocs tambm sero manifestados com ele em glria.

Exortao 1Expanso da exortao 1 Exortao 2 Contraste da exortao 2 Razo 1 das exortaes Especificao da razo 1 Base da concluso Concluso

4. Passos bsicos de interpretao bblicaPasso 3 Determine a ideia central da passagem O que a ideia central? Pensamento ou conceito organizador da passagem, que no necessariamente o tema da passagem. A ideia central normalmente apresentada como uma sentena representando a ideia bsica do texto. EXEMPLO Mateus 28:1