Observações acerca da música militar na Guerra do Paraguai

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Observaes acerca da msica militar na Guerra do Paraguai Prof. Dr. Vinicius Mariano de Carvalho, Doutor em Literaturas Romnicas pela Universidade de Passau Alemanha; Regente e Musiclogo, pesquisador de Msica Militar; Professor de Estudos Brasileiros da Universidade de Aarhus Dinamarca; rennavmc@googlemail.com Preldio Escrever sobre a msica militar na guerra do Paraguai uma tarefa ao mesmo tempo motivante e desafiadora. Motivante pois se trata de uma pgina da histria da militar brasileira que, a meu ver, define o que ser o carter da msica e do msico militar em especial; desafiadora porque, apesar de haver um bom nmero de fontes sobre a Guerra do Paraguai em si, pouco se dispe sobre como era a vida dos msicos no campo de batalha e em especial, sobre o que tocavam. Neste texto tentarei apontar alguns elementos que julgo importantes para a compreenso da msica militar neste perodo, acentuando principalmente como a presena dos msicos neste conflito moldou, de certa maneira, a caracterstica das bandas militares brasileiras, seja pelo repertrio que executam, seja pela prpria constituio das mesmas e tambm forjou um carter prprio as suas congneres civis. Curiosamente as duas mais conhecidas referncias sobre a msica militar na Guerra do Paraguai no dizem respeito msica militar propriamente dita, seno de uma cano popular, a Vivandeira, e um hino religioso, o Tero da Imaculada Conceio do Militares. Este fato j nos abre uma srie de reflexes que, como aponto acima, so motivantes e desafiadoras, e nos revelam muito sobre o carter das tropas e dos msicos envolvidos no conflito. A cano Vivandeira tem seu nome originado na designao das mulheres que acompanhavam a tropa em campanha e ficou marcada na Histria da Guerra do Paraguai, como tambm estas mulheres. Sobre a origem da cano h muita controvrsia. A fonte documental mais exata o Cancioneiro de musicas populares: colleco recolhida e escrupulosamente trasladada para canto e piano por Cesar A. das Neves. Esta coleo foi publicada em Portugal quinzenalmente entre os anos de 1893 a 1899. A publicao que faz da Vivandeira a atribui a Luiz Augusto Palmerim, e ao fim anota: Esta poesia appareceu por volta de 1850, e com ella a msica. Mercedes de Moura Reis1, em sua obra que muito nos foi til como fonte de pesquisa, A msica militar no Brasil do Sculo XIX, nos d a mesma informao, apud Csar das Neves, mas adverte, citando Henrique de Campos Ferreira Lima, em artigo sobre a seo Musical do Arquivo Histrico Militar de Portugal, sobre a atribuio da cano a Antnio Luiz Miro. Cita ainda uma terceira fonte que atribui a autoria desta cano ao brasileiro Janurio da Silva Arvelhos, conforme Joaquim Norberto de Souza e Silva. Enfim, independentemente da preciso desta origem, o que importa a identificao do soldado brasileiro com esta cano. 1 REIS, Mercedes de Moura. A Msica Militar no Brasil do Sculo XIX. Rio de Janeiro: Imprensa Militar, 1952. p 5 Uma valsa dolente, nada marcial, afeita ao violo2, instrumento que com certeza era parte integrante da vida do soldado, como atesta a fotografia de Carlos Cezar reproduzida abaixo: No h evidncia de outros instrumentos na foto, porm o violonista nos d conta de que a msica foi companheira do soldado no seu momento de descanso do combate. J sobre o Tero da Imaculada Conceio dos Militares, cito literalmente a Dionsio Cerqueira, em suas Reminiscncias da Guerra do Paraguai, quando relata a viglia do dia 24 de maio, em Tuiuti: ao toque de recolher (...) todos os corpos formaram. Depois da chamada os sargentos puxaram as companhias para a frente da bandeira e rezou-se o Tero. Algumas praas, os melhores cantores, entoaram com voz vibrante, sonora e cheia de sentimento, a velha orao do soldado brasileiro: Oh! Virgem da Conceio... aquela grande prece ao luar, rezada to longe dos lares queridos.3 A citao nos d um testemunho bastante real da devoo dos combatentes e do uso, indubitvel, deste hino religioso no quotidiano da tropa. A verso conhecida e difundida deste Tero deve-se ao maestro Francisco Braga que o anotou a partir do que ouvia de seus instrutores no Asilo dos Desvalidos, provavelmente veteranos da Guerra do Paraguai. Evidente o cuidado do jovem Francisco Braga em no apenas anotar o que ouvia, mas tambm acrescentar harmonias vocais, enriquecendo o hino. Mercedes de Moura Reis, em sua j citada obra, transcreve a partitura manuscrita de Braga, com a melodia e a harmonizao do compositor, que aqui reproduzimos facsimilarmente. 2 No podemos deixar de relembrar algumas fotos dos Soldados Brasileiros que embaraaram para a Itlia, compondo a Fora Expedicionria Brasileira (FEB), acompanhados de seu violo e outros instrumentos populares. Em um texto futuro trataremos da msica executada pelos membros da FEB. 3 CERQUEIRA, Dionsio. Reminiscncias da Guerra do Paraguai. Rio de Janeiro: Grfica Laemmert, s;d. p. 182. J vimos que o violo era companheiro do soldado. Alm deste instrumento, havia ainda as cornetas, pfanos e tambores, prprios das armas e as Bandas de Msica que acompanhavam os batalhes. Do corneteiro, dos pfanos e do tambor, sabemos de sua funo no combate, mas e as bandas de msica? Qual sua funo militar no Conflito? Estariam l apenas para os momentos de orao e descontrao das tropas? Pode-se imaginar, como hoje fazem, as bandas tocavam em formaturas das tropas e mesmo em marchas, porm na Guerra do Paraguai tocavam tambm, ainda que nos parea absurdo hoje, durante os combates! o que nos atesta Paulo de Queiroz Duarte, autor de obra fundamental para os estudos sobre a Guerra do Paraguai. Quando fala da ttica de formao de quadrados, empregada pela infantaria no combate, nos relata o autor: No ngulo do quadrado, as trs filas externas das faces da frente e da retaguarda, conforme se achavam voltadas para o lado exterior, tomavam a seguinte disposio: o primeiro homem contando do flanco da fileira exterior, o segundo da imediata e o terceiro da ltima faziam um oitavo aos lados do quadrado; o primeiro homem da segunda fileira em cada flanco, e os dois primeiros da ltima volviam ao lado das faces laterais. Os pelotes de bandeira, porta-machado, msicos, cornetas e tambores ocupavam os lugares designados, entrando com rapidez para o interior do quadrado, antes de a face da retaguarda unir-se sobre as laterais, fechando a formao. Somente deviam fazer fogo as faces atacadas, o que seria indicado pelo comandante; a banda de msica tocava dentro do quadrado, enquanto durasse o fogo; tanto o toque de fogo, como o de cessar fogo seriam dados por todos os corneteiros e tambores.4 (155-56) Isto um aspecto muito curioso e no deixa de provocar alguma estranheza. Enquanto duravam as escaramuas as bandas tocavam. Duarte no fala o que tocavam, mas somos tentados a imaginas que no seriam canes como a Vivandeira ou mesmo o Tero. Muito provavelmente alguma marcha de carter bastante militar, ou mesmo algum hino patritico, deveria ser a trilha sonora destes combates. Talvez seja este o melhor termo para este fenmeno, uma trilha sonora. Algo como vemos hoje no conflito do Iraque, quando militares Norte-Americanos combatem ao som de rock in roll, heavy metal e outros ritmos que os motivam para a batalha. Este fenmeno j era conhecido e praticado pelos Gregos quando se valiam de msicas cujo modo provocava um ethos beligerante, para incitar o guerreiro para o combate. Este ponto de partida j encaminha para o que o norteador deste texto: a Guerra do Paraguai delimita o carter de nossa msica militar, fazendo-a no puramente blica, mas guardando seu lado popular, modinheiro, lrico, afeito tradio e vida do povo brasileiro, e de nosso msico militar, aquele hbil em uma variedade imensa de repertrio, que toca na formatura, na parada, mas tambm no momento de descontrao, de orao. Esta experincia vivida na Guerra do Paraguai marcar profundamente o carter da msica militar no Brasil. o que procuraremos tornar mais evidente neste texto. 4 DUARTE, Paulo de Queiroz. Os Voluntrios da Ptria na Guerra do Paraguai. O Imperador, os Chefes Militares, a Mobilizao e o Quadro Militar da poca. Vol.I. Rio de Janeiro: BibliEx. 1981. pp. 155-6. A Msica nas Tropas Para um melhor entendimento sobre o que se chamava de Banda de Msica durante a Guerra do Paraguai preciso conhecer como funcionavam as bandas de msica nas tropas e como eram organizadas. Para isso nos valemos de uma pesquisa bibliografia em obras sobre o conflito, na documentao militar sobre Bandas de Msica no sculo XIX e tambm na observao da fotografia e iconografia disponvel sobre o conflito. A obra do Gen Paulo de Queiroz Duarte, Os Voluntrios da Ptria na Guerra do Paraguai, em seu Volume I, nos fornece slidos subsdios para saber como se constitua a msica das tropas Aliadas neste conflito. No captulo 2 deste livro, ao elencar os Batalhes de Linha, o Exrcito Permanente, que compuseram a Fora Expedicionria, cita o autor que participavam desta Fora 28 Unidades de diferentes efetivos. Atem-se a falar da Infantaria e nos informa que os Batalhes de Fuzileiros (infantaria pesada) em sua banda marcial usavam pfanos e tambores e os Batalhes de Caadores (infantaria ligeira) usava cornetas e caixas de guerra. Essa primeira informao j nos importante, pois apresenta um elemento diferencial entre os dois tipos de batalhes no que diz respeito msica. Aqui importante no confundir os pfanos e tambores e as cornetas e tambores com a Banda de msica em si. Estes instrumentos ocupavam-se de uma tarefa muito mais militar, fazendo as vezes de comunicantes ou mesmo de ordem unida, seja em formaturas, seja em combate. No necessrio lembrar que todas as ordens de combate eram transmitidas pelo corneteiro, que sem sombra de dvidas guarda consigo o esprito das comunicaes no combate. Uma infinidade de toques de comando executados pelo corneteiro garantiam a correo da ao ttica, na sua maioria das vezes marcadas pelo toque do tambor e da caixa de guerra. Enfim, para os acostumados vida da caserna o toque da corneta como o sino para o monge, regrador de sua vida e orientador de suas funes e aes. Levando-se em conta as descries dos combates, seria interessante o levantamento de todos os toques executados pelos corneteiros do Exrcito Imperial, no apenas aqueles mais comuns e ainda utilizados, mas tambm os bem especficos e j em desuso, como o de carnear, ou aqueles ligados ttica de infantaria e cavalaria empregada no conflito. Sobre esta ao dos corneteiros ficamos outra vez com Duarte que nos d um bom exemplo quando fala sobre a ttica empregada pela infantaria. Diz o autor: voz de carregar, a fileira da retaguarda cruzava a baioneta, e todos tomavam o passo de carga, mantendo quanto possvel a ordem na formao. Os tambores nesta ocasio passavam a rufar e os corneteiros tocavam avanado, em cadncia acelerada. (153) Ainda sobre a constituio dos batalhes de infantaria, nos diz o Gen Paulo de Queiroz Duarte que os Batalhes de Fuzileiros dispunham de um Estado Maior, composto de um Comandante (ten cel), um fiscal (major), um ajudante (cap), um quartel-mestre (cap) e um secretrio (ten), e de um Estado Menor, com um sgt ajudante, um sgt quartel-mestre, um espingardeiro, um coronheiro, um tambor-mor e banda (um mestre de msica, dois pfanos e 16 msicos), alm das Companhias com 102 homens, sendo dois tambores. J os Batalhes de Caadores tinham praticamente a mesma formao de Estado Maior e Estado Menor, exceto pelo fato de que no contava com os pfanos e tinha menos quatro msicos.5 Aps a chegada da Corte Portuguesa, as bandas militares estavam autorizadas no Brasil, a partir de 1810, quando foram criadas nos Regimentos de Infantaria e de Artilharia da Corte. Em 1811 foi a vez dos Regimentos de Infantaria de Recife (PE) e de Extremz (PA) e, em 1812, o Batalho de Caadores de Santos (SP) terem suas bandas criadas. As bandas em unidades da artilharia foram permitidas at 1831, quando se mandou, por decreto, dissolver a msica do 1 Regimento de Artilharia de Posio por no ser prprio daquela arma. At aquela data, levando-se em conta a legislao, havia bandas na artilharia, nos fuzileiros e nos caadores. Durante a Regncia, a primeira reorganizao do exrcito aconteceu em 1831. Nesta reorganizao, foram permitidas bandas de msica em todos os 24 batalhes de caadores e as duas unidades da legio de Mato Grosso. Porm, oito anos depois, o nmero de bandas foi reduzido, prevendo bandas de msica apenas a 12 batalhes de caadores. Apenas com o incio de Segundo Reinado que o nmero de bandas foi gradativamente aumentando. Em1842 foram autorizadas bandas de msica nas unidades de fuzileiros, caadores e artilharia p. Em 1851, j existiam 18 bandas previstas no exrcito: quatro em batalhes de artilharia a p; quatro em batalhes de caadores; uma no depsito de aprendizes; oito no batalho de fuzileiros e uma no batalho de caadores de Mato Grosso. O pesquisador Fernando Binder, aps um exaustivo trabalho de observao da legislao militar que trata sobre Bandas de Msica durante todo o perodo da Regncia, do Primeiro Reinado e do Segundo Reinado, nos d um quadro bem abrangente de como se organizavam as Bandas militares no sculo XIX. De seu trabalho podemos notar que o decreto de 11 de dezembro de 1817 permitiu de 11 a 17 msicos na tropa. Ainda conforme Binder, 5 Cf: DUARTE, Paulo de Queiroz. Os Voluntrios da Ptria na Guerra do Paraguai. O Imperador, os Chefes Militares, a Mobilizao e o Quadro Militar da poca. Vol.I. Rio de Janeiro: BibliEx. 1981. pp. 129-131. as bandas seriam formadas por soldados que, aps passarem por um perodo inicial de aprendizagem sob a orientao do mestre de msica, deixariam as fileiras das companhias e entrariam para a banda de msica.6 Este decreto foi a norma para a msica militar para boa parte do sculo XIX,. No exrcito, o nmero de msicos s foi modificado pelo decreto n 10.015 de 18 de agosto de 1888, portanto aps a Guerra do Paraguai, quando o nmero de msicos autorizados passou a 21, incluindo o mestre de msica. Foi com esta configurao de Bandas Militares no Exrcito que o Brasil entrou na Campanha da Trplice Aliana. Apenas em 1870 que houve outra alterao, estabelecendo-se uma banda de msica em cada um dos cinco batalhes de artilharia a p, nos seis batalhes de infantaria pesada e nos quinze batalhes de infantaria ligeira. Ao total foi prevista a criao de 26 bandas, cada uma tinha com um mestre e dezesseis msicos. Em 1888, nova reorganizao prev que cada um dos 27 regimentos de infantaria e os quatro de artilharia de posio teria direito a um conjunto com 21 integrantes, totalizando 31 bandas. Sobre a composio destas bandas de acordo com os instrumentos, o decreto de 11 de dezembro de 1817, assim as estabelecia: requinta, flautin, 1. Clarinete (mestre e mais um), 2. Clarinete (2), clarinete 3 (1), trompas I, trompa II, clarim I clarim II, fagote I fagote II, trombone ou serpente, caixa, bombo. J em 1848 observa-se uma modificao na instrumentao e no nmero de msicos nas bandas do Exrcito, passando-se seguinte formao: Flautim, clarineta (5), requinta, trompa (2), trombo, clarim (2), piston, ophicleide (3), corneta de chaves, pratos, atabales, bombo, tringulo e rvore de campainhas. Vemos aqui o Oficleide substituindo o Serpento como instrumento de baixo, os fagotes tambm substitudos pelo Trombo e a diferenciao entre clarim, piston e corneta de chaves. O decreto n.5352, de 23 de julho de 1873, arrola os seguintes instrumentos para a artilharia a p, de infantaria pesada e de infantaria ligeira: flautin, flauta, requinta, clarinetas (3), pistes (2), trompas (4), trombones (3), saxofone, oficleide(2), baixos (3), bombardo, bombo, pratos, tringulo, caixa de rufo e rvore de campainha. Este mesmo decreto limitava o nmero de msicos a 25. Certamente o militar que transporta a rvore de campainha no era arrolado como msico, como tambm o tringulo era tocado por algum dos msicos da percusso, perfazendo assim o total de 25 msicos. Outra mudana significativa na instrumentao se nota neste quadro. Aqui j se fala em saxofones, instrumentos recentemente inventados e ainda pouco a pouco se incorporando aos 6 BINDER, Fernando Pereira. Bandas Militares no Brasil: difuso e organizao entre 1808-1889. Vols.I e II. Dssertao de Mestrado. UNESP. So Paulo: 2006. Indito. efetivos das bandas, e tambm nos bombardes e baixos, ambos da famlia dos Saxhornes, invenes do mesmo Adolf Sax, que revolucionam a instrumentao das bandas no sculo XIX. A presena de uma flauta e um flautim tambm constituem uma novidade, como tambm a definio apenas de pistons, sem os clarins e as cornetas de chaves. Evidentemente que a normatizao um ato segundo, s vezes apenas confirmador de hbitos j empregados e arraigados nos conjuntos. Assim, de se supor que o nmero de msicos variasse de banda para banda e tambm que estas mudanas de instrumental apenas demonstravam uma dinmica grande nas bandas, enriquecidas com novos instrumentos. Essas mudanas eram quase com certeza provocadas pelos prprios msicos, que levavam instrumentos novos, e com isso promoviam modificaes tambm no tipo de repertrio tocado e na maneira de se compor para estes conjuntos. Do ponto de vista normativo, so estes os regulamentos e decretos que temos relativos constituio das bandas de msica militares no sculo XIX, no entanto, o que se nota que na realidade esta formao poderia ser muito variada, dependendo de fatores diversos, alguns de carter prtico, outros funcionais, e outros ainda estticos. O que se tem, no entanto, uma gama muito variada de conjuntos, todos denominados banda de msica, que acompanham as tropas aliadas na Guerra do Paraguai. Cada um destes conjuntos desempenhar papis muito amplos no que diz respeito ao repertrio que iro executar durante o conflito e, principalmente, iro reconfigurar o conceito de banda msica no Brasil, aps o fim do conflito. Os Voluntrios da Ptria e a Guarda Nacional Nos Batalhes de Voluntrios da Ptria, como repetiam a estrutura organizacional dos Batalhes de Linha, a Banda de Msica tambm compunha seus quadros. Em sua j citada obra, Mercedes de Moura Reis afirma: Por ocasio da Guerra do Paraguai, cada batalho de Voluntrios da Ptria tinha sua cano, seu hino de guerra, alguns de compositores conhecidos, outros integrados no nosso patrimnio musical annimo e transmitidos pela tradio oral.7 Tambm Paulo de Queiroz Duarte diz: 7 REIS. Op. Cit. p 4. Importante salientar que algumas destas canes e hinos tiveram suas melodias e letras registradas e publicadas por Mariza Lira em 1942 no volume intitulado Cnticos Militares, coletnea de hinos e canes. Os Corpos da Guarda Nacional podiam ter bandas de msica por conta dos oficiais e guardas que voluntariamente concorressem para sua organizao, devendo porm o nmero e o fardamento dos msicos ser aprovados pelo Governo ou pelos presidentes.8 O que chama a ateno neste caso dos Batalhes de Voluntrios da Ptria que seus msicos eram oriundos das camadas populares, muitos deles sem uma formao militar inicial, tendo recebido a formao musical em conjuntos civis correlatos, bandas pequenas, ou mesmo igrejas, concorrendo com isso para que o universo da msica popular se fizesse presente de maneira veemente na campanha militar, j que este era, em sua maioria, o repertrio destes msicos. No sitio da internet da cidade de Cachoeira do Campo, em Minas Gerais, ao relatar a histria de sua Banda de Msica Euterpe Cachoeirense, fundada em 1856, evidencia-se o que afirmamos. Diz o texto do site de autoria de Robson Jos Peixoto: Na poca da Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870, vrias pessoas de nossa regio participaram dela e algumas destas pessoas retornaram com formao militar e musical, trazendo tambm seus instrumentos musicais. Estes elementos passaram a integrar a banda Euterpe, que poca tinha poucos anos de funcionamento e era uma grande atrao, passando a nossa Banda de Msica a rivalizar-se com as bandas militares, recebendo, ento, popularmente, o carinhoso nome de TROPA (que a origem do apelido da banda). Nos estatutos da banda de 1890 e 1911 constam vrias expresses tipicamente militares, como quartel, sinal de recolher, companhia, etc. o que vem reforar este nome. 9 Notamos a relao de dupla troca que se estabeleceu a partir da Guerra do Paraguai no que diz respeito s bandas de msica. Enquanto os msicos civis levavam a msica popular para o campo de batalha (e para as bandas militares), ao retornarem, traziam consigo o ethos militar, militarizando de certa forma as bandas civis. Isto marcante para as bandas musicais no Brasil, quase todas, portando uniformes militarizados, marchando em forma, realizando ordem unida, enfim, como diz o texto supracitado, uma tropa. Tambm o repertrio destas bandas civis no se diferencia mais das militares. Do mesmo modo que seguem tocando suas msicas populares, incorporam o dobrado e a marcha militar a seu repertrio sem estranhamento. 8 DUARTE, op. Cit. p 179. 9 http://www.cachoeiradocampo.art.br/bandas.htm#cima Polcias Militares As polcias militares de cada Estado da Federao que concorreram com tropas tambm levaram consigo suas Bandas, j que muitas polcias j dispunham de bandas organizadas antes mesmo do incio do conflito. Caso dos estados de Minas Gerais, cuja Banda de msica data de 1835, do Rio de Janeiro, de 1839, do Esprito Santo, de 1840, do Sergipe, de 1844, da Bahia, de 1850, do Par, de 1853, do Cear, de 1854, de So Paulo, 1857, do Paran, de 1857, de Alagoas, de 1860. Algumas peculiaridades estas bandas de msica tinham, principalmente no que diz respeito ao nmero de componentes, nem sempre idntico aos do Exrcito. Tomemos como exemplo o caso da Banda da Polcia Militar da Bahia, estado que enviou um grande contingente para a Guerra do Paraguai. Conforme dados do site da Polcia Militar, o Contingente inicial da Banda de msica era de 28 msicos. Sobre sua atuao na Guerra, diz o site: Em 23 de janeiro de 1865, a banda parte junto com o 10 Corpo de Voluntrios para a guerra do Paraguai. Sob o comando do 1 sargento Maximiliano da Cruz Murta, que tocava trombone de vara, os componentes da bandas atuavam como padioleiros e tocavam para alegrar os soldados, nos intervalos das lutas10 Esta informao sobre o fato de os msicos atuarem como padioleiros, j a ouvimos em outras narrativas, porm nenhuma fonte primria consultada nos d com preciso este dado, porm no imaginamos ser distante da realidade, ainda que no uma atribuio do msico, formalmente falando. Outro aspecto interessante que, diferentemente das Bandas do Exrcito, nas quais o mestre era o 1 Clarinetista, aqui o mestre tocava trombone de vara. O site traz ainda curiosa foto da Banda no sculo XIX, sem data exata, mas que mostra bem este dilogo entre o mundo civil e o mundo militar, que tem seu encontro na Guerra do Paraguai. O fundador da Banda da PM um civil, negro. 10 http://www.pm.ba.gov.br/bandademusica.htm Primeiros integrantes da Banda de Msica da PMBA. Destaque: 4. homem sentado na 1 fileira, da esquerda para a direita, ctis negra, em traje civil, mos sobre os joelhos - Fundador da Banda da PMBA, msico civil Laureno Jos de Arago. (legenda do prprio site) Na foto notamos a presena de toda a famlia dos Saxhornes, dos pistons, clarinetas e trombones. Nenhum Oficleide, nem saxofones. Neste aspecto, a fotografia seguinte, da banda da Polcia Militar do Paran designada para compor a tropa que seguiria para a Guerra do Paraguai (fonte: Arquivo Histrico do Exrcito), j nos muito mais informativa. Cuidando de fotografar msico por msico, nos d uma precisa noo da instrumentao, desta vez com o Oficleide, na primeira linha direita, toda a famlia dos sax-horn, apenas um saxofone e o mestre com a requinta (primeiro esquerda na terceira linha). Nenhum trombone, apenas duas clarinetas e dois pequenos trompetes. Essa fotografia corrobora o que afirmamos acima sobre a variedade de formaes instrumentais destas bandas militares que seguiram para o campo de batalha. Iconografia e Fotografia sobre Msica na Guerra do Paraguai Uma fonte interessante de pesquisa sobre a msica militar na Guerra do Paraguai a fotografia e a iconografia do conflito. No se dispe de muita fotografia sobre o conflito, visto ser esta ainda uma novidade cara naquela poca. No entanto, algumas fotos ficaram como bom testemunhos e j nos valemos de uma na introduo deste texto. Aqui nos debruamos sobre outra foto, esta tambm, como a primeira, da Coleo de fotografias de Carlos Csar, depositada no Museu Histrico Nacional, e sobre algumas pinturas de Cndido Lpez, para descobrir mais aspectos importantes sobre a presena dos msicos na guerra. Uma primeira fotografia de Carlos Csar j apresentamos na introduo do artigo, na qual se v o soldado com seu violo em um momento de descanso. A seguinte fotografia no retrata uma tropa brasileira, mas a Banda de um batalho Argentino. No podemos imaginar diferena muito grande entre as bandas brasileiras e argentinas. Neste sentido a foto nos significativa pois d alguma idia da composio real das bandas. Fotografia Carlos Cezar, 1868 batalho argentino Nota-se nesta fotografia os msicos com seus instrumentos em posio de que vo tocar. O instrumentarium pode pouco ser visto em detalhes, mas nota-se claramente que a banda utiliza instrumentos da famlia dos Saxhorns como baixos, no se notando a presena de Oficleides nesta funo. O tambor, o Bombo e os pratos so evidentes, como os trombones. O mestre posiciona bem frente da banda, sem portar nenhum instrumento. A banda consta de apenas 16 msicos, todos uniformizados, mas no devidamente em forma. Outra fonte iconogrfica muito rica e que nos fornece muitos detalhes sobre as bandas de msica no teatro de operaes da guerra so as Pinturas de Cndido Lpez. A reproduo destas pinturas, cujos originais encontram-se no Museu Histrico Nacional e no Museu de Belas Artes, foi publicada, com texto de Augusto Roa Bastos, em edio comemorativa pela Editora Franco Maria Ricci, de Parma, em co-edio com a Confraria dos Amigos do Livro e Editora Nova Fronteira, do Rio de Janeiro. Em diversas obras podemos notar a presena das bandas, no apenas em acampamentos, mas mesmo em formao de combate. Acampamento argentino em Uruguaiana (acima) e detalhe do mesmo acampamento em Uruguaiana (abaixo) Nesta primeira imagem, retratando o acampamento argentino de Uruguaiana, em 22 de setembro de 1865, e em seu detalhe, v-se a tropa em formao observando-se a banda em primeiro plano em posio de descansar armas. Ao fundo direita outra banda formada com instrumentos em posio de tocar, estando o mestre voltado para os msicos e tambm ele tocando um instrumento. frente desta banda esto posicionados um tambor e uma corneta. Batalha Yatai acima e detalhe abaixo Neste leo sobre tela de 40x104 cm, tem-se a descrio da Batalha de Yatai, ocorrida em 17 de agosto de 1865. Nesta obra Cndido Lpez mostra toda a ferocidade desta batalha, colocando em destaque a cavalaria argentina. No detalhe se v o avano das tropas brasileiras tendo esquerda um soldado levando seu tambor s costas e, a cavalo, um clarim bastante evidente. Acima Desembarque em Curuzu e abaixo detalhe da mesma obra Nesse outro leo sobre tela Lopez retrata o desembarque do Exrcito Argentino, em 12 de setembro de 1866, em Curuzu. No detalhe, v-se a banda de msica posicionada em formao. Os tambores esto formados antes da banda. A banda representada tocando. Todos os msicos esto com seus instrumentos em posio de execuo e o mestre, tambm tocando, est voltado para a banda. Sobre este desembarque diz Roa Bastos em comentrio ao quadro: o desembarque realizou-se num denso canavial, que poucos dias antes havia sido queimado em parte pelos paraguaios, mas como no centro havia uma picada, por ela desfilaram as tropas at que chegaram a um pequeno terreno descampado defronte a trincheira de Curuzu. Aquele desfile era penoso para os soldados que haviam tido antes uma longa e movimentada noite, carregando todo o seu equipamento, dormindo mal, apinhados nos barcos. Avano em Curupati J nesse outro leo sobre tela, detalhe do Avano do Exrcito Argentino, a fim de tomar posies para o ataque a Curupati, em 22 de setembro de 1866, nota-se direita o avano da banda com seus instrumentos s costas em posio mesmo de vanguarda. O ataque a Curupati foi realizado pelo 2. Corpo do Exrcito Brasileiro, que deixava suas trincheiras em Curuzu, e pelo 1. e 2. Corpos do Exrcito Argentino, que estivera acampando nas margens do rio Paraguai. Diz Roa Bastos: Onde quer que se olhasse, via-se colunas de infantaria avanando em silncio, umas chapinhando pela gua, outras pisando um campo verde-esmeralda. Essa ltima imagem, a Chegada do Exercito Aliado fortaleza de Itapiru, em 18 de abril de 1866, retrata uma das grandes glrias do Marechal Osrio. Aps as batalhas que o antecederam, comandadas por Osrio, Itapiru foi ponto de reunio das tropas aliadas. No estacionamento representado no quadro pode-se ver uma quantidade muito numerosa de tropas (segundo Bastos, mais de setenta batalhes), podendo-se ver claramente frente de cada formao os tambores. No extremo inferior esquerdo da pintura pode-se ver uma banda formada junto tropa.11 Em todas estas imagens pudemos notar como de fato a banda de msica participava ativamente da atividade de combate e como a integrao do msico ao ethos militar foi de fato marcante, no podendo ser facilmente deixado de lado aps o fim do conflito e o retorno deste msico a sua realidade civil anterior, no caso das bandas dos batalhes de voluntrios, todos desmobilizados ao fim da guerra. O Repertrio das Bandas no Campo de Batalha e a Produo Musical tendo o conflito como referncia At agora tratamos da organizao das bandas de msica, de quais grupos concorreram para a msica durante a Guerra, de seu instrumentarium e de como funcionavam no teatro das operaes, mas pouco falamos do repertrio que tocavam. 11 Sobre esta batalha em Itapiru, consta no Arquivo do Museu Histrico Nacional a partitura para piano de uma Marcha Militar chamada La toma de Ytapiru, dedicada ao Exmo Sr. General Mariscal de campo Manuel Luis Osrio compuesto por Jos M. Pleit, division de B. Ayres. Alm da Vivandeira e do Tero evidente que um outro repertrio compunha o dia-a-dia deste soldado da msica e ainda est por se fazer uma pesquisa sistemtica e abrangente nos arquivos das bandas militares que estiveram envolvidas no conflito, pesquisa esta que poderia nos revelar muito deste repertrio. Uma das melhores fontes que dispomos sobre este repertrio o levantamento realizado por Mercedes de Moura Reis, para a Primeira Exposio Geral do Exrcito e publicado, pela Imprensa Militar no ano de 1952, sob o ttulo A msica Militar no Brasil no sculo XIX. Esta obra, a que j nos referimos acima, tem um captulo inteiro dedicado aos Cantos Patriticos da Guerra do Paraguai. No iremos aqui reproduzir o catlogo de Reis, mas ressaltar o quanto este repertrio era bastante variado especialmente quando atentamos para a msica produzida durante o conflito pelos mestres de banda que atuaram com seus grupos na guerra. Um exemplo didtico deste caso a coleo depositada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro sob o ttulo Peas para banda pelo mestre da musica do 7 Bam. 11 de Voluntarios da Ptria. Seu autor, Filippe Neri de Barcellos, compem uma coleo variada de peas a serem executadas pela Banda de seu batalho e as dedica a D. Pedro II. Da coleo constam: O Rompante do Lopes, dobrado; O Attaque do Riachoelo, dobrado; O Explendido triumpho de Uruguayanna; O Hymno de gloria; A Patiada aos paraguays, polka. Os dobrados e hinos esto presentes, mas a msica popular tambm encontra seu lugar com uma polca fazendo parte da coleo. Outra obra, citada no levantamento de Reis, e que chama a ateno a annima Havaneira : polka, tocada pela banda de musica do Batalhao Voluntarios Porto alegrenses nas noites de 25 e 26 de abril 1870. Desta, lamentavelmente, os originais para banda no foram encontrados. Conhecemos apenas a verso para piano, tambm depositada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Chama a ateno na documentao elaborada por Moura Reis a quantidade de peas dedicadas e oferecidas ao Marechal Osrio, louvando suas qualidades de chefe e militar. Desde peas para canto e piano, em sua maioria, passando por composies orquestrais de grande porte, at composies para bandas de msica, como o Hymno, dedicado e offerecido ao Illmo e Exmo Sr. Brigadeiro Manoel Luiz Osrio, muito digno commandante em chefe do Exercito Brasileiro em campanha no Estado Oriental, pelo Corpo Policial da Bahia, 1.s Voluntrios da Ptria. Musica de Maximino da Cruz Murta.12 12 Fonte fundamental para pesquisa desta msica dedicada ao Marechal Osrio o lbum de Hymnos offerecidos durante a Guerra do Paraguay ao General Manoel Luis Osrio, Marques do Herval. Esta obra teve uma reimpresso em 1913, por iniciativa da filha do Marechal, Manoela L. Osrio Mascarenhas. REIS cita o Instituto Histrico e Geogrfico Brasileiro como depositrio desta obra. O levantamento, partiturao e estudo destas obras, seguido de sua gravao e divulgao, seriam uma contribuio mpar para a histria da msica militar brasileira e para a histria mesmo da Ptria, especialmente neste ano de 2008, quando se celebra o bicentenrio do nascimento do Marechal Osrio.13 A ttulo de concluso Apesar de j distante temporalmente, a Guerra do Paraguai foi sem dvida um conflito que deixou marcas muito profundas, no apenas na mentalidade militar do Brasil, mas na cultura brasileira como um todo. Uma cantiga folclrica infantil talvez seja um bom exemplo destas marcas. No h criana no Brasil que no cante os versos de: Fui no Itoror \ beber gua no achei Achei bela morena \ que no Itoror deixei. Talvez at mesmo a conscincia histrico-geogrfica de onde fica o Itoror tenha se perdido, mas a cantiga no deixa com que caia no esquecimento o riacho, que d nome a uma das sangrentas batalhas da Guerra da Trplice Aliana. Esta cano testemunho sonoro da batalha. Quem a comps? Quando? Como se difundiu? Todas essas so questes sabiamente improvveis de serem respondidas sob o vis do folclore. O que importa que, certamente sem que saibam, todas as vezes que uma criana a entoa est rememorando musicalmente a guerra. Este foi o propsito primeiro deste texto: levantar elementos que ajudem a recuperar sonoramente o ambiente da Guerra do Paraguai. Ainda h muito que se pesquisar em arquivos sobre a msica militar na Guerra da Trplice Aliana. Este tema est longe de ser esgotado e o que conhecemos sobre esta msica no muito diferente do tratamento que toda a msica militar recebe no Brasil, quase sempre anedtico, sem uma preocupao com sua documentao precisa e anlises justas, que dem conta do fenmeno msica. Neste pequeno texto, antes de querer esgotar o assunto, tentamos salientar aqueles elementos que mais se destacam no que diz respeito a este tema e tambm apontar possveis perguntas que podero motivar outros estudos e pesquisas. 13 Em 1990 o GBOEX lanou um disco de vinil com um grande encarte textual chamado Amor Febril que tratava de resgatar parte do repertrio militar brasileiro. O encarte traz informaes preciosas e as gravaes ( no lado A as canes das Armas do Exrcito Brasileiro e no lado B canes da Guerra do Paraguai, entre as quais a Vivandeira, o Tero da Imaculada Conceio, a Cano da Guerra do Paraguai, de Francisco Manuel da Silva), no entanto, foram feitas em teclado eletrnico, mesmo com tantas bandas de msica disposio. Alm de tudo, procuramos evidenciar como a convivncia entre conjuntos musicais de procedncia militar com aqueles oriundos do mundo civil e integrados guerra atravs dos Batalhes de Voluntrios, moldou de certa maneira a msica de bandas no Brasil, militarizando, por um lado, as bandas civis, muitas delas remanescentes dos Batalhes de Voluntrios, fazendo-as portar prticas e uniformes militares, bem como tocar o repertrio tpico das bandas militares, como tambm, por outro lado, popularizou as bandas militares, que se herdaram a prtica de executar tambm um repertrio popular ao lado daquele seu especfico, composto de marchas, hinos e dobrados. Estudos sobre a msica militar na Guerra do Paraguai daro uma noo muito diferenciada deste conflito, pois permitiro o acesso ao ambiente sonoro do mesmo, chegando desta maneira a uma das expresses humanas mais impressionantes. Saber o que tocaram as bandas, com quais instrumentos e com quais formaes, permitir que saibamos mais tambm sobre o prprio presente da msica militar. S com a valorizao do repertrio histrico das bandas militares, neste nosso caso o da Guerra do Paraguai, poderemos construir uma verdadeira tradio de msica militar. Bibliografia BASTOS, Augusto Roa. Cndido Lpez. Parma, Rio de Janeiro: Franco Maria Ricci Editore, Nova Fronteira. S\d. (edio das pinturas de Cndido Lpez sobre a Guerra do Paraguai com textos de Augusto Roa Bastos). BINDER, Fernando Pereira. Bandas Militares no Brasil: difuso e organizao entre 1808-1889. Vols.I e II. Dssertao de Mestrado. UNESP. So Paulo: 2006. Indito. CERQUEIRA, Dionsio. Reminiscncias da Guerra do Paraguai. Rio de Janeiro: Grfica Laemmert, s;d. DUARTE, Paulo de Queiroz. Os Voluntrios da Ptria na Guerra do Paraguai. O Imperador, os Chefes Militares, a Mobilizao e o Quadro Militar da poca. Vol.I. Rio de Janeiro: BibliEx. 1981. REIS, Mercedes de Moura. A Msica Militar no Brasil do Sculo XIX. Rio de Janeiro: Imprensa Militar, 1952.

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