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  • O SUDOESTE PENINSULARentre Roma e o IsloSOUTHWESTERN IBERIAN PENINSULA BETWEEN ROME AND ISLAM

  • O SUDOESTE PENINSULARentre Roma e o IsloSOUTHWESTERN IBERIAN PENINSULA BETWEEN ROME AND ISLAM

  • EXPOSIO /// EXHIBITION

    ARQUITECTURA DE MRTOLA ENTRE ROMA E O ISLO MRTOLAS ARCHITECTURE BETWEEN ROME AND ISLAM

    AUTORES /// AUTHORS

    SANTIAGO MACIASInvestigador do Programa Cincia 2008 da FCT Universidade de Coimbra CEAUCP/CAMVIRGLIO LOPES Campo Arqueolgico de Mrtola

    ORGANIZAO /// ORGANIZATION

    CAMPO ARQUEOLGICO DE MRTOLACENTRO DE ESTUDOS ARQUEOLGICOS DAS UNIVERSIDADES DE COIMBRA E PORTO

    COORDENAO E PRODUO /// COORDINATION AND PRODUCTION

    OFICINA DE MUSEUS

    CONCEPO E DESIGN GRFICO /// CONCEPTION AND GRAPHIC DESIGN

    ANTNIO VIANA

    EQUIPA DE MONTAGEM /// SETUP TEAM

    ADRIANO FERNANDES CLARA RODRIGUES GUILHERMINA BENTO JOS BENTO LGIA RAFAEL MARIA DE FTIMA PALMA NLIA ROMBA RUTE FORTUNA

    RECONSTITUIES EM 3D /// 3D RECONSTITUTIONS

    JOS MANUEL PEDREIRINHO PEDRO TRAVANCA (Baslica do Rossio do Carmo)CARLOS ALVES (Baptistrio e Mausolu)ANYFORMS NATIONAL GEOGRAPHIC PORTUGAL (Baptistrio II)

    FOTOGRAFIAS /// PHOTOS

    ALBERTO FRIAS ANA VAZ ANTNIO CUNHA ARQUIVO CAM CLUDIO TORRES JORGE BRANCO MARTINHO CORREIA RICARDO CABRAL SANTIAGO MACIAS VIRGLIO LOPES

    MAPAS E DESENHOS /// MAPS AND DRAWINGS

    CMARA MUNICIPAL DE MRTOLACARLOS ALVES JOS LUS MADEIRA NLIA ROMBA

    LIVRO /// BOOK

    O SUDOESTE PENINSULAR ENTRE ROMA E O ISLOSOUTHWESTERN IBERIAN PENINSULA BETWEEN ROME AND ISLAM

    COORDENAO GERAL /// GENERAL COORDINATION

    SUSANA GMEZ MARTNEZ SANTIAGO MACIAS VIRGLIO LOPES

    AUTORES /// AUTHORS

    ANA PATRCIA MAGALHES ANTNIO M. MONGE SOARES CAROLINA GRILO CLUDIO TORRES FERNANDO BRANCO CORREIA INS VAZ PINTO JOO ANTNIO MARQUES JOO PEDRO ALMEIDA JOO PEDRO BERNARDES JORGE DE ALARCO JOS DENCARNAO JOS GONALO VALENTE M. JUSTINO MACIEL MANUEL LUS REAL MARIA MANUELA ALVES DIAS MLANIE WOLFRAM PATRCIA BRUM SANTIAGO MACIAS SUSANA GMEZ MARTNEZ TOMS CORDERO RUIZ VANESSA GASPAR VIRGLIO LOPES

    DESIGN GRFICO /// GRAPHIC DESIGN

    TVM DESIGNERS

    TRADUO /// TRANSLATION

    ESBN CONSULTINGLDA.Tradutor / Translator: BERNARDO DE S NOGUEIRARevisora / Proof reading: ERICA DE S NOGUEIRA

    IMPRESSO /// PRINTING

    GRFICA MAIADOURO

    ISBN 9789729375453DEPSITO LEGAL /// LEGAL DEPOT 385759/14TIRAGEM /// PRINT RUN 1000

    CDROM

    ENTRE ROMA E O ISLO PROJECTO DE ESTUDO E VALORIZAO DO PATRIMNIO DA ANTIGUIDADE TARDIA NO ALENTEJO BETWEEN ROME AND ISLAM RESEARCH AND ENHANCEMENT PROJECT OF THE LATE ANTIQUITY HERITAGE IN THE ALENTEJO

    COORDENAO /// COORDINATIONSUSANA GMEZ MARTNEZ VIRGLIO LOPES SANTIAGO MACIAS

    PRODUO /// PRODUCTIONTERRACULTA, CONSULTORIA, PRODUO E GESTO CULTURAL, LDA.

    ISBN 9789729375460TIRAGEM /// PRINT RUN 1000

    UNIO EUROPEIA

    Fundo Europeude Desenvolvimento Regional

    COFINANCIAMENTO /// COFINANCING

    INVESTIGAO /// RESEARCHPARCERIA /// PARTNERSHIPEDIO /// EDITION

    ENTRE ROMA E O ISLO PROJECTO DE ESTUDO E VALORIZAO DO PATRIMNIO DA ANTIGUIDADE TARDIA NO ALENTEJO BETWEEN ROME AND ISLAM RESEARCH AND ENHANCEMENT PROJECT OF THE LATE ANTIQUITY HERITAGE IN THE ALENTEJO

  • J o s d E n c a r n a o 1

    CEAUCP Coimbra

    Sociedade e cultura em

    Pax Ivlia, atravs da

    epigrafia

  • 17

    Apesar de haver a firme convico de que as mais significativas inscries da colnia de Pax Iulia jazem, ainda hoje, em reutilizao nos edifcios da cidade, o que j foi identificado per-mite-nos concluir ter sido a sua populao constituda por famlias cultas, directamente ligadas aos colonos iniciais, enriquecidas com o comrcio, a produo agrria e a minerao.

    As manifestaes religiosas de que as epgrafes so testemunho confirmam esse panorama exgeno instalado.

    Para sabermos da sociedade romana de Pax Iulia e das suas manifestaes culturais os monumentos epigrficos continuam a constituir fonte primordial, ainda que, apesar da aturada investigao feita e em curso, o nmero dos que se conhecem ainda continue escasso, se aten-dermos grande importncia que no h dvida a cidade deteve.

    Por essas epgrafes ficamos a saber quem foram os habitantes, mormente os notveis e seus familiares; e, directa e indirectamente, como se posicionavam perante os seus concidados. As inscries eram, na verdade, colocadas onde se vissem e se lessem e todos os pretextos eram facil-mente invocados para as mandar gravar; da o seu real interesse histrico-cultural.

    1. Duas comunidades

    Quando, em 1984, se apresentou, pela primeira vez, o estudo global das inscries romanas achadas na cidade e no que se supunha ser o seu permetro de influncia,2 concluiu-se pela exis-tncia de uma populao pr-romana, no apenas porque uma inscrio (IRCP 233) era suscep-tvel de se interpretar como referindo dois senados, um indgena e outro romano, mas tambm porque a onomstica dava conta de uma forte simbiose.

    Valer a pena voltar a essa epgrafe, cuja primeira meno dada por Frei Amador Arrais (1604, 109) e de que nenhum autor seguinte teve conhecimento directo. Pode ser que venha a

    reencontrar-se, pois que Amador Arrais muito claro [Fig. 1]: [] um pedao de mr-more que soa estar em Beja porta de Moura no muro alto, com estas letras e outras gastadas do tempo. Ou seja: soa estar, mas j no estava! Algum o teria tirado. Interessa, no caso vertente, no apenas o texto que o bispo apresenta, mas tambm a interpretao que dele d no contexto do seu raciocnio. A frase pertence ao dilogo quarto, que trata da glria e triunfo dos Lusitanos, e vem no captulo VI, em que os interlocutores discutem das colnias de Lusitnia e de sua fundao. A discusso prende-se, neste passo, com saber de quem partiu a iniciativa da fundao de Pax Iulia, se de Csar, se de Octvio:

    [] Alguns escrevem que quando Octvio Csar edificou Mrida e Saragoa fundou tambm Pax Iulia e lhe deu o nome de seu tio. Porm, esta conjectura no quadra, por-que dantes o tinha, como se v em um pedao de mrmore [].

    IRCP = ENCARNAO (Jos d), Inscries Romanas do Conventus Pacensis Subsdios para o Estudo da Romanizao, Coimbra, 1984, p. 293-440.

    SOCIEDADE E CULTUR A EM PAX IVLIA , ATR AVS DA EPIGR AFIA

    Fig. 1

    Reproduo da pgina 109 da obra de Frei Amador Arrais.

    Reproduction of page 109 of Frei Amador Arraiss work.

  • 18JOS DENCARNAO

    Transcreve o texto e explica que essas letras fazem meno de Caio Jlio Csar e dos car-gos que teve, como se fora ele o que a fundou.

    Antes de se voltar epgrafe, diga-se que, na continuao, a problemtica abordada nesta passagem do dilogo a de Beja no poder confundir-se com Badajoz, como queriam autores castelhanos, aduzindo-se, para mostrar a importncia da cidade no tempo dos Romanos, no apenas a dedicatria a Lcio Vero (IRCP 291), mas tambm o terminus augustalis entre Eboren-ses e Pacenses, que Andr de Resende teria visto em Oriola.

    A cpia que Amador Arrais apresenta , como se v, muito clara:

    C. Iulius Cae.I I Vir bis pr.Viri q; Se

    Propus a seguinte reconstituio:

    C(aius) IVLIVS C(aii) F(ilius) [] / IIVIR (duumvir) BIS PRAE[F(ectus) FABRVM?] / [] VTRIQVE SEN[] / []

    E comentei:

    [] Parece haver referncia a um magistrado municipal: depois de ser dunviro por duas vezes, foi decerto prefeito dos artfices. A l. 3 e seguintes indicavam qui os beneficirios de qualquer empreendimento levado a cabo por Gaio Jlio.Efectivamente, de acordo com a sugesto de Hbner populo utriusque sexus estara-mos perante mais um caso de evergetismo: o magistrado poderia ter distribudo benesses populao de ambos os sexos, facto a assinalar, pois que raramente as mulheres eram bene-ficirias desses gestos, por isso que era devidamente referido nos textos. Gallsterer , porm, doutra opinio: considerando possvel a existncia de dois tipos de ordens ou assembleias de notveis, sugere que G. Iulius poderia ter pertencido ou presidido utrique sen(atui), hiptese mais condizente com as verses mais antigas do texto.3

    Em nota, acrescentei (p. 307):

    Poderia ter existido, em determinado momento, um senado para o estrato populacional indgena e outro para o estrato romano, gozando ambos de estatuto prprio. Em Valentia, havia a comunidade dos Veterani e a dos Veteres; em Crdoba, a existncia dos forenses e dos

    Perdoar-se-me- se, para aqui aligeirar o texto, eu remeta para as informaes bibliogrficas indicadas em IRCP (p. 307).

  • 19

    Hispani teria, segundo Knapp (Roman Cordoba 1983 13-14), essa explicao. No entanto, no se registou ainda, na epigrafia destas cidades, qualquer referncia a dois senados.4

    Trata-se, na verdade, de um tema aliciante e que se por, decerto, em relao a todas as colnias romanas: foram criadas ex novo ou j l havia populao? Se havia indgenas minima-mente organizados, como se compreende, de que modo se processou, do ponto de vista admi-nistrativo, a juno ou o modo de funcionamento de ambas as comunidades? Aliciante, sim; contudo, no pode aduzir-se, a meu ver, esta epgrafe, no s porque a no reencontrmos e no podemos, assim, resolver as dvidas de interpretao, mas tambm porque o texto dado por Amador Arrais demasiado curto para justificar as elucubraes que suscitou. Certo que a epgrafe (a ter existido) no se referir a Jlio Csar, mas sim a um notvel municipal da gens Iulia e o que Arrais l como Caesar ou a filiao, como aventei, ou a meno da tribo Galeria. Viri (da linha 3) ser mais consentneo com a referncia a um cargo, at porque, tendo o mr-more sido reutilizado no muro alto das portas de Moura, nos sugere estarmos perante uma ep-grafe de carcter monumental mais do que honorfico. Com esse carcter honorfico se pren-deria o gesto benemerente que houvesse contemplado cidados de ambos os sexos, de que h outros testemunhos, como op