o saqu 158

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Edição de maio de 2013 do jornal O SAQUÁ, de Saquarema, Rio de Janeiro. O Jornal O SAQUÁ é produzido mensalmente em Saquarema pela Tupy Comunicações, distribuído na Região dos Lagos e enviado para assinantes no Brasil inteiro.

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  • Razes de uma luta poltica sempre acirradaPGINA 6

    Ano XIII n 158 1 a 31 de maio de 2013 Saquarema Rio de Janeiro www.osaqua.com.br Diretora: Dulce Tupy

    Parabns, Saquarema, pelos 172 anos!

    Uma edio muito an-tiga, publicada em Portugal no sculo 18, foi reeditada em 2007 pela Secretaria Estadual da Cultura do Rio de Janeiro, onde descrito o Crio de Nazareth de Saquarema, o mais antigo do Brasil. Alm da descrio da igre-ja e da imagem da santa, o livro registra usos e costumes locais. Escrito por Frei Agostinho, uma verdadeira obra-prima, s agora revelada ao pblico. Pgina 3

    A cidade comemora seus 172 anos de emancipao po-ltico-administra-tiva e o jornal O SAQU traz uma edio histrica em ho-menagem a esta data significa-tiva, que deu ao municpio au-tonomia poltica, porm sem esquecer suas origens, seus grandes nomes, sua cultura.

    Vista area do Centro da cidade

    GILDSIO

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    Casamento selou a paz entre famlias

    As tradicionais famlias Nunes e Men-dona fazem parte da histria pol-tica e econmica do municpio. Em 1959, o casamento de Elzira e Simeo selou a paz entre as duas famlias que, at ento, eram adversrias polticas. O ex-vereador Si-meo Nunes abriu mo de uma carreira na Cmara, para se dedicar ao primeiro posto de gasolina da cidade, o Posto Bacax, hoje na Rodovia Amaral Peixoto. Pginas 8 e 9

    O casamento de Elzira Mendona e Simeo Nunes foi notcia em Saquarema

    e repercutiu at em Niteri

    EDIO ESPECIAL EDIO ESPECIAL EDIO ESPECIAL EDIO ESPECIAL EDIO ESPECIAL EDIO ESPECIAL EDIO ESPECIAL EDIO ESPECIAL

    Folia do Divino mantm tradio milenar em Saquarema

    Livro descreve Crio de Nazareth

    A Festa do Divino um festejo religioso por-tugus que chegou ao Brasil com os colonizadores. O costume se mantm at hoje em vrios municpios no Rio

    Janeiro e, nos ltimos anos, foi resgatado em Saquarema o le-vantamento do mastro que fica junto igreja de N. Sra. de Na-zareth, nos dias que antecedem o folguedo. Pgina 7

    HISTRIA

    O mastro do Divino percorre as ruas da cidade

  • Maio/20132 O SAQUEDIO ESPECIAL

    O jornal de Saquarema

    Na segunda metade da dcada de 50, no me recordo preci-samente do dia, ms e ano, acompanhado por meu pai, entrei na Padaria Natal, no centro da Vila, mais conhecida como a padaria de Darcy, o Bravo, dono da padaria e pesquisador da histria de Saquarema, e antes de dizer que queramos uma dzia daquela deliciosa broa de milho, com o leve sabor de erva-doce, Darcy recebeu meu pai com uma pilha de papel sobre o balco e uma cobrana desafiadora: Casimiro, Saqua-rema no comemora a data de sua eman-cipao com festa, solenidade, missa e desfile cvico-escolar. Olha s, j temos o brazo do muni-cpio regulamen-tado em detalhes por lei especfica, mas n ingum sabe onde est o desenho com sua representao grfica. Ainda preciso uma lei criando a bandei-ra do municpio e outra oficializando o hino municipal de Saquarema, que j tem letra e msica, de autoria de Jos Bandeira, faltando registrar a melodia em partituras para a banda de msica tocar. Eu estou falando com voc, Casimiro, porque voc e Dona Nair so muito bons para articular essas coisas.

    Dito e feito! Casimiro empolgou-se, topou a ideia, arregaou as mangas e via-bilizou tudo rapidamente. Com uma cpia da lei que detalhava o contedo do brazo do municpio, Casimiro acionou um amigo desenhista, artefinalista e conhecedor dos princpios bsicos que regem a herldica

    (arte e cincia dos brazes e bandeiras), chamado Ayrton S Rego, para fazer um novo original para o brazo que estava sumido, alm de uma proposta para a bandeira do municpio, que acabou sendo aprovada pela Cmara de Vereadores, atravs da Resoluo n 5/62, em 11 de maio de 1962, e sancionada pelo ento prefeito Hlio Bernardino de Mattos. Como bom msico instrumental, tocador de piston e flauta, conhecedor de teoria musical, filho do maestro Francisco Vigno-li, Casimiro resolveu escrever as partituras com a melodia do hino que se tornou oficial pela Resoluo n 13/65, sancio-nada em 27 de julho de 1965, pelo ento

    prefeito Gentil Ma-noel Mendona. Paralelamente, Casimiro Vignoli e sua incansvel es-posa, Nair Vignoli, agilizavam a cons-truo da sede prpria do ento Ginsio Professor Alfredo Coutinho por eles fundado, que acabara de formar, em 1962, a primeira turma de ginasianos e Saquarema. At o clima era favo-rvel para quem,

    como o casal Casimiro e Nair, envolvia-se animadamente com a ideia de um desfile cvico-escolar pelas ruas de Saquarema, no 8 de maio.

    Foi tudo muito rpido at a realizao de um grande sonho de dois ilustres sa-quaremenses, Casimiro Vignoli e Darcy Bravo: comemorar com festa, foguetrio, solenidades, missa e desfile cvico-escolar a data da emancipao poltico-adminis-trativa da terra natal.

    No faz muito tempo, um pre-feito, em pleno exerccio do mandato, perguntou-nos: quem foi esse tal de Oscar de Macedo Soares? Pois ! Poucos sabem. Outros tantos se indagam: quem foi Alberto de Oliveira, Oliveira Viana, Alfredo Coutinho, Francisco Fonseca, Beatriz Amaral, Sampaio Corra, Francis-co Vignoli, Darcy Bravo? E por a vai... Ou melhor, por a fica! No h resposta pela total ausncia de poltica cul-tural nacional, estadual e mu-nicipal. Por isso esta edio his-trica, como se fosse a reper-cusso do grito de um municpio em busca de sua memria.

    vital para a cidadania pre-s e r v a r n o s s a memr ia , por flagrar os mo-mentos em que ocor re ram ao longo do tempo, as grandes e pequenas mudanas, tenham sido polticas, econmicas, sociais ou morais. Prestes a con-templar 13 anos, em julho prximo, o jornal O Saqu tem publicado am-plas e detalhadas matrias reunindo precioso material histrico, alm dos aspectos geogrficos, naturais e cul-turais, todos, direta ou indiretamente, comprometidos com as circunstn-cias histricas e antropolgicas do

    municpio que, atravs das pocas, delinearam o perfil atual de Saquare-ma. Nossa inteno contribuir para que a populao de Saquarema possa alongar o alcance de sua ligao com as razes, consolidar sua identidade com a terra onde vive e, sobretudo, sentir-se orgulhosamente inserida no contexto histrico da evoluo de um

    pequeno povoado que se tornou vila e, hoje, um municpio em franco desenvolvimento.

    De acordo com uma tese antropolgica reco-nhecida mundialmente, o homem produto do meio. Mas como sab- lo se desconhecemos as origens? Quem so-mos, s desvendando de onde viemos e por onde

    passamos, sem o que t o r n a - s e a v e n t u r a para onde v a m o s . . . O ontem, o hoje e o ama-nh constro-em a histria, narrao cro-nolgica dos fatos ocorridos

    na vida das populaes, em parti-cular, e da humanidade, em geral. Ningum poder construir um bem sucedido presente, visando um fu-turo promissor, se incorrer na igno-rncia do passado. Assim, estamos publicando esta edio histrica para comemorar os 172 anos da emancipao poltica e administra-tiva de Saquarema. o nosso pre-sente para a cidade e seus cidados.

    Av. Ministro Salgado Filho, 6661Barra Nova Saquarema RJ

    Tel.: (22) 2651-7441Fax.: (22) 2651-8337

    Editora: Dulce Tupy dulcetupy@osaqua.com.brEditor adjunto: Silnio Vignoli Diretor comercial: Edimilson SoaresDiretora de arte: Lia Caldas / Subito Creative - www.subito.cr

    Colaboradores autnomos: Alessandra Calazans (redao e reviso), Michele Maria (redao e reviso), Agnelo Quintela, Paulo Lulo e Pedro Stabile (fotografia), Rossini Maraca (publicidade)

    Jornalista Responsvel: Dulce Tupy (registro:18940/87/62)

    O SAQU

    CNPJ: 04.272.558/0001-87 Insc. Munic.: 0883

    www.osaqua.com.brjornal@osaqua.com.br

    twitter.com/osaquafacebook.com/osaqua

    Grfica: Editora Esquema Tiragem: 5.000 exemplaresCirculao: Saquarema e Regio dos Lagos

    As matrias assinadas no refletem necessariamente a opinio do jornal.

    Por que fazer uma edio histrica?Dulce Tupy

    Casimiro Vignoli, Darcy Bravo e o 8 de maioSilnio Vignoli

    www.tupycomunica.com

    C O M U N I C A E S

    O Ex-vereador Darcy Bravo, autor do livro Minha Terra Saquarema, pode ser considerado o

    pioneiro no resgate da memria do

    municpio Os saudosos Seu Casimiro e Dona Nair na porta de sua casa

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  • Maio/2013 3O SAQU EDIO ESPECIAL

    O primeiro registro histrico da igreja e imagem de N. Sra. de Nazareth de Saquarema

    O Santurio Mariano uma srie de 10 livros, escritos por um padre franciscano em Portugal no sculo 18, entre 1707 e 1723. Com o ttulo de Santurio Mariano, e his-tria das imagens milagrosas de Nossa Se-nhora a srie na verdade um inventrio das igrejas e imagens dedicadas Virgem Maria no Reino Portugus, comeando por Portugal mas incluindo tambm as colnias situadas na ndia Ocidental, sia Insular, frica, Filipinas e Brasil. Obra con-siderada rarssima, o Santurio Mariano teve parte do volume 10 publicada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, atravs da Secretaria Estadual de Cultura e INEPAC (Instituto Estadual do Patrimnio Artstico e Cultural). um dos mais antigos registros histricos da igreja e imagem de Nossa Se-nhora de Nazareth de Saquarema.

    Impressos numa oficina em Lisboa, os 7 primeiros volumes da srie descrevem as igrejas e ima-gens de Portugal. O 8 volume so-bre as igrejas e imagens da frica e sia. O 9 volume descreve 194 igre-jas e imagens no Norte e Nordeste do Brasil (Bahia, Pernambuco, Mara-nho e Par). E o 10 volume dedica-do s 146 igrejas e imagens encontra-dos no Sul e Sudeste do Brasil, sendo

    Capa do livro Santurio Mariano, publicado no Sculo XVIII, em Portugal

    Estandarte do Crio de Nazareth de Saquarema, o mais antigo do Brasil

    Pintura leo de Antenor de Oliveira (acervo Casimiro Vignoli)

    Imagem original de Nossa Senhora de Nazaret